Dados Internacionais de Cataloga��o na Publica��o (cip) (C�mara Brasileira do Livro, sp, Brasil) Carlos Bernardo Loureiro Perisp�rito: natureza, fun��es e propriedades / Carlos Bernardo Loureiro



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Dados Internacionais de Cataloga��o na Publica��o (CIP) (C�mara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Carlos Bernardo Loureiro Perisp�rito: natureza, fun��es e propriedades / Carlos Bernardo Loureiro. � S�o Paulo: Editora Mn�mio T�lio, 1998. 1. Espiritismo - Filosofia 2. Esp�rito e corpo I. T�tulo �ndices para cat�logo sistem�tico: 1. Perisp�rito: Doutrina esp�rita 133.901 �ndice Introdu��o 11 Natureza e Propriedades do Perisp�rito 13 O Perisp�rito e a For�a Pl�stica Diretora 18 O Perisp�rito e a Crise da Morte 23 O Perisp�rito e os Mecanismos da Fecunda��o 28 O Extraordin�rio Vidente Andrew Jackson Davis .... 31 A Alma Sai do Corpo pelo Cr�nio 35 O Campo Perispiritual e o Processo Preventivo das Doen�as .....38 O Antimundo .....41 Perisp�rito, Reencarna��o e o Processo Obsessivo .............44 Fotografias Cient�ficas do Perisp�rito....................................49 O Perisp�rito e a Transcomunica��o .....58 O Vidicom .....59 O Esp�rito projeta sua imagem, via TV, durante o sepultamento do seu corpo ...60 As considera��es do Dr. George W. Meek sobre a comunica��o instrumental com os mortos ....62 A Teoria An�mica e o Perisp�rito ...64 As experi�ncias de William Thomas Stead ....67 A.opini�o.de.L�on.Denis.....................................................69 A Pesquisa Kardequiana......................................................71 A A��o da Alma � Dist�ncia .....74 As Evoca��es de Florence Marryat .....77 Emma Harding Britten ....79 Evoca��o de Um Surdo-Mudo Encarnado ....79 A Nossa Experi�ncia .... 81 O Extraordin�rio Caso de �mile Sag�e .....84 O Perisp�rito e a Mediunidade ....92 Transe................................................................................ 94 A G�nese do Transe Segundo a Psicologia Cl�ssica............ 97 Perisp�rito, Sonambulismo Natural e Magn�tico ..... 98 A Exterioriza��o da Sensibilidade.......................................105 As Experi�ncias de H. Durville ....106 Perisp�rito, Pensamento e Vontade......................................111 Vista Espiritual ou Ps�quica e Dupla Vista .... 115 A Luz Espiritual ... 117 Transfigura��o - Apari��o Perispiritual sobre o Corpo F�sico ...119 Transfigura��o Medi�nica ...121 O Perisp�rito e os Membros Fantasmas..............................124 A Exist�ncia do Duplo em Tudo que Vive . 129 O Testemunho de Andr� Luiz 132 Cita��es 134 Sugest�o para Leitura 141 Obras do Autor 144 Gra�as � sua complexidade (o perisp�rito), conserva-se intacto a individualidade, atrav�s da esteira das reencarna��es, e se faz respons�vel pela transmiss�o ao Esp�rito das sensa��es que o corpo experimenta, como ao corpo informa as emo��es procedentes das sedes do Esp�rito, em perfeito entrosamento de energias entre os centros vitais ou de for�a, que trocam as aparelhagens fisiol�gicas e psicol�gicas e as rea��es som�tica que mais exteriorizam os efeitos do interc�mbio. Joanna de Angeles(in: Estudos 'Esp�ritas, psicografado por Divaldo Franco ) 9 Introdu��o A ideia da exist�ncia do perisp�rito remonta � Antiguidade. Os sacerdotes eg�pcios chamavam Ka a esse envolt�rio flu�dico da alma. Figura, tamb�m, na B�blia com a denomina��o de nephesh. L�-se, no G�nesis (Cap. II, vers�culo 7), na tradu��o dos hebreus: O Senhor Deus uniu a seus �rg�os materiais (do homem) a alma inteligente (ou eu) "nichema", inspirando o sopro da vida, "ruach" (que a segue em todas as vidas) e o tra�o da uni�o da alma e do corpo grosseiro foi um sopro vital: "nephesh". A distin��o dos tr�s elementos constitutivos do corpo � tamb�m encontrada no livro de Job (Cap. XXVTI, vers�culos 2 e 3) da B�blia hebraica: "E Deus proferiu o julgamento do culpado, afligindo-o no seu Esp�rito terrestre (nephesh), porque a alma (nichema) est� eternamente unida ao Esp�rito divino (ruach)". No livro de Isa�as (Cap. LVTI, vers�culo 16), onde se encontra o emprego simult�neo das mesmas express�es: " A alma sair� de minhas m�os e eu lhe darei um "nephesh" que a unir� ao corpo na sua encarna��o". Na Gr�cia, Hes�odo fala no corpo flu�dico, quando descreve a vida futura das almas. E os hinos �rficos II Carlos Bernardo Loureiro aludem �s almas envoltas num corpo et�reo impregnado das manchas horrendas de todas as faltas cometidas, sendo necess�rio, para apag�-las, que elas retornem � Terra. O perisp�rito � o "linga-sharira" dos hindus, o Kaleb dos persas, o "akasha" dos br�manes, o "ochema" dos gregos, o "enormon" (Hip�crates), o "carro sutil da alma"(Pit�goras), o "mediador pl�stico" (no sistema de Cudworth), o "organismo sutil"(Leibnitz), o "influxo f�sico"(Euler), "o corpo aromai" (Fourrier), a "ideia diretriz" (Claude Bernard), "o corpo sid�rio" (Paracelso), o "somod" (nas investiga��es de H. Baraduc), o "somatoid" (de Plat�o, no F�don), o "metaorganismo"(Heillenbach), o "fluido nervoso"(da vidente de Precost), o "fluido magn�tico"(Mesmer), o "azoth"(dos alquimistas), o "corpo ps�quico"(de Depuy), o "corpo metaf�sico" (Cari du Prel), o "duplo et�reo" (dos Te�sofos e de Fichte), o "corpo glorioso", conhecido dos Crist�os primitivos. H� outros sin�nimos - ve�culo et�reo, inv�lucro flu�dico, corpo magn�tico, corpo m�gico, fantasma sideral, dupla personalidade, corpo transcendental, corpo radiante, corpo da ressurrei��o, corpo luminoso, corpo sutil, corpo brilhante, corpo fant�stico, psicossoma, corpo vital, corpo astral. Nas p�ginas deste livro voc�, leitor, encontrar� vasto material sobre o que � o perisp�rito, suas fun��es, propriedades e import�ncia fundamental para o Processo da Vida, em suas espec�ficas dimens�es... 12 Natureza e propriedades do perisp�rito O perisp�rito � o la�o que une o Esp�rito � mat�ria do corpo; � tirado do meio ambiente, do fluido universal; tem, simultaneamente, segundo Kardec, algo de eletricidade, do fluido magn�tico e, at� certo ponto, da mat�ria inerte. Poder-se-ia dizer que � a quintess�ncia da mat�ria; � o princ�pio da vida org�nica, mas n�o o � da vida intelectual. A vida intelectual est� no Esp�rito. �, al�m disso, o agente das sensa��es exteriores. No corpo essas sensa��es est�o localizadas em �rg�os que lhe servem de canal. Destru�do o corpo, as sensa��es tornam-se gerais. Al�m disso, � necess�rio n�o confundir as sensa��es do perisp�rito, que se tornou independente, com as do corpo: n�o podemos tomar estas �ltimas sen�o como termo de compara��o e n�o como analogia. Um excesso de calor ou de frio pode desorganizar os tecidos do corpo; entretanto, n�o atinge o perisp�rito. Desprendido do corpo, o Esp�rito pode sofrer, mas esse sofrimento n�o � como o do corpo. Contudo, n�o � um sofrimento exclusivamente moral, como o remorso, de vez que se queixa de frio ou de calor; n�o sofre mais no inverno do que no ver�o: vimo-lo passar - elucida Kardec 13 Carlos Bernardo Loureiro - atrav�s das chamas sem experimentar nenhum sofrimento. Assim, nenhuma impress�o sobre ele pode exercer a temperatura. A dor que os Esp�ritos sentem n�o �, destarte, uma dor f�sica, propriamente dita: � um vago sentimento �ntimo, de que o pr�prio Esp�rito nem sempre se d� perfeita conta, precisamente porque a dor n�o � localizada e n�o � produzida por agentes externos - � mais uma lembran�a do que uma realidade, posto seja uma lembran�a realmente penosa. H�, todavia, algo mais que uma lembran�a, como passaremos a analisar. Ensina a experi�ncia que, no momento da morte, o perisp�rito se desprende, mais ou menos lentamente do corpo; durante os primeiros instantes o Esp�rito n�o se d� conta da situa��o; n�o se julga morto; sente-se vivo; v� o corpo ao lado, sabe que � seu, mas n�o compreende que do mesmo esteja separado. Recordemos a evoca��o do suicida da casa de banhos da Samaritana (descrita da Revista Esp�rita do m�s de junho de 1858): Como todos os outros ,ele dizia: 'X.. entretanto, sinto que os vermes me roem". Ora, seguramente os vermes n�o roem o perisp�rito e, ainda menos, o Esp�rito; apenas roem o corpo. Mas, como a separa��o entre corpo e perisp�rito n�o estava completa, o resultado era uma esp�cie de repercuss�o moral que lhe transmitia a sensa��o do que passara no corpo. Repercuss�o talvez n�o seja o voc�bulo certo, o qual poderia fazer supor um efeito muito material: era, antes, a vis�o daquilo que se passava em seu corpo, ao qual estava ligado o seu 14 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades perisp�rito, que lhe produzia uma ilus�o, que tomava como realidade. Assim, n�o � uma lembran�a, pois que em vida n�o tinha sido ro�do pelos vermes: era um sentimento atual. Vemos por a� as dedu��es que podem ser tiradas dos fatos, quando observados com a devida aten��o. Durante a vida, o corpo recebe impress�es exteriores e as transmite ao Esp�rito, por interm�dio do perisp�rito, que constitui, provavelmente, aquilo que � chamado "fluido nervoso". Morto, o corpo n�o sente mais nada, porque nele j� n�o h� Esp�rito nem perisp�rito. Desprendido do corpo, o perisp�rito experimenta singular sensa��o; entretanto, como essa n�o lhe chega atrav�s de um canal limitado � geral. Ora, como na realidade existe apenas um agente transmissor, desde que � o Esp�rito quem tem a consci�ncia, disto resulta que se pudesse existir um perisp�rito sem Esp�rito, este n�o sentiria mais do que o corpo quando morto. Do mesmo modo, se o Esp�rito n�o tivesse perisp�rito, seria inacess�vel a qualquer sensa��o dolorosa; � o que acontece com os Esp�ritos completamente depurados. Sabemos que quanto mais estes se depuram, tanto mais sutil se torna a ess�ncia do perisp�rito; de onde se segue que a influ�ncia material diminui � medida que o Esp�rito progride, isto �, � medida que o perisp�rito se torna menos grosseiro. Dir-se-�, ent�o, que as sensa��es agrad�veis s�o transmitidas ao Esp�rito pelo perisp�rito, assim como as desagrad�veis. Ora, se o Esp�rito puro � inacess�vel a umas, deve s�-lo igualmente a outras. Sim, sem d�vida, 15 Carlos Bernardo Loureiro para as que prov�m unicamente da influ�ncia da mat�ria que conhecemos. O som de nossos instrumentos, o perfume de nossas flores nenhuma impress�o lhe causa; contudo, h� neles sensa��es �ntimas, de um encanto indefin�vel, do qual nenhuma ideia podemos fazer, porque a tal respeito somos como cegos de nascen�a em rela��o � luz. Sabemos que isso existe. Mas por que meio? Nossa ci�ncia aqui faz alto. Sabemos que h� percep��o, sensa��o, audi��o, vis�o; que essas faculdades s�o atributos de todo o ser e n�o, como no homem, de uma parte do ser. Mas, ainda uma vez, por que meio? Eis o que ignoramos. Os pr�prios Esp�ritos n�o nos podem dar conta porque nossa linguagem n�o � apta a exprimir ideias que n�o possu�mos, do mesmo modo que um povo cego n�o teria express�es para exprimir os efeitos da luz, ou a linguagem dos selvagens, meios para descrever as nossas artes, as nossas ci�ncias e as nossas doutrinas filos�ficas. Dizendo que os Esp�ritos s�o inacess�veis �s impress�es de nossa mat�ria, queremos falar dos Esp�ritos muito elevados cujo envolt�rio et�reo n�o tem analogia aqui na Terra. J� o mesmo n�o se d� com aqueles cujo perisp�rito � mais denso. Estes percebem os nossos sons, os nossos odores, mas n�o por uma parte limitada do seu ser, como quando encarnados. Poder-se-ia dizer que as vibra��es moleculares se fazem sentir em todo o seu ser e, assim, chegam ao sensoriun commune, que � o pr�prio Esp�rito, posto que de maneira diferente e talvez mesmo com uma impress�o diferente, 16 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades o que produz uma modifica��o na percep��o. Eles ouvem o som de nossa voz; entretanto, nos entendem sem o recurso da palavra, pela simples transmiss�o do pensamento, o que vem em apoio �quilo que diz�amos, isto �, que tal penetra��o � tanto mais f�cil quanto mais desmaterializado � o Esp�rito. Quanto � vis�o, ela independe de nossa luz. A faculdade de ver � um atributo essencial da alma; para esta n�o existe obscuridade. No entanto, ela � mais extensa e penetrante, mas mais depurada. A alma, ou Esp�rito, tem, pois, em si mesma a faculdade de todas as percep��es. Na vida corp�rea essas s�o obliteradas pela grosseria de nossos �rg�os; na vida extra corp�rea o s�o cada vez menos, � medida em que se depura o envolt�rio semi material - o perisp�rito! A concep��o kardequiana sobre a natureza e propriedades do perisp�rito, resulta da consulta a milhares de Esp�ritos que pertenciam a todas as camadas sociais e todas as posi��es; estudou-os em todos os per�odos de sua vida espiritual, desde o momento em que deixaram o corpo; seguiu-os, passo a passo, nessa vida de al�m-t�mulo, a fim de observar as mudan�as neles operadas, nas ideias e nas sensa��es. E, a tal respeito, n�o foram as criaturas mais vulgares as que ofereceram subs�dios menos interessantes para estudo... 17 O Perisp�rito e a for�a Pl�stica Diretora A revela��o esp�rita do perisp�rito causou uma verdadeira revolu��o entre os espiritualistas que acreditavam ser a alma integralmente imaterial, bem como entre os fisiologistas que n�o contavam com sua exist�ncia. E preciso admitir - acrescenta Gabriel Delanne - que, persistindo o perisp�rito depois da morte, se torna demonstr�vel que preexista ao nascimento. Essa interpreta��o dos fatos explica, logicamente, como a ordem e a harmonia se mant�m na formid�vel confus�o de fenomenos que constitui um ser vivo. Diria, ainda, Delanne: - Se realmente existe no homem um segundo corpo, que � o modelo indefect�vel pelo qual se ordena a mat�ria carnal, compreende-se que, apesar do turbilh�o de mat�ria que passa em n�s, se mantenha o tipo individual, em meio �s incessantes muta��es, resultante da desagrega��o e da reconstitui��o de todas as partes do corpo. De fato. O perisp�rito � o regulador das fun��es, o art�fice que vela pela manuten��o do edif�cio biol�gico, porque essa tarefa n�o pode, absolutamente, depender 18 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades das atividades cegas da mat�ria. E acrescenta Delanne: Existe, evidentemente, um plano que se conserva, e exige uma for�a pl�stica diretora, a qual n�o pode ter por causa acidentes fortuitos. Como supor uma continuidade de esfor�os, seguindo a mesma dire��o, num conjunto cujas partes mudam perfeitamente? Se nesse turbilh�o, algo resta est�vel, esse algo � o Perisp�rito. Quando melhor o conhecermos, no��es novas, precios�ssimas, resultar�o para a Fisiologia e para a Medicina. Claude Bernard, na Introdu��o ao Estudo da Medicina Experimental, afirma: Se fosse preciso definir a vida, eu diria: a vida � cria��o!... O que caracteriza a m�quina viva n�o � a natureza de suas propriedades f�sico-qu�micas, � a cria��o dessa m�quina junto de uma ideia definida... Esse agrupamento se faz em virtude de leis que regem as propriedades f�sico-qu�micas da mat�ria; mas o que � essencialmente do dom�nio da vida, o que n�o pertence nem � F�sica, nem � Qu�mica, � a ideia geratriz dessa evolu��o vital. H� como um desenho vital que tra�a o plano de cada ser, de cada �rg�o, de sorte que, considerado isoladamente, cada fen�meno do organismo � tribut�rio das for�as gerais da Natureza; tomadas em sua sucess�o e em seu conjunto, parecem revelar um liame especial; dir-se-iam dirigidos por alguma condi��o invis�vel , na rota que seguem , na ordem que os encadeia. 19 Carlos Bernardo Loureiro Afirma, a prop�sito, L�on Denis em No Invis�vel: Tudo na Natureza � alternativa e ritmo. Do mesmo modo que o dia sucede a noite e o ver�o ao inverno, a vida livre da alma sucede � est�ncia na posi��o corp�rea. Mas a alma se desprende tamb�m durante o sono; reintegra-se em sua consci�ncia amplificada, nessa consci�ncia por ela edificada lentamente atrav�s da sucess�o dos tempos; entra na posse de si mesma, examina-a, torna-se objeto de admira��o para ela pr�pria. Seu olhar mergulha nos recessos obscuros de seu passado, e a� vai surpreender todas as aquisi��es mentais, todas as riquezas acumuladas no curso de sua evolu��o, e que a reencarna��o havia amortalhado. E que o c�rebro concreto era onipotente para exprimir, seu c�rebro flu�dico o patenteia, o irradia com tanto mais intensidade qu�o mais completo � o desprendimento. Em seguida, o fil�sofo de Tours oferece � reflex�o uma s�rie de casos que provam a evas�o da alma da pris�o carnal, da qual se liberta, definitivamente, pela morte... Alfred Erny, contempor�neo e companheiro de pesquisas de Eug�nio Nus, William Crookes e Alfred Russel Wallace, em seu livro O Psiquismo Experimental, dedica o Cap�tulo I, da Segunda Parte, ao estudo do Corpo Ps�quico, que � indispens�vel para que se compreendam os fen�menos ps�quicos de car�ter mais elevado e mais raro. Os esp�ritas - acrescenta Alfred Erny - chamam a 2 0 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades esse corpo, Perisp�rito. O ilustre pesquisador, embora n�o refute o voc�bulo kardequiano, considera a express�o corpo ps�quico mais apropriada. Afirma, ainda, linhas a seguir, que os s�bios e os c�ticos duvidam da exist�ncia desse corpo, porque n�o o v�em. Por sua vez, J. Herculano Pires, em Curso Din�mico de Espiritismo, elucida: O Perisp�rito, corpo espiritual ou corpo bioplasm�tico possui, em sua estrutura extremamente din�mica, os centros da for�a que organizam o corpo material. � o modelo energ�tico previsto com grande anteced�ncia por Claude Bernard. Os pesquisadores russos compararam esse corpo, visto atrav�s das C�maras Kirlian de fotografia paranormal em conjuga��o com telesc�pio eletr�nico de alta pot�ncia, a um peda�o do c�u intensamente estrelado. Esse � o corpo da ressurrei��o espiritual do homem, dotado de todos os recursos necess�rios para a vida ap�s a morte. Esse corpo de plasma f�sico e plasma espiritual vai perdendo seus elementos materiais na vida espiritual, na propor��o exata da evolu��o do Esp�rito. O Prof. Henrique Rodrigues, em A Ci�ncia do Esp�rito, cita o livro de Sheyla Ostande e Lyn Schroeder - Psychic Discoveries in the Iron Curtain, sobre o qual se escreveu interessante artigo estampado na revista Reformador (FEB). Eis um dos seus trechos: As pesquisas come�aram num grupo de cientistas localizados perto do centro espacial sovi�tico no 21 Carlos Bernardo Loureiro Kasaquist�o, em Almanta. Reuniram-se alguns biologistas, bioqu�micos e biof�sicos para estudar a espetacular descoberta do casal Kirlian: uma c�mara de alta frequ�ncia que, ultrapassando a barreira da mat�ria densa, vai mostrar a contraparte imaterial dos seres. Com equipamentos �ticos conjugados � c�mara Kirlian, os cientistas sovi�ticos tiveram, um dia, uma vis�o maravilhosa que at� ent�o era reservada aos videntes - O CORPO ESPIRITUAL DE UM SER VIVO! Uma comiss�o de alto n�vel foi designada em 1968 para estudar o fen�meno e emitir parecer conclusivo. Compunha-se o grupo dos doutores Inyushin, Grischichenko, Vorohev, Shouiski e Gilbalduin. A conclus�o que apresentaram n�o poderia ser mais objetiva e corajosa: A descoberta de um corpo energ�tico pelos biof�sicos russos proporcionara uma confirma��o independente da extensa pesquisa sobre a exist�ncia de um corpo equivalente, feita nos laborat�rios Delawarr, em Oxford, Inglaterra. A pesquisa pioneira do professor George de la Warr no campo do biomagnetismo tem sido ignorada no Ocidente, mas os russos demonstraram consider�vel interesse por ela e at� mandaram um cientista visitar o Laborat�rio Delawarr h� v�rios anos. A obra de George e Marjorie de la Warr tem vastas implica��es para a compreens�o da for�a misteriosa que permite a percep��o � dist�ncia por qualquer c�lula viva. (vide: "Using Sound Waves to Probe Matter" de George de la Warr, e "Biomagnetism " de G. de la Warr e Douglas Zaher, 1967). 