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O Globo


08/05/2005

O País

Tirando a prova dos três erros do governo Lula

Adauri Antunes Barbosa,Flávio Freire, Germano Oliveirae Soraya Aggege


SÃO PAULO. O governo "erra muito", admitiu o presidente Lula para em seguida dizer ser difícil apontar apenas três erros num governo que "acerta tanto". Foi há dez dias, em sua primeira entrevista coletiva, quando citou a política de juros altos como única forma de combater a inflação, a falta de investimentos nas estradas e a derrota para Severino Cavalcanti (PP) na eleição da Câmara como seus três maiores erros. E os outros? Para discutir os problemas e levantar sugestões para enfrentá-los, O GLOBO ouviu 26 especialistas e entidades para apontar supostas falhas em nove diferentes áreas. Ao reunir as respostas, uma antiga constatação: não há quem não defenda mais investimentos nos mais diversos setores, mas também não há quem não critique o aumento dos gastos públicos. Encontrar a saída é que é o desafio.

POLÍTICA: Para cientistas políticos, da formação de um governo quase totalmente composto por petistas à falta de articulação para montar a base, os equívocos passaram ainda por uma reforma ministerial que não deu mais eficiência à máquina e por outra que praticamente paralisou as discussões políticas e o governo por quase cinco meses. Embora o primeiro ano tenha sido de avanços no Congresso, com a votação, principalmente, da reforma da Previdência:

- O presidente Lula abriu seu governo apadrinhando o PT por toda a parte, o que causou ciumeira e desconfiança de outros partidos sobre o papel que eles teriam na administração - diz o cientista político Rubens Figueiredo.

POLÍTICA EXTERNA: Especialistas dizem que o governo, embora se destaque em algumas ações nesta área, erra ao dizer que vai mudar o eixo de seu relacionamento comercial, deixando os Estados Unidos em segundo plano para se aproximar de países árabes, africanos e asiáticos. O problema é que o presidente emite sinais conflitantes, ora defendendo maior aproximação com os EUA, ora com outros países.

SEGURANÇA: Em meio a índices alarmantes relacionados à violência, especialistas em segurança apontam o contingenciamento de recursos e a falta de investimentos no Fundo de Segurança Pública como algumas prioridades deixadas de lado pelo presidente Lula. Ao reduzir em 58% a verba para o setor este ano, o governo não tem atendeu à expectativa da sociedade, segundo o coordenador do Fórum Nacional de Ouvidores da Polícia, José Francisco da Silva. Falta investir em segurança pública, dizem, e dar mais recursos também à Polícia Federal, que fez diversas operações de sucesso de combate à corrupção mas tem poucos meios para atacar de vez o contrabando de armas e o tráfico de drogas nas fronteiras.

SAÚDE: Uma das áreas sociais mais delicadas do país, a saúde tem problemas que, em grande parte, são conseqüência da escassez de recursos. Para especialistas, os erros variam, mas a causa principal é a falta de dinheiro do governo para financiar o setor.

- Há uma dificuldade muito grande para a manutenção dos 12% do Orçamento da União para a saúde. Essa é uma situação muito grave. Vemos na saúde uma política clara, que são as Parcerias Público-Privadas, as PPPs, incentivadas para o Sistema Único de Saúde, o SUS, com o sentido de tirar a prioridade do governo para a área - diz Eleonora Menicucci, da ONU.

EDUCAÇÃO: A falta de maior definição para o financiamento é o erro considerado mais grave também pelos especialistas da área de educação. As questões ligadas aos recursos para a educação foram citadas tanto pelo presidente da União Nacional dos Estudantyes (UNE), Gustavo Peta, como pela presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Centro dos Professores do Rio Grande do Sul, Juçara Maria Dutra Vieira.

ECONOMIA: Na área econômica, uma das mais elogiadas do governo Lula pelos resultados da equipe econômica e o aumento da credibilidade do país no exterior, também há problemas a serem enfrentados, como apontam duas das principais entidades do país. Os presidentes da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) citam a falta de políticas para controlar os gastos públicos, os juros altos e as taxas cambiais.

- O presidente Lula, tenho certeza, está empenhado em promover avanços democráticos que resgatem a dívida social do país. Entretanto, o que observamos neste momento é que ainda faltam ao governo: maior controle dos gastos públicos, taxa de juros mais baixa e câmbio realista - diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

INFRA-ESTRUTURA: Muito além da falta de investimentos em estradas, técnicos da área de infra-estrutura dizem que o governo deveria priorizar a eficiência na regulação de setores estratégicos para o desenvolvimento do país. O presidente do Sindicato da Indústria e Construção Civil (Sinduscon) de São Paulo, João Cláudio Robusti, diz que falta ao governo otimizar a aplicação de recursos públicos para melhorar o sistema de infra-estrutura. Na mesma linha, o presidente da Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, critica o que chama de falta de política na área de saneamento básico. Segundo ele, o governo precisa estabelecer um novo marco regulatório e propor um projeto que visasse a universalização dos serviços de água e esgoto. Por fim, o presidente da Abdib argumenta que "posições controvertidas" criaram dúvidas para empresários do setor.

- As posições controvertidas e antagônicas da hierarquia governamental suscitaram dúvidas sobre a orientação a respeito de conceitos básicos para a consolidação de um ambiente favorável ao desenvolvimento de negócios.

REFORMA AGRÁRIA: É apontada como uma das áreas onde o governo Lula mais falha, na opinião de especialistas. A dificuldade para promover assentamentos produtivos e, conseqüentemente, distribuir riqueza, é uma das falhas apontadas. Para Marcelo Resende, que presidiu o Incra no início do governo Lula e hoje integra a ONG Rede Social de Justiça, o erro básico foi o não-enfrentamento do latifúndio e da grilagem.

MEIO AMBIENTE: Esta é uma área em que ocorre um fenômeno curioso no governo Lula, que o opõe a ambientalistas antes aliados do PT. Assuntos como a liberação para o plantio e a venda de produtos transgênicos são apontados por ambientalistas como uma falha, mas elogiados por agricultores, comerciantes e economistas. A intenção de levar à frente o projeto da usina de Angra 3 é atacado pelo Greenpeace, mas defendido por outros setores. Na área de meio ambiente, o que une todos é a crítica à dificuldade para enfrentar e conter o aumento de áreas desmatadas, que já atingem 25 mil quilômetros quadrados por ano no período do governo Lula.





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