Correio Braziliense: 40 anos Do pioneirismo à consolidação



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Correio Braziliense:
40 anos - Do pioneirismo à consolidação



Ana L. F. Morelli - anamorelli@planalto.gov.br

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Abril de 2002

Dissertação apresentada à Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Comunicação. Linha de Pesquisa Meios de Comunicação, Políticas e Tecnologias



Orientadora: Lavina Madeira Ribeiro
À todos os que acreditam que o conhecimento transforma

O jornal é a oração matinal do homem moderno”



Hegel

Agradecimentos



À minha orientadora, Lavina Madeira, pela paciência, compreensão e muito incentivo. O meu muito obrigado a Rinaldo Morelli, pela múltipla assessoria absolutamente indispensável. A Paulo Paniago, pela leitura crítica, atenta e pela torcida sorridente, assim como a Sidney Leon e Danilo Gomes, que me brindaram com suas revisões atentas. A Fátima Ribeiro, pelas mãos abençoadas e a Rose Mary Rozendo pelo suporte de informática. A Inês Lima, pelo apoio logístico. A João Cabral, diretor do Correio Braziliense, pelas portas abertas, a Vânia Caldas, coordenadora do Cedoc do Correio, pela cooperação, e ao Rodrigo, também do Cedoc, por sua alegre disponibilidade. Ao professor Luis Martins, pelo apoio e carinho. Aos professores Carlos Chagas e David Fleischer, pelas contribuições como integrantes da banca. Ao meu pai, sua esposa e à amiga Patrícia Braga, por acreditarem incondicionalmente em mim. A todos os que me concederam entrevistas, abrindo os seus baús de memória, e me ajudaram a montar o quebra-cabeça da história do Correio. A tantas pessoas que não cabem nesse espaço, mas que contribuíram cotidianamente para que essa dissertação se materializasse.

Resumo


O Correio Braziliense de Brasília traz apenas o nome de herança do primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense, fundado por Hipólito da Costa, em 1808, e que deixou de circular em 1822. Este nome foi resgatado da história da imprensa no Brasil, em 1960, pelo criador do novo Correio, Assis Chateaubriand, jornalista e dono da cadeia de comunicação, os Diários Associados, ao qual o Correio Braziliense é vinculado. O Correio não tem a tradição dos periódicos do eixo Rio e São Paulo, mas um espaço próprio no espectro de diários brasileiros, além de ser um jornal com especial identificação com a cidade. Sua linha editorial variou no tempo desde um comprometimento com o governo local até o confronto com esse mesmo governo. Sua estrutura editorial passou por profunda reforma recentemente, aliada a isso houve a apresentação, para os leitores, de sua nova linha editorial, de forma clara e explícita.

Este trabalho procurou estudar a trajetória do jornal Correio Braziliense, desde a sua fundação, fato que coincidiu com a inauguração de Brasília, a nova capital do país, tendo em vista o contexto político, econômico, social e cultural da cidade no mesmo período. Para tal, foram utilizados os seguintes parâmetros: direção, linha editorial, estrutura editorial, rotinas de produção, infra-estrutura, público-alvo, circulação e recursos humanos. Visando localizar melhor a linha editorial do jornal, foi analisada a cobertura jornalística feita pelo Correio de cinco fatos relevantes para a história da capital, onde foram observados os seguintes aspectos: cronologia dos fatos, o contexto, o desenvolvimento da cobertura, a linha editorial seguida e o estabelecimento pelo jornal de uma identidade com os habitantes e a cidade.



Abstract

The Brazilian newspaper Correio Braziliense, published in Brasilia, the nation’s capital, has inherited nothing but its name from its predecessor, Correio Brasiliense, Brazil’s first newspaper, which was founded in 1808 by Hipólito da Costa and remained in circulation until 1822. The name was rescued from historical oblivion in 1960 by Assis Chateaubriand, a journalist and owner of Diários Associados, a newspaper and broadcasting network to which the Correio Braziliense is affiliated. It is clear that Correio Braziliense does not have a tradition comparable to the major newspapers from the Rio - São Paulo axis. Nevertheless, it has been able to conquer its own space within the spectrum of Brazilian daily newspapers. At the same time, it follows a line of close identification with Brasilia. Its editorial policy has changed along the years, moving from an attitude of support to local authorities to a more confrontational stance in the recent past. Its editorial structure has recently undergone significant changes, which were clearly and explicitly explained to the readers.

