Coração em Fúria The Sheik´s Bartered Bride Lucy Monroe



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Coração em Fúria
The Sheik´s Bartered Bride
Lucy Monroe

O poderoso e sedutor sheik Hakim bin Omar al Kadar pede a tímida e inocente Catherine Benning em casamento. Com o coração e a alma totalmente entregues a ele, Catherine não consegue recusar.

Contudo, ao descobrir as razões ocultas do súbito interesse de um homem tão sensual e poderoso, Catherine pode se transformar no maior desafio da vida de Hakim. Ele é orgulhoso e passional, mas será capaz de fazê-la se render?




Digitalização: Ana Cris

Revisão e Formatação: Cynthia

Querida leitora,
Catherine Benning fica chocada quando o homem de seus sonhos entra em sua biblioteca e a chama para sair. E ele é nada mais nada menos que um sheik! Logo ele a pede em casamento, e ela se vê incapaz de recusar, mas seu conto de fadas pode estar com os dias contados. Afinal, as verdadeiras razões do interesse de Hakim bin Omar ai Kadar em Catherine podem vir à tona a qualquer momento...
Equipe Editorial Harlequin Books
Tradução: Dinah Kleve

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V.S.à.r.l.

Todos os direitos reservados.

Proibida a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.


Todos os personagens desta obra são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: THE SHEIK'S BARTERED BRIDE

Copyright © 2004 by Lucy Monroe

Originalmente publicado em 2004 por Mills Boon Modern Romance
Arte-final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica: ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-36542524-8037
Impressão: RR DONNELLEY

Tel: (55 XX 11) 2148-3500



www.rrdonnelley.com.br
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Aos cuidados de Virgínia Rivera

virginia.rivera@harlequinbooks.com.br
CAPÍTULO UM

— Srta. Benning.

Ela não era a Srta. Benning. Era Catherine Marie, pri­sioneira do Falcão, um sheik que ainda vivia segundo as leis do deserto, onde só os mais fortes sobreviviam. Ele estava se aproximando. Catherine podia ouvir a sua voz profunda e vigorosa falando com alguém do lado de fora da tenda, em um idioma que ela não com­preendia. Tentou se soltar das cordas que prendiam as suas mãos, sem sucesso. Mas o que ela faria se conseguisse se libertar? Catherine estava no meio do deserto. Não conse­guiria sobreviver um dia sequer naquela região árida por sua própria conta.

Foi então que ele chegou, detendo-se na entrada da tenda. Seu rosto estava encoberto pelas sombras. Tudo o que ela conseguia ver era o seu corpo atlético vestindo uma calça branca e uma túnica preta típica do seu povo, sua abaya, que pendia de seus ombros largos até pouco abaixo dos joelhos. Sua cabeça esta­va coberta por um smagh vermelho e branco que de­notava a sua condição de sheik. A tira que o mantinha no lugar era feita de couro preto torcido. — Srta. Benning!

Catherine Marie Benning despertou de seus deva­neios num sobressalto e olhou rapidamente ao redor.

Os panos de seda que ornavam a tenda de seus sonhos haviam se transformado em paredes frias e cinzentas, decoradas apenas por alguns cartazes de lançamen­tos de livros. Eram as paredes da sala de descanso da Biblioteca Pública de Whitehaven, bem mais condi­zentes com um lugar frio e úmido como Seattle, Wa­shington, do que com os desertos ardentes do Saara.

A luz fluorescente do lugar acentuava as feições duras da mulher à sua frente.

— Sim, Sra. Camden?

— Estava novamente com a cabeça nas nuvens, não é, Srta. Benning?

Embora fosse muito paciente, Catherine ficou irri­tada com o tom de reprovação da senhora.

Talvez ela não ficasse tão frustrada se o protago­nista de suas fantasias mostrasse o seu rosto, mas ele nunca o fazia.

Catherine percebeu que a Sra. Camden ia dar início a mais um de seus sermões e se rendeu ao fato de que seu horário de almoço havia terminado mais cedo, mais uma vez.

