Curso completo de história da música a música milenar sentida e ouvida através da história do homem



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CURSO COMPLETO DE HISTÓRIA DA MÚSICA

A música milenar sentida e ouvida através da história do homem


Ficha nº: 5

Módulo: 2

Período: 2B




©Fernando Santiago dos Santos — Todos os direitos reservados ao autor — “Curso completo de História da Música” — 2001







MÚSICA CLÁSSICA (sinfonias, divertimentos, músicas para piano, estilo galante, forma sonata)

VISÃO GERAL


Chegamos a um curto período da história musical, de cerca de 60 ou 80 anos apenas. Sua brevidade, porém, deixou marcas indeléveis na humanidade, na inspiração dos músicos e na paixão da alma. O Classicismo resgatou o equilíbrio e a beleza da arte antiga, retomando um estilo galante, leve, claro. É como se comparássemos a música clássica a um copo de cristal: pode-se ver nitidamente o que há dentro do copo, pois este é transparente. Assim é a música clássica de Mozart, Haydn, dos filhos de Bach e do início da produção musical de Beethoven: leve, transparente, equilibrada.



CARACTERÍSTICAS MUSICAIS


Se o Barroco foi um período curto na história da música, o Classicismo foi bem mais curto — cerca de 60/80 anos (exatamente entre 1750 a 1810 ou 1825). Não se deve confundir a palavra clássico (=erudito), como oposto de popular, com Clássico (com C maiúsculo), indicador do período. Vamos ao panorama rápido da Música Clássica:
  1750  Início do Classicismo, com os filhos de Bach e Stamitz

  1750 a 1770  Estilo galante (fase inicial do período)

  1770 a 1810  Classicismo maduro, pré-romântico
A Música Clássica caracteriza-se:


  1. por ser mais leve, de tessitura mais clara e menos complicada que a barroca; é principalmente homofônica — a melodia sustentada por acompanhamento de acordes (mas o contraponto continua presente);

  2. pela ênfase na beleza e na graça da melodia e da forma, proporção e equilíbrio, moderação e controle; refinada e elegante no caráter, com a estrutura formal e a expressividade em perfeito equilíbrio;

  3. pela maior variedade e contraste em uma peça: de tonalidades, melodias, ritmos e dinâmica (agora utilizando o crescendo e o sforzando); freqüentes mudanças de disposição e timbres;

  4. pelas melodias tenderem a ser mais curtas que as barrocas, com frases bem delineadas e cadências bem definidas;

  5. pelo crescimento da orquestra, em tamanho e âmbito; o cravo contínuo cai em desuso e as madeiras tornam-se uma seção independente;

  6. pela substituição do cravo pelo piano: as primeiras músicas para piano são pobres em tessitura, com largo emprego do baixo de Alberti (Haydn e Mozart), mas depois se tornam mais sonoras, ricas e vigorosas (Beethoven);

  7. pela importância da música instrumental — muitos tipos: sonatas, trios, quartetos de cordas, sinfonias, concertos, divertimentos etc.;

  8. pelo aparecimento da forma sonata como a concepção mais importante, utilizada para construir o primeiro movimento de quase todas as grandes obras, mas também em outros movimentos, e em peças isoladas (como as aberturas).



ANÁLISE

Sugere-se a audição das principais gravações a seguir (ou a execução das obras, no caso de partitura e instrumentos disponíveis):

 Um quarteto de cordas de Haydn

 Uma sinfonia de Haydn

Uma sonata de Mozart

 Uma sonata para piano de C. P. E. Bach ou J. C. Bach

 Uma sinfonia de Mozart

 O primeiro movimento de Eine kleine nachtmusik de Mozart

 Um concerto de Mozart

 Um trecho de Orfeu e Eurídice de Gluck



Uma obra qualquer de Stamitz


REPRESENTANTES PRINCIPAIS


Se a tarefa de listar nomes para os períodos anteriores era coisa difícil, no Classicismo tudo torna-se mais simples. Vamos aos expoentes desse período:

Johann Wenzel Stamitz (/iôrhan vêntzel shtamitz/) originário da Boêmia, cultivou a forma sonata e foi um dos iniciadores do período

Gluck  alemão, compôs concertos para violoncelo e reestruturou a ópera, tornando-a mas acessível ao povo

Carl Philip Emanuel Bach  um dos mais famosos filhos do barroco J. S. Bach, responsável pelas primeiras obras em estilo galante para piano e não para cravo

Johann Christian Bach  outro filho de J. S. Bach, também desenvolveu peças ao estilo galante e contribuiu para o acervo de músicas para teclado (cravo e piano)

Joseph Haydn (/ioséf háidin/)  junto a Mozart, levou o Classicismo à sua mais alta refinação e estilo; compôs inúmeros concertos, sinfonias e quartetos para cordas, além de divertimentos e outros estilos

Wolfgang Amadeus Mozart (/volfgáng...môtzart/)  considerado como um dos mais famosos gênios da música de todos os tempos, o jovem Amadeus imprimiu uma energia nova ao período, compondo de modo inovador, revolucionário e livre; é, com certeza, o maior expoente da Música Clássica

Ludwig van Beethoven (/lúdvig fân bêtoven/)  embora seja considerado mais como um compositor romântico, a fase inicial de Beethoven foi realmente Clássica, compondo sinfonias e concertos

CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS


Podemos citar os seguintes estilos da Música Clássica:

Estilo galante — estilo da primeira fase, amável, cortês, que visava principalmente agradar ao ouvinte

Música para piano — o instrumento, que fora provavelmente inventado em 1698 na Itália (“cravo com forte e piano”), ganhou partituras escritas especificamente para ele, obtendo o máximo de suas qualidades estruturais

Baixo de Alberti — acompanhamento em que a mão esquerda toca, durante toda a música, acordes quebrados, dando apoio à melodia

Sonata — vem do verbo sonare (“soar”). Obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos no máximo (por exemplo, para piano e violino ou somente para piano ou violino). Havia, entretanto, outros tipos de sonatas, que recebiam nomes específicos, como os trios, os quartetos e os quintetos

Quarteto de cordas — sonatas para quatro instrumentos de cordas, a saber, violino, viola, violoncelo e contrabaixo, ou dois violinos, viola e violoncelo

Sinfonia — do grego symphonos (“soar em conjunto”). Nada mais era que uma sonata para orquestra; inicialmente, com três movimentos, posteriormente adotou quatro movimentos, para diferenciá-la do concerto (que sempre tem três movimentos)

Forma sonata — estilo musical de um movimento de uma obra, e não uma obra inteira (não confundi-la com sonata)

NOVIDADES MUSICAIS

São marcos do Classicismo: A) o estilo galante da primeira fase, não muito profundo, mas belo ao ouvido; B) aumento da partitura, que já contém 12 ou mais linhas de composição; C) músicas escritas para piano e não para cravo; D) a utilização do Baixo de Alberti como estilo amplamente difundido; E) a padronização da sinfonia; F) a definição da Forma sonata (exposição, desenvolvimento, recapitulação, coda); G) a contextualização da ópera, que deixa de ser suave e transforma-se em motivo de crítica social (esp. em Mozart).




INFLUÊNCIAS FUTURAS

É inegável o legado deixado por Mozart, Haydn e Beethoven no período que logo sucedeu à música do Classicismo. A forma sonata e a definição dos padrões da sinfonia foram marcos decisivos para a colossal obra inaugurada por Beethoven no início do séc. XIX (Romantismo). A preocupação da parte instrumental sobre a parte vocal acabou colocando a música secular acima da música sacra (o que viria a concretizar-se de fato no séc. XIX). A produção acelerada do piano fez os compositores dedicarem-se mais a ele.



INSTRUMENTOS MUSICAIS

A instrumentação clássica, na verdade, é a continuidade do que houve no barroco, essencialmente violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, oboés, flautas, clarinetas, trompetes, trombones, címbalos, trompas, fagotes, harpa, cravo e percussão.




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