Cultura – Prática social como objeto de investigação



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Cultura – Prática social como objeto de investigação

Culture – Social practice as object of investigation



A organização do trabalho pedagógico da escola Kambeba: quando a cultura alicerça o fazer pedagógico

Iara Tatiana Bonin, Universidade de Brasília, Brasil

Neste final de século a sociedade brasileira é surpreendida com uma verdade ocultada durante muitos anos, uma realidade negada na historiografia oficial: a diversidade de povos e culturas que compõe este país.


Esse pluralismo cultural e étnico -desvelado pela própria atuação dos atores sociais, índios, remanescentes de quilombos, imigrantes, entre outros, na luta pela garantia de seus direitos - convoca para uma reflexão profunda sobre o modo como esta sociedade está organizada. O grande desafio é avaliar quais valores, quais saberes, quais crenças, quais concepções de mundo, estão na base das relações estabelecidas com a natureza e com os outros homens.
As diferentes culturas e etnias aqui existentes foram forçadas, pelo uso da lei e das armas, a abandonar tradições e valores ancestrais em nome de uma pretensa nação homogênea e de uma "cultura nacional".
Os povos indígenas sofreram nestes quinhentos anos de exploração colonial incontáveis violências e estratégias de extermínio. Resistindo a tudo isso, vivem hoje no Brasil mais de 215 etnias diferentes, falando cerca de 180 línguas, com uma população aproximada de 330.000 índios. São povos que constróem e reconstróem de maneiras distintas suas próprias culturas, suas formas de viver e de educar as novas gerações. Essas múltiplas maneiras de pensar, de fazer ciência, de relacionar-se com a natureza, de construir a vida são inspiradoras para a superação de alguns dos grandes desafios da prática educativa.
No intuito de contribuir para dar visibilidade à realidade indígena, negada na história oficial mas tão atual e desafiadora, propus-me a realizar a pesquisa do mestrado na aldeia Nossa Senhora da Saúde/Am. Durante este período de estudos (1997-1999) debrucei-me sobre a história, sobre o cotidiano, sobre as formas de organização da vida e da educação do povo Kambeba, habitante das terras de várzea da região Amazônica. O propósito desta investigação foi analisar a educação kambeba e os significados da escola regular do sistema educacional brasileiro para este povo.
A escola, instituição apropriada pelos kambeba, traz para o cotidiano indígena contradições e desafios próprios do sistema capitalista, de onde ela se origina. Neste artigo analiso algumas destas contradições e as formas de enfrentamento experimentadas pelos Kambeba.
Destaco ainda alguns elementos da organização do trabalho pedagógico da escola kambeba que, tendo por base a pedagogia e as concepções de educação deste povo, podem ser inspiradoras para a transformação do sistema educativo hegemônico.

