Curso completo de história da música a música milenar sentida e ouvida através da história do homem



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CURSO COMPLETO DE HISTÓRIA DA MÚSICA

A música milenar sentida e ouvida através da história do homem


Ficha nº: 3

Módulo: 1

Período: 1C




©Fernando Santiago dos Santos — Todos os direitos reservados ao autor — “Curso completo de História da Música” — 2001







MÚSICA DA RENASCENÇA (árias, madrigais, danças, balés, ricercares, canzonas, fantasias, consorts)

VISÃO GERAL


A languidão medieval deu lugar à euforia da Renascença. Época dos grandes descobrimentos, das saídas ao mar e do capitalismo, a Renascença trouxe, para a música, novos estilos e nova visão de mundo, muito mais antropocêntrica. O homem passou a ser mais importante e a música renascentista tende a demonstrar toda a dimensão da exaltação da humanidade, de suas angústias, seus amores, suas lamúrias, seus desenganos, suas vitórias e suas derrotas. Surgem instrumentos novos, corais mais rebuscados e uma sensação de grandiosidade, seguida posteriormente pelo Barroco.



CARACTERÍSTICAS MUSICAIS


A Renascença é a época do redescobrimento dos valores humanos. É a volta à humanidade, às delícias da vida e dos prazeres. Embora muito do que se tenha produzido durante a Renascença pertença à esfera religiosa, temos um registro da produção secular bastante amplo, que nos permite visualizar o âmbito musical deste período. Foi um período de tempo médio de 150 anos (relativamente pequeno quando comparado aos mais de dez séculos da Idade Média).

Vamos ao panorama rápido da Música Renascentista:


  1450  Início da Renascença, com Josquin des Prez

  1450 a 1525  Período dos compositores flamengos

  1525 a 1575  Período dos compositores ingleses e italianos

  1575 a 1600  Final da Renascença e transição com o Barroco


A Música Renascentista caracteriza-se:

  1. pelo uso de modos, porém com maior liberdade, à medida que vai aumentando o número de “acidentes” introduzidos nas músicas;

  2. pelas tessituras mais cheias e ricas em músicas escritas para quatro ou mais vozes; a parte do baixo vocal é acrescida à do tenor;

  3. pela utilização da combinação mais que o contraste, na tessitura musical (oposto ao que ocorreu na Idade Média);

  4. pela harmonia, onde há maior preocupação com o fluxo e a progressão dos acordes, com as dissonâncias sendo tratadas de forma menos rígida;

  5. pela música sacra, onde algumas peças destinadas à execução a capella, freqüentemente contrapontísticas, denotam uma tessitura de fluxo contínuo, sem remendos, e pelas peças policorais em estilo antifônico (“estéreo”);

  6. pela música profana, onde há rica variedade de músicas de canto, de danças e de peças instrumentais, muitas copiando o estilo vocal, mas outras genuinamente ligadas a instrumentos, e não a vozes;

  7. pelos timbres característicos dos instrumentos renascentistas, muitos formando famílias (um mesmo instrumento, em vários tamanhos e tons, como a família das flautas-doces).


ANÁLISE

Sugere-se a audição das principais gravações a seguir (ou a execução das obras, no caso de partitura e instrumentos disponíveis):

Absalon Fili Mi, de Josquin des Prez

Missa Papae Marcelli, de Palestrina (pelo menos o Agnus Dei)

 Músicas de Lutero no Hinário Protestante (como Nosso Deus ainda é uma cidadela segura)

 Um villancico espanhol, como Hoy comamos y bebamos, de Juán del Encina

 Uma canção francesa, como Il est bel et bom, de Passereau

 Um madrigal italiano, como O primavera, de Monteverdi

 Um moteto policoral de Grabrielli

 Uma fantasia de Orlando Gibbons

 Um madrigal tradicional, uma ária e um balé


REPRESENTANTES PRINCIPAIS


É difícil a tarefa de listar nomes para o período da Música Renascentista. Há vários “anônimos” que passaram pela linha do tempo, deixando sua marca na produção musical, tal qual o que ocorreu durante a Idade Média. Os músicos seculares (“profanos”), entretanto, saíram do anonimato medieval e deixaram um legado surpreendente. Vamos aos principais nomes:

