Curso livre de teologia



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Curso Livre de Graduação – Bacharelado Faculdade de Educação Teológica Fama


FACULDADE DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA FAMA

CURSO LIVRE DE TEOLOGIA



HISTÓRIA DE ISRAEL

SUMÁRIO

Introdução

CAPÍTULO 1 - A Ocupação de Canaã

1.1. Era de conquistas

1.1.1. A conquista

1.1.2. A divisão de Canaã

1.2. Análise moral da conquista de Canaã

1.2.1. Devido à degradante religião de Canaã

1.2.2. Devido à sua cultura corrompida

1.2.3. Devido às admoestações e paciência de Deus

1.2.4. Devido à comissão divina de Israel

1.2.5. Devido às promessas da aliança feita por Deus



CAPÍTULO 2 - Condições Religiosas, Políticas e Sociais

2.1. Tempo de transição sob a liderança de Eli e Samuel

2.2. O primeiro rei de Israel

2.3. A união de Israel sob Davi e Salomão

2.3.1. União e expansão Davídicas

2.4. O rei de Judá

2.5. Pecado na família real

2.5.1. Pecado de Davi com Bate-Seba

2.6. Tragédia dos Filhos de Davi

2.7. A Era Áurea de Salomão

2.8. Estabelecimento do Trono

2.9. Organização do reino

2.10. A construção do templo

2.10.1. Dedicação do Templo

2.11. A apostasia e suas consequências

2.12. A monarquia unida

2.12.1. O reinado de Salomão marca o apogeu e declínio da monarquia israelita

2.12.2. A monarquia dividida

2.13. O reino do Norte (924 a 722 a.C.)

2.14. O reino do Sul

2.15. O papel dos profetas

2.16. O cativeiro

2.17. O período interbíblico

2.18. O Período Pérsico ( 537 a 330 a.C.)

2.19. O período grego (330 a 167 a.C.)

2.20. O período Macabeu ou Asmoneano (167 a 63 a.C.)

2.21. O período romano

2.22. O nascimento de Jesus

2.23. A restauração do estado de Israel a figueira brotando

Referências

INTRODUÇÃO

3000 (+ ou -) – Nasce Noé, que acha graça diante de Deus e foi escolhido para construir a arca que subsistiria ao dilúvio. Filho de Matusalém, o homem que mais viveu, segundo a Bíblia, que viveu cerca de 969 anos. Noé viveu 600 anos e então veio o diluvio que durou 375 dias. De Noé saíram Sem, Cão e Jafé. Os judeus são descendência de Sem.

2160 – Nasce Abrão em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia, que viria a ser o patriarca do povo judeu, possuídos da promessa feita por Deus. O Senhor o chamou e disse para que seguisse no deserto a caminho de uma terra desconhecida. Levando seu sobrinho Ló consigo chegou a Canaã prometida passando mais tarde para o Egito por causa da fome. Separaram-se Abraão e Ló e Deus lhe promete um Filho, apesar de sua idade avançada.

2060 – Isaque nasce (Gn 21.1-7). Como havia prometido Deus a Abraão, seria ele o primogênito de toda uma nação sendo um tipo de Cristo. Isaque casa-se com Rebeca e continua a genealogia de Jesus (Gn 24).

2000 – Nascem Jacó e Esaú, Jacó usurpa a bênção da progenitura de Esaú (Gn 27.1-45). Esaú ira-se contra Jacó e este foge em direção a Betel onde teve o sonho da escada com anjos. Jacó casa-se com Raquel, depois de ter sido enganado por Labão. Jacó e Esaú se reencontra. Jacó luta com Deus no Jaboque e tem o nome mudado para Israel Jacó teve doze Filhos que vieram a ser os doze patriarcas da tribo de Israel, e uma Filha, Diná.

1889 – Nasce José, o filho preferido de Jacó que foi vendido ao Egito por seus irmãos. No Egito prosperou pela mão do Senhor e se tornou ministro. Nesse tempo os Hicsos tinham o poder sobre o Egito por ocasião da queda da XIII dinastia egípcia.

1870 – Jacó e seus filhos descem para o Egito por causa da fome, José apesar de humilhado recebeu-os e cuidou deles (Gn 46). Os hebreus permanecem no Egito por 430 anos.

1580 – Nesse período os Hicsos são expulsos. A Síria e a Palestina tornaram-se tributárias de Egito. A terra é devolvida à coroa e os hebreus são escravizados.

1520 -Nasce Moisés. Totmés I governa o Egito. Moisés é colocado nas águas e encontrado pela Filha de faraó (Êx 2).

1497 – Totmés I morre e é substituído por Totmés II que reina só quatro anos.

1493 – Hatshepsut, que resgatou Moisés das águas torna-se rainha do Egito.

1480 – Moisés comete um homicídio e foge para Midiã, onde se casa com Zípora, filha de Jetro.

1448 – Moisés é chamado por Deus e volta ao Egito para livrar o povo (Êx 3.1; 4.31). Depois de contatar com Faraó e prevalecer através de sinais e prodígios, entre eles as dez pragas (Êx 5.1; 11.10) e celebrar a páscoa (Êx 12.1-13.19) o Senhor livra o povo através de Moisés depois de 430 anos assim como havia prometido a Abraão Isaque e Jacó (Êx 2.24).

1440 – O povo sai do Egito e vai em direção a terra prometida depois de verem os inimigos se afogarem no mar vermelho (Êx 14). No deserto as águas do mar se tornam doces (Êx 15) há provisão de cordonizes, maná (Êx 16.1-36) e água da rocha (Êx 17.1-7), depois disso surgem os problemas domésticos e externos, como a visita de Jetro e a batalha contra os amalequitas (Êx 17.8-16; 18.1-27). Deus faz chamada ao pacto (Êx 19.1-25) e dá o decálogo (Êx 20.1-21) e as leis litúrgicas (Êx 20.21-26), também as leis civis e criminais (Êx 21.1-22.17) e as leis morais e religiosas (Êx 22.18–23.19), Deus dá ordenanças a respeito do tabernáculo (Êx 24.1531.18), que é cumprida mais adiante (Êx 35.1-40.38). É feito um recenseamento (Nm 1.1-46) e Moisés envia espias à terra prometida (Nm 33.50-34.29).

1400 – Morre Moisés ao avistar a terra prometida do cume de Pisga, no monte Nebo, nas campinas de Moabe (Dt 34.1-12).

Capítulo 1

A OCUPAÇÃO DE CANAÃ

Chegara o dia há muito esperado. Tendo morrido Moisés, Josué foi comissionado a conduzir a nação de Israel na conquista da Palestina. Séculos se tinham passado desde que aos patriarcas fora prometido que seus descendentes herdariam a terra de Canaã. Neste ínterim, cada geração sucessiva das populações da Palestina fora influenciada por vários povos provenientes do crescente fértil. Motivados por interesses econômicos e militares, eles atravessavam a terra de Canaã de quando em vez.

O povo de Canaã não foi organizado em fortes unidades políticas. Fatores geográficos, tanto quanto a pressão de nações circunvizinhas, no crescente fértil, que se utilizavam de Canaã como território tampão, explicam o fato de que os Cananeus jamais foram um império forte e integrado. Numerosas cidades-estados controlavam tanto o território quanto possível, com a cidade bem fortificada de forma a resistir a possíveis ataques inimigos, quando Canaã era atravessada por exércitos. Essas cidades com frequência evitavam ser atacadas mediante o pagamento de um tributo. Entretanto, quando algum povo vinha ocupar a terra, como Israel fez sob Josué, essas cidades-estados formavam ligas e se uniam para resistir ao invasor. Isso é bem ilustrado no livro de Josué.

A localização da Palestina dentro do crescente fértil, e a configuração geográfica da própria terra, com frequência afetou seus desenvolvimentos culturais e políticos. Na palestina aluvial dos rios Tigre e Eufrates, bem como no vales do Nilo, Numerosas cidades-estados vassalas e pequenos principados ou distritos por mais de uma vez se uniram, formando uma só grande nação.

Isso não era facilmente realizado na Síria-Palestina, porquanto a topografia não se moldava a tais amálgamas. Em resultado disso, Canaã se achava em condições mais débil, já que nenhuma das cidades-estados se equiparavam em forças às tropas invasoras que vinham de reinos poderosos ao longo do Nilo ou do Eufrates. Ao mesmo tempo, Canaã era um prêmio cobiçado por essas nações mais fortes. Estando localizada entre os dois grandes centros da civilização, Canaã, com seus vales férteis, por muitas vezes esteve sujeita a invasões de potências maiores. Reinos minúsculos, sem forças suficientes para resistir a forças invasoras, achavam ser expediente humilhar-se momentaneamente, pagando tributos a algum reino, como o Egito. Contudo, com frequência, quando o invasor se retirava, os “presentes” eram interrompidos. Embora essas cidades-estados pudessem ser facilmente conquistadas, era difícil para os vitoriosos conservarem-nas como possessões permanentes.

