Corpo de bombeiros militar do distrito federal



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CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL

DIRETORIA DE ENSINO E INSTRUÇÃO

CENTRO DE ASSISTÊNCIA AO ENSINO

COLÉGIO MILITAR DOM PEDRO II



Disciplina: Artes Cênicas 1º ano

Educadora: Márcia Lima
Elementos formadores da Arte Cênica
O Teatro poderia existir sem prédio, sem palco, bastando que para isso se façam espetáculos ao ar livre. Também poderia existir sem cenário, sem iluminação, pois a natureza nos dá, às vezes, esses elementos em forma mais rica do que a que pode ser conseguida no teatro. Sem a música? Claro que pode. Ela não é essencial no teatro falado; é útil, mas não indispensável. Sem texto fixo? Sim... as falas podem ser improvisadas. Sem Diretor? O ator pode auto-dirigir-se. E sem ator? O que poderia substituí-lo? O ator, o homem que vive, que pensa, que sente é o único elemento de teatro absolutamente indispensável. Todos os outros elementos, embora sejam de imensa utilidade, não são mais que satélites desse “sol” do teatro que é o ator. O principal objetivo do ator não pode ser o de convencer o espectador da realidade material da vida, mostrar-lhe como o personagem dorme, anda, come, etc. Mas sim mostrar-lhe o que o personagem quer, o que pensa, para que vive. O objetivo do ator é o de convencer o espectador da realidade da vida do espírito humano.

A arte dramática, segundo Stanislawski, é a capacidade de representar a vida do espírito humano, em público e em forma de estética. A força da convicção do teatro é tão grande que ele é capaz de convencer - embora provisoriamente ­um espectador que vem com uma idéia preconcebida sobre o espetáculo e baseada numa convicção pessoal profunda. Poderá o Teatro existir sem o espectador? Não! A razão da existência do teatro é exatamente a sua comunicação com o espectador.

Sabemos ainda que a arte teatral é um objeto semiótico por natureza. O conceito do que entendemos atualmente o teatro é originário do verbo grego “ theastai” , que significa ver, contemplar, olhar. A noção de representação está vinculada ao ritual mágico e religioso e é tão antigo quanto o homem. Muitos estudiosos acreditam que o teatro nasceu do instante em que o homem primitivo colocou e tirou a máscara diante do espectador, com plena consciência do exercício de simulação, de representação, ou seja, do signo.

Os signos, segundo alguns autores, códigos, segundo outros, são os principais elementos constitutivos do teatro.

Para definir a extensão da ação do teatro, deve-se considerá-lo em sua especificidade com todos os elementos que compõe, partindo-se do princípio de que são códigos da comunicação dramática.

Eis os principais signos teatrais:



Teatro - A palavra grega teatron designava o local destinado à acomodação das pessoas que assistiam à representação, nos anfiteatros. Literalmente, significava ” lugar onde se vê”. Etimologicamente, o produto teatro é definido a partir do ponto de vista do consumidor.

Cena - A ação representada, em público, para ser apreciada. No teatro, todos os elementos são acessórios da cena, tudo deve convergir para que o impacto da ação representada sobre o observador seja o máximo. Tal como todas as formas de arte, o teatro é linguagem. A cena é a síntese expressiva do teatro enquanto linguagem. É com esse sentido que se encontra a palavra cena neste estudo. Esta palavra também costuma ser empregada para designar partes de uma peça ( ex: a cena do balcão de Romeu e Julieta), ou o próprio espaço cênico ( do grego skène- lugar onde se pratica a ação, palco).

Encenação - Sendo a cena a síntese expressiva do teatro, a encenação é a gramática da cena, o instrumental construtivo e analítico desta linguagem. A leitura de diversas peças, seguida de estudos, reflexões e debates, leva os atores à seleção de uma peça para encenação. A encenação consistiria em algo assim como a soma de arte, de cuidado e inteligência trazidos à realização cênica de uma obra dramática. O trabalho do diretor nos dias de hoje não é mais como ditador. Eles trabalham com os atores e a equipe técnica, procurando uma maior integração de pensamento para que todos juntos possam criar um espetáculo de alto nível. Cada diretor tem seu estilo próprio de encenar um espetáculo, mas as funções de todos, no meio teatral, são as mesmas: ler e analisar a obra dramática, dirigir os ensaios dos atores, planejara marcação( movimentação dos atores em cena), criar, planejar e debater com os técnicos a cenografia, a iluminação, os figurinos, as máscaras, a sonoplastia.