Hakim bin Omar ai Kadar entrou na biblioteca à procura de Catherine Marie Benning. A fotografia dela ficara permanentemente gravada em sua mente. Sua futura esposa. Embora os casamentos arranjados não fossem incomuns na família real de Jawhar, aque­le era especial.

Catherine Marie Benning não sabia que estava prestes a se tornar sua esposa. Seu pai quisera assim. Uma das cláusulas do contrato estabelecido entre o tio de Hakim e Harold Benning determinava que Hakim teria de convencê-la a desposá-lo sem que Catherine ficasse sabendo do acordo entre seu pai e o rei de Ja­whar. Tendo sido educado no Ocidente, Hakim sabia que as mulheres americanas não viam os casamentos arranjados com os mesmos bons olhos das mulheres de sua família.

Cortejá-la, contudo, não seria nenhum sacrifício. Era o que se esperava de um príncipe real de Jawhar, mes­mo num casamento arranjado. Ele lhe daria um mês.

Harold Benning havia procurado o tio de Hakim há cerca de dez semanas para tratar da busca por um me­tal raro nas montanhas de Jawhar. O americano havia lhe proposto uma sociedade entre a Companhia Ben­ning de Escavações e a família real de Jawhar.

Ambos estavam decidindo os termos do contrato quando Hakim foi atacado enquanto cavalgava no deserto, nas primeiras horas da manhã. As investiga­ções revelaram que os responsáveis pela tentativa de assassinato eram os mesmos dissidentes que haviam matado os seus pais há vinte anos atrás.

Hakim não sabia ao certo como o seu casamento com Catherine passara a fazer parte do acordo. Sa­bia apenas que seu tio havia considerado conveniente fazê-lo. Se a família real viesse um dia a precisar de um visto de permanência nos Estados Unidos, Hakim poderia providenciá-lo, visto que estaria casado com uma americana, sem ter de recorrer às vias diplomáti­cas, preservando assim, a privacidade e o orgulho de sua família.

A família real de Jawhar jamais havia pedido asilo político em país algum nos três séculos de seu reina­do, e nunca o faria. Já prevendo os interesses da família nos Estados Unidos, Hakim fora escolhido para firmar a aliança entre as famílias.

Harold Benning também achara o casamento van­tajoso. Estava muito preocupado com o fato de sua filha ainda continuar solteira, aos 24 anos. De acordo com ele, ela nem sequer havia tido um namorado.

A negociação acabara resultando num decreto real: Hakim deveria se casar com Catherine Benning.

Ele avistou a sua futura noiva ajudando um meni­no do outro lado do recinto. Viu quando ela estendeu o braço pra pegar um livro da prateleira, fazendo com que o seu suéter preto aderisse mais firmemente aos seus seios, revelando suas formas agradavelmente atraentes.

Aquilo foi surpreendente. Sua fotografia revelava uma mulher bonita, mas nada comparado às exóticas beldades com quem ele havia compartilhado a sua cama. Sua reação tão imediata e intensa a uma visão inocente como aquela o deteve.

O que o teria excitado daquela maneira? Sua pele era clara, mas não como o alabastro. Seu cabelo era loiro, mas estava preso, sem nenhuma graça especial. Seus olhos, de um azul intenso que já o haviam im­pressionado na fotografia, eram ainda mais atraentes pessoalmente.

Não havia como negar a sua reação corporal a ela. Ele a tinha desejado. Já havia sentido aquele tipo de atração física instantânea antes, mas como reação a uma provocação bem maior — uma certa maneira de andar, uma roupa em especial, ou um olhar atraente —, e Catherine Benning não exibia nenhum desses atributos.

Aquilo o deixara confuso, mas não fora, de modo algum, uma surpresa desagradável.

Assim que o menino se afastou, Catherine olhou ao redor, passando por Hakim, até pousar os olhos sobre o homem que esperava à frente de sua mesa de traba­lho.

Ao apontar para o monitor do computador, porém, seu olhar voltou a procurar o de Hakim e ali se deteve. O ho­mem a quem ela estava atendendo se afastou e a pessoa seguinte que esperava na fila lhe passou despercebida.

Hakim sorriu.

