Curso de Psicologia ufms cpar



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Curso de Psicologia

UFMS - CPAR







  1. IDENTIFICAÇÃO

CURSO: Psicologia

DISCIPLINA: Fenômenos Sócio-Histórico II

PROFESSOR: Hélio Braunstein

ACADÊMICO: Dâmaris Alcídia da Costa Melgaço


QUESTÕES AVALIATIVAS (VALOR 2,0 pts)


  1. Descreva o processo de desenvolvimento da linguagem escrita no contexto social histórico cultural humano, e individual na microgênese infantil. Explique os conceitos de simbolismo de 1ª ordem e de 2ª ordem nesse processo.




  1. Qual o papel da atividade do brincar e do brinquedo no processo de desenvolvimento intrínseco/extrínseco e das funções psicológicas superiores?


Questão 1.
A palavra é uma matriz complexa que abarca diversas pistas, sons, estruturas, vocabulários e sentidos e que a depender da situação contextual é muito variável. A palavra é indispensável à fala, atividade pelo qual o indivíduo comunica-se oralmente e vocalicamente na transmissão de informação. Atividade, essa, chamada de “linguagem”. “A fala é baseada na palavra, mas também na frase, que é a unidade básica da expressão narrativa em que ocorre uma combinação de palavras em conformidade com as normas da língua” (LURIA, 1981, p. 269 apud MARTINS, 2013, p. 167).

A língua por sua vez representa um modo específico de comunicação linguística que opera por signos estruturados em vocabulário, gramática e sistema fonético que oferece interação e trocas comunicativas entre os indivíduos, sendo assim uma atividade intelectual (MARTINS, 2013, p. 167).

A partir do momento em que o homem passou a fazer representações objetais e de acontecimentos utilizando-se da palavra ele libertou-se “do campo sensorial imediato” para uma atividade evolutiva: o pensamento. A palavra, portanto, exige mediação de outros indivíduos, porque ela é uma condição social e desenvolvida nas relações sociais (MARTINS, 2013, p. 168).

Na criança a “voz” está posta a princípio como uma forma de linguagem, mas que está relacionada a um estado orgânico, emocional como um reflexo condicionado. A voz torna-se um substituto da linguagem mais elementar. Em seu primeiro ano de existência a linguagem infantil tem por base as reações incondicionadas (instintivas e emocionais) (VYGOTSKY, 1989).

Essas reações acabam por sua vez evoluindo e diferenciando-se ao longo do processo e a criança apropria-se da linguagem mais estruturada passando a cumprir uma função de contato social, no entanto, ainda não corresponde à linguagem propriamente dita, já que a relação está posta entre objeto e palavra sendo uma etapa “pré-linguística” (VYGOTSKY, 1989).

Existe, portanto, uma relação primária entre a palavra, percepção, representação ou imagem aonde umas palavras vão dando origem a outras palavras. Os signos não aparecem na criança espontaneamente, logo elas se apropriam daquilo que lhes é passado por outras pessoas e somente com o tempo tornam-se conscientes das funções que cada signo possui (MARTINS, 2013).

Gradualmente a palavra vai deixando de ser uma simples extensão objetal ou de propriedade para ser propriamente signo, para tanto o indivíduo passa a realizar conexões mais complexas entre objeto e funções, os equivalentes funcionais (etapa “linguística-fonética”). A criança aprende a função social dos signos iniciando o processo da comunicação em si e a necessidade de conhecer o mundo (MARTINS, 2013).

A aprendizagem da linguagem escrita exige esforço e atenção tanto de quem ensina como daquele que aprende. O primeiro gesto da criança são os desenhos e rabiscos e esses estão ligados à origem dos signos escritos (2ª ordem). O segundo são os jogos aonde a criança comunica aos outros o significado dos objetos. Ao se tornar hábito a linguagem falada, os desenhos iniciam-se como simbologias representativas (1ª ordem). Sendo a linguagem verbal a base para a escrita (VYGOTSKY, 1998).

