Coração em Fúria The Sheik´s Bartered Bride Lucy Monroe



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CAPITULO TREZE

Depois de respirar fundo diversas vezes, ela pegou o telefone e ligou para o rei. Seu nervosismo só fez au­mentar quando Abdul-Malik insistiu em passar a liga­ção diretamente para ele, apesar de o Rei se encontrar numa reunião.

O rei Asad foi direto ao ponto.

— Você soube que os dissidentes foram presos?

— Sim.

— Isso significa que não vamos mais precisar dos vistos.



— Eu compreendi.

— Outra pessoa poderia cuidar dos nossos interes­ses no estrangeiro. Hakim poderia voltar para casa.

Catherine esboçou um sorriso de felicidade com a notícia maravilhosa, mas logo se deteve.

— Por que o senhor decidiu me contar isso antes mesmo de falar com Hakim?

— Eu já falei com o meu sobrinho — ele respondeu com uma impaciência real. — É meu desejo, e desejo do meu povo também, que ele retorne a Kadar.

— Ele não me disse nada a respeito.

— Hakim se recusa a voltar.

O quê?

Ela não podia acreditar no que estava ouvindo Foi então que percebeu que havia gritado no ouvido do rei.

— Sinto muito, Excelência, mas eu não consigo compreender. Tenho certeza de que meu marido dese­ja voltar para Jawhar.

— Eu também tenho, jóia do seu coração. Por que ele a havia chamado assim?

— Então...

Ele suspirou e prosseguiu:

— Hakim está convencido de que você seria infeliz em Kadar.

— Isso é ridículo. Eu adorei o período que passa­mos aí e ele sabe disso.

— Talvez eu deva lhe fazer uma confidencia.

Ela queria ouvir alguma coisa que desse sentido àquilo tudo.

— Por favor.

— Acho que eu não deveria compartilhar uma coi­sa dessas com a esposa do meu sobrinho, mas a obsti­nação dele não me deixa alternativa.

— Compreendo — disse Catherine, um pouco im­paciente.

— Quando ainda estava na universidade, Hakim teve um relacionamento com uma mulher que ele acreditava amar. Uma mulher que ele acreditava que o amasse também. Ele a pediu em casamento, ansioso por retornar com ela a Jawhar. Isto foi antes de ele assumir os nossos negócios nos Estados Unidos.

— Mas ela não aceitou. Hakim me contou.

— Ela disse ao meu sobrinho que por mais que uma mulher ocidental o amasse, ela jamais se disporia a abandonar a sua carreira e o seu estilo de vida para se mudar para um lugar como Kadar. Disse a Hakim que ele teria que escolher entre a sua posição como sheik de Kadar e ela.

— E ele escolheu a sua posição — disse Catherine, declarando o óbvio.

Afinal de contas, os dois não tinham se casado.

— Mas, em você, ele encontrou a verdadeira jóia do seu coração. Ele escolheu você em detrimento do seu dever para com o seu povo.

— O que o senhor quer dizer?

— Ele acredita que a sua felicidade está em Seattle, por isso se recusou a retornar à sua pátria e ao seu povo.

Catherine começou a tremer e teve que se sentar.

— Eu não pedi isso a ele. Ele não me falou nada sobre isso.

— Hakim não quer afligi-la. Disse-me que você talvez quisesse se sacrificar por ele, mas ele não per­mitiria que você o fizesse.

— Mas eu seria muito mais feliz em Kadar. Que­ro criar os nossos filhos no seu palácio. Gosto da luz do sol de lá. As pessoas são maravilhosas. Eu poderia aprender a andar de camelo.

Ela estava tão atordoada com a notícia de que Hakim tinha escolhido a ela em detrimento do seu de­ver que não conseguia mais controlar a sua língua.

— Filhos? — indagou o rei.

— Eu...

— Talvez você tenha boas notícias para mim quan­do você e meu sobrinho voltarem a Jawhar?



— Mas Hakim disse que não quer ir.

— Não, Catherine, ele disse que você não ia querer voltar e que, portanto, ele não viria.

Ela mordeu o lábio.

— O senhor está zangado comigo?

— Não. Eu conversei com Lila e com várias pessoas com quem você teve contato com em sua visita a Jawhar. Estou convencido de que este problema existe apenas na cabeça do meu sobrinho, e não no seu coração.

— É verdade, mas o que eu devo fazer?

— Diga-lhe o que você sente — disse o rei, já pare­cendo um pouco exasperado.

Ela sorriu.

— Quero fazer mais. — Hakim merecia um gesto que demonstrasse o quanto ela o amava, o quanto ela queria viver em Jawhar com ele. — Talvez o senhor pudesse me ajudar...