1- Aspectos da pedagogia Kambeba
Na análise da educação indígena, um pressuposto é a afirmação da existência de distintas formas de educar construídas historicamente pelos povos indígenas. A educação indígena compreende os processos pelos quais esses povos garantem sua continuidade, reproduzindo e reconstruindo a identidade, a tradição, os saberes, os valores, os padrões de comportamento e de relacionamento, na dinâmica própria de suas culturas.
A educação é um processo que ocorre de modos distintos e por meio de pedagogias e mecanismos próprios em cada cultura. Os povos indígenas possuem espaços e tempos educativos dos quais participam a pessoa, a família, a comunidade e todo o povo. Deste modo a educação é assumida como responsabilidade coletiva.
Na organização social Kambeba, como em outras realidades indígenas, a educação é processual: ao longo de sua vida uma pessoa está sempre aprendendo. Ela é viva e exemplar: aprende-se pela participação na vida, observando e fazendo junto. (Fernandes, 1975) E ainda, ela fundamenta-se na tradição e na memória coletiva atualizada na palavra dos mais velhos.
Na aldeia Kambeba o ato pedagógico primordial é a participação. Para aprender, as novas gerações são estimuladas a participar desde cedo. Aos poucos elas vão assumindo todas as responsabilidades de um adulto.
Educação é ação de quem aprende. É também ação de quem ensina, é exemplo. E toda palavra é precedida de um exemplo. Assim, ensinar é fazer junto, fazer para que o outro aprenda. E, nesse sentido, é possível dizer, como Fernandes (1975), que educar é também auto-educar, já que um adulto não pode fugir à responsabilidade da ação, não pode deixar de dar o exemplo.
É papel dos adultos incentivar os mais jovens, ensiná-los pelo exemplo, aconselhá-los, valorizar as ações esperadas e repreender, sem abusos, as ações rejeitadas.
Para os Kambeba, a presença da mãe na vida da menina e do pai na vida do menino é fundamental. É papel do pai motivar os meninos a segui-lo, elogiar ou punir as ações dos filhos homens. É papel da mãe incentivar as meninas a participar das tarefas femininas, e elogiar ou punir suas ações. Mas o processo educativo não é exclusividade dos pais. Os avós ocupam lugar de destaque, bem como o chefe da aldeia, os irmãos e irmãs,os tios e tias, entre outros atores. Educar é, portanto, tarefa de uma comunidade educativa.
Através da participação na vida cotidiana, acompanhada de perto pelos exemplos e palavras educativas, as novas gerações vão sendo integradas ao "nós coletivo", ou a identidade, que é coletiva e dinâmica, analisa Melià (1998). E justamente porque a identidade é dinâmica, as mudanças que ocorrem na vida do povo vão sendo acomodadas e passam a fazer parte da herança cultural. No caso dos Kambeba, em que as relações com a sociedade envolvente são constantes e a dominação é vivenciada no cotidiano, ocorrem mudanças profundas nos modos de viver. Com isto a educação também se altera para responder às exigências da nova situação sem perder sua validade e atualidade. A formalização de parte do processo educativo, com a implementação da educação escolar, é uma das significativas alterações na educação Kambeba.

2- A escola Kambeba e o controle social da comunidade
A escola surge na vida deste povo como necessidade gerada nas relações com a sociedade hegemônica. Ela é vislumbrada pelos índios como instrumento que permite o acesso aos conhecimentos necessários no enfrentamento da sociedade opressora e como "locus" que deve contribuir para a afirmação da identidade e das tradições.
Na prática, porém, ela traduz e legitima certos valores, conhecimentos e lógicas de base capitalista. Veicula sentidos e vivências fundadas em um modo de organização social individualizante, competitivo e desigual, radicalmente distinto do sentido coletivo, participativo e solidário da vida indígena.
A escola indígena, em muitas situações, pode ainda imprimir nas culturas a sua marca histórica: quando nega a diversidade e põe sob suspeita as tradições seculares dos povos indígenas, esta instituição cumpre a função homogeneizadora e integracionista1.
Para ser, então, um instrumento que colabora para a garantia dos direitos e para a valorização do saber, da ciência, da tradição, da cosmovisão indígena, a escola precisa ser apropriada e controlada pela comunidade. A organização do trabalho pedagógico deve ser orientada pela pedagogia e pela tradição daquele povo. A pesquisa realizada na aldeia Nossa Senhora da Saúde revela algumas das maneiras pelas quais os Kambeba modificam a escola e, em parte, controlam os seus efeitos.
A escola Kambeba da aldeia Nossa Senhora da Saúde começou a funcionar em 1992, fruto da reivindicação e da colaboração de toda a comunidade. Raimundo, com 15 anos neste período, foi escolhido pela comunidade para ser o professor. Oficializada em 1993, a escola Kambeba vincula-se à rede de ensino do Município de Novo Airão/AM. É considerada escola rural, mas conquistou um tratamento diferenciado por parte dos órgãos oficiais e a flexibilização das exigências formais, como a apresentação de planos de aula e do currículo escolar .
Assim como grande parte do trabalho na aldeia, a práxis escolar, no seu início, foi trabalho de várias mãos. No primeiro ano de atuação do professor, quando ele não havia participado de processos específicos de formação para o magistério, a comunidade assumiu o processo, ajudando-o a encontrar caminhos e viabilizando, inclusive financeiramente, sua participação em encontros e reuniões de formação pedagógica.
O trabalho pedagógico é assumido como parte da vida Kambeba, embora, em muitos aspectos, represente ainda o "espaço do Estado" no cotidiano deste povo. Muitas são as formas de participação da comunidade na escola, o que lhe imprime um sentido coletivo.
A pedagogia Kambeba penetra e modifica o espaço escolar pela presença viva das pessoas da comunidade. Em certos momentos o professor convida lideranças e anciãos da aldeia para participar da discussão de algum tema específico, para contar histórias antigas e falar das tradições Kambeba. No cotidiano da escola os adultos estão presentes: passam pela sala de aula, entram, riem, conversam com o professor, fazem chacota de comportamentos dos alunos. Isso traz uma certa leveza ao trabalho pedagógico. Além disso, quando algo interessante acontece na aldeia o professor e os alunos saem da sala de aula, depois retomam, comentando o fato. Desta maneira escola não está "fechada em si mesma".
O calendário da escola Kambeba é organizado de modo semelhante ao das escolas rurais da região, mas com algumas modificações importantes, ditadas pela dinâmica interna da aldeia. O ano letivo inicia-se no final de fevereiro, com férias em julho, e termina em dezembro. As aulas ocorrem apenas no período matutino, das 7:30 às 11 :00 aproximadamente. Tanto os horários quanto os dias de aula são flexibilizados em determinadas ocasiões, como na realização dos ajuris2 e das festas da aldeia.
A comunidade Kambeba possui formas próprias de avaliação e de controle sobre a escola, seu funcionamento, a freqüência dos alunos, o trabalho do professor, o papel dos pais no acompanhamento, entre outras. Atitudes do professor são criticadas ou elogiadas em momentos de conversas informais, modo pelo qual controlam a sua atuação.
Comportamentos dos alunos também são socialmente avaliados. Comentam sobre seus modos na escola, responsabilizam a família em corrigir ações desaprovadas, repreendem publicamente os pais que deixam de mandar os filhos para a escola.Isso porque, para eles, a escola tem um importante papel a cumprir, portanto, não pode ser de "faz-de-conta". Estas são algumas das formas de controle social sobre o trabalho pedagógico.
Um aspecto importante do trabalho pedagógico, é o estudo da língua Kambeba3. A comunidade no seu conjunto decidiu que voltar a falar a própria língua era importante e que a escola deveria contribuir nesse processo.
Para implementar o estudo da língua Kambeba na escola, o professor teve que aprender com os mais velhos. Passou também a contar com a participação de duas pessoas da comunidade, falantes da língua, durante o estudo com os alunos. Além de conferir à escola um caráter de instituição a serviço dos interesses coletivos, este fato motivou o interesse por outros aspectos da tradição e da história Kambeba, que passaram a integrar, gradativamente, os conteúdos curriculares.
Este fato, como muitos outros registrados na aldeia Kambeba durante a pesquisa, demonstra que a participação e o controle da comunidade permite a vinculação estreita entre escola e projeto político de futuro do povo indígena. Só a comunidade é capaz de garantir que a escola seja efetivamente conquistada pelo povo. A idéia de conquista, neste contexto, significa uma escola que tenha como projeto político-pedagógico aquele que o povo indígena elegeu e não aquele imposto pelo Estado, como estratégia de poder.
A busca da autonomia na escola é estratégia de ação dos Kambeba. É também uma preocupação de Nóvoa (1995a). Para ele as escolas devem constituir-se em espaços com margens de autonomia pedagógica, curricular e profissional. O poder de decisão deve estar mais próximo das escolas e deve envolver todos os atores educativos. Isso não deve ser usado como mecanismo de reprodução local das lógicas burocráticas e administrativas, e sim para conferir às escolas um papel de organizações, funcionando em tensão dinâmica entre liberdade e responsabilidade.
A autonomia da comunidade para definir e implementar o trabalho pedagógico deve estar ancorada em uma relação também autônoma com os órgão oficiais, em especial com as Secretarias de Educação. Na realidade Kambeba uma relação menos dependente com estes órgãos vai sendo conquistada pela determinação da comunidade. Rompendo amarras e burocracias, ela vai conquistando o seu protagonismo e determinando algumas das regras dessa relação.

3- Ser professor na aldeia Kambeba
Ser professor indígena é navegar entre as complexas águas da cultura escolar, a partir dos referenciais e conhecimentos construídos historicamente nas águas da cultura de seu povo.
A expressão "professor indígena", aqui, diz respeito à pessoa que, antes de tudo, é membro do povo -é Kambeba -e, sendo escolhida pela sua comunidade, passa a prestar um serviço. Portanto, o professor passa a assumir um papel de liderança e tem neste sentido obrigações em relação à comunidade que transcendem o espaço da escola. Como outras lideranças, ele passa a exercer um papel exemplar. No caso dos Kambeba, um dos critérios de permanência do professor é o seu modo de agir em resposta a este papel esperado pela comunidade. Certas regras devem ser seguidas pelo professor, por exemplo, não se embriagar, não desrespeitar a chefia, estar presente nos ajuris de trabalhos.
Como analisa Silva (1994), os professores indígenas "são professores no sentido pleno (...) e preocupam-se com todas as dimensões da educação escolar e, ainda, enquanto membros de totalidades sociológicas diferentes da nossa, [preocupam-se] com a situação atual, os projetos e o destino de seus povos... (p. 50).
Na aldeia Kambeba, o professor responde pelo funcionamento da escola, pelo planejamento curricular e metodológico, pela coordenação das atividades, pela avaliação formal de todo o processo. Assume ainda as responsabilidades de diretor, coordenador pedagógico, docente, e estabelece as relações escola - sociedade - órgãos oficiais.
Além de atribuições relativas à escola, o professor, como liderança na comunidade, assume outras responsabilidades: ajudar os líderes políticos no encaminhamento dos trabalhos, na discussão de assuntos em reuniões, na relação com órgãos de assistência aos povos indígenas e na elaboração de documentos encaminhados pela aldeia a organismos externos, entre outras. Isso consiste o seu serviço à comunidade.

3- Tecendo a especificidade
A análise da organização do trabalho pedagógico da escola kambeba, me permitiu descobrir iniciativas do professor para dar respostas aos problemas enfrentados. Tomo como exemplo a questão da multisseriação, apontada pelo professor como um dos problemas principais.
Na escola Kambeba cinco turmas se reúnem ao mesmo tempo, em um único espaço: de alfabetização à quarta série. Embora sejam poucos alunos por série, quatro em média, o professor precisa coordenar o trabalho em cinco níveis. Para tanto, conta com um único recurso: um quadro de giz que não mede mais de dois metros quadrados.
Para resolver esta questão o professor tem construído práticas inspiradas na pedagogia Kambeba. A cooperação entre os alunos e a possibilidade de desenvolver coletivamente as atividades são estimuladas também no espaço da sala de aula.
Durante minhas observações na escola pude constatar certo grau de autonomia dos alunos, nos limites estabelecidos pela organização do trabalho na sala de aula. Durante a execução dos trabalhos escolares, por exemplo, os alunos comentam e comparam os resultados, corrigem, discutem e refazem antes mesmo da correção ser feita pelo professor no quadro de giz. Em função disso, no momento da correção todos acertam. A correção é o momento de tornar visível o resultado obtido coletivamente.
Ainda para resolver o problema da multisseriação, o professor trabalha apenas uma matéria por dia, porém cada série tem atividades específicas, adequadas ao seu nível escolar. Na segunda feira todas as séries estudam Ciências, na terça, Matemática, na quarta, Português, na quinta, Estudos Sociais e na sexta-feira estudam a Língua Kambeba. O professor inicia a aula motivando os alunos para o desenvolvimento das atividades específicas e em seguida encaminha os trabalhos de cada uma das séries.
Nessa dinâmica o professor seleciona conteúdos de acordo com os condicionantes de sua prática, para torná-la a mais coletiva possível. Sob essa ótica, não importa ao professor Kambeba a ordem de assuntos imposta pelo livro didático, nem a abordagem da totalidade dos conteúdos ali estabelecidos, mas a aprendizagem efetiva daquilo que interessa a um Kambeba.
Esta é uma das maneiras, evidenciadas pela pesquisa entre os Kambeba, transformar práticas e sentidos veiculados pela escola, adequando-a a realidade, e conferindo-lhe um sentido coletivo e participativo.
No dinamismo da cultura Kambeba, a escola vai sendo apropriada e ressignificada pela intervenção da coletividade. Desta forma, apesar das contradições, reproduções e seduções características desta instituição, ela pode assumir os princípios, as funções, os conteúdos relevantes para o povo em suas relações internas e externas.
A escola kambeba vincula-se aos projetos mais amplos de futuro do povo, contribuindo para a continuidade das tradições, para a compreensão da realidade, para o domínio dos conhecimentos que podem colaborar para a garantia dos direitos assegurados constitucionalmente aos povos indígenas.
A realização deste estudo confirma a posição de Nóvoa (1995) para quem "a análise das instituições escolares só tem sentido se for capaz de abrir o pensamento a outros possíveis.
E só tem utilidade se tiver inteligência de perceber os seus limites. (...) É preciso olhar para a escola como uma topia, isto é, como um tempo e um espaço onde podemos exprimir a nossa natureza pessoal e social.” (p. 42)
Abrir o pensamento para outros possíveis, eis o grande legado das pesquisas em realidades tão distintas, como a da aldeia Nossa Senhora da Saúde, do povo Kambeba. Aprender com eles essa resistência histórica, essa vontade de ser livre, essa ousadia cotidiana de desfazer amarras. Aprender com a multi-diversidade não apenas para variar o conteúdo de nossos estudos, mas para permitir que outras formas de organização social, política, educacional desconstruam o fetiche de que o modelo hegemônico é único. Abrir os horizontes educativos para provocar o estranhamento sobre as nossas próprias maneiras de fazer educação.
Em síntese, o que revela a pesquisa na escola Kambeba é a idéia de que a comunidade precisa encontrar formas de apropriar-se desta instituição, conferindo-lhe o sentido, controlando seus efeitos, valorizando os conhecimentos e as práticas cotidianas. É a certeza de que é a comunidade (docente, discente, os pais, os vizinhos, entre outros) que efetivamente tem o poder de transformar a escola, tomando-a espaço onde se exprime a nossa natureza social e pessoal.
A vida Kambeba, desvelada neste estudo, é inspiradora para se pensar e se propor novos paradigmas de relacionamento com a natureza, com as outras pessoas e com o sagrado.
Essa totalidade permite vislumbrar, no devir, uma sociedade mais humana, mais plural e solidária.

Referências Bibliográficas

FERNANDES, Florestan. Investigação etnológica no Brasil e outros ensaios. Petrópolis, Vozes, 1975.

FREIT AS, Luiz Carlos de. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Campinas, Papirus, 1995.

MELIÁ, Bartomeu. "Ação pedagógica e alteridade: por uma pedagogia da diferença" .Anais da Conferência Ameríndia de Educação e mais Anais do Congresso de Professores Indígenas do Brasil. 17 à 21 de novembro de 1997, Cuiabá, Secretaria do Estado de Educação/ Conselho de Educação escolar Indígena do Mato Grosso, 1998, p. 21 -28.

NOVOA, Antonio. "Para uma análise das instituições escolares". In: NOVOA, A. As organizações escolares em análise. 2a ed. Lisboa, Dom Quixote, 1995a, p. 13-43.

SILVA, Márcio Ferreira da. "A conquista da escola: educação escolar e movimento de professores indígenas no Brasil." Em Aberto, n. 63, Brasília: INEP, jul. /set. 1994, p.38-53.




Resumo
Este texto apresenta algumas reflexões sobre a organização do trabalho pedagógico da escola indígena da aldeia Kambeba. Partindo da análise dos processos educativos no contexto da aldeia, identifica as maneiras pelas quais a cultura Kambeba penetra e transforma o fazer pedagógico. Analisa também o papel do professor, um novo ator que passa a integrar a teia de relações sociais do povo Kambeba.


1 Vale destacar que a escola foi utilizada durante um longo período como estratégia para a integração dos povos indígenas à sociedade nacional- integracão que significa a dissolução das diferenças, imposição dos valores culturais hegemônicos

2 Ajuris são formas coletivas de trabalho, no estilo de mutirões, em que as famílias indígenas reunem-se para realizar a abertura de um roçado, o plantio, a limpeza da aldeia, entre outras atividades. Para este povo os ajuris tem um sentido cooperativo importante que colabora para manter a coesão do grupo, além de facilitar a execução dos trabalhos mais árduos.

3 O povo Kambeba foi forçado a abandonar sua língua materna, no violento processo de coerção física e simbólica a que foram submetidos todos os povos indígenas- e também povos migrantes- na década de 60. Com o surgimento do Movimento Indígena e indigenista, nos anos 1970-80 este povo reafIrma a sua identidade cultural. A partir de então o aprendizado da língua materna passa a constituir foco de atenção para eles.


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