Catherine sentiu seu corpo enrijecer e suas boche­chas corarem, mas não desviou o olhar.

O sorriso dele se ampliou ainda mais. Sua missão parecia fadada ao sucesso.

— Preste atenção, Srta. Benning. A senhorita tem fregueses para atender.

Catherine enrubesceu ainda mais, mas não gague­jou ao responder:

— Sinto muito. Eu estava com a cabeça longe. Catherine voltou a atender as pessoas, enquanto sua chefe se afastava, mais parecendo um general.

Hakim esperou até que o último freguês tivesse ido embora para ir cumprimentá-la.

— Boa tarde.

Ela sorriu. Seus olhos eram ainda mais perturbado­res de perto. O rubor voltou.

— Olá. O que posso fazer por você?

— Estou interessado em telescópios antigos e na história da astronomia. Você pode me dar alguma re­ferência?

Os olhos dela se iluminaram com interesse.

— É um hobby recente?

— Muito.


Tão recente quanto a sua conversa com o pai de Catherine. Embora o próprio pai de Hakim compar­tilhasse do mesmo interesse de Catherine pela astro­nomia, seus livros haviam permanecido intocados no observatório do Palácio Kadar desde a sua morte.

— Eu me interesso pessoalmente por este assunto. Se você dispuser de alguns minutos, poderei lhe indi­car alguns livros muito bons.

— Eu ficaria muito grato.

Catherine respirou fundo, tentando acalmar o seu coração descompassado enquanto conduzia aquele homem lindo e imponente à seção de astronomia. A aura de poder ao redor dele era suficiente para fazer o seu pulso acelerar, porém o mais desconcertante era que ele encarnava todas as características físicas da personagem de sua fantasia.

Seu corpo musculoso de cerca de 1,90m de altura fazia com que ela se sentisse pequena, apesar de seus 1,75m, mesmo sabendo que isso não era verdade. Seu cabelo preto sedoso tinha um tom levemente mais escuro que os seus olhos e, se não fosse pelo seu inglês impecável, ela pensaria que ele era o sheik das suas fantasias.

Uma onda de desejo totalmente inesperada tomou conta dela, deixando-a arfante e confusa, e ele nem sequer a havia tocado!

Eles pararam na frente de uma prateleira. Ela reti­rou um dos livros e lhe entregou.

— Este é o meu favorito. Tenho um exemplar da primeira edição.

Hakim pegou o livro de suas mãos e os seus dedos roçaram levemente os dela.

Catherine deu um passo para trás, perturbada com o efeito daquele roçar. Seu corpo estava latejando de uma maneira que nunca havia experimentado antes, mas ela tentou não deixar transparecer o quanto havia ficado abalada com a sua proximidade.

— Sinto muito.

Hakim olhou fundo nos olhos dela, deixando-a ain­da mais perturbada.

Catherine balançou a cabeça, mas pôde sentir o rubor lhe subir pelo rosto outra vez.

— Não foi nada.

Ele folheou o livro. Catherine sabia que devia se afastar, mas não foi capaz de fazer suas pernas se mo­verem na direção da mesa.

Hakim fechou o livro com um estalo e seu olhar pousou sobre ela outra vez.

— Muito obrigado, senhorita...

— Benning, mas, por favor, me chame de Cathe­rine.

— Eu sou Hakim.

— E um nome árabe. Ele sorriu.

— Sim.

— Mas o seu inglês é perfeito.



Que coisa tola para se dizer. Havia muitos árabes vivendo em Seattle, muitos deles já na segunda ou ter­ceira geração de americanos.

— É assim que deve ser. O mestre real ficaria muito desgostoso se a pronúncia de um de seus pupilos fosse menos do que perfeita.

— Real? — ela disse, engasgando.

— Desculpe. Eu sou Hakim bin Ornar ai Kadar, príncipe da família real de Jawhar.

Catherine quase perdeu o fôlego. Um príncipe? Ela havia conversado com um príncipe por mais de dez minutos. Desejado-o! Céus. A idéia que havia come­çado a se insinuar em sua mente de convidá-lo a parti­cipar da próxima reunião da Sociedade de Telescópios Antigos se desfez como que por encanto, mas a atra­ção que sentira por ele, infelizmente, não.