22 O perisp�rito e a crise da Morte O Juiz Edmonds, no primeiro volume de sua obra Spiritualism, narra o que viu durante a desencarna��o de um parente: O moribundo, escreve ele, havia j� exalado o �ltimo suspiro, quando vi emergir do seu cad�ver aquilo que eu julguei dever ser o seu Corpo Espiritual sob a forma de uma nuvem densa que se elevou acima do corpo, tomando rapidamente um aspecto humano embora me parecesse desprovido de intelig�ncia e vida. Subitamente, por�m, pareceu iluminar-se e animar-se, tornando-se viva e inteligente. Compreendi que tal se havia dado por ter o Esp�rito abandonado o corpo som�tico. Desde que isso se deu, o Esp�rito lan�ou um olhar surpreso, como que procurando compreender o que lhe havia acontecido; n�o tardou muito, por�m, a se orientar e a express�o que ent�o iluminou a sua fisionomia demonstrava que a situa��o j� n�o lhe era estranha. Para t�o r�pida compreens�o, de n�o pouco lhe deve ter valido o que relativamente � vida futura havia estudado quando aqui na terra. Deixou parar por um instante um olhar de 23 Carlos Bernardo Loureiro despedida, cheio de afeto, sobre os seus parentes e amigos reunidos junto ao leito mortu�rio e elevou-se, em seguida, como que arrebatado em nuvem luminosa. O vi desaparecer ao longe, acompanhado de tr�s Esp�ritos que o haviam assistido enquanto se formava o seu corpo espiritual. Um era o Esp�rito do filho que havia morrido 24 anos antes; outro o de um dos seus sobrinhos; e o terceiro o de um desconhecido com apar�ncia de pessoa de certa idade. William Stainton Moses observou fen�meno id�ntico quando da desencarna��o do pai, do que publicou uma resenha na revista Light, de 09 de julho de 1887: Ultimamente, pela terceira vez em minha vida, tive ensejo de estudar o processo de transi��o do Esp�rito e tanta coisa consegui observar, que me sinto feliz de poder ser �til narrando o que vi... Tratava-se de um parente pr�ximo com cerca de 80 anos de idade, que se encaminhava para o t�mulo, sem ser arrastado por qualquer enfermidade especial... Por alguns sintomas de apar�ncia insignificante, notei que o seu fim se aproximava e n�o me descuidei de cumprir o triste dever que me competia... Auxiliado pelos meus sentidos espirituais, n�o me foi dif�cil perceber que, em seu torno e sobre si, se reunia a aura luminosa com a qual o Esp�rito deveria constituir o seu corpo espiritual; ia notando que essa aura aumentava rapidamente de volume e densidade 24 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades apresentando cont�nuas varia��es para mais ou menos, de acordo com as oscila��es que experimentava a vitalidade do moribundo. Dado que me foi ainda poss�vel verificar que, um simples alimento ingerido ou mesmo o influxo magn�tico desprendido de algu�m que se aproximava era o bastante para animar momentaneamente o corpo, parecendo determinar um revigoramento dos la�os que prendiam o Esp�rito a este, o que se via ia refletir na aura, imprimindo-lhe movimento semelhante ao defluxo e refluxo. O fen�meno foi observado por doze dias e doze noites, destacando-se a cor da aura, que ia tomando forma mais ou menos definida. Prossegue o Reverendo William Stainton Moses: (...) 24 horas antes do falecimento, quando j� o corpo jazia inerte, com as m�os cruzadas sobre o peito, foi que vi aparecer os Esp�ritos Guias, que se aproximaram do moribundo e sem qualquer esfor�o ajudaram o Esp�rito a se desprender do corpo esgotado Os cord�es afinal se romperam e os tra�os fision�micos do defunto, nos quais at� ent�o se liam os sofrimentos curtidos, serenaram completamente, tomando uma express�o de inef�vel paz e descanso. Ernesto Bozzano, em seu livro Metaps�quica Humana, (1928-Feb), destaca a import�ncia e o valor especial desses fatos, e transcreve a opini�o que o Esp�rito George Pelham deu ao Prof. Richard Hodgson, da S.P.R., por interm�dio do m�dium Eleanor Piper: N�o acreditava, diz ele, na sobreviv�ncia da alma. Carlos Bernardo Loureiro Essa cren�a estava fora daquilo que a minha intelig�ncia podia conceber. Hoje pergunto a mim mesmo como me foi poss�vel dela duvidar. Temos um duplo corpo f�sico, que persiste, sem qualquer altera��o, depois da dissolu��o do corpo. Caso extraordin�rio � contado pelo Dr. Hip�lito Baraduc: Ele se colocou em estado de auto-hipnose, agu�ando sua percep��o visual, afim de observar, nos m�nimos detalhes, a desencarna��o de sua esposa: Assim devidamente preparado, viu elevar-se, do esquerdo da moribunda, uma leve n�voa luminosa. A mesma coisa aconteceu no plexo solar da cabe�a. Na nuvem que se erguia lentamente, podia ver a forma��o de pontos de condensa��o brilhantes. Aos poucos, essas manchas vaporosas n�o muito distintas condensaram-se e salientaram-se, e por fim se reuniram. Viu como se desenhava a cabe�a, o perfil do corpo, dos bra�os e dos membros inferiores. Depois se formou um cord�o que foi se tornando cada vez mais brilhante. Esse cord�o reunia o corpo nebuloso e flutuante ao corpo inerte sobre a cama. Somente as m�os pareciam ainda vivas e procuravam ro�ar de leve o len�ol na altura do plexo, como que tentando afastar o cord�o (fio de prata) e que, em caso de desdobramento liga o Perisp�rito ao corpo f�sico, sem romper-se, a n�o ser no momento da desencarna��o. �quela altura, o Dr. Hip�lito Baraduc mandou aquecer um tubo cil�ndrico de ferro e, quando estava 2 6 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades vermelho, depositou-o no fio de prata, causando uma esp�cie de curto-circuito. O longo fio agitou-se e desfez-se na nuvem que se tornara mais condensada e luminosa. O perisp�rito ficou pairando, por algum tempo no ar, elevou-se e atravessou lentamente a parede. Dr. Baraduc testemunhara um fato que parece surpreendente, mas que acontece com a maior naturalidade, de modo cont�nuo, indiferente a cren�as e descren�as... 27 O perisp�rito e os Mecanismos da fecunda��o O jornal O Globo, do Rio de Janeiro, edi��o de 2 de abril de 1991, estampou a seguinte manchete: �vulos falam com espermatoz�ides. A mat�ria versa sobre o trabalho realizado por cientistas dos EUA e de Israel, descobrindo que �vulos maduros se comunicam com espermatoz�ides, enviando-lhes sinais para gui�-los at� as trompas de Fal�pio, tornando poss�vel a fecunda��o. As pesquisas foram realizadas na Universidade do Texas e no Instituto Weizmann, de Israel, recebendo divulga��o na publica��o cient�fica Proceedings of the National Academy of Science, dos Estados Unidos da Am�rica. Acreditam os pesquisadores que o sinal emitido pelo �vulo � um componente do l�quido que circunda. Essa "descoberta" dos cientistas americanos e israelitas (que certamente n�o acreditam na cria��o b�blica) sempre foi um fato naturalmente aceito no seio da comunidade cient�fica esp�rita. Como todo efeito inteligente tem, obviamente, uma causa inteligente, pode-se deduzir a presen�a, durante a fecunda��o, do Esp�rito reencarnante, ligado, por vibra��es sutis, � sua futura m�e. 28 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades � ele, o Esp�rito, que exerce poderosa a��o sobre o �vulo, atraindo, ent�o, o espermatoz�ide que lhe � afim, isto �, aquele que est� sintonizado com suas express�es energ�ticas, dentro da faixa evolutiva em que se encontra. A partir dessa realidade, passa a ter sentido a ocorr�ncia de malforma��es embrion�rias e de afec��es cong�nitas complexas, como decorr�ncia da presen�a do Esp�rito, com seu perisp�rito (envolt�rio sutil da alma) lesado, vibrando numa faixa destoante, exercendo atra��o sobre um espermatoz�ide contendo um gene patog�nico ou portador de altera��es cromoss�micas. A entidade, em vias de reencarnar, trazendo seu perisp�rito com irradia��es vibrat�rias desequilibradas, solicita para si um gameta masculino albergando fatores patol�gicos. A consequ�ncia � a forma��o de um corpo som�tico doente. O certo � que o corpo humano, que levou milh�es de anos para atingir o est�dio atual, o que denuncia um planejamento al�m da compreens�o da pr�pria ci�ncia, � formado, nas maravilhosas fases da Embriologia, seguindo as determina��es do Esp�rito executadas atrav�s do perisp�rito, que ao contr�rio do que se imagina n�o �, em absoluto, "o modelo organizador biol�gico", pois ele n�o possui autodetermina��o, e como afirmou, Allan Kardec, na Revue Spirite (1866), "n�o pensa", e, se n�o pensa... Assim, um corpo se forma no interior de outra organiza��o f�sica sem que a m�e, sob v�rios aspectos, participe, ostensivamente, do processo. Parece que os cientistas est�o tentando penetrar a ess�ncia das coisas. 29 Carlos Bernardo Loureiro Est�o cansados de lidar apenas com os efeitos de causas estranhas, desconhecidas, enigm�ticas. O laborat�rio, o seu natural habitat, assume, destarte, o significado exato de sua etimologia: labor e ora��o. De l� sair� o Esp�rito vitorioso, como saiu dos recessos dos gabinetes medi�nicos, quando foi examinado, � exaust�o, pelos s�bios pesquisadores dos s�culos XIX e XX. Prepara-se, desde j�, a Era do Esp�rito, oportunidade em que a Vida, em suas dimens�es �tica e espiritual, atinge o est�dio de dignidade e de valoriza��o jamais cogitado por qualquer das ideologias concebidas pelo pr�prio homem, ao longo de sua trajet�ria palingen�sica... 30 O Extraordin�rio vidente Andrew Jackson Davis Andrew Jackson Davis � considerado o "Pai do Espiritualismo Moderno". Nasceu em 1826, num distrito rural de Nova Iorque (EUA), �s margens do rio Hudson. � autor da obra, rar�ssima, The Present Age and Inner Life. Come�ou, desde cedo, a ouvir vozes, nele se desenvolvendo (como em seu compatriota Edgar Caycel dons medi�nicos com aplica��o de diagn�sticos m�dicos. Em 06 de mar�o de 1844, foi transportado espiritualmente, da cidadezinha onde morava, �s montanhas de Catskill, onde entrou em contato com seus mentores, posteriormente identificados como os Esp�ritos Galeno e Swedenborg. Quando em transe, falava v�rias l�nguas, inclusive o hebraico, todas dele desconhecidas, expondo admir�veis conhecimentos de Geologia, Arqueologia hist�rica e b�blica e de Mitologia. Tudo isso despertou a aten��o de homens s�rios e cultos (entre os quais Edgar Alan Poe), que n�o conseguiam decifrar a origem daquela demonstra��o de profundos conhecimentos em um jovem matuto sem instru��o. Durante dois anos ditou, em transe inconsciente, 31 Carlos Bernardo Loureiro um livro sobre os segredos da Natureza, publicado em 1847, sob o t�tulo - Os Princ�pios da Natureza, considerado por Arthur Conan Doyle como um dos livros mais profundos e originais de Filosofia. O potencial de suas faculdades medi�nicas atingiu maior expressividade ap�s os 21 anos de idade, e ele p�de, ent�o, observar mais nitidamente o processo desencarnat�rio de v�rias pessoas, narrando-o em todas as suas min�cias. Suas descri��es est�o de acordo com in�meras outras feitas por m�diuns de diferentes pa�ses. Eis um de seus principais relatos, sobre o desprendimento da alma no momento da morte: Era uma senhora de cerca de sessenta anos, a quem frequentemente eu prestava cuidados espirituais. Quando soou a hora da morte, achava-me eu, felizmente, em perfeito estado de sa�de, o que permitia o pleno exerc�cio das minhas faculdades de vid�ncia. Coloquei-me de modo a n�o ser visto ou interrompido nas minhas observa��es ps�quicas, pus-me a estudar os misteriosos processos da morte. Vi que a organiza��o f�sica n�o podia mais bastar �s necessidades do princ�pio intelectual; diversos �rg�os internos pareciam, por�m, resistir � partida da alma. O sistema muscular procurava reter as for�as matrizes. O sistema vascular debatia-se para reter o princ�pio vital; o sistema nervoso lutava quanto podia para impedir o aniquilamento dos sentidos f�sicos, e o sistema cerebral procurava reter o princ�pio intelectual. O corpo e a alma, como dois esposos, resistiam � separa��o 32 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades absoluta. Esses conflitos internos pareciam, a princ�pio, produzir sensa��es penosas e perturbadoras. Foi com satisfa��o que percebi que tais manifesta��es f�sicas indicavam - n�o a dor ou o sofrimento, por�m apenas a separa��o da alma do organismo. Pouco depois a cabe�a ficou cercada duma atmosfera brilhante; de repente, vi o c�rebro e o cerebelo estenderem suas partes interiores e suspenderem o exerc�cio de suas fun��es galv�nicas, tornando-se saturados de princ�pios vitais de eletricidade e magnetismo, que penetravam nas partes secund�rias do corpo. Por outras palavras, o c�rebro tornou-se dez vezes mais preponderante do que era no estado normal. Esse fen�meno precede, invariavelmente, a dissolu��o f�sica. Constatei depois o processo por meio do qual a alma se destaca do corpo. O c�rebro atraiu os elementos de eletricidade, magnetismo, movimento, vida e sensibilidade espalhados em todo o organismo. A cabe�a como que se iluminou, e observei que, ao mesmo tempo que as extremidades do corpo se tornaram frias e obscuras, o c�rebro tomava um brilho particular. Em torno dessa atmosfera flu�dica que cercava a cabe�a vi formar-se outra cabe�a, que se desenhou cada vez mais nitidamente. T�o brilhante era que eu mal podia fit�-la; � medida, por�m, que ela se condensava, desaparecia a atmosfera brilhante. Deduzi da� que esses princ�pios flu�dicos, que tinham sido atra�dos pelo 33 Carlos Bernardo Loureiro c�rebro, de todas as partes do corpo, e ent�o eram eliminados sob a forma de atmosfera particular, antes se achavam solidamente unidos, segundo o princ�pio superior de afinidade do Universo, que se faz sempre sentir em cada parcela de mat�ria. Do mesmo modo por que a cabe�a flu�dica se desprendera do c�rebro, vi formarem-se sucessivamente o pesco�o, os ombros, o tronco, e enfim o conjunto do corpo flu�dico. O esp�rito elevou-se verticalmente acima da cabe�a do corpo abandonado... Descobri, ent�o, que pequena parte do fluido vital voltava ao corpo material, logo que o cord�o ou liame el�trico se quebrava. Esse elemento flu�dico, espalhando-se por todo o organismo, impedia a imediata dissolu��o do corpo. N�o � prudente enterrar o corpo antes de come�ar a decomposi��o. Muitas vezes, antes da inuma��o, o cord�o flu�dico ainda n�o est� quebrado. � por isso que pessoas que parecem mortas voltam � vida no fim de um ou dois dias, narrando as sensa��es que experimentaram (fen�meno de "quase-morte " que iria, mais tarde, ser investigado por psic�logos e psiquiatras em v�rias partes do mundo Ocidental). N�o pude saber o que se passava nessa intelig�ncia que revivia; observei, por�m, a sua calma e aprofunda admira��o que lhe causava a dor daqueles que choravam em volta do corpo. Pareceu-me que ela compreendeu, por fim, que 34 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades essas pessoas ignoravam o que realmente se passara. Nas "viagens" que, desprendido do corpo, fez ao Mundo dos Esp�ritos, Andrew Jackson Davis presenciou, num lugar a que chamou "Sumerland", a educa��o harmoniosa das crian�as desencarnadas, reunidas, por grupos, em grandes e belos edif�cios, nos quais se lhes administravam instru��o e cuidados especiais, tudo de acordo com a idade e os conhecimentos delas. Davis ficou t�o maravilhado com o sistema ali adotado e sua engenhosa organiza��o, que buscou concretiz�-lo no plano terrestre. Fundou, ent�o, o primeiro Liceu Esp�rita, em 25 de janeiro de 1863, em Dodsworth Hall, Broadway, Nova Iorque. Como sempre, os indefect�veis a invejosos e despeitados procederam a infamantes campanhas contra Andrew Jackson Davis, que, com superioridade, a tudo se sobrepunha com toler�ncia evang�lica e admir�vel