Curso livre de teologia



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Curso Livre de Graduação – Bacharelado Faculdade de Educação Teológica Fama

FACULDADE DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA FAMA

CURSO LIVRE DE TEOLOGIA

EXEGESE BÍBLICA

INTRODUÇÃO

O que é Exegese?

Exegese: do Grego: ek + egnomai = ek + egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. É a prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se, pois, do conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na linguística e na filosofia.

"A Bíblia é ao mesmo tempo humana e divina, exige de nossa parte a tarefa de interpretá-la."

O QUE É E DO QUE TRATA A EXEGESE BÍBLICA

Definições

Dicionário Teológico:



Exegese Estrutural: latim strutura (disposição interna de uma construção). Doutrina que sustenta estar o significado do texto bíblico além do processo de composição e das intenções do autor. Neste método é levado em conta as estruturas e padrões do pensamento humano. Noutras palavras: o cérebro é guiado por determinadas estruturas e padrões, além dos quais não podemos avançar.

Exegese Gramático-Histórica: Princípio de interpretação bíblica que leva em conta apenas a sintaxe e o contexto histórico no qual foi composta a Palavra de Deus. Tal método acaba por tirar da Bíblia o seu significado espiritual. Não se pode ignorar as verdades que se acham escondidas sob o símbolo e enigmas das porções escatológicas e apocalípticas do Livro Santo. Na interpretação da Bíblia, não podemos esquecer nenhum detalhe. Todos são importantes.

Exegese Teológica: Princípio de interpretação bíblica que toma por parâmetro as doutrinas sistematizadas pelos doutores da Igreja. Neste caso, a Bíblia é submetida à doutrina. Mas como esta nem sempre se encontra isenta de interpretações particulares e tradições meramente humanas, corre-se o risco de se valorizar mais a forma que o conteúdo. O correto é submeter a dogmática ao crivo da infalibilidade da Palavra de Deus.

Definição de Exegese: Guiar para fora dos pensamentos que o escritor tinha quando escreveu um dado documento, isto é, literalmente significa "tirar de dentro para fora", interpretar.

Dicionário Aurélio: (comentário para esclarecimento ou interpretação minuciosa de um texto ou de uma palavra. Aplica-se especificamente em relação à gramática, à Bíblia, às Leis.)

  • Grego: exhgesis = exegesis = narração, exposição, exegese.

  • Grego: exegeomai = exegeomai = conduzir, guiar, dirigir, governadar, explicar pormenorizadamente, interpretar, ordenar, prescrever, aconselhar.

  • Grego: exegeths = exegetés = diretor, instrutor, intérprete, expositor, exegeta

Exegese é a disciplina que aplica métodos e técnicas que ajudam na compreensão do texto.

EISEGESE

Existe ainda a EISEGESE (ver grifo), a qual tem a seguinte definição.

Grego: Eisegeses = Eisegesis = consiste em introduzir (inferência) em um texto alguma coisa que alguém deseja que esteja ali, mas que na verdade não faz parte do mesmo.

Dicionário Teológico: Eisegese: Antônimo da exegese. Nesta, a Bíblia interpreta-se a si mesma. Naquela, o leitor procura imprimir ao texto sagrado a sua própria interpretação.

A exegese é a mãe da ortodoxia doutrinária. Já a eisegese é a matriz de todas as heresias. Ela gera o misticismo, e este acaba por dar à luz aos erros e aleijões doutrinários. Levemos em conta, também, que a eisegese é própria da especulação que, por sua vez, é a principal característica da filosofia.

Ora, se o nosso compromisso é com a Teologia, subentende-se que a matéria-prima de nossa lide é a revelação. Logo, a exegese é a nossa ferramenta. A Palavra de Deus não precisa de nossa interpretação, porquanto se interpreta a si mesma. Ela reivindica tão-somente a nossa obediência.



Grego: Exegese = Exegese = consiste em extrair de um texto qualquer mediante legítimos métodos de interpretação o que se encontra ali.

A exegese é o estudo rigoroso de um texto, a partir de regras e conceitos metodológicos, pelos quais se busca alcançar o melhor sentido daquilo que está escrito. Quando aplicado ao estudo da Bíblia especificamente, denominamos de "Exegese Bíblica".