Ela engoliu em seco.

— Posso ajudá-lo em algo mais?

— Eu já tomei muito do seu tempo.

— Há uma sociedade de pessoas interessadas em te­lescópios antigos em Seattle — ela disse, balbuciando.

Ela não o convidaria a ir com ela, mas podia lhe dar a informação mesmo assim.

— É mesmo?

— Eles vão se encontrar esta noite — disse Cathe­rine, informando ainda a hora e o lugar da reunião.

— Eu a verei por lá? — perguntou Hakim.

— Provavelmente não.

Ela ia estar lá, mas costumava se sentar no fundo e ele não era o tipo de homem que se contentava em ficar em segundo plano.

— Você não vai comparecer à reunião? — ele per­guntou, parecendo decepcionado.

— Eu sempre vou.

— Então eu a verei lá. Catherine deu de ombros.

— É um grupo muito grande.

— Eu a procurarei, Catherine.

Ela por pouco ela não perguntou "por quê?". Em vez disso, sorriu e disse:

Pode ser que a gente se encontre, então.

— Eu não costumo deixar essas coisas ao acaso. Sem dúvida. Ele parecia decidido demais para isso.

— Até a noite, então.

Catherine se virou para ir embora, um pouco de­cepcionada por ele não tê-la chamado de volta.

Hakim deu uma olhada nos livros que ela havia lhe recomendado e deixou a biblioteca alguns minutos depois.

Ela o observou partir, certa de uma única coisa. O sheik de suas fantasias não iria mais continuar sem rosto.

CAPÍTULO DOIS

Catherine adentrou a sala de reuniões de um dos ho­téis mais elegantes do centro de Seattle. Embora ainda fosse cedo, metade dos assentos já estava tomada. Ela vasculhou a multidão à procura de Hakim com um frio na barriga.

Será que ele ia realmente procurá-la?

Era difícil acreditar. Mais difícil ainda de aceitar as sensações que estavam se apoderando dela com a sim­ples lembrança dele. Um rosto cheio de cicatrizes e os subseqüentes tratamentos a laser a haviam impedido de namorar durante toda a sua juventude. Sua timidez havia se intensificado de tal modo que o seu desabrochar tardio, pelo qual seus pais tanto tinham ansiado, jamais havia se materializado. Catherine já havia se resignado a envelhecer como uma solteirona, numa casa repleta de lembranças de outras pessoas. Ela era tímida demais para se aproximar dos homens e muito comum para ser abordada por eles.

Algo em Hakim, porém, a impelia a se arriscar e isso a assustava.

Um homem como aquele jamais se interessaria por ela.

— Catherine. Você chegou.

Ela soube imediatamente quem era o dono daquela voz profunda e masculina.

— Boa noite, Hakim.

— Aceita se sentar ao meu lado? Ela assentiu, incapaz de falar.

Hakim a conduziu até uma cadeira no meio do sa­lão, num ponto bem mais à frente do que ela costu­mava ficar. Estendeu-lhe o braço para ajudá-la a se sentar, com uma delicadeza que a cativou e a preocu­pou ao mesmo tempo. O simples toque dos seus de­dos quentes foi o suficiente para fazer os seus sentidos vacilarem.

Vários olhares se voltaram para observá-los. A curiosidade dos espectadores era evidente.

O orador daquela noite era o diretor da George Lee and Sons Telescópios. Estava lá para expor a sua co­leção aos membros da sociedade.

Quarenta minutos depois, os presentes foram con­vidados a dar uma olhada no equipamento de perto.

— Quer ir lá ver? — perguntou-lhe Hakim. Ela deu de ombros.

— O que quer dizer isto?

Ela virou a cabeça, dando-se ao luxo de encará-lo. O efeito foi tão impactante que ela quase arfou, mas conseguiu se conter, sorrindo sem graça.

— Significa que eu provavelmente vou abrir mão deste prazer.

— Eu a acompanharei.

— Não é necessário — ela retrucou. — Eu só não estou disposta a permanecer na fila. Você já viu quan­tas pessoas estão esperando?

Hakim olhou para a fila e, então, novamente pa­ra ela.

— Tem certeza de que não deseja vê-lo?

Nem mesmo um telescópio George Lee and Sons poderia competir com o seu interesse por Hakim, con­fessou ela a si mesma.

— Certeza absoluta.

— Então, você aceita jantar comigo para discutir­mos o meu mais novo hobby?

— Jantar? — ela repetiu.

— Está preocupada em fazer uma refeição com um estranho?

A preocupação perfeitamente justificável não tinha sequer lhe passado pela cabeça, mas ela também ja­mais estivera na companhia de um sheik antes, nem havia experimentado aquele misto de sensações que a proximidade dele provocava em seu corpo.

— Não — ela disse, fazendo-o arregalar os olhos levemente.

— Então vai permitir que eu a convide para jantar esta noite?

— Eu não sei...

— Por favor.

Aquilo soou mais como um comando do que como um pedido, mas atingiu o seu objetivo.

— Eu posso segui-lo até o restaurante no meu carro — ela disse, tentando demonstrar um mínimo de ins­tinto de autopreservação.

— Está bem. Você gosta de frutos do mar? Ela ficou com água na boca.

— Adoro.


— Há um ótimo restaurante a um quarteirão daqui. Nós podemos ir andando.

— Acho que está começando a chover — disse Catherine.

Hakim inclinou a cabeça e sorriu ironicamente.

— Eu lhe emprestarei a minha capa.

Ela riu imaginando-se usando uma capa bem maior do que ela.

— Não é necessário. Eu só achei que você não ia querer se molhar.

— Eu não teria feito a proposta se tivesse algum problema com isso.

— É claro.

Foi uma caminhada curta e embora as nuvens esti­vessem cinzentas e carregadas, não choveu.

Catherine ficou surpresa com o conhecimento que ele revelou ter sobre astronomia durante o jantar.

— Li os livros que você me recomendou esta tarde.

— Já?


Desta vez foi ele quem deu de ombros.

— A maioria deles.

— Uau! Aposto que você não teve que voltar ao trabalho depois de sua ida à biblioteca.

— É uma questão de prioridades — ele disse, sor­rindo.

— Você não me pareceu alguém que colocasse os seus hobbies acima do trabalho.

— O inesperado às vezes assume o comando de nossas vidas.

Ela ficou pensando a respeito daquela declaração misteriosa, mas ainda não o conhecia suficientemente para fazer perguntas.

Após o jantar, Hakim a acompanhou até o seu car­ro. Tomou as chaves de suas mãos e abriu a porta para ela, fazendo-lhe um sinal para que ela entrasse.

— Obrigada pelo jantar.

— Foi um prazer, Catherine.

Dois dias depois, Hakim a convidou para assistir a uma apresentação num planetário, no sábado. O programa exigia que eles passassem o dia inteiro jun­tos, além de uma viagem de três horas até Portland. A perspectiva de passar todo aquele tempo sozinha com Hakim no espaço reduzido de um carro deixou os nervos de Catherine à flor da pele.

Ela teve um sobressalto quando o interfone tocou, anunciando a sua chegada.

— Já estou descendo.

— Eu estarei esperando.

A voz dele era exótica e sexy, mesmo com a distor­ção do aparelho. Ela ainda estava achando difícil de acreditar que aquele homem tão deslumbrante estava realmente interessado nela.

Hakim estava na portaria.

— Bom dia, Catherine. Está pronta? Ela assentiu, devorando-o com os olhos.

Seu suéter preto e a calça canela, que realçava os seus músculos bem desenvolvidos, deixaram-na com a boca seca de desejo. Ela passou a língua nos lábios e engoliu em seco.

— Estou com tudo de que preciso.

— Então, vamos.

Hakim a tomou pelo braço e a conduziu a uma limusine preta estacionada mais adiante.

— Pensei que você ia dirigindo.

— Preferi focar minha atenção em você. Há uma divisória no carro que garantirá a nossa privacidade na medida em que desejarmos.