compreens�o. Desencarnou no dia 13 de janeiro de 1910, aos 84 anos de idade, na sua resid�ncia de Watertown; no estado de Massachusetts, c�nscio de sua posi��o pioneira no contexto do movimento esp�rita neste orbe de provas e expia��es. Alma Sai do Corpo pelo Cr�nio O Dr. Ciriax, citado por Alfred Erny, em o Psiquismo Experimental, afirma que: 35 Carlos Bernardo Loureiro (...) o modo por que a morte � descrita por centenas de videntes prova que a alma sai do corpo pelo cr�nio. Notaram esses videntes que, logo ap�s a sa�da, uma nuvem vaporosa se eleva acima da cabe�a e, tomando a forma humana, se condensa pouco a pouco, assemelhando-se cada vez mais � pessoa morta, mesmo depois deformado, esse corpo se condensa ligado por algum tempo ao despojo carnal, por um la�o flu�dico, que parte da regi�o intermedi�ria entre o cora��o e o c�rebro. A morte por si mesma nada �; mas, h� dificuldade a vencer para se morrer, como as h� igualmente para se nascer. Algumas pessoas t�m a sensa��o da sua morte, outras n�o as t�m ou muito pouco a experimentam. Para o maior n�mero dos homens, a morte � como um sonho produzido por narc�ticos. Eis porque, desde que despertam em outro mundo, n�o sabem mais onde se acham. Morrendo, o ser humano n�o se torna melhor nem pior. Eis o que afirma o Dr. Cari du Prel, de Munique (Alemanha), um dos mais not�veis estudiosos no campo do magnetismo e contempor�neo de Allan Kardec: A morte extingue o corpo material e desperta o Corpo Astral (Perisp�rito). Entre os gauleses, os druidas afirmavam que a alma se revestia de um corpo novo. A afirma��o do Bar�o Cari du Prel sobre o corpo espiritual, j� conhecido dos druidas, seria aprofundada a partir de pesquisas que realizou em torno de fen�menos esp�ritas, participando, inclusive, de memor�veis sess�es de efeitos f�sicos e de materializa��o com a m�dium Eus�pia Paladino, em Mil�o, It�lia, no ano de 1892, ao 36 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades lado de Charles Richet, Alexandre Aksakof, Giovani Schiaparelli, Encore Chiaia, Cesare Lombroso e C. B. Ermacora. J� o Professor Frederic Myers, um dos fundadores da "Sociedade para Pesquisas Ps�quicas" de Londres (1882), dizia a respeito da sobreviv�ncia da alma, ap�s a desencarna��o: N�o se pode mais permitir que a Ci�ncia ignore o problema da segunda vida, e que a Filosofia pretenda resolv�-lo. O que se deve procurar hoje s�o provas, imparcialmente colhidas, da sobreviv�ncia do homem ap�s a morte, do mesmo modo que se estudaram as opini�es segundo as quais o homem podia at� certo ponto descender de outro animal. O trecho acima transcrito � parte do trabalho lido pelo Prof. Frederic Myers no Congresso Ps�quico de Chicago (U.S.A.), onde se reuniram, nos finais do s�culo XIX, as mais expressivas autoridades na �rea das pesquisas paranormais. Diria, ent�o, Alfred Erny: Os mais felizes s�o os que t�m tido essas provas, mas nem a todos � dado obt�-las, ao menos por ora. Mais tarde, � medida que a ci�ncia progredir, essas provas se tornar�o cada vez mais evidentes e n�o poder�o ser discutidas. A morte n�o mais ser�, ent�o, um espantalho: e, quem sabe, em vez de se lamentar, n�o se festejar� a liberta��o do Esp�rito Encarnado? A morte, ent�o, segundo not�vel pesquisador, SER� UMA FESTA!.... 37 O Campo Perispiritual e o Processo preventivo das Doen�as O ilustre psiquiatra baiano Jorge Andr�a dos Santos � autor de um interessante trabalho de pesquisa sobre o perisp�rito, inserido na Revista Internacional de Espiritismo, ano LIX, ns 2. Ap�s tecer breves, por�m, substanciosas, considera��es sobre a m�quina Kirlian, revela que o f�sico Nizar Mullani, em Houston, EUA, vem desenvolvendo interessante t�cnica a fim de detectar doen�as antes de sua instala��o na organiza��o f�sica. Assim comenta o Dr. Jorge Andr�a: Com certa aparelhagem, os dist�rbios seriam revelados antes de se instalarem nas c�lulas, n�o s� os de origem metab�lica, mas, tamb�m, os de caracter�sticas degenerativas, como o caso do c�ncer. As coisas se tornam mais importantes diante da formalidade de serem conhecidas, em tempo, certos dist�rbios nas c�lulas nervosas respons�veis por futuros componentes das doen�as mentais. A m�quina para tal fim � o Tom�grafo de Emiss�es de Positrons, diferente do Tom�grafo Axial Computadorizado. Enquanto este detecta as doen�as j� 38 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades instaladas no organiza��o f�sica, o TEP recebe aviso das desordens no campo energ�tico, isto �, percebe no campo organizador (campo perispiritual) o metabolismo em sua real atividade. O autor de Nos Alicerces do Inconsciente esclarece que os positrons ou el�trons positivos s�o part�culas dos campos de antimat�ria, representando os elementos utilizados pela m�quina TER Os positrons, emitidos pela maquinaria, teriam quase que com certeza, respaldo no campo de antimat�ria de nossa organiza��o (zona perispiritual), donde os dados seriam colhidos. O TEP estaria capacitado a captar dist�rbios 5 a 10 anos antes de se instalarem na organiza��o f�sica. Esses dist�rbios incluiriam doen�as mentais, card�acas, degenerativas e tantas outras. O TEP ainda est� em fase de desenvolvimento e muito caro para uso comum, representando uma amplia��o do j� conhecido ultra-som, bastante utilizado no campo da Medicina com as suas reconhecidas limita��es. Acrescenta o Dr. Jorge Andr�a: Acreditamos que o TEP atuaria no campo energ�tico de antimat�ria com bastante possibilidade de alcan�ar a estrutura��o perispiritual, regi�o donde partem todas as orienta��es para o campo material. Nas rea��es materiais que os seres apresentam como resultado de a��es pret�ritas e que, por isso, foram denominadas de rea��es c�rmicas, afim de possibilitar equil�brio dos campos energ�ticos, o perisp�rito seria a regi�o por onde essas rea��es realmente se dariam. De 39 Carlos Bernardo Loureiro modo que a desarmonia e o desequil�brio estariam, muito antes de revelarem-se nas c�lulas materiais, nos campos perispirituais, onde a antimat�ria seria a raz�o de sua pr�pria estrutura. Ao carregar-se, na zona perispiritual, desequil�brios ligados � atual reencarna��o ou a outros tantos do passado, ter-se-ia necessidade dessa drenagem, somente poss�vel nas telas f�sicas por onde o perisp�rito se perde e ecoa. O tempo e a �poca estariam relacionados a rea��es espec�ficas que nos escapam inteiramente. Mas, se com as novas oportunidades t�cnicas pudermos perceber as distonias antes de sua instala��o no campo material, teremos que saber fazer a respectiva drenagem dos v�rtices doentios e, o que � mais importante, substituir a zona drenada com energias vitalizantes e harmonizadas, baseadas em viv�ncia eticamente sadia. Se as energias de uma determinada fonte do perisp�rito se escoam para a zona f�sica, � claro que essas energias, em processo de esvaziamento, necessitam de reposi��o. Os tipos de nossas viv�ncias e respectivas atitudes � que ir�o fornecer o material de reposi��o sob forma de aptid�es. Se as nossas tarefas s�o harm�nicas � claro que o lastro positivo impulsiona o processo evolutivo; caso contr�rio, haver� atrasos e retardamentos de nossa caminhada pelo Infinito. Assim, a Evolu��o vai respondendo com os fatores, negativos ou positivos, que cada ser desenvolve em face ao grau de livre-arb�trio que possui. E finaliza o Dr. Jorge Andr�a: 40 Perisp�rito � Natureza, Fun��es e Propriedades O conhecimento da Doutrina Esp�rita pode muito bem facilitar todo esse entendimento e as suas respectivas raz�es, em que a t�nica maior ser� qualquer aus�ncia de privil�gios dentro do conceito universal Nossas boas a��es refletem-se em harmonias para o perisp�rito; nas a��es delet�rias estariam a constante nutri��o do desajuste e desequil�brio. A ci�ncia, chamada oficial, de um modo ou de outro, pelo seu natural avan�o e constante busca, esbarrar� nas equa��es do perisp�rito, compreendendo, desse modo, os mecanismos da Imortalidade e do processo reencarnat�rio como os grandes pilares onde a Evolu��o se alicer�a. O antimundo Hip�tese que guarda estreita analogia com aquela defendida pelo f�sico Nizar Mullani, fora, nos idos de 1966, levantada pelo Dr. Leon M. Lederman, professor de F�sica na Universidade de Col�mbia, nos Estados Unidos da Am�rica. Este eminente cientista, � frente de uma equipe de jovens colegas, descobriu o chamado anti-n�utrons, que descreve como a maior part�cula conhecida de antimat�ria. Fazendo a liga��o daquela com as demais part�culas que, at� ent�o, s� eram conhecidas individualmente, o professor Lederman vislumbra o primeiro anti-n�cleo do �tomo de hidrog�nio lesado. 41 Carlos Bernardo Loureiro Dos seus estados, tira, o professor Lederman, algumas especiais conclus�es. Uma delas � extremamente fascinante: a de que existe alhures, no Universo, um "antimundo", formado de planetas e estrelas constitu�dos de antimat�ria. Ele ainda vai mais adiante - admite a possibilidade de ser esse antimundo "povoado por criaturas pensantes." Acham os cientistas que h� profunda simetria entre o mundo e o antimundo. S�o id�nticos, embora o fluxo de tempo seria l� o reverso do nosso. Descobrem, os pesquisadores, um Universo Invis�vel, onde se encontra como que o molde de tudo quanto existe neste. A ser isso verdadeiro, confirmando aquele multimilenar conceito da filosofia hindu, que assegura que tudo quanto existe no mundo material existiu antes no mundo imaterial. Para n�s esp�ritas ainda h� mais que especular. Ser� a antimat�ria a subst�ncia do mundo espiritual? Ser� a pr�pria subst�ncia do perisp�rito? N�s esp�ritas estamos invariavelmente dispostos a examinar novos conceitos cient�ficos, novas descobertas, novas teorias, novas hip�teses. E verificamos, com frequ�ncia, que as hip�teses que se enquadram dentro dos postulados da nossa doutrina acabam por confirmar-se ao correr do tempo. Era rid�culo falar-se, na Europa, em pluralidade dos mundos habitados ao tempo em que Allan Kardec escreveu os livros b�sicos do Espiritismo, isso h� mais de um s�culo. Ao falar-se na exist�ncia de um antimundo 42 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e propriedades composto de antimat�ria, habitado por seres inteligentes, sabemos que h�, realmente, um mundo invis�vel aos nossos olhos corp�reos, habitado por seres como n�s, que aqui viveram antes e voltar�o a viver. N�s mesmos l� vivemos entre uma exist�ncia terrena e outra e para l� vamos, em r�pidas incurs�es, durante o sono fisiol�gico, enquanto repousa o corpo f�sico. Se o que entendemos por mundo espiritual coincide com o antimundo do Dr. Lederman, tanto melhor, pois j� era tempo de os cientistas o entenderem. Se n�o � a mesma coisa, ent�o que mal h� nisso? Vamos apenas descobrir mais uma faceta da Intelig�ncia que criou todos esses mundos materiais e anti-materiais, cuja constitui��o, aquilo que Arist�teles chamou de Antel�quio, ainda � um monumental enigma! Perisp�rito, Reencarna��o e o Processo obsessivo No volume IV das Anais do Instituto de Cultura Esp�rita do Brasil, registra-se interessante artigo do Dr. Newton de Souza Matos, pertinente � influ�ncia do processo obsessivo no organismo, em que o perisp�rito assume fundamental import�ncia. Com base nas concep��es esp�ritas, afirma o articulista que o Esp�rito retira da atmosfera flu�dica do planeta onde vai habitar os elementos necess�rios � forma��o do seu perisp�rito. A elabora��o do seu corpo flu�dico, ou seja, seu perisp�rito obedece ao mecanismo de atra��o dos elementos componentes dessa atmosfera flu�dica, sendo mais ou menos denso conforme o grau evolutivo que o Esp�rito j� atingiu. Portanto, o perisp�rito guarda rela��o estreita com a evolu��o moral atingida pelo Esp�rito. � importante fixar que as mol�culas do perisp�rito adquirem propriedades espec�ficas, segundo o estado psicol�gico e emocional do Esp�rito. Ora, a Doutrina Esp�rita tamb�m ensina que no processo de reencarna��o as mol�culas do perisp�rito se ligam �s do embri�o que est� se formando, a partir do momento da concep��o. 44 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades A propor��o que o processo de multiplica��o celular se opera, com a forma��o dos diferentes �rg�os, aparelhos e sistemas, as mol�culas perispirituais, no dinamismo impresso pelo Esp�rito, s�o capazes de alterar as propriedades espec�ficas das mol�culas da mat�ria, transmitidas pelo c�digo gen�tico, moldando-a �s necessidades de que o Esp�rito precisa a fim de cumprir as experi�ncias que veio passar naquela exist�ncia. Esse fato vem explicar porque nem sempre as leis da Gen�tica s�o obedecidas e verdadeiras aberra��es, nesse campo, t�m sido demonstradas na �rea da Ci�ncia M�dica. Tamb�m explica os �rg�os de choque que todos n�s possu�mos, ou seja, a fragilidade que determinados �rg�os apresentam �s agress�es que o organismo sofre adoecendo. Atente-se para o fato de que o Esp�rito, sendo uma for�a atuante, de acordo com seu pensamento e vontade, estar� permanentemente modificando a estrutura celular perispiritual, visto que, vivendo mergulhado no flu�do c�smico, estar� observando os elementos desse flu�do consoante seu estado moral, bem como expulsando desse corpo perispiritual aquilo que n�o mais se afina com ele mesmo. Segundo Dr. Newton de Souza Matos, haveria, assim um metabolismo no corpo perispiritual. Esse fato esclarece, ent�o, a chamada doen�a psicossom�tica, que adv�m por mecanismo puramente psicol�gico e emocional. Deve-se acentuar que o organismo, tamb�m, est� regido por leis e que a sobreviv�ncia e funcionalidade Carlos Bernardo Loureiro das c�lulas materiais dependem da observ�ncia dessas leis. Portanto, o metabolismo celular tem de ser atendido no seu processo de absor��o de elementos energ�ticos capazes de manter o seu ciclo vital, bem como, de elimina��o dos produtos t�xicos capazes de destru�-los. Outro ponto importante a assinalar � que a morte celular e desorganiza��o da matriz do �rg�o desorganizam, tamb�m, as c�lulas perispirituais que lhes s�o justapostas e se torna imposs�vel mesmo a reestrutura��o dessa �rea org�nica. Essa situa��o coloca uma barreira ao Esp�rito na execu��o de seus prop�sitos porque o perisp�rito n�o � capaz de transmitir �quele �rg�o a vontade do Esp�rito visto , que, na destrui��o da c�lula org�nica, a c�lula perispiritual n�o encontra a sua hom�loga e se desorganiza. O Dr. Newton cita, � guisa de exemplo, um quadro de hemorragia cerebral onde as c�lulas da �rea motora tenham sido atingidas e destru�das, advindo, da�, uma paralisia de um ou mais membros. Embora o Esp�rito procure discriminar a ordem para movimentar esse membro, a resposta ser� nula, visto que o elemento intermedi�rio, o perisp�rito, n�o tem onde atuar. Pelo exposto, percebe-se, claramente, que h� um interc�mbio entre as c�lulas perispirituais e c�lulas materiais, uma atuando sobre a outra, alterando a fisiologia do �rg�o consoante os elementos de que est�o constitu�das. Ent�o, quando h� um sofrimento celular org�nico, modificando a fisiologia do �rg�o de que faz parte, o 46 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Esp�rito tem not�cia atrav�s das c�lula perispirituais a que lhe levam a informa��o e pode, at� certo ponto, provocar sofrimento ao Esp�rito. O inverso tamb�m � verdadeiro, isto �, quando o Esp�rito se desequilibra psicol�gica ou emocionalmente, absorve fluidos t�xicos que existem em nossa atmosfera, que por sua vez modifica as c�lulas perispirituais, e estas transferem para as c�lulas org�nicas esses elementos t�xicos, levando-os ao sofrimento e qui�� � destrui��o, e dessa forma perturba a harmonia do conjunto. Torna-se mais compreens�vel o problema das altera��es org�nicas decorrentes do processo obsessivo. Quando algu�m sofre uma obsess�o, obviamente � porque h� afinidades espirituais entre o obsessor e o obsediado. O obsessor, pelo fato de estar exercendo uma vingan�a ou perpetrando qualquer ato nocivo, traz o perisp�rito saturado de elementos delet�rios, de alto poder destrutivo. Como guarda identidade muito grande com o obsediado � capaz de saturar o perisp�rito deste, de tais elementos t�xicos. Os �rg�os de choque ou de maior vulnerabilidade do obsediado s�o saturados por essa carga energ�tica do obsessor, porque as c�lulas perispirituais do obsediado captam e incorporam para si esses elementos t�xicos, e assim conseguem transmiti-los �s c�lulas org�nicas. Por outro lado, dada a debilidade do obsediado, o obsessor atua sobre o seu campo psicol�gico e 47 Carlos Bernardo Loureiro emocional, favorecendo que o processo se entretenha e dessa forma o pr�prio obsediado passa a ser o agente do seu desequil�brio e, consequentemente, da absor��o desses elementos t�xicos referidos. Sugere-se, destarte, que a terap�utica do processo obsessivo deve atender a quatro eminentes requisitos: primeiro Doutrina��o do obsessor tentando demov�-lo de seus intentos. 2o. Tratamento psicol�gico, emocional e espiritual do obsediado, visando refor�ar suas estruturas positivas para que n�o persista como foco de atra��o �s entidades de baixo padr�o vibrat�rio. 3o. Remo��o das �reas de considera��o flu�dica, de baixo padr�o vibrat�rio, que tenham intoxicado o perisp�rito do obsediado, atrav�s de vibra��es magn�ticas transmitidas pelo passe ou outros mecanismos. 4o. Terap�utica medicamentosa capaz de recompor as c�lulas do �rg�o atingido. 