Cronologia da História do Município de Conchas



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Cronologia da História do Município de Conchas.



  1. No dia 10/05/1819 na vila de Porto Feliz criada em 13/10/1797, o Alferes Sr. Francisco Martins Bonilha nascido em Porto Feliz em 1782, então residente na Freguesia de São Bernardo do Campo da qual foi seu 1º Juiz de Paz, pertencente à Vila de São Paulo, recebeu uma Sesmaria conhecida por do Bonilha ou do “Baguary”; esta contava com 3960 alqueires de terras e ficava à margem esquerda do Rio Tietê abaixo de Laras se estendendo até o Morro Azul nas divisas com Anhembi, tomando grande parte do atual território do município de Conchas; contava inclusive com algumas terras à margem esquerda do Rio das Conchas junto às devolutas por algum tempo com fronteiras litigiosas entre as Vilas de Tatuí, Comarca de Itapetininga e Tietê da 4ª Comarca Provincial de Itu. Verificou-se que naquelas terras das bandas do Baguari, precisamente na Freguesia da SSª Trindade de Pirapora do Curuçá criada em 03/8/1811 sob a jurisdição de Porto Feliz, o seu mais antigo morador foi o Sr. Salvador Pires ; este constando do termo da Carta de Sesmaria, entrou em rateio das terras com o referido sesmeiro, e é possivelmente ancestral de muitos Pires que temos por aqui; mais tarde outros posseiros apareceram cujas posses foram reconhecidas pelo Sr. Francisco Martins Bonilha por ocasião do registro das suas referidas terras em 13/5/1856, no Livro de Registro então existente para tal fim na Paróquia de São Sebastião, na já então Vila da SSª Santíssima Trindade de Pirapora do Curuçá, atendendo ao que determinava a Lei Imperial nº601 de 18/3/1850 regulamentada pelo Decreto 1.318 de 30/01/1854, diga-se de passagem, 1ª legislação sobre propriedade de terras surgida no BRASIL INDEPENDENTE; a referida freguesia pertencente ao município de Porto Feliz na 4ª Comarca de Itu foi elevada à Vila conservando o mesmo nome da então freguesia pela Lei Provincial nº24 de 08/3/1842 e Portaria do Excelentíssimo Presidente da Província de São Paulo de 09/8//1844 que a desmembrou de Porto Feliz, com as mesmas divisas que se achavam em vigor com a Vila de Itapetininga, conforme reza a referida Lei nº24; entretanto a Câmara Municipal só foi instalada na 1ª sessão em 09/01/1845 sendo a Vila conhecida popularmente por Curuçá somente elevada à categoria de Cidade de Tietê pela Lei Provincial nº 965 de 19/7/1867;

  2. Por volta de 1832 os Silva Pinto chegam ao Sertão do Ribeirão das Conchas representados pelo patriarca José da Silva Pinto casado em Bragança Paulista em 30/6/1820 com Manoela Maria, que logo após ter os filhos José e Baltazar o deixou viúvo levando-o a se casar com a também viúva Maria Rosa, cujos filhos João e Manoel foram adotados por ele José da Silva Pinto; dele José da Silva Pinto e Lucas Pereiras há referências em registro de terras inventariadas e partilhadas deixadas às suas viúvas e filhos, em declaração de posses de terras feita em comum, de acordo com o Registro nº14 de 29/7/1855, por Ana Pereira e Dorta e seus filhos cujos descendentes mantiveram posse de terras devolutas; ficavam estas terras às margens do Ribeirão das Conchas ao adentrar este em nosso atual município de Conchas, chegando ao atual conhecido bairro da Estação de Pereiras ou da Espanhola e até às cabeceiras e margem direita do Ribeirão Chicú, atual dos Lopes; José da Silva Pinto filho do patriarca, este falecido em 1849 em Tatuí, de acordo com inventário terminado em 19/4/1897 correndo o feito pela Comarca de Tietê, teve como sua posse de acordo com mapa feito por agrimensor juramentado, João Baptista Arnulf, as terras a partir da barra do Ribeirão dos Baltazares, hoje dos Tomazelas, com o Ribeirão das Conchas onde foi colocado um padrão de “Caviúna”, lavrado em quatro faces sendo duas de 0,18 m e duas de 0,11m, com 1,05m fora da terra, distante 3,60 m do lado esquerdo do segundo ribeirão e 5,60 m do lado direito do primeiro ribeirão; seguindo por este bem acima e foi colocado o 2º padrão de “Arariva” já nas divisas com terras de Manoel da Silva Pinto, seu irmão por adoção, e Francisco Rodrigues da Fonseca, tomando aí a linha divisória a direção à esquerda até encontrar terras de José Machado, onde foi colocado 3º padrão de “Arindiúva”; continuando na direção à esquerda até o Caminho dos Pereiras, estrada velha ligando Conchas à Pereiras, atravessando o mesmo para seguir em curva fechada à esquerda nas divisas com Albino da Silva Pinto, onde existia uma raiz de figueira e aí foi colocado o 4º padrão de “Arariva” ; o referido marca a seguir divisas à direita e logo à esquerda atravessando o Ribeirão das Conchas cujas barrancas altas teriam facilitado a construção de ponte sobre o mesmo; a linha divisória começa a descer o espigão à esquerda seguindo pela margem esquerda do referido ribeirão das Conchas, passando pela barra da Água de Ana LUCA a seguir por onde foram colocados mais 7 padrões até o ponto de partida onde ficou o marco nº1 de “caviúna” sendo estes marcos padrões em nº de 11(onze); estas terras do JOSÉ DA SILVA PINTO (filho) e mais 80 alqueires e 14/100 de alqueire do lado direito do Ribeirão das Conchas, fazendo divisa com terras de D. Gertrudes da Paz, José Capitão, Joaquim e José da Silva Pinto netos do patriarca e D. Antonia Maria de Moraes, esta viúva do referido João filho adotivo do patriarca José falecido com 40 anos em 1849, em Tatuí; terras essas somente do José compradas e herdadas de Maria Rosa perfazendo um total de 379 alqueires e 77% de alqueire; estas terras fazem parte do Inventário dos bens de raízes deixados após sua morte em 21/7/1896 aos seus doze filhos; o fato do patriarca dos SILVA PINTO casado em 30/6/1820 na Igreja Matriz de Bragança Paulista ter morrido tão cedo, com 40 anos de idade, em 19/01/1849, sepultado em Tatuí, época em que a povoação do Bº do Ribeirão das Conchas, atual Pereiras, à margem direita do mesmo ribeirão dava os primeiros passos, para só ter a 1ª Igreja de NªSª da Conceição do Ribeirão das Conchas reconhecida com tal nome pela Cúria de São Paulo em 18/8/1874, explica porquê dentre outros motivos, além de ser um simples posseiro, sem recursos financeiros, JOSÉ DA SILVA PINTO o patriarca, deixou de marcar presença nos fatos primordiais de Pereiras; tal não aconteceu como o seu possível irmão de criação, adotivo, DESIDÉRIO DA SILVA PINTO também casado em 25/7/1820, na Matriz de Bragança Paulista, com Verônica Maria de Oliveira, constando como sendo filho legítimo de Lionel Correa Barbosa e Maria Francisco Oliveira, e ela filha de Jacinto de Oliveira e de Isabel Maria Cardoso; tudo indica que JOSÉ e DESIDÉRIO aqui chegaram juntos por volta de 1832; Desidério com posses de terras havidas gratuitamente por ele no ano de 1832, segundo consta na sua declaração no registro das terras na Vila de Tatuí, sob nº 09 em 18/6/1855, mantendo divisa com Salvador da Silva Pinto, teria falecido por volta de 1883;

  3. Em 10/10/1835 João Lopes de Morais, falecido em 27/4/1894, tomou posse de terras havidas por ele mesmo em 1835 segundo consta na sua declaração para registro; suas terras ficavam nas cabeceiras do Ribeirão Chicú, por quase toda sua margem esquerda, cujo registro sob nº10, no livro nº10, se deu em 18/6/1855 na Vila de Tatuí, mostrando divisas com Baltazar da Silva Pinto e Marcelino Pereira, formando o bairro que além do rio tomou o seu nome passando a ser um ponto de referência geográfico e histórico; ao lado esquerdo da estrada Marechal Rondon, Km 178, depois de passar a ponte sobre o referido ribeirão, sentido Botucatu perto da Pousada “Santa Fé“, à margem esquerda do Ribeirão dos Lopes, começa uma estrada municipal e logo no seu início à direita da mesma está uma capela erguida pela filha do referido posseiro, Fermina Maria da Conceição, em 1932, em louvor à Nª Sª de Lourdes; em 11/02/1993 os bisnetos do referido pioneiro e netos de Fermina, Ozias Lopes e Anivaldo Lopes reconstruíram a citada capela afixando em seu interior uma placa de bronze comemorativa da referida posse em 1835; perguntaríamos: porque JOÃO LOPES DE MORAIS atravessando o Ribeirão das Conchas pela travessia obrigatória no alto do espigão para quem demandava de Porto Feliz, Sorocaba e Itapetininga o sertão do Ribeirão das Conchas, ou pelas fraldas da serrinha no espigão oposto onde mais tarde passaria a estrada de ferro, só foi tomar posse de terras devolutas mais adiante e na margem esquerda e a partir da cabeceira do outro ribeirão denominado Chicú, hoje levando seu nome? Logicamente por serem as primeiras terras citadas, do Ribeirão das Conchas, com certeza já apossadas pelos SILVA PINTO e outros em 1832; dizer que as enjeitou por serem em parte pedregosas parece-nos descabida afirmação ainda mais diante da data de posse das terras declarada por João Lopes de Morais; os que chegavam primeiro se apossavam de terras devolutas por certo escolhendo os limites naturais propiciados pelos rios e de acordo com os recursos próprios para defendê-las; neste ponto os Silva Pinto se revelaram bons estrategistas pois o grupo inicial era formado pelo casal JOSÉ e MARIA ROSA, ele viúvo de MANOELA MARIA e ela de JOSÉ FRANCISCO DA COSTA OLIVEIRA, com quatro filhos menores: José, Baltazar, João, e Manoel, estes dois últimos filhos legítimos de MARIA ROSA e JOSÉ FRANCISCO DA COSTA OLIVEIRA adotados por JOSÉ DA SILVA PINTO, este o patriarca falecido em 1849; José irmão mais velho manteve a posse das terras adquiridas por compra e herança margeando o Ribeirão das Conchas até a barra do Rio dos Baltazares, atual dos Tomazellas, pela sua margem direita subindo em direção a sua nascente confrontando com terras do irmão Baltazar da Silva Pinto, no espigão que vem de Pereiras já na cabeceira do referido rio, onde Baltazar era vizinho de João Lopes de Morais em terras registradas no Distrito e Vila de Tatuí em declaração que fazem em comum já citada: Ana Pereira e Dorta e seus filhos José, João, Joaquim, João Pedroso, Tereza, Maria Gertrudes... ; neste registro em comum sob nº14, em 29/7/1855, há referência de divisas com terras “inventariadas e partilhadas por falecimento de José da Silva e Lucas Pereiras, por viúva, marido e pai das declarantes”; estas famílias pelos seus descendentes vieram a formar o Bº dos Silva e Bº da Estação de Pereiras, pertencentes a Conchas, este último trocado em 1925 pelo Bº do Baltazar que pertencia a Pereiras, quando era Prefeito de Pereiras o Sr. José Francisco Henriques, este pai da centenária D. Hermengarda; do Rio dos Baltazares até o Rio dos Lopes, ficavam as terras do Manoel da Silva Pinto, falecido em 04/9/1892, atacado de varíola, terras herdadas de sua mãe MARIA ROSA; de JOAQUIM MANOEL ALVES, pela margem direita e esquerda do Rio das Conchas, eram as terras fazendo divisas com as de MARIA ROSA; ao lado da Estrada de Ferro também ficavam as terras do João da Silva Pinto falecido no Bº dos Silva, em 21/10/1892;

  4. Em 1836, 38 e 40 nasceram os filhos de João Lopes de Morais, respectivamente: Salvador, Joaquina e Rafael, em terras legalmente pela Lei Provincial nº 39 de 06/4/1872 como sendo de Tietê; foram filhos de João Lopes de Morais casado em 1ªs núpcias em 31/3/1838 em Itapetininga, com Ana Lopes Prudêncio filha de Manoel Ferreira de Macedo e Gertrudes Lopes de Morais, constando ele como sendo filho de José Pedro de Morais e Maria Francisco, constando, ainda, ambos nubentes como naturais da paróquia de Itapetininga (Itapetininga, igreja “NªSª dos Prazeres, livro nº4 fls.129); João Lopes de Morais enviuvando em 1849 segundo consta em inventário de 1849, casou-se em 2ªs núpcias em 29/8/1857, em Sorocaba, com Maria Antonia de Camargo em cujo registro de casamento consta ela sendo filha legítima de José Dias Domingues e Gertrudes Maria de Morais, e ele de JOSÉ Francisco de Oliveira e Maria Rosa Salvador; com MARIA ANTONIA João Lopes de Morais teve mais três filhos: Honorato, Fermina e José; já de posse de terras que se deu em 1835 com registro das mesmas sob nº10, em 18/6/1855 na Vila de Tatuí, posse essa que se inicia nas cabeceiras do Rio Chicú à margem esquerda do mesmo rio que hoje leva o nome dos Lopes, confrontando com terras do Baltazar da Silva Pinto, deste JOÃO LOPES DE MORAIS foi padrinho de casamento em 13/01/1855, em Tatuí, em 2ªs núpcias com a também viúva Teodora Maria;

  5. Em 1938 nasce João 1º filho do 1º casamento de Baltazar da Silva Pinto com Maria Gertrudes tendo como padrinhos: Desidério da Silva Pinto e Verônica Maria de Oliveira; João casaria em 24/11/1856, em Tatuí, com Maria da Conceição;

  6. Em 08/12/1839, mais ou menos, foi erguida a primeira Capela dos Pereiras ou dos braganceiros, na margem direita do Ribeirão das Conchas onde hoje fica a cidade de Pereiras, com certeza por um movimento espontâneo dos devotos de NªSª da Conceição e com liderança entre outras da família de Lucas Pereiras contemporânea dos Silva Pinto, entretanto por certo sem a competente autorização eclesiástica; a referida capela tendo passado por algumas reformas, talvez tenha sido restaurada bem mais tarde como entenderam Dr. Laurindo Minhoto e Pe. Palma, para ficar de acordo com as exigências canônicas e poder ser oficializada, o que se deu em 11/8/1874, por ato administrativo oficial de direito canônico, interno, do bispado de São Paulo. Esta capela denominou-se NªSª da CONCEIÇÃO DO RIBEIRÃO DAS CONCHAS, entretanto ainda não curada, isto é, sem contar com um padre chamado “fabriqueiro”, pois as capelas eram assim consideradas como “fábricas de cristãos”, e só eram curadas a partir da criação da freguesia e esta somente o era pelo Governo Provincial do Império do Brasil, que provia os recursos para as despesas decorrentes, pois o “fabriqueiro” e demais funcionários eram sustentados pelos poderes oficiais imperiais; depois da chegada de João Lopes de Morais em 1835 somente em 30/3/1876 foi criada pela lei provincial nº51 a Freguesia de NªSª da CONCEIÇÃO DOS PEREIRAS, deixando assim a denominação de Ribeirão das Conchas; tal se deu talvez para não se confundir com a povoação incipiente junto ao referido Ribeirão das Conchas e Ribeirão Chicú, onde se edificaria em 1887 a Estação Ferroviária em terras pertencentes a então Vila da Santíssima Trindade de Pirapora do Curuçá, com as fronteiras naturais estabelecidas originariamente com Itapetininga e depois legalizadas pela Lei Provincial nº39 de 06/4/1872; estas fronteiras começavam no Ribeirão da Onça, no Rio Sorocaba, da sesmaria de Francisco de Paula Leite até onde nasce a Água de Ana Lucas e desta até sua desembocadura no Ribeirão das Conchas, depois deste a direita subindo o espigão em linha reta até a atual e antiga Ponte sobre o mesmo e a seguir pelo alto do mesmo espigão ainda em linha reta até o Rio do Peixe, e por este abaixo até sua foz no Rio Tietê e deste, ainda pela sua margem esquerda até Pau Cavalo, ou Carvalho, chegando novamente no Ribeirão da Onça; quando da elevação da Freguesia da SSª Trindade de Pirapora do Curuçá à Vila em 03/3/2/1842, pela Lei Provincial nº 24 desmembrando-a de Porto Feliz, havia a Freguesia de Tatuí que só foi elevada à Vila em 13/12/1844 pela Lei Provincial nº 12; portanto em época anterior não há que se falar de Pereiras como Bº de Tatuí e muito menos de Conchas que também não existia, pois só bem mais tarde foi a capela Oficializada, mas não ainda curada, de NªSª DA CONCEIÇÃO DO RIBEIRÃO DAS CONCHAS, em 1874, que conforme informação do cônego Demétrio Leopoldo Machado pertencia à sua Paróquia de Tatuí, estando portanto dentro dos limites da então Vila de Tatuí com Tietê estabelecidos pela Lei nº39 de 06/4/1872; entretanto Tietê, por seus munícipes proprietários de terras, vizinhos com casas na povoação, freqüentadores desta e da sua referida capela que ajudaram construir, reivindicava a criação da freguesia, mas sob a sua jurisdição o que poderia ser feito por Lei; diante das pretensões de Tietê em criar a freguesia de Pereiras sob sua jurisdição alegando diversos motivos embora a povoação se achasse fora das suas fronteiras, de acordo com a citada Lei nº39, o Presidente da Assembléia Provincial solicitou ao Bispado de São Paulo informação sobre a conveniência de se criar a freguesia de Pereiras sob a jurisdição de Tietê, cujo bispo não querendo decidir de plano solicitou por sua vez informações aos dois párocos envolvidos na pendência, de Tietê e Tatuí; desta o pároco Cônego Demétrio Leopoldo Machado respondendo prontamente declarava que era justa a criação da freguesia mas que continuasse o povoado pertencendo a sua paróquia, para melhor atender aos fiéis da vizinhança já em número de 4 (quatro) ou 5(cinco) mil pessoas, caso contrário a Igreja de Tatuí perderia seu merecimento; a informação do referido Cônego pároco de Tatuí em longo arrazoado fala ainda da importância da criação da Freguesia de Pereiras, não somente por conter o local “elementos de futura prosperidade, como por ficar no centro de três povoações: Tatuí, Tietê e Freguesia de NªSª da Ponte”, atual Anhembi, não fazendo a mais leve alusão à povoação de Conchas pelo lado esquerdo do Rio das Conchas e margem direita do Rio Chicú, atual dos Lopes, por certo sem alguma expressão política e comercial; estas aconteceriam alguns anos mais tarde com a perspectiva de progresso que de repente e de forma explosiva, quase abrupta, se abriu com a chegada da linha férrea em 21/7/1887, aglutinando a população rural circunvizinha proveniente do Baguary, Pau Cavalo em terras do Município de Tietê, despertando então o interesse dos políticos de Pereiras e Tatuí em levá-la para a jurisdição dos seus municípios, o que viria acontecer;

  7. Em 08/03/1842 pela Lei Provincial nº24 sancionada pelo Barão de Monte Alegre presidente da província de São Paulo foi criada a Vila da SSª. Trindade de Pirapora do Curuçá, antes uma Freguesia criada em 03/08/1811 com o mesmo nome pertencente à Vila de Porto Feliz; não sendo a lei auto-aplicável somente após a Portaria de 09/8/1844 do Exmo. Presidente da Província regulamentando-a, foi instalada a Câmara Municipal em sessão de 10/01/1845, na casa do capitão: Antonio José Leite da Silva;

  8. Em 28/12/1846 em sessão da Câmara Municipal da Vila da Santíssima Trindade de Pirapora do Curuçá (Tietê) foi lido um despacho do Presidente da Província, ordenando que a referida Câmara participasse da Comissão sobre a demarcação das divisas com Tatuí; também atendendo à solicitação do Governo Provincial foi o mesmo informado que não existiam, nesta região, estabelecimento colonial e nem terras devolutas que não estivessem ocupados por posseiros;

  9. Em 03/8/1847 houve informação à Câmara da Vila da SSª Trindade de Pirapora do Curuçá, pela Comissão encarregada da construção da estrada de rodagem ligando esta Vila à de Tatuí, vindo por Jurumirim, que a picada da mesma já estava aberta;

  10. Em 1848 em terras do Sertão do Ribeirão das Conchas nasceu Benedita Maria Corrêa filha de José da Silva Pinto (filho), 1ª neta do patriarca homônimo de seu pai que viera de Bragança, nesta Província de São Paulo, com quatro (quatro) filhos por volta de 1832; Benedita, segundo consta no Inventário Judicial do seu pai com petição inicial de 30/7/1896, era a mais velha dos doze irmãos com 48 anos de idade, batizada com dois meses de idade no dia 11/01/1849 na Matriz de Tatuí;

  11. Em 19/01/1849 faleceu com 40 anos de idade em Tatuí, onde foi sepultado no cemitério da Igreja Matriz recebendo todos os sacramentos, o patriarca dos SILVA: JOSÉ DA SILVA PINTO casado em 1ªs núpcias com Manoela Maria em 30/6/1820, na Igreja Matriz de Bragança Paulista, ele filho legítimo também de seu homônimo José da Silva Pinto e Isabel de Lima;

  12. Em 29/7/1855, em obediência à Lei nº601 de 18/7/1850 do Governo Imperial, houve o registro de terras nº14 com a seguinte declaração textual em comum: “Ana Pereiras e Dorta e seus filhos, com terras em comum, no lugar denominado Ribeirão da Várzea e das Conchas, dividindo na frente com os herdeiros do finado Manoel Pedroso, até sair em um córrego e subindo por este acima até entestar com terras de José dos Reis, fazendo quadra segue rumo de sul a norte, dividindo com terras de Antonio de Morais prosseguindo divide com José Domingues e com as terras que foram da finada D. Bernardina, até chegar ao rumo das terras da viúva do finado José da Silva e, seguindo por um espigão, até entestar com terras de Baltazar da Silva Pinto as quais terras foram inventariadas e partilhadas...”;

  13. Em 24/5/1856 José da Silva Pinto, constando como Pinto da Silva e já casado com Maria Correia Benedito, em obediência à Lei nº 601 de 18/3/1850 do Governo Imperial, declarava no Registro de terras nº 408 à página nº 912 do Livro nº10, possuir um sítio com terras e animais adquiridos por carta particular de Ana de Oliveira Dorta; tal propriedade ficava no Bairro do Ribeirão da Várzea, tendo divisas com Joaquim Manoel Alves, (este possivelmente pai de André Honorato Alves) , D. Bernardina, Ana de Oliveira Dorta e Maria Rosa esta mãe adotiva do declarante;

  14. Em 24/5/1856, de acordo com o Registro de Terras nº409 á página 926 do Livro nº10, MARIA ROSA viúva de José Francisco de Oliveira casada com o viúvo José da Silva Pinto, deste já então viúva, declara possuir um sítio com terras medindo mil braças de extensão no lugar denominado Bairro do Ribeirão da Várzea, cujas terras juntas foram em parte compradas e em parte adquiridas por herança, mantendo divisas com terras de Joaquim Manoel Alves, este possível pai ou avô de ANDRÉ HONORATO ALVES; divisas também com Joaquim F de Franco da Silva, Baltazar da Silva Pinto, Ana Nunes, Ana Pereiras e José da Silva Pinto, este seu filho de criação;

  15. Em 21/8/1857 se casam, na Igreja Matriz de Sorocaba de acordo com registro feito no Livro nº3, Manoel da Silva Pinto e Maria Cecília de Morais; ele natural de Bragança Paulista filho legítimo de José Francisco da Costa Oliveira e Maria Rosa, ela natural de Piedade-SP filha legítima de José Dias Domingues de Morais e Gertrudes Maria de Morais;

  16. Em 29/8/1857 casam-se na Igreja Matriz de Sorocaba, de acordo com o registro feito no Livro nº 3, João da Silva Pinto e Antonia Maria de Morais; ele natural de Bragança Paulista filho de José Francisco da Costa Oliveira e Maria Rosa, ela natural da Freguesia de NªSª da Penha de Sorocaba, filha de José Dias Domingues e Gertrudes Maria de Morais;

  17. Em 1864, mais ou menos, teria começado a cultura do algodão no Município de Tietê com sementes trazidas dos USA por tieteenses, segundo relato em Ata da Câmara Municipal desse ano;

  18. Em 1868 houve no Baguary um surto de febre tifóide e recrudescimento da maleita que era endêmica; teria tido início nesta época em terras brasileiras a Festa do Divino Espírito Santo, sendo o culto originário da Alemanha, mas há quem diga que tal aconteceu após o primeiro surto de febre amarela em 1839 na Capela de São Sebastião, invocando os ribeirinhos à proteção divina já que a influência do governo imperial ali não se fazia sentir; por certo a fé os ajudou a enfrentar as epidemias pois eis que a referida festa se tornou tradicional em Anhembi e Tietê cidades ribeirinhas do rio Tietê; em Conchas os pousos continuam até hoje nos bairros da cidade sem aquela cerimônia à beira do Rio Tietê, por estarmos a mais de 3 (três) léguas do mesmo;

  19. Em 1868 pertencendo todo o nosso atual território municipal originariamente ao Município e Comarca de Tietê, cujas fronteiras com Tatuí eram então pouco conhecidas que, reiteramos, só começaram a ser estabelecidas e confirmadas legalmente pela Lei nº 39 de 06/4/1872, houve novo surto de febres dizimando a população do Bairro Baguary; conforme veremos providências foram tomadas imediatamente pelo Presidente da Província, através da Câmara Municipal de Tietê, abrindo um crédito de 600$000, (seiscentos mil reis), depositados na Coletoria de Porto Feliz; começou também nesta época o deslocamento de muitos moradores para a cidade de Tietê, Bairro de Laras e cercanias do Ribeirão das Conchas e deste pelo Rio do Peixe formando o Bairro do Moquém e Morro Azul, onde bem mais tarde junto ao Rio Chicú, atual dos Lopes afluente do Ribeirão das Conchas, floresceria o Bairro da Estação das Conchas impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Sorocabana em 1887; assim por alguns anos depois de ser simples “boca de sertão”, “caminho de passagem” e “pousada de caminhantes”, houve movimento migratório desusado de ocupação de terras desta região como fronteira agropecuária; então a disputa por jurisdição sobre tal povoação cresceu por parte de Tatuí e Tietê, embora a Lei Provincial nº39 de 06/4/1872 já não deixasse dúvida sobre os limites entre as duas Vilas citadas, mas como lei ordinária poderia revogar outra, legalmente, tal pendência aconteceu resultando na Lei nº681 de 14/9/1899 que desmembrou do Município de Tietê, parte do Distrito de Paz de Conchas anexando-o ao recém criado Município de Pereiras;
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