Encenar - É empregar todos os componentes- o vocabulário- do teatro para a construção da cena, segundo regras gramaticais próprias, com o objetivo de comunicar, sensorial e intelectualmente.

Encenador - Pessoa encarregada de montar uma peça, assumindo a responsabilidade estética e organizacional do espetáculo, escolhendo os atores, interpretando o texto, utilizando as possibilidades cênicas à sua disposição.

Ator - Aquele que pratica a ação. Dentro da concepção grega, o celebrante do ritual. Ele é o vinculo vivo entre o texto e o autor, as diretivas de atuação do encenador e o olhar do espectador.

Protagonista - Atualmente, usamos esse termo fazendo referência aos personagens principais de uma peça, os que estão no centro da ação e dos conflitos.

Antagonista - São os personagens da peça em oposição ou em conflito. O caráter antagonista do universo teatral é um dos princípios essências da forma dramática.

Personagem - Vem do latim persona, pessoa imaginária que é representada, imitada pelo ator. Ator, personagem e espectador são os elementos indispensáveis ao teatro. Se um deles não estiver presente, não há teatro. Todos os outros componentes são acessórios. Puristas discutem se personagem é termo feminino ou masculino.

Espectador - cúmplice do ator na representação. Sabe que se trata de uma imitação e reage como se estivesse diante da personagem a praticar a ação imaginada. De fato, a situação teatral é um jogo. O termo em inglês - "play" dá um bom indicativo. Como disse Peter Brook: "Uma peça é um jogo e um jogo é uma peça". Daí, talvez, a origem da expressão "pregar uma peça".

Peça - O termo é empregado tanto para designar um texto dramático quanto uma representação completa. Quando se pretende diferenciar, utilizam-se os termos texto e espetáculo, ou encenação. Uma peça é dividida em atos e cenas (ex.: a quarta cena do segundo ato).

Gesto - Um dos organizadores fundamentais da gramática teatral é o gesto. Através do gesto e da voz o ator cria o personagem. Tornou-se um instrumento indispensável na arte teatral, através de um sistema de signos que exprime pensamentos por meio do movimento ou atitude da mão, do braço, da perna, da cabeça ou do corpo inteiro. Os signos gestuais podem acompanhar ou substituir a palavra, suprimir um elemento do cenário, um acessório, em sentimento ou emoção. Os teóricos do gesto acreditam ser possível fazer com a mão e o braço cerca de 700.00 signos.

Movimento cênico do ator – As várias maneiras de o ator se deslocar no espaço cênico, suas entradas e saídas ou sua posição com relação aos outros atores, acessórios, elementos do cenário ou até mesmo aos espectadores, podem representar os mais variados signos. A movimentação tanto cria a unidade do texto teatral como organiza e relaciona as seqüências no espaço cênico.

Voz – A voz é, antes de tudo, elemento fundador do texto teatral, escrito ou não. Quando não vocalizado, o texto é gesto. É utilizada pelo ator para dar vida ao personagem. Ela atua como uma “fronteira de liberdade” que o ator explora a seu modo, através da entonação, do ritmo, da rapidez e da intensidade com que ele pronuncia as palavras antes apenas escritas, criando desta forma, os mais variados signos. A voz e o gesto formam a performance, a linguagem primária do teatro.
O teatro acontece no instante e local onde é observado, o agente da representação e o seu observador estão no mesmo ambiente, na mesma hora. Não existe reprodução digital, fonográfica ou fotográfica da representação que possa substituí-la. Essa característica diferencia o teatro das formas dramáticas projetadas, como o cinema e a televisão. A obra deixa de existir ao final da representação, não é possível apreciá-la depois.

A representação, além de re-tratar a vida do espírito humano ao vivo, deve receber tratamento estético elaborado. O teatro destina-se ao fruir estético, compartilhado entre quem assiste à ação imitada e quem a pratica. Daí a denominação espetáculo, que designa uma representação teatral e, genericamente, algo digno de se ver.


Cenografia - É o conjunto de elementos organizados no espaço cênico (palco) representando o lugar ou lugares, onde acontecem as ações dramáticas interpreta­das pelo ator que representa uma peça. O espaço cenográfico en­globa o espaço cênico e o dos espectadores; define-se pela relação entre os dois e pela maneira como a sala (platéia) percebe a cena e esta se manifesta ao público. O espaço cênico é o espaço concretamente perceptível pelo público sobre a cena ou cenas de todas as cenografias imagináveis.

