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Parte XX COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO



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Parte XX

COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO

 
"Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formam um só corpo, assim também é Cristo. Pois em um só Espirito fomos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espirito. Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vos sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros"


(1Co 12.12,13,24-27)

A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante, e é descrita através de imagens riquíssimas como "Povo de Deus", "Corpo de Cristo" e "Comunhão no Espírito". Expressa-se também como um corpo local. Assim, falamos na Igreja Batista Sião, na Igreja Presbiteriana da Bahia, na Igreja Evangélica Fluminense como uma dessas comunidades locais, onde o nome de Jesus Cristo é exaltado, Sua palavra, estudada, e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. "A Igreja é uma companhia de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de fé e fraternidade do evangelho".



A IGREJA

A Igreja é isso: uma congregação de crentes cuja única cabeça é Jesus Cristo. É uma fraternidade de pessoas que crêem em Jesus Cristo como Salvador pessoal, e Lhe obedecem seguindo-O como discípulos e tendo-O como Senhor.

Sim, formamos uma comunidade (At 2.42; 1Jo 1.3,6,7), e, se comunidade temos algo em comum: a fé comum em Cristo Jesus (Tt 1.4; 1Co 1.9), o sangue de Cristo (1Co 10.16), o Espírito Santo (Fp 2.1; 2Co 13.13). A verdadeira comunidade cristã é criada e sustentada por uma fé e uma vida comuns em Cristo, um compromisso de obediência comum a Cristo como Senhor, uma participação comum no Espirito.

Somos "irmãos". É a mais freqüente designação do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas. É uma saudação natural (cf. Rm 8.29; Tg 2.15; 1Jo 2.10), e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor, com responsabilidade mútua, plena participação na família de Deus, e um compartilhar pleno na realização da vida da igreja. Jesus disse que "irmão" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Mc 3.35).

Não há superioridade, não há diferença quando chamamos o outro de "meu irmão" (Mt 23.8). Diferença que exista é de dom e função na Causa de Cristo, "Ora há diversidade de dons, mas o Espirito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um, porém, é dada a manifestação do Espirito para o proveito comum" (1Co 12.4-7).

Somos membros uns dos outros, sim, porque confessamos a um só Senhor: Jesus Cristo (Mt 10.32; 1Jo 2.23; 4.15); porque filhos do mesmo Pai (Jo 1.12, Rm 8.14-17); porque regenerados pelo poder do Santo Espírito (Tt 3.5; Ef 1.13; Lc 11.13).

A Igreja de Jesus Cristo, da qual somos membros pelas razões já expostas, é , então, um centro de trabalho e de lealdade. E visto que o propósito redentor de Deus é para ser realizado por meio da Igreja, "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada , por meio da Igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor." (Ef 3.10,11), a participação nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmão e do seu trabalho. E é realizado através da Igreja local, o que significa que seu esforço, sua atividade, sua iniciativa devem ser através desta abençoada comunhão local. É uma questão de investimento espiritual, investimento de alto retorno em termos de crescimento, de conhecimento, de graça, de amor alegria, paz, bênçãos! Muitas bênçãos!

E PARA SER MEMBRO DA IGREJA?

Há condições, pois pode uma pessoa ser cristã e não ser membro de uma Igreja local. Por outro lado, há quem participe da comunhão terrena, mas não do nascimento celestial. Por isso, "Saíram dentre nós, mas não eram dos nosso; porque, se fossem dos nosso, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos" (1Jo 2.19).

Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja; e se é salvo, é normal que busque a comunhão do povo de Deus. Então, aí esta a primeira exigência para ser membro da Igreja de Cristo: regeneração através do arrependimento, "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2.38).

Importa que isso aconteça porque o salvo é batizado no Espírito Santo, e assim unido à Igreja de Deus: "Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo , quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito" (1Co 12.13), e essa expressão "batismo no Espírito Santo"significa o ministério do Espírito em favor do que crê. Não se pode ser membro por ordem de outros, por procuração, ou sem exercício da fé como no caso de recém-nascidos.