A Bíblia é um livro difícil. Difícil porque é antigo, foi escrito por orientais, que têm uma mentalidade bem diferente da greco-romana, da qual nós descendemos. Diversos foram os seus escritores, que viveram entre os anos 1200 a.C. a 100 d.C. Isso, sem contar que foi escrita em línguas que hoje, ou são inexistentes, como o Aramaico da Palestina, ou totalmente modificadas, como o hebraico e o grego Koiné, fato este que dificulta enormemente uma tradução, pois muitas vezes não se encontram palavras adequadas. Outra razão para se considerar a Bíblia um livro difícil é que ela foi escrita por muitas pessoas, ás vezes até desconhecidas e em situações concretas das mais diversas. Por isso, para bem entendê-la é necessário colocar-se dentro das situações vividas pelo escritor, (lembre da Disciplina “Panorama Bíblico”).

Quando muito, consegue-se uma aproximação metodológica deste entendimento. Além do mais, a Bíblia é um livro inspirado e é muito importante saber entender esta inspiração, para haurir com proveito a mensagem subjacente em suas palavras. Dizer que a Bíblia é inspirada não quer dizer que o escritor sagrado (ou hagiógrafo) foi um mero instrumento nas mãos de Deus, recebendo mensagens ao modo psicográfico. É necessário entender o significado mais próprio da 'inspiração' bíblica. Vale salientar que enganos poderão acontecer por causa de uma interpretação bíblica literal, porque uma interpretação ao "pé da letra" não revela o sentido mais adequado de todas as palavras.

Para que não aconteça conosco incidir neste equívoco, devemos aprender a nos colocar na situação histórica de cada escritor em cada livro, conhecer a situação social concreta da sociedade em que ele viveu, procurar entender o que aquilo significou no seu tempo e só então tentar aplicar a sua mensagem ás nossas circunstâncias atuais.

COMO FAZER EXEGESE

Na atualidade a mídia, especialmente a TV e o rádio têm sido usados como instrumentos para espalhar a palavra de Deus, mas ao mesmo tempo tem provocado na mente de muitos cristãos a "lerdeza do pensar".

Hoje existe o "evangelho solúvel", "evangelho do shopping center", "dos iluminados", etc. Mas pouco se estuda a fonte do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é muito mais do que uma leitura diária e muitas vezes feita as pressas para cumprir um ritual.

CINCO REGRAS CONCISAS

1.

Interpretar lexicalmente. É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração. Esta informação pode ser conseguida com a ajuda de bons dicionários. No uso dos dicionários, deve notar-se cuidadosamente o significar-se da palavra sob consideração nos diferentes períodos da língua grega e nos diferentes autores do período.

2.

Interpretar sintaticamente: o interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito. A função das gramáticas não é determinar as leis da língua, mas expô-las. O que significa, que primeiro a linguagem se desenvolveu como um meio de expressar os pensamentos da humanidade e depois os gramáticos escreveram para expor as leis e princípios da língua com sua função de exprimir idéias.

Para quem deseja aprofundar-se é preciso estudar a sintaxe da gramática grega, dando principal relevo aos casos gregos e ao sistema verbal a fim de poder entender a estruturação da língua grega. Isto vale para o hebraico do Antigo Testamento.

3.

Interpretar contextualmente. Deve ser mantido em mente a inclinação do pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a "cor do pensamento", que cerca a passagem que está sendo estudada. A divisão em versículos e capítulos facilita a procura e a leitura, mas não deve ser utilizada como guia para delimitação do pensamento do autor. Muito mal tem sido feita esta forma de divisão a uma honesta interpretação da Bíblia, pois dá a impressão de que cada versículo é uma entidade de pensamento separado dos versículos anteriores e posteriores.

4.

Interpretar historicamente: o interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência. É necessário conhecer as maneiras, costumes, e psicologia do povo no meio do qual o escrito é produzido. A psicologia de uma pessoa também incluirá suas idéias de cronologia, seus métodos de registrar a história, seus usos de figura de linguagem e os tipos de literatura que usa para expressar seus pensamentos.