Hakim abriu a porta com uma expectativa jamais sentida antes em seu casamento. Ela estaria esperando por ele. Sua Catherine, sua gatinha.

Talvez estivesse deitada no sofá como ontem. Ele sorriu com a lembrança. Aquelas boas-vindas real­mente compensavam qualquer sacrifício. Compensa­vam tudo. Ele podia passar o resto da sua vida naquele clima úmido se isso significasse permanecer aquecido no calor do seu amor.

Haveria crianças na casa, mais cedo ou mais tarde. Seu coração acelerou. Ela já estava esperando um fi­lho seu, talvez um menino, o próximo sheik de Kadar. Um filho que seria um estranho para o seu povo assim como ele havia sido no Palácio de Jawhar, depois da morte de seu pai. Mas a criança pertenceria à sua fa­mília. Teria a ele e a Catherine. Aquilo seria suficien­te. Tinha que ser.

O som da música oriental dentro do quarto atraiu a sua atenção, mas o lugar estava vazio. A porta do ba­nheiro da suíte estava aberta. Ele entrou e encontrou sua mulher relaxando na banheira funda, envolta em uma doce fragrância de jasmim.

— Um homem tem que estar muito seguro de sua masculinidade para compartilhar um banho com sua esposa com óleo de flores perfumadas.

Catherine virou a cabeça, sorrindo encantadora­mente para ele.

— Que sorte a minha ter me casado com um macho desses, não é?

Os dedos dele já estavam abrindo os botões de sua camisa.

— Eu é que sou abençoado, minha jóia. Ter uma mulher como você é o sonho de qualquer homem.

Suas bochechas ficaram levemente coradas, e ela desviou o olhar do dele.

— Eu nunca sei como responder quando você me diz essas coisas.

Ele acabou de se despir e entrou na água quente com ela, roçando as suas pernas nas dela.

— Minha esperança é que você aceite as minhas palavras com a alegria do seu coração.

Ela olhou para ele através de suas pálpebras semicerradas com uma expressão coquete, insinuando o seu pé por entre as coxas de Hakim.

— Eu estou muito feliz com você, meu amor.

Era verdade. Ela irradiava a mesma alegria que ti­nha no dia do seu casamento. O que teria acarretado aquela mudança? A gravidez?

Os dedos femininos e delicados dos pés de Catherine acariciaram o membro de Hakim debaixo da água e a sua reação foi intensa e imediata.

Ela estendeu a mão e acariciou a ponta do seu sexo.

— Humm... Muito masculino. Ele riu e se lançou sobre ela.

Mais tarde, ela se aninhou em seu corpo, ainda ofegante.

— Acho que você me afogou.

— Você fez um convite atraente demais para ser ignorado.

— Tem certeza de que era mesmo um convite? Tal­vez eu estivesse apenas tentando relaxar.

Ele riu. Ela freqüentemente o fazia rir.

— Era um convite desavergonhado e você sabe muito bem disso — ele disse beliscando um de seus mamilos ainda rígido.

Ela soltou um gritinho e deu um tapa na sua mão, afastando-a.

— Está bem, eu admito. Foi um convite sexy.

— Você é que é.

— O quê? — ela perguntou, aconchegando-se ain­da mais.

— Você é incrivelmente sexy.

— Você me faz sentir assim. Você faz com que eu me sinta bonita.

— Sua beleza supera a de qualquer outra mulher. Ela suspirou e pousou a mão sobre a sua barriga. Será que ela aceitaria a sua declaração de amor agora? Ele havia querido lhe revelar os seus senti­mentos, mas embora ela já tivesse admitido que ainda o amava, Hakim tinha a sensação de que ela estava retendo alguma coisa — sua confiança. Hakim queria que Catherine acreditasse quando ele lhe professasse o seu amor. Ela certamente ficaria magoada se achas­se que ele estava mentindo e ele não suportaria vê-la sofrer outra vez.

Catherine o surpreendeu com um beijo, mas seus lábios se afastaram antes que ele pudesse desfrutar devidamente deles.

— Seu tio telefonou. Hakim ficou tenso.

— O que ele queria?

— Uma de suas primas ficou noiva.

Ele já sabia disso. Seu tio havia lhe dado a notícia quando lhe contara sobre a captura dos dissidentes.

— Ela não é exatamente minha prima. É sobrinha do meu tio por parte de sua esposa.

— Mesmo assim, ele disse que queria que nós fôs­semos a Jawhar para a celebração do noivado.

Hakim sentiu uma pontada no coração, como sem­pre acontecia quando pensava na sua pátria.

— Você quer ir?