48 Fotografias cient�ficas do perisp�rito No fasc�culo de mar�o de 1937, da revista inglesa The Two Words, H.P. von Watt trata, em longo artigo, do importante problema da fotografia cient�fica do perisp�rito no momento da morte. Como j� vimos, Andrew Jackson Davis foi o primeiro vidente que, em seu livro A Morte e o Al�m, nos disse que o corpo perispiritual abandona a mat�ria no momento da morte. O Dr. Hippolyte Braduc, ilustre pesquisador franc�s, chegou a fotografar sua mulher e seu filho no momento em que, respectivamente, desencarnavam, e verificou, na chapa, uma nuvem luminosa pairando por cima dos corpos inanimados. Os pesquisadores holandeses Duncan Mc Dougall, de Harvershill, confirmaram esse resultado, fazendo colocar animais moribundos numa balan�a no momento da morte verificaram-se diferen�as, a menos, de 60 a 70 gramas. Nesses �ltimos tempos, not�veis f�sicos se t�m interessado pelo problema. Segundo o Dr. R. A. Watters, conseguiu-se obter a fotografia, no instante da morte, do corpo perispiritual de gafanhotos, r�s e ratos. Essas 49 Carlos Bernardo Loureiro revolucion�rias experi�ncias com c�maras de expans�o de Wilson permitem observar as a��es at�micas por meio de radia��es de r�dio. Esses cientistas tentaram investigar quanto perde o �tomo vivente no momento da morte. Para resolver esse problema socorreram-se da teoria de Gaskell, exposta na sua obra O Que � a Vida. Gaskell estabelece diferen�a entre Vida e Alma. Ela considera a alma de natureza intra-at�mica, imaterial, mas que sust�m a mat�ria e dela se desprende no momento crucial da morte. Foi Gaskell quem teve a ideia de examinar e de pesar esse elemento intra-at�mico, provocando a morte de pequenas cobaias, tirando fotografias no momento exato do trespasse. Isso foi obtido mediante a c�mara de expans�o de Wilson, constru�da originalmente para permitir o exame de ioniza��o de g�s por meio de raios X e de minerais radioativos. A hip�tese de Gaskell abrange o conceito de que todas as formas de vida (incluindo, naturalmente, as plantas), todos os corpos compostos viventes cont�m um elemento intra-at�mico. Esses cientistas afirmam que, se a alma existe, deve ser procurada nesses espa�os intra-at�micos, quer dizer, no espa�o existente entre �tomos de que � composto o sistema celular. Eddington, por sinal, escreveu: Se todos os �tomos de que � constitu�do o corpo humano pudessem ser amassados e o acervo resultante tivesse um lugar no espa�o, o homem inteiro n�o seria maior que um ponto feito no papel por um l�pis finamente aparado. 50 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Se essa concep��o � exata, a parte material de um corpo consiste, na maior parte, em espa�o: "espa�o inter" e "espa�o intra-at�mico" e, se existe alma (como indiscutivelmente existe), ela deve encontrar-se, segundo, ent�o, Eddington, nesse espa�o inter e intra-at�mico. O Dr. Watters teve a seguinte ideia engenhosa. Aquela nuvem luminosa, de que fala o Dr. Baraduc, adere, segundo observou, a �ons infinitamente pequenos, provocando um rastro luminoso bem vis�vel, a ponto de poder-se fotografar (como fez o Dr. Baraduc) aquela coisa ignota que se desprende do corpo no momento da morte. Por outras palavras: a mesma nuvem ou n�voa deve fixar-se a esse elemento invis�vel (perisp�rito) que determina a diferen�a de peso. Os cientistas, ent�o, fizeram experi�ncias com diversos animais: um gafanhoto, uma borboleta e um rato. Um gafanhoto previamente anestesiado era metido numa c�mara de expans�o e, em seguida, morto por meio de �ter. Um aparelho fotogr�fico estava disposto de modo que se pudesse tirar uma fotografia no momento da morte. Realizaram-se numerosas experi�ncias. Particularmente, no que se refere ao gafanhoto, 14 sobre 50 provas mostraram por cima do animal morto uma sombra de iguais contornos. � evidente que a dificuldade consiste em fotografar o animal no instante preciso do desprendimento do, dir�amos, princ�pio espiritual. Em muitos casos, as sombras eram de uma nitidez 51 Carlos Bernardo Loureiro impressionante: junto do cad�ver de uma r�, por exemplo, encontra-se sempre a forma astral de uma r�; junto de um rato, a forma de um rato etc. N�o se pode objetar que tais formas sejam produtos da ilus�o ou de qualquer outro incidente n�o identificado. As formas eram sempre similares aos animais em experi�ncia e apresentavam, de resto, as mesmas particularidades. A n�voa provocada na c�mara de expans�o era atra�da para aquilo que se desprendia do corpo do animal moribundo e fixava-se-lhe por modo an�logo ao que acontecia aos raios alfa. Depois de tirada a fotografia, algumas vezes se conseguia fazer volver � vida o animal e, o que nestes casos � muito importante, na chapa s� havia ind�cios do animal. Inversamente, quando sobre a chapa se tinha al�m do corpo animal, uma sombra, jamais foi poss�vel restituir a vida ao animal, nem mesmo com uma poderosa inje��o de adrenalina com observa��o constante de 8 a 14 horas. Deve-se destacar, a prop�sito (guardadas as necess�rias propor��es), o que aconteceu com L�zaro, segundo relatos evang�licos. N�o foi sem raz�o que Jesus afirmou, aos que o implantaram para socorrer L�zaro, que se pensava morto: Tranquilizem-se, porque L�zaro apenas dorme. Efetivamente; se L�zaro estivesse realmente morto seria imposs�vel, ao pr�prio Jesus, faz�-lo retornar � vida corp�rea, uma vez que o Mestre n�o veio revogar as leis, como ele pr�prio proclamou, leis divinas, cujos superiores des�gnios n�s desconhecemos, mas que eram do pleno conhecimento do Raponi de 52 Nazar�. As experi�ncias apontadas por H. P.van Watt, feitas sob crit�rios rigidamente cient�ficos, demonstraram, no parecer dos experimentadores, que no momento da morte se desprende do corpo f�sico um elemento imaterial - a alma! Outras provas materiais da exist�ncia do per�sp�rito, atrav�s da fotografia, destacam-se, contribuindo para a consolida��o de sua credibilidade. Escreve o professor Cesare Lombroso na obra Ricerche sui Fenomini e Spiritici: Em mar�o de 1861, Number, gravador da casa Bigelon Bros & Kermand, que dedicava suas horas de folga � fotografia, viu certa vez oferecer em uma das suas provas uma figura estranha ao grupo que fotografara. Estranhou o fato. Mas, uma segunda prova n�o mudou o resultado. Essa seria, conforme Cesare Lombroso, a primeira fotografia espiritista ou transcendental. O acontecimento causou grande sensa��o. Number foi assediado por pessoas que vinham de todas as partes, levando-o a abandonar a profiss�o de gravador e abrir um est�dio em Nova Iorque. Mais tarde, o fot�grafo seria julgado sob acusa��o de bruxaria e fraude, sendo absolvido por falta de provas. O editor Dow, de Boston (USA), tinha entre os empregados uma jovem a quem se afei�oara e que morreu aos 27 anos de idade. Sete dias depois de sua morte, um m�dium lhe disse que uma bela jovem queria 53 Carlos Bernardo Loureiro v�-lo e oferecer-lhe rosas que tinha nas m�os. Quando Dow esteve com Henry Slade, este escreveu automaticamente - Estou sempre convosco. E a assinatura da morta. De volta � cidade de Boston, Dow visitou o m�dium Hardy, quando recebeu mensagem da amiga sugerindo que ele procurasse o fot�grafo Number. Atrav�s da Sra. Number, em transe, a jovem desencarnada avisou: Hoje, ter� voc� meu retrato. Estarei perto de voc�, apoiando a m�o em seu ombro e com uma coroa de flores na cabe�a. E assim aconteceu. Ao revelar a chapa fotogr�fica, l� estava, nitidamente, a jovem na pose anunciada. Admite Gabriel Delanne (vide A Alma � Imortal) que a prova fotogr�fica tem um valor documental de extrema import�ncia, porque mostra que a famosa teoria da alucina��o � notoriamente inaplic�vel a tais fatos. A chapa sens�vel constitui um testemunho cient�fico que certifica a sobreviv�ncia da alma � desagrega��o do corpo, que atesta conservar ela uma forma f�sica no espa�o e que a morte n�o lhe pode acarretar destrui��o. Entre v�rios casos referidos por Delanne, cumpre destacar o seguinte, que corrobora o valor da fotografia esp�rita na (re)afirma��o da sobreviv�ncia da alma: Durante a pose, disse um dos m�diuns estar vendo, no plano posterior, uma figura negra, enquanto que o outro m�dium dizia perceber uma figura brilhante ao lado daquela. Na fotografia (revelada imediatamente ap�s a sess�o), aparecem as duas figuras, muito fraca 54 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades e brilhante, muito mais n�tida a escura, que � de gigantesca dimens�o, de talhe maci�o, tra�os grosseiros e longa cabeleira. Nos Annales des Sciences Psychiques, formid�vel acervo da hist�ria das pesquisas ps�quicas, registram-se as experi�ncias realizadas por J. Ochorowicz, no campo da fotografia transcendental. Eis um dos relatos. A m�dium Tomczylc, a certa altura da sess�o, informou a Ochorowicz que o Esp�rito controle Stas�a desejava-lhe falar. Em seguida, o experimentador recebeu o aviso tipol�gico do Esp�rito: Quero fotografar-me; prepare o aparelho, instale-o no centro do recinto, enfocando-o a dois metros; n�o necessito de magn�sio; nem de m�dium. Ponha o aparelho sobre a mesa, perto da janela, regulando-o a meio metro; coloque uma cadeira diante da mesa e, depois, d�em-me algo, para cobrir-me. Contentou-se com uma toalha que o pesquisador estendeu no encosto da cadeira onde o Esp�rito devia postar-se. Abriu o obturador e se reuniu � m�dium, fechando a porta da cabine. Em pouco tempo, era visto um clar�o, e, em seguida, a voz da entidade: Est� feita, revele a chapa. O pesquisador entrou na c�mara escura para fechar a objetiva, acendeu a luz e viu que a toalha, antes posta no dorso da cadeira, estava sobre a mesa, amarfanhada; uma grande toalha de papel secante (mata-borr�o), rasgada em parte, e �mida, estava na mesa de cabeceira. Aos tr�s quartos de hora, se revelava na chapa a imagem 55 Carlos Bernardo Loureiro do Esp�rito Stasia, que parecia n�o ter peito, nem ventre, nem pernas, e n�o podia, pois, ter sido substitu�da por uma pessoa viva e muito menos por um quadro recortado, porque em toda a periferia da cabe�a eram vistos, com a lente, pequenos globos luminosos que provinham de vapores luminosos flu�dicos, com os quais, conforme explicou a entidade espiritual, se havia constitu�do. Pergunta, ent�o, o Dr. Ochorowicz: (...) n�o havendo ningu�m entrado na cabine, quem havia mudado aposi��o da toalha? Quem trasladou e usou o papel secante que se encontrou molhado, para entrar em contato com os vapores flu�dicos? O Coronel Alberto de Rochas publicou, na revista Luce e Ombra, as seguintes classifica��es de fotografias transcendentais primeiro: Retratos de entidades espir�ticas, invis�veis em condi��es normais. 2o. Flores, escritos, coroas, luzes, imagens estranhas ao pensamento do m�dium e ao operador no momento da impress�o da chapa. 3o. Tipos que parecem a reprodu��o de est�tuas, pinturas ou desenhos. Essas imagens se podem atribuir, injustamente, � fraude ou truques grosseiros, quando s�o a reprodu��o de imagens mentais, mais ou menos conscientes, do m�dium, ou signos volunt�rios dados por intelig�ncias estranhas do Espa�o. 4o. Imagens de formas materializadas, vis�veis por todos os assistentes. 5o. Reprodu��o do perisp�rito de pessoas viventes. 56 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades 6o. Provas nas quais parece que a revela��o nada tenha feito aparecer, por�m nas quais os m�diuns e os clarividentes distinguem uma imagem que ali consta, absolutamente aut�noma da personalidade do observador. 57 O Perisp�rito e a Transcomunica��o O registro fotogr�fico de Esp�ritos �, sem d�vida, uma das mais objetivas provas da sobreviv�ncia da alma. No cap�tulo anterior, tratamos do assunto, analisando-o sob v�rios �ngulos, � luz de criteriosa e inquestion�vel pesquisa. Na modernidade, por�m, surge um outro e importante processo que se consubstancia no contato instrumental com os mortos. A utiliza��o de aparelhos (r�dio, TV, computadores e secret�ria eletr�nica) para contactar com os seres do al�m, assumiu, nestes finais de s�culo e de mil�nio, papel preponderante na vida de investigadores de variadas tend�ncias: m�dicos, psic�logos, hipnoterapeutas, psiquiatras, ministros e padres, todos desejando desvendar, atrav�s da tecnologia moderna, os mist�rios que encobrem, desde eras perdidas, a sobreviv�ncia da alma. Os projetos ent�o postos em pr�tica, especialmente a partir de 1970, objetivam, primordialmente: - Uma abordagem interdisciplinar livre de algemas e do conhecimento limitado de todas e quaisquer ci�ncias, dando-lhe liberdade para seguir al�m das 58 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades limita��es da presente vis�o do mundo. - Ela permite explorar as dimens�es n�o-f�sicas do homem: o duplo (perisp�rito) e os complexos campos de energia que formam, interpenetram e controlam a fun��o de cada �rg�o componente do corpo f�sico. O Vidente Em Luxemburgo (gr�o-ducado), pequeno pa�s da Europa Ocidental, h� um casal que se denomina "Mr. e Mrs. H. F." (Harsch - Fischbash), e que h� algum tempo se dedica ao Sistema EVP(capta��o de vozes dos desencarnados, por meio de gravadores eletr�nicos, em fita magn�tica), foi capturado por um Esp�rito que se denomina "Technician", a conseguir imagens projetadas do mundo espiritual. O m�todo prescrito � o seguinte: Usa-se um aparelho de TV, branco e preto, sintonizado em um canal livre. Desse modo, no v�deo s� aparece o clar�o branco do f�sforo ativado, da parte interna do tubo. Com uma c�mara videocassete, filma-se, durante algum tempo, o v�deo assim luminoso. Posteriormente, passa-se lentamente a fita do videocassete. As imagens surgem rapidamente, como um instant�neo em certos trechos da fita. Quando aparecem durante a revela��o, s�o fotografadas com uma c�mara comum. Foi recomendado o uso de um sistema para contagem do tempo e que se intercala entre o v�deo e a lente da c�mara de v�deo-cassete. Desse modo, ficam marcadas com os 59 Carlos Bernardo Loureiro n�meros da cronometragem, em minutos, segundos e cent�simos de segundo. A entidade espiritual Technician tece as seguintes considera��es sobre o processo de produ��o dessas fotos; Elas (as fotos) s�o o que denominamos test shorts (instant�neos de prova) -fotografias montadas em um laborat�rio situado onde deveria chamar-se de Plano Astral Superior ... Mas todas essas fotos s�o de certa maneira feitas aparecer no f�sforo ativado da superf�cie interna do tubo de imagens da TV - e aparentemente sem a imagem estar sendo projetada pelo canh�o de el�trons da parte traseira do tubo (vide Unlimited Horizons, Summer, 1987, obra citada pelo engenheiro Hern�ni G. Andrade, em uma s�rie de artigos, sobre a transcomunica��o, publicados pela Revista Internacional de Espiritismo - RIE). O esp�rito projeta sua imagem, via TV, durante o sepultamento do seu corpo. Claude Thorlin e sua esposa Ellen, relata o Dr. H. G. Andrade, viviam em uma cidade na Su�cia, distante 420 milhas da pequena cidade de Hoor, onde Friedrich Juergenson, autor do cl�ssico Sprechfunk Mit Verstohenen (Telefone para o Al�m) tinha a sua casa. Dia 21 de outubro de 1987, pela manh�, quando Claude 60 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades e Ellen tomavam o caf�, esta �ltima ouviu uma voz dizendo-lhe para usar o canal 4 da TV. Ellen � clarividente e clariaudiante desde a inf�ncia, mas ela e Claude ficaram meio na d�vida porque a esta��o local s� tinha dois canais: Canal 1 e Canal 2. Embora Ellen n�o tivesse identificado corretamente a voz, ele teve a intui��o de que o aviso teria implica��es com a cerim�nia f�nebre de um amigo rec�m-falecido Friedrich Juergenson, que ocorreria naquele mesmo dia. Claude Thorlin devia estar informado das experi�ncias do casal Harsch - Fischbbach e de Klaus Schreiber, a respeito das fotografias em TV obtidas por eles. Por isso ele se muniu de uma c�mara Polaroid e, �s 13 horas, ele e sua esposa passaram a observar a tela de sua TV ligada no Canal 4 e, portanto, sem imagens. A prop�sito dessa experi�ncia, Claude enviou uma carta ao Dr. George W. Meek (fundador da Metascience Foundation e construtor do SPIRICON), relatando o que aconteceu naquela oportunidade: Eu ajustei o aparelho de TV no canal 4, muito embora eu soubesse que n�o haveria programa para n�s assistirmos naquele canal. Ficar sentado ali, diante da TV, come�ou a se tornar aborrecido. Come�amos a indagar se a clarivid�ncia de Ellen n�o havia nos enganado. Est�vamos a ponto de ir embora e prontos para desligar a TV, quando o aspecto da tela mudou. Eu pensei que talvez o tubo de imagem tivesse estragado, porque tudo se tornou preto. Todavia, algo inesperado 61 Carlos Bernardo Loureiro aconteceu na tela. A parte inferior esquerda se tornou luminosa. Naquele momento eu ergui a c�mara, focalizei e bati a primeira foto. Em cerca de 6 ou 7 segundos, a luz se expandiu sobre a tela e ent�o lentamente mudou. Exatamente naquele momento eu tirei a segunda foto. Olhei para meu rel�gio era exatamente 1 hora e 22 minutos da tarde. Depois, confirmei que a cerim�nia f�nebre de Juergenson havia come�ado � 1 hora da tarde. Conseguia-se, assim, captar a imagem do grande pesquisador desse maravilhoso processo. Concluiu o Dr. Hern�ni Guimar�es Andrade que, pela carta, v�-se que Juergensen se manifestou visivelmente pela TV ao casal Claude e Ellen Thorlin, no exato momento de seus funerais. Essa foto do duplo de Juergenson ilustra o trabalho do Dr. Hern�ni Guimar�es Andrade na RIE. As considera��es do Dr. George W. Meek sobre a comunica��o instrumental com os mortos "Os mortos est�o vivos! - exclamou o Dr. George Meek, diante a realidade da comunica��o, em dois sentidos, atrav�s do r�dio, televis�o, secret�ria eletr�nica e computador. Entretanto, esse processo de comunica��o, como afirmou, representa somente um 62 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades incipiente come�o. E as r�pidas imagens sombreadas dos mortos na tela do v�deo podem parecer amador�sticas. E completa: V�rios anos de desenvolvimento ser�o necess�rios antes que se tenha aprendido o suficiente acerca das leis fundamentais da Natureza para trazer o equipamento a um n�vel de utilidade e confiabilidade. Concluindo, vale transcrever estas prudentes observa��es: Para que o aparelho funcione, temos que usar a energia ps�quica de uma pessoa com esse dom material. Willian 0'Neil, engenheiro do grupo pesquisador do Dr. George Meek (que j� desencarnou), possu�a essa energia (ectoplasma gasoso) que foi largamente usada para a obten��o das comunica��es nos primeiros aparelhos SPIRICOM, realizadas pela Metascience Foundation, organiza��o cient�fica fundada em 1970, nos Estados Unidos, destinada � pesquisa no campo da comunica��o instrumental com os mortos. 63 A teoria an�mica e o perisp�rito Gustave Geley, analisando a momentosa quest�o do animismo afirma que, entre os s�bios que estudaram a fundo os fatos e afirmam, sem restri��o, a sua autenticidade, muitos h� que n�o consideram a hip�tese esp�rita suficientemente demonstrada e julgam poder atribuir todos os fen�menos � a��o exclusiva do m�dium. De acordo com suas observa��es esp�ritas, os fen�menos esp�ritas, aparentemente ineg�veis (os que verificam fora do m�dium e sem contato com qualquer pessoa), resultam do desdobramento da personalidade do m�dium e da exterioriza��o de suas faculdades sensoriais, motrizes e intelectuais. Os pretensos Esp�ritos - continua a dizer a teoria an�mica - s�o apenas personalidades fict�cias, criadas pelo automatismo ou pelo desdobramento do m�dium. Os seus elementos ps�quicos s�o extra�dos da consci�ncia normal ou da subconsci�ncia. A teoria an�mica � realmente verdadeira no tocante � interpreta��o poss�vel de muitos fen�menos. Mas a conclus�o exclusiva que se quer tirar dela � il�gica e desprovida de senso. A teoria an�mica est� toda 64 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades compreendida na Doutrina Esp�rita e n�o poderia separar-se dela. O chamado animismo - esclarece Geley - admite o perisp�rito e a sua a��o � dist�ncia; exterioriza��o da sensibilidade, da faculdade motriz e da intelig�ncia; a subconsci�ncia; a leitura do pensamento; as sugest�es mentais e a clarivid�ncia. Ora bem; a simples verifica��o de tais faculdades do nosso eu pensante implica a superioridade evidente do princ�pio ps�quico sobre o princ�pio material; a independ�ncia da alma fora do corpo e a probabilidade da sobreviv�ncia. Donde se deduz - conclui o autor de O Ser Subconsciente - que, em nome do animismo, � absurdo negar a possibilidade do Espiritismo. A conclus�o l�gica do animismo n�o �, pois, a nega��o do Espiritismo, mas, sim, o reconhecimento das enormes dificuldades que se apresentam para distinguir um fen�meno de origem an�mica de outro de origem esp�rita. O Prof. Ernesto Bozzano, de Turim (It�lia), manifestou, pela primeira vez, a sua opini�o sobre o animismo, em artigo publicado na revista Estudos Ps�quicos, dirigida por C�sar de Vesmer, sob o t�tulo O Animismo prova o Espiritismo. Da� em diante, n�o mais pode eviscerar, sob todos os aspectos, essa quest�o que era fundamental, � �poca, para a correra, interpreta��o da fenomenologia metaps�quica e cuja solu��o, em sentido espiritico, se apresenta como �nica apta a 65 Carlos Bernardo Loureiro explicar o conjunto inteiro dos fen�menos supranormais. Nesse artigo, o Prof. Ernesto Bozzano refuta, apoiando-se em fatos, a hip�tese formulada pelos opositores � interpreta��o esp�ritica dos defuntos. Em seguida, refor�a a refuta��o e invade o campo advers�rio, demonstrando que, mesmo quando se excluem os casos de identifica��o espiritica, bastaria sempre o fato da exist�ncia de faculdades supranormais subconscientes para fornecer prova incontest�vel da sobreviv�ncia humana. O artigo do Prof. Bozzano termina com uma esp�cie de desafio concebido nestes termos: Poder� algu�m mostrar-se duvidoso ou c�tico com rela��o aos fen�menos sobre que se fundam as minhas conclus�es; desses, por�m, desembara�ar-me-ei com uma pergunta: "estariam dispostos a reconhecer por incontest�veis os meus argumentos desde que os fatos se revelassem conformes em tudo � verdade?". Se sim (e n�o pode ser diversamente, nada mais pe�o, nem de outra coisa pretendo cuidar). Os fatos s�o fatos e saber�o impor-se pela sua pr�pria for�a, pouco apouco, malgrado a tudo e a todos. A mim me basta que se reconhe�a verdadeira a observa��o seguinte: "As conclus�es podem ter-se por incontest�veis, sob a condi��o de que os fatos sejam verdadeiros. Quanto aos fatos, repito, abrir�o caminho por si mesmos e os espiritistas se sentem plenamente seguros e tranquilos com respeito a esse ponto. Os casos a que o Prof. Bozzano se refere n�o eram fatos de identifica��o espiritica (medi�nica), mas 66 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades epis�dios escolhidos de fen�menos an�micos, quais sejam: a leitura do pensamento (telepatia), a vis�o atrav�s de corpos opacos, a psicopatia, a clarivid�ncia (do passado, do presente, e do futuro), fenomenologia que lhe bastava para chegar �s conclus�es a que se propunha, ou seja, � demonstra��o que o ANIMISMO prova o ESPIRITISMO As experi�ncias de William Thomas Stead Em 1823, o c�lebre publicista ingl�s William Thomas Stead(l) realizou not�vel confer�ncia em The London Spiritualist Alliance, quando revelou os resultados da conversa��o que manteve com o Esp�rito J�lia, da� resultando a edi��o do livro Letters from J�lia. Eis alguns trechos da referida confer�ncia: Certo dia J�lia escreveu: 'Por que te surpreendes que eu possa servir-me da tua m�o para escrever (escrita autom�tica)? Qualquer um pode faz�-lo'. E eu lhe perguntei: 'Que queres dizer com este qualquer um?'. Ao que ela respondeu: 'Qualquer um, isto �, qualquer pessoa pode escrever com a tua m�o'. Perguntei ainda: 'Queres dizer pessoa viva?' E ela replicou: 'Qualquer amigo teu pode escrever com a tua m�o ao que observa: 'Queres dizer que se eu puser a minha m�o � disposi��o de qualquer amigo distante poder� ele servir-se dela do mesmo modo que tu o fazes? 'E ela respondeu: 'Sim, experimenta e ver�s. 67 Carlos Bernardo Loureiro Embora julgasse a tarefa dif�cil, William Stead resolveu experimentar, colhendo resultados "imediatos e assombrosos". Pus minha m�o ao dispor de amigos que residiam a diversas dist�ncias e notei que quase todos eles se achavam em condi��es de se comunicar, embora variasse muito a capacidade de manifesta��o. Alguns escreviam logo corretamente, com as suas pr�prias caracter�sticas de estilo, deforma, de grafia, desde as primeiras palavras e prosseguiam desembara�adamente como se estivessem escrevendo uma carta normal. Ao correr das experimenta��es, William Stead manifestou estranheza sobre alguns pontos de comunica��o entre "vivos", indagando J�lia: Se a nossa personalidade espiritual n�o transmitisse nunca informa��o em plena consci�ncia de o fazer, como se explica que os amigos que me fornecem informa��es ignorem t�-las fornecido? Respondeu-lhe o Esp�rito: Quando voc� se dirige mediunicamente a um seu amigo, a sua personalidade espiritual responde, empregando as faculdades mentais subconscientes e n�o as faculdades conscientes, e naturalmente, n�o toma o cuidado de comunicar � mente consciente que leu esta ou aquela informa��o. 68 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Opini�o de L�on Denis e de outros pesquisadores sobre a import�ncia das manifesta��es an�micas L�on Denis trata do assunto na segunda parte de sua extraordin�ria obra No Invis�vel, edi��o FEB, tradu��o de Leopoldo Cirne. Esclarece, inicialmente, o Ap�stolo de Tours: Durante o sono normal, inicialmente, o Ap�stolo de Tours - "quando o corpo descansa e os sentidos est�o inativos, podemos verificar que um ser vela e age sobre n�s, v� e ouve atrav�s dos obst�culos materiais, paredes ou portas, e a quaisquer dist�ncias. No sonho, sucedem-se imagens, desenrolam-se quadros, ouvem-se conversa��es com diversas pessoas. O ser flu�dico se desloca, viaja, paira sobre a Natureza, assiste � uma multid�o de cenas, ora inconscientes, ora definidas e claras, e tudo isso, e realiza a interven��o dos sentidos materiais, estando fechados os olhos, e os ouvidos nada percebendo. Deve-se observar que a vis�o ps�quica durante o sono caracteriza-se por uma nitidez e exatid�o id�nticas �s da percep��o f�sica no estado de vig�lia. Dos Proceedings (relat�rios) da Sociedade Dial�tica de Londres (Inglaterra), L�on Denis pin�ou o seguinte caso, acontecido com o Sr. Valey, engenheiro dos Tel�grafos da Gr�-Bretanha: Achando-se em viagem, apeou-se, noite alta, em 69 Carlos Bernardo Loureiro um hotel, recolheu-se ao aposento e adormeceu. Durante o sono viu, em sonho, o p�tio desse hotel e notou que nele trabalhavam uns oper�rios. Tendo-se a si mesmo sugerido a ideia de despertar, logo que se levantou p�de verificar a realidade do sonho. A disposi��o do p�tio e o lugar ocupado pelos oper�rios eram exatamente como o tinha visto em Esp�rito. Ora, era a primeira vez que se achava em tal lugar. A prop�sito, Camille Flammarion, em seu livro O Desconhecido e os Problemas Ps�quicos, refere-se a um sem n�mero de casos de vis�o � dist�ncia durante o sono: o Sr. G. Parente, prefeito de Wiege (Aisne, Fran�a), assistem, em sonho, a um inc�ndio que destr�i a herdade de um dos seus amigos em Chevannes. O Sr. Palmero, engenheiro de pontes e cal�adas, em Toulon, � informado por um sonho de sua mulher, da chegada inesperada de seu pai e da sua m�e, que ela v�, no mar, em um paquete. O Sr. Lee, filho do bispo protestante da cidade de lowa (USA), viu, em sonho, � dist�ncia de cinco quil�metros, seu pai rolar de uma escada. O fato � atestado por v�rias testemunhas e, entre outras, pelo Sr. Sulivan, bispo de Algowa. Fen�menos da mesma ordem se produzem no sono magn�tico. Camille Flammarion cita v�rios exemplos, entre outros, o da esposa de um coronel da Cavalaria que, em estado magn�tico, presencia o suic�dio de um oficial, a quatro quil�metros de dist�ncia. � certo que o Esp�rito trabalha durante o sono, e, 70 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades com a ajuda de conhecimentos adquiridos no passado, chega a realizar obras consider�veis. H� exemplos not�veis a respeito. Voltaire declara ter, uma noite, concebido, em sonho, um canto completo da Henriade, longo poema �pico de rara beleza. Por essa �poca, por sinal, adotou o pseud�nimo de Voltaire, cuja origem jamais explicou. Pesquisa Cardequiana No cap�tulo XDC de O Livro dos M�diuns, Allan Kardec pergunta aos Esp�ritos reveladores: As comunica��es escritas ou verbais podem ser, tamb�m, do pr�prio Esp�rito do m�dium? Eles respondem: A alma do m�dium pode comunicar-se como qualquer outra. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra, ent�o, as suas qualidades de Esp�rito. Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem evocadas. PORQUE � BOM SABERES QUE ENTRE OS ESP�RITOS QUE EVOCAS H� OS QUE EST�O ENCARNADOS NA TERRA. NESTE CASO, ELES TE FALAM COMO ESP�RITOS E N�O COMO HOMENS. Por que o m�dium n�o poderia fazer o mesmo? Allan Kardec prossegue: Esta explica��o n�o parece confirmar a opini�o dos que acreditam que todas as comunica��es s�o do 71 Carlos Bernardo Loureiro Esp�rito do m�dium e n�o de outro Esp�rito? E os Esp�ritos esclarecem: Eles s� est�o errados por entenderem que tudo � assim. Porque � certo que o Esp�rito do m�dium pode agir por si, mas isso n�o � raz�o para que os outros Esp�ritos n�o pudessem agir tamb�m por seu interm�dio. A prop�sito, afirma o Prof. Ernesto Bozzano que as duas classes de manifesta��es s�o id�nticas por natureza, com a distin��o puramente formal de que, quando verificam por obra de um Esp�rito encarnado (vivo) tomam o nome de FEN�MENOS AN�MICOS e, que, quando por obra de um Esp�rito desencarnado (morto), denominam-se FEN�MENOS ESP�RITAS. � claro, pois, que as duas classes de manifesta��es s�o uma o complemento necess�rio da outra, e isto de tal sorte que o ESPIRITISMO ficaria sem base se n�o existisse o ANIMISMO. Em seguida, o Prof. Ernesto Bozzano estabelece as v�rias categorias de manifesta��es que se diferenciam entre si, dividindo-se em subgrupos: SUBGRUPO A - mensagens inconscientemente transmitidas ao m�dium por pessoas imersas no sono. SUBGRUPO B - mensagens inconscientemente transmitidas ao m�dium por pessoa em estado de vig�lia. SUBGRUPO C - mensagens obtidas por expressa vontade do m�dium, �s quais s�o aplic�veis as hip�teses: clarivid�ncia, telepatia e de telemn�sia. SUBGRUPO D -Caso de transi��o em que o vivo que se comunica � um morimbundo SUBGRUPO E- Mensagem entre vivos transmitida com o aux�lio de uma entidade espiritual . Sugerimos que sejam consultadas as obras ao final enumerada que servir�o de subs�dios precioso a uma an�lise aprofundada do fen�meno A A��o da Alma a dist�ncia . J� a��o da alma � dist�ncia, sem o concurso dos sentidos, revela-se no estado de vig�lia. As vibra��es do nosso pensamento, projetadas com intensidade volitiva, propagam-se ao longe e podem influenciar organismos em afinidade, e, depois, suscitando uma esp�cie de ricochete, voltam ao ponto de emiss�o. Assim, duas almas vinculadas pelas ondula��es de um mesmo ritmo ps�quico, podem sentir e vibrar em un�ssono. �s vezes, um di�logo misterioso se trava, de perto ou de longe; permutam-se pensamentos, demasiados sutis para que possam ser expressos por palavras; imagens, temas de conversa��o, flutuam na atmosfera flu�dica dessas almas, que, apesar da dist�ncia, se sentem unidas, penetradas de um mesmo sentimento, e fazem irradiar de uma a outra os efetivos de sua personalidade ps�quica. A teoria supracitada ap�ia-se em provas indiscut�veis, encontradas, por exemplo, nos Proceedings da Society for Psychical Research, de Londres. O operador e o sensitivo, colocados na mesma sala, mas separados por uma cortina, sem fazer um gesto, sem proferir uma palavra, transmitem, um ao outro, silenciosamente, pensamentos. A mesma experi�ncia foi, em seguida, realizada com �xito, colocando-se o 74 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades operador e o sensitivo, a princ�pio, em duas salas, depois em duas casas diferentes. A fim de evitar qualquer combina��o fraudulenta, os pensamentos a transmitir eram, previamente, escritos e tirados � sorte. Experi�ncias id�nticas foram realizadas pelo Bar�o du Potet, constantes em sua obra Trait� de Magnetisme; pelo Dr. Julien Ochorowicz, no seu magn�fico trabalho La Sugestion Mentalle; pelo Dr. Emile Boirac, inseridas na excelente monografia Annales des Sciences Psychiques. Por seu turno, Gabriel Delanne, em memor�vel artigo publicado na Revue Scientif�que et Morale du Spiritism, declara que os estados vibrat�rios individuais devem ser classificados em tr�s tipos: auditivos, visuais e motores, pelos quais se explicaria a variedade das percep��es nos sensitivos. A a��o ps�quica de um vivo, � dist�ncia, ou a de um morto, provocar� em uns a percep��o visual de uma figura de fantasma; em outros, a audi��o de sons, de ru�dos, de palavras; em um terceiro suscitar� movimentos. Casos dessa natureza s�o registrados na obra Phantasms of the Living, de autoria dos pesquisadores ingleses Edmund Gurney (1847-1888), Frederick W. H. Myres (1843-1901) e Frank Odmore (1856-1910). Elucida L�on Denis, entretanto, que as impress�es Odemore, igualmente, variar nos sensitivos pertencentes o mesmo tipo sensorial. O pensamento inicial ser� por eles percebido sob formas distintas, posto que o sentido a manifesta��o seja id�ntico no fundo . � o que o autor do Problema do ser ,do destino e da dor verificou no curso de suas pesquisa. Diversos m�diuns auditivos percebiam o pensamento do esp�rito e o traduziam em termos diferentes. A onda vibrat�ria de um pensamento estranho produz no sensitivo a percep��o de um fato exterior que, segundo seu estado din�mico parecer� visual. Eis um caso t�pico em que a a��o telep�tica se manifesta por meio de ru�dos e vis�o. A senhora Troussel, cujo sobrenome de solteira era Daudet parenta do ilustre escritor e residente em Auger na rua Daguerre , comunica-se telepaticamente a horas convencionadas com algumas de suas amigas; as quais serve o seu turno de transmissor e receptor. Elas estabelecem reciprocamente o processo verbal dos pensamentos emitidos e das impress�es recebidas e os compara em seguida . As vezes o pensamento projetado com intensidade produz uma a��o f�sica sobre os m�veis fazendo-os vibrar fortemente A senhora Troussel p�s em pr�tica a mesma experi�ncia com uma amiga residente na cidade de Marc�lia . Dever-se-iam por uma comunica��o na quinta-feira as 20 horas e 30 minutos. N�o sendo por�m id�ntico o meridiano, e sendo a hora de Marc�lia adiantada em rela��o a de auger, ao subir a senhora troussel para o seu quarto, em busca de isolamento, sentiu-se invadida por um sentimento de tristesa. Um instante depois, tendo se recolhido, viu aparecer a sua amiga Marcelesa Junto a ela estava uma crian�a que lhe estendeu os bra�os .. Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Era o filho da amiga de Marselha j� desencarnado. O epis�dio � not�vel: registra a vis�o simult�nea de um Esp�rito encarnado (a m�e) e de um Esp�rito desencarnado (o filho). A exist�ncia da alma se revela, conseguintemente, por fatos. Sua a��o se pode exercer fora dos limites do corpo; a alma pode transmitir a outros seres seus pensamentos, suas sensa��es, desdobrar-se e aparecer em sua forma flu�dica. Acima das leis do tempo e do espa�o, a alma v� � dist�ncia e se transporta ao longe; l� no passado e pode penetrar no futuro. O corpo � uma condi��o dispens�vel de sua exist�ncia, e se a ele acha-se ligada durante a passagem terrestre, esse la�o �, apenas, tempor�rio. O estudo da alma exteriorizada durante a vida nos conduz, assim, ao estudo de suas manifesta��es depois da morte. As leis que regem esses fen�menos s�o id�nticas, a exterioriza��o n�o � mais do que uma prepara��o do Esp�rito para o estado de liberdade, para essa outra forma de exist�ncia em que ele se encontra desembara�ado dos liames da mat�ria. As evoca��es de Florence Marryat A escritora inglesa Florence Marryat, que possu�a expressiva faculdade medi�nica, notadamente de psicografia e tipologia, realizou numerosas pesquisas 77 Carlos Bernardo Loureiro em torno da comunicabilidade entre esp�ritos encarnados. Em seu livro There is no Death, h� relatos de not�vel import�ncia para o limitado acervo desse especial interc�mbio. Eis, para conhecimento dos prezados leitores, alguns trechos de uma de suas narrativas a respeito: Tais comunica��es com Esp�rito de vivos s�o, indubitavelmente, das mais curiosas que j� obtive. Em v�rias circunst�ncias quando, sobre um dado acontecimento, eu n�o chegava a conhecer a verdade diretamente das pessoas interessadas em ocult�-las, eu me sentava diante da mesinha medi�nica, em hora que sabia acharem-se adormecidas as pessoas, e concentrava o pensamento sobre elas, convidando-as a me virem revelar, sinceramente, a verdade, pela tipologia, o que quase nunca deixava de se realizar. O expediente posto em pr�tica por Florence Marryat �, parece-nos, um tanto quanto perigoso, prestando-se � interfer�ncia de Esp�ritos desencarnados dados � fraude, � mistifica��o, desvirtuando, assim, a finalidade de evoca��o. Ademais, eis o que a referida m�dium afirmou, categoricamente, no j� citado livro: Devo declarar que n�o tenho o costume de proceder assim com os vivos, mas sou uma pessoa terr�vel, quando me desafiam afazer alguma coisa. Ela emitiu esse parecer diante de um desafio que algu�m lhe fizera, afirmando que a m�dium fracassaria caso tentasse comunicar-se com ele, compulsoriamente, em estado de vig�lia. 78 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Florence Marryat conseguiu realizar, plenamente, o seu intento, quando o desafiante participava de um requintado banquete. Atendendo ao poderoso chamamento da m�dium, ele entrou em profundo sono sobre a mesa, e o Esp�rito que animava aquele corpo foi irresistivelmente atra�do � presen�a da evocadora. Emma Harding Britten A m�dium inglesa Emma Harding Britten(5), em artigos publicados na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, refere-se a um caso acontecido em casa do Sr. Cuttler, no ano de 1853. Um m�dium se p�s a falar alem�o, embora desconhecesse completamente esse idioma. O Esp�rito que por ela se comunicara dava-se como m�e de uma jovem alem� que se achava presente. Passado algum tempo, um amigo da fam�lia, vindo da Alemanha, trouxe a not�cia que a m�e da referida jovem, ap�s s�ria enfermidade, em virtude da qual ca�ra em profundo sono let�rgico, declarara, ao despertar, ter visto a filha que se encontrava na Am�rica. E descreveu, com detalhes, o ambiente e as pessoas que faziam parte da reuni�o. Evoca��o de um Surdo-Mudo Encarnado Na Revue Spirit de janeiro de 1865, Allan Kardec 79 Carlos Bernardo Loureiro inseriu um caso, realmente ins�lito, de manifesta��es do Esp�rito encarnado de um surdo-mudo, relatado pelo Sr. Rui, membro da Sociedade Esp�rita de Paris. Eis o caso: Em 1862, diz ele, conheci um rapaz surdo-mudo de doze a treze anos. Desejoso de fazer uma observa��o, perguntei dos guias protetores se me seria poss�vel evoc�-lo. Tendo tido resposta afirmativa, fiz o rapaz vir ao meu quarto e o instalei numa poltrona com um prato de uvas que ele se p�s a devorar. Por meu lado, sentei-me a uma mesa. Orei e fiz a evoca��o. Ao cabo de alguns instantes minha m�o tremeu e escrevi: "Eis-me aqui. Olhei o menino. Estava im�vel, os olhos fechados, calmo, adormecido, com o prato sobre os joelhos. Tinha cessado de comer. Dirigi-lhe as seguintes perguntas: P. Onde est�s agora? R. Em seu quarto, em sua poltrona. P. Quer dizer por que � surdo-mudo de nascen�a? R. � uma expia��o de meus crimes passados. P. Que crimes voc� cometeu? R. Fui parricida. P. Pode dizer se sua m�e, a quem ama t�o ternamente, n�o teria sido, como seu pai ou sua m�e, na exist�ncia de que fala, o objeto do crime que cometeu? " Em v�o esperei a resposta: a m�o ficou im�vel. Levantei de novo os olhos para o menino - acabava de 80 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades despertar e comia as uvas com apetite. Tendo pedido aos guias que me explicassem o que acabava de passar, foi-me respondido: "Ele deu os ensinamentos que desejava e Deus n�o permitiu que lhe desse outros ". Vejamos em s�ntese, as elucida��es de Allan Kardec sobre o caso em quest�o. Ap�s tratar, rapidamente, da identidade do Esp�rito, o Mestre Lion�s observa que o sil�ncio guardado sobre a �ltima pergunta prova a utilidade do v�u lan�ado sobre o passado. Foi permitido ao jovem revelar a causa da sua enfermidade, a fim de dar uma prova a mais que as afli��es terrenas t�m uma causa anterior, quando n�o esteja na vida presente, e que assim tudo � segundo a Justi�a. Por isso os Esp�ritos o despertaram, talvez no momento em que ia responder. Deve-se concluir que todos os surdos-mudos tenham sido parricidas? Seria uma consequ�ncia absurda, pois a justi�a de Deus n�o est� circunscrita em limites absolutos, como a justi�a humana. A Nossa Experi�ncia H� mais de vinte anos, solicitamos aos dirigentes de uma institui��o esp�rita da cidade do Salvador um espa�o para que realiz�ssemos, nos s�bados � noite, uma sess�o experimental. Atenderam, fraternalmente, � solicita��o. Todos os 81 Carlos Bernardo Loureiro s�bados, pois �s 12 horas, reun�amo-nos, com mais de dez companheiros, todos esp�ritas estudiosos, e, ap�s leitura e an�lise de textos selecionados, inici�vamos a sess�o. Dedic�vamo-nos, especificamente, � evoca��o de Esp�ritos encarnados que estivessem passando por v�rios tipos de problemas. Durante tr�s anos aproximadamente, a sess�o se realizou com perfeita regularidade e com surpreendentes resultados. � um tipo de trabalho que exige percuciente observa��o, prud�ncia e, sobretudo, confian�a nos m�diuns e nos Esp�ritos orientadores. Vez por outra, entidades desencarnadas se manifestavam, tentando convencer o grupo de que se tratava de Esp�ritos encarnados. Entretanto, os mentores espirituais alertavam-nos da mistifica��o, sugerindo o "orai e vigiai", em benef�cio da integridade da sess�o. Entre os v�rios casos ver�dicos registrados ao longo dessas sess�es experimentais, cumpre-nos destacar o que aconteceu com o jovem C, filho de nossa amiga S., j� desencarnada, que, por sinal, fazia parte do grupo de experimentadores. �s 21 horas, reunimo-nos na ampla sala cedida pelos diretores da institui��o. Ap�s a leitura do Evangelho, passamos aos coment�rios. As 22 horas (essas sess�es devem ser realizadas �s horas mortas), iniciaram-se os trabalhos, isto �, procedeu-se � evoca��o do Esp�rito do jovem. Sent�amos a vibra��o; era algo indefin�vel, j� experimentado, por�m, em oportunidades semelhantes. Alguns minutos depois, um dos m�diuns apresenta 82 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades os ind�cios caracter�sticos de manifesta��es daquela ordem, e come�a a falar. A voz � quase inaud�vel, mas todos, em sil�ncio absoluto, puderam ouvir o comunicante anunciar o seu nome, apenas conhecido por n�s e sua genitora. A seguir, ele pediu que o ajudassem, porque presa infeliz de drogas pesadas era, outro fato desconhecido dos demais companheiros. Mantivemos, ent�o, ligeiro di�logo com o Esp�rito, sobre o drama que ele estava vivendo nesta (re)encarna��o. Ele se foi um tanto bruscamente, deixando o m�dium com n�useas e fortes dores pelo corpo. No dia seguinte, pela manh�, a m�e do rapaz telefonou para nossa casa, informando que C. dissera que, � hora da evoca��o, ele se encontrava conversando com a namorada, como de h�bito, dentro de seu autom�vel estacionado defronte do edif�cio onde morava. De repente, disse ele, sentiu um leve torpor, que foi aumentando, gradualmente, caindo em profundo sono (transe) sobre o ombro esquerdo da jovem a seu lado, que nada p�de fazer, julgando tratar-se de um estado natural de cansa�o. Naquele exato momento, C. estava se comunicando conosco na sess�o experimental... Decorreram mais de vinte anos para que essa pequena hist�ria viesse a lume, integrando-se, no rol das vivenciadas por eminentes pesquisadores. Afinal de contas, o Esp�rito sofre no primeiro, da mesma forma como no terceiro mundo! ... 83 O extraordin�rio Caso de �mille Sag�e Alexandre Aksakof trata do especioso assunto em sua obra Animismo e Espiritismo (Animismus and Spiritismus). A Ci�ncia tem considerado o fato como produto de "alucina��o permanente subjetiva". Mas, como destaca Aksakof, gra�as aos trabalhos da Sociedade de Pesquisas Ps�quicas de Londres, que erigiu para si um monumento eterno com a publica��o da obra The Phantasms of the Living, essa concep��o superficial n�o se justifica. In�meros fatos foram registrados, ao longo do tempo, pela SPR, e analisados, meticulosamente, pelos seus pesquisadores, quando se provou, de maneira incontest�vel que existe uma rela��o �ntima entre a apari��o do perisp�rito (duplo) e a pessoa viva que ele representa. Desde ent�o, se � uma alucina��o, �, segundo a express�o do autor da alma, Edmund Gurney (1847-1888), uma alucina��o ver�dica, isto �, o efeito de uma a��o ps�quica, emanante de uma pessoa que se encontra longe da que v� a apari��o. 84 Admite Aksakof que a apari��o do duplo pode n�o ser um fen�meno puramente subjetivo, mas que pode Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades apresentar certa objetividade, possui certo grau de materialidade, o que faria dele um g�nero especial de duplas. O fato mais not�vel (e ainda indecifrado) desse g�nero de desdobramento perispiritual �, sem d�vida, o caso de �mille Sag�e, relatado pela Baronesa J�lia de Guldenstubbe a Robert Dale Owen, que o incluiu em sua obra Footfalls on the Boundary of Another Life. Mais tarde, informa��es mais detalhadas, fornecidas pela pr�pria Baronesa Guldenstubbe, foram publicadas em Light, de 1883. Eis os tr�mites do inusitado fen�meno: Em 1845, existia, na Liv�nia, perto da cidade de Volmar, uma institui��o para mo�as nobres, designada sob o nome de Col�gio de Neuwelcke. O n�mero das colegiais, a maioria de fam�lias nobres livonesas, eleva-se a quarenta e duas. Entre elas se acha a segunda filha do Bar�o de Guldenstubbe. Entre as professoras, havia uma francesa, a jovem �mille Sag�e, nascida em Dijon, na Borganha. Era inteligente e de esmerada educa��o, e os diretores da institui��o mostravam-se satisfeitos com o seu ensino e com as suas aptid�es. Ela estava com a idade de trinta e dois anos. Poucas semanas depois de sua admiss�o ao corpo docente do Col�gio, singulares boatos come�aram a correr a seu respeito entre as alunas. Quando uma dizia t�-la visto em tal parte do estabelecimento, frequentemente outra assegurava que a encontrara, em outra parte, em outra ocasi�o. 85 Carlos Bernardo Loureiro As coisas n�o tardaram a se complicar e a tomarem um car�ter que exclu�a toda a possibilidade de fantasia ou de erro. Certo dia em que �mille Sag�e dava uma li��o a treze alunas, entre as quais a menina Guldenstubbe, as jovens viram, de repente, com grande terror, duas Sag�e, uma ao lado da outra! Ela se assemelhavam exatamente e faziam os mesmos gestos. Somente a pessoa verdadeira tinha um peda�o de giz na m�o e escrevia efetivamente ao passo que seu duplo n�o o tinha e contentava-se em imitar os movimentos que ela fazia para escrever. Da�, grande sensa��o no estabelecimento, tanto mais porque as meninas, sem exce��o, tinham visto a segunda forma e estavam de perfeito acordo na descri��o que faziam do fen�meno. Passaram-se os meses e fen�menos semelhantes continuaram a produzir-se. Via-se de tempos em tempos, ao jantar, o duplo da professora Sag�e de p�, por tr�s da cadeira onde estava sentada, imitando seus movimentos, enquanto ela jantava, por�m sem faca, nem garfo, nem comida nas m�os. Alunas e criadas de servir � mesa testemunharam o fato da mesma maneira. Entretanto, nem sempre sucedia que o duplo imitasse os movimentos da pessoa verdadeira. �s vezes, quando esta se levantava da cadeira, via-se seu duplo ficar sentado ali. Em certa ocasi�o, estando de cama por causa de uma gripe, a menina Antoniela de Wrangel, que lhe fazia uma leitura para distra�-la, viu-a empalidecer de repente e contorcer-se como se fosse 86 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades perder os sentidos; em seguida, a menina, atemorizada, perguntou-lhe se sentia-se pior. Ela respondeu que n�o, mas com voz muito fraca e desfalecida. A menina de Wrangel, voltando-se casualmente alguns instantes depois, divisou, muito distintamente, o duplo de �mille Sag�e, passeando, a passos largos, no aposento. O caso mais not�vel, por�m, desse enigm�tico fen�meno � certamente o seguinte: Certo dia todas as alunas, em n�mero de quarenta e duas, estavam reunidas em um mesmo aposento e ocupadas em trabalhos de bordado. No centro da sala, havia uma grande mesa diante da qual se reuniam habitualmente as diversas classes para se entregarem a trabalhos de agulha ou outros an�logos. Naquele dia, as jovens colegiais estavam todas sentadas diante da mesa, e podiam ver perfeitamente o que se passava no jardim; ao mesmo tempo que trabalhavam, viam a jovem Sag�e, ocupada em colher flores, nas proximidades do pr�dio. Era uma de suas distra��es prediletas. No extremo da mesa, em posi��o elevada, conservava-se uma outra �mille Sag�e. Em dado momento, ela desapareceu e a poltrona ficou desocupada. Mas foi apenas por pouco tempo, pois que as meninas viram ali, de repente, a forma da jovem Sag�e. Convictas de que n�o se tratava de uma pessoa real, e pouco habituadas com essas manifesta��es extraordin�rias, duas das mais ousadas alunas se aproximaram da poltrona, e, tocando na apari��o, 87 Carlos Bernardo Loureiro acreditaram sentir uma certa resist�ncia, compar�vel � que teria oferecido um leve tecido de musselina ou de crepe. Uma delas chegou mesmo a passar defronte da poltrona e a atravessar. Apesar disso, a r�plica de Sag�e durou ainda por certo tempo; depois, desfez-se gradualmente. Observou-se, em seguida, que a jovem e estranha professora recome�ara a colheita de flores com a vivacidade habitual. Algumas, entre as quarenta e duas colegiais, perguntaram, depois, � professora, se, durante o fen�meno de que foram testemunhas, ela experimentara alguma coisa particular. Ela respondeu que apenas se recorda de ter mentalizado, fortemente, durante a colheita das flores, a sala onde as alunas estavam, com receio que cometessem alguma travessura ... Esses estranhos fen�menos duraram, com diversas variantes, cerca de dezoito meses, isto �, por todo o tempo em que a jovem Sag�e conservou o seu emprego em Neuwelcke durante uma parte dos anos 1845-1846. Essas manifesta��es ub�quas se davam, especialmente, em ocasi�es em que ela estava muito preocupada ou muito concentrada em seus afazeres pedag�gicos. Notou-se que, � medida que o duplo se tornava mais n�tido, e adquiria maior consist�ncia, �mille Sag�e ficava mais r�gida e enfraquecida, e, reciprocamente, que, � medida que o duplo se desfazia, o seu corp�reo adquiria suas for�as. Ela pr�pria era inconsciente do que se passava e s� ficava sabendo do ocorrido quando lhe diziam. 88 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Ordinariamente os olhares das pessoas presentes avisavam-na. Nunca teve ocasi�o de ver a apari��o do seu duplo, do mesmo modo parecia aperceber-se da rigidez e in�rcia que se apoderavam dela, quando seu duplo era visto por outras pessoas. Durante dezoito meses em que a Baronesa J�lia de Guldesntubbe teve a oportunidade de ser testemunha desses fen�menos e de ouvir falar a respeito, jamais se apresentou o caso de apari��o do duplo � grande dist�ncia do ser corp�reo; algumas vezes, entretanto, o duplo aparecia durante seus passeios na vizinhan�a. As mais das vezes, era no interior do educand�rio. Todo o pessoal da casa o tinha visto. O duplo parecia ser vis�vel para todas as pessoas, sem distin��o de idade nem de sexo. Naturalmente os pais come�aram a experimentar escr�pulos em deixar suas filhas por mais tempo sob semelhante influ�ncia, e muitas alunas, que tinham sa�do em f�rias, n�o mais voltaram. No fim de dezoito meses, havia apenas doze alunas das quarenta e duas que eram. Por maior que fosse a repugn�ncia que tivessem com isso, foi preciso que os diretores da institui��o a sacrificassem. Ao ser despedida, a jovem, desesperada, exclamou, em presen�a de J�lia G�ldenstubbe: Oh! j� pela d�cima nona vez; � duro, muito duro de suportar! Quando lhe perguntaram o que queria dizer com isso, ela respondeu que por toda a parte por onde tinha passado, os mesmos fen�menos se tinham produzido, 89 Carlos Bernardo Loureiro motivando a sua despedida. Depois de ter deixado Neuwelcke, retirou-se durante algum tempo para a companhia de uma cunhada que tinha muitos filhos ainda pequenos. A jovem de Guldenstubbe foi visit�-la ali e soube que esses meninos, de idade de tr�s a quatro anos, conheceram as particularidades de seu desdobramento. Eles tinham o h�bito de dizer que viam duas tias �mille. Mais tarde ela se dirigiu ao interior da R�ssia, e a jovem G�ldenstubbe n�o mais ouviu falar a seu respeito. Alexandre Aksakof admite que, diante de tantas evid�ncias, deve-se excluir a possibilidade de ilus�o ou de alucina��o. Afirma, ent�o, ipsis literis: Parece-nos dif�cil imaginar que as numerosas alunas, professores e funcion�rios de dezenove estabelecimentos de ensino tenham experimentado qualquer influ�ncia alucinat�ria. Por conseguinte, n�o h� d�vida de que se trata, neste caso, de uma apari��o, no rigoroso sentido da palavra, de um desdobramento real do ser corp�reo, tanto mais o duplo se entregava, em muitos casos, a uma ocupa��o diversa que executava a pr�pria pessoa. E finaliza Aksakof: Notemos que no dizer das alunas que tiveram a ousada iniciativa de tocar no duplo de �mille Sag�e, esse apresentava certa consist�ncia. H� todo o fundamento para supor-se que a fotografia teria demonstrado a realidade objetiva desse estranho fen�meno. 90 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Allan Kardec, analisando o caso �mille Sag�e em Obras P�stumas, e outros an�logos relatados no livro Os Fen�menos M�sticos da Vida Humana, de autoria do professor su��o Maximiliano Perty, dado a lume em 1861, manifesta-se, a respeito, sempre criterioso: O Espiritismo, longe de fazer-nos aceitar os fatos cegamente, nos ajuda a separar o verdadeiro do falso, o poss�vel do imposs�vel, com o aux�lio das leis que nos revela, referentes � constitui��o e ao papel do elemento espiritual. N�o nos apressemos, no entanto, a respeitar a priori tudo aquilo que n�o compreendemos, porque muito nos falta para conhecer todas essas leis, e porque a natureza ainda n�o nos revelou todos os seus segredos. O mundo invis�vel � um campo de observa��es ainda novo para n�s, e seria presun��o de nossa parte pretender haver sondado todas as suas profundezas, quando novas maravilhas se revelam, sem cessar, a nossos olhos... 