Correio Braziliense: 40 anos Do pioneirismo à consolidação



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2.7 Década de 80



a) Direção

O Correio Braziliense começou a década de 80 com mudanças no comando da redação: saiu Oliveira Bastos e entrou Ronaldo Junqueira1, que permaneceu no cargo até 1990. A transição na redação não foi muito tranqüila: o Correio passou por um período no qual não constava no expediente o nome do diretor de redação, naquela época, Oliveira Bastos, além disso, ficou sem editorial durante cerca de um ano. Na área administrativa, por volta do meio dos anos 80, foi incorporado mais um executivo na direção da empresa, Paulo Cabral2, oriundo do grupo Associado.


b)Linha Editorial

O período de Oliveira Bastos foi marcado por constantes mudanças gráficas e editoriais, pelo surgimento de novos cadernos e colunas - ambos de curta duração - e pelo crescimento do número das páginas de classificados. Já o período a Ronaldo Junqueira foi marcado por uma diagramação sóbria e por mudanças gráficas pouco significativas; as fotos começaram a ter crédito dos autores, houve aumento do número de matérias assinadas3, inclusive por correspondentes e pessoas que não integravam a equipe de profissionais do jornal. Houve ainda grandes coberturas como a da Constituinte e a apuração do assassinato do jornalista policial Mário Eugênio, além da redução do tamanho do número de páginas4. Vale a pena ressaltar que, sob a direção de Ronaldo Junqueira, o aspecto “chapa branca” do jornal continuou a vigorar, mesmo depois do abrandamento do regime militar e da crescente democratização do país.

A partir do meio dos anos 80, o Correio optou por publicar dois editoriais, um com tema nacional e outro local. Houve, ainda, o aumento do espaço para cobertura econômica, sem deixar de lado a cobertura política por excelência. A cobertura de Cidades foi ampliada, com a criação de uma editoria e retrancas específicas para este tema, entretanto com ênfase no Plano Piloto. Mesmo assim, o início da página veio sedimentar a identidade do jornal com o leitor. Durante o longo período de Junqueira a cobertura cultural recebeu uma ênfase na divulgação da produção local. Observou-se, também, a continuação da abertura de espaço para o leitor manifestar-se, como foi experimentado durante curtos períodos nas décadas de 60 e 70, principalmente por meio de enquetes de rua, publicadas em forma de boxes. Houve também a criação de espaços para o atendimento das necessidades e preocupações dos consumidores. Além disso, havia ainda a proposta de criação de um Conselho de Leitores5.
c) Estrutura Editorial

O jornal, que até a década de 80 era composto pelo primeiro caderno e segundo caderno separados, com a mudança no comando da redação passou a ser uma única unidade, sem títulos separando-os, possuindo apenas retrancas. No primeiro caderno figuraram as editorias de opinião, política, nacional, internacional e economia; no segundo caderno esportes, cultura e dicas sobre entretenimento. O Caderno de Cultura6, que até então era destacado do resto do noticiário, passou a ser identificado apenas por um título (retranca), que se modificou ao longo da década: CB Hoje, Variedades, Atualidade, Aparte e Dois. Cada mudança na retranca do Caderno de Cultura era também acompanhada da troca de denominação da página de programação cultural, respectivamente, Hoje, Roteiro, Serviço Completo e Agite. Segundo matéria publicada sobre a história do jornal7, o Caderno Dois passou por uma radical e breve mudança, em 1985, quando o jornalista Reynaldo Jardim, criador do Caderno B do Jornal do Brasil , criou o Desencarte, experiência que durou apenas 17 dias.

No Caderno de Cultura, na gestão Ronaldo Junqueira, começou a ser publicado o popular quadrinho Eixinho, de autoria do cartunista Humberto, que tratava de temas relacionados à cidade e que fez muito sucesso entre os leitores. Nesta década ainda foi observado um incremento do número de pequenos anúncios sobre eventos no roteiro cultural. E neste espaço, assim como em outros do caderno cultural, ao longo dos anos 80, foi verificado também o aumento do número de anúncios e matérias sobre eventos para crianças. Foi neste período que ficou consagrada como página de TV a última do caderno de cultura, formato que vigora até hoje.

As colunas que permaneceram no período 80/90 foram: “Visto, Lido e Ouvido”, escrita por Ari Cunha; “Gilberto Amaral”; “Sociais de Brasília”; “Brasília-DF”; “Mala Diplomática”; “Coluna do Servidor”; “Crocodilo”; “Nelbe Chateaubriand”; “Bazzar” e “Cartas”. As mudanças sofridas por essas colunas foram basicamente de localização: a coluna de Ari Cunha esteve na página de Nacional e depois na de Política; a de Gilberto Amaral começou a década no primeiro caderno e, no fim dos anos 80, no segundo caderno; já “Sociais de Brasília”, assinada por Katucha, saiu do primeiro caderno e em 86 passou a ser assinada por Marcone Formiga, com a morte de sua titular; a “Coluna de Cartas” esteve nas páginas de Cidades no início da década, transferiu-se para o segundo caderno com a retranca Sr. Redator por volta de 88 e em 90 foi, finalmente, para a página de Opinião, onde está até hoje. A coluna sobre notícias militares não teve regularidade ao longo da década de 80.

As novas colunas surgidas foram: “Índices Econômicos”, “Ponto de Equilíbrio” e “Economia, além da notícia”, “O que fazer com o seu dinheiro” - coluna do jornalista Celso Ming, comprada pelo Correio - todas essas na página de Economia; “Newton Carlos” e “Política, além da notícia”, todas relacionadas com política; e as demais, “Aviação” e “Turismo”, “Cão é Notícia”, “Medicina Alternativa”, “Correio do Consumidor”, “Coluna da LBV”, “Boletim do Tempo”, “Turma do Carrossel”, “Todos os sons” (notas sobre música, que por volta de 1982, passou a ser assinada pelo jornalista Irlam Rocha Lima), “Brasil” (um mosaico sobre as notícias dos estados), “Leitura Obrigatória”, “Guia do Leitor” (serviços, onde havia “o Grita Geral”, local para reclamações sobre serviços públicos ou privados e que posteriormente destacou-se do Guia, ganhado espaço próprio na gestão seguinte), “É isso aí” (esporte), “Coisas de Casa” (culinária, decoração, etc), “A semana - o que vem por aí” (agenda cultural) e “Livros e Autores”.

Também existiu a publicação de artigos de vários articulistas, sem, no entanto, muita periodicidade, como Ari Pararraios, Aluízio Biondi, Raul de Xangô, Tão Gomes Pinto, entre outros. Em meados da década de 80, o jornal passou a publicar uma página com notícias sobre o Brasil apuradas pelas sucursais e correspondentes. Entre os cadernos surgidos no período Ronaldo Junqueira estão o Correio no Campo, Caderno de Veículos (às quintas-feiras) e o Caderno Turismo (às quartas-feiras). No caderno de classificados, durante curto período, foram criados pequenos textos (boxes) com dicas sobre casa, som e imagem, moda e beleza, comidas e bebidas, agricultura e pecuária, consultório médico, plantas e jardim, como forma de atrair ainda mais a atenção do leitor para o caderno de anúncios.

O jornal contou, ao longo da década, com sucursais em Taguatinga (fechada por volta de 85), Anapólis, Sobradinho (também fechada por volta de 85) e São Paulo (surgida no meio da década). O Correio Braziliense usou os serviços das agências DPA (dispensada logo no início dos anos 80), AFP, Reuters, Ansa (contratada nos primeiros anos da década), Sport Press, Anda8, Globo e EBN (posteriormente transformada em Radiobrás).

Vale a pena ressaltar que, os classificados do Correio, neste período, continuaram a crescer em número e qualidade, atraindo mais anúncios e incrementando as vendas em banca.


d) Rotinas de Produção

O funcionamento da redação também sofreu algumas alterações com a crescente complexidade do fluxo e das rotinas de produção, com o aumento do número de editores e do número de repórteres “setoristas”, isto é, baseados em algum órgão público.


e) Recursos Humanos

Neste período os jornalistas continuavam a necessitar de outro emprego além do Correio devido aos baixos salários; eles trabalhavam em assessorias, e até em outros jornais, revistas de grande circulação nacional com sucursais em Brasília. Como a geração de notícias políticas e econômicas de importância nacionalse concentrava à tarde, esta dupla jornada era possível. Em razão também dos baixos salários, o jornal foi, durante esta década, uma espécie de escola9 para os jornalistas recém-formados, que depois de algum tempo de aprendizagem eram contratados pelos grandes veículos de comunicação, não apenas os impressos.


f) Circulação e Equipamentos

No início dos anos 80 a circulação10girava em torno de 17 mil exemplares por dia, passando, em 1984, a 27.650 de segunda a sábado e 51.108, aos domingos, e fechou a década com 34.121, de segunda a sábado e 54.696, aos domingos. Só em 1980, o jornal adquiriu uma impressora para substituir o primeiro equipamento off-set comprado em 1965. Já no final da década foi iniciada a construção de novos prédios para abrigar a TV Brasília, também do grupo Associado e expandir a redação do jornal. Entretanto, o número de veículos continuava insuficiente para cobertura e distribuição dos jornais e a infra-estrutura da redação permaneceu precária.



Considerações

A década de 80 significou a consolidação da cidade, enquanto aglomerado urbano: além do status de capital do país, e com o regime militar mais distendido, Brasília começou a ter ritmo político, social e cultural bem peculiares. Foi um período em que a DF passou a figurar no noticiário nacional não em razão dos assuntos políticos, relacionados ao fato de ser sede do poder, como a realização da Constituinte em 1988, mas por ser uma cidade como qualquer outra: em 1981, o ex-secretário de estado americano Henry Kissinger visitou a Universidade de Brasília e saiu dela sob protesto dos estudantes; em 1984, o jornalista policial Mário Eugênio foi assassinado por ter denunciado o esquadrão da morte local; em 1986, a população de Brasília fez um tumultuado protesto contra o Plano Cruzado, conhecido como Badernaço; neste período a cidade se tornou o berço de várias bandas de rock que despontaram no cenário nacional, entre elas a “Legião Urbana”, liderada pelo cantor Renato Russos; o grupo de dança Endança também ganhou dimensão nacional e internacional; foi nesta década ainda que adjetivo de cidade mística se consolidou; e até no esporte a cidade se destacou como a medalha de ouro recebida pelo corredor Joaquim Cruz nas Olimpíadas de Los Angeles.

Apesar de refletir em suas páginas todos esses fatos com destaque, e tendo inclusive o ganho prêmios pela cobertura a respeito do assassinato do jornalista Mário Eugênio, o jornal continuou a possuir um perfil governista. A cobertura da morte do jornalista, que durou muitos meses, foi, entretanto, um momento de enfrentamento do jornal com o governo do DF, cuja corporação policial ficou sob suspeita. A cobertura projetou o Correio nacionalmente e rendeu dois prêmios: O Esso de jornalismo nacional e Direitos Humanos Wladimir Herzog, demonstrando seu amadurecimento como o maior veículo de imprensa escrita da capital. Alguns entrevistados afirmaram o estreitamento com o governo foi ocasionado pela falta de uma oposição na cidade, levando a direção optar pela “única facção da situação” existente, mas o que é verdade é que o jornal era um grande divulgador e defensor das causas do executivo local neste período. Junqueira11 ponderou em sua entrevista que em Brasília não havia uma oposição organizada, não havia uma polarização política como se observa hoje, que produz uma cobertura extremada do Correio (criticando o governo de Joaquim Roriz) e do Jornal de Brasília (defendendo o governo de Joaquim Roriz) . Segundo o ex-repórter do jornal Cláudio Ferreira12, “você não tinha oposição. Como você não tinha uma Câmara Legislativa. Dentro do Palácio (do Buriti, sede governo do Distrito Federal), você só tinha gente que falava bem do Governo, não tinha jeito. Você não tinha uma Câmara Legislativa que gritasse”. Outra observação feita por Cláudio ratifica o apoio do jornal ao executivo local, “o Correio era muito governista, então havia dois setoristas no Palácio do Buriti e a gente fazia matéria pra caramba! Tinha dia em que eu fazia sete matérias”. Para Helival Rios13, repórter do Correio à época,


O jornal era identificado muito com o poder estabelecido, muitos dos funcionários do Correio tinham empregos nos Órgãos do Governo, GDF, como o Buriti e davam turno no Correio Braziliense. Então o jornal refletia muito a situação do poder local, havia até uma brincadeira que se dizia que era um diário oficial com clichê, o pessoal que queria criticar o Correio falava assim. (Além disso,) ele era um jornal que não queria incomodar, não fazia denúncias graves.
A propósito do volume de propaganda oficial publicada pelo Correio, Junqueira14 afirmou que, em 1984, apenas 20% da receita do jornal era proveniente do governo do Distrito Federal.Ainda sobre a linha editorial do Correio, José Natal15 informou que
na eleição do Colégio Eleitoral de Tancredo e de Maluf, o jornal comunicou que tinha interesse, de que gostaria que o eleito fosse Maluf. O Ronaldo Junqueira fez uma reunião com todos os repórteres e editores que iriam cobrir as eleições, fez uma reunião correta, justa, perfeita, nada demais. O jornal perante a redação não pediu nenhuma agressividade, nenhuma porrada, nenhuma perseguição ao Tancredo, mas se manifestou que, se dependesse do voto do jornal, o interesse era que o Maluf fosse eleito.
Outra opção do jornal digna de nota é que, durante o período da Constituinte, em que se discutia a emancipação de DF, o jornal se posicionou contra. A ex-jornalista do jornal Donalva Caixeta16 registrou esta contradição do Correio, uma vez que ele era a favor da transferência da capital para Brasília. O ex-superintendente do jornal, Edílson Cid Varela17, confirmou sua posição em entrevista dada ao Correio pouco antes de falecer.

Em meio a tantas controvérsias, o jornal possuía uma linha editorial, um formato e uma cobertura lineares segundo definição do próprio Junqueira18, “vamos gastar nossa energia não com mudança, vamos gastar nossa energia com conteúdo”. Mas na verdade ele tinha uma postura diferente da direção anterior como atesta José Natal19, com


Oliveira o jornal era mais jornalismo, era mais informação, era uma política mais agressiva, as matérias eram mais pesadas, mais fortes, mais polêmicas. E o Oliveira levou o povo para dentro do jornal, a comunidade participava mais, a gente ouvia mais pessoas nas ruas, a gente fazia matérias mais populares sem fugir da linha política...Com o Ronaldo, o jornal ficou aquilo que a gente chama de light, mais suave, a abordagem era mais amena. Ronaldo tirou um pouco o jornal do ônibus e botou no gabinete, ou seja, o jornal tinha entrevistas com ministros, deputados, governadores. Era questão de linha política, editorial. Ele achava que era bom para o jornal.
Com a flexibilização do regime houve um aumento natural no número e tipos de assuntos passíveis de se transformarem em notícias, especialmente na área econômica, até pelas dificuldades vividas pelo país neste momento. Sobre a prioridade para assuntos oficiais tanto na política quanto na economia, Junqueira20 justificou,
(se) dava mais os oficiais porque naquela época, você tem que lembrar que nós tínhamos uma economia totalmente estatizada, era o auge da estatização, o governo federal mandava. Não tínhamos muito como fugir do noticiário oficial, não é que houvesse uma determinação de só dar noticiário oficial, longe disso, mas a sociedade civil era uma coisa muito além de pequena.
A política continuou a ser o carro-chefe do jornal, especialmente durante a cobertura da Constituinte, em 1988. Neste período houve a pretensão por parte do jornal de adquirir dimensões nacionais, quando o Correio criou sua própria agência noticiosa, a Anda, que possuía muitos correspondentes distribuídos pelo país e o material produzido por ela era enviado para os outros veículos dos Diários Associados.

Apesar de todas essas opções editoriais voltadas para o oficialismo, o leitor, o habitante de Brasília, continuou no foco do jornal: a diversificação de interesses da sociedade não passou despercebida pelo Correio Braziliense, com a abertura de espaços para assuntos como decoração, direitos do consumidor, moda, medicina, animais de estimação e alguns guias de serviço, que ampliaram a sua abrangência. Uma prova da atenção dispensada pela então direção aos leitores foi a transferência da coluna de cartas dos leitores da página de Opinião para a página de Cidade. Para Cláudio Ferreira21, sob a direção de Junqueira o jornal se afirmou como local, “eu acho que o Correio era uma referência muito grande na cidade, ele ainda não tinha essa coisa de ser um jornal nacional como adquiriu depois na era (Ricardo) Noblat. Era um jornal local que tinha identidade com o leitor”. Junqueira22 confirma esta atenção dada ao leitor,“a gente pegava a carta de um leitor, e publicava uma página fazendo uma matéria em volta com o assunto que ele tinha sugerido, a gente pegava a carta dele e transformava em pauta”. Entretanto o jornal continuava a ser de Brasília e Junqueira23 justificou a prioridade para o Plano Piloto,



a cobertura tinha como prioridade o Plano Piloto, porque os nossos leitores eram basicamente desta região, o cara da satélite comprava nosso jornal particularmente para ler os classificados, porque naquela época essas cidades eram muito pobres, a gente tinha uma cobertura até preconceituosa, um lugar para buscar notícia ruim.
No tocante a cobertura jornalística dos eventos culturais da cidade o jornal primou por destacá-las, pois a equipe de jornalistas deste setor era composta de profissionais especialmente engajados com a produção cultural local. Outro aspecto a ser destacado ainda é que a coluna de informações culturais ampliou seu espaço, o caráter e o número de informações. Outro ponto a ser observado também é que as crianças começaram a receber mais atenção por parte do jornal, ainda não era uma intenção explícita de cativar este público de futuro leitores, como se verificou anos mais tarde. A cobertura de esporte da local e nacional também continuaram a crescer, passando a ser um espaço editorial de referência para o leitor de Brasília. Os classificados também continuaram a crescer e ganharam um caderno separado do resto do jornal.

Assim como nas décadas anteriores, os salários continuavam baixos em relação às sucursais dos grandes veículos existentes na cidade, obrigando os jornalistas ao duplo emprego. As rotinas de produção se tornaram um pouco mais complexas, com o surgimento de mais editores, mas nada comparado ao processo de modernização das redações dos grandes jornais brasileiros, como por exemplo a Folha que neste período deu início seu processo de informatização e da consolidação do Projeto Folhas24. Além disso, as grandes redações do país estavam começando a racionalizar as suas rotinas25, utilizar as pesquisas de opinião para sondagem dos leitores, cuja a pioneira foi a revista Veja ainda na década de 70, e técnicas de marketing26 estratégias de mercado que o Correio só veio a implantar nos anos 90. É bem verdade que o jornal dominava o mercado na época, já que o Jornal de Brasília não conseguiu mais ameaçar o Correio, e por isso não necessitava deste tipo de estratégias para angariar e manter leitores. O jornal pode se dar ao luxo de ignorar o mercado até o início dos anos 90.

Ainda tendo em vista o universo de leitores da região do Entorno, o jornal manteve um caderno de agricultura e sobre o fechamento da sucursal de Taguatinga Junqueira se justificou,
por absoluta falta de rentabilidade comercial. A sucursal você tem que lembrar que ela tinha três braços; ela tinha um braço que era para melhorar a venda do jornal, venda avulsa, de banca e assinaturas, ela tinha um braço que era o jornalístico, para aumentar o volume de notícias sobre aquela área no jornal, e tinha um braço comercial para vender mais anúncios naquela área, esse aqui fracassou sempre nos dois lugares.
A circulação aumentou significativamente na década, uma vez que a população de Brasília em 1980 era de que o 1,2 milhão, em 1990 atingiu a marca de 1,6 milhão e a circulação do jornal cresceu, respectivamente, de 17.000 exemplares/dia para 34.000 exemplares/dia.

Desde a entrada de Oliveira Bastos para o jornal, Ari Cunha se afastou da coordenação jornalística, função deixada para os futuros diretores de redação, Ronaldo Junqueira, 1982/1990, Luis Adolfo, 1990/1993, e Ricardo Noblat, 1993/2002. Já Edílson Cida Varela permaneceu seus 30 anos de presidência do jornal com o mesmo comportamento discreto, mas seguro, de poucas ousadias empresariais. Ele sempre estava próximo da redação o suficiente para acompanhar a movimentação dos jornalistas, mas distante para praticar sua forma própria de conduzir o Correio Braziliense.




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