Eles tinham acabado de voltar para casa. Era uma viagem bem longa para se fazer em tão pouco tempo.

— Oh, sim.

— Então nós iremos.

Seu sorriso era pura feminilidade e mistério, mas Hakim desistiu de tentar adivinhar o que ele escondia quando os lábios dela se juntaram aos seus mais uma vez. Desta vez ele estava pronto para tirar vantagem da situação.

Uma semana depois, eles embarcaram no mesmo jato que os havia levado a Jawhar pela primeira vez. Hakim foi muito atencioso com Catherine durante toda a viagem, querendo saber como ela estava se sen­tindo e se precisava de alguma coisa. Felizmente, ela estava tendo apenas leves enjôos matinais, de modo que o vôo não foi um grande problema.

Aquilo era um alívio, considerando o que Catherine tinha em mente quando eles chegassem ao aeroporto.

Hakim a conduziu ao heliporto, acreditando que eles fariam uma breve viagem de helicóptero até a ci­dade onde vivia a sua prima.

Catherine o manteve ocupado com uma exibição completamente inapropriada de afeto à qual ele não se opôs. Já havia se passado quase uma hora quan­do Hakim percebeu que eles estavam na direção errada.

Ele cutucou o guarda ao lado do piloto e gritou algo em árabe. Ele então respondeu a Hakim, que se virou furioso na direção dela.

— O que está acontecendo aqui?

O sorriso afetado dela o deixou furioso, mas ele se conteve. Sua gravidez a salvaguardara.

— Eu o estou seqüestrando — ela gritou para ser ouvida em meio ao som das hélices.

Hakim não disse mais uma única palavra até eles aterrissarem no Palácio de Kadar.

O mesmo utilitário desportivo estava lá para trans­portá-los, inclusive com os mesmos guardas. Catherine sorriu para eles, tentando ignorar o modo ameaçador como o homem ao seu lado olhava para ela.

Hakim manteve-se em silêncio até eles chegarem à privacidade do seu quarto no palácio, quando então se virou para ela, com uma expressão ameaçadora.

— Você pode me dizer o que está acontecendo?

— Eu o seqüestrei.

— Você já disse isso.

Ela entrelaçou as mãos, tentando fazer com que pa­rassem de tremer. Aquilo deveria ser mais fácil.

— Por que você está tão zangado?

— Você usurpa a minha autoridade entre o meu povo e ainda me pergunta por que eu estou zangado?

Ela não tinha considerado as coisas sob esse ponto de vista.

— Você tem que parar de se levar tão a sério. Todos sabem que tudo isto está sendo feito de acordo com a vontade do rei Asad. Não é tão grave assim.

Aquilo, porém, não pareceu tranqüilizar Hakim.

— E o que exatamente não é tão grave assim? Ela estava ficando um pouco frustrada com a raiva dele.

— Você não tinha o direito de se recusar a voltar a Jawhar sem me consultar. Eu sou a sua esposa, e não uma simples mucama que não tem vez nas decisões que também me afetam. E eu definitivamente não sou a mesma mulher com quem você viveu antes. Eu tenho as minhas próprias idéias e sentimentos. Você deveria ter pedido a minha opinião antes de se negar a cumprir o seu dever para com a sua família e o seu país.

Catherine cruzou os braços e olhou para ele com uma expressão fechada.

Hakim passou a mão na sua nuca.

— Meu tio a convenceu a se sacrificar por mim, pelo bem do meu país.

Não era uma pergunta, mas Catherine respondeu como se fosse.

— Ele não fez nada disso. Simplesmente me contou que você tinha se recusado a voltar para casa, apesar da prisão dos dissidentes.

— Nós não vamos ficar.

Hakim se virou como se fosse sair do quarto. Ele às vezes conseguia deixá-la completamente en­furecida.

— Hakim! Ele se deteve.

— Eu sei que você sabe andar de camelo. Sei que você pode chamar um helicóptero mais rápido do que eu posso pedir o jantar.

O corpo dele enrijeceu.

— O que você quer dizer com isso?

— Eu não posso mantê-lo aqui contra a sua von­tade.

Ele se virou para encará-la.

— E daí?


— Só existe uma que pode segurá-lo aqui. Se ele a amasse.

— E o que é?

— Eu.

Ele balançou a cabeça e Catherine reprimiu a pe­quenina dúvida que tentou abalar a sua certeza de que ele a amava. Tinha que amá-la para ter escolhido a ela. Um homem com tamanha responsabilidade só to­maria uma decisão dessas por conta de uma emoção muito forte.



— Isso não tem nada a ver com você. Meu tio a está manipulando para que você sacrifique a sua felicidade em nome do meu dever, e eu não vou permitir uma coisa dessas.

— E como você sabe o que vai me fazer feliz ou não? Você nunca perguntou.

— Eu prometi que a colocaria em primeiro lugar e pretendo manter a minha promessa.

— Quero saber se eu sou o suficiente para mantê-lo aqui.

Ela queria ouvir as palavras. Merecia ouvi-las.

— Não há nada que poderia ser mais forte do que a minha ligação com você.

Hakim começou a caminhar na direção dela, com uma intenção muito clara nos olhos vítreos que ela tanto amava.

Catherine também se aproximou.

Eles se encontraram no meio do quarto. Hakim a tomou em seus braços, apertando-a com tanta força que ela mal conseguiu respirar.

— Quero criar os meus filhos aqui — ela disse, arfando. — Quero que eles conheçam a tradição do povo de seu pai, conheçam o calor do deserto, o amor de uma família com tantos membros, cujos nomes eu provavel­mente jamais chegarei a conhecer em sua totalidade.

Ele enterrou os dedos em sua nuca. Catherine o ha­via deixado solto e ele estava todo despenteado por causa do vôo de helicóptero.

— E o seu trabalho...

Ela sorriu tentando tranqüilizá-lo.

— Eu vou expandir a biblioteca do palácio e disponibilizá-la para a população.

Seu gemido foi o de um homem que sabia que a existência pacífica de seu povo estava correndo risco.

— Aqui não há cidades, nem shoppings, não exis­tem cinemas...

Ela interrompeu a ladainha.

— Eu já lhe disse que não sou a mesma mulher com quem você se envolveu no passado. Não gosto de compras nem do trânsito da cidade. Eu já vivia numa cidade pequena quando nos conhecemos. Eu adoro este lugar. Adoro as pessoas. Como foi que você não percebeu isso?

Ele a beijou profundamente fazendo-a se derreter. Ambos acabaram na cama entre uma pilha de almofadas.

Hakim se inclinou sobre ela e afastou uma mecha de cabelo de sua têmpora.

— Eu quero que você seja feliz, aziz.

O coração dela se contraiu de esperança e, então, de certeza.

— Porque você me ama.

— É claro que eu a amo. Eu já não lhe disse isso centenas de vezes?

Ela não se lembrava de nenhuma sequer.

— Não.


— É claro que sim.

— Quando? — ela desafiou.

— Você não sabe qual é o significado da palavra aziz. Achei que você já tinha perguntado à minha irmã ou a Lila.

Ela passou a língua pelos lábios, sob o olhar feroz dele.

— O que ela quer dizer?

— Amada. Querida. Como eu poderia deixar de amá-la? Você tem tudo o que uma mulher deveria ter, jóia do meu coração.

Sua alegria foi tanta que ela chegou a ficar zonza. Ela sorriu.

— Quando foi que você se deu conta disso? Hakim a abraçou.

— Eu fui muito estúpido. Não tinha me dado conta de que estava apaixonado por você até o dia em que lhe dei o telescópio e achei que você ainda estava pen­sando em me deixar. Eu já não queria que você fosse embora antes, mas naquele momento compreendi que se você o fizesse, levaria também o meu coração e a minha alma com você.

Ela começou a desabotoar a camisa de Hakim, que­rendo alcançar o homem que existia por baixo dela.

— E por que você não me disse que me amava na­quele dia?

— Tive medo que você não acreditasse em mim, que a minha declaração lhe causasse mais dor do que prazer.

Ela o olhou incrédula.

— Como você pôde imaginar que isso ia me mago­ar? Eu estava morrendo por dentro, achando que não era nada mais para você do que um meio para alcançar o seu objetivo.

— Perdoe-me pelos meus muitos erros, aziz, mas você é e sempre será um meio para eu alcançar o meu objetivo, pois eu necessito de você para ser feliz. Sem você, minha vida seria tão árida quanto o deserto, e vazia como um poço seco.

Aquelas palavras trouxeram lágrimas aos olhos de Catherine, e ela finalmente soube como reagir a elas.

Mais tarde, com as pernas desnudas e entrelaçadas às dele, sobre a cama, Catherine sorriu para ele, com­pletamente derretida com as palavras de amor que ele havia lhe dito enquanto fizera amor com ela.

— Eu o amo, Hakim. Ele a beijou suavemente.

— Eu também a amo, Catherine, e sempre amarei, até o dia que as estrelas caírem do firmamento.

Depois de toda uma vida se sentindo excluída, Ca­therine finalmente havia encontrado o seu lugar, nos braços de Hakim, ao lado do seu coração.



Para sempre.




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