Cenário - O cenário é o local onde se realizam as cenas. Animado ou vivo é aquele que é constituído pelo corpo dos próprios atores. O cenário pode ser concreto, abstrato, objetivo e subjetivo.

a) O cenário pode ser considerado concreto quando se utiliza elementos concretos em sua composição.

b) O cenário abstrato é aquele em que não há objetos concretos ou os objetos concretos mudam de função.

c) O cenário é objetivo quando retrata o mundo exterior do personagem.

d) O cenário pode ser considerado subjetivo quando retrata o mundo interior dos personagens. O cenário, como o concebemos hoje, deve ser útil, eficaz, funcional. É mais uma ferramenta do que uma imagem, um instrumento e não um ornamento.

Iluminação - A iluminação no teatro deve estar adequada às exigências do texto dramático. É utilizada como elemento expressivo da linguagem teatral. Possui três funções:

a) Iluminação das personagens em ação.

b) Iluminação dos ambientes criados pela cenografia.

c) Efeitos luminosos em geral. Pode ser usada com significações de tempo e espaço, ou ainda, com significados simbólicos. Com a luz, cria-se a atmosfera cênica. Quando não há aparelhagem profissional para a realização da iluminação, podem-se usar lanternas, velas, isqueiros, etc. Utiliza-se pa­pel celofane para conseguir a variação das cores.


Sonoplastia - É o conjunto de sons vocais ou instrumentais criados para sublinhar ações de uma cena, num texto dramático ou não dramático. Pode ser natural - quando é realizado por elementos da natureza ou artificial - quando é realizado através de sons gravados ou de elementos fabricados pelo homem. Caracteriza a classe social, ambiente, tempo, época, clima psicológico, suspense e dá maior ou menor ênfase à ação.
Figurino - Na encenação contemporânea, o figurino tem papel cada vez mais importante e variado, tornando-se verdadeiramente a “segunda pele do ator”. O fato é que o figurino, sempre presente no ato teatral como signo do personagem e do disfarce, contentou-se por muito tempo com o simples papel de caracterizador encarregado de vestir o ator de acordo com a verossimilhança de uma condição ou de uma situação. Hoje, na representação, o figurino conquista um lugar muito mais ambicioso; multiplica suas funções e se integra ao trabalho de conjunto em cima dos significantes cênicos. Desde que aparece em cena, a vestimenta converte-se em figurino de teatro: põe-se a serviço de efeitos de ampliação, de simplificação, de abstração e de legibilidade. Pode ser considerado figurino, o conjunto de vestimentas e seus acessórios, usados pelos atores em cena. Serve como suporte para a representação da aparência dos personagens. Podem sugerir época, tempo, lugar, clima, condição social, estado psíquico, etc.

Adereços - São objetos de cena que servem como suporte para a representa­ção. Tudo o que se adere ao corpo ou às vestes do ator para a caracterização do personagem e da cena. Compõe o lugar cênico e o personagem.

Maquiagem – Figurino vivo do ator, a maquiagem faz o rosto passar do animado ao inanimado, ela joga com a ambigüidade constitutiva da representação teatral: mescla de natural e artificial, de coisa e de signo. Em teatro trabalha-se a pintura do rosto ou do corpo do ator para caracterizar personagens, para ressaltar expressões, distanciar ou aproximar o personagem do espectador, como é o caso do teatro grego.

Interpretação - Jogo do ator em cena, a partir do texto dramático criado pelo dramaturgo. A interpretação, embora inspirada no texto dramático e orientada pelo diretor, pode ser considerada uma criação do ator. O ator, desde o momento em que recebe seu personagem, começa a trabalhar na interpretação. O trabalho de interpretação exige que o ator seja sensível, sincero, emotivo e racional ao mesmo tempo, observador, perceptivo, imaginativo, enfim recorra a todas as capacidades intelectuais, que podem, através de exercícios, ser desenvolvidas. Não somente as capacidades intelectuais, mas também as habilidades físicas ­corno a flexibilidade corporal, a descontração, o ritmo, etc. - podem ser treinadas. A cada época da história do teatro corresponde um tipo de interpretação.

