Cruz: “uma vida consumada faz fecunda a morte” (M. Hernández) Na Cruz



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CRUZ: uma vida consumada faz fecunda a morte (M. Hernández)
Na Cruz, Jesus encontra-se no ápice de sua autoridade, exatamente porque Ele se encontra no auge do amor. Ele mostra que o verdadeiro poder é o amor e que nada é possível contra o amor.

Não é possível impedir Jesus de amar até o extremo: “Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.

Até o último instante, Ele é o mais forte. E Ele é o mais forte na extrema fraqueza.

Jesus foi colocado entre os fracos e oprimidos, pois foi injustamente condenado e crucificado “fora” da cidade. Humanamente falando, sua vida não é a de um vencedor, mas de um fracassado; Ele foi marginalizado pelos poderes reinantes em seu tempo; pertence ao “avesso” da história.

Identificado como Messias, nem por isso deixa de ser rejeitado. Os banidos da história pelos vencedores reconhecem-se n’Ele. Reconhecendo-se n’Ele, confessam que o Deus por Ele invocado é, Ele também, expulso, que seu lugar é agora “fora” da cidade, que seu destino terrestre é com os marginalizados. Deus se faz “margem”, “marginal”...

Enquanto a história dos vencedores se basear na violência e na exclusão, o Deus de Jesus não terá lugar neste mundo. Ele vai se revelar somente na ruptura introduzida por Jesus na lógica da violência: perdoando àqueles que até então dirigiam a história, revela o rosto de Seu Deus.

Rejeitado, Jesus perdoa àqueles que o rejeitam. É a sua condição de expulso da história que lhe dá o direito a escolher o seu estilo de re-escrever uma nova história.
Este é o exercício da liberdade. Jesus, no horto e na cruz, apela para a Vontade de Deus; isso não é passividade e resignação, mas significa passar de uma vida submissa para uma vida escolhida.

Quando Jesus diz a seu Pai: “Seja feita não a minha vontade, mas a tua!”, Ele chegou a esse momento em que não desejou, não procurou fugir do sofrimento, e nem podia negar a presença desse sofrimento, dessa provação. Entretanto, era necessário transformá-los. E Jesus agiu introduzindo neles, através da comunhão de sua vontade com a Vontade do Pai, a consciência e o amor. Neste momento Ele se reve-lou mais forte que o sofrimento, maior que a provação que estava atravessando, mais forte que a morte.


Os antigos Padres da Igreja consideravam a Cruz como “o grande livro da arte de amar”, simbolizando o ser humano aberto em todas as suas dimensões. Jesus testemunhou até que ponto somos amados.

O que é único, na tradição cristã, é que nada é perdido. Pode-se criar a luz com qualquer ação, até mesmo com nossos fracassos. “O que é a Cruz, senão a história de um fracasso?”

Fracasso de um ensinamento, fracasso de uma pregação, fracasso do amor a todos os seres, amor esse que não foi reconhecido. Jesus transformou este fracasso em um caminho para a ressurreição.

Quando pensamos em nossas vidas, quando as vemos pelo seu exterior, percebemos inúmeros fracassos. Mas, em segredo, podemos pressentir que estes fracassos, estas dificuldades são, talvez, a nossa maior sorte. Porque através deles nos libertamos de nossas ilusões sobre nós mesmos. Eles tendem a nos deprimir, mas também podem ser uma ocasião para nos fazer mais humanos e humildes.

Através dos fracassos nos aproximamos de nosso ser essencial e do “Eu sou Aquele que É” que transforma estes fracassos em caminhos de realização.
No horizonte da Cruz, o fracasso tem seu lugar. Ele pode ser percebido como chance para crescimento ou amadurecimento, ou pode ser integrado à luz de outras experiências positivas. Aprendemos mais pelos nossos fracassos do que pelos nossos êxitos.

A vida é constituída de momentos de luta e de coragem, de sonhos e de esperança, de vitória e de derrota. Este é o material com o qual são construídas as histórias e as vidas.

O fracasso, que em muitas ocasiões nos provoca medo, insegurança, mal-estar... é um espaço perfeitamente adequado para iniciar o movimento para uma maior maturação.

Mais ainda, muitas vezes são os fracassos que nos levam a iniciar uma mudança em nossas vidas, para uma maior realização pessoal e, portanto, para uma maior satisfação interior.

Para muitos, os fracassos os afundam num abismo de impotência e agressividade; para outros, ao contrário, os fracassos os convertem em seres incrivelmente sensíveis, compassivos, humildes...

Os fracassos nos revelam aspectos novos de nós mesmos e nos ajudam a conhecer-nos mais.

Há coisas que não se compreendem enquanto não se esteja definitivamente derrotado” (Péguy)

Os fracassos tem poder de revelação: ser o que a pessoa é e nada mais que aquilo que é. A experiência dos fracassos nos une a todos, nos iguala, é fonte de comunhão... Graças aos fracassos, a pessoa vai quebrando, pouco a pouco, seu instinto de posse, a auto-afirmação de si, a prepotência, a soberba...


Textos bíblicos: Mc. 15,20-39 2Cor. 4,7-15 Col. 1,24-29 1Cor. 4,9-13 2Cor. 11,16-29


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