Correio Braziliense 3 Economia 3 a guerra do vinho 3 Correio Braziliense 4


Correio Braziliense 08/05/2005 Cartas



Baixar 330.68 Kb.
Página3/21
Encontro29.07.2016
Tamanho330.68 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   21

Correio Braziliense


08/05/2005

Cartas

Sr. Redator




No mundo da lua


Não sei se o presidente Lula lê jornais, revistas e assiste aos noticiários da TV. Não sei também se ele faz-e-conta que vive no mundo da lua. Uma coisa eu tenho certeza: ele não lê as cartas que lhe são escritas e os responsáveis pela leitura fazem questão de ignorar o que os brasileiros pensam sobre o governo. No meu caso, foi isso que aconteceu. Recebi resposta que nada tem a ver com o que eu escrevi. Por isso, agora só escrevo para a imprensa. Pode não resolver, mas serve como desabafo. Como é possível o presidente ignorar tantos reajustes de tarifas públicas, alimentação, vestuário, higiene, transporte coletivo, mensalidade escolar, plano de saúde, condomínio, IPTU, IPVA e tantos outros impostos, incluindo a famigerada taxa Selic, e ainda ter a cara de pau de oferecer 0,001% aos servidores públicos federais? Talvez para gozar com a cara dos brasileiros, podendo ler 100,0% se colocar a sua proposta em frente ao espelho. Para compensar, assinou e autorizou 15% aos servidores do Legislativo. E ainda dizem que todos são iguais perante a lei...

Antônio Roberto Borges Freire, Asa Sul


Correio Braziliense


08/05/2005

Caderno C

As próximas estréias


Brasília vai ganhar mais 20 novos cinemas até 2008. Em novembro, o shopping Península Norte inaugura suas seis salas, enquanto o CasaPark promete abrir as portas de outras oito ainda no segundo semestre deste ano
Ricardo Daehn

Da equipe do Correio


Na liderança do ranking das capitais com maior índice de freqüência entre espectadores de cinema, por pesquisa do Ibope, Brasília vem aguçando o senso de oportunidade dos grupos empresariais dedicados à expansão ainda maior do mercado exibidor. Apesar de já comportar 77 salas, a capital federal ainda acusa potencial para crescimento. Até 2008, por sinal, a promessa é de totalizar quase uma centena de cinemas em funcionamento. O perfil atenderá a público exigente, dado a comodidade, em itens como acesso, qualidade de imagem/som e conforto do assento.

Com cronogramas diferenciados, três novos complexos de cinema vão trazer mais 20 salas para a capital. Ao todo, a previsão é de mais 3050 poltronas para os espectadores. As oito salas do CasaPark, criadas a partir de investimentos de R$ 6 milhões, devem operar na frente, com perspectiva de entrada no mercado a partir do segundo semestre. Na seqüência, com gasto idêntico, há projeção de que as seis salas do Península Norte (shopping da Lago Norte) sejam inauguradas em novembro deste ano, enquanto as outras seis salas no Complexo Comercial e Hoteleiro Brasil XXI (em área próxima à Torre de TV) fiquem prontas ao final de 2008.

Com a estrutura física pronta - mas ainda desprovida de acabamento -, as salas do Península Norte estão em fase de comercialização, que definirá até junho o grupo operador da exibição. "Ainda é cedo para estimar o tipo de programação, mas se pode adiantar que o perfil dos espectadores é sofisticado, de pessoas com poder aquisitivo bom. Com os novos cinemas, esse público poderá evitar as viagens de meia hora para o acesso a filmes", comenta Luiz Estevão, proprietário do Grupo OK, que responde pelo empreendimento.

O embargo feito pela Administração do Lago Norte, por conta da exigência de garagem privativa para os clientes, é assunto superado, na visão do empresário. "A Lei de Edificação desobriga a existência de garagem subterrânea quando há estacionamento adjacente (ao ar livre) em quantidade suficiente para determinado lote. É caso semelhante aos dos cinemas do ParkShopping e aos do Aeroporto", explica.