5.Interpretar de acordo com a analogia da Escritura. A Bíblia é sua própria intérprete, diz o princípio hermenêutico. A bíblia deve ser usada como recurso para entender ela mesma. Uma interpretação bizarra que entra em choque com o ensino total da Bíblia está praticamente certa de estar no erro. Um conhecimento acurado do ponto de vista bíblico é a melhor ajuda.

O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO

01 - O procedimento errado. Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais agrade. Este procedimento é errado pelas seguintes razões:

  • encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua pré-concepção e;

  • forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas.

Isto para o iniciante, frequentemente resulta em confusão e em ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese. Isto não é exegese, é outra forma de decorar de forma mecânica e é muito desinteressante. O péssimo resultado e mais sério do "procedimento errado" na exegese é que o próprio interprete não pensa por si mesmo.

02 - O procedimento correto. O interprete deve perguntar primeiro o que o autor diz e depois o que significa a declaração. Consultar os dicionários para encontrar o significado das palavras desconhecidas ou que não são familiares. É preciso tomar muito cuidado para não escolher o significado que convêm ao interprete apenas.

Depois de usar bons dicionários, uma ou mais gramáticas devem ser consultadas para entender a construção gramatical. No verbo, a voz, o modo e o tempo devem ser observados por causa da contribuição à idéia total. O mesmo cuidado deve ser tomado com as outras classes gramaticais.

Tendo as análises léxicas, morfológica e sintática sido feitas, é preciso partir para análises de contexto e história a fim de que se tenha uma boa compreensão do texto e de seu significado primeiro e, com os passos anteriores bem dados, o interprete tem condições de extrair a teologia do texto, bem como sua aplicação às necessidade pessoais dele, em primeiro lugar, e às dos ouvintes. O Que o texto tem com a minha vida? Ou com os grandes desafios atuais?

O USO DE INSTRUMENTOS

1. Comentários: eles não são um fim em si mesmo. O interprete deve manter em mente o clima teológico em que foram produzidos, porque isso afeta de maneira direta a interpretação das Escrituras. Um comentarista pode ser capaz, em certa media, de evitar "vias" (tendências) e permitir que o documento fale por si mesmo, mas sua ênfase nos vários pensamentos na passagem será afetada pela corrente de pensamento de seus dias. Os comentários principalmente os livros de devoção ou meditação espiritual, têm a marca de ficar desatualizados. Prefira os comentários críticos e exegéticos.

Uso de dicionário e gramáticas: é importante ter em mente a data da publicação. Todas as traduções de uma palavra devem ser avaliadas e não apenas tirar só o significado que interessa a nossa interpretação. Explore o recurso dos próprios sinônimos. Por exemplo, a palavra pobre é tradução de duas palavras gregas. [penef e ptohoi-transliterado por Jotaeme]. A primeira significa carente do supérfluo, que vive modestamente, com o necessário e a segunda, significa mendigo, desprovido de qualquer sustento. Sabendo disto, o que significa então as palavras encontradas em Mateus 5:3, onde encontramos a tradução de “pobre” em muitas versões modernas da Bíblia? Era penef ou era ptohoi a quem Jesus se referia? Antes de tudo devemos conhecer o instrumento ou fundamento dos estudos exegéticos, a própria Bíblia, este é o objeto desta introdução, uma familiaridade com as escrituras.

ÍNDICE DESTA PRIMEIRA PARTE DA DISCIPLINA

INTRODUÇÃO



CAPÍTULO I A ESCRITURA

1.1 - A natureza da escritura e o seu valor como texto

1.2 - A inspiração da escritura

1.3 - A inspiração divina

1.4 - A unidade da escritura

1.5 - A infalibilidade da escritura

1.6 - A autoridade da escritura

1.7 - A necessidade da escritura

1.8 - A clareza da escritura

1.9 - A suficiência da escritura



CAPÍTULO II O LADO ESPIRITUAL DA ESCRITURA SAGRADA

2.1 - A bíblia é nossa única fonte e regra de fé e prática

2.2 - A bíblia é clara em suas declarações sobre a salvação e santificação

2.3 - A bíblia é suficiente para nos ensinar tudo em matéria de fé



CAPÍTULO III OS LIVROS APÓCRIFOS E O CÂNON BÍBLICO CHAMADO DE PROTESTANTE.

3.1 - A posição católica romana

3.2 - Argumentos católicos em favor dos apócrifos

3.3 - Resposta aos argumentos católicos

3.4 - Argumentos a favor do cânon protestante

3.4.1 - Argumentos históricos

3.4.2 - Argumentos doutrinários

3.5 - Conclusão neste assunto



CAPÍTULO IV O PERSONAGEM CENTRAL DO LIVRO: JESUS CRISTO-VERDADE OU MITO?

4.1 - Introdução

4.2 - O que seria um personagem da história?

4.3 - A Problemática da fonte

4.4 - Jesus: um homem localizado na história

4.5 - Fontes não-bíblicas atestam a historicidade de Jesus

4.6 - Considerações sobre a existência de Jesus Cristo

4.7 - Conclusão neste assunto



CAPÍTULO V O CONHECIMENTO DE JESUS CRISTO ESTUDOS DE INTERPRETAÇÃO DO TEMA.

5.1 - Introdução

5.2 - Como Jesus é visto por diferentes ‘religiões’

5.2.1 - A "unidade cristã"

5.2.2 - "JESUS", o irmão de lúcifer

5.2.3 - "JESUS", uma idéia espiritual

5.2.4 - "JESUS", o arcanjo miguel

5.2.5 - "JESUS", ainda preso numa cruz

5.2.6 - "JESUS", o bilionário

5.2.7 - O "JESUS" do movimento da fé e das igrejas psicologizadas

5.3 - Conclusão neste assunto

CAPÍTULO VI LINHAS TEOLÓGICAS ORIGINADAS DA BÍBLIA.

6.1 - Linhas teológicas

6.1.1 - Teologia católica romana

6.1.2 - Teologia natural

6.1.3 - Teologia luterana

6.1.4 - Teologia anabatista

6.1.5 - Teologia reformada

6.1.6 - Teologia arminiana

6.1.7 - Teologia wesleyana

6.1.8 - Teologia liberal

6.1.9 - Teologia existencial

6.1.10- Teologia neo-ortodoxa

6.1.11- Teologia da libertação

6.2 - Conclusão neste assunto



ANEXO 1

OS 39 ARTIGOS DE FÉ DA RELIGIÃO ANGLICANA

REFERENCIAL DE NOTAS E BIBLIOGRAFIA

NOTAS


BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO

A Bíblia é um Livro por excelência, é o livro pelo qual Deus nos fala e, por conseguinte, como muitos ainda acreditam, ela deveria ser lida de joelhos. Ela dá testemunho de si mesma quando diz que é a “espada do Espírito” (Efésios 6:17), que penetra fundo em nossa alma (Hebreus 4:12).

Ela não é como palavras de homens: passageiras e que se desvanecem sem serem percebidas. Ao contrário, suas verdades, que são eternas, são fonte de bênçãos para todos que a recebem pela fé, pois sua leitura e compreensão requerem fé. Pela sua leitura acontece a fé: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10:17). A Bíblia é também o código de julgamento para todos aqueles que a ignoram.

Quando mergulhamos nas suas páginas, nos deparamos com a história da redenção da humanidade. Este plano está em curso e desafia a todos os que confessam Jesus Cristo como Senhor a participarem da sublime tarefa de alcançar todos os povos com a mensagem da graça de Deus. Este é um trabalho de pesquisa sobre a Bíblia, entre a gama de opções que poderíamos pesquisar selecionamos os que achamos mais relevantes, mostrar uma “visão geral”, algo não muito aprofundado em doutrina ou teologia, mas uma leitura agradável sobre esta “Palavra que não volta vazia”. Falaremos aqui sobre a formação do cânon, os livros apócrifos, a influência da Bíblia, sobre as linhas teológicas surgidas dela, etc.

Porém, mais importante que isso, falaremos também de Cristo, as visões que outras religiões tem do Nosso Salvador, a sua historicidade. Hoje, mais que nunca, devemos ter em mente o conhecimento da Palavra a quem servirmos para não ‘pecarmos por falta de conhecimento’ desta mesma palavra.

CAPÍTULO I

A ESCRITURA

Temos estabelecido que a Escritura Sagrada é a autoridade última no sistema cristão, e que nosso conhecimento de Deus depende dela. Portanto, é apropriado começar o estudo da teologia examinando os atributos da Escritura Sagrada, que de agora em diante chamaremos apenas de Escritura.



1.1 - A NATUREZA DA ESCRITURA E O SEU VALOR COMO TEXTO

Devemos enfatizar a natureza verbal ou proposicional da revelação bíblica. Num tempo em que muitos menosprezam o valor de palavras, a favor de imagens e sentimentos, devemos notar que Deus escolheu Se revelar através de palavras de linguagem humana. A comunicação verbal é um meio adequado de transmitir informação de e sobre Deus. Isto não somente afirma o valor da Escritura como uma revelação divina significante, mas também afirma o valor da pregação e da escrita como meios para comunicar a mente de Deus, como apresentada na Bíblia.

A própria natureza da Bíblia como uma revelação proposicional, testifica contra as noções populares de que a linguagem humana é inadequada para falar sobre Deus, que imagens são superiores às palavras, que música tem valor maior do que pregação, ou que experiência religiosa pode ensinar mais a uma pessoa, sobre as coisas divinas, do que os estudos doutrinais.

Alguns argumentam que a Bíblia fala numa linguagem que produz vívidas imagens na mente do leitor. Contudo, esta é somente uma descrição da reação de alguns leitores; outros leitores podem não responder do mesmo modo às mesmas passagens, embora eles possam captar a mesma informação delas.

Assim, isto não conta contra o uso de palavras como a melhor forma de comunicação teológica. Se imagens são superiores, então, por que a Bíblia não contém nenhum desenho? Não seria a sua inclusão a melhor maneira de se assegurar que ninguém formasse imagens mentais errôneas, se as imagens são deveras um elemento essencial na comunicação teológica? Mesmo se imagens fossem importantes na comunicação teológica, o fato de que Deus escolheu usar palavras-imagens ao invés de desenhos reais, implica que as palavras são suficientes, se não superiores. Mas além de palavras-imagens, a Escritura também usa palavras para discutir as coisas de Deus em termos abstratos, não associados com quaisquer imagens.

Uma imagem não é mais digna do que mil palavras. Suponha que apresentemos um desenho da crucificação de Cristo a uma pessoa sem nenhuma base cristã. Sem qualquer explicação verbal, seria impossível para ela constatar a razão para Sua crucificação e o significado dela para a humanidade. A imagem em si mesma não mostra nenhuma relação entre o evento com qualquer coisa espiritual ou divina. A imagem não mostra se o evento foi histórico ou fictício. A pessoa, ao olhar para o desenho, não sabe se o ser que foi morto era culpado de algum crime, e não haveria como saber as palavras que ele falou enquanto na cruz. A menos que haja centenas de palavras explicando a figura, a imagem, por si só, não tem nenhum significado teológico. Mas, uma vez que há muitas palavras para explicá-la, alguém dificilmente necessitará de imagem.

A visão que exalta a música acima da comunicação verbal sofre a mesma crítica. É impossível derivar qualquer significado religioso da música, se ela é executada sem palavras. É verdade que o Livro de Salmos consiste de uma grande coleção de cânticos, nos provendo com uma rica herança para adoração, reflexão e doutrina. Contudo, as melodias originais não acompanharam as palavras dos salmos; nenhuma nota musical acompanhou qualquer um dos cânticos na Bíblia. Na mente de Deus, o valor dos salmos bíblicos está nas palavras, e não nas melodias. Embora a música desempenhe um papel na adoração cristã, sua importância não se aproxima das palavras da Escritura ou do ministério do ensino.

Com respeito às experiências religiosas, até mesmo uma visão de Cristo não é mais digna do que mil palavras da Escritura. Alguém não pode provar a validade de uma experiência religiosa, seja uma cura miraculosa ou uma visitação angélica, sem conhecimento da Escritura. Os encontros sobrenaturais mais espetaculares são vazios de significado sem a comunhão verbal para informar a mente.

O episódio inteiro de Êxodo não poderia ter ocorrido, se Deus permanecesse em silêncio quando Ele apareceu para Moisés, através da sarça ardente. Quando Jesus apareceu num resplendor de luz, na estrada de Damasco, o que teria acontecido se Ele recusasse responder quando Saulo de Tarso Lhe perguntou: “Quem és, Senhor?” A única razão pela qual Saulo percebeu quem estava falando com ele, foi porque Jesus respondeu com as palavras: “Eu sou Jesus, a quem persegues

As experiências religiosas são sem significado, a menos que acompanhadas pela comunicação verbal, transmitindo conteúdo intelectual.

Outra percepção errônea com respeito à natureza da Bíblia é considerar a Escritura como um mero registro de discursos e eventos de revelação, e não a revelação de Deus em si mesma. A pessoa de Cristo, Suas ações, e Seus milagres revelam a mente de Deus, mas é um engano pensar que a Bíblia é meramente um relato escrito dela. As próprias palavras da Bíblia constituem a revelação de Deus para nós, e não somente os eventos aos quais elas se referem. Alguns temem que a forte devoção à Escritura, implica em estimar mais o registro de um evento de revelação do que o evento em si mesmo. Mas, se a Escritura possui o status de revelação divina, então, esta preocupação não tem fundamento. Paulo explica que “Toda Escritura é inspirada por Deus”. A própria Escritura foi inspirada por Deus.

Embora os eventos que a Bíblia registra possam ser revelados, a única revelação objetiva com a qual temos contato direto é a Bíblia.

Visto que a alta visão da Escritura que advogamos aqui é somente a que a própria Bíblia afirma, os cristãos devem rejeitar toda doutrina proposta da Escritura que compromisse nosso acesso à revelação infalível de Deus. Sustentar uma visão menor da Escritura destrói a revelação como a autoridade última de alguém, e, então, é impossível superar o problema de epistemologia resultante.

Enquanto uma pessoa negar que a Escritura é a revelação divina em si mesma, ela permanece sendo “apenas um livro”, e esta pessoa hesita em lhe dar reverência completa, como se fosse possível adorá-la excessivamente. Há alguns supostos ministros cristãos que urgem os crentes a olhar para “o Senhor do livro, e não para o livro do Senhor”, ou algo com esse objetivo. Mas, visto que as palavras da Escritura foram inspiradas por Deus, e aquelas palavras são a única revelação objetiva e explícita de Deus, é impossível olhar para o Senhor sem olhar para o Seu livro. Visto que as palavras da Escritura são as próprias palavras de Deus, alguém está olhando para o Senhor somente até onde ele estiver olhando para as palavras da Bíblia. Nosso contato com Deus é através das palavras da Escritura. Provérbios 22:17-21 indica que confiar no Senhor é confiar em Suas palavras:



“Inclina o teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, e aplica o teu coração ao meu conhecimento. Porque será coisa suave, se os guardares no teu peito, se estiverem todos eles prontos nos teus lábios. Para que a tua confiança esteja no SENHOR, a ti Vos fiz saber hoje, sim, a ti mesmo. Porventura não te escrevi excelentes coisas acerca dos conselhos e do conhecimento, para te fazer saber a certeza das palavras de verdade, para que possas responder com palavras de verdade aos que te enviarem?”

Deus governa Sua igreja através da Bíblia; portanto, nossa atitude para com ela reflete nossa atitude para com Deus. Ninguém que ama a Deus não amará as Suas palavras da mesma forma. Aqueles que reivindicam amá-Lo, devem demonstrar isso por uma obsessão zelosa para com as Suas palavras:

Oh! Quanto amo a tua lei! Ela é a minha meditação o dia todo. Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doce do que o mel à minha boca.” Salmos 119:97,103

O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos. (Samos 19:09) Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos.” Salmos19: 9,10

Uma pessoa ama a Deus somente até onde ela ama a Escritura. Pode haver outras indicações do amor de alguém para com Deus, mas o amor por Sua palavra é um elemento necessário, pelo qual os outros aspectos da nossa vida espiritual são mensurados.

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