Devagarzinho a criança vai transformando seus rabiscos simbólicos em figuras e desenhos que vão sendo substituídos por signos. A esse processo atribui-se a virada ou a movimentação que retira a criança da escrita pictográfica, levando-a para a ideográfica. Através do gesto, signo visual, a criança vai desenhando sua escrita no ar. A escrita, signo escrito, é a fixação dos gestos. A união dos gestos e da linguagem escrita faz parte dos jogos das crianças e alguns objetos podem indicar através de sinais ou indícios outros, substituindo-os e tornando seus signos (VYGOTSKY, 1998).

A brincadeira do faz-de-conta, portanto, é um dos grandes contribuidores para o desenvolvimento da linguagem escrita assim chamado simbolismo de segunda ordem, enquanto que no brinquedo bem como no desenho o significado surge, inicialmente, como simbolismo de primeira ordem (VYGOTSKY, 1998).


Questão 2.
O brinquedo é o principal mecanismo de desenvolvimento cultural da criança, ou seja, a criança vai se apropriando por intermédio do brinquedo das experiências sociais e culturais. Para tanto ela faz uso da imaginação e pode modificar tanto os objetos como os diversos comportamentos que o ambiente produz e disponibiliza (PAVEZI & LIMA, 2012).

A criança possui um poder imaginativo que é próprio da atividade de brincar e é o ponto chave do brinquedo, porém em bebês recém-nascidos essa capacidade não está presente. É apenas a partir dos três anos de idade que a criança começa experimentar a possibilidade de planejar uma ação que vai acontecer no futuro, ou seja, ela sai da imediaticidade para o desenvolvimento do pensar de forma abstrata e assumir e ensaiar papéis e valores dos adultos em seu meio social (VYGOTSKY, 1998).

O brinquedo assume a função de propiciar a criação da zona de desenvolvimento proximal aonde a criança começa a antecipar a aquisição da motivação, habilidades, valores e atitudes dos adultos para sua própria inserção na participação social. Além disso, a imaginação e o brinquedo contribuem para que as habilidades de formação conceitual da criança se ampliem e ela faça espontaneamente separação do significado e do objeto (VYGOTSKY, 1998).

“No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa além daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando” (PAVEZI & LIMA, 2012, p. 2856).

A fala recebe destaque porque contribui com a interação social da criança, bem como organiza o pensamento e a ação. A princípio a fala surge como função social unicamente externa e interpessoal. A posteriori a fala surge egocêntrica, pois a criança recriou os modelos de comportamento social intrinsecamente. Essa fala intrapessoal passa agora a servir ao pensamento racional e coerente e ao pensamento concentrado excessivamente em si próprio opondo-se ao mundo exterior (VYGOTSKY, 1989).
No desenvolvimento social da criança as funções psicológicas superiores surgem como um processo de reconstrução interna de uma operação externa. Isto acontece numa série de transformações em que uma operação que inicialmente se dá a nível externo, é reconstruída e começa a ocorrer internamente, um processo interpessoal se transforma em intrapessoal. Esta transformação de um processo interpessoal em intrapessoal é resultado de uma longa série de eventos ocorridos no decurso do desenvolvimento, e é denominada por Vygotsky (1991, p.63) “internalização” (PAVEZI & LIMA, 2012, p. 2858-2859).

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REFERÊNCIAS:


MARTINS, L. M. O desenvolvimento do psiquismo e a educação escolar: contribuições à luz da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica. Campinas: Autores Associados Ltda, 2013 - 317 p.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998, 194 p.
___________, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
PAVEZI, Marilza; LIMA, Laíse Soares. O papel da brincadeira e do brinquedo no desenvolvimento e aprendizagem da criança. IX Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”. Universidade Federal da Paraíba - João Pessoa. 31/07 a 03/08/2012 – Anais Eletrônicos, pp. 2853-2861. Disponível em: http: //www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario9/PDFs/3.58.pdf. Acesso em set. 2018.

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