O modo como ele disse aquilo fez com que uma série de imagens libidinosas passasse pela cabeça de Catherine e os bicos de seus seios enrijecessem quase dolorosamente.

A sensação foi tão inesperada que ela chegou a arfar.

— Você está bem?

— E-estou — ela gaguejou, antes de praticamente mergulhar no banco de trás.

Catherine estava completamente fora de si e o ho­mem nem sequer a havia beijado. Seus seios intumesceram assim que Hakim se sentou à sua frente.

O sorriso dele era simplesmente devastador.

— Gostaria de tomar alguma coisa? — ele pergun­tou, abrindo uma pequena porta na lateral do carro re­velando um frigobar abastecido.

— Um suco seria ótimo.

Catherine ficou muito orgulhosa de si mesma ao no­tar que sua voz havia soado razoavelmente normal.

Hakim lhe serviu um copo de suco de amora e o estendeu a ela.

— Você tem algum outro hobby além dos telescó­pios?

— Eu sou uma leitora ávida, afinal trabalho numa biblioteca. Também gosto de percorrer trilhas.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Talvez eu devesse ter dito caminhar pelas flo­restas.

Ele tomou um gole de sua água mineral.

— E você devaneia enquanto caminha, eu suponho. Catherine não conseguiu esconder a sua surpresa por ele ter percebido uma característica tão particular sua.

— Sim. Eu adoro me afastar de tudo e de todos. É mágico.

— Eu também gosto de caminhar ao ar livre, mas prefiro o deserto.

— Conte-me, por favor.

Hakim o fez, mas conseguiu habilmente desviar o assunto diversas vezes na direção de Catherine, de modo que eles passaram toda a viagem conversando sobre assuntos que ela raramente compartilhava com outras pessoas além da irmã. Hakim parecia compreen­der a sua timidez e não ficava incomodado com ela, o que a deixava mais à vontade para se abrir com ele.

Ele também não desprezava as suas opiniões como seu pai fazia com tanta competência. Hakim prestou atenção em tudo o que ela disse, envolvendo-a cada vez mais com o seu feitiço.

O almoço transcorreu num restaurante com vista para o Willamette River. A comida estava divina, a vista para o rio deslumbrante e a companhia dele me­xeu com o corpo e a alma de Catherine. Ela temeu estar se apaixonando profunda e irremediavelmente por um homem que estava fora de seu alcance.

Já no teatro, Hakim passou o braço em torno dos j ombros de Catherine, sorrindo para si mesmo quando i ela enrijeceu, porém sem se afastar.

Ela não estava acostumada ao toque de um homem, mas seu corpo estava dando todos os sinais de estar pronto para um despertar sexual.

A paixão latente que Hakim percebera nela certa­mente funcionaria a seu favor, facilitando a sua tarefa de seduzi-la e convencê-la a se casar com ele.

Seu treinamento especializado havia lhe possibilitado sair ileso da recente tentativa de assassinato que sofrerá, mas seus pais não haviam tido a mesma sor­te. Ele não tinha conseguido salvá-los e a consciência disso ainda o assombrava.

O fato de que ele tinha apenas 10 anos de idade na época não aliviava em nada a necessidade de proteger sua família agora, custe o que custasse.

Ele ainda podia se lembrar do grito de sua mãe ao ver o marido ser atingido por uma bala bem diante dos seus olhos, um grito que logo foi interrompido por outro tiro. A irmã mais nova tinha começado a chorar ao seu lado. Hakim tomara a sua mão e a conduzira para fora do palácio através da passagem secreta co­nhecida apenas pelos membros da família real e seus servos de maior confiança.

Seguiram-se então dias de calor intenso sob o sol escaldante do deserto, quando Hakim, usando o co­nhecimento adquirido com o seu avô beduíno, procu­rou abrigo para ele e a pequenina irmã, até finalmente encontrar a sua tribo. Ele e a irmã sobreviveram, mas Hakim nunca se esqueceria a que preço.

Um pequeno gemido de Catherine o alertou para o fato de que ele estivera acariciando o pescoço dela com o seu polegar. Seus olhos estavam fixos na tela enorme, mas seu corpo estava completamente sintoni­zado nele, pulsando de excitação.