A religião de Canaã era politeísta. El era reputado como principal divindade cananéia. Simbolizando como um touro entre um rebanho de vacas, o povo se referia a ele como “pai touro”, considerando-o criador. Asera era a esposa de El. Nos dias de Elias, Jesebel patrocinava a quatrocentos profetas de Asera (1Rs 18.19). O rei Manassés erigiu a imagem dela no templo de Jerusalém (2Rs 21.7). O primeiro dentre os setenta deuses e deusas que eram tidos como prole de El e Asera era Hadade, mais comumente conhecido pelo nome de Baal, que quer dizer “senhor”. Como monarca reinante dos deuses, ele controlaria os céus e a terra. Por ser deus da chuva e da tempestade, ele era o responsável pela vegetação e pela fertilidade. Anate, a deusa amante da guerra, era sua irmã e consorte. No século IX a.C., Astarte, deusa da estrela vespertina, era adorada como sua esposa. Mote, deus da morte, era o principal adversário de Baal. Iom, deus do mar, foi derrotado por Baal. Esses e muitos outros deuses são os primeiros a figurarem no catálogo do panteão cananeu.

Visto que as divindades dos Cananeus não teriam caráter moral, não é de surpreender que a moralidade daquele povo fosse extremamente baixa. A brutalidade e imoralidade que se destacam nas narrativas sobre esses deuses é algo muito pior que qualquer outra coisa vista no Oriente Próximo. E, posto que isso se refletia na sociedade cananéia, os Cananeus, nos dias de Josué, praticavam sacrifícios de crianças, a prostituição sagrada e adoração à serpente com seus ritos e cerimonias religiosas. Naturalmente, a civilização deles se degenerou debaixo dessa influência desmoralizadora.

As Escrituras testificam sobre essa sórdida condição, mediante Numerosas proibições que foram dadas como advertências aos israelitas. Essa degradante influência religiosa já se evidenciava nos dias de Abraão (Gn 15.16 e 19.5). Séculos mais tarde, Moisés encarregou solenemente o seu povo de destruir os Cananeus – não somente para puni-los por causa de sua iniqüidade, mas também para impedir a contaminação do povo escolhido por Deus (Lv 18.24-28; 20.33; Dt 12.31 e 20.17,l8).



1.1. Era de conquistas

A experiência e o treinamento haviam preparado Josué para a exaustiva tarefa de conquistar Canaã. Em Refidim, ele dirigiu o exército israelita na derrota imposta a Amaleque. Tendo sido espia, ele obtivera conhecimento em primeira mão sobre as condições vigentes na Palestina (Nm 13-14). Sob a tutela de Moisés, Josué foi treinado para a liderança, tendo sido preparado para dirigir a conquista e a ocupação da terra prometida.

Tal qual a narrativa sobre a peregrinação no deserto, o registro das atividades de Josué é incompleto. Não se faz qualquer menção à conquista da área de Siquém, entre o monte Ebal e o monte Gerizim, mas foi ali que Josué reuniu o povo inteiro de Israel para ouvir a leitura da Lei de Moisés (Js 8.30-35).

Muito provavelmente, muitas outras áreas e locais foram conquistadas e ocupadas, embora isso não seja aludido no livro de Josué. Durante o período da vida de Josué, a terra de Canaã foi tomada pelos israelitas, mas de modo algum foram expulsos todos os seus habitantes. Dessa maneira, o livro de Josué precisava ser considerado como relato apenas parcial dos empreendimentos de Josué.



1.1.1. A conquista

Acampado em Gilgal, o povo de Israel foi realisticamente preparado para viver em Canaã, como nação escolhida por Deus. Durante quarenta anos, enquanto a geração incrédula morria no deserto, a circuncisão, que servia de sinal de relação de pacto (Gn 17.1-27), não fora observada. Por meio desse rito, a nova geração foi dolorosamente relembrada do pacto e da promessa de Deus de que os introduziria na terra que “fluía leite e mel”. A entrada na terra também foi assinalada pela observância da Páscoa e pela cessão da provisão do maná. O povo remido, doravante, consumiria os frutos da terra.

O próprio Josué fora preparado para a conquista, mediante uma experiência similar àquela que tivera Moisés, quando Deus o convocou (Êx 3). Mediante uma teofonia, Deus insuflou em Josué a consciência de que a conquista da terra não dependia somente dele, mas que ele fora divinamente comissionado e dotado. Embora fosse o líder responsável por Israel, Josué era apenas um servo, sujeito ao comando do exército do Senhor (Js 5.13-15).

A conquista de Jericó foi uma vitória que serviu de exemplo. Israel não atacou a cidade de acordo com a estratégia militar regular, mas simplesmente segui as instruções dadas pelo Senhor. Uma vez por dia, durante seis dias, os israelitas marchavam ao redor da cidade. No sétimo dia, quando marchavam ao redor das muralhas por sete vezes, estas ruíram, e eles puderam entrar e tomar conta da cidade. Mas aos israelitas não foi permitido se apropriarem de qualquer parte dos despojos. Aquilo que não foi destruído (objetos metálicos) foi depositado no tesouro do Senhor. Excetuando Raabe e a casa de seu pai, os habitantes de Jericó foram extintos.

A miraculosa conquista de Jericó foi demonstração convincente, para os israelitas, de que seus inimigos poderiam ser dominados. Ai, era o próximo alvo a ser conquistado. Seguindo o conselho de sua dupla de reconhecimento Josué enviou um exército de três mil homens, que sofreram severa derrota.

Uma investigação regada por oração, feita por Josué e pelos anciãos, revelou o fato que Acã pecara durante a conquista de Jericó, ao apropriar-se de uma atrativa capa de origem mesopotâmica, além de alguma prata e ouro. Devido a seu deliberado ato de desafio contra a ordem de devotar todos os despojos ao Senhor. Acã e seus familiares foram apedrejados no vale de Acor. Sendo-lhe garantido o sucesso, Josué renovou seus planos para conquistar Ai.

De modo contrário ao procedimento anterior, os israelitas poderiam apossar-se do gado vivo e de outras propriedades transportáveis. As forças inimigas foram atraídas ao campo aberto, para que os trinta mil homens que haviam sido postados à noite por detrás da cidade, pudessem atacar Ai pela retaguarda, a fim de incendiá-la. Os defensores foram aniquilados, seu rei foi enforcado, e o sítio foi reduzido a escombros. Quando se espalharam por Canaã as notícias da conquista de Jericó e Ai, o povo de várias localidades organizou resistência contra a ocupação israelita (Js 9.1,2).

Os habitantes de Gibeom, cidade localizada a doze quilômetros e meio ao norte de Jerusalém, traçaram astutamente um plano de engodo. Fingindo ter vindo de um país distante, o que era patenteado por suas roupas surradas e por seu alimento estragado, chegaram ao acampamento Israelita de Gilgal, expressando seu temor de Deus de Israel, oferecendo-se para ser servo, se Jeová entrasse em aliança com eles. Visto não terem buscado orientação divina, os líderes de Israel foram vítimas da ficção, negociando um tratado de paz com os gibeonitas. Três dias mais tarde, porém, descobriu-se que Gibeom e três aldeias satélites eram próximas. Embora os israelitas houvessem murmurado contra seus líderes, o tratado não foi violado. Ao invés disso, os gibeonitas foram encarregados de suprir lenha e água o acampamento israelita.

Gibeom era uma grande cidade da Palestina. Quando ela capitulou ante Israel, o rei de Jerusalém ficou profundamente alarmado. Em resposta a seu apelo, outros reis Amorreus, de Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom, aliaram-se com ele, a fim de atacarem a cidade de Gibeom. Havendo firmado acordo com Israel, a cidade assediada imediatamente despachou mensageiros para que rogassem por ajuda daquele quadrante. Mediante a marcha de uma noite inteira, desde Gilgal, Josué apareceu inesperadamente em Gibeom, onde derrotou e pôs em fuga desordenada o inimigo, através do passo de Bete- Horom (também conhecido como o vale de Aijalom), até Azeca e Maquedá.

A ajuda sobrenatural nessa batalha resultou em vitória esmagadora para os israelitas. Além do elemento de surpresa e do pânico lançado no campo inimigo, a saraiva que caiu fez maior número de vítimas entre os Amorreus do que o tinham feito os soldados combatentes de Israel (veja Js 10.11).

Outrossim, um longo dia foi outorgado aos israelitas quando perseguiam os inimigos. A ambigüidade da linguagem a respeito desse longo dia de Josué tem dado margem a diversas interpretações. A linguagem usada seria poética? Josué pedira mais luz do sol ou alívio do calor do dia? Se se trata de linguagem poética, então ter-se-ia tratado de mero apelo, da parte de Josué, por ajuda e força. Em resultado, os israelitas foram de tal modo revigorados que o trabalho de um dia foi realizado em meio dia. Mas, se aceitarmos que houve prolongamento das horas do dia, esse foi um milagre em que o sol ou a lua e a terra estacaram. Se o sol e lua prosseguiram em seus cursos regulares, pode ter-se dado um milagre de refração ou um milagre sobrenatural dada, que prolongou a luz do dia, de tal modo que o sol e a lua apareciam fora de seus cursos regulares.

O apelo de Josué pelo auxílio divino pode ter sido um pedido de alívio do calor escaldante do sol, tendo ordenado que o sol ficasse silente ou mudo, isto é, deixasse de brilhar. Em resposta, Deus enviou a saraiva, que trouxe tanto alívio do calor solar como a destruição para as hostes inimigas. Os soldados, sentido-se refrigerados, fizeram a marcha de um dia em apenas meio dia, desde Gibeom a Maquadá, uma distância de quase 50 Km, e pareceu-lhes ter passado um dia inteiro, quando na verdade, o dia ainda ia pela metade. Embora o relato do livro de Josué não nos forneça os detalhes de como isso sucedeu, é evidente que Deus interveio em favor de Israel, e a liga dos Amorreus foi completamente derrotada. Em Laquedá, os cinco reis da liga dos Amorreus foram encurralados em uma caverna, tendo sido em seguida mortos por Josué.

Com a conquista de Maquedá e Libna, estando esta última localizada na estrada do vale de Elá, onde Davi posteriormente feriu Golias, os reis dessas duas cidades, por igual modo, foram executados. Josué, então assediou a bem fortificada cidade de Laquis (moderna Tell-ed-Duweir), e no segundo dia do assédio esse baluarte foi derrubado. Quando o rei de Gezer tentou socorrer Laquis, também pereceu ele com sua força; entretanto, nenhuma reivindicação é feita acerca da conquista de Gezer. Ato contínuo, Israel se lançou vitoriosamente na tomada de Eglom, que atualmente é com a moderna Tell-el-Hesi.

Dali as tropas atacaram para o sul, entrando na região montanhosa e assediando Hebrom, que não foi facilmente defendida. Então, dirigindo-se para o sudoeste, assaltaram e tomaram Debir, ou Quiriater-sefer. Embora as fortes cidades estados de Gezer e Jerusalém não tivessem sido conquistadas, foram isoladas por meio dessa campanha, de tal maneira que toda a área sulista, de Gibeom a Cades-Barnéia e Gaza, ficou sob o controle de Israel, quando Josué reconduziu seus guerreiros afeitos às batalhas ao acampamento de Gilgal.

A conquista e a ocupação da porção norte de Canaã é descrita de modo bem abreviado. A oposição foi organizada e liderada por Jabim, rei de Hazor, que tinha a seu dispor Numerosos carros de guerra. Grande batalha teve lugar perto das águas de Merom, cujo resultado foi que cananéia foi totalmente derrotada por Josué. Os cavalos e os carros foram destruídos, e a cidade de Hazor foi incendiada até o chão. Não há qualquer menção sobre a destruição de outras cidades na Galiléia.

De forma sumária, o trecho de Josué 11.16-12.24 relata a conquista de toda a terra de Canaã por parte de Israel. O território coberto pelas forças de ocupação se espraiou desde Cades-Barnéia, ou seja, nos extremos do Neguebe, até ao norte quanto o vale do Líbano, abaixo do monte Hermom. No lado oriental da fenda do Jordão, a área que previamente fora conquistada sob Moisés se estendia desde o monte Hermom, no norte, até o vale do rio Arnom, a leste do mar Morto.

Trinta e um reis são listados entre os derrotados por Josué. Havendo tantas cidades-estados, cada qual com seu próprio rei, um país tão pequeno, foi possível a Josué e aos israelitas derrotarem esses governantes locais em pequenas federações. Embora os reis tivessem sido derrotados, nem todas as cidades foram realmente capturadas ou ocupadas. Por intermédio dessa conquista Josué subjugou os habitantes até ao ponto em que, durante o período imediato de paz os israelitas puderam estabelecer-se na terra prometida.

