Cuidados com os falsos espíritos texto: I jo 1-6



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CUIDADOS COM OS FALSOS ESPÍRITOS

TEXTO: I Jo.4.1-6

1 Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.

2 Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;

3 e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.

4 Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.

5 Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve.

6 Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.


I – INTRODUÇÃO:

O pastor, dentre seus deveres ministeriais, tem o de proteger o seu rebanho.


No capítulo 10 do evangelho escrito por João, Jesus se apresenta como o “Bom Pastor”, aquele que protege as suas ovelhas das feras do campo, dos ladrões e salteadores, do diabo, dá a sua vida pelas suas ovelhas.
A evidência, nenhum de nós pastores tem a capacidade de conhecer às suas ovelhas como Jesus as conhece, bem como de ser conhecido por elas pelo mero som da sua voz. Chegaria a dizer que, muitos de nós nem queremos verdadeiramente conhecer assim nossas ovelhas, pois teríamos um terrível trabalho. O nível de comunhão e relacionamento entre pastores e ovelhas tem nos distanciado cada vez mais um do outro.
A despeito disso, Deus não nos tirou ou mesmo diminuiu a incumbência de cuidarmos das nossas ovelhas e, se preciso for, darmos a vida por amor a elas. Aliás, escreve-nos o próprio João em sua primeira Carta capítulo 3 verso 16: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” Se tal incumbência cabe a cada um de nós como ovelhas do rebanho de Cristo, não há dúvida que, espera Deus dos pastores igual ou maior cuidado com suas ovelhas.
Pedro assim escreve aos pastores – I Pe 5.2-3: “Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho.”
Esse texto tem norteado o meu ministério. O dia em que pastorear essa Igreja seja para mim um motivo de constrangimento, ou que for tentado a aceitar e/ou continuar meu ministério aqui por dinheiro, já me decidi, antecipadamente, e expontaneamente, pedir a minha exoneração desse encargo. Igualmente, desde já, sugiro aos irmãos que, se por qualquer razão um dia me tornar um “dominador” e não um “modelo” para o rebanho, não esperem o meu pedido de exoneração, usem os atributos do Estatuto da Igreja para dispensar o meu ministério.
Depois desses prolegômenos, quero falar do texto lido inicialmente e de suas implicações.
João, com sua amorosa preocupação pelos crentes, nos adverte contra os falsos espíritos, que tem o espírito do anticristo, que já se encontravam no mundo desde aquela ocasião, e que, na qualidade de falsos profetas, falam da parte do mundo.
Sua primeira palavra é: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus”.

Será que estamos recebendo a visita de falsos profetas, que de alguma forma tem tentado nos insuflar com suas falsas doutrinas?


Querido irmão, querida irmã, infelizmente sim! Talvez muito mais do que você pense! Talvez você já esteja há muito tempo dando ouvidos a espíritos enganadores que chegam até você pela televisão, pelo rádio, pelos livros, pelas músicas, pelos púlpitos etc.
Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus”.
E sabem qual o motivo da nossa maior fragilidade? O desconhecimento quase absoluto da palavra de Deus, a falta de conhecimento da boa doutrina, da verdadeira doutrina dos apóstolos.
Mas como provar a estes espíritos enganadores desconhecendo a vera palavra de Deus, desconhecendo os princípios bíblicos, desconhecendo as doutrinas bíblicas?
II – COMO SURGEM AS FALSAS DOUTRINAS?

Desde o início da Igreja, o diabo vem enviando os seus falsos profetas, que ensinam doutrinas falsas e enganosas.


