Curitiba paraná ocepar/sescoop-pr 2005 sistema ocepar sescoop-pr presidente



Baixar 293.48 Kb.
Página1/4
Encontro05.08.2016
Tamanho293.48 Kb.
  1   2   3   4
LEONARDO BOESCHE

FIDELIDADE COOPERATIVA

UMA ABORDAGEM PRÁTICA

CURITIBA - PARANÁ

OCEPAR/SESCOOP-PR

2005

SISTEMA OCEPAR

SESCOOP-PR
Presidente:

João Paulo Koslovski


Conselho Administrativo

Titulares:

Alfredo Lang

Luiz Lourenço

Guntolf van Kaick

Josiany de Fátima Rolo
Suplentes:

Frans Borg

Sérgio Luiz Panceri

Célia Hoffmann


Conselho Fiscal:

Titulares:

Orestes Barrozo Medeiros Pullin

Gabriel Nadal

Eurico Woitowicz


Suplentes:

Jacir Scalvi

Francisco Augusto Sella

Carmem Teresa Zagheti Reis


Superintendente:

José Roberto Ricken



SESCOOP-PR
Presidente:

João Paulo Koslovski


Conselho Administrativo

Titulares:

Alfredo Lang

Luiz Lourenço

Guntolf van Kaick

Josiany de Fátima Rolo
Suplentes:

Frans Borg

Sérgio Luiz Panceri

Célia Hoffmann


Conselho Fiscal:

Titulares:

Orestes Barrozo Medeiros Pullin

Gabriel Nadal

Eurico Woitowicz


Suplentes:

Jacir Scalvi

Francisco Augusto Sella

Carmem Teresa Zagheti Reis


Superintendente:

José Roberto Ricken




SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................

A COOPERATIVA – CONCEITOS FUNDAMENTAIS........

EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA................................

2.1. “Cooperativa dos Probos Pioneiros de Rochdale”..

2.2. Princípios cooperativistas............................................

2.3. Cooperativismo Paranaense e a Educação Cooperativista

FUNDAMENTOS DA COOPERATIVA .....................

FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO DE

UMA COOPERATIVA......................................................

A CONSTRUÇÃO DA COOPERATIVA......................

A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO...............

A ORGANIZAÇÃO DO QUADRO SOCIAL.............

7.1. Comitê Educativo.........................................................

7.2. A Organização dos Cooperados.................................

7.2.1. Objetivos do Comitê Educativo Integrado........

7.2.2. Estrutura do Comitê Educativo Integrado........ 7.2.2.1. Núcleos de Desenvolvimento...................... 7.2.2.2. Comitê de Entreposto.................................... 7.2.2.3. Comissões por Produto................................. 7.2.2.4. Comitê de Integração.....................................

7.3. Exemplos bem sucedidos com a Organização

dos Cooperados....................................................................

7.3.1. COPACOL – Cooperativa Agrícola Consolata...........................................................................

7.3.2. LAR – Cooperativa Agroindustrial Lar..............

7.3.3. COAGRU – Cooperativa Agropecuária Ubiratã.................................................................................

A ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ........................

8.1. Seqüência sugerida na Organização da Produção....

8.2. Planilha de Acompanhamento....................................

8.2.1. Avaliação dos resultados.........................................

8.2.2. Conclusões a partir da Planilha de

Acompanhamento...............................................................

A ASSISTÊNCIA TÉCNICA...........................................

CONSIDERAÇÕES FINAIS...........................................

BIBLIOGRAFIA................................................................