The present work shows the results of a research on the history of Correio Braziliense since its foundation, which was concomitant to the inauguration of Brasilia as the nation’s capital. Account was taken or political, economic, social and cultural aspects of the city over this period of time. To that end, the following parameters proved relevant: composition of the board of directors, editorial policy, editorial structure, production routines, infrastructure, target-group, circulation and human resources. In order to highlight the newspaper’s editorial policy, the analysis was focused on the Correio Braziliense’s coverage of five relevant facts in the capital city’s history, with emphasis on the following aspects: chronology of facts, context, development of the news coverage, editorial policy and the newspaper’s efforts to establish an identity closely associated with the city and its population.


Introdução


Uma das características mais constantes do jornalismo é seu radical enraizamento no cotidiano, o que lhe confere diferentes características de acordo com as sociedades e as fases históricas em que é realizado”.

Jorge Cláudio Ribeiro


Estudar o processo de consolidação de jornais de influência nacional ou regional é fundamental para a compreensão do desenvolvimento da história de qualquer país. Em se tratando de um jornal da capital do país, como é o caso do Correio Braziliense, este por si só traz um interesse singular no âmbito dos estudos da mídia impressa, em razão da influência que exerce nos formadores de opinião locais, os políticos, e no espaço de informação e formação do cidadão comum. Como afirmou Carlos Eduardo Lins da Silva1 na introdução de sua pesquisa sobre a implantação de reformas nos anos 80 na Folha de S. Paulo, “é preciso documentar, registrar fatos, acumular conhecimento empírico da realidade para poder interpretá-la corretamente”. Portanto, sem compreender, sem analisar, é impossível criticar e transformar os cenários que se nos apresentam, e o presente trabalho visa seguir esses passos, para se somar a tantos outros que tratam sobre a história da imprensa no Brasil.

O jornal Correio Braziliense sempre me despertou a atenção, pois, sendo formada jornalisticamente sob a influência do Estado de São Paulo e da Folha de S. Paulo, ao conhecer o Correio algo me intrigou, por ser este um jornal que nasceu literalmente junto com a cidade e sempre defendeu a permanência da capital em Brasília, e passou anos amargando a fama de jornal “chapa-branca”, oficialista, porta-voz dos interesses dos governos locais e federal. Entretanto, foi capaz de desenvolver uma empatia com os leitores, mesmo nos períodos mais governistas, muito em função da falta de concorrência de peso de outros veículos locais impressos. Some-se a isto,o fato de jornal possuir um caderno de classificados muito procurado, realizar uma boa cobertura sobre esporte local e nacional, além de cobertura factual sem muita análise ou interpretação dos fatos políticos e econômicos durante muitos anos que, entretanto, proporcionava ao leitores tomar ciência dos acontecimentos que eram notícia no momento, e um guia de eventos de entretenimento bastante abrangente.

Esta dissertação de mestrado propôs-se a estudar a trajetória do Correio Braziliense, tendo em vista a evolução de sua linha editorial ao longo dos seus 40 anos de existência. O jornal foi escolhido em razão de ter sido o primeiro grande diário da nascente capital federal a sobreviver empresarialmente. É uma referência para aqueles que aqui chegaram como pioneiros e para os que nasceram no Distrito Federal. O objetivo inicial do trabalho era observar a evolução do jornal no tocante à linha editorial, tendo com referência o contexto político, econômico, social e cultural da cidade e, somado a isto, os reflexos destes mesmos contextos, em nível nacional, na trajetória do Correio Braziliense. As perguntas iniciais eram: ele é o jornal da cidade? Porque o leitor se identifica com ele? Ele expressa os anseios da comunidade? Porque ele era “chapa-branca” e em que momento e porque deixou de ser? O jornal amadureceu? Que mudanças ocorreram em nível operacional e administrativo? Que conexões teriam as transformações do Correio com o contexto da imprensa nos últimos 40 anos?

A idéia não era apenas fazer um estudo da evolução da linha editorial do jornal, pois os jornais não se constituem apenas de seu conteúdo, mas também de sua forma e de como se organizam enquanto empresas de comunicação. Hoje o conhecimento, as informações e os dados são “embalados” em projetos gráficos que tornam esses veículos atraentes para o seu público-alvo. O processo de industrialização dos meios de comunicação nos últimos 50 anos foi exigindo empresas rentáveis e que seguissem um caminho de racionalização de suas rotinas de produção. Resgatando um pouco de todos esses aspectos da trajetória editorial do jornal busco deixar algumas pistas para que outros pesquisadores promovam novas investigações.

A gênese deste trabalho foi a publicação de uma carta do diretor de redação do Correio Braziliense, Ricardo Noblat, em fevereiro de 98, aos leitores do jornal em sua coluna semanal “Carta aos Leitores”. Na carta, ele comentava a reação dos leitores as notícias negativas e fazia várias ponderações sobre a importância da relação do jornal com os seu público. Para compreender essa interatividade entre jornal e público, decidi, então, estudar a evolução das cartas dos leitores do Correio Braziliense, ao longo dos seus 40 anos de história. Entretanto, durante esta pesquisa, observei que o diretor de redação promovia um aprofundamento de seu projeto de repensar novas formas de se aproximar do leitor. Além disso, verifiquei mudanças no formato gráfico do jornal e nos objetivos, definidos por ele do que deveriam nortear uma mídia impressa. Diante de tal riqueza de transformações, iniciei um estudo da história deste diário, sua linha editorial, sua relação com a cidade, com o seu leitor.

O fato de não haver outros estudos sobre o jornal, a não ser um texto produzido pelo professor Salomão Amorim, de 19932, sobre breve período da história do jornal e mais recentemente, a dissertação da ex-jornalista do Correio, Adriana Chiarini, de 20003; que trata sobre a reforma pelo qual passou o diário, em 2000, tornou o desafio mais atraente ainda. É a primeira vez que um estudo se debruça sobre a trajetória do jornal, e, muito longe de ser um trabalho esgotado, é o início de uma grande estrada, onde, certamente, transitarão outros exploradores.

A pesquisa foi desenvolvida por meio de leitura de 240 exemplares do jornal, relativos dos seus 40 anos, mais especificamente dos meses de abril e outubro dos anos pares. Durante uma semana foi feita uma coleta de dados sobre cada exemplar, usando, entretanto, apenas um exemplar daquela semana como parâmetro. Os aspectos observados foram as editorias/retrancas, colunas, cadernos, os temas das coberturas, editoriais, os serviços das agências, os expedientes e a circulação. As demais informações foram coletadas através de trinta entrevistas com atuais jornalistas e ex-profissionais do jornal, assim como com funcionários de vários escalões. Foram levantadas informações sobre direção, linha editorial, estrutura editorial, rotinas de produção, infra-estrutura, público-alvo e recursos humanos. Além disso, houve a consulta a documentos produzidos pelo jornal para consumo interno e externo, e leitura de bibliografia a respeito da história de Brasília, da imprensa no Brasil e sobre jornalismo.

No primeiro capítulo foi abordada a história de Brasília, os seus antecedentes históricos, a sua ideologia desenvolvimentista e a sua evolução enquanto cidade, marcada por três momentos, segundo a perspectiva deste trabalho: a implantação, que compreendeu as décadas de 1960 e 1970, a consolidação, que compreendeu a década de 1980, e a afirmação, relativa ao período de 1990 até 2000. Destes períodos foram ressaltados os aspectos urbanos, políticos e econômicos, culturais e de lazer. Houve necessidade de se traçar a evolução histórica da cidade uma vez que o jornal é particularmente enraizado nas transformações ocorridas no DF, um aglomerado urbano completamente artificial, nascido do nada e forjado a partir da chegada de pessoas dos mais diversos lugares do país, com suas influências culturais, suas histórias, seus modos peculiares de ver a vida e viver em sociedade. Além disso, os fatos que marcaram Brasília têm se perdido nos livros de história do DF: os disponíveis se resumem ao período 60/70 e ainda não existem outros que contemplem detalhes justamente sobre a fase da consolidação da cidade, econômica e politicamente, a partir da década de 80. O capítulo não se propõe a escrever história, até porque este não é o espaço acadêmico adequado, mas visa apresentar alguns fatos relevantes que possam ilustrar a compreensão do processo histórico de consolidação do Correio.

O segundo capítulo trata dos antecedentes do Correio, traçados pelo jornalista Hipólito da Costa, ainda no período Colonial; o surgimento dos Diários Associados, comandados pelo jornalista Assis Chateaubriand que criou a nova versão do Correio Braziliense, a gênese do jornal e sua trajetória durante suas quatro décadas de existência. A escolha de delimitar os períodos analisados por décadas deveu-se à coincidência existente entre estes espaços de tempo e os ciclos pelos quais passaram o jornal. O capítulo foi dividido ainda em uma parte descritiva e outra analítica do desenvolvimento do novo jornal. Na primeira estão os dados levantados sobre a direção, linha editorial, rotinas produtivas, recursos humanos, circulação e equipamentos e, na segunda, ponderações sobre estas informações. Houve um destaque para o período referente ao comando da redação pelo jornalista Ricardo Noblat, por considerá-lo um marco para o Correio Braziliense, sendo que também, neste período, ainda existiram nuances na evolução do projeto editorial concebido pelo jornalista.

No último capítulo, visando aprofundar mais a análise da linha editorial, foi feita uma avaliação da cobertura jornalística por meio de leitura crítica de cinco fatos, selecionados pela sua importância política e local ou mesmo por permitirem se observar a opção política do Correio em relação a cobertura de determinados eventos. Os fatos selecionados foram: a invasão da Universidade de Brasília, ocorrida em 29 de agosto de 1968; a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976; os protestos contra o Plano Cruzado/Badernaço, ocorridos em 27 de novembro de 1986; as eleições gerais no Distrito Federal, ocorridas em 3 de outubro de 1990 e o confronto entre a polícia militar e grevistas da Novacap, ocorrido em 2 de dezembro de 1999. Estes fatos foram analisados sob os seguintes aspectos: cronologia, contexto, linha editorial, cobertura, identidade com a cidade e com os habitantes.

O Correio Braziliense tem se mostrado como produto de suas origens empresariais nos Diários Associados, das pessoas que o dirigiram, de suas estreitas e longas relações com o poder executivo local e a forte influência da sede do poder executivo federal na sua cobertura política.
Capítulo 1

Brasília

Aqui é o lugar onde o espaço mais se parece com o tempo...(Brasília) este grande silêncio visual que eu amo”.



Clarice Lispector

    1. Antecedentes de Brasília

A idéia de conquistar o centro do país já povoava o imaginário nacional há alguns séculos, desde a época dos bandeirantes, cujo principal objetivo era descobrir e extrair riquezas. Nestes 400 anos muitos planos foram traçados - e alguns implementados - tendo em vista a integração das diversas regiões do Brasil. Os primeiros registros de idéias mudancistas datam de 1750, quando o Marquês de Pombal defendia que fosse erguida, no sertão brasileiro, a capital da colônia. A preocupação era com a ocupação do vasto território da colônia, de onde se conseguia extrair ouro e pedras preciosas que abasteciam Portugal. Já em 1813, o jornalista Hipólito José da Costa, fundador e principal articulista do primeiro jornal brasileiro, o Correio Brasiliense, publicou os primeiros artigos em defesa da transferência da capital para o interior. Sua campanha prosseguiu até 1822, por meio do jornal, que, apesar de ser editado na Inglaterra, tinha grande penetração no Brasil.

Durante o Segundo Reinado, o historiador Francisco Adolfo Varnhagen, Conde de Porto Seguro, iniciou longa campanha para a mudança da capital para o centro do país. Durante 10 anos, ele foi ardoroso defensor da mudança, tendo sugerido dois sítios para a localização da nova capital: São João Del Rey, em Minas Gerais, e depois Formosa, em Goiás.

Mas foi com a proclamação da República que a tese ganhou impulso: na primeira Constituição republicana estava previsto que no Planalto Central seria futuramente demarcada área para o estabelecimento da nova capital. Em 1892, começaram os primeiros estudos e, à época, o governo designou o astrônomo Luiz Cruls, que finalizou seu trabalho dois anos depois, e indicou para a ocupação um retângulo de 14 mil km2, que hoje coincide praticamente com a área atual do Distrito Federal. Em 1922, foi lançada a pedra fundamental da nova capital, a nove quilômetros da cidade de Planaltina, em Goiás.

Depois de continuar prevista a mudança da capital nas constituições de 1934 e 1946, somente em 1953 foi constituída pelo governo federal a Comissão de Localização da Nova Capital. Mas foi Juscelino Kubitschek que, instado durante a campanha presidencial4 a transferir a capital para o Planalto, encampou a construção de Brasília em seu plano de governo.

Embora os principais interessados na idéia sempre tenham sido os habitantes do Planalto Central, os mineiros e os goianos5, aqueles que se preocupavam em levar o progresso aos seus estados eram os políticos de outras regiões que perceberam a importância e a necessidade da integração. Havia uma percepção de que a Amazônia não poderia continuar isolada e a solução seria levar o desenvolvimento ao centro, que, desta forma, enraizaria- se-ia também para o norte e nordeste6.

O binômio nacionalismo e desenvolvimentismo7, ideário no qual estava inserida a construção de Brasília, foi a bandeira de campanha do candidato Juscelino Kubitschek. Mineiro de Diamantina e formado em medicina, JK fez carreira meteórica na política, sendo eleito deputado federal em 1934, prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente da República em 1955. Ainda em campanha, anunciou um programa de 30 metas, englobando a expansão de setores como energia, transportes, indústrias de base, abastecimento e educação. Um prometido progresso para o país de “50 anos em 5 anos”. Durante o governo de Juscelino (1956/60), o país conheceu um período de estabilidade política, onde JK conseguiu administrar crises sem grandes prejuízos. Entretanto, na economia a situação não era das mais saudáveis, em razão dos projetos que o presidente implementou. O seu governo terminou com alta taxa de inflação, tendo, inclusive, rompido negociações com o FMI.

Brasília era considerada a meta-síntese do projeto desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek. Construída em tempo recorde, a cidade foi inaugurada em 21 de abril de 1960, pouco antes de seu idealizador deixar o governo e entregá-lo ao sucessor Jânio Quadros. Começava a se concretizar o sonho, há tanto idealizado, da capital se transferir para o centro do país, cuja a primeira idéia foi do Marquês de Pombal, passando pelos Inconfidentes e a Confederação do Equador, até chegar à primeira Constituição republicana, de 1891, que registrava que oportunamente seria demarcada área para a futura capital no Planalto Central. O nome de Brasília deve-se à José Bonifácio de Andrada e Silva8, ao que consta historicamente, também envolvido com a idéia de transferência da capital para o interior.

Juscelino enviou ao Congresso, apenas três meses após sua posse, projeto de lei para mudança da capital, que previa a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital - Novacap para administrar o processo de construção de Brasília. O arquiteto Oscar Niemeyer, que desenhou posteriormente a maioria dos edifício públicos da cidade, era chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap quando integrou o júri que escolheu o projeto urbanístico de Lúcio Costa9 para o Plano Piloto10. O projeto tinha clara inspiração na obra de um dos arquitetos mais expressivos do século XX, o francês Le Corbusier11, que influenciou outras obras de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. A capital que o urbanista criou deveria ser: “planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país”12. Na época, acreditava-se que o estabelecimento de um traçado urbano prévio iria influir decisivamente no processo de mudança social. Era a sensação de se construir o novo, o ainda não feito, o por fazer13.

O Plano Piloto concebido por Lúcio Costa tem em seu centro um desenho que se assemelha a forma de avião, onde estão as Asas Norte e Sul, locais predominantemente residenciais, e corpo do avião, onde se localizam os setores administrativos, ele é banhado pelo Lago Paranoá, com 40 quilômetros de extensão. Cada Asa possui nove faixas paralelas, compostas de 16 quadras cada uma, sendo que as 100, 300, 500, 700, 900 ocupam 4 faixas e 200, 400, 600 e 800 as outras quatro faixas. É uma cidade totalmente setorizada: hotéis, clubes, escolas, comércio, autarquias etc.

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