Paulo adverte a Igreja em Colossos no capítulo 2 versos 8 e 9, da seguinte forma: “8 Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; 9 porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.”
A primeira forma que os espíritos enganadores usaram para enredar a Igreja, foi tentando levar os cristãos de volta a tradição judaica, obrigando-os aos rituais da lei, como se estes fossem também indispensáveis a salvação.
Paulo então pregou veementemente contra isso, mostrando que sob o domínio desta Nova Aliança entre Deus e os homens, através da obra de Cristo, a circuncisão que Deus esperava dos crentes era uma circuncisão espiritual, que se processava nas vidas, não mais pelo corte ritual do prepúcio, mas simbolizada pelo batismo na morte e na ressurreição de Cristo.
Paulo admoesta das filosofias sutis, acrescentadas ao evangelho de Cristo, pelos homens, que determinavam uma porção de coisas, como não toques nisso, não comas aquilo, não manuseies, circunstâncias que exigiam total rigor para serem observadas, tendo até a aparência de sabedoria, mas que não passavam de coisas vãs, culto de si mesmo e falsa humildade.
Outras doutrinas, ainda mais sutis foram introduzidas na Igreja primitiva, Pedro adverte contra os que pregavam que Cristo não voltaria para buscar a sua Igreja, porque tudo continuava igual até aquele tempo.
Pedro adverte contra os falsos profetas e falsos mestres, que introduziam dissimuladamente heresias destruidoras, a ponto de negaram até o valor do sacrifício de Cristo. II Pe 2.1-3: “1 Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2 E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; 3 também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.”
Alguns comentaristas crêem que próprio apóstolo João, através do texto básico que escolhemos, estaria combatendo as heresias gnósticas que negavam a humanidade real de Jesus Cristo.
Segundo a doutrina agnóstica, com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos, “Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem.” (Wikipédia)
João sugere que os espíritos precisavam ser provados, acrescentando no verso 2: “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;”.
Aquele era um teste fundamental para se saber se aquela pessoa professava a verdadeira fé cristã ou não.
Não foi diferente nas épocas vindouras até os nossos dias.
A Igreja Cristã Romana, sobretudo a partir do século V, divulgou por toda parte que o bispo de Roma deveria exercer autoridade sobre todos os outros bispos cristãos, na qualidade de legítimo sucessor do apóstolo Pedro, o primeiro papa, embora não exista nenhuma prova de que Pedro tenha estado em Roma e muito menos que tenha se tornado ali papa.
Foram introduzidas diversas tradições verdadeiramente antibíblicas no corpo doutrinário da igreja cristã romana, além do que, começaram a ocorrer diversos escândalos e absurdos na história da Igreja chamada Cristã.
Todos aqueles que tentavam confrontar tais absurdos da igreja, sobretudo apresentando a palavra de Deus, eram mortos na fogueira como aconteceu com John Huss e Wycliff.
Passam a surgir várias heresias, como a doutrina do purgatório, a missa, a infabilidade papal, o culto a Maria, a confissão auricular, as indulgências, dentre outras.
Por exemplo, através da confissão auricular, o sacerdote ouvia a confissão do pecador e a final lhe conferia total absolvição dos seus pecados, embora declarando “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
A Bíblia é firme em declarar que o perdão de pecados só pode ser dado por Deus, que “é rico em perdoar”, e mediante o sangue de Jesus. I Jo. 1.9, declara: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” E ainda, I Jo.2.1-2: “1 Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;2 e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”
Outra terrível heresia, que acreditam alguns, tenha sido o principal motivo da Reforma Protestante, foram as Indulgências. Na definição católico-romana, a doutrina das indulgências é a “remissão das penas temporais merecidas pelo pecador, em todo ou em parte, fora da confissão, que a igreja, em virtude do poder que recebeu de ligar e desligar na terra, concede, aplicando os merecimentos de Cristo e dos santos (tesouro da igreja) aos que interiormente estão em condições e exteriormente cumprem as respectivas obras prescritas.”
Na prática, as indulgências foram uma das formas mais odiosas que a igreja se utilizou para vender graça através de hábeis pregadores, contratados para tal comércio, que objetivava a conclusão da Basílica de São Pedro em Roma.
Deus, então, levantou no coração de diversos homens daquela época a chama da verdadeira doutrina bíblica, dentre os quais Martinho Lutero, que escreveu suas 95 teses, pregando-as no dia 31 de outubro de 1517 na porta da Capela de Wittemberg.
Pouco depois, Lutero fez resplandecer em confronto a todas aquelas heresias da sua época, a doutrina da justificação pela fé, com a leitura de Rm 1.17. Lutero nos diz que a partir daí "comecei a entender que a justiça de Deus significa aquela justiça pela qual o homem justo vive mediante o dom de Deus, isto é, pela fé".

O grande achado teológico de Lutero girou em torno do significado do termo justiça em Rm 1.17. Lutero, em seus escritos, diferencia a justiça externa da justiça interna. A primeira refere-se a nossa conduta perante os outros homens, é pode ser vista externamente. A segunda refere-se a perfeição e pureza do nosso coração. A primeira é exigida pelos homens, a segunda por Deus. E a justiça interna não é só exigida por Deus, só Deus pode dar ao homem este tipo de justiça. É a justiça que vem Deus, proclamada no evangelho. Esta justiça só é possível em razão da morte de Jesus na cruz e da sua graça para conosco.


Ainda se juntaram a Lutero outros nobres homens de Deus, como Zwinglio e João Calvino. Este último se tornou um dos maiores nomes da Reforma, sobretudo por sua obra teológica.
Divergências interpretativas da Bíblia, sempre existiram e sempre existirão, o problema é quando a doutrina bíblica é acrescentada de dogmas ou mesmo heresias, como se fossem verdades bíblicas, capazes de salvar, perdoar pecados etc.
E nos dias de hoje? Quais tem sido as principais heresias introduzidas na Igreja de Cristo?
Penso que o maior problema está nas doutrinas que tem a ver com o homem, seu bem estar, sua condição, que falam de sucesso, de riqueza, do homem como centro de todas as coisas e de sua auto-divinização, que tornam a graça de Deus barata, que transformam o Cristianismo em práticas rituais e não em culto da fé, que transformam a fé numa capacidade metafísica de se materializar os desejos da alma, que transformam objetos e símbolos cristãos em fetiches e crendices como se tivessem poder em si mesmos.
Hoje em dia não fazemos mais o culto para Deus e sim para os homens. Por isso o culto deve conter tudo que agrada o homem, só falar de coisas boas, de bênçãos, da graça de Deus, que somos os cabeças e não caudas. Nessa atmosfera de vitória, jamais se deve falar em pecado, em mudança de vida, em vida de santidade, em fugir da aparência do mal, porque afasta as pessoas, faz com que não voltem a Igreja, que não dêem mais ofertas.
Nos dias de hoje se tem tomado versículos soltos e os transformado em doutrinas de homens.
As pessoas acreditam que se fizerem uma campanha de 40 dias, cada dia levando a melhor oferta que pode à Igreja, não importa se o dinheiro é seu ou emprestado, ou mesmo dos outros, não importa se seus filhos vão passar fome, se você alcançar aquele alvo você receberá 100 vezes mais da parte de Deus. Isso é heresia, mentira praticada em algumas igrejas, práticas que confundem a cabeça de milhares de pessoas, que voltam para suas casas ainda mais frustradas e confusas enquanto alguns se dizem abençoados.
Alguns tem deixado o nosso culto de fé evangélico se misturar com declarações ou confissões positivas, com visualizações daquilo que se quer receber, como se tivessem poder de consubstanciar os seus desejos e a sua vontade. Tais práticas tem se realizado na Igreja como fórmulas esotéricas. Tenho visto o ensino de orações decoradas para situações diversas, a contrário senso do que Jesus ensinou na oração do Pai Nosso, para que não usássemos de vãs repetições.
Queridos irmãos, poderia citar ainda uma dezena de práticas dos nossos dias, que na verdade são puras heresias e ensinos demoníacos, proferidos por falsos profetas e falsos mestres.
Nosso texto básico de I Jo.4 assim, conclui nos versos 3-6:

“3 e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.

4 Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.

5 Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve.

6 Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.”
III – CONCLUSÃO:

O apóstolo Paulo escreve a Timóteo em sua Primeira Carta, capítulo 4, versos 1 e 2: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,...”.


Na verdade, o diabo vem trabalhando de forma sutil na Igreja, infiltrando-se com estas práticas sedutoras, preparando o terreno para um tempo em que muitos apostatarão da fé, por darem ouvidos a espíritos enganadores e ensinos de demônios.
Paulo, ainda acrescenta em II Co 11.14: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.”
O principal sinal da volta de Cristo, conforme o apóstolo Paulo escreve aos Tessalonicenses em sua Segunda Carta capítulo 2, é a apostasia.
Como então enfrentar isso? Como não permitir que tais heresias entrem na nossa casa, na nossa vida, na nossa Igreja?
O melhor exemplo bíblico que encontro é aquele dado pelos irmãos de Beréia. Quando Paulo e Silas ali chegaram e passaram a ensinar a respeito do evangelho de Cristo Jesus, os bereanos começaram a confrontar suas palavras com as escrituras, para ver se era exatamente como eles falavam.

Veja Atos 17 versos 10 à 12: “10 E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. 11 Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. 12 Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens.”


Amados, recorram à palavra de Deus, examinem aquilo que recebem nas escrituras constatando se é verdadeiramente como ensinado.
A cada domingo estamos aqui, das 10 às 12 horas ensinando e compartilhando a palavra de Deus na Escola Dominical. Quarta-feira temos culto de oração e estudo bíblico. Cresça no conhecimento das Escrituras e não se deixe enganar.
Busque a orientação do Espírito Santo. Ore a respeito da palavra recebida e da prática oferecida. Jesus declara em João 16 verso 13, que o Espírito Santo nos guiará a toda verdade: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.”
O Espírito Santo sempre nos guia primariamente a Jesus, por Ele você tem condições de testar a procedência de qualquer profeta ou mestre.
Em terceiro lugar, procure o seu pastor. Aqui temos a bênção de ter vários pastores. Procure um de nós, procure os professores da escola dominical. Se não soubermos lhe responder de pronto, com certeza vamos estar dispostos a orar e pesquisar até encontrarmos a melhor resposta na palavra de Deus.
Pr Benoni Kraul de Miranda Pinto

Outubro/2008


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