APRESENTAÇÃO
A publicação “Fidelidade Cooperativa: uma abordagem prática” certamente servirá como riquíssima fonte de consulta para todas as pessoas interessadas em conhecer o cooperativismo pelo seu lado prático.
O autor, engenheiro agrônomo Leonardo Boesche é um profundo conhecedor da filosofia, ideologia, da doutrina, dos princípios e, sobretudo, das boas práticas da cooperação.
Trabalhou assessorando e gerenciando cooperativas em nosso Estado, período no qual conseguiu reunir ações teóricas e práticas e transformou ações em ferramentas de auxílio para que essas sociedades se estruturassem e crescessem de forma organizada e voltadas aos interesses dos seus verdadeiros donos, os cooperados.
De leitura fácil e com um excelente conteúdo, o livro enfoca desde os fundamentos para constituição de uma sociedade cooperativa até exemplos práticos e casos de sucesso de organização do quadro social.
Acreditamos que esta publicação será um sucesso, tanto como fonte de consultas, como para ações a serem implementadas nas cooperativas.
Nossos cumprimentos ao autor, que atualmente dedica seus conhecimentos à Gerência de Desenvolvimento Humano do Sescoop Paraná pela iniciativa. E o desejo de que a publicação abra o caminho para que mais pessoas possam também colocar no papel suas experiências, transformando-as em obras como esta que engrandece o Cooperativismo.
Uma boa leitura a todos.

João Paulo Koslovski

Presidente do Sistema Ocepar


INTRODUÇÃO
Não é mais segredo. Para a maior parte das empresas, a fidelidade do Cliente é a chave para a lucratividade e o crescimento futuro” – Gary Heil.
65% dos negócios de uma empresa vem de Clientes já existentes e não de novos” American Management Association.
O associado com ‘voz’, não sai da cooperativa

Nova Geração de Cooperativas – EUA.


A cooperativa não tem sócios. São os sócios que têm a cooperativa

Nova Geração de Cooperativas – EUA.


Como podemos observar nas quatro frases acima, por parte de qualquer empresa, seja ela cooperativa ou não, existe uma preocupação ou até mesmo uma necessidade em relação à fidelidade do cliente. Mas como analisarmos esta situação em uma sociedade cooperativa? Se levarmos em consideração que na cooperativa o cooperado desfruta (ou deveria desfrutar), de dupla função – ser ao mesmo tempo “dono” e “usuário” dos produtos e serviços da cooperativa – por que a fidelidade pode ser considerada um fator relevante na sociedade?

O objetivo deste trabalho não é investigar as causas dessas possíveis infidelidades do quadro social, nem tão pouco apontar soluções para o problema. Mas fazer uma reflexão sobre o problema apresentado, com embasamento na experiência profissional do autor em trabalhos realizados junto à organização do quadro social de cooperativas agropecuárias do Estado do Paraná, associados aos fundamentos teóricos da doutrina cooperativista, que foram buscados através de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema.

O trabalho, dividido em capítulos, versará sobre aspectos doutrinários, princípios do cooperativismo, organização do quadro social, organização da produção dos associados – e alternativas para melhorar a comunicação e a participação dos mesmos junto à sua cooperativa e conclusões. Com isso, pretendemos apresentar subsídios para uma reflexão sobre como melhorar a fidelidade, se é que fidelidade é realmente importante para a sobrevivência de uma organização cooperativa.

Para participar do RECOOP – Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias Brasileiras –, a cooperativa era obrigada a apresentar cinco projetos de desenvolvimento. Um desses projetos estava relacionado à “Organização e Profissionalização dos Cooperados”. Para desenvolver o projeto a cooperativa precisava apresentar um estudo para o tema, levando em consideração alguns aspectos. Entre eles podemos destacar a “seletividade associativa”, onde a cooperativa tinha a necessidade de apresentar um projeto de seleção do quadro social, passando a trabalhar com associados ativos e viáveis. Ou seja, havia a necessidade de eliminar o “peso morto”, pois a cooperativa precisa se profissionalizar, e para tanto, trabalhar com pessoas que apresentem reciprocidade. Precisava apresentar também uma mudança no perfil de “relacionamento entre cooperativa e cooperado”, de forma que o cooperado pratique a autogestão na concepção da palavra. Ele, como principal mandatário da organização, precisa ocupar o seu espaço como tal e por fim apresentar uma proposta de “capacitação dos cooperados”, para que este, mais consciente do seu papel, veja a cooperativa como uma oportunidade de negócios e não apenas uma instituição de caridade.