Catherine estava se deleitando com a sensação dos braços de Hakim em torno dela e ficou fantasiando que aquilo significava algo mais. Era natural que ele a convidasse para dançar. Afinal de contas, ele era o seu parceiro aquela noite e todos os outros casais estavam dançando.

O baile a rigor beneficente era para levantar fundos para o St. Jude's Children Hospital. Ela havia convi­dado Hakim para ser o seu par esperando, em parte, que ele dissesse não, mas ele não o fez. Tinha con­cordado em trazê-la e até mesmo em jantar com a sua família antes disso.

Sua mãe e irmã ficaram completamente encan­tadas com o carisma exótico e presença enigmática dele. Mesmo de terno e gravata, o homem exalava realeza.

— Sua irmã é muito gentil.

Ela deixou seu corpo se aproximar minimamente ao dele e teve mesmo que lutar contra o desejo de pousar a cabeça em seu ombro e inspirar o seu perfume.

— Sim. Nós somos muito próximas.

— Isto é bom. Família é uma coisa muito importan­te — ele disse com uma expressão grave.

Catherine não estava bem certa do rumo que aquela conversa estava tomando.

— Ter filhos, transmitir um legado à geração se­guinte também é importante.

— Concordo. Não posso imaginar um casal que não queira ter filhos.

Hakim finalmente sorriu.

— Tenho certeza de que você jamais seria uma des­sas pessoas.

— Jamais — ela respondeu sonhando em se casar e formar uma família com aquele homem em especial, mas tentando manter o sorriso impassível.

Por que trazer aquele pensamento deprimente à tona se ela provavelmente jamais chegaria a se casar?

Hakim começou a traçar pequenos círculos com o polegar na base da coluna de Catherine dispersando os pensamentos dela, até mesmo os mais deprimentes.

Catherine fechou os olhos e cedeu ao desejo de pousar o rosto em seu peito. Ele provavelmente ja­mais a convidaria para dançar novamente, mas ela simplesmente não estava conseguindo se conter. Em vez de parecer ofendida com a sua audácia, no en­tanto, Hakim a puxou mais para perto de si e dançou com ela até a música ser substituída por outra mais acelerada.

Ele não a convidou mais para dançar naquela noite, mas também não a evitou. Usando uma sofisticação nata para se desviar do interesse das outras mulhe­res que se aproximavam para flertar com ele, Hakim manteve o seu interesse fixamente nela, fazendo com que ela finalmente perdesse a batalha que travava con­sigo mesma.

Estava completa e desesperadamente apaixonada por ele.

Catherine abriu o cartão que viera com as flores.

"Para uma mulher cuja beleza interior desabrocha com mais encanto que o de uma rosa."

Seus olhos se encheram de lágrimas. Catherine ha­via se levantado em meio ao evento da noite anterior para defender as crianças, suas esperanças e sonhos. Estava com os nervos à flor da pele, mas se sentiu compelida a fazer um apelo em favor da fundação.

Mais tarde, Hakim lhe dissera que o seu amor e compaixão pelas crianças ficaram evidentes, apesar de seu nervosismo. O elogio já a havia deixado lisonjeada, mas as rosas mexeram definitivamente com ela.

Colocou o vaso no canto da mesa, onde ela e o res­tante dos bibliotecários podiam ver as flores facilmen­te.

Hakim fazia com que ela se sentisse muito especial, ainda que eles fossem apenas amigos. Catherine, por vezes, tinha a sensação de que havia algo mais, fa­zendo sua esperança reacender, mas como isso seria possível se ele nunca a havia beijado?

Eles passavam muito tempo juntos e a sua atração por ele crescia cada vez que ela o encontrava, mas Hakim não parecia fisicamente atraído por ela.

Aquilo não era surpresa para Catherine.

Ela não era o tipo de mulher que inspirava um dese­jo desenfreado num homem como Hakim, embora seu desejo por ele continuasse inabalado.

Seus devaneios foram interrompidos pela súbita entrada de Hakim na biblioteca. Ela já deveria ter se acostumado a isso a esta altura, uma vez que ele vinha freqüentando o lugar cada vez mais assiduamente, deixando bem claro que o fazia por causa dela.

