Curitiba – Paraná sumário 1- sobre a Interpretação


Preconceito contra a roça



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Preconceito contra a roça


A sociedade brasileira, infelizmente, enxerga seu universo rural com preconceito. Em decorrência, menospreza a importância da agropecuária na geração do emprego e da renda nacional. Pior, atribui ao setor uma pecha negativa: o moderno está na cidade; o atraso, na roça.

Razões variadas explicam esse terrível preconceito. Suas origens remontam ao sistema latifundiário. Com a acelerada urbanização, o violento êxodo rural subverteu, em uma geração, os valores sociais: quem restou no campo virou passado. As distâncias geográficas do interior, a defesa ecológica, a confusão da reforma agrária, o endividamento rural, todos esses fatores explicam a prevenção contra o ruralismo.

Na linguagem popular, o apelido depreciativo é sempre da agricultura. Fulano é burro, vá plantar batatas! Nas finanças, o malandro é laranja. Que pepino, hein? Um grande abacaxi! Ninguém usa comparações positivas: íntegro como boi, bonito qual jequitibá! Na música, a sanfona, ou a viola, é brega. Pior de tudo, nas festas juninas, crianças são vestidas com calças remendadas, chapéu de palha desfiado e, pasmem, dentes pintados de preto para parecerem banguelas.

Triste país que deprecia suas origens. Um misto de desinformação e preconceito impede que a agricultura ressalte sua força e seu valor. As mazelas do campo — ainda são muitas — suplantam, na mídia, os benefícios da modernidade rural. Os meios de comunicação focalizam seus problemas e não as vitórias alcançadas. Miopia cultural. Xico Graziano. O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 25/7/2001 (com adaptações).


Julgue os itens a seguir.
39) O emprego de sinais de exclamação (§ 3º) marca o discurso indireto livre, ou seja, o que seria a fala de alguém.

40) O sinal de dois-pontos após a palavra “positivas” (§ 3º) poderia ser substituído pela expressão tais como, sem prejuízo para a correção gramatical do período.

41) A palavra “pasmem” (§3º) indica que o autor está se dirigindo às crianças fantasiadas de caipiras, como suas interlocutoras.

42) A palavra “mídia” (§ 4º) e a expressão “meios de comunicação” (§ 4º) estão sendo utilizadas com sentidos diferentes.
43) Seria correto e coerente transformar a frase nominal que encerra o texto para: Falta miopia cultural.

44) A utilização de “infelizmente” (§ 1º), “Pior” (§ 3º) e “Pior de tudo” (§ 3º) indica julgamento do autor em relação às informações do texto.

45) O primeiro e o último parágrafos apresentam a direção argumentativa do texto, que é favorável ao campo.

46) Uma das formas de dar consistência a uma argumentação é apresentar exemplos concretos, o que é feito pelo autor no terceiro parágrafo.

47) O fato de muitas pessoas terem abandonado a vida rural e ainda nutrirem nostalgia do campo atenua o preconceito contra o que é rural.


Texto 12
Somando-se todos os agronegócios, estima-se que 25% do produto nacional origina-se do campo, que emprega 40% da força de trabalho, gerando US$ 15 bilhões de superávit na balança comercial. Sem essas divisas, o país quebrava. O suor dos agricultores e trabalhadores rurais conjumina-se com o avanço tecnológico. O Brasil encantou o mundo com sua participação no Projeto Genoma, decifrando o código genético da bactéria do amarelinho, praga que ataca a citricultura. Agora, acaba de ser anunciado que a EMBRAPA vai exportar moscas estéreis e ácaros predadores para auxiliar no controle biológico da agricultura mundial. O campo se transforma, avança, enquanto a ideologia urbana ainda enxerga o Jeca Tatu.
48) O último período do texto acima apresenta idéias opostas às do primeiro parágrafo do texto 11.

49) Os dados e informações do texto acima constituem uma exemplificação do que foi anunciado no texto 11 (§ 4º) pelas expressões: “sua força e seu valor”, “benefícios da modernidade rural” e “vitórias alcançadas”.

50) No texto acima, na expressão “suor dos agricultores e trabalhadores rurais”, a palavra “suor” é um recurso semântico que toma a parte pelo todo.

Página 13


Texto 13
O homem, como ser histórico, é o construtor autor da sociedade e o responsável pelo rumo que ela venha a tomar. Tornamo-nos seres humanos na dialética mesma da hominização, ao produzirmos e transformarmos coletivamente a cultura e nos construirmos como sujeitos.

A nossa cultura atual, eivada de violências físicas e simbólicas, tem levado os seres humanos à massificação, à desumanização e à autodestruição. Fazendo frente a essa crise, a Cultura da Paz surge como uma proposta da ONU que tem por objetivo conscientizar a todos — governos e sociedades civis — para que se unam em busca da superação da falência do nosso paradigma atual, conclamando para a construção de um novo modelo substitutivo, assentado em ações, valores e princípios calcados em uma nova ética social, no respeito à diversidade cultural e na diminuição das desigualdades e injustiças.


Editorial. Revista da Faculdade de Educação do Estado da Bahia. Ano 10, n.º 14, jan./jun., 2001 (com adaptações).
Julgue os itens seguintes, acerca do texto acima:
51) O aposto “como ser histórico” (linha 1) esclarece ou justifica as razões das características de homem que o período sintático apresenta a seguir.

52) A idéia de hipótese que o emprego de “venha” (linha 3) confere ao texto pode ser alternativamente expressa por porventura vem, sem prejuízo da argumentatividade e da correção gramatical do texto.

53) Preservam-se a correção gramatical e a coerência do texto ao se substituir o aposto “eivada (...) simbólicas” (linhas 7 e 8) pela seguinte oração subordinada: de que foi infectada por violências físicas e simbólicas.

54) A inserção de uma vírgula logo depois de “ONU” (linha 11) respeitaria as regras gramaticais, mas provocaria ambigüidade de interpretação sobre quem teria “por objetivo conscientizar” (linha 11).

55) As expressões “paradigma atual” (linha 14) e “novo modelo” (linha 15) correspondem a duas possibilidades diferentes de éticas sociais: a primeira leva à desumanização e à autodestruição; a segunda busca a superação da violência pela paz.


Texto 14
O que importa para os proponentes do desarmamento da população é o sentimento de estar “fazendo algo” para acabar com a violência, mesmo que o tal “algo” seja absolutamente inócuo.

Desarmar a população só pode trazer dois resultados. O mais imediato é a continuação e até o recrudescimento da violência, já que os bandidos vão contar com a certeza de que ninguém terá como reagir. O resultado mais remoto — mas nem por isso desprezível — é deixar a população indefesa frente a aventuras políticas. Quem duvida, procure a seção de História da biblioteca mais próxima.

Paulo Leite. Desarmamento e liberdade. In: Internet:




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