Diretor de teatro - O diretor esta ali para nos lembrar que a administração é parte integrante da criação: não apenas em relação ao orçamento de funcionamento, porém, mais tarde, quanto à programação: o diretor tenderá naturalmente a propor assinaturas que assegurem uma temporada tranqüila; recomendará exigências para peças ou estilos já comprovados; só assumirá compromisso com co-produções rentáveis - são vários os imperativos econômicos que se imporão às jovens companhias ou aos encenadores.

Espaço Dramático - Espaço dramático opõe-se a espaço cênico (ou espaço teatral). Este último é visível e se concretiza na encenação. O primeiro é um espaço construído pelo espectador ou pelo leitor para fixar o âmbito da evolução da ação e das personagens; pertence ao texto dramático e só é visualizável quando o espectador constrói imaginariamente o espaço dramático.

O espaço dramático é o espaço da ficção (e nisto ele é idêntico ao espaço dramático para o poema ou o romance ou todo texto lingüístico). Sua construção depende tanto das indicações que nos dá o autor do texto quanto de nosso esforço de imaginação. Nós o construímos e modelamos a nosso bel prazer, sem que ele nunca se mostre ou se anule numa representação real do espetáculo. Esta é sua força e também sua fraqueza, pois ele “fala menos ao olho” do que o espaço cênico concreto. Por outro lado, o espaço dramático (simbolizado) e o espaço cênico (visto) misturam-se sem cessar em nossa percepção, um ajudando o outro a construir-se, de modo que, ao cabo de um momento, somos incapazes de discernir o que nos é dado e o que nós mesmos fabricamos. Nesse preciso momento intervém a ilusão teatral, pois ai reside à ilusão teatral.

Esta configuração do espaço dramático que reconstituímos a leitura do texto influi, em compensação, sobre o espaço cênico e a cenografia. Na verdade, um certo espaço dramático necessita, para concretizar-se, de um espaço cênico que o sirva e lhe permita apregoar sua especificidade.

Aqui se coloca a eterna questão da anterioridade da cenografia ou da dramaturgia (estrutura dramática). É evidente que uma determina a outra; mas em primeiro lugar vem, é claro, a concepção dramatúrgica, isto é, a questão ideológica do conflito humano, do motor da ação etc. somente em seguida o teatro escolhe o tipo de espetáculo cênico e dramatúrgico que melhor convém à visão dramatúrgica e filosófica. A cena é, afinal, apenas um instrumento e não uma prisão eterna e uma imposição para os meios dramatúrgicos. Não é de se duvidar que haja, na história teatral, momentos em que certo tipo de cenografia tenha bloqueado a análise dramatúrgica e, portanto, a representação do homem no teatro. Mas a cenografia sempre acaba sendo abandona quando presta maus serviços, e ela adapta então ao movimento ideológico e dramatúrgico.



Espaço Lúdico (ou Gestual) - É o espaço criado pela evolução gestual dos atores. Por ações, relações de proximidade ou de afastamento, livres expansões ou confinamento a uma área mínima de jogo, os atores traçam os exatos limites de seus territórios individuais e coletivos. O espaço se organiza a partir deles, como que em torno de um pivô, o qual também muda de posição quando a ação exige. Esse tipo de espaço é construído a partir do jogo: está em perpétuo movimento, os limites são expansíveis e imprevisíveis, ao passo que o espaço cênico, ainda que pareça imenso, é na verdade limitado pela estrutura cenográfica da sala. Mais ainda que o espaço cênico, o espaço gestual presta-se a todas as convenções e manipulações; não é um espaço realista, mas um instrumento cênico à disposição do ator e do encenador. Toda representação é, neste sentido, o teatro de um duplo movimento de expansão e de concentração do espaço: o espaço cênico fornece o quadro geral; tende a englobar e a esmagar todo elemento que nele apareça. O espaço gestual, ao contrario, dilata-se e preenche o espaço ambiente, pelo menos quando é bem utilizado. A harmonia desses movimentos espaciais inversos cria a impressão de um jogo que usa o melhor possível as possibilidades da sala. O espaço gestual é também a maneira pela qual o corpo do ator se comporta no espaço: atraído para o alto e para o baixo, recurvado ou distendido, em expansão ou dobrado sobre si mesmo.
Bibliografia:

Apostila do PAS – Artes Cênicas – Editora Universitária de Brasília, 1º Ano.


Dicionário do Teatro- Patrice Pavis- Ed. Perspectiva, 1999.
Jean-Jaques Roubine- Introdução às Grandes Teorias do Teatro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
Dario Fo- Manual Mínimo do Ator. São Paulo: Ed. SENAC, 2004.


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