Uma das novidades da nova leva de cinemas é a inclinação para uma programação alternativa nas salas do CasaPark, administradas pela Embracine, conhecida por comandar sete salas de Belo Horizonte e duas outras no Espaço Dragão do Mar (em Fortaleza). Nesse sentido, o diretor da empresa promete contar com curadoria rigorosa de padrão internacional. O suporte das salas trará cabines de projeção automatizadas. Pontos diferenciais em relação ao circuito estritamente comercial prometem ser as sessões comentadas, exibições de curtas-metragens e composição de mostras temáticas.

Objetivo similar deverá ser adotado para os cinemas do Complexo Comercial e Hoteleiro Brasil XXI. "A perspectiva é se alinhar ao cinema alternativo, já que vai ficar próximo das salas do Pátio Brasil e do Brasília Shopping, dedicadas aos filmes mais comerciais. As instalações serão modernas, nos moldes das salas do Cinemark", adianta o diretor da Paulo Octávio, Marcelo Carvalho. Com quase 2,2 mil metros quadrados, as seis salas totalizarão 756 lugares. O local terá ainda dois subsolos com estacionamento rotativo.

Em contrapartida a esse crescimento do número de salas, nem o grande empenho da prefeita do Setor de Diversões Sul (Conic), Flávia Portela, tem vencido barreiras para reativar as três salas de cinema do local, há anos emperradas pela devoção dos espaços ao dinheiro do aluguel para seitas religiosas ou por falta de interesses empresariais. "Sem os cinemas em funcionamento, há dificuldades para a revitalização do setor. Há boa conservação das salas, mas também necessidade de modernização do sistema de ar condicionado e recolocação das telas. Por enquanto, as salas funcionam para recepções e festas", explica a arquiteta.

Salas tradicionais da cidade, Miguel Nabut, Badya Helou e Bristol - todas marcadas pela programação diferenciada, até os anos 80 - amargam o desuso há anos. As primeiras foram reduto provisório da Igreja Renascer, enquanto o Bristol enveredou para o segmento de fitas pornô. Recentemente, até a Secretaria de Cultura estudou proposta de arrendamento, com vistas à expansão do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que não evoluiu. As salas, que totalizam 1.050 poltronas, entretanto, seguem o destino do Cine Karim (do mesmo proprietário, Karim Nabut), ocioso há dois anos.

Da antiga rede, apenas o Cine Márcia permanece em operação. É o "último dos moicanos", com "prejuízo total", como define Nabut, que busca "amantes do cinema" com espírito empreendedor para o aluguel das outras salas. "Mesmo o melhor cinema da cidade, o Cine Brasília, não tem público. Falta patrocínio e estímulo", acredita o empresário. Ele atribui o próprio desinteresse ao fato de a receita não cobrir gastos com o pagamento de energia elétrica, salário dos funcionários e impostos. "O Ministério da Cultura chegou a demonstrar interesse para um projeto que integrava cinema e trabalhadores, mas não houve evolução. Poderia render algo nos moldes do projeto carioca Teatro do Trabalhador, que existiu na Cinelândia. Em Brasília há excesso de salas: pela população, deveria ter entre 15 e 18 cinemas. Há mais oferta do que procura", arrisca.

Mesmo assim, persiste a esperança de que o espaço possa vir a abrigar salas de projeção com preços populares, aptas a servirem para múltiplos usos, ao menos na percepção de Flávia Portela. "Há muitos sindicatos e sedes de partidos no Conic. Seria ideal conjugar cinema, reuniões de trabalho, cursos de capacitação profissional e shows menores", conclui.



Rumo ao interior


Governo e Congresso criam linha de financiamento para abertura ou reforma de salas de exibição nas periferias. Medida é destinada aos 73% dos municípios brasileiros que não possuem cinema ou teatro
Tatiane Lopes

Especial para o Correio


O tripé que sustenta a indústria cinematográfica - produção, distribuição e exibição - esbarra em um desafio: a expansão das salas de cinema para além dos grandes centros urbanos. Considerada uma arte cara para os bolsos de produtores e cineastas, o setor exibidor complementa a cadeia produtiva do cinema e, por isso, o apoio financeiro das empresas privadas e, principalmente, do governo são fundamentais. Importantes passos foram dados recentemente pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (Minc), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e pela Comissão de Educação do Senado, que criaram condições especiais para que empresários invistam na criação de salas em todo Brasil.

No início deste ano, o BNDES adotou uma linha especial de financiamento que permite a ampliação, modernização, reforma e atualização do parque exibidor brasileiro. A antiga reivindicação dos donos de cinema representou a realização de um pedido antigo, que abre portas para mercados localizados nas periferias. "Recebemos muito bem o financiamento. Não acreditávamos na rapidez, e até achávamos que seria algo utópico. Foi uma grande conquista da classe", destaca o presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Fenec), Ricardo Difini. "As empresas estão vendo a periferia como centro que precisa ser melhor nutrido. É uma questão de tempo até que elas cheguem na periferia", completa o presidente da Associação Brasileira de Operadores de Multiplex (Abraplex), Valmir Fernandes.

Aprovado por unanimidade na Comissão de Educação do Senado, o projeto de lei do senador Aloizio Mercadante (PT/SP) estende os benefícios fiscais da Lei Rouanet a projetos culturais. A medida amplia a concessão para os investimentos dedicados à construção e manutenção de salas de cinema e teatro em municípios com menos de 100 mil habitantes. "Desde a década de 80, o número de cinemas fechados alcançou a casa do milhar. Setenta e três por cento dos municípios brasileiros têm menos de 20 mil habitantes e não possuem cinema e teatro", destaca o senador.

Prioridade

A primeira vantagem da linha é que o segmento de exibição dos filmes foi incluído entre os setores prioritários para o apoio com recursos do BNDES. Isso significa um conjunto de condições diferenciadas na política operacional do banco. A começar pelo aumento do tempo de carência dos financiamentos, que sobe de seis para 12 meses. Além da diminuição dos juros e a possibilidade de aumento do nível de participação do BNDES, que pode chegar até a 90% do financiamento. Outra característica é a compra de equipamento importado, que representa cerca de 35% no custo de implantação de uma sala de cinema. Até que se verifique a existência de um equivalente nacional, os objetos trazidos do exterior serão considerados itens financiáveis. A facilidade se completa com a redução do piso para financiamento direto, que era de R$ 10 milhões e passou para R$ 1 milhão. "Para chegarmos a esse nível de organização, fizemos entrevistas com o exibidores e realizamos dossiês com sugestões. Não é um edital, mas sim uma linha, onde o empresário procura o banco", explica o assessor especial da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Mário Diamante.

O chefe do Departamento de Comércio, Serviços e Turismo do BNDES, Carlos Eduardo Castello Branco, destaca que até este momento apenas uma empresa iniciou os procedimentos para análise de financiamento e que as regiões mais procuradas foram Sul e Sudeste. "O setor não tem tradição de financiamento, a divulgação dessa linha começou a atrair novas pessoas. Tenho conversado com alguns empresários, informando sobre dificuldades, já falei com seis empresas. Antes de infiltrar numa região, é preciso estudar e analisar o mercado, as garantias, histórico da empresa e da região, mas a intenção é expandir para outras praças", afirma Carlos.

Proprietário dos cinemas da Academia de Tênis, Aeroporto e Cultura Inglesa, o empresário Marco Farani vê com otimismo o financiamento. Para ele, o mercado de salas em Brasília ainda não está saturado, mas esta é uma alternativa para que novos títulos entrem no mercado cinematográfico. "Com poucas salas, o exibidor deve correr atrás de filmes que dão retorno. Ao expandir o mercado, abre-se espaço para filmes nem tão conhecidos, além da geração de emprego, renda e entretenimento", completa Farani. Outra característica positiva do projeto, segundo ele, é a de que o banco, ao analisar um projeto, seguirá a lógica de mercado, incluindo os riscos econômicos. "O banco incitará a criação de novas salas em cidades mais carentes, ao mesmo tempo que ajudará as pequenas e médias empresas a expandirem mercado", aposta Farani.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   21


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal