Correio do Povo dscn 9681 09 de janeiro de 1977. Há 65 anos: a semana que passou em 1912



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Correio do Povo DSCN 9681

09 de janeiro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Enquanto tudo isso se passava no mundo, o problema em Nova York era outro, também muito sério: 50 mil lavadeiras declararam-se em greve.
A Prefeitura da Capital Federal regulamentou o funcionamento do comércio que somente poderá ter suas portas abertas com os empregados trabalhando durante 12 horas, das 7 da manhã às 7 da noite. Mas quando o respectivo decreto entrou em vigor, não foi integralmente cumprido e, por esse motivo, grupos de caixeiros apedrejavam várias casas que estavam abertas depois do horário fixado obrigando a intervenção da polícia que efetuou várias prisões.
Correio do Povo DSCN9692

16 de janeiro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
No Rio de Janeiro declararam-se em parede os cozinheiros dos hotéis e restaurantes, defendendo justa reivindicação: queriam apenas 12 horas de trabalho diário e um dia de descanso semanal. Os patrões decidiram não aceitar as exigências dos seus empregados, mas quando viram que eles mantinham-se firmes, anunciaram que aceitariam o horário de 12 horas, mas não dariam a folga. Em seguida, os garçons aderiram ao movimento e os bares também tiveram de fechar, obrigando os hóspedes dos hotéis a cozinharem nos quartos. Em vista disso, afora alguns mais ranzinzas, os patrões começaram a ceder e, então o Comitê de Greve passou a destacar cozinheiros e demais funcionários das cozinhas, para os hotéis e restaurantes que acatavam as solicitações dos grevistas.

Em seguida também, entraram em greve os marmoristas que desejavam uma hora de intervalo no trabalho para as refeições e não somente 40 minutos como lhes era concedido. Outras classes também se declararam em parede: padeiros, carvoeiros e pedreiros, bem como os estivadores do Loyd Brasileiro, os quais pediam um mil réis de aumento no seu salário diário, sendo logo atendidos pela direção da companhia. Por outro lado, os caixeiros continuavam promovendo distúrbios por motivo do não cumprimento da lei que determinara o horário de fechamento das casas, motivo pelo qual foi aumentado o policiamento com o reforço de mais de 400 praças de infantaria e cavalaria do Batalhão Policial.


Correio do Povo DSCN 9698

23 de janeiro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Duas greves originais foram declaradas por estes dias: em Montevidéu, a dos vendedores de bilhetes de loteria, e, em Paris, a do Corpo de Baile da Ópera, obrigando a suspensão da representação da ópera “Wanda”.
Os padeiros cariocas declararam-se em greve, mas o movimento pouco durou, pois os patrões acolheram as reivindicações, as suas reivindicações.

Em Lisboa, por iniciativa das autoridades municipais realizou-se grande manifestação anticlerical e, em Madrid, por terem sido sentenciados à morte os envolvidos nos distúrbios de Cullera, foram efetuadas manifestações de protesto.


Correio do Povo DSCN 9703 / 3746

06 de fevereiro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Estado de Sitio em Portugal por causa das greves
Em Portugal, a situação era de calma. Porém, de repente, começaram a estourar greves operárias por todo o país, obrigando o governo a decretar estado de sitio. Como conseqüência, a Polícia invadiu a Sede da União dos Sindicatos efetuando a prisão de 600 operários e operárias, sendo os homens recolhidos às fragatas “D. Fernando” e “Terras de Alemquer”, e as mulheres ao arsenal da marinha. Na sede varejada as autoridades policiais aprenderam bombas de dinamite. No quintal de uma casa próxima, foram desenterrados centenas de revólveres e punhais que ali estavam escondidos.
Na cidade de Rio Grande o pessoal dos bondes declarou-se em greve, reivindicando pagamento semanal e não quinzenal, como estava sendo feito. Atendidos no que desejavam a greve cessou.

Correio do Povo DSCN 9709 / 3723

27 de março de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
As Greves
A situação na Europa era grave devido à greve dos mineiros ingleses que deixara sem combustível inúmeras fábricas de todos os gêneros, inclusive, na própria Inglaterra, onde a fábrica de armas Amstrong despediu 13 mil operários, verificando-se nas zonas mais afetadas pelo movimento inúmeras desordens e encontros armados entre paredistas e a polícia. Os grevistas estavam nestes dias, enfrentando as maiores dificuldades para manter a parede e muitos deles já haviam vendido seus móveis e utensílios para sustentar a família tanto que, em Liverpool, as casas de penhores não aceitavam mais móveis por não terem lugar onde colocá-los. As instituições de caridade tomaram a iniciativa de alimentar os filhos de grevistas enquanto milhares de pessoas perambulam pelas ruas, decalcas e esfarrapadas, na mais intensa miséria.

Nos demais países europeus, greves de apoio aos mineiros ingleses se multiplicavam. Os Operários da cidade de Lenisseisk, na Rússia abandonaram o trabalho; toda a região mineira da França, igualmente declarou-se em greve: em Sevilha na Espanha, foi declarada a greve geral; na Bélgica fecharam as últimas fábricas que ainda estavam em atividade e, em Berlim devido ao alto preço do carvão, as companhias de navegação elevaram os preços do frete em dez por cento para o transporte de cargas, pois a escassez de combustível era enorme em conseqüência de que se encontravam em greve na Alemanha, 137.600 mineiros.

Em todo o caso, ao final desta semana, parecia que a situação iria normalizar-se, pois o Parlamento inglês aprovara o salário mínimo, exigência maior dos paredistas autorizando os operários a não descerem aos poços das minas quando isso não lhes conviesse.

Jornada de oito horas
Atendidas suas reivindicações, os alfaiates de Livramento que estavam em greve voltavam ao trabalho, - continuando, porém o movimento paredista dos pedreiros de Livramento e Rivera, pleiteando a adoção do regime de oito horas de trabalho, ao passo que fracassava novamente em São Gabriel o movimento da classe caixeiral no sentido do comércio fechar as suas portas às 7 horas da tarde.
Correio do Povo DSCN 9716

1º de Maio de 1977.

Há 60 anos: a semana que passou em 1912,
Um crime era comentado em todas as rodas: o assassinato do subchefe de polícia Join pelo anarquista Bonnot que havia conseguido fugir. As autoridades em dias desta semana haviam descoberto que o criminoso se encontrava numa casa isolada existente em Choisi-Le-Roi. Cercada a casa, seus ocupantes foram intimados a renderem-se. Ao invés disso, travaram tiroteio com os policiais, que responderam ao fogo numa intensa fuzilaria terminada com a dinamitação do prédio. Após, ela penetraram os agentes da lei que encontraram mortos, Bonnot e locatário Dubois, também anarquista. A operação foi comandada pelo próprio prefeito de policia Lepine, diante de assistência de mais de 20 mil curiosos.
Rio de Janeiro - Nas ruas principais da cidade continuavam os conflitos entre caixeiros e a polícia, com alguns feridos, pelo motivo de muitas casas comerciais continuarem abertas após as 7 horas da tarde, contrariando o convenio estabelecido. Os comerciantes apelaram ao Ministro da Fazenda dizendo-se ameaçados, obtendo mandado de manutenção.
Porto Alegre - A União dos Oficiais Alfaiates de Porto Alegre expediu circular a todos os seus associados recomendando-lhes não aceitarem quaisquer convites ou propostas para trabalharem na cidade de Rio Grande, onde os alfaiates locais haviam-se declarado em greve.

Correio do Povo DSCN 9718

08 de maio de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
O 1º de Maio e as Greves
O 1º de maio naqueles tempos de 1912 não era dia de festas mas sim de protesto e recordação pela chacina dos operários grevistas de Chicago, e, em todo o mundo, realizavam-se comícios e passeatas operárias embora não fosse dia feriado.

Em Paris a polícia proibiu as manifestações dos operários que comemorariam o Primeiro de Maio exigindo, ao mesmo tempo, a libertação de vários anarquistas presos por crime de imprensa. Em Londres houve no dia 1º houve comício no tradicional Hyde Park onde falaram vários oradores, tendo um deles salientado que no recente naufrágio do navio “Titanic” havia sido dada preferência nos escaleres de salvamento aos burgueses da 1ª Classe, tanto assim que as crianças que viajavam em 1ª e 2ª classe todas tinham sido salvas, enquanto que as da terceira, onde somente viajava gente pobre, proletários, setenta e cinco por cento das crianças pereceram no sinistro. Na Rússia em S. Petesburgo, a polícia atacou os estudantes que comemoravam o 1º de maio, resultando vários feridos, o que provocou a declaração de greve por parte de 54 mil operários protestando contra os espancamentos.


No Brasil, no Rio e em algumas capitais (Porto Alegre inclusive), realizaram-se “meetings” operários sem incidentes, salientando, a imprensa que os oradores das manifestações trabalhistas portaram-se com muito mais comedimento do que aqueles que falaram na reunião de fundação do Partido Socialista Brasileiro efetuada no Teatro Recreio da Capital Federal, com a presença de numerosa assistência na qual figuravam até vários Deputados, onde os discursos foram violentíssimos, com muitos vivas a revolução social, a anarquia, etc..

O 1º de Maio em todo mundo greves e protestos


A data foi também aproveitada para a deflagração de diversas greves, entre as quais as dos foguistas marítimos ingleses que exigiam das companhias de navegação não contratassem trabalhadores chineses, bem como maior fiscalização operária nos contratos de trabalho e exames mais cuidadosos nas embarcações de salvamento. Em Lisboa 800 tecelões declararam-se em parede exigindo a readmissão de alguns companheiros que haviam sido despedidos. Outra greve foi iniciada na capital inglesa: seis mil alfaiates largaram as agulhas e os elegantes cidadãos britânicos ficaram sem seus novos ternos nesta semana de 1912. Na nossa cidade marítima, Rio Grande, também abandonaram o trabalho os alfaiates, com reivindicações justíssimas: queriam apenas trabalhar das 7 horas da manhã às 7 horas da noite, com duas horas para o almoço, perfazendo, portanto, dez horas de labuta diária e que seus salários fossem fixados em 225 réis mensais.

Correio do Povo DSCN9723

18 de setembro de 1977

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Carestia
No domingo 15 de setembro, as duas da tarde, no Salão Primeiro de Maio, na Avenida Missões, Navegantes, em Porto Alegre, foi realizada uma ‘conferência operária” para tratar da carestia de vida.

Com o salão lotado de trabalhadores, Luiz Derive, Presidente da Federação Operária, explicou os motivos da reunião: “assentar os meios para combater a carestia de vida, crise que afeta extremamente a classe proletária”. A seguir, Guilherme Koch orador oficial congratulou-se com a classe operária pelo seu comparecimento maciço à reunião “de protesto à carestia de vida, que, cada vez mais, vai levando ao lar do proletário a desolação e a miséria.”

Analisando a vida dos trabalhadores, Koch disse que “tudo encarece, sem que ninguém vá ao encontro dessa exorbitância”. Lamentou, por outro lado, que “tenhamos de ver as mesmas cenas da luta entre a vida e a falta de alimentos”, tal como acontece com operários europeus.

Valdomiro Padilha acusou o governo como “único culpado da carestia de vida, por assistir à exploração que se esta fazendo com a classe pobre, sem ir ao embargo dos exploradores, ao contrário parecendo que aprova, com seu silêncio, a crise, que, dia a dia, vai levando a miséria ao homem que trabalha, do homem que dá vida a indústria, ao comércio, as artes”.

A Assembléia propôs realizar, na Praça Senador Florêncio, um comício em praça pública, ficando de pedir a Companhia de Força e Luz passagens de 100 réis para os operários que residem nos arrabaldes nos dias úteis e a Companhia Mutualidade uma diferença de vinte a trinta por cento nos aluguéis das casas de sua propriedade.

Durante a reunião, o clima era da mais perfeita ordem no local, não se registrando nenhum incidente.

Protesto das Donas de Casa
O aumento, cada vez maior do preço dos gêneros alimentícios na América do Norte levou as donas de casa a formarem uma liga que há algum tempo começou a lutar para conseguir o barateamento dos produtos.

Até hoje as senhoras se limitavam a não comprar dos retalhistas nos seus estabelecimentos comerciais, indo fazer suas compras nos grandes depósitos, nos mercados e até na casa dos agricultores. Na cidade de Bronklin, inconformadas com a situação invadiram as mercearias e talhos, obrigando os proprietários a fecharem imediatamente suas casas comerciais ou baixar o preço de todos os gêneros alimentícios de seu comércio.

Alguns fecharam as portas. Os que apresentaram reação as Senhoras assistiram a invasão dos estabelecimentos, tendo estas levado para a rua tudo o que puderam pegar. Das mercearias tiraram açúcar, queijo, arroz, massas, manteigas, jogando os produtos na lama. Dos açougues, arrancaram dos ganchos peças inteiras de vaca, vitela e carneiro, puxando-as para o barro, pisando-as com os pés e regando-as com petróleo. Além, disso criaram um mercado regulador de preços, negando-se a pagar a não ser o preço estipulado por elas.

Correio do Povo DSCN9729

02 de outubro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912
Memorial
Uma comissão de operários foi a Intendência Municipal entregar a José Montaury o memorial em que a classe operária de Porto Alegre reclamava da carestia de vida.
Atentado Anarquista
Apenas O Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, ainda tecia comentários sobre o caso da bomba encontrada na porta da residência do Dr. Rivadávia Correa, Ministro do Interior e Justiça.

A intenção do jornal era convencer seus leitores que o fato fora um atentado anarquista.


Correio do Povo DSCN9736

09 de outubro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912
Movimento Operário
A Gazeta Oficial, de Madrid publicava as resoluções do Conselho de Ministros sobre a parede dos empregados ferroviários.

Entre essas resoluções, constavam: assegurar a liberdade de trabalho, proteger os direitos dos companheiros ferroviários, nomear o pessoal que deverá tomar conta dos serviços abandonados pelos grevistas e não exercer pressão sobre nenhuma das partes litigantes.


Correio do Povo DSCN 2327 / 9741

16 de outubro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Leite e Carne
João Pires dos Reis vendia leite com água. O leiteiro, de Porto Alegre, acabou sendo multado em 50 mil réis pela subintendência do primeiro distrito.

Outro vendedor, Pedro Francisco de Oliveira, proprietário do açougue da rua da Azenha, 11, recebeu a mesma multa. Vendia carne velha.


Carestia
Domingo, 13 de outubro, estava programada uma concentração, na praça pública, de operários para tratar da carestia de vida. Como orador oficial, foi convidado o advogado Epaminondas de Arruda.

Correio do Povo DSCN9745

04 de dezembro de 1977.

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Em Sebastopol, na Rússia, nestes dias, foram executados por fuzilamento onze marinheiros acusados de responsáveis pela revolta da armada.

Casas para Operários


O Senado brasileiro aprovou projeto brasileiro autorizando o governo a empregar 20 mil contos, retirados dos saldos das Caixas Econômicas, para construção de casas destinadas a operários.
Protesto contra a censura telegráfica
Numa das edições do Correio do Povo daqueles dias de 1912, o “róseo” protestava contra a disfarçada censura telegráfica determinada pelo governo federal que, inclusive, proibiu a Companhia Western (cujas tarifas eram doze vezes mais caras do que as do telegrafo nacional) de transmitir telegramas destinados ao jornal. A Repartição dos Telégrafos alegava defeitos nas linhas, mas a Wertern ao devolver os despachos foi clara: “por motivo de censura telegráfica”.
Correio do Povo DSCN 9750

25 de dezembro de 1977

Há 65 anos: a semana que passou em 1912.
Brasil tem indústria
O Correio do Povo transcrevia a seguinte noticia publicada por um jornal carioca:

“O diabo não é tão feio como se pinta, porque afinal o Brasil já tem a sua indústria. Com um total de 3254 fábricas, em que trabalham 151.841 operários, o nosso País já é alguma coisa mais do que essencialmente agrícola. Cento e meio milheiro de pessoas já é uma população considerável! E esta só vive da indústria, movimentando um capital de 665.676:000$000 (665 mil e 676 contos de réis).”

“A Capital da República tem lugar de honra tem o lugar de honra na lista industrial, com 676 fábricas, representando o capital de 169 mil e 989 contos de réis e uma produção anual de 238 mil contos de réis. Em seguida vem São Paulo, com 326 estabelecimentos manufatureiros...”.

E mais adiante “O que nos resta saber é que espécie de indústria são elas”.


Carestia de vida
A classe operária de Santana do Livramento e da vizinha cidade uruguaia de Rivera decidiu promover uma marcha de protesto contra a carestia da vida. Precedido de banda de música e espoucar de foguetes, o préstito dirigiu-se em primeiro lugar às autoridades de Rivera, das quais ouviu a confirmação de que o governo uruguaio fazia o possível para remediar o problema. Depois de visitar várias redações de jornais, os operários regressaram ao lado brasileiro, onde posaram para um fotógrafo e repetiram a ronda das redações, dirigindo-se depois a casa do Intendente de Livramento. Como ele tinha saído para passear, os manifestantes dirigiram-se a Praça General Osório, onde se dispersaram.


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