Hakim caminhou na direção dela com uma arro­gância que Catherine achava simplesmente encanta­dora. Ele era tão seguro e autoconfiante... Também não era para menos, afinal, ele era rico, lindo e tinha sido criado como um príncipe.

Ela se inclinou para guardar alguns papéis na gave­ta de baixo quando ele se aproximou de sua mesa.

— Catherine...

Seus intensos olhos azuis encontraram os dele.

— Desculpe. Acabei de me lembrar que tinha que arquivar estes papéis quando o vi.

— Não podia ao menos esperar para me cumpri­mentar? — ele provocou.

— Eu podia acabar me esquecendo de fazê-lo de­pois disso.

Será que ele tinha compreendido o que ela havia acabado de admitir? Ele já sabia que abalava a sua capacidade de concentração, mas uma mulher sofisti­cada jamais teria dito isso com todas as letras.

— Acho que vou ter que me contentar em conver­sar com o topo da sua cabeça enquanto você termina.

— Você às vezes soa tão formal. Acha que isso tem algo a ver com o fato de o inglês não ser a sua língua materna?

A súbita mudança de assunto o deixou um pouco desnorteado.

— A primeira língua que eu aprendi depois do ára­be foi o francês. Foi só depois de dominá-lo que eu aprendi inglês.

— Oh, eu adoraria aprender francês. Eu estudei alemão e espanhol na escola, mas devo admitir que não tenho talento para línguas.

— Eu não vim aqui para discutir a minha fluência em línguas estrangeiras.

Catherine sorriu.

— E o que foi que você veio fazer, então?

— Ver minha amiga.

— Oh — ela disse. — E quantas são?

— Quantas são o quê, minha gatinha?

O rosto de Catherine se aqueceu imediatamente ao ouvir aquela expressão carinhosa.

— Quantas são as línguas que você fala fluente­mente? — ela perguntou, arfante.

Hakim desejou tirar-lhe completamente o fôlego com um beijo, mas não podia fazer isso. Não aqui e ainda não agora, mas em breve.

— Sou fluente em francês, inglês, árabe e todos os dialetos do meu povo, minha gatinha — ele repetiu propositadamente, só para observar o efeito que isso tinha sobre ela.

Catherine ficou atordoada.

Ela respirou profundamente, e então, praticamente sussurrando, disse:

— Não é pouca coisa.

Embora fosse apenas alguns centímetros mais alta do que a média das mulheres, Catherine freqüentemen­te fazia comentários a respeito de si mesma como se fosse algum tipo de amazona. Ele se aproximou dela e acariciou o seu pescoço com a ponta dos dedos.

— Muito pouco, para mim. Ela tremeu e Hakim sorriu. Muito em breve ela seria sua.

Hakim teve que usar toda a disciplina adquirida com o treinamento com a sua tropa de elite para se afastar dela.

— Vim saber se você gostaria de jantar comigo esta noite.

Catherine ficou boquiaberta.

Eles já se conheciam há três semanas; tinham co­mido juntos várias vezes, mas ela ainda ficava surpre­sa a cada convite.

— Não precisa ficar assim tão surpresa. Nós almo­çamos juntos ontem mesmo.

Ela sorriu desajeitada.

— Foi por isso que fiquei surpresa. Achei que você ia querer passar algum tempo com...

Ela se conteve, mas seus olhos revelaram o que ela quase havia dito. Outras mulheres. Hakim ficou zan­gado ao ver como ela se desvalorizava.

— Eu não quero passar o meu tempo com nenhuma outra mulher.

Os olhos dela se encheram de alegria e esperança.

— Eu adoraria jantar com você.

— Então nos veremos à noite. Ele se virou para ir embora.

— Hakim. Ele se deteve.

— Você poderia ter telefonado.

— Mas assim eu não teria podido desfrutar do pra­zer de vê-la.

Catherine parecia prestes a se derreter com aquele comentário quando ele foi embora sorrindo. Seu dever estaria cumprido muito em breve.




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