Josquin des Prez (/joscân deprê/)  denominado pelos contemporâneos como o “Príncipe dos Compositores”, iniciador do período, nos Países Baixos

Palestrinaitaliano que se dedicou à polifonia coral

Byrd (/bârd/)  inglês que se dedicou à polifonia coral

Lutero  alemão que se dedicou aos corais e ao hinário protestante

Juán del Encina (/huán delencína/)  espanhol famoso por suas danças e villancicos

Claudio Monteverdi  criou o gênero madrigal na Itália

Orlando di Lassoflamengo, um dos mestres da arte polifônica

Thomas Weelkes (/tomas uílks/)  mestre em madrigais elizabetanos

Thomas Morley (/tomas mórli/)  inglês, compôs madrigais e balés

John Dowland (/djôn dáuland/)  inglês, alaudista, escreveu árias

Giovanni Gabrieli (/djováni gabriéli/)  italiano, mestre na polifonia

Tylman Susato  flamengo, compôs danças e canções

É interessante sabermos que a lista de nomes seria muito maior, caso os tão prolíficos “Anônimos” não tivessem ficado apenas na memória de suas músicas e sim, nos registros oficiais.



CARACTERÍSTICAS ESTILÍSTICAS


Vários foram os estilos que caracterizaram a música renascentista. Entre eles, podemos citar os estilos a seguir:

Polifonia coral — estilo contrapontístico para um ou mais coros, com diversos cantores encarregados da parte vocal

Imitação — introdução, por uma voz, de um trecho melódico que, imediatamente depois, será repetido ou copiado por outra voz

Corais alemães — composições litúrgicas da então emergente Igreja Protestante, tal como concebida por Martinho Lutero

Canções — composições populares profanas, em estilo contrapontístico, muito comuns nessa época. Destacam-se, entre as canções renascentistas, a frótola italiana, o lied alemão, o villancico espanhol, a chanson francesa e o madrigal italiano

Madrigais elisabetanos — canções introduzidas na Inglaterra em 1558, com um solista para cada voz. Houve três tipos de madrigais na Inglaterra: madrigal tradicional, balé e ayre (ária)

Hinos — contrapartida do moteto, cantado em inglês, e não em latim. Havia os full anthem (hino completo), cantado pelo coro do princípio ao fim, sem acompanhamento instrumental, e os verse anthem (hino em versos), cantado pelo coro acompanhado de órgão ou violas

Consort — grupo de instrumentos tocando em conjunto (=concerto)

Canzona — canções italianas, utilizando grupos de instrumentos

Ricercar — as idéias melódicas eram tratadas usando a imitação
Fantasia — peça marcadamente contrapontística

Tocata — música genuinamente instrumental, geralmente para órgão

NOVIDADES MUSICAIS

Em relação à Música da Antigüidade, a Música Medieval trouxe muitas inovações, entre elas: A) o uso de vozes com linhas melódicas diferentes (polifonia); B) introdução dos acordes de quarta e sexta, e, posteriormente, uso da terça; C) variação rítmica e uso de novas técnicas de tessitura musical, mesclando instrumentos e vozes com timbres totalmente diversos; D) início das verdadeiras composições polifônicas




INFLUÊNCIAS FUTURAS

A Música da Renascença, tal como seu próprio período histórico, teve conseqüências bastante grandes nos períodos vindouros. Musicalmente, a Renascença acabou dando o ponta-pé inicial para o desenvolvimento da ópera barroca, dos grandes concertos e das partes musicais (principalmente as dos grandes corais, como os de Bach e de Händel) programáticas, como as missas e outras liturgias religiosas. É inegável o amplo espectro aberto pelas inovações estilísticas iniciadas na Renascença e desenvolvidas depois.



INSTRUMENTOS MUSICAIS

Muitos instrumentos renascentistas foram adaptações dos já utilizados instrumentos medievais. Ganharam força, entretanto, a seção dos metais, com instrumentos mais sofisticados. Como inovações, podemos citar: alaúde, violas, krumhorn, cervelato, sacabuxa, trompete, tímpanos, caixa clara, triângulo.




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