1.1.2. A divisão de Canaã

Apesar dos principais reis terem sido derrotados e que então prevaleceu um período de paz, restaram ainda muitas áreas não-ocupadas na terra (Js 13.1-7), Josué foi divinamente comissionado para dividir o território conquistado entre as nove tribos e meia. Rúben, Gade e metade da tribo de Manassés, tinham recebido seus quinhões a leste do rio Jordão, sob Moisés e Elezar (Js 13.8-33 e Nm 32).

Durante o período da conquista o acampamento de Israel ficava localizado em Gilgal, ligeiramente para nordeste de Jericó, perto do Jordão. Sob a supervisão de Josué e Eleazar foram distribuídos os quinhões de algumas das tribos, enquanto Israel ainda estava acampado ali. Calebe, que demonstrara fé incomum quarenta e cinco anos antes, quando os doze espias tinham sido enviados a Canaã (Nm 13-14), agora recebeu consideração especial, tendo-lhe sido dada como prêmio a cidade de Hebrom, para ser sua herança (Js 14.6-15).

A tribo de Judá se apropriou da área entre o mar Morto e o mar Mediterrâneo, incluindo a cidade de Belém. Efraim e a outra metade da tribo de Manasses receberam a maior parte da área a oeste do rio Jordão, entre o mar da Galiléia e o mar Morto (Js 16.1-17.18).

Siló foi estabelecida como centro religioso de Israel (Js 18.1). Foi ali que as demais tribos foram desafiadas a tomar posse de seus territórios respectivos. Enquanto a Simeão foi dada a região ao sul de Judá, as tribos de Benjamim e Dã receberam seu quinhão imediatamente ao norte de Judá. Ao norte de Manasses, começando com o vale de Megido e com o monte Carmelo, receberam suas possessões Issacar, Zebulom, Aser e Naftali.

Cidades de refúgio foram selecionadas por toda a extensão do pais (Js 10.1-9). A oeste do Jordão essas cidades eram Cades, em Naftali, Siquem, em Efraim, e Hebrom em Judá. A leste do Jordão, em cada uma das áreas tribais, havia as cidades seguintes. Bezer, em Rúben, Ramote, em Gileade, dentro das fronteiras de Gade e Golã, em Basã, na área de Manassés. Para essas cidades qualquer indivíduo poderia fugir para estar livre de vinganças de sangue, no caso de ter-se tornado homicida involuntário.

A tribo de Levi não recebeu quinhão na forma de território, porquanto eram responsáveis pelos serviços religiosos por toda a nação. As diversas tribos foram encarregadas da obrigação de selecionarem cidades para os levitas. Terras de pasto, em redor de cada uma das quarenta e oito cidades, foram igualmente providas, pelo que os levitas podiam dar pasto a seu gado.

Elogiando o serviço fiel delas e admoestando-as a permanecerem leais a Deus, Josué despediu as tribos transjordanianas que haviam servido junto com o resto da nação, sob suas ordens, para conquistar o território a oeste do Jordão.

Quando retornam à Transjordânia, erigiram um altar, ação essa que alarmou os israelitas que se tinham estabelecido na própria terra de Canaã. Finéias, filho do sumo sacerdote, foi enviado de Siló para avaliar a situação. Sua investigação assegurou-lhe que o altar na terra de Gileade servia ao propósito de manter a adoração apropriada a Deus.

Por quanto tempo ainda viveu Josué após suas campanhas militares, não é esclarecido na Bíblia. Uma interferência, com base em Js 14.6-12, é que a conquista de Canaã foi realizada em um período de cerca de sete anos. Josué pode ter pouco depois disso, ou pode ter continuado vivo durante uns vinte ou trinta anos no máximo. Antes de morrer, com a idade de cento e dez anos, reuniu o povo de Israel em Siquém e advertiu-os severamente para que temessem a Deus. Relembrou-lhes o fato de que Deus chamara a Abraão para que não servissem a ídolos e cumprira o pacto estabelecido com os patriarcas, introduzindo Israel na terra prometida. Um compromisso público foi feito, mediante o qual os líderes asseguraram a Josué de que serviram ao Senhor. Após a morte de Josué Israel cumpriu essa promessa somente enquanto vivia a geração mais idosa.


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