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O Estado de S.Paulo 08/05/2005 Economia



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O Estado de S.Paulo


08/05/2005

Economia

UE faz bem à Europa Oriental


Um ano após entrarem no bloco, os 10 novos membros têm bons resultados econômicos, mas já se teme o estouro da bolha
Kathryn Cooper

The Times


LONDRES - Faz exatamente um ano que 10 novos países se integraram à União Européia (UE) e foram recompensados com um crescimento de até 82% em seu mercado acionário nesse período. A Estônia vem apresentando o melhor desempenho entre os novos Estados membro, com um retorno de 82% em termos de libras esterlinas. A República Checa vem em seguida com um ganho de aproximadamente 75%, e a Hungria em terceiro com um crescimento de 63%. O índice FTSE All-Share (de todas as ações na Bolsa de Valores de Londres) cresceu 10% no mesmo período.

Dos outros países que entraram há um ano - Letônia, Lituânia, Eslováquia, Eslovênia, Malta e Chipre - somente Eslovênia e Chipre cresceram menos de 10%.

Os mercados acionários da Europa Oriental se expandiram porque investidores estrangeiros se amontoaram para aproveitar o acesso à UE. Plamen Monovski, gestor do fundo Merrill Lynch International Emerging Europe, disse: "Um dos principais benefícios tem sido as taxas de juros mais baixas, que resultaram num boom de empréstimos e gastos nos novos membros, e fortaleceram seu crescimento econômico."

As taxas de juro na Polônia despencaram de 24,5% em 1997 para 6% hoje; na Hungria, elas recuaram de 19,3% para 9,5%; e na República Checa, caíram de 16,5% para apenas 2,3%.

Mas alguns investidores estão realizando lucros (vender para aproveitar o bom preço) temendo um estouro da bolha. O índice MSCI Emerging Eastern Europe recuou 1,4% nas últimas quatro semanas, contra um crescimento de 5% em três meses.

Raj Shant, gestor do fundo Newton Continental European, vendeu todas suas ações européias orientais há seis meses, dizendo: "Reconhecidamente, parece que agi seis meses antes da hora, mas é melhor chegar mais cedo do que tarde demais; Embora esteja claro que os novos países estão crescendo rapidamente à medida que alcançam suas contrapartes do Ocidente, sinto ecos da bolha de tecnologia no ar."

Jonathan Garner, analista do Credit Suisse First Boston, reduziu a exposição do banco na República Checa, Hungria e Polônia em fevereiro, advertindo que esses mercados ficaram mais caros que os da Europa Ocidental. "Estamos ficando mais cautelosos com a Europa Central e não surpreenderia ver um forte recuo."

Os investidores ficaram mais cautelosos porque há sinais de que a economia americana, que sustenta o crescimento global, está se desaquecendo - e os mercados emergentes são em geral os primeiros a sofrer quando os investidores se retraem.

Segundo Glen Finegan, do fundo First State Global Emerging Markets, "o apetite dos investidores por risco foi irracionalmente alto no começo do ano e com certeza observamos um retorno da cautela no último mês, a Europa oriental poderia de fato se sair melhor do que outros mercados emergentes se houver um recuo, porque ele é considerado de menor risco do que a América Latina." Há algumas fissuras também no milagre econômico da Europa Oriental. O déficit em conta corrente de mais de 7% da Hungria é maior que o dos EUA em relação ao tamanho de sua economia; o seu banco central foi obrigado a aumentar os juros para frear os gastos do governo.

Além disso, o crescimento econômico na Europa Oriental atingiu um pico no ano passado: a Polônia deve crescer 4,7% neste ano em comparação com 5,5% em 2004, segundo Finegan; para a economia húngara projeta-se uma expansão de 3,5%, abaixo dos 3,9% do ano passado.

Apesar dos motivos para os investidores de curto prazo em fundos europeus orientais jogarem a toalha, Monovski acha que a região ainda parece atraente a longo prazo: "É evidente que o mercado continuará sob pressão no curto prazo, mas não creio que tenhamos assistido ao fim do processo de convergência. Mais de 90% dos húngaros ainda não têm hipotecas, o que é uma grande oportunidade para os bancos." Uma das ações favoritas é as do OTP. O banco húngaro está se expandindo na Bulgária e na Romênia, que deverão se integrar à UE em 1.º de janeiro de 2007.

MENOS IMPOSTOS

Monovski repara também que, apesar do forte crescimento dos últimos anos, os novos países integrados ainda têm um longo caminho a percorrer para alcançar o restante da UE. Suas economias ainda estão gerando só U$ 7.500 per capita, contra cerca de U$ 30 mil na Grã-Bretanha. A economia grega registrava uma renda per capita de U$ 13 mil antes de entrar na UE em 2001, mas o número agora é U$ 20 mil.

Os novos membros também estão se tornando lugares cada vez mais atraentes para os negócios de empresas ocidentais porque têm menos imposto e uma força de trabalho mais barata. Custa o mesmo empregar um trabalhador polonês por um dia e um alemão por uma hora.

A Polônia pretende introduzir uma alíquota fixa de imposto fixa de só 18% sobre toda a renda pessoal e os lucros corporativos a partir de 2008, contra uma média de mais de 30% na Europa Ocidental.

A Estônia foi pioneira no conceito de alíquota de imposto fixa nos anos 90; o país cobra agora 24%. Ela foi acompanhada por Lituânia, Letônia, Rússia, Ucrânia, Sérvia, Eslováquia e Romênia.

Os atrativos para empresas ocidentais foram salientados quando a Lego transferiu sua produção da Dinamarca para a República Checa recentemente.

Stuart Richards, do fundo de investimento Baring Emerging Europe, afirmou: "O investimento externo provavelmente vai aumentar à medida que mais companhias tirarem proveito da força de trabalho que é preparada, barata e flexível." Apesar dos atrativos contínuos dos outros países, muitos profissionais esperam melhorar seus lucros olhando mais longe. Monovski, por exemplo, investe 25% de seu fundo na Turquia, que deve iniciar conversações para seu acesso à UE no segundo semestre.

O governo turco já está reformulando a economia e as taxas de juro foram cortadas em mais de 30% há dois anos, para 17%, desencadeando um surto de crescimento sem paralelo. A economia se expandiu quase 9% em 2004, seu ritmo mais acentuado em quatro décadas. "As taxas de juro mais baixas provocaram um boom de empréstimos e os bancos turcos arrasaram com cartões de crédito, mas ainda há espaço para as hipotecas se massificarem", disse Monovski. Uma das ações favoritas no país é o Finansbank, que subiu 25% só no mes passado e mais do que dobrou no ano passado.

Raj Shant, porém, prefere comprar bancos europeus ocidentais mais estáveis do que fazer negócios na Europa Oriental. Ele teme que o mercado turco possa ficar conturbado se os franceses votarem contra a constituição da UE no dia 29. Quase um terço dos que pretendem votar "não" citam a o acesso potencial da Turquia como principal motivo.

Paul Ilott, do Bates Investment Fund, diz: "A Europa emergente é um ambiente de alto risco mais adequado a investidores que operam no longo prazo." Segundo ele, "a maioria das pessoas deve limitar sua exposição a cerca de 3%, mas os que quiserem adotar uma atitude mais ousada poderiam, de vez em quando, alocar 5% e 10% de seus portfólios na região - embora este talvez não seja o momento certo para aumentar a exposição. "





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