A fim de atingir os objetivos, o projeto de “Organização e Profissionalização dos Cooperados” precisava atender algumas linhas de atuação:

– Organização do Quadro Social;

– Organização da Produção;

– Profissionalização dos Cooperados.

Esses itens serão abordados com maior profundidade nos próximos capítulos deste trabalho, porém com a elaboração do projeto, alguns objetivos eram esperados. Com a seletividade associativa, em curto prazo se esperava uma redução do quadro social, pois se estaria trabalhando com cooperados ativos e viáveis. Com a organização da produção, o aumento das receitas era uma meta a ser atingida. A profissionalização dos cooperados fatalmente levaria a cooperativa a ter um quadro social mais participativo, com aumento significativo na fidelização dos cooperados, estes mais especializados e organizados. A fidelização está relacionada à mudança no relacionamento entre cooperativa e cooperado, pois com melhores serviços e mais profissionalizada, os resultados financeiros poderiam ser melhores e com isso conquistar a preferência dos seus cooperados.

Com o passar dos anos, o Programa RECOOP cumpriu com os objetivos, principalmente naquelas cooperativas que levaram a sério, a estruturação do projeto e sua prática. Precisamos hoje rever os objetivos, principalmente os dos programas relacionados ao quadro social, fazendo uma profunda avaliação de como estamos atuando e quanto está sendo produzido com o relacionamento junto ao quadro social. Desenvolver idéias para integrar o trabalho dos associados ao desenvolvimento da cooperativa, criando ferramentas para otimizar o relacionamento e comprovar os resultados. Lembre-se: o que não se mede, não se administra. Vamos abordar mais a esse respeito quando estivermos desenvolvendo o tema sobre a “organização da produção”.

Precisamos encontrar um modelo de organização do quadro social que estimule a participação, a criatividade, a reflexão, a discussão, o comprometimento e a tomada de decisão. Podemos afirmar que, para isso não existe uma fórmula pronta. Cada cooperativa precisa encontrar a sua forma de atuar, levando em consideração a sua história, aspectos culturais, etnias, localização geográfica, produtos e serviços oferecidos, entre outros fatores limitantes para o desenvolvimento do quadro social. Precisamos ter a consciência de que “é importante deixar de pensar pelas pessoas e passar a pensar com as pessoas”!

CAPÍTULO I

A COOPERATIVA – CONCEITOS FUNDAMENTAIS
A competição por novos mercados, a necessidade de crescimento como forma de sobrevivência das organizações, a queda do socialismo e os freqüentes questionamentos sobre o modelo capitalista, têm representado uma mudança profunda nos cenários macro-econômicos. E a cooperativa, nesse contexto, tem buscado o seu espaço modificando a sua forma da atuar, o que interfere nas relações junto ao seu quadro social.

São condições básicas para a manutenção da gestão, a modernização dos seus processos e sistemas. As cooperativas, da mesma forma, precisam adotar modernas técnicas de administração, absorvendo conceitos de qualidade total, re-engenharia e balanced scorecard, entre outros. E a referência passa a ser algo substancial para que seja realizada uma avaliação dos processos internos, buscando afirmações a respeito de decisões tomadas pela administração, validando os novos sistemas implantados. E onde as cooperativas buscam essas referências tão importantes para a sua administração? – No mercado. E isso, de maneira alguma pode ser entendido como um erro. E muito pelo contrário, buscar referências onde quer que estejam, será sempre bem vindo.

