Da Liberdade ao Planalto: a travessia de Tancredo Neves em seus múltiplos tons



Baixar 78.32 Kb.
Encontro28.07.2016
Tamanho78.32 Kb.
Da Liberdade ao Planalto: a travessia de Tancredo Neves em seus múltiplos tons

Wanir Campelo Araújo de Siqueira1

Resumo:
Quando a proposta de restabelecimento das eleições diretas à Presidência da República chegou ao Congresso Nacional, a Onda Rural de Belo Horizonte ali estava, construindo, junto ao seu público, parte de uma história que marcou, profundamente, a vida de milhões de brasileiros. Muitas foram as cartas que chegaram de todos os cantos de Minas à redação da emissora, em apoio às Diretas e apontando o então governador Tancredo Neves, como o nome de consenso para comandar a grande travessia, após 21 anos de repressão. O objetivo deste artigo é mostrar como a Onda Rural pautou a cobertura desse percurso entre a Liberdade e o Planalto e que culminou com a derrota de um movimento nacional e com o fim de um sonho, enterrado no dia 21 de abril, em edição extraordinária.


Palavras-chave: Rádio; Tancredo Neves; História.

1. Retrato em branco e preto de um país verde-amarelo.


O processo ditatorial, autoritário, traz consigo o germe da corrupção. O que existe de ruim no processo autoritário é que ele começa desfigurando as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão (Tancredo Neves, 1982).
Durante anos a fio, os brasileiros alimentaram-se do amargor gerado pela falta de perspectivas políticas causada pelo regime de arbitrariedades instituído pela ditadura militar. Como se não bastasse a quebra do sistema democrático, imposta pelo golpe de 64, tiveram de conviver com a carestia, com o desemprego, com a fome, com o analfabetismo, e com a insegurança.

Em 1974, no início do governo Ernesto Geisel, a crise econômica começou a se agravar. Vieram a alta do petróleo, o aumento das taxas de juros e, conseqüentemente, da inflação que, estabilizada em15% nos anos anteriores, saltou para 34,55%. Geisel, no entanto, insistia em manter a expansão que havia sido anteriormente proposta.2

As dificuldades se estenderam com a mesma gravidade às questões políticas. As divergências se evidenciaram: de um lado, ficou o governo com o uso da tortura de presos políticos e do outro, as organizações de esquerda para derrubá-lo. À sua maneira, Geisel levou a cabo o seu projeto de abertura, tentando controlar o aparato repressivo e anunciando uma distensão lenta, gradual e segura do regime autoritário. Ainda assim, em outubro de 1975, foi morto nos porões do DOI-Codi, órgão de segurança do II Exército, o jornalista Vladimir Herzog, e três meses depois, no mesmo local, o operário Manuel Fiel Filho, ambos vítimas da repressão.3

Toda ditadura é abominável. Não há nada que justifique um regime de força e usurpação dos direitos, das liberdades essenciais à dignidade humana. (Tancredo Neves, 1985).


O Reveillon que anunciou a chegada de 1978 trouxe a reboque o fim do AI-5, já com dez anos de vida. Geisel, com a certeza do dever cumprido, entregou ao último presidente do ciclo militar, general João Figueiredo, um país nos trilhos da democracia, com o Congresso em funcionamento, judiciário independente, direitos políticos devolvidos, mas com recessão e desemprego.

A década de 80 começou com o país sufocado economicamente e com prisões de líderes sindicais entre eles Luís Inácio Lula da Silva, presidente do recém-criado Partido dos Trabalhadores (PT). Também foram registrados diversos atentados terroristas em bancas de jornais que vendiam publicações de esquerda, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no centro de convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro.

Foi em meio a todo este caos que surgiu um movimento suprapartidário em favor da aprovação da emenda constitucional, proposta pelo deputado federal mato-grossense Dante de Oliveira, restabelecendo a eleição direta para a Presidência da República. A campanha das Diretas-Já se espalhou em grandes comícios, passeatas e manifestações por todo o país.

No final de 1984, já eram 130 milhões de pessoas, ávidas por soluções há muito prometidas. O país sabia que o cumprimento de todas elas não seria tarefa fácil, mas o novo ano irradiava uma nova possibilidade que nascia com Tancredo Neves.


Se todos quisermos, dizia-nos há quase 200 anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, poderemos fazer deste país uma grande Nação. Vamos fazê-la. (Tancredo Neves, 1985)
2. Onda Rural: o som verde
A missão fundamental do rádio, como veículo de prestação de serviços, aliada à função essencialmente educativa, cumprida com arte e bom gosto, rigorosamente ao nível do público específico a que se destina – no caso, o homem do campo em particular e a população do interior, de modo geral – será a tônica da Onda Rural. 4
A necessidade de estreitar a comunicação entre a cidade e o campo foi a alavanca propulsora que serviu ao Governo do Estado para justificar a criação de uma estação de rádio, com uma programação diária de 18 horas ininterruptas, totalmente voltada aos interesses dos agricultores.

A Onda Rural entrou no ar em 14 de maio de 1980, sob a direção do jornalista André Carvalho, primeiramente na Rádio Guarani, emissora dos Diários Associados, para, posteriormente, ser levada, pelo governador Tancredo Neves, à Rádio Inconfidência, emissora oficial do governo mineiro.

A programação foi formatada a partir de uma pesquisa encomendada pela Secretaria da Agricultura e Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural e realizada com 9.469 pessoas em 680 localidades de Minas. (MACHADO: 1984: 201-221).

Poucos dias antes da estréia da Onda Rural, o diretor André Carvalho explicou como seria a programação da emissora.


Nós vamos falar do tempo, de receita; do esporte, faremos debates, promoveremos serestas e bailes – o ouvinte liga o rádio lá na roça e dança ao som da música caipira. Teremos horóscopo, piada, preços da saca de feijão, de milho, santo do dia, condição das estradas. Falaremos de economia, falaremos de política, de poesia.5
O projeto, pioneiro no Brasil, foi considerado um fenômeno de comunicação social. Em 1983, a Onda Rural recebeu do Presidente da República, João Figueiredo, no Palácio do Planalto, o prêmio Ciência e Informação, da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, como o órgão de imprensa que mais se destacou a serviço da agropecuária brasileira.6

O reconhecimento pelo trabalho realizado podia ser comprovado, também, por intermédio das cartas que, diariamente, chegavam à redação, vindas de todas as partes do Brasil e algumas até do exterior. A emissora chegou a ter em seu acervo, em apenas quatro anos de vida, cerca de 300 mil cartas de seus ouvintes.7


São cartas da gente simples do campo. De um Brasil que acorda cedo, ouve canto de galo, um Brasil que semeia, planta e colhe, que reza por chuva, que empunha enxada e faz dos tratores, bandeiras para pedir um preço mínimo justo, para pedir crédito. São cartas de pessoas que lutam todos os dias, que fazem planos, previsões e promessas para não perder tudo na estiagem (BAHIA: 1981: 1).8
Cartas cheirando a talco, a alfazema, com pétalas de rosa de todas as cores, com corações desenhados a batom. Cartas expressando opiniões, mostrando versos de amor, contando histórias, revelando segredos, trocando receitas. Cartas que sonham com uma melhor política de preços, de abastecimento, cartas reclamando das dificuldades para a obtenção do crédito rural, cartas pedindo mais subsídios, novas áreas de armazenamento, juros menores, custos mais baixos, insumos e fertilizantes mais baratos.
São cartas que alimentam a programação da Onda Rural. Para cada envelope aberto, a resposta flui rápida e precisa, através dos microfones da emissora. E o círculo se fecha quando, do outro lado da porteira, uma nova carta é escrita, narrando a satisfação no recebimento e no interesse na busca de outras informações.9

3. Rubra liberdade: Um outro nome para Minas.

As alvoradas da liberdade não surgem como um acontecimento natural. As manhãs da liberdade se fazem com a vigília corajosa dos homens que exorcizam com sua fé os fantasmas da tirania


(Tancredo Neves. 1984)

No dia 11 de novembro de 1982, 250 mil pessoas, reunidas na Praça do Papa, em Belo Horizonte, participaram de um show organizado por Milton Nascimento e Fernando Brant, com diversos artistas da música popular, em apoio à candidatura do senador Tancredo Neves ao governo do Estado. Era o show da travessia, para a liberdade tão almejada!

A gente percebeu que aquela eleição para o Palácio da Liberdade, na realidade era uma ponte, era uma travessia para acabar com o regime militar; era uma maneira de apressar o fim da ditadura. (Fernando Brant, 2005).10
Quatro dias depois o povo foi às urnas e Tancredo foi eleito governador.

Pela primeira vez, desde 1965, Minas e os outros estados da Federação sentiram, novamente, o sabor de uma eleição direta reaprendendo, assim, a fazer política no país.

O Tribunal Regional Eleitoral ainda contabilizava os últimos votos quando a imprensa mineira foi convidada para a primeira coletiva do governador Tancredo Neves, na Assembléia Legislativa. O repórter da Onda Rural Ruiter Miranda estava presente, transmitindo, ao vivo, aquela entrevista. À pergunta sobre o que o homem do campo poderia esperar do governo que ora se iniciava, Tancredo respondeu:
Nós temos uma dívida enorme para com o homem do campo. Nós temos que procurar, realmente, levar ao campo todos os benefícios (...) e mais do que isso, dar a ele uma assistência ampla... Uma assistência médica, social, casa própria, estradas vicinais para que ele possa realmente, colocar o produto de seu trabalho no centro de consumo mais próximo de sua atividade(...). É um tratamento à altura da sua dignidade de pessoa humana.11
Às seis horas da manhã do dia 15 de março de 1983, dia da posse, um carro do Corpo de Bombeiros estacionou em frente ao Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, Zona Central de Belo Horizonte, onde residia o governador Tancredo Neves. Em instantes, a escada Magirus foi acionada até o décimo primeiro andar do prédio, na direção do apartamento 1102, para que o Cabo Santos despertasse o governador ao toque de clarim.

Lá embaixo, a Banda da Companhia de Guarda do Palácio da Liberdade se preparava para executar algumas músicas para homenageá-lo.

Os repórteres da Onda Rural, João Gabriel, Vera Guimarães e Maria Líbia participaram desta cobertura. Depois da alvorada, o governador os convidou para, juntos, tomarem o café da manhã. A repórter Maria Líbia, descreveu assim a sua experiência, em flash para o jornal Hora de Minas, da Onda Rural.
Prezados amigos ouvintes da Hora de Minas... quando nós entramos no apartamento 1102, do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, já era por volta de oito horas da manhã e o governador Tancredo Neves se encontrava sentado no sofá, lendo o Jornal Estado de Minas, cuja manchete é: Tancredo assume o governo hoje às 15 horas. Em seguida, acompanhado de sua esposa, seus filhos e netos, todos eles muito alegres e descontraídos, o governador tomou lugar à mesa, para tomar o café da manhã. 12
O clima de um acontecimento sempre deve ser comunicado ao ouvinte permitindo que ele, por meio das palavras do emissor, construa, aquela cena com precisão, na sua imagem mental.

Suaves transições que levam o ouvinte de uma parte daquela imagem para outra. Informação pesquisada, frases curtas, discurso direto, cores e atenção aos detalhes, tudo utilizado com uma habilidade magistral para colocar o ouvinte dentro da cena. (MCLEISH: 2001: 164).


O que se percebe é que os repórteres da Onda Rural não abriram mão da utilização de tais recursos, enriquecendo a cobertura daquele café da manhã com o governador. A sensorialidade, uma das características intrínsecas do rádio e bastante explorada durante toda a transmissão, permitiu que o ouvinte se sentisse envolvido com o fato e participasse dele por intermédio da criação de um diálogo mental com o emissor.

Ao mesmo tempo, despertou a imaginação através da emocionalidade das palavras e dos recursos de sonoplastia, permitindo que as mensagens tivessem nuances individuais, de acordo com as expectativas de cada um. (ORTRIWANO:1985: 80).


Rosquinhas, queijo Minas, pãozinho e uma rosca, toda decorada com cerejas e passas. O governador comeu primeiro um pêssego para abrir o café. No centro da mesa, que estava coberta com uma toalha de renda, havia um arranjo de frutas, um arranjo muito bonito, frutas como abacaxi, pêssego, figo, mamão, maçã e laranja (...). Depois, foi servido ao governador, pela copeira, uma xícara de café com leite acompanhado por uma fatia de rosca.

O governador estava acompanhado por toda a sua família (...). Dona Risoleta estava sobriamente vestida Ela trajava uma saia preta, uma blusa branca de seda e, sobre esta blusa branca, um casaquinho vermelho, bem simples. Ela calçava sandálias pretas e também levava na mão uma bolsa preta de verniz. É importante colocar também que o tom branco dominou a roupa dos netos do governador Tancredo Neves.13


Depois do café, a repórter Vera Guimarães pôde conversar com muita tranqüilidade com o governador mineiro, visto que a equipe da Onda Rural era a única equipe de rádio presente ao apartamento de Tancredo Neves naquela manhã. Aos ouvintes da emissora, ele contou como reagiu à surpresa preparada para homenageá-lo.
Quando ouvi o toque de clarim eu despertei. Meu primeiro pensamento foi fazer uma prece a Deus, pedi a ele que me iluminasse e me encorajasse, para que eu pudesse dar ao povo mineiro um governo de justiça, de trabalho e de esforço, no sentido de aliviar o seu sofrimento, suas angústias e todas as suas preocupações e em seguida passei a presenciar a alvorada que foi, realmente, das mais bonitas. 14
Ao repórter João Gabriel, Tancredo Neves falou de seus sentimentos e ratificou os seus planos de governo para beneficiar o homem do campo, reforçando a importância do Estado de Minas Gerais para o cenário nacional.
Me sinto muito animado porque estou certo que não vai me faltar o apoio do povo mineiro para enfrentar os desafios enormes que temos pela frente. O meu governo será voltado prioritariamente para as atividades rurais. Nós mineiros temos responsabilidades com o abastecimento nacional e com a nutrição dos brasileiros. Somos hoje o maior produtor de feijão, o maior produtor de milho, o maior produtor de leite, o maior produtor de carne e estamos caminhando, para sermos também, o primeiro produtor de soja do Brasil. Já somos o primeiro produtor de café e essa responsabilidade de Minas com o Brasil é muito grande e nós vamos realmente revigorá-la e intensificá-la.15

Antes de revelar as suas expectativas com relação aos desafios a serem enfrentados pelo seu marido, Risoleta Neves falou sobre os hábitos de sua família.


Nós temos uma vida essencialmente mineira. Os nossos hábitos são mineiros, nós fomos formados de acordo com os preconceitos da família mineira, de maneira que temos um orgulho muito grande de ter nascido nessa terra maravilhosa (...).

E somos como tudo mais em Minas: simples, cheia de sinceridade, cheia de vontade de vencer.

Agora, o que me anima nesse momento é pensar que está nas mãos do Tancredo, apesar de todas as dificuldades que ele vai enfrentar, o governo de Minas, tendo então ele a oportunidade de fazer alguma coisa pela minha gente.16

Ao ser questionada sobre a possibilidade de Tancredo Neves vir a disputar, em um futuro próximo, a presidência da República, Dona Risoleta reticente respondeu:


Ele entrando agora para governador, naturalmente ele quer dar tudo de si mesmo por esta gente nossa. E o governo da República será dentro de dois anos. Eu acredito, não que ele me tenha dito, mas eu acredito que ele deseja ter mais tempo para se dedicar a sua gente, especificamente (...). Se ele será o próximo presidente do Brasil, isso ninguém sabe, só o futuro dirá.17
Ao terminar o café da manhã, Tancredo Neves seguiu com sua comitiva para a Igreja Nossa Senhora do Carmo, para a celebração da missa em ação de graças. Além de todo o seu secretariado e de muitos deputados, o governador foi recebido por centenas de populares desejosos de participar daquela celebração. Dos dois lados da escadaria estavam os dragões da independência que receberam Tancredo Neves ao som de clarinetas. Dentro da Igreja do Carmo estavam a Orquestra Sinfônica da Fundação Clóvis Salgado com 75 componentes além do coral da 40 vozes a serem regidos pelo Maestro Carlos Eduardo Prates.Todos a postos, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte Dom João Resende Costa, o bispo auxiliar Dom Serafim Fernandes de Araújo e o padre Lázaro Assis deram início à cerimônia: Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amém.18

Às três da tarde, Tancredo Neves recebeu das mãos de Francelino Pereira, o título de governador de Minas. A Onda Rural estava presente e transmitiu, ao vivo, o discurso de posse.


Mineiros... O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade. Quando não havia ainda caminhos e cidades nestas montanhas, os pioneiros, descortinando o alto horizonte, sentiram que nelas não haveria pouso para os tiranos, nem chão para as quimeras totalitárias. Minas nasceu da luta pela liberdade. E porque a liberdade é o ânimo da pátria, a nação surgiu aqui, na rebeldia criadora dos inconfidentes, que nos deram por bandeira o mais forte de todos os ideais. Não se deve ao acaso que esta Praça e este Palácio tenham a mesma denominação. Liberdade é o outro nome de Minas. (DELGADO e SILVA: 1985: 161)


4. O campo se pinta de verde-esperança

Vamos, com a graça de Deus, presidir o momento histórico e o faremos com a cooperação e a participação de todas as forças políticas, econômicas e sociais bem intencionadas, sem quaisquer preocupações de represálias quanto ao passado (Tancredo Neves, 1984).


Quando o deputado Dante de Oliveira do PMDB do Mato Grosso apresentou ao Congresso Nacional, naquele dia 2 de março de 1983, a proposta de emenda à Constituição prevendo o restabelecimento de eleições diretas para a Presidência da República, a Onda Rural ali estava, contando aos seus ouvintes o início de uma história que marcou, profundamente, a vida de milhões de brasileiros.

Diariamente, às 11h e 30min, os ouvintes acompanhavam pelo Campo Aberto Notícias, a nova revista falada da Onda Rural, com 60 minutos de duração, as principais informações do dia e, de uma forma especial, a campanha pelas eleições diretas que começava a ganhar espaço em cada canto do país. Além disso, de meia em meia hora, havia em sua grade de programação o noticiário Araponga bateu...lá vem notícia, em que outras informações sobre o movimento das Diretas-Já eram divulgadas.

A Inconfidência FM, bem como a AM também abraçaram a causa e se pintaram de verde-esperança, na luta pelas eleições, como relembra o compositor e, na época, diretor artístico da emissora, Fernando Brant.

Quando houve o golpe de 64, a emissora oficial do golpe era a Inconfidência (...) Então a gente criou uma oportunidade de fazer um resgate. Minas Gerais fez o inverso pensando assim: Nós vamos fazer uma grande cobertura exatamente pra mostrar esse momento em que a gente está dando a volta por cima, tanto a rádio como o país. 19


Em crônica publicada pelo Jornal Estado de Minas no início deste ano, Fernando Brant em Vinte Janeiros afirma:
Tínhamos na lembrança que a Rádio Inconfidência, que naqueles dias estava em nossas mãos, fora a emissora oficial dos golpistas de 64.

Mudaram-se os tempos e as vontades, o governo mineiro não era mais golpista e atuava vigorosamente para que a vontade da maioria fosse ouvida.20


De acordo com Claudinê Albertini, coordenador da emissora naquela época,21 a Inconfidência preparou uma programação especial com textos, músicas e diversos depoimentos gravados pelos principais artistas da música popular brasileira, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivan Lins e Milton Nascimento, em que se manifestavam a favor das eleições diretas.

Além disso, durante toda a programação, os locutores anunciavam os locais onde aconteceriam as manifestações populares e o departamento de jornalismo enviava as suas equipes de reportagem para a cobertura.

Albertini disse ainda que, certificar-se de que o projeto por eles idealizado em prol das Diretas-Já vinha se concretizando, era a garantia de que a área cultural estava, definitivamente, livre das mordaças que, por tantos anos, calaram o país.
Fizemos da Rádio Inconfidência um verdadeiro palanque de apoio a Tancredo Neves. A emissora se transformou em uma receptora da cultura brasileira. A consolidação democrática estava evidente no pulsar de cada alma. Na FM, na AM, ou na Onda Rural, estávamos todos em busca de um só objetivo: conscientizar a todos da importância de se votar para presidente.22
O primeiro comício que marcou o lançamento nacional da campanha foi em Curitiba no dia 12 de janeiro de 1984 e reuniu 30 mil pessoas. Daí por diante, dezenas de outros foram realizados em todos os estados brasileiros. O último deles foi no dia 16 de abril, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo e reuniu 1 milhão e meio de pessoas. (JORNAL NACIONAL a notícia faz história: 2004: 161-162).

Nunca se vira nada igual. Em depoimento à Revista Veja, o venerável advogado Sobral Pinto disse que nem os comícios de Ruy Barbosa, em 1909, dos quais também participou, atingiram essa grandeza.23

Durante os meses de fevereiro e março, muitas cartas pedindo eleições diretas para presidente chegaram à redação da Inconfidência Onda Rural.

O desejo dos editores do jornal Campo Aberto Notícias era o de despertar nos ouvintes o interesse e a vontade de se manifestarem usando, para tanto, a rádio como porta-voz.

As cartas aqui selecionadas são todas do interior mineiro e algumas delas apontam o governador Tancredo Neves como o candidato ideal para assumir a Presidência.

Da Fazenda Grota do Indaiabira, em Rio Pardo de Minas, chegou a carta de Aldiva Dias dos Santos. “Estamos emecionadas com a eleição direta ... Se você deseija saber cual é nosso cadidato você vai saber agora nosso candidato é tacredo nevi ou outro que vocês falar ai ta?”

Da Fazenda Delmonte, em Ladainha, o ouvinte Gilberto Gomes de Oliveira enumerou as suas razões para explicar porque é a favor das diretas. “A vinte anos estamos esperando melhora e veio piora, gente deslocando do campo para as favelas, nossas lavouras diminuindo, a fome tomando conta de todo o campo, a doença nem se fala. (...). Antes desses corruptos que aí estão, tínhamos paz, sossego (...) hoje, o sofrimento, a mizeria nos tira oportunidade. Nossos filhos estão sem escola(...) Precisamos de justiça pois aqui no meu município ainda tem gente que interdita uma estrada por onde é transportada a nossa produção e não temos a quem recorrer. Queremos eleições diretas, porque os que estão aí levados pelas indiretas não são capazes de tirar-nos do sufoco que estamos (...). Esses machões que estão aí tiraram nossos últimos centavos para construir uzinas atômicas, uzinas de Itaipu e não sei mais o que...não devolvendo pra nós nem pelo menos uma única estrada de ferro que eles cortaram”.

Para Minervino Rodrigues Salomão, do Córrego de Ipanema, município de Itabirinha de Mantena, “o que não podemos suportar é essas gente aí das grandes potencia que não são eleitos pelo o povo, então certamente eles não tem compromissos com o povo (...).Nos não agüentamos mais esta criz que estamos atravessando, inflação muinto alta. Será que nos somos mais pecador? Ou os homens do poder não são brasileiros? Sei que não é fácil governar um país e satisfaser a todos por que (...) os pobres precizão de saúde, comida na mesa, felicidades livres da escravidão que estamos vendo. E o rico precisa de muintas fazendas, muinto gado e muinto capim para o gado, então são muintas complicações”.

De Córrego dos Almeida, no município de Paulistas, foram selecionadas duas cartas: uma com 66 assinaturas pedindo eleições diretas-já e outra escrita em verso por João Vianei de Almeida:
Queremos um presidente, seja de qual fôr o partido,

mas que seja brasileiro, corajoso e destemido;

que vá governar sem medo, gritar igual fez D. Pedro,

salvando o povo sofrido.


Da Fazenda Mimoso, em Corinto, chegou a promessa de Manoel Rodrigues de Souza, garantindo 12 votos se o candidato for do PMDB, “pois votar em outro governo é votar na mizeria, na fome e no dezenprego”.

Noé Gomes de Oliveira de Teófilo Otoni, aponta como um de seus candidatos favoritos o governador Tancredo Neves, afirmando que “o presidente eleito pelo voto direto tem mais responsabilidade com a sua administração e com o povo”.

Para Herlinda Idália Durães Oliveira da Fazenda Casa Nova, as eleições diretas seriam a realização dos sonhos dos brasileiros. “Desejo eleições diretas como desejo o pão de cada dia”.

Helena Evangelista Oliveira de Ferreirópolis, município de Taiobeiras, afirma que “o povo brasileiro não está suportando esta crise econômica que está no Brasil. Este deszemprego, esta infração, não temos dúvida que é a eleições diretas, que nós queremos tranqüilidade e oposição e esta queremos vencer e não temos duvida do nosso candidato (...) nós escolhemos é o Tancredo Neves, o nosso querido governador de Minas Gerais”.

Tancredo Neves também é o candidato preferido de Henriqueta Pinheiro dos Santos de Veredinha, município de Turmalina. “Nem tudo tá perdido ainda podemos levantar um país que se encontra num abismo de uma dívida externa já mais esperada por nós brasileiros e a oportunidade está aí queremos eleições diretas custe o que custar (...). Queremos Tancredo para presidente”.

Edithe Gomes Miranda da Fazenda Samambaia em Padre Paraíso justifica a sua escolha pelas diretas dizendo que “um presidente escolhido pelo voto livre do povo olhará as necessidades do povo(...). Eu fico imaginando como é que pode ainda ter gente lá em cima, insistindo não querer eleições diretas vendo que é esta a vontade da maioria dos brasileiros”!

De Medina, José Alvimar Sena afirma: “Considero direito inalienável de todo cidadão, escolher desde o padrinho até o presidente da republica, pois democracia, como vocês mesmos acertadamente dizem, se faz com o título de eleitor na mão”.

Da Fazenda Aliança, em Felisburgo, Patrícia Lopes Figueiredo afirma:”Voz me ce diz que, as eleições direta vai melhorar um pouca as coiza no país Eu também acho, vamos torcer prá da tudo certo, com a fé no pai”.

Da cidade de Mendes Pimentel, José Orozimbo de Faria afirma que votará em um candidato que seja “brasileiro, civil, capaz de resolver a questão infracionária, o desemprego em nosso país. Votarei em Tancredo Neves ou Ulysses Guimarães(...) É preciso que o povo tenha liberdade de escolher o seu candidato”.

A carta de Maria Alvaci Pereira Santos, de Ribeirão Vermelho, município de Caraí faz um apelo ao presidente João Figueiredo: “Nós do campo temos que muito lutar(...) não podemos além de tudo, ficar calado como sapo abaixo do pé de boi. João, João! Assim não dá não! Grita eleição direta. Tira nosso país do sufoco, desta horrível inflação, pois assim só vemos miséria”.

Apesar de toda essa mobilização, promovida por 130 milhões de brasileiros, em 25 de abril de 1984 a emenda foi derrotada no Congresso Nacional. Estava decretada a falência dos sonhos da redemocratização

A alternativa passou a ser uma grande mobilização popular para forçar uma transição para a democracia. Os entendimentos foram articulados pelo governador mineiro Tancredo Neves, um dos líderes oposicionistas, que em 15 de janeiro do ano seguinte foi eleito Presidente da República pelo Colégio Eleitoral.

Em agosto de 1984, durante a convenção do PMDB, Tancredo Neves, já indicado oficialmente como o candidato do partido à Presidência da República, afirmou:

Nosso propósito é o de presidir um grande acordo nacional para a transformação do Brasil num país restaurado em sua honra, em sua riqueza e em sua dignidade (Tancredo Neves, 1984)


Uma semana antes da posse de Tancredo Neves, marcada para o dia 15 de março, muitos artistas que o apoiaram estiveram em Belo Horizonte para participar de um grande show organizado por Milton Nascimento e Fernando Brant, em frente ao Mineirão, no complexo arquitetônico da Pampulha.

Na oportunidade, eles entregaram ao futuro presidente do Brasil, a Carta de Araxá, um documento reivindicando apoio à cultura nacional.

Eu entreguei pro Tancredo e li lá o documento, a Carta de Araxá, que fazia a reivindicação da música, dos compositores, músicos, cantores, ao governo que ia começar. Eu entreguei isso pra ele no dia 7 e no dia 14 aconteceu tudo aquilo. Foi o último grande ato dele antes da posse. (Fernando Brant, 2005)24

O que existia de diferente no ar era uma espécie de sentimento nacional de que os males seriam tratados por gente que, efetivamente, se interessava pela cura. Os pobres querendo comer, as famílias de classe média pedindo o controle efetivo sobre os preços e fartas da violência, os empresários clamando por juros menores e a maioria dos plantadores reclamando a volta dos subsídios. A maneira de cativar a todos, repetia Tancredo aos quatro ventos, na véspera de iniciar o seu mandato, é transmitir credibilidade e interessar a Nação pelo grande projeto comum de construção democrática. (CASTRO: 1984: 36-67).25


A causa do povo, que dispensa radicalismos, exige coragem. E é esta coragem, assumida por todos nós e sobretudo pela gente mais simples do povo que nos deu ânimo para penosa travessia. Levamos para jornadas próximas, a força que nos conferem a confiança e o entusiasmo do país. Vamos em paz para promover a paz. A paz que pretendemos não é a que os vencedores impõem aos vencidos; é a que se edifica no entendimento e na concórdia. (Tancredo Neves, 1984)26
5. Vendaval de outono: a Inconfidência em tristes tons.

   


Terra minha, amada, tu terás os meus ossos, o que será a última e definitiva identificação do meu ser com esse rincão abençoado. (Epitáfio)
Às oito e meia da manhã daquele domingo de outono, em que o país celebrava a morte de Tiradentes, a pressão do presidente caiu de 8 para 4 e o batimento cardíaco foi para 50. Os órgãos já não recebiam mais o sangue que circulava escassamente pelo pulmão e pelo coração e às quatro e meia da tarde, um novo boletim médico afirmava que o quadro clínico era extremamente crítico. Pouco mais de nove horas da noite, o assessor de imprensa Antônio Brito deixou o quarto andar do Instituo do Coração, onde Tancredo agonizava e retornou ao auditório do Incor, para dizer à imprensa que o quadro se tornara irreversível. Voltou uma hora e meia depois, às 22h e 23min para, em cadeia nacional de rádio e televisão, anunciar o falecimento do presidente. (BRITO e CUNHA: 1985: 176)

Entre o Hospital de Base, no Distrito Federal e o Incor – Instituto do Coração, em São Paulo, foram sete cirurgias, em 38 dias de luta contra a morte. Por todo este período, a Inconfidência manteve os seus ouvintes permanentemente informados não só com boletins transmitidos pelos seus correspondentes, especialmente de São Paulo e Brasília, como, também, tratando da repercussão da tragédia, em todo país.


A princípio, essas matérias dividiam espaço com outras sobre a implantação da Nova República. Mas, aos poucos, o estado de saúde do presidente foi ocupando praticamente todo o noticiário. O país viveu um clima de comoção nacional, acompanhando a agonia de Tancredo, desde a sua transferência de emergência para São Paulo até a série de sete operações a que foi submetido (JORNAL NACIONAL a notícia faz história: 2004: 172).
Meia hora após o anúncio da morte de Tancredo Neves, o operador de som da Onda Rural, Pedro Matias, seguindo o script daquele especial que começara a ser preparado com mais de um mês de antecedência, rodava a música orquestrada Coração de Estudante de Milton Nascimento e Fernando Brant, para servir de fundo às vozes dos locutores Maria Suely e Paulo Maurício que abriram aquela edição extraordinária dizendo:
E a Nação inteira chorou um pranto só, como se a gente fosse, todos nós, a mesma pessoa, com um mesmo peito, um mesmo coração, a mesma alma. E as lágrimas que escorreram, numa vazante de amargura, arrastaram alívio e revolta. Alívio por se haver findado a dor de alguém de nossa maior querença. Revolta por vermos sumir para sempre, na curva da estrada, ali onde acaba o minifúndio da vida e principia o estirão sem fim da eternidade, aquele que era toda a esperança de um povo. Que Deus nos perdoe, mas no nosso sentir, no nosso querer e no nosso esperar, era cedo demais para esta despedida. Dá um nó na goela da gente, mesmo sabendo que são outros, muitas vezes, o sentir, o querer e o esperar do Criador. Perder Tancredo, justo quando a gente mais carecia dele, é dessas coisas que a inteligência limitada do homem não dá conta de entender. A gente aceita porque não tem outro jeito. Aceita não, a gente atura. A gente engole. A vontade é de resistir, reagir, como faz o lavrador enxotado da terra pelos jagunços do grileiro (...) Muitas esperanças foram embora com Tancredo. Outras ficaram para o consolo de um país jogado à vala do desespero por vinte anos de ditadura.

E a maior dessas esperanças que nos restaram está a certeza de que, como a semente que precisa morrer para germinar, a morte de Tancredo seja o nascimento de um novo Brasil.27


As manifestações estouraram por todo o país.Uma parte delas resultava da comoção provocada pela morte de um presidente, ainda mais em condições tão dolorosas. Mas havia também a sensação de que o país perdera uma figura política importante em um momento delicado (FAUSTO: 2001: 285).

Em Belo Horizonte, as manifestações foram sem precedentes. Na tarde de 23 de abril mais de um milhão e meio de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre do Aeroporto da Pampulha ao Palácio da Liberdade.

Ansiosa, a multidão forçou a entrada por um dos portões laterais. A grade cedeu e provocou nova tragédia: seis pessoas morreram e 600 ficaram feridas.28
A Onda Rural transmitiu, durante todos estes dias, os principais fatos dessa maratona que pareceu não ter fim.

Por volta das onze da noite, do dia 24 de abril, ao som do toque de silêncio e da salva de 21 tiros de canhão, o corpo do presidente baixou à sepultura do cemitério da Ordem Terceira na Igreja de São Francisco de Assis, na histórica cidade de São João Del Rey.29

Predestinado: desces ao chão do teu chão,

para o instante do derradeiro discurso, na tribuna da eternidade.

Guarda, porém o teu silêncio. Dirá melhor de ti

a saudade do teu povo, que viu, no esplendor do teu caminho,



a jornada fascinante de uma raríssima estrela.30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRITO, Antônio e CUNHA, Luís Cláudio. Assim morreu Tancredo. Porto Alegre: L&PM Editores. 1985.
DELGADO, Lucília de Almeida Neves e SILVA, Vera Alice Cardoso. Tancredo Neves: a trajetória de um liberal. Petrópolis: Vozes; Belo Horizonte: UFMG, 1985.
FAUSTO Boris. História concisa do Brasil. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo, 2001
JORNAL NACIONAL:A notícia faz história / Memória Globo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2004.
MACHADO, Antônio A. Marketing rural e os meios de comunicação. IN: ICONGRESSO BRASILEIRO DE MARKETING RURAL, 1984, Lavras, Minas Gerais.
MCLEISH, Robert. Produção de rádio: um guia abrangente de produção radiofônica. São Paulo: Summus, 2001.
ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A informação no rádio: os grupos de poder e a determinação dos conteúdos. São Paulo: Summus Editorial, 1985.

NOTAS

1 Jornalista (UFMG), Mestre em Comunicação (Universidade São Marcos-SP) Professora dos cursos de Jornalismo, Produção Editorial e Publicidade e Propaganda do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH) e da Universidade Salgado de Oliveira (Universo).


2 Revista Veja, 27 out. 1993, p. 46.


3 Ibden, p. 54 – 58.


4 Jornal Diário da Tarde, Belo Horizonte, 19 mai. 1980, p. 09.


5 Jornal de Shopping, , Belo Horizonte, 11 mai 1980, p. 17.


6 Jornal Estado de Minas, , Belo Horizonte, 15 set. 1984, p.15.


7 Jornal Campo Aberto Notícias: Órgão da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais. 1984, p.1.


8 BAHIA,Cristina. Um Brasil que pulsa diferente. Jornal Estado de Minas, , Belo Horizonte, 15 jun. 1981. Caderno Agropecuário, p.1.


9 Jornal Diário de Minas, , Belo Horizonte, 1 mar. 1988, p.5.


10 BRANT, Fernando (compositor e parceiro de Milton Nascimento e diretor artístico da Rádio Inconfidência AM e FM no governo de Tancredo Neves) em depoimento à autora, 17 fev. 2005.


11 Arquivo da autora.


12 Arquivo da autora.


13 Arquivo da autora.


14 Arquivo da autora.


15 Arquivo da autora.


16 Arquivo da autora.


17 Arquivo da autora.


18 Arquivo da autora


19 Depoimento à autora em 17 fev 2005


20 BRANT, Fernando. Vinte janeiros.Jornal Estado de Minas, Belo Horizonte, 12 jan.2005.


21 Depoimento à autora em 11 fev 2005


22 Depoimento à autora em 11 fev 2005


23 Revista Veja, 27 out. 1993, p. 10


24 Depoimento à autora em 17 fev 2005

25


 CASTRO, A. O país que o novo presidente vai encontrar. Revista Isto é. 26 dez 1984.


26 FERREIRA, Márcio. A Palavra de Tancredo. Belo Horizonte: Quilombo, 1987. 1 Disco de vinil, 33 rpm. . Fx 6, lado A.


27 Trecho do programa especial produzido pelos editores do jornal Campo Aberto Notícias, Alberto Sena, Alcântara Xavier e Wanir Campelo sobre Tancredo Neves e levado ao ar em 21 de abril de 1985.


28 Jornal Estado de Minas, , Belo Horizonte, 21 abri 1995, p.5


29 Jornal Estado de Minas, , Belo Horizonte, 25 abr 1985, p.1


30 DRUMMOND, Olavo. Poema Adeus, Tancredo. Jornal Campo Aberto Notícias - edição especial - Belo Horizonte, 24 abr 1985.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal