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O Globo 05/06/2005 O País



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O Globo


05/06/2005

O País

Jefferson põe duas rádios em nome de sorveteiro que foi seu assessor

O sorveteiro Durval da Silva Monteiro - ex- segurança e assessor do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ) - ganhou duas emissoras de rádio do seu ex-patrão, embora nunca tenha recebido qualquer participação nos lucros, segundo reportagem da revista "Época" desta semana. Durval sequer sabia que era sócio de uma das duas emissoras no interior do Estado do Rio.

A reportagem - cujo título é "O laranja de Roberto Jefferson" - mostra que Durval, que hoje mantém uma sorveteria de beira de estrada em Cabo Frio, na Região dos Lagos, passa por dificuldades financeiras, apesar de constar como um dos donos das rádios Matozinho FM, em Três Rios, e Rádio Clube Vale do Paraíba, em Paraíba do Sul.

Segundo Durval disse à revista, ele ganhou de presente de Jefferson, em reconhecimento a serviços prestados, a rádio Matozinho FM, reduto eleitoral do deputado. Nessa rádio, de acordo com "Época", Durval tem um sócio (Edson Elias Bastos Jorge, conhecido como 'Boy'), cujo nome desconhece.



"O Roberto deu essa rádio para mim"

O ex-motorista, que também já trabalhou como camelô na rodoviária de Três Rios, nega ser laranja do deputado. Segundo Durval conta na reportagem, foi acertado que ele receberia sua parte quando a emissora começasse a dar lucro.

- O Roberto deu essa rádio para mim e ele (o Boy). Fomos à Rádio Transamérica para ver o maquinário e fizemos o acordo. Eu não tinha dinheiro para gastar, a não ser que eu apanhasse com o deputado, mas não interessava ao deputado dar uma rádio e ainda gastar dinheiro - disse o sorveteiro.

Durval também é sócio de outra emissora, a Rádio Clube Vale do Paraíba, em Paraíba do Sul, outro reduto eleitoral do deputado.

- Rádio Clube Vale do Paraíba? Eu não sou sócio dela não. Isso aí é um troço novo para mim. Rádio Clube Vale do Paraíba... Vou lá buscar ela! Quero um pedaço dela já, já.Essa rádio eu até acho que era sócio dela também. Ou era. - disse Durval.

Segundo a "Época", Durval é sócio da Matozinho FM desde 1988 e da Vale do Paraíba desde 1994.

Por meio de sua assessoria , Jefferson disse à revista que "Durval é muito trabalhador. Ele me ajudou muito fazendo de tudo". Por isso, decidiu retribuir. Teria pedido a um amigo, dono de uma das rádios, que aceitasse Durval como sócio.

- Se o sócio não está dando dinheiro a ele, aí tem que ver com o sócio - disse Jefferson à Época.



Petebista garantiu DRT para aliado

Maria Lima


BRASÍLIA. O controle político do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre cargos de segundo escalão do governo tem um braço poderoso na Delegacia Regional do Trabalho no Rio de Janeiro (DRT/RJ). Após passar por restrições aos seus indicados feitas por parlamentares do Rio e funcionários do órgão, preocupados com denúncias de irregularidades na área de fiscalização, o presidente do PTB conseguiu emplacar como delegado Henrique Barbosa de Pinho e Silva. Não foi fácil.

Pinho foi o terceiro nome apresentado. Inicialmente, Jefferson indicara dois outros nomes, ex-delegados na década de 90, Luiz Edmundo Rezende e Milton Steinbruck, ambos vetados pelo Planalto.

Tão logo assumiu, Pinho se envolveu num escândalo: ele é investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por suspeita de prevaricação. O atual delegado da DRT/RJ chefiou uma comissão interna que investigou a auditora fiscal Denise Ferreira Rocha Azevedo, filmada pela TV Globo, pedindo propina a uma empresa autuada pela DRT. Pinho concluiu que a auditora era inocente, mesmo com o flagrante da gravação.

Chefe da DRT recebeu Jefferson logo após a posse

O desfecho da investigação interna absolvendo Denise Azevedo levou o Ministério Público a abrir processo de investigação criminal por prática de prevaricação contra Pinho e outros dois integrantes da comissão interna da DRT.

Logo após assumir o comando da DRT/RJ, Pinho chegou a receber, para uma reunião na sede do órgão, juntamente com outros dirigentes da delegacia, o seu padrinho político Roberto Jefferson.

Segundo funcionários do órgão, que preferem o anonimato, a chefe do setor não cede às pressões de Pinho, mas já estaria enfrentando dificuldades de relacionamento com o delegado, comprometendo, algumas vezes, os trabalhos do órgão.

Procurado pelo GLOBO, o delegado Henrique Pinho e Silva não retornou as ligações. Segundo sua secretária Márcia, ele viajara para a região serrana e só retornaria no fim de semana.

Mais pobre, mas nem tanto

Alan Gripp


Para a Receita Federal, o advogado Roberto Jefferson Monteiro Francisco é um típico brasileiro de classe média. Em 2002, aos 50 anos, construiu um patrimônio declarado de pouco mais de R$ 210 mil. Tinha uma casa, dois carros e algumas linhas de telefone. E, como aconteceu com muitos trabalhadores nessa faixa de renda, declarou ter empobrecido nos anos anteriores. Uma análise cuidadosa em seu patrimônio, no entanto, revela uma vida mais suntuosa: eleito seis vezes para o Congresso Nacional, o deputado Roberto Jefferson (PTB) teve, ao longo de seus anos no poder, um alto padrão de vida.

Grande parte dessa discrepância tem endereço na zona rural de Paraíba do Sul, reduto eleitoral do deputado no centro-sul do Estado do Rio. A Fazenda da Reforma, segundo registro no cartório do município, foi comprada em 1984 por Jefferson e por sua então mulher, Ecila Brasil da Silva Francisco. Tem casarão colonial, outras quatro casas, dois galpões, moinho, capela, piscina, trator e 138 cabeças de gado. Só não engordou o patrimônio durante o período porque em 1986 a fazenda foi doada aos três filhos do casal com reserva de usufruto. Recentemente, a propriedade foi vendida.

Em 1998, ao se candidatar pela quinta vez a deputado, Jefferson declarou ao TRE um patrimônio robusto. Além da fazenda, informou ter dez linhas telefônicas, três carros, 130 cabeças de gado, três lojas comerciais, sete apartamentos em construção e uma casa em Valparaíso, em Petrópolis, onde tem grande influência política. O imóvel tem dois andares, quatro quartos, muros altos e circuito de TV. Foi declarado por R$ 83 mil e hoje, segundo corretores da cidade, vale pelo menos R$ 300 mil.

Quatro anos depois, o deputado informou um patrimônio menor. Desfez-se dos apartamentos e das lojas e tinha dois carros (dois Land Rovers). Nos períodos das duas declarações, teve duas fontes de renda: a Câmara dos Deputados e seu escritório de advocacia, Daudt, Andrade e Castro Advogados.

O advogado criminalista Roberto Jefferson começou a carreira em 1981 trabalhando em "O Povo na TV", programa da antiga TVS (hoje SBT), exibido no Rio. A projeção levou Jefferson a se eleger deputado federal em 1982. Uma façanha para quem nunca tinha sido vereador ou deputado estadual. Foi beneficiado também pelo bom momento da candidatura de Sandra Cavalcanti, que disputava pelo PTB o governo do estado com Miro Teixeira e Leonel Brizola, que acabou vencendo. Anos mais tarde, passou a ser conhecido em todo o país por defender o então presidente Fernando Collor (PRN), ameaçado de impeachment.

COLABORARAM: Chico Otavio e Rodrigo França Taves





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