Após a regeneração, o passo da obediência: o batismo. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. Mt 28.19; cf. At 8.36-38; 10.47; 16.33; Gl 3.27), e o batismo há de ser realizado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mt 28.19). Deste modo, o novo convertido é batizado para se tornar célula viva, membro ativo na comunhão de irmãos que se chama Igreja de Jesus Cristo.

QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO

1. Amor ao estudo da Palavra de Deus. Na Reforma Protestante do século 16, a exclamação "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). A Palavra de Deus que alegra o coração, fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12.24; 2Tm 3.16,17). Tomá-la para "ler, viver e crescer", lembrando a exortação: "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". Com o objetivo de "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (2Tm 2.15; 1Pe 3.15).

2. Fervor na Oração. Jesus ensinou: "Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer" (Lc 18.1); Paulo exortou "orai sem cessar" (1Ts 5.17), e Tiago deixou claro: "Confessai portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação" (Tg 5.16). Pois oração implica em atitude de dependência de Deus, em comunhão com Deus, em absoluta confiança em Deus.

3. Assiduidade os cultos. Está em Hebreus 10.25: "Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. At. 2.42)

E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmãos (Sl 84.2,4; 133.1), para receber do Senhor bênçãos e mais abundância de vida (Sl 133.3; Mt 18.20; Jo 10.10), para imitar o exemplo dos primeiros cristãos (At 2.46).

4. Atividade. Consciência dos dons que recebeu e usá-los: pregar, ensinar, exortar, consolar. Socorrer, cantar, administrar, o que quer que seja.

Há membros e há membros. Há os salvos, batizados no Espirito, regenerados, portanto; lavados no sangue de Cristo, exemplares, úteis, vidas inspiradoras, e que levam a igreja a crescer. Há os postiços, agregados ao Corpo de Cristo, mas como um corpo estranho. Não crescem, não fazem crescer escandalizam até. Jesus os chamou "joio"no meio do trigal, "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13.24ss; 25.32ss). Levam freqüentemente a igreja à tristeza, criam problemas.

Mas é preciso recordar e viver a comunhão com Cristo no batismo (Rm 6.3,4), na morte (v.4), na ressurreição (v.5; Ef 2.6), na vida eterna (v.8). Crucificados com Ele (Gl 2.20), vivificados com Ele (Ef 2.5), e com Ele nos céus (Ef 2.6; cf. Mt 8.11; 23.2; Cl 3.1; 2Ts 2.4; hb 8.1; Ap 3.21). E também a comunhão com os outros, tão essencial que João a põe como prova de conversão (1Jo 3.14-18; cf. Jo 13.35; 17.21; 1Co 13.1-13).



A IGREJA LOCAL

O princípio da Igreja diz que pertencer-lhe é um santo privilégio e um sagrado dever. Há uma alegria especial em ser membro da igreja. Aliás, o Novo Testamento não fala de experiência cristã praticada independentemente, e isolada dos outros crentes. Jesus andava e mantinha comunhão com seus discípulos, homens e mulheres, unidos todos em amor comum e lealdade (cf. Mt 10.1ss, 28; 27.55; Mc 6.7ss; Lc 8.1-3; 9.1ss; Mt 20.17).

Como é você como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristãos? É somente ler Atos ou as Cartas. Era imperativo que vigiassem sua conduta, que preservassem a harmonia entre eles, e tivessem a consciência de que a verdade divina lhes fora confiada; eram ativos no testemunho de Jesus Cristo; estavam vigilantes quanto à Sua Segunda vinda, encontravam alegria na comunhão, a igreja era um investimento de vida. Na igreja, todos os crentes têm direito a privilégios iguais. Isso não se refere a diferenças de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas.

Dizer isso significa que ninguém tem privilégio especial sobre outro. Só Cristo! Então, já que há direitos iguais de acesso a Deus, há privilégios iguais na igreja. Essa é a razão porque somos uma fraternidade, uma família da qual Deus é o Pai, e Jesus Cristo o irmão mais velho (R.M. 8.29; Mt 6.9; 12.50; 23.9; Lc 8.21; Ef 4.6; 1Pe 1.17). A igreja não é uma relação de sócios ou de membros ou de filiados. É uma comunhão. Se alguém está fora dessa comunhão, seja por falta grave, abandono, escândalo, falsa doutrina, deve ser excluído da igreja porque, de fato, já se auto-excluiu (Rm 16.17; 1Co 5.5,3-5, 9-11,13; 2Ts 3.6,14,15; 1Tm 1.18-20; Tt 2.10,13; 2Jo 9-11; Jd 4,10-13, 16-19; 1Tm 5.2b; 2Tm 3.5; Tt 3.10).

O falecido mestre do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (no Recife), Pr. Harald Schaly, ensinou haver três tipos de membros de igreja que podem ser comparados a barcos: os que tem motor próprio; os que possuem vela (precisam de vento, de agitação, de movimento, de campanhas, de novidades para vir à igreja); aqueles que são como balsas (são puxados). Estes são peso morto na igreja, alguns fazem pouco ou nada fazem, não trabalham e dão trabalho; têm nome no rol de membros, mas só aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Vão à igreja como quem vai ao teatro: esperam boa música, bom sermão, e que todos sejam sociáveis. Há quem, sendo membro da igreja, espere convite especial para vir; há quem venha se tiver cargo; há quem, sendo membro de uma igreja, é muito operoso, apreciado, mesmo, porém em outras igrejas, nunca na sua (?!). O mesmo Pr. Schaly conta uma história. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente; mas mesmo que eu passasse todo o tempo falando de "seu" Vicente , dizendo que é o melhor patrão, e cantasse muito para ele (já que ele gosta de música sertaneja), e não fizesse meu serviço com o gado, ele me mandaria embora!" Jesus não falou naqueles que dizem "Senhor, Senhor! E que não entrarão no reino dos céus?"

Pois é; a igreja é chamada a crescer. E o modelo é o de Atos 2.47: "Louvando a Deus, e caindo na graça de todo p povo. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que iam sendo salvos".



Crescer em todas as direções:

para o alto, buscando o altar de Deus;


para baixo, aprofundando-se na doutrina do Senhor;
para os lados, atingindo os não conhecem a salvação em Cristo Jesus;
de dentro para fora, pela vida espiritual intensa pela consagração à causa;
e de fora para dentro, agregando pecadores regenerados.
Cresce a igreja, cresce o reino de Deus. É um crescimento lento porem continuado. Como árvore que nasce da semente, ou o fermento na massa do pão (Mt 13.31-3). Crescimento, não inchação!

É isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar; que sejam luz do mundo; que sejam santos porque o Senhor é santo; que amem a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento; que amem ao próximo como amam a si mesmos; que confiem no poder da intervenção; que exerçam o sacerdócio dos crentes; que amem a Palavra de Deus; que façam do crescimento pessoal assunto de perseverança, cuidado e prática diária. Precisamos de crentes que entendam ser a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunhão, e onde os recursos para o crescimento cristão ao dispor (venha, portanto, à EBD!). É esse, aliás, o mais eficiente meio de deter nossa tendência de fazer renascer a velha criatura. Por isso, "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3.13).

Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros, que nos lembremos uns dos outros em nossas orações, que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5.16b), a cultivar relações francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6.12-15), a buscar a paz com todos. Que Deus nos ajude!
Parte XXI

COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA

 
"Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito" (Ef 5.15b-27).

É desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. Por isso, oramos no sentido que cresça em número e espiritualidade. Uma grande igreja não é a que tem o maior templo da cidade, nem as melhores salas para a educação religiosa do seu povo, o melhor coro, ou o maior balancete mensal, ou a que levanta as maiores ofertas missionárias e para outros fins. Não é aquela cujo pastor é o melhor orador da cidade, e os membros os mais destacados da sociedade.

No entanto, incidentalmente, uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado.. No entanto, uma grande igreja é a quem tem certas características bíblicas que passaremos a enumerar.



UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UM MINISTÉRIO PARA TODOS

Cada crente é chamado por Deus para ser um ministro. Isso é interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro" é tão elevada, pois, afinal de contas, é utilizada no primeiro escalão do governo. Falamos em Ministro da Educação, Ministro das Finanças, e assim por diante. Palavra, portanto, usada para pessoas de altíssimo gabarito, do alto escalão do governo.

No entanto, é palavra tão simples. Há uma diferença abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". "Mestre" vem de uma palavra da língua latina, magister, de onde procedem, ainda, "magistério", "magistrado", designando alguém que era procurado por ter "algo a mais (magis)". Era que tinha com que contribuir. "Ministro" vem de minister, procedente de minus, alguém que tem "algo de menos", o servo, o escravo.

A Bíblia diz que nós temos um serviço. Essa palavra "ministro" é usada, sobretudo, para dizer "servo" e o conseqüente serviço prestado. Somos todos chamados para ser ministros de Jesus Cristo. Isso é algo básico, é um conceito bíblico, evangélico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) não veio para ser servido, mas para servir...",e é igualmente prático (cf. Ef 4.11,12; Mc 10.45).

Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vão ser ministros, quem vai ser o pastor?" É precisamente neste tipo de pergunta que há mal-entendidos, pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja, de preferência ao mesmo tempo, e, estar em todas as reuniões, algumas marcadas ao mesmo tempo, e, se possível, que ele tenha o singular condão nunca esperado de outras pessoas, de estar presente em todas essas reuniões.

No entanto, ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor é preparar, capacitar os cristãos para o exercício eficiente de seus ministérios. Lembremos que o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a, treinando-a para o exercício eficaz do ministério de cada pessoa. Esse é um fato altamente prático, e quer dizer que cada um de nós tem um ministério. Você vai dizer, "Pastor, não sei qual é o meu ministério, o meu dom". Os chamados testes dos dons dão uma pista. Dom não é o talento natural, pois alguém pode ter um grande talento em certa área, e não ter sido capacitada por Deus para exercê-lo no ambiente de formação espiritual da igreja. Você reconhece o seu dom espiritual pela compulsão que parte do seu íntimo. Você sente o desejo de realizar algo. Há um irmão em nossa igreja que tem o evidente carisma do socorro, da ajuda. Não é a contribuição em dinheiro para resolver a débil situação econômica de alguém. É que no momento em que você diz "Preciso de tal coisa", ele responde "Pronto, diga onde está que vou buscar". Sem alarde, ele diz "Vou resolver".

Essa é uma grande igreja, a que tem um ministério para cada pessoa. Cada um sabe qual o seu ministério, se evangelismo, se ação social, se ensino. Cada um faz alegria, com prazer, e não é preciso pedir "Por favor" porque o Espírito Santo já capacitou para tal trabalho. Soube de uma igreja no estado da Flórida (EUA) onde não indicação para os cargos. As posições são disponíveis e os membros dizem à Comissão, "Quero trabalhar nessa função", e os cargos vão sendo preenchidos de acordo com a vontade de trabalhar da pessoa. Assim fazendo, trabalha quem quer trabalhar, porque infelizmente, muita gente fica esquecida quando a Comissão de Indicações vai estudar os nomes e cargos. Uns são esquecidos, outros recebem três, quatro, cinco cargos. Com um ministério para cada um, essa é uma grande igreja!

UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE FÉ E DE DOUTRINAS

Como é possível obter uma fé estável, firme, que não seja levada por todo vento de heresia ou de corrupção? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Uma muito simples é compartilhando as experiências nos cultos. A Carta aos Hebreus quase que diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de... Fulano de Tal..."Mas o Espírito Santo diz "Não deixando a vossa congregação como é costume de alguns". E esses "alguns" sabem quem são e quais são os costumes: de faltar sem necessidade, de passear pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesiástico").

Irmão amado, irmã querida, qual a sua mesa espiritual? Já imaginou se seu filho resolvesse que amanhã vai almoçar na casa do vizinho, e terça-feira na casa da tia, quarta-feira vai para a do primo, e assim cada dia da semana. Seria uma tremenda economia para o irmã, mas o feijão-com-arroz é em casa. Fora, há banquete, mas há tantos banquetes que fazem mal. Feijão-com-arroz bem preparado, bem temperado edifica, faz crescer, engorda e faz ficar bonito. O mesmo com a doutrina: edifica, fortalece, encaminha.

O hábito da freqüência sistemática aos cultos é uma bênção na vida do cristão por ser fundamental para a firmeza de suas convicções. Li uma frase (mas não vou dar 100% de crédito porque conheço a luta de alguns irmãos): "No domingo de manhã, vêm todos; à noite, só os fiéis". Achei-a um tanto pesada. É meio complicado para um igreja de centrão da cidade ter uma altíssima freqüência à noite: há quem more muito distante, há quem seja idoso, há quem tenha filhos ainda pequenos, e outra tantas razões. Porém, se você não tem nenhum desses impedimentos, venha. Traga sua alegria, seu louvor, sua contribuição de presença à Celebração do Nome de Jesus.

E o Culto de Oração nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lástima em algumas igrejas? Alguém me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte:
Nota de falecimento
Faleceu, na Igreja dos negligentes e frios na fé, dona "Reunião de Oração", que já estava enferma desde os primeiros séculos da era cristã.

Foi proprietária de grandes avivamentos bíblicos e de grande poder e influência no passado. Os médicos constataram que sua doença foi motivada pela "frieza de coração", devido à falta de circulação do "sangue da fé".

Constataram ainda: "dureza de joelhos" - não dobravam mais - "fraqueza de ânimo" e muita falta de boa vontade. Foi medicada, mas erroneamente, pois lhe deram grande dose de "administração de empresa", mudando-lhe o regime; o xarope de reuniões sociais" sufocou-a; deram-lhe "injeções de competições esportivas", o que provocou má circulação nas amizades, trazendo ainda os males da carne: rivalidades, ciúmes, principalmente entre os jovens. Administraram-lhe muitos "acampamentos", e comprimidos de "clube de campo". Até cápsulas de "gincana" lhe deram pra tomar!

RESULTADO: Morreu Dona "Reunião de Oração"! A autópsia revelou: falta de alimentação, como "pão da vida", carência de "água viva", e ausência de vida espiritual. Em sua memória, a Igreja dos negligentes, situada na Rua do Mundanismo, número 666, estará fechada nos cultos do meio da semana. Aos domingos, haverá Culto ou Escola Bíblica, só pela manhã, assim mesmo quando não houver dias feriados, emendando o lazer de sexta a segunda e vigília, nem pensar.



Agora, uma pergunta: SERÁ QUE O LEITOR NÃO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIÃO DE ORAÇÃO"?

Quantos pastores se ressentem da ausência de irmãos (até da liderança...) que deveriam e até poderiam estar presentes no Culto de Oração. A presença nos Cultos é fundamental para a solidez da fé, tanto quanto participar das atividades da Denominação fortalece os laços de amor entre as igrejas locais.



UMA GRANDE IGREJA É A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA

Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discípulos", isto é, "aqueles que estão debaixo de uma disciplina". Na Palavra de deus, a disciplina de Jesus Cristo é uma atitude e uma atividade. É uma atitude de submissão, de entrega, de quebrantamento, de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre nós com o objetivo nosso de aprender.


E é uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. Como Jesus expressou: "São os teus olhos a lâmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficará em trevas"(Lc 11.34), e Paulo, o apóstolo, em Filipenses 3.13,14, "Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus". É uma atividade que olha para o alvo que é a cruz de Jesus Cristo, o próprio Senhor Jesus Cristo.

Essa disciplina se manifesta na devoção e na vida de serviço. O exercício da oração é prova disso. Jesus manteve uma vida de oração. Sua vida de oração era intensa: ou Ele Se levantava de madrugada para orar, ou ficava até de madrugada em oração. Orava durante o dia, orava na sinagoga, no Templo, chegou a ensinar uma oração-modelo, pela qual pautamos a nossa oração; modelo porque não é recitada simplesmente, embora até a recitemos. Mas temos que nela colocar alma para que não vire reza (palavra que vem de "recitar"). Observem que os discípulos não pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar", mas "Ensina-nos a orar". A oração torna a nossa marcha mais firme, a nossa vida mais constante, e o nosso trabalho mais abundante no Senhor.

Através do estudo da Palavra. Não posso entender o crente que não se alegra com a leitura da Palavra de Deus. Isso quando a Bíblia fala tanto de alegria e felicidade. Há até uma bem-aventurança: no Salmo 1, onde fala do "varão que tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite". Prefiro esta última expressão "dia e noite" a uma outra tradução que ensina "de dia e de noite", porque a primeira fala de constância, permanência na Palavra, enquanto a segunda pode dar idéia de tirar uma horinha de dia, e outra horinha de noite para meditar na Palavra. Ela só é meditação constante quando aplicada à vida e cada coisa que fizermos, cada palavra que pronunciarmos, cada atitude que expressamos está marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada.

O propósito da leitura e estudo da palavra de Deus é confirmar e estimular nossa fé, como ensina Paulo: "a fé vem pela... palavra de Cristo" (cf. Rm 10.17). Lemos a Bíblia com o objetivo de estudá-la e de nela meditar. Há, aliás, uma bem-aventurança para aquele que "tem prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite".

Através de vida disciplinada no serviço. Todos somos chamados, e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministério, deve nele disciplinar-se. As horas consumidas no preparo disciplinado não constituem tempo perdido.

Nossa igreja tem realizado seminários e simpósios de capacitação. Eles vêm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo.



UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO

Mateus 5.16 e Atos 1.8b são textos basilares sobre o testemunho do cristão: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens..."; "Vós sois a luz do mundo"; "Vós sois o sal da terra". Tudo isso é testemunho! O apóstolo Paulo tem uma expressão em 2Coríntios 3.2< "Vós sois... conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo ministério, escrita não com tinta, mas pelo espírito do Deus vivente..." O que é impressionante é que muita gente nunca vai abrir a Bíblia Sagrada, mas vai ler a minha e a sua vida, a única Bíblia que estas pessoas irão ler. Portanto, uma grande igrejaé aquela que tem uma vida de testemunho.

Outra realidade impressionante é que o melhor testemunho não é aquele que eu pesquiso e repasso às pessoas: é o da minha vida, é o que eu conto sobre o que Deus fez por mim. Nos bondes, no passado bem passado, havia uma propaganda que dizia

"EU ERA ASSIM (e mostrava um indivíduo bem apessoado)


CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto)
TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE],
FIQUEI ASSIM (corado, bonito, forte).

Perceberam que isso é o que Jesus faz? É o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira, na lama, quase me arrastando, e o evangelho veio e me resgatou para Jesus!!!) É a minha história e a sua também. Nós éramos assim (que palavra terrível!), e a Bíblia diz, "Não há um justo, nem um sequer"" (Rm 3.10), e , ainda, ""pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). Ninguém fique iludido pensando não ter pecado. Se disse que não o tem, já está pecando.

Que é, no entanto, ser testemunha de Jesus Cristo? É compartilhar algo da própria experiência. Pode até acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos um tanto vacilantes, mas sempre devemos começar com a nossa própria experiência nos termos de 1João 1.3, "O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco". O que eu vi, eu conto. O melhor testemunho é contar a vida; o melhor testemunho é dizer "eu era ssim, eu fazia isso, mas a minha vida mudou", e você passa a ser respeitado. E sabe quando você começa a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se cala quando você chega, e não conta mais aquela piada indecente que você costumava ouvir.

O conteúdo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apóstolos para confirmar o que foi dito. Que livro extraordinário! É uma leitura empolgante. Parece que estamos andando com os discípulos, e entrando com eles nas cidades, e participando das pregações. Nesse livro, o testemunho é pessoal, e começa na própria experiência de Pedro (At 2.32), de Pedro e João (3.4-6), de Estêvão (7.56), de Paulo (20.24; 22.14,15).

Fico impressionado com o testemunho de Estêvão. Ele estava sendo apedrejado, e naqueles momentos finais, ele exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus" (7.56). Não foi ele que pediu a Deus que peroasse os seus algozes? (7.60). Olha o nome: Atos dos Apóstolos: o Testemunho dos Apóstolos! Um livro inteiro só de testemunhos do que Deus fez através dele.

É, em todos os casos, testemunho pessoal que parte da experiência pessoal. Um testemunho eficaz inclui dois elementos básicos: um modo de viver: um modo de vida e uma comunicação oral. A única prova disponível para que o mundo veja a obra de Cristo em nós é nossa própria vida. Deste modo, o mundo quer ver esta realidade vital genuína que só Cristo pode oferecer.

O Pr. Tomás Munguba contou-me sobre um operário de uma fábrica em sua cidade (João Pessoa). O homem tem dez filhos, e todo início de semana chegava embriagado ao trabalho. Seu chefe, um descrente, amigo do Pr. Tomás, se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Numa certa segunda-feira, deu-se um milagre: chegou sóbrio à fábrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Quando o chefe soube que ele estava freqüentando uma igreja evangélica, perguntou ao Pr. Tomás, usando a linguagem da psicologia: "Que vocês, protestantes, estão fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor, "Nada. Não fizemos qualquer lavagem cerebral, nada. Mas o Espírito Santo trabalhou..."

UMA GRANDE IGREJA É AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPÍRITO SANTO

Não obstante, nada acontecerá sem o poder do Espírito Santo. Absoluta nada. Não haverá um ministério para cada um; não haverá estabilidade de fé; nem vida de disciplina, nem vida de testemunho.

Há uma história sobre um grupo de missionários acampados na selva perto das vilas e aldeias, mas também perto de uma colônia de chimpanzés selvagens. Cada tardinha, voltavam das aldeias, acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experiências e as bênçãos. Uma tarde, quando os missionários regressaram, viram os macacos que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira, e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionários faziam nas noites frias: esfregavam as mãos, faziam ruídos. Faltava, porém, algo importante naquela fogueira: o fogo. Era apenas uma imitação.

Assim é com a igreja: sem o fogo do Espírito, a igreja não tem sentido. É um clube religioso, é uma reunião de amigos, de gente idealista, mas não é uma igreja onde Jesus Cristo é Senhor. É uma mascarada, uma fantasia. Lembremos que o fogo que aquece a igreja é o Espírito Santo, na inspiração de Zacarias 4.6, "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos".



EXPRESSÕES PARA DESCREVER O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO

O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministério do Espírito Santo na vida e experiência dos crentes: a habitação do Espírito Santo e a plenitude do Espírito Santo ou ser cheio do Espírito. O primeiro se refere à conversão (1Co 3.16; Tg 4.5). O segundo significa ser controlado pelo Espírito Santo (Ef 5.18).

Por incrível que possa parecer, Paulo faz uma analogia entre a intoxicação alcoólica, a embriaguez, e o controle do Espírito de Deus. Ele o faz em Efésios 5.18: "Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Quando uma pessoa está "cheia de vinho" não significa que está cheia da cabeça aos pés como uma garrafa, mas que cada parte de seu corpo está afetada pela bebida: seu modo de caminhar, sua conversa, seu olhar, seus pensamentos.

Ser "cheio do Espírito" significa que cada ação nossa, cada pensamento e palavra está sob Sua influência. É o controle e o domínio do Espírito Santo sobre. A plenitude do Espírito Santo não é instantânea como a embriaguez também não o é. Sua comunhão com o Espírito vai fazendo com que sua vida seja controlada, e cada vez mais controlada, de tal modo que quando você fala, anda ou toca as pessoas, todos compreendem que você está sob o domínio do Espírito de Deus.

Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que lê esta reflexão. A hora de cada crente renovar sua aliança com Deus. A hora de se firmar mais e cada vez mais em Jesus Cristo, nossa Rocha Eterna. A hora de buscar a plenitude do Espírito, se o que desejamos é uma vida abundante e vitoriosa.

Este é o momento sério de renovar o pacto com suas convicções, se o que queremos é uma grande igreja, forte e espiritual!



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