91 O Perisp�rito e a Mediunidade Afirma Allan Kardec que o fluido perispiritual � o agente de todos os fen�menos esp�ritas. Esses fen�menos s� se podem realizar gra�as � a��o rec�proca dos fluidos emitidos pelo m�dium e pelo Esp�rito. O desenvolvimento da faculdade medi�nica prende-se � natureza mais ou menos expans�vel do perisp�rito do m�dium e a sua maior ou menor facilidade de assimila��o com os fluidos dos Esp�ritos. Depende, portanto, de sua organiza��o e pode desenvolver-se quando o princ�pio existe, mas n�o ser� adquirida se o princ�pio n�o existir. A predisposi��o para a mediunidade independe do sexo, idade ou temperamento da pessoa. Encontram-se m�diuns em todas as classes de indiv�duos, desde a mais tenra idade at� � mais avan�ada. As rela��es entre os Esp�ritos e os m�diuns estabelecem-se por meio de seu perisp�rito. Sua facilidade depende do grau de afinidade existente entre dois fluidos. H� alguns que assimilam facilmente e outros que se repelem, do que se conclui que n�o basta ser m�dium para se comunicar indistintamente com qualquer Esp�rito. H� m�diuns que s� podem comunicar-se com certos Esp�ritos ou com certas categorias de 92 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Esp�ritos, e h� outros que s� podem faz�-lo por transmiss�o de pensamento, sem qualquer manifesta��o exterior. Pela assimila��o dos fluidos perispirituais, o Esp�rito se identifica, por assim dizer, com a pessoa que ele quer influenciar. N�o apenas a ela transmite seu pensamento, mas, tamb�m, pode exercer uma a��o f�sica; faz�-la agir ou falar, segundo sua vontade; faz�-la dizer o que quiser. Numa palavra: pode servir-se de seus �rg�os, como se fossem dele e, finalmente, neutralizar a atua��o do pr�prio Esp�rito encarnado e paralizar-lhe seu livre-arb�trio. Os bons Esp�ritos utilizam-se dessa influ�ncia para o bem e os maus Esp�ritos, para o mal. (Vide, a prop�sito, as considera��es de Allan Kardec insertas no Cap�tulo XIV, de A G�nese, livro quinto da Codifica��o do Espiritismo, edi��o LAKE). O processo de que fala Allan Kardec, quanto � a��o rec�proca dos fluidos emitidos pelo m�dium e pelo Esp�rito, � chamado pelo prof. J. Herculano Pires, de ATO MEDI�NICO, que ele interpreta da seguinte forma: O ato medi�nico � o momento em que o Esp�rito comunicante e o m�dium se fundem na unidade psico-afetiva da comunica��o. O Esp�rito aproxima-se do m�dium e o envolve nas suas vibra��es espirituais. Essas vibra��es irradiam-se do seu corpo espiritual (perisp�rito) atingindo o corpo espiritual do m�dium. A esse toque vibrat�rio, semelhante ao de um levar um choque el�trico, reage o perisp�rito do m�dium. Realiza-se a fus�o flu�dica. H� uma simult�nea altera��o no 93 Carlos Bernardo Loureiro psiquismo de ambos. Cada um assimila um pouco o outro... O que se d� n�o � uma incorpora��o, mas uma interpenetra��o ps�quica, como a luz atravessando a vidra�a. Ligados os centros vitais de ambos, o Esp�rito se manifesta emocionado, reintegrando-se nas sensa��es da vida terrena, sem sentir o peso da carne. Quando o ato medi�nico � perfeito e claro, iluminado por uma mediunidade esclarecida e devotada ao bem, n�o h� gigante - como no caso de Lombroso - que n�o se curve reverente ante o mist�rio da vida imortal. Quando o ato medi�nico n�o tem a pureza e a beleza de uma comunica��o amorosa, n�o tem o calor da solidariedade humana e � iluminado pela caridade crist� ... N�o h� beleza nem serenidade nos Esp�ritos comunicantes, h� desespero, dor, express�es de rebeldia ou �mpetos de vingan�a. Os m�diuns sentem-se irrequietos, n�o raro temerosos. As vibra��es perispirituais s�o �speras e sombrias ...O trabalho � penoso... Mas a palavra fraterna carregada de bondade e amor vai dos poucos amortecendo as explos�es de �dio..." Transe O Transe na vis�o de L�on Denis (No Invis�vel): Durante o transe, se o Esp�rito do m�dium pouco se afasta, permanece quase sempre confundido no grupo 94 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades espiritual que cerca o seu inv�lucro terreno. Sua influ�ncia �s vezes se faz sentir sobre o seu corpo, a que seus pr�prios h�bitos o atraem. Sua a��o se torna em tal caso um inc�modo, um estorvo para os Esp�ritos que se comunicam. Quando o transe, pois, � pouco profundo, o desprendimento perispiritual � incompleto. Estabelece-se, frequentemente, uma resist�ncia, de parte do m�dium, � atua��o do Esp�rito. Far-se-ia necess�rio, destarte, identificar, respectivamente, a participa��o de um ou outro no ato medi�nico, o que � dific�limo. Esclarece, ainda, L�on Denis que, nos fen�menos de escrita e da mesa, o m�dium se conserva na plena posse de sua vontade, e poderia repelir as inspira��es que recebe. Cita, por exemplo, a advert�ncia do m�dium norte-americano Hudson Tuttle (1836-1910), inserida na obra psicografada, Arcana of Spiritualism. Os grupos esp�ritas s�o, �s luzes, joguetes de uma ilus�o, enganados por suas pr�prias for�as. Afastam os ditados esp�ritas s�rios, substituindo-os pelo reflexo de seus pensamentos; e, ent�o, observam-se contradi��es e confus�es que ingenuamente atribuem � interven��o de Esp�ritos Mal�volos. Em seguida, o autor de No invis�vel recomenda deixar que os Esp�ritos atuem sozinhos sobre o m�dium, abstendo-se da interven��o magn�tica humana. Essa era a atitude que norteava o Ap�stolo de Tours em seus estudos experimentais. Raramente os Esp�ritos pediam-lhe que atuasse sobre o m�dium por meio de passes, 95 Carlos Bernardo Loureiro quando a esse faltava a for�a ps�quica (fluidos). Passamos-lhe a palavra: Na maioria das vezes os fluidos de um magnetizador, por seu estado vibrat�rio particular, contrariam os dois Esp�ritos, em lugar de auxili�-los... Um magnetizador (passista) cujos fluidos n�o sejam puros, que n�o possua um car�ter reto, nem irrepreens�vel moralidade, pode, mesmo sem querer, influenciar o sensitivo num sentido muito desfavor�vel. Longe de n�s, aprendizes do Espiritismo, contestar o mestre; entretanto, convenhamos: onde encontrar uma pessoa, neste nosso mundo, com tais atributos, que seja esp�rita.... e passista? Outro ponto importante que L�on Denis destaca � a defasagem entre as faculdades do Esp�rito e as do m�dium: O desenvolvimento do c�rebro n�o � id�ntico, e as manifesta��es s�o por isso contrariadas. � o que diziam certos Esp�ritos, no curso de nossas experi�ncias de incorpora��o. Estamos acanhadamente encerrados; falta-nos meios suficientes para exprimir os nossos pensamentos. As part�culas f�sicas deste c�rebro s�o muito grosseiras para poderem vibrar sob nossa a��o, e as nossas comunica��es se tornam por isso consideravelmente enfraquecidas. Por sua vez, J. Arthur Findley, em No Limiar do Et�reo, afirma que o transe � um estado de insconsci�ncia, em que caem certas pessoas anormais. Pode comparar-se � imers�o num sono profundo, com 96 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades breves intervalos de vig�lia consciente. �, todavia, mais do que o sono, porque � um estado muito mais profundo de inconsci�ncia; o perisp�rito se retira para mais longe do que no sono e o corpo fica mais insens�vel. Uma pessoa em transe melhor se pode comparar a algu�m que esteja sob a a��o de um anest�sico, do que a uma que se ache a dormir, com a diferen�a de que o estado de transe pode durar duas a tr�s horas e repetir-se por v�rias vezes, numa semana, sem qualquer efeito nocivo. A g�nese do transe segundo a psicologia cl�ssica Pierre Janet (L' Automatisme Psychologyque), A. Binet (Les Alt�rations de la Personalit�), Theodore Flournay (Des Indes � la Planete Mars), Hippolyte Taine (De' Inteligence) e Ribot (Les Maladies de Ia Personalit�), negando a assimila��o perispiritual indispens�vel ao transe, cr�em que uma cis�o se produz na consci�ncia dos sensitivos em transe e que da� resulta uma segunda personalidade, desconhecida da pessoa normal, e com a qual se relacionam todos os fen�menos. Atribu�ram a essa segunda personalidade v�rios nomes: inconsciente, subconsci�ncia, consci�ncia sublinhai etc. Os m�diuns seriam hist�ricos, particularmente predispostos, por seu estado fisiol�gico, a tais cis�es da personalidade. 97 Carlos Bernardo Loureiro A esse respeito, manifestaram-se dois gigantes das pesquisas an�micas e esp�ritas: Alexandre Aksakof (Animismo e Espiritismo) e Gabriel Delanne (Recherches sur la Mediunnit�) considerando as concep��es supracitadas verdadeiro sobrenaturalismo, o que estaria mais pr�ximo do milagre e n�o exatamente de uma justificativa cient�fica! Deixemos que L�on Denis, em seu estilo fluente, conclua o assunto, ao afirmar: H� em n�s profundezas cheias de mist�rio que ,�s vezes entreabrem e cuja vis�o nos perturba. Um mundo inteiro a� reside, mundo de intui��es , de aspira��es, de sensa��es, cuja origem � desconhecida, e que parece provirem de um passado distante; mescla de aquisi��es pessoais, vest�gios das exist�ncias percorridas na sucess�o do tempo, tudo isso est� gravado nos refolhos obsc�nditos do Eu. 98 Perisp�rito , Sonambulismo Natural e Magn�tico Um dos efeitos do sonambulismo, que � um estado de emancipa��o da alma mais completo do que o sono, consiste no fato que as suas faculdades adquirem maior amplitude. E, precisamente porque os son�mbulos n�o dormem na acep��o vulgar do voc�bulo, entendem alguns magnetizadores que a denomina��o � impr�pria. � curioso assinalar que participam dessa opini�o os pr�prios son�mbulos, que protestam contra a alega��o de sono quando eles est�o vendo, ouvindo e sentindo ... Os magnetizadores esp�ritas, entretanto, de acordo com a doutrina, sabem, igualmente, que, no sono comum, a alma jamais est� inativa, e que o repouso do corpo se verifica em virtude da liberdade ou aus�ncia parcial daquela. Deve-se, ent�o, manter-se aquela denomina��o, porque as express�es SONO E SONAMBULISMO indicam, inequivocamente, um estado de emancipa��o perispiritual e, consequentemente, de repouso do corpo. Dentro dessa concep��o nada h� a inovar no resumo te�rico do sonambulismo apresentado por Allan Kardec em O Livro dos Esp�ritos. Os fen�menos do sonambulismo natural se 99 Carlos Bernardo Loureiro produzem espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida. Mas, em certas pessoas dotadas de especial organiza��o, podem ser provocados artificialmente, por a��o do agente magn�tico. Segundo Allan Kardec: Para o Espiritismo o sonambulismo � mais do que um fen�meno psicol�gico, � uma luz projetada na psicologia. � a� que se pode estudar a alma, porque � onde esta se mostra a descoberto. Ora, muitos dos fen�menos que a caracterizam � o da clarivid�ncia independente dos �rg�os ordin�rios da vis�o. De uma causa �nica se origina a clarivid�ncia do son�mbulo magn�tico e a do son�mbulo natural. � um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorp�reo. O son�mbulo v� em todos os lugares aonde seu duplo passa a se transportar, qualquer que seja a dist�ncia. Nesse caso, o son�mbulo n�o v� as coisas de onde est� seu corpo. V�-as presentes, porque o seu perisp�rito se encontra no local em que os fatos acontecem. Por isso que o seu corpo fica como que privado de sensa��o, at� que o duplo volte a habit�-lo novamente. Essa emancipa��o parcial da alma do seu corpo constitui um estado anormal, suscet�vel de dura��o mais ou menos longa, por�m n�o indefinida. Da� a fadiga que o corpo experimenta ap�s certo tempo, novamente quando a alma se entrega a um trabalho ativo. A vista da alma n�o � circunscrita e n�o tem sede determinada. Eis por que os son�mbulos n�o lhe podem marcar �rg�o especial. V�em porque v�em, sem saberem 100 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades o motivo nem o modo, uma vez que, para eles, na condi��o de Esp�ritos, a vista carece de foco pr�prio. Se reportam ao corpo, esse foco lhes parece estar nos centros onde maior � a atividade vital, principalmente no c�rebro. O poder da lucidez sonamb�lica n�o � ilimitado. O Esp�rito, mesmo completamente livre, tem restringidos seus conhecimentos e faculdades, conforme ao grau de perfei��o que haja alcan�ado. Ainda mais restringidos os tem quando ligado � mat�ria, a cuja influ�ncia est� sujeito. � o que motiva n�o ser universal, nem infal�vel a clarivid�ncia sonamb�lica. E tanto menos se pode contar com a sua infalibilidade, quanto mais desviada seja do fim visado pela natureza e transformada em objeto de curiosidade. No estado de desprendimento, o Esp�rito do son�mbulo entra em comunica��o mais f�cil com os outros Esp�ritos encarnados e desencarnados, comunica��o que se estabelece pelo contato dos fluidos que comp�em os perisp�ritos e servem de transmiss�o ao pensamento, como o fio el�trico. O son�mbulo n�o precisa, pois, que se lhe exprimam os pensamentos por meio da palavra articulada. Ele os sentem e os interpretam. � o que o torna eminentemente impression�vel e sujeito �s influ�ncias da atmosfera moral que o envolva. O son�mbulo v� ao mesmo tempo o seu corpo perispiritual e o corp�reo, os quais constituem, por assim dizer, dois seres que lhe representam a dupla exist�ncia 101 Carlos Bernardo Loureiro Corp�ria e espiritual, exist�ncias que, entretanto, se confundem, mediante os la�os que as unem. Em cada uma de suas exist�ncias corporais, o Esp�rito adquire um acr�scimo de conhecimentos e de experi�ncia. Esquece-os parcialmente, quando encarnados em mat�ria por demais grosseira, por�m deles se recorda como Esp�ritos. Assim � que certos son�mbulos revelam conhecimentos acima do grau de instru��o que possuem e mesmo superiores �s suas aparentes capacidades intelectuais. Portanto, da inferioridade intelectual e cient�fica do son�mbulo quando desperto, nada se pode inferir com rela��o aos conhecimentos que porventura revele no estado de lucidez. Conforme as circunst�ncias e o fim que se tenha em vista, ele os pode haurir de sua pr�pria experi�ncia, da sua clarivid�ncia relativa �s coisas presentes, ou dos conselhos que receba de outros Esp�ritos, mas, podendo o seu pr�prio Esp�rito ser mais ou menos adiantado, poss�vel lhe � expressar ideias e valores elevados. Pelos fen�menos do sonambulismo, quer natural, quer magn�tico, a provid�ncia oferece a prova irrefut�vel da exist�ncia e da independ�ncia da alma e faz assistir ao sublime espet�culo de sua emancipa��o. Afere-nos, destarte, o livro do nosso destino. Enquanto o homem se perde nas sutilezas de uma metaf�sica abstrata e inintelig�vel, em busca das causas da nossa exist�ncia moral, Deus, cotidianamente, p�e, sob os nossos olhos e ao alcance da raz�o os mais simples e patentes meios de estudarmos a psicologia experimental Como vimos, para o espiritismo, o sonambulismo � mais que um fen�meno � uma luz projetada na psicologia para estudo da alma, em que essa surge em estado n�o de absoluta, por�m de mais completa emancipa��o. . Os advers�rios do Espiritismo, criticando a reencarna��o, estranham que, na sua nova vida corporal, o Esp�rito esque�a todo o seu passado. O sonambulismo vem lhes demonstrar a improced�ncia desse reparo, eis que no relativo estado de emancipa��o em que se encontra a alma do son�mbulo, este, ao despertar, isto �, ao contato com a mat�ria grosseira, esquece todas as ocorr�ncias. Ora, se assim acontece em um certo estado moment�neo, e de relativa emancipa��o, sem o definitivo abandono do corpo, que se dizer ap�s um estado absoluto de separa��o do Esp�rito? Jean Philippe Fran�ais Deleuze (1753-1835), um dos expoentes da pesquisa sobre o magnetismo, na sua obra, rar�ssima, Histoire Critique du Magnetisme Animal, 1813, adverte: O primeiro conselho que posso dar � o de nunca se provocar o sonambulismo, mas deix�-lo emergir naturalmente. J� �quela �poca, antes do trabalho magn�fico de Allan Kardec, Deleuze apontava, em resumo, as principais faculdades sonamb�licas: - Ver atrav�s de corpos opacos e a dist�ncias mais ou menos consider�veis. - Ver o pr�prio mal, prever as pr�prias crises e as dos outros, e anunciar a maneira e a �poca do termo final 103 - Ver a origem das mol�stias e poder indicar os meios mais acertados para cur�-las. - Experimentar momentaneamente a mol�stia das pessoas com as quais se entra em rela��o. - Ver as radia��es magn�ticas e os fluidos escaparem-se das extremidades dos dedos do magnetizador