Pelo fato da cooperativa estar inserida num mercado que está cada vez mais competitivo e globalizado, isso pode acabar levando-a a agir como uma empresa comercial, simplesmente. Este é um risco, pois resulta na perda de sua principal identidade. Não devemos esquecer que a cooperativa é uma “empresa” diferente. Precisamos conhecer essas diferenças, respeitá-las, cultivá-las, difundi-las, e enfim, precisamos usufruir positivamente dessas diferenças. Ora, em qualquer programa de qualidade total, ou quando realizamos um planejamento estratégico, qual foi, a pergunta chave que fizemos? – “O que poderá nos diferenciar da nossa concorrência?” A cooperativa possui o maior diferencial que uma organização possa ter – “o fato de ser uma ‘empresa’ diferenciada das demais”. Temos na cooperativa o cooperado com a condição de dono e usuário dos seus produtos e serviços. A cooperativa que conseguir compreender adequadamente esse conceito e traduzi-lo na prática, conseguirá conquistar a preferência do seu público, e com isso, garantir a sua sobrevivência nesse mercado.

Para entendermos um pouco mais onde queremos chegar, vamos analisar com maior profundidade as diferenças mencionadas anteriormente. Em Ferreira, A.B.H. (Novo Aurélio Século XXI. 1999), vamos encontrar os seguintes significados para as palavras:

Cooperar - Agir ou trabalhar junto com outros, para um fim comum; colaborar. Agir conjuntamente para produzir um efeito; contribuir.

Cooperação - Ato de cooperar; colaboração; prestação de auxílio para um fim comum; solidariedade.

Cooperado - Pessoa que faz parte de uma cooperativa; cooperador. Pode apresentar as variáveis de associado, sócio ou membro da sociedade.

Cooperador - Que, ou aquele que coopera; colaborador.

Cooperativa - Associação de pessoas que exerce quaisquer atividades econômicas ou sociais em benefício comum.

Cooperativismo - Sistema econômico e social em que a cooperação é a base sobre a qual se constroem todas as atividades econômicas.

Cooperativista - Relativo às sociedades cooperativas ou ao cooperativismo. Pessoa adepta do cooperativismo.

Cooperativo - Que coopera. Em que há cooperação.


A cooperativa pressupõe duas entidades: a “associação de pessoas” e a “empresa comum”. Enquanto associação de pessoas, a cooperativa precisa buscar ações voltadas à participação do seu quadro social. Ela precisa ser democrática, participativa, mutualista, eqüitativa. Enquanto uma empresa comum, a cooperativa precisa estar focada no mercado, comprometida com os resultados, com as inovações tecnológicas, visando sempre a melhor prestação de serviços aos seus cooperados.

Talvez seja essa a primeira grande contradição mencionada por Roberto Rodrigues quando se refere ao cooperativismo, pois, se não houver entendimento entre a empresa cooperativa e a associação de pessoas, a instituição poderá ser uma grande contradição. Mas com base nessa premissa podemos afirmar que a vocação da cooperativa é a organização da atividade econômica dos cooperados, cujo resultado reverte em mais renda, melhor qualidade de vida e bem estar social da família cooperada. Ou seja, a utilização da empresa cooperativa para a viabilização da associação de pessoas e assim sucessivamente.

Segundo Wilhelm Jäger (As cooperativas brasileiras à luz da moderna teoria da cooperação. Curitiba, 1994. p: 12) “a cooperativa dentro da economia de mercado não implica que ela seja uma empresa, mas que ela tenha uma empresa, capacitando-se com isso, a beneficiar seus cooperados economicamente por meio da atividade de mercado. Portanto, a empresa que pertence a uma cooperativa serve exclusivamente aos seus membros cooperados”.

No cooperativismo encontramos aspectos e essências para o seu perfeito desenvolvimento. Encontramos duas dimensões: uma “dimensão social” e uma “dimensão econômica”. A dimensão social está relacionada à associação de pessoas e a dimensão econômica à empresa comum. A dimensão social a que nos referimos, não tem nada a ver com o social praticado em outros tempos no cooperativismo, ligado ao paternalismo e ao assistencialismo que não são atribuições de uma cooperativa. Ainda nos dias de hoje vemos algumas lideranças referindo-se negativamente a esse tipo de social. O social que apregoamos está relacionado ao fato do sócio ser o dono, ser o investidor, e que como tal, precisa ter oportunidades para participar do processo cooperativo. O social está relacionado à dinâmica da associação de pessoas, aos seus relacionamentos e suas funções.

Vemos na prática uma constante tensão entre essas duas dimensões, porém, quando uma das duas é subestimada, a cooperativa perde a sua identidade. O grande desafio é encontrarmos o ponto de equilíbrio entre as duas dimensões. Ou seja, encontrar o ponto de equilíbrio entre os interesses de cada membro da sociedade e os objetivos coletivos simbolizados nas necessidades da cooperativa em permanecer ativa, dinâmica e competitiva.

Se analisarmos a história do Cooperativismo paranaense a partir dos anos 70, vamos observar três fases distintas. A primeira, quando as cooperativas foram constituídas até o final dos anos 80, onde a dimensão social prevalecia, pois a cooperativa estava voltada quase que totalmente para o seu quadro social. As cooperativas eram tuteladas pelo Poder Público e a preocupação com o resultado financeiro era mínima, fazendo com que o aspecto social fosse privilegiado, chegando muitas vezes ao paternalismo e ao assistencialismo. A segunda fase teve início ao final dos anos 80 e foi marcada por uma forte mudança nas relações com o mercado, exigindo por parte da cooperativa, eficiência administrativa e financeira. Algumas cooperativas que não se aperceberam dessa mudança enfrentaram sérias dificuldades, tendo algumas delas desaparecido. A grande maioria daquelas que percebeu e se adequou à nova ordem do mercado, privilegiou a dimensão econômica tornando-se grandes e modernas empresas, adotando os mais eficientes conceitos de administração, deixando as relações com o cooperado para um segundo plano. A partir da segunda metade da década de noventa, passamos a viver uma nova realidade, ou seja, a busca do equilíbrio: uma empresa eficiente, bem administrada e com um quadro social participativo e comprometido. A conquista da fidelidade do cliente tem sido uma tônica em qualquer empresa que busca a sobrevivência nesse mercado competitivo. Com a cooperativa não pode ser diferente, pois vemos uma diferença marcante nesse relacionamento onde o cooperado ocupa ao mesmo tempo a característica de dono e usuário dos serviços.

A cooperativa, enquanto empresa, tem uma função social muito importante, definida pelos princípios cooperativistas que regem a doutrina do Cooperativismo, os quais fundamentam a constituição das sociedades cooperativas existentes. A falta de entendimento entre as dimensões social e econômica, leva a cooperativa a crises de identidade ao longo de sua história, devido à existência de fortes pressões internas e externas. A cooperativa nasce a partir de um forte movimento social, se organiza economicamente e depois deve equilibrar as duas dimensões na busca de excelência dos seus produtos e serviços.

A cooperativa é regida por duas normas: uma de caráter “igualitária” e outra de caráter “eqüitativa”. A igualdade se manifesta no processo decisório da associação de pessoas, onde cada membro da sociedade possui o mesmo direito – um voto. Já a eqüidade se manifesta no processo operacional, ligado à empresa comum, à dimensão econômica, onde, por exemplo, o retorno do resultado é proporcional às operações individuais de cada cooperado. A essa norma poderíamos estar associando a questão da diferenciação de preços a ser praticada pela cooperativa ou não, mas esse não é o tema do estudo. Podemos afirmar que a diferenciação de preços é mais uma questão ligada a custos do que a doutrina cooperativista, como é apregoada por alguns de seus opositores.

O axioma da igualdade cooperativista não quer dizer; a longo prazo, que todos os membros recebam, independentemente de sua respectiva participação, pagamentos iguais. Significa que os membros que participam de modo idêntico (tendo como exemplo, recebido o mesmo volume de encomendas) devem ser equiparados. A diferenciação de preços entre grupos homogêneos de membros provoca o estímulo, evitando ao mesmo tempo as distorções de concorrência no que toca a empresa cooperativa. É preciso enfatizar que a cooperativa constitui uma sociedade de vantagens e não uma sociedade de distribuição. Somente quando o membro mais produtivo participa em grau maior do produto global obtido, então será estimulado a produzir ainda mais; e somente neste caso, os membros menos produtivos serão motivados a fazer o mesmo, aumentando a produtividade e a sua cooperativa. Instituir uma compensação de produtividade em nível financeiro pode constituir-se num feito social, mas ainda não será um fato cooperativo. Pois, a cooperativa não deverá oferecer compensações aos menos produtivos, e sim, apoio para que estes últimos, pelo próprio esforço, se tornem mais produtivos” (Jäger W. Curitiba, 1984. p:14 e 15).

Na figura abaixo, demonstramos a relação existente entre os conceitos estudados até o momento, relacionando-os, ainda, com os princípios cooperativistas que serão analisados no capítulo II.


Vamos encontrar algumas frases históricas que podem dar algum entendimento a respeito. Saint-Simon (1760-1825) eternizou a seguinte frase: “A cada um, segundo a sua capacidade e a cada um, segundo as suas obras”. Charles Fourier (1772-1837), por sua vez, deixou a seguinte contribuição: “O resultado dos esforços devem ser divididos nas seguintes proporções: quatro doze avos devem ser destinados ao capital, cinco doze avos ao trabalho e três doze avos para o talento”. Na verdade o ensinamento que ambos nos deixam é o de que a eqüidade, associada à dimensão econômica, é um estímulo ao trabalho do homem.

Fundamentado nos conceitos abordados até o momento, poderíamos definir a cooperativa da seguinte forma: Cooperativa é o somatório dos interesses individuais de cada membro da sociedade. Quando os interesses individuais coincidem ou não se opõem aos interesses coletivos da comunidade, então ocorre a cooperação.

“Ainda segundo Wilhelm Jäger”: se os interesses individuais não forem substituídos pelo interesse do grupo, e sim, tornar-se evidente que o interesse individual pode ser melhor realizado com o auxílio do grupo, então é preciso concluir pela afinidade com a economia de mercado, pois não há outro modelo, além da economia de mercado, em que o interesse individual possa impor-se melhor. Neste sentido, a análise de perspectivas em longo prazo das cooperativas brasileiras, deverá iniciar-se com a avaliação dos interesses individuais, determinando ainda, qual o espaço regulamentado para a realização da autonomia individual” (Jäger W. Curitiba, 1984 p. 12).

Portanto se houver sinergia entre os interesses do quadro social, esta cooperativa irá desfrutar de um somatório positivo de interesses, caso contrário, terá que trabalhar para buscar esta sinergia. Para que haja fidelidade cooperativista é importante que haja sinergia nos interesses dos membros que compõem a sociedade. Como já vimos anteriormente, “associado com ‘voz’ não sai da cooperativa”. Não sai porque os seus interesses estão em sintonia com os interesses coletivos e ele passa a se sentir parte integrante no processo. Precisamos pensar como “empresa”, sem deixar de ser cooperativa.

CAPÍTULO II

EDUCAÇÃO COOPERATIVISTA
A história nos traz conhecimentos importantes. Precisamos aprender com ela. Constituída em 1895, a ACI – Aliança Cooperativa Internacional, surgiu com a finalidade de preservar os princípios universais do cooperativismo, além de difundir a doutrina em todas as nações do mundo, independente do modelo político adotado. Para os cooperativistas, conhecer a história e os seus fundamentos é de vital importância para compreender a realidade em que atua junto à sua cooperativa, pois a história, com freqüência tende a se repetir ao longo dos anos. Por outro lado, é difícil entender a cooperativa sem conhecer as razões que levaram à sua constituição.

Por esses motivos, dedicamos este capítulo ao estudo da história e da doutrina cooperativista, para conhecer um pouco da realidade que envolveu os primeiros anos de funcionamento da Cooperativa dos Probos Pioneiros de Rochdale. Vamos estudar os princípios cooperativistas e a sua evolução. E, finalmente, vamos conhecer um pouco da história bem sucedida do cooperativismo paranaense, como fundamento de muitos pensamentos que colocamos neste trabalho.

  1   2   3   4


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal