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Parte IX

CREIO NO REINO DE DEUS

 

"Quando iam pelo caminho, disse-lhe um homem: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E a outro disse: Segue-me. Ao que este respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus. Disse ainda outro: Senhor, eu te seguirei; mas deixa-me primeiro despedir-me dos que estão em minha casa. Jesus, porém, lhe respondeu: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus" (Lc 9.57-62).



Qual a principal afirmação de Jesus? "O Sermão do Monte" em Mateus 5 a7? Realmente, sermões, palestras, excelentes livros têm enfocado o Sermão do Monte, destacando aspectos diversos dessa extraordinária pregação de Jesus Cristo.

Seriam textos como, "Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também" (Lc 6.31)? Ou quem sabe aquele texto que é uma impossibilidade em termos humanos, "Amai a vossos inimigos"?

Todas essas expressões estão no Sermão do Monte, no entanto, nenhuma delas resume a mensagem como Mateus 4.17 o faz, porque foi o primeiro sermão que Jesus pregou. E foi um sermão resumidíssimo: "Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus". Durou apenas, 7 segundos! Sou capaz de dizer que os irmãos que se incomodam quando o culto passa um pouco de 11h40, ficariam também extremamente incomodados com um sermão que só dissesse isso: "Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus".

Na verdade, o que encontramos em Mateus 5-7 são ensinos de Jesus que nos esclarecem o que Ele queria dizer em Mateus 4.17.

Estamos familiarizados com certos ensinos de Jesus, com expressões que Ele utilizou como com as parábolas, tão lindas e que têm atravessado os séculos, com os relatos dos milagres que nos deixam abismados diante da sobrenatureza; com as narrativas da Paixão de Cristo, como Jesus Cristo sofreu Getsêmani, como suou sangue num fenômeno chamado hematidrose, como Jesus foi preso depois de receber um beijo de traição, e como vieram prendê-Lo com varas, com pedaços de pau nas suas mãos como se fosse um malfeitor a ponto de ser linchado, e como foi julgado, condenado, e, depois de uma noite de tortura, levado para o Calvário!

Isso nos emociona, mas a idéia central que unifica tudo isso, parábolas, milagres, paixão, bem-aventuranças e sermões, o tema dominante, a característica do ensino de Jesus Cristo se sobressai numa expressão: reino de Deus. Parece até que não quer dizer muita coisa, mas há uma imensa riqueza nessa expressão que se tornou tão corriqueira. Reino de Deus!



PRIMEIRAS IDÉIAS SOBRE O REINO DE DEUS

O pensamento antigo de Israel era que o reino de Deus se manifestaria no senhorio do rei de Israel. Esta é a primeira idéia acerca desse tema (cf. 2Sm 7.12-16; Sl 89.36, 37). Enquanto Israel fosse soberano e tivesse um rei no trono, Deus também seria Senhor e Soberano. Esse foi um conceito primário e bem primitivo acerca do reino de Deus. Por isso, eles entendiam que o soberano faria justiça ao pobre, restituiria os direitos da viúva, e defenderia o órfão, libertando com esses atos o mundo da iniqüidade em que estava. Naturalmente que os aproveitadores (e os há em todo lugar...) do tempo de Davi até perguntaram "Que parte temos nós em Davi" (1Rs 12.16). Alguns não queriam ter parte num reino que faria a defesa da viúva, e daria direitos ao necessitado.

Vamos andar no tempo, e com a sua passagem, a idéia que passou a dominar em Israel era que o culto no templo, com os seus sacerdotes e levitas, com os sacrifícios, normas e prescrições a respeito da santidade (kashrut), resolveria o assunto, porque o reino de Deus estaria no templo, e nos ofícios. Uma pessoa que queria ver e sentir o reino de Deus ia ao templo, e ali sacrificava, razão porque, na teologia antiga de Israel, passou o reino de Deus a ser sediado no templo e no culto realizado naquele local.

No entanto, os profetas falaram contra isso, e denunciaram o culto sem conversão. E isso era muito fácil: alguém teria uma vida ímpia, vil e de corrupção, e viria ao culto onde sacrificaria um animal, e, assim, entendia ter resolvido o seu problema. Culto sem conversão! Sem solidariedade, e de egoísmo em lugar da misericórdia, motivo que leva o profeta Amós a dizer,

"Aborreço, desprezo as vossas festas, e não me deleito nas vossas assembléias solenes. Ainda que me ofereçais holocaustos, juntamente com as vossas ofertas de cereais, não me agradarei deles; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. Afasta de mim o estrepito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras. Corra, porém, a justiça como as águas, e a retidão como o ribeiro perene" (Am 5.21-24; cf. Is 1.17; Os 6.6).

Em lugar da misericórdia, persistia o egoísmo, e isso Deus não podia tolerar! Mas os israelitas antigos não entenderam que Deus reinaria no templo, sim, mas o templo de Deus é o ser humano restaurado, transformado, lavado pelo sangue de Jesus!

Uma visão da era messiânica vai ser dada mais adiante pelos profetas como Isaías (o profeta messiânico por excelência, onde se respira a vinda do Messias do primeiro ao último capítulo), Ezequiel, Malaquias. Isaías fala de um novo tempo a ser governado por Aquele que é chamado

"Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz" (9.6); profetiza também acerca do Espírito do Senhor sobre o soberano do reino de Deus, e diz, "E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor" (Is 11.2);

é quem fala sobre bênçãos do reino de Deus na expressão de 11.6-11, da qual destacamos:

"Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o leão novo e o animal cevado viverão juntos; e um menino pequeno os conduzirá... Naquele dia a raiz de Jessé será posta por estandarte dos povos, à qual recorrerão as nações; gloriosas lhe serão as suas moradas. Naquele dia o Senhor tornará a estender a sua mão para adquirir outra vez o resto do seu povo, que for deixado, da Assíria, do Egito, de Patros, da Etiópia, de Elão, de Sinar, de Hamate, e das ilhas do mar".

Mas que linda reunião de todos os povos e daqueles que são salvos pelo Cordeiro de Deus! É também Isaías quem fala dos acontecimentos maravilhosos e extraordinários que terão lugar no reino de Deus! "Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas os olhos dos cegos as verão" (Is 29.18)!

No chamado "Primeiro Poema do Servo Sofredor" (Is 42.1-9), é também mencionado o tema central do reino de Deus: "Eis que as primeiras coisas já se realizaram, e novas coisas eu vos anuncio; antes que venham à luz, vo-las faço ouvir" (42.9)! Tudo o que é novidade do reino de Deus nós teremos compreensão da parte do próprio Espírito de Deus! É disso que fala, e dos capítulos 40-55 Isaías vai falar de uma nova criação, produto do reino e da soberania de Deus.

Ezequiel também, e ele estava na Babilônia, o povo estava no exílio, e esse profeta cantou sobre o Messias a quem Deus chama "meu servo Davi", e Ezequiel no capítulo 37 o expressa deste modo:

"e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. Farei com eles um pacto de paz, que será um pacto perpétuo. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. Meu tabernáculo permanecerá com eles; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o Senhor que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles para sempre. Meu tabernáculo permanecerá com eles; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o Senhor que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles para sempre" (Ez 37.25b-28).

João 1.24 fala que o Senhor veio e armou o seu santuário, Sua tenda e "habitou entre nós". Davi já havia morrido há 400 anos, mas o Senhor chama a Davi "meu servo" porque Ele fez referência àquele que é a descendência de Davi (cf. Sl 96.10-13).

Pois bem, a oração de todo judeu piedoso era pela vinda do reino de Deus, por causa desse alimento espiritual que recebia todo judeu, dos profetas que falaram da vinda desse reino. Foi nesse ponto que Jesus Cristo entrou no cenário da história humana. Pois eu creio no reino de Deus por causa de manchetes como estas extraídas do jornal de nossa cidade:

"QUATRO ASSALTANTES TOMBAM EM TIROTEIO"
"MATOU O CUNHADO COM FACADA NO CORAÇÃO"
"LEVADO COMO REFÉM"
"CHINA TEM 300 MIL VICIADOS EM HEROÍNA"

Manchetes que chocam, machucam, escandalizam e fazem lamentar! Sim; creio no governo de Deus sobre indivíduos que se rendem, que se entregam, que se quebrantam: creio na honestidade, no amor, na solidariedade, no calor humano, mas sobretudo no calor do Espírito na consciência, na alma, no espírito do crente!

O QUE O REINO DE DEUS NÃO É

Ora-se muito sem discernimento "Venha o Teu reino". Mas o que não é o reino de Deus? Diria, em primeiro lugar, que não é um domínio geográfico, um país terreno com uma capital terrena como um certo segmento teológico que anuncia, na sua posição mais extremada, que o reino de Deus vai ser estabelecido num determinado lugar (Israel) tendo como capital Jerusalém, e ali Jesus Cristo vai reinar. Essa é uma posição extrema que a Escritura Sagrada não apoia.

Não é, também, a Igreja. Agostinho e os teólogos da Outra Igreja ensinaram e ensinam que o reino de Deus é a Igreja.

Também não é uma utopia, uma sociedade ideal a ser construída pelos homens, como certos reformadores sociais cristãos também pregam, de modo que com a pregação do evangelho se espalhando cada vez mais, por fim começa o reino de Deus sem ninguém perceber. Não é isso o que os noticiários trazem.

Aliás, há uma longa história de equívocos sobre o reino de Deus. Já houve, até, quem quisesse antecipá-lo pela violência: os zelotes, mencionados no Novo Testamento (cf. Lc 6.15b; At 1.13b), que eram fanáticos políticos de Israel e representavam a extrema esquerda. Isso na época em que Roma estava dominando aquela terra, os zelotes levavam um punhal (sicar) escondido no manto, e, quando encontravam um romano num lugar mais discreto, apunhalavam-no. Daí vem a palavra sicário (= malfeitor, facínora). Queriam trazer o reino de Deus, que, entendiam, se estabeleceria no momento em que os romanos saíssem de Israel. No meio dos apóstolos havia ex-zelotes (Simão, Lc 6.15b; e, talvez, Judas Iscariotes). Um dos discípulos tomado desse espírito político até perguntou a Jesus: "Senhor, é neste tempo que restauras o reino a Israel?" (Atos 1.6). Esperavam que Jesus viesse como um zelote, um grande zelote de extrema-esquerda.

Os fariseus queriam implantar o reino de Deus não com a violência, mas com a observância da Lei. Se todos observassem a Lei de Moisés o reino de Deus se implantaria, diziam. E os profetas continuaram proclamando, apesar de toda a pregação dos fariseus: "o reino há de vir!" (cf. Mq 5.2,4, 5a; Ml 3.1; Sf 3.13-15; Am 5.18; Jl 2.12, 13, 28-32).



E o reino veio! Veio no Senhor Jesus Cristo! (cf. Mc 1.14, 15). Por isso eu creio no reino de Deus!

O QUE O REINO DE DEUS

Para Jesus, o reino de Deus era e é uma experiência que não se baseia na força das armas, e não tem dimensões de espaço nem de tempo, mas é, na verdade, um novo relacionamento entre Deus e a pessoa humana, entre o ser humano e o Ser Divino. Então, como já vimos, o anúncio do reino de Deus feito por Jesus foi o que o povo hebreu tinha ansiado por centenas de anos! Era o que João Batista anunciara que estava chegando (Mt 3.2,4; Mc 1.2, 3, 7, 8); foi o que Jesus havia anunciado quando disse: "É chegado o reino de Deus!" (Mc 1.15). E é por essa razão que o reino de Deus é chamado "as boas notícias"! É o significado da palavra evangelho (gr. evaggelion).

Mas quando Cristo revelou que Seu reino era interior, espiritual, poucos O aceitaram (Jo 1.11, 12). O povo esperava, como os zelotes, alguém que trouxesse muitas bênçãos materiais, um grande chefe político. Porém Jesus exigia uma mudança interior aos que pertencessem ao Seu reino. E no "Pai Nosso" encontramos uma excelente explicação (Mt 6.10), porque temos o paralelismo típico do pensamento hebreu quando Jesus diz: "Venha o teu reino", e a expressão igual (com outras palavras) é: "Seja feita a tua vontade".

Daí temos que o reino de Deus é uma sociedade no espaço-tempo, onde a vontade do Pai faz de modo tão perfeito como no infinito-eterno. O reino de Deus é a vida eterna que pela fé se recebe aqui e agora tendo efeitos imediatos enquanto eternos e permanentes. O reino de Deus é vida, é o reino dos céus (expressão, aliás, usada por Mateus que, sendo judeu, não queria usar o nome de Deus).

O reino de Deus é definido por Paulo do seguinte modo: "porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo." (Rm 1 4.17). O reino de Deus é Seu domínio sobre nós, e nossa submissão a Ele; quando nEle cremos, e fazemos a Sua vontade, pertencemos a esse reino. O reino de Deus é a Sua presença nos guiando, Sua graça/presença em nós, como a nuvem durante o dia e o fogo durante a noite guiavam o povo de Israel no deserto.

ASPECTOS DO REINO

O reino de Deus é presente ou futuro? Já está aqui ou ainda vem? Já se manifestou ou ainda há de vir? Há quem pregue que o reino de Deus não tem expressão hoje, e ainda há de se manifestar. Prega por conta própria porque Jesus ensinou "É chegado o reino de Deus" (Mc 1.15a; Mt 4.17; 1 0.7; Lc 9.2; 10.9).

Podemos compreender o reino de Deus olhando três etapas distintas descritas na Bíblia. A primeira é que ele é tão antigo quanto o próprio universo, por uma razão básica: Deus é o soberano de toda a criação. É um fato eterno: "O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura por todas as gerações" (Sl 145.13), e também em Mateus 6.13: "E não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre. Amém" (cf. Mt 8.11): "Teu é o reino (para sempre); Teu é o poder (para sempre); Teu é a glória (para sempre)", conforme Jesus ensinou.

Em segundo lugar, é uma realidade presente, uma realidade agora, já. Lucas 17.20, 21 diz: "Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! Pois o reino de Deus está dentro de vós". (Outra tradução diz: "no meio de vós").

Jesus veio: é Deus invadindo a história humana para derrotar o mal. Quem tivesse os olhos espirituais abertos poderia sentir os sinais dos tempos, e veria o reino de Deus vindo através da cruz (aparente derrota, é verdade, mas, como resultado, uma vitória incrível contra a malignidade deste mundo)! O reino de Deus veio através da ressurreição, e nesse glorioso acontecimento a morte foi morta!

Um dos meus professores, Dr. Merval Rosa, usou certa vez uma expressão muito interessante: ele disse que o cristão já morreu, e agora aguarda apenas a ressurreição. É isso mesmo! Já abandonamos o mundo, já o deixamos para trás, os seus apelos já não nos interessam, temos agora outra visão, outra dimensão diante de nós. Se os nossos olhos estavam somente voltados para o aqui e agora, para o imediatismo, estamos agora olhando para o futuro, para o que virá, para as realidades espirituais que já se encontram ao nosso dispor!

O reino de Deus já veio através do dom do Espírito Santo!

Quando a Igreja de Jesus Cristo no dia de Pentecostes experimentou o derramamento do Espírito (At 2.1-13) como fato único na sua história, como o grito de "Independência ou morte!" foi dado só uma vez no Brasil, e não precisa cada brasileirinho que nasce ter o presidente da República tirando o chapéu e dizendo essas palavras para ele, e para estoutro e aqueloutro. É um fato histórico, aconteceu. Quando o irmão se converteu ao Senhor Jesus, recebeu o dom do Espírito Santo, que não deve ser confundido com "os dons", os carismas. Por isso, fazemos os crentes em Jesus Cristo, parte do reino de Deus, e a cruz (que foi um escândalo para os judeus, e loucura para os gentios, (cf. 1 Co 1.23) tem sentido para nós, e a ressurreição nos garante a salvação, e os dons do Espírito Santo são evidência do senhorio de Deus em nossas vidas! Por isso eu creio no reino de Deus! Mas há uma terceira etapa: o reino de Deus também pertence ao futuro porque ali teremos a sua consumação, e a fé cristã é também a esperança cristã. Cremos com a Escritura que Deus há de completar a Sua obra: no fim triunfará sobre o pecado, sobre o desespero e a morte (que já morreu na ressurreição de Cristo!) Além deste tempo, e desta era, a vida eterna na qual conheceremos o governo de Deus mais perfeitamente! Essa é a dimensão futura do reino de Deus. É assim que o reino pode ser uma realidade passada, presente e futura ao mesmo tempo porque é eterna. E, assim, o reino está perto, mas também está longe; está no nosso meio, mas oramos que venha; e o mistério já foi confiado a alguns, e, no entanto, ninguém sabe o dia nem a hora da sua vinda (cf. Lc 8.10; At 1.7).

O CIDADÃO DO REINO

A quem pertence o reino? Quem tem o direito ao reino dos céus? Vamos fazer a pergunta ao revés: quem não entra no reino de Deus? Quem não tem lugar no reino do Pai? E a Bíblia responde:

os que vivem na carne e na corrupção não tem lugar no reino de Deus (1Co 15.59);

os que fazem tropeçar um inocente não encontram espaço no reino de Deus (Mc 9.42, 47):

os que se apegam aos bens materiais não têm vez no reino de Deus (Mt 19. 24);

os que são convidados e não se determinam a seguir ( Lc 9.62);

os não-convertidos (Jo 3.3,5);

os injustos, os devassos, os idólatras, os adúlteros, os homossexuais em todas as suas nuances (pederastas, lésbicas, bissexuais não têm lugar no reino de Deus;

os ladrões; os avarentos, os bêbados;

os maldizentes;

os que se prostituem;

os feiticeiros (pais-de-santo, mães-de-santo, babalorixás, ialorixás, cartomantes, lançadores de búzios);

os invejosos, os assassinos; os medrosos, os incrédulos, os que se recusam a graça e a bênção como Judas Iscariotes (cf. 1Co 6.9, 10; Gl 5.19-21; Ef 5.5; Ap 21.8; 22.15; Jo 17.12; 6.70).

Então, a quem pertence o reino dos céus? E, também a Bíblia responde:

no reino de Deus têm lugar os que nascem de novo, da água e do Espírito (Jo 3.3,5);

aos inscritos no livro da vida (Ap 21. 27);

aos que perseveram na fé e, por isso, passam por tribulações, e são perseguidos por causa da justiça (At 14.22; 2Ts 1.4,5; Mt 5.10);

às crianças (Mc 10.14);

aos que recebem o reino no espírito de uma criança (Mc 10.15);

aos que guardam os mandamentos de Cristo (Mt 19.17);

aos humildes de espírito (Mt 5.3);

aos que vivem na justiça, na paz e na alegria no Espírito Santo (Rm 14.17);

aos que tendo praticado todas as abominações que impedem a entrada no reino foram purificados pelo sangue de Jesus, e se tornaram limpos, lavados de suas iniqüidade, santificados, justificados em nome de Jesus e no Espírito de Cristo (1Co 6.11);

aos que fazem a vontade: quem obedece está no reino, quem não obedece não está no reino (Mt 7.21).

Assim, o reino de Deus não tem a ver com nações, reinos e países. É um reino pessoal, é questão de obediência. Nasci debaixo do governo do Brasil sem querer (sou brasileiro com muito orgulho, e cidadão desta terra extraordinária; e o Brasil se agiganta quando estamos fora do país; é aí que vemos o gigante que é esta nação, mas eu não pedi para nascer no Brasil), mas no reino de Deus, só nasço se o desejar. Os crentes chineses oravam, "Senhor, aviva a Tua Igreja, mas começando em mim!" E nós podemos dizer: "Senhor, traze o Teu reino, faze a Tua vontade, mas começando em mim!"

Jesus Cristo revelou os princípios espirituais que governam esse reino no "Sermão do Monte" dando aplicação presente destes princípios a situações particulares. O Sermão da Montanha é descrição da cidadania do reino, e alguém o chamou de "a constituição do reino de Deus", o qual (não esqueçamos!) é o poder soberano e misericordioso de Deus. Deus o fez em Cristo, Deus o faz hoje, e Deus o fará ainda mais.

Já imaginaram a política deste país submissa ao Senhor Jesus Cristo? Uma pessoa disse com um toque de tristeza, com nostalgia: "Já não se fazem homens como antigamente..." Esses homens podem ser feitos como no passado, mas através do milagre que se chama nova criação em Cristo (2Co 5.17). Por isso, o reino de Deus, o governo de Deus, Sua vontade soberana vai influenciar a esfera moral, porque a lei de Deus é o padrão da moralidade, e vai influenciar a esfera espiritual, o plano mais alto e mais nobre da nossa vida! E isso há de acontecer, pois a Escritura assegura a vitória final antecipada em I Coríntios 15.24-28:

"Então virá o fim quando ele entregar o reino a Deus o Pai, quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo poder. Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte. Pois se lê: Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz: Todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos". Por isso eu creio no reino de Deus!


Parte X

DA RUA DA AMARGURA PARA A GALERIA DA FÉ
Josúe 2:8-13 de prostituta para tataravó do maior rei de Israel

 

A transformação radical é conseguida através da plena confiança em Deus. Raabe ao aceitar e esconder os espias abriu espaço para Deus promover a maior transformação que um ser humano pode receber.


Raabe aceitou...

I. V.8-9 O PLANO DE DEUS
O Retorno ao passado é impossível

8 Antes que os espias se deitassem, foi ela ter com eles ao eirado


9 e lhes disse: Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados.
– ouviu e creu (o passado contribuiu com o presente)
– Mar Vermelho = 40 anos antes

II. V.10 O PODER DE DEUS

As Obras provam a nossa convicção a respeito de Deus.

10 Porque temos ouvido que o SENHOR secou as águas do mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito; e também o que fizestes aos dois reis dos amorreus, Seom e Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes.


– escondeu porque era a melhor coisa a fazer por causa do temor

III. V. 11 A PESSOA DE DEUS

Nossa vida tem influência sobre a vida dos que nos cercam.

11 Ouvindo isto, desmaiou-nos o coração, e em ninguém mais há ânimo algum, por causa da vossa presença; porque o SENHOR, vosso Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.


– Deus é pessoal e se relaciona. Transcendente e Imanente

IV. V.12-13 A PROVIDÊNCIA DE DEUS

Deus concede privilégios espirituais

12 Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo SENHOR que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai; e que me dareis um sinal certo


13 de que conservareis a vida a meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que têm, e de que livrareis a nossa vida da morte.
– fio de escarlate = providência de Deus.
– Mt 1:5 - tataravó de Davi Hb 11:31 - Galeria da fé
– Arrebatamento = Livra da ira vindoura.

Parte XI

DIÁRIO DE ISAQUE

 

"Depois [Isaque] subiu dali a Berseba. Apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, pois eu sou contigo; abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, meu servo. Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor. Armou ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço" (Gn 26.23-25).



Este é o diário de Isaque. Registra o que ele fez num único dia., pois, após ter acampado no vale de Gerar, abriu os poços cavados por Abraão, seu pai, e que haviam sido entulhados pelos filisteus (vv. 15, 18). Tiveram seus pastores uma altercação com os colegas da região por causa de um desses poços de água nascente (vv. 19, 20). Outro poço foi cavado, e nova contenda (v. 21), e mais outro, desta vez em paz (v. 22).

Nesse ponto, vai a Berseba, onde recebe a bênção de Deus, e, ao surgir do novo dia, erige um altar, arma uma tenda e abre um poço, tão indispensável à vida. Nestas três palavras, há implicações profundas para a vida de qualquer família.

Invertendo a ordem, extraiamos as lições:

"... seus servos cavaram um poço" (O POÇO)

O poço é a representação do trabalho. Na cultura pastoril de Israel, o poço era essencialíssimo à existência. Aliás, não é preciso ir longe: onde não há água encanada, nas áreas rurais, poços, cacimbas são imprescindíveis. Do poço viria a água para dessedentar homens e gado: sem água, a vida fenece.

Em toda a Bíblia, a água é símbolo de satisfação de sede profunda: "Tu visitas a terra, e a refrescas; tua enriqueces grandemente. O rio de Deus está cheio de água, para dar cereal ao povo, pois assim a tens preparado" (Sl 65.9). E, ainda, "O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas" (Sl 23.1,2; cf. Is 44.3,4; 55.1a; 58.11; Jo 4.10, 14; Ap 7.17). E como Deus dá os poços para as necessidades físicas, biológicas, também dá água viva para satisfazer as demandas espirituais (Is 55.1a; Jo 4.10,14).

O poço representa uma circunstância em nossa vida: o trabalho, que na Escritura Sagrada significa a rotina pela qual nós ganhamos o pão nosso de cada dia. Aliás, o ser humano nasce destinado, e não, condenado ao trabalho (Gn 2.15). Sua tarefa é gerenciar o mundo, administrá-lo, melhorá-lo pelo labor até a plenitude prevista por Deus (Rm 8.19).

A Bíblia não autoriza a pensar no trabalho como maldição. Gênesis 3.17-19 nos leva a ver que as más conseqüências, aparentemente do trabalho, o são, sim, do pecado dos primeiros pais: a dor, o cansaço, o sofrimento, as condições injustas e abaixo de humanas, a discriminação, os salários de sobrevivência. Não; a maldição foi sobre a terra. E esse pecado, e essa terra, agora maldita, trouxe descompasso na família entre o homem e a mulher (Gn 3.12), e entre o ser humano e outro pessoal (Gn 4.8).

O trabalho, porém, é moral e espiritual. Como tudo se encaixa tão bem no plano cósmico de Deus (cf. Sl 104. 24, 19-23. E como valor moral e espiritual, deve ser repassado à família, e estar a serviço, e para a perfeição da família. Se assim é, necessário se torna pensar em compatibilizá-lo com o tempo dedicado aos filhos. Um jornal de nossa cidade estampou a manchete que dizia "Pais ingleses dedicam 40 segundos por dia aos filhos".

Há filhos que têm verdadeiramente "fome de pai", carência da figura paterna. O ator Tony Leblanc ponderou: "Sinceramente, penso que muitos males de que padece a sociedade, e o casal em particular, são conseqüência do pouco tempo que os pais dedicam aos filhos". E porque o trabalho se inspira nos mais profundos e expressivos valores espirituais, é convertê-lo em amor. Afinal, 1Coríntios 16.14 o ensina muito bem: "Fazei todas as vossas obras com amor".

É passar aos filhos a suprema lição de santificar o trabalho, santificar com o trabalho, e mais ainda, santificar-se no trabalho!

"Armou ali a sua tenda" (A TENDA)

É a vida familiar, a vida comum, as relações domésticas. A tenda representa deveres, lealdades, afeições, e está sob a proteção da comunhão com Deus.

Mas, que contraste: a casa de Isaque não tinha a solidez e o nível de conforto que hoje conhecemos. Pelo contrário, era frágil, muito frágil.

Pois é; nossa civilização é complexa, tecnicista e, até, desumana. Há sempre o perigo de ficarmos tão satisfeitos com o que possuímos, que não alcançamos a comunhão espiritual que deve caracterizar a vida do cristão. Com a pressa a que nos habituamos, com a correria a que nos acostumamos, há o perigo de se perder as pequenas e as grandes descobertas no lar:


· A alegria das pequenas vitórias diárias;
· O agradecer voltar para casa ao fim do dia;
· O crescimento dos filhos;
· O desenvolvimento deles na escola, na vida. De repente são adolescentes, jovens, e não vimos isso acontecer...

É; a tenda é a vida da família.

Como é o lar ideal pela Bíblia Sagrada? Qual a receita?
· É o que tem harmonia, e, conseqüentemente, paz (Mt 12.25);
· Nele, a vida de piedade é uma constante (1Tm 5.4);
· Provérbios 15.17 ("Melhor é um prato de hortaliças onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio") diz com clareza absoluta que o amor é mais do que necessário;
· No lar ideal, há diligência: a preguiça não tem vez (Pv 31.27);
· E a hospitalidade? (Hb 13.2);
· Percebe-se claramente a presença do Espírito de Jesus Cristo, marcada pelo fruto do Espírito (Gl 5.22,23).

Além dessa receita, há qualidades que precisam ser repassadas às gerações mais jovens:


· A honrar aos pais, o que leva com naturalidade à obediência (Ef 6.2,3);
· Obediência aos pais (Cl 3.20). Quem aprende a se submeter à autoridade dos pais, aprende a se submeter a qualquer autoridade. O melhor modo, porém, de ensinar a honra aos pais é viver de modo a merecê-la.
· A tomar decisões inteligentes, sábias, ou ter responsabilidade, a cumprir deveres, a ser pontual.
· O valor da fé em Deus, que na Bíblia é sempre obediência. Os exemplos clássicos estão em Hebreus 11.8, 18, 19, 24-27.

"... edificou ali um altar" (O ALTAR)

Com o altar, Isaque expressava o impulso que dera a Abraão a sua grandeza. Mas vejam bem: julgadas pelos padrões do mundo, as vidas de muitas personagens do passado, e mesmo do presente, podem parecer imensamente mais importantes, mais impressionantes que as de Abraão e de Isaque. Neste quadro do Antigo Testamento, porém, encontramos homens que fizeram da devoção, do culto, da adoração o interesse primário, basilar de suas vidas. Essa a razão de o altar ter sido levantado em primeiro lugar. Antes, mesmo, da tenda e do poço.

Como está o altar de sua casa? E sua aliança com o Deus das alianças? É o caso de restaurar o altar doméstico (1Rs 18.30; 2Cr 15.8; 33.16). E diante desse altar você se entrega como Samuel, "Fala, (Senhor) porque o teu servo ouve"" (1Sm 3.10); ou como Paulo, "Senhor, que queres que eu faça?" (At 22.10), e apresenta seu corpo como sacrifício de justiça, de louvor, de ação de graças; sacrifício suave, contínuo, espiritual; sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (cf. Sl 14.5; 107.22; 116; 17; Jr 6.20; Dn 8.11; 1Pe 2.5; Rm 12.1).

No altar, você ora pelo filho que está sendo gerado, para que Deus faça nele o que fez por Jeremias (Jr 1.5). Ore pelo recém-nascido; ore pelo seu filho ou filha na infância; pelo pré-adolescente; pelo seu adolescente e pelo jovem. Ore pelo seu filho ou filha casada, por sua vida profissional, conjugal, emocional e espiritual. Ore pelo filho do seu filho ou de sua filha em cada etapa da vida. E abra os olhos do seu próprio espírito para ver como o Espírito Santo tocou nas suas vidas.

Ore ao Deus que ama as famílias, porque Ele é o mesmo que salva as famílias. E há base bíblica para afirmá-lo: leia Gênesis 7.1; Atos 16.15, 31; 18.8. Mesmo uma criancinha pode crer, e tão pequena que Jesus pode levar no colo (Mc 10.14,16).

Pense na sua função como profeta e como sacerdote, como profetisa e sacerdotisa. Vamos explicar: como profeta/profetisa, você apresenta o Deus Vivo a seus filhos; você lhes fala de Deus. Mas é preciso que seu próprio relacionamento seja pessoal, íntimo e constante com Ele. Como sacerdote/sacerdotisa, você apresenta seus filhos ao Deus Eterno. É a oração de intercessão já mencionada; é a bênção diária, a bênção nas enfermidades. É o desejo que Jesus expressou em João 17.3, "A vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".

O altar é uma expressão da bênção de Deus sobre o poço e a tenda, o trabalho e a vida familiar, e essa bênção se expressa em comunhão, conforto espiritual, salvação e crescimento na graça.

Nossa atividade de ganha-pão, a vida doméstica e a intimidade com Deus necessitam estar bem próximas, unidas, coesas. É o destaque dos valores do trabalho; o exercício da pedagogia de Deus, ou seja, o amor (cf. 1Jo 4.8): a criança obedece porque ama. Enquanto a pedagogia do Inimigo-de-nossas-almas é a do medo, ou seja, a criança obedece porque se sente ameaçada e está amedrontada (1Jo 4.18).

É a aliança com Deus, pois Ele faz aliança com o pai (Gn 17.1ss; Ml 4.6), com a mãe (Gn 16.10ss), com os filhos (Ex 20.12; Ml 4.6), mas lembremos que a Nova Aliança é feita de forma sempre individual, pessoal e única (Jr 31.33,34; Jo 3.16).


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