e apontar a este a sua qualidade e for�a. - Executar, em si mesmo e nos outros, opera��es cir�rgicas e perceber quando os instrumentos e as m�os do operador se introduzem e agem no interior do corpo humano. Sobre a faculdade extraordin�ria de realizar interven��es cir�rgicas, Aubin Gauthier, em Historie du Sonambulisme, relata o caso da menina Madalena Dumond, que, afetada aos 7 anos, de um tumor maligno na boca, foi abandonada pela medicina, que julgou inexequ�vel a cirurgia. Essa crian�a, em estado sonamb�lico, no dia previamente por ela indicado, fez a incis�o e cortou com o bisturi o tumor, cujas partes lhe sa�ram pela boca; depois dessa primeira opera��o, realizou outras at� que a cura se verificou, sem que houvesse met�stase. O sonambulismo produzido pelos processos magn�ticos consegue apurar e regular essas preciosas faculdades, ao passo que o sonambulismo provocado pelos hipnotizadores n�o conseguiu alcan�ar esses efeitos, segundo a opini�o insuspeita do Dr. James Braid (1795-1860), o fundador do hipnotismo citado por 104 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Alfred Bu�, em: Le Magnetisme Curatif, que afirma: Os magnetizadores asseguram positivamente poder realizar certos efeitos que eu nunca pude provocar com o meu m�todo, se bem que eu tenha tentado. Os efeitos a que aludo s�o, por exemplo, ler a hora num rel�gio colocado por detr�s da cabe�a ou cavidade epig�strica, ler cartas lacradas ou um livro fechado, reconhecer o que se passa a dist�ncia de alguns quil�metros, diagnosticar, com absoluta seguran�a, a natureza das enfermidades e indicar-lhes o tratamento (conforme acontecia com o son�mbulo norte-americano Edgar Cayce). Devo dizer, a este respeito, que n�o julgo razo�vel, nem mesmo conveniente, p�r em d�vida as afirma��es de experimentadores, homens de talento e de observa��o, cuja palavra constitui autoridade em outras mat�rias, sob pretexto de que n�o fui pessoalmente testemunha dos fen�menos, ou que n�o pude reproduzi-los, quer pelo meu m�todo, quer pelo deles. O fen�meno sonamb�lico permanece desafiando os pesquisadores, raros pesquisadores, que ainda teimam, alimentados pelo ideal, em fazer imorredoura a chama da pesquisa espiritista... Exterioriza��o da sensibilidade A sensibilidade se exterioriza, conforme resulta das not�veis experi�ncias do Coronel Eug�ne Auguste Albert CarCos (Bernardo Loureiro D'Aiglun de Rochas (1837-1914), verificadas pelo Dr. Paul Joire, professor do Instituto de Fran�a, autor do livro Psychical and Supernormal Phenomena (1916), e prolongadas por Hector Durville at� � emancipa��o completa do perisp�rito. De Rochas p�s v�rias pessoas em estado sonamb�lico e verificou que a aus�ncia da sensibilidade cut�nea n�o implica perda de sensibilidade, mas simplesmente exterioriza��o. Forma-se em torno do corpo uma s�rie de camadas conc�ntricas, sens�veis, flu� dicas. Se o magnetizador agir sobre essa camada, de qualquer maneira, o son�mbulo experimenta a mesma sensa��o que teria se a a��o fosse exercida sobre a pele, mas nada sente ou quase nada, se a a��o for exercida em outra parte; nada sente a a��o emanar de uma pessoa que n�o esteja em rela��o com o magnetizador. Se a magnetiza��o for profunda, forma-se em torno do son�mbulo uma s�rie de camadas equidistantes, separadas por um intervalo de 6 a 7 cent�metros, que representam o duplo da dist�ncia da primeira camada � pele, e a paciente n�o sente os contatos, as picadas, as queimaduras sen�o nessas camadas que se sucedem, algumas vezes, at� 2 ou 3 metros, que se penetram e se entrecruzam sem se modificarem, ao menos de maneira apreci�vel, diminuindo a sensibilidade delas pessoalmente ao afastamento do corpo f�sico. No fim de um tempo vari�vel, geralmente depois da terceira ou quarta fase de letargia, as camadas 106 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades conc�ntricas apresentam dois m�ximos de intensidade, um do lado direito e outro do lado esquerdo da paciente e a� formam como que dois p�los de sensibilidade. As Experi�ncias de T. Durville Nove foram os pacientes que se prestaram aos seus experimentos. S�o mulheres de sensibilidade muito not�vel e que foram progressivamente submetidas � a��o magn�tica. J� vimos que, pela influ�ncia magn�tica, a sensibilidade se exterioriza sob a forma de camadas flu�dicas. Insistindo e prolongando os passes, o professor Durville conseguiu cada vez mais a for�a ps�quica, seguindo a denomina��o do Dr. William Crookes. A princ�pio mais ou menos difusa e informe, ela vai, pouco a pouco, diminuindo de volume e se tornando mais luminosa e, ao mesmo tempo, a forma humana vai se esbo�ando. Com o progredir da condensa��o, o duplo (perisp�rito) se forma. � a reprodu��o exata da pessoa f�sica, e cujos tra�os mais n�tidos e exatos se apresentam na parte superior, principalmente da cabe�a, que fica mais luminosa. Nesse estado, o duplo se comporta como duplicata do corpo f�sico, reproduzindo todas as suas atitudes e gestos. Ser� um fen�meno objetivo este que acabamos de mostrar? Sim, e a prova � que o duplo � refletido no 107 Carlos Bernardo Loureiro espelho, se refrata passando de um meio a outro e pode ser, algumas vezes, fotografado. Levanta o experimentador o bra�o da paciente: o duplo faz a mesma coisa com o bra�o correspondente; abaixa um bra�o e levanta o outro: iguais movimentos s�o feitos pelo duplo. E assim se d� com todos os movimentos das pernas, da cabe�a, do tronco. Ser�o reais e objetivos tais movimentos? Sim, porque na obscuridade, onde as testemunhas n�o v�em os movimentos do operador nem da paciente, descrevem, contudo, os menores gestos do duplo, sem que o operador tenha dito uma �nica palavra. Elucida H. Durville que magnetizando a paciente, este se condensa e pode se afastar; sua fisionomia toma, algumas vezes, uma express�o que difere sensivelmente da paciente, cessa de imitar-lhe os movimentos e se torna mais apto a produzir fen�menos. Mas essa aptid�o � sempre subordinada a v�rias condi��es essenciais. � preciso que ele adquira for�a necess�ria para isso, e expressando o pensamento e a vontade do Esp�rito, que ele reveste. Descrevem os sensitivos a exist�ncia de um cord�o flu�dico que liga a paciente ao duplo. Nesse cord�o observam duas correntes em sentido contr�rio: uma que vai do corpo f�sico ao duplo e que leva a energia necess�ria ao exerc�cio de sua atividade; outra, mais sutil, luminosa, que parte do duplo para o corpo f�sico, que serve de ve�culo �s sensa��es experimentadas, que v�o ser traduzidas pelos �rg�os corporais. Esta �ltima circula 108 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades na parte superior do cord�o e a primeira na por��o inferior. H�, ent�o, uma perfeita reciprocidade - o corpo f�sico alimenta energeticamente o perisp�rito, e este possibilita, sob o comando do Esp�rito, o exerc�cio da atividade sensorial. Da� a declara��o de Hector Durville, de que toda a��o exercida sobre o duplo repercute no corpo f�sico e, se o primeiro receber um choque (como, por exemplo, as experi�ncias pioneiras de Albert De Rochas), o segundo se queixa de dores fortes e equimoses se lhe manifestar�o pelo corpo. Observou ele que a sensibilidade do duplo, como a do cord�o, extremamente viva quando principia o desdobramento, diminui pouco a pouco; mas, nunca chega a desaparecer completamente, servindo, para que os experimentadores que n�o v�em o duplo, de meio para descobrirem a dire��o em que est�, se deixou seu lugar habitual. Interrogada a respeito, uma das son�mbulas confirmou que todas as impress�es lhe s�o transmitidas pelo duplo, que por interm�dio do cord�o flu�dico, atingem seu corpo f�sico. Toca-se no duplo, diz ela, e a impress�o de contato vem como um choque ao c�rebro f�sico e a sensa��o referente nele. Conversa-se; cr�em que o meu f�sico ouve, porque ele responde; mas n�o � verdade! Ele nada ouve! O duplo � que ouve. A pergunta e a resposta s�o transmitidas pelo cord�o flu�dico ao c�rebro f�sico como que por um movimento, por alguma coisa que vibra. � tamb�m o duplo que v�, e a vis�o vem ao f�sico por um 109 Carlos Bernardo Loureiro movimento, � como a eletricidade que faz vibrar o c�rebro f�sico que ent�o v� o que o duplo viu. Todas as impress�es recebidas pelo duplo se transmitem ao centro do c�rebro, mas esses centros nada percebem por si mesmos. Com efeito, a conclus�o a tirar dessas experi�ncias � que o Esp�rito, atrav�s do duplo, leva consigo os sentidos e a intelig�ncia, o que prova que o corpo f�sico n�o lhes � a sede; que os sentidos e a intelig�ncia n�o s�o produtos da mat�ria org�nica. As experi�ncias de Albert de Rochas e de Hector Durville p�em por terra as concep��es niilistas que imaginam, como Karl Vogt imaginou, ing�nua e friamente, que... as propriedades designadas pelo nome de "atividades da alma" n�o s�o mais do que fun��es da subst�ncia cerebral, e, para nos exprimirmos de um modo mais grosseiro, que o pensamento �, pouco mais ou menos, para o c�rebro o que a b�lis � para o f�gado e a urina para os rins. Apesar do longo tempo decorrido da concep��o vegetativa, h� quem afirme , do alto da torre de marfim da ci�ncia ortodoxa, que tudo se elabora e se expressa nos refolhos do c�rebro, embora nenhuma pesquisa tenha demonstrado, verdadeiramente, que a massa encef�lica possua, em ess�ncia, as propriedades do pensamento, da raz�o, dos sentidos ... 110 Perisp�rito , Pensamento e Vontade Na vida espiritual, a rigor, n�o h� sentidos especiais. O Esp�rito, livre das amarras materiais, possui, ent�o, em maior grau todas as faculdades sensoriais, al�m das que lhe s�o inerentes, em rela��o ao meio flu�dico em que vive. Encontrando-se o Esp�rito envolvido pelo perisp�rito e achando-se num plano em que todas as coisas que o cercam s�o t�o flu�dicas como o seu pr�prio corpo, � natural que, devido � relatividade do meio, o seu corpo pare�a t�o material aos Esp�ritos perturbados ou inferiores que nele habitam. At� mesmo aos Esp�ritos mais ou menos l�cidos essa ilus�o ainda � por muito tempo bastante real, aponto de julgarem ver pelos olhos, ouvir pelos ouvidos, tatear pelos dedos, falar pela boca e cheirar pelo nariz, quando, afinal, todas essas sensa��es se manifestam, generalizadas, atrav�s de toda a estrutura perispiritual. � na situa��o de Esp�rito livre que o sentido que nos falta, quando (re)encarnados, se manifesta em toda a sua plenitude. Eleja n�o �, em verdade, um sentido, mas uma faculdade espiritual que permite ao ser 111 Carlos Bernardo Loureiro desencarnado comunicar-se pelo pensamento, atravessar corpos opacos, ver atrav�s da mat�ria, transportar-se com a rapidez do pensamento, perder a no��o do tempo e espa�o. Sendo superior, o Esp�rito viv�ncia um eterno presente, com o desaparecimento do passado e do futuro, numa manifesta��o maravilhosa do poder onipotente de Deus. Esses Esp�ritos souberam vencer provas rudes, pondo acima de todos os interesses vis, o respeito aos ordenamentos justos e s�bios das leis divinas. Esta �ltima faculdade � a resultante de um trabalho �rduo e laborioso que possibilitou ao Esp�rito compreender os altos des�gnios do evolver moral, alargando os seus horizontes espirituais, assim como a um viajante terreno que, depois de vencer todos os obst�culos que encontra na ascens�o de uma montanha, v� alargar o seu horizonte visual ao achar-se na m�xima altitude. Na vida espiritual, produz-se tamb�m um fen�meno peculiar: o poder que a vontade possui de plasmar imagens formadas pelo pensamento consciente ou inconsciente, do que resulta tornar-se mais forte a ilus�o dos Esp�ritos inferiores, ao irradiar o seu pensamento. Essas imagens t�m vida mais ou menos prolongada, segundo a intensidade do pensamento que lhes deu origem. Entretanto, quando elas s�o produto de pensamento de uma entidade superior existir�o enquanto forem aos prop�sitos assistenciais a que essas criaturas do bem se acham empenhadas. Segundo Allan Kardec, os Esp�ritos atuam efetivamente sobre os fluidos espirituais, n�o 112 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades manifestando-os como os homens manipulam os gases, mas por meio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade s�o, para os Esp�ritos, o que a m�o � para o homem. Atrav�s do pensamento, imprimem a esses fluidos esta ou aquela dire��o; aglomeram-nos, combinam-nos ou dispersam-nos; com eles formam conjuntos de apar�ncia, forma ou cor determinadas; modificam-lhe as propriedades como o qu�mico modifica a dos gases e de outros corpos, combinando-os de acordo com certas leis. � a grande oficina, ou laborat�rio da vida espiritual. Por vezes, essas transforma��es s�o resultado de alguma inten��o; frequentemente s�o produto de um pensamento inconsciente. Basta o Esp�rito pensar em alguma coisa, para que essa se produza, assim como basta modular uma �ria, para que essa repercuta na atmosfera. � assim, por exemplo que um Esp�rito se apresenta diante de um encarnado dotado de vista ps�quica, com a apar�ncia que tinha quando vivo, na �poca em que o conheceram, mesmo que tenha tido v�rias outras encarna��es, desde ent�o. Apresenta-se com a roupa, os sinais exteriores - enfermidades, cicatrizes, membros amputados etc - que tinha ent�o; um decapitado apresentar� o perisp�rito sem cabe�a. Isso n�o quer dizer que ele tenha conservado tais apar�ncias. Certamente que n�o, pois, como Esp�rito, n�o � nem coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado. Mas, como o seu pensamento se transporta � �poca em que ele era assim, 113 Carlos Bernardo Loureiro seu perisp�rito toma instantaneamente a apar�ncia que ele, tamb�m instantaneamente deixa de ter assim que o pensamento cessa de agir. Se, portanto, ele alguma vez foi negro e de outra vez foi branco, apresentar-se-� como negro ou como branco, conforme a encarna��o em que foi evocado e � qual se transportar pelo pensamento. Por efeito an�logo, o pensamento do Esp�rito cria fluidicamente os objetos dos quais tinha o h�bito de se servir. Assim, elucida Allan Kardec, uma avarento vir� mexendo em ouro, um militar aparecer� com suas armas e seu uniforme etc. Esses objetos flu�dicos s�o t�o reais para o Esp�rito, como o eram no estado material para o homem vivo. Por�m, pela mesma raz�o que s�o criados pelo pensamento, sua exist�ncia � tamb�m fugidia como o pr�prio pensamento. Criando o pensamento, imagens flu�dicas, ele se reflete no inv�lucro perispiritual como num espelho; a� toma e �, de certo modo, fotografado. Se um homem, por exemplo, tem ideia de matar um outro, mesmo que o seu corpo material permane�a impass�vel, o perisp�rito � posto em a��o pelo pensamento do qual reproduz todas as nuan�as. Executa, fluidicamente, o gesto, o ato que deseja realizar. O pensamento cria a imagem da v�tima e a cena inteira se desenha, como num quadro, tal como est� em seu Esp�rito. � desse modo, esclarece o Codificador, que os mais secretos movimentos da alma repercutem no perisp�rito; que uma alma pode ler em outra alma como num livro, e enxergar o que n�o � percept�vel aos olhos do corpo. 114 Vista Espiritual Ps�quica e Dupla Vista Como j� vimos, o perisp�rito � o tra�o de uni�o entre a vida corporal e a vida espiritual. � atrav�s dele que o Esp�rito encarnado est� em cont�nua rela��o com os Esp�ritos. � atrav�s dele, que se produzem, no homem, fen�menos especiais, cuja causa prim�ria n�o est� absolutamente na mat�ria tang�vel e que, por essa raz�o, t�m a apar�ncia de sobrenaturais. Portanto nas propriedades e na irradia��o do flu�do perispiritual � que se deve procurar a causa da dupla vista espiritual, que podemos chamar de vista ps�quica, da qual muitas pessoas s�o dotadas, muitas vezes sem o saberem, assim como de vista sonamb�lica. O perisp�rito, como j� vimos, � o �rg�o sensitivo do Esp�rito. � por seu interm�dio que o Esp�rito encarnado tem a percep��o das coisas espirituais que escapam aos sentidos corp�reos. Atrav�s dos �rg�os do corpo, a vista, a audi��o, as diversas sensa��es s�o localizadas e restringidas � percep��o das coisas materiais. Atrav�s dos sentidos espirituais ou ps�quicos , elas se generalizam. O Esp�rito v�, ouve e sente, atrav�s de todas as partes do seu ser, tudo o que estiver na esfera Carlos Bernardo Loureiro de irradia��o de seu fluido perispiritual. Esses fen�menos, conforme esclarece Allan Kardec, s�o, no homem, a manifesta��o da vida espiritual. � a alma que est� agindo fora do organismo. Na dupla vista, ou percep��o pelo sentido ps�quico, ele n�o v� com os olhos do corpo, embora muitas vezes, por h�bito, os dirija para o ponto no qual fixa a aten��o. V� com os olhos da alma, e a prova � que v� mesmo com os olhos fechados e al�m do alcance de seu raio visual. Entretanto, embora, durante a vida, fique "preso" no corpo pelo perisp�rito, o Esp�rito, acrescenta o Codificador do Espiritismo, n�o � escravo a tal ponto que n�o possa alongar seus grilh�es e transportar-se para longe, tanto sobre a terra como para qualquer ponto do espa�o. Custa-lhe muito ficar preso ao corpo, pois sua vida normal � em Uberdade, ao passo que �vida corp�rea � como a do servo preso � gleba. Tais informa��es s�o encontradas na obra A G�nese de Allan Kardec. Esse assunto � aprofundado pelos Esp�ritos Codificadores em O Livro dos Esp�ritos. O Esp�rito sente-se, pois, feliz, quando deixa o corpo, como um p�ssaro que se livra da gaiola. � o fen�meno designado pelo nome de emancipa��o da alma. Ocorre sempre durante o sono. Todas as vezes em que o corpo repousa e os sentidos acham-se em inatividade, o Esp�rito se desprende. Nesses momentos, o Esp�rito vive a vida espiritual, enquanto o corpo vive a vida vegetativa. Fica, em parte, no estado que ficar� depois da morte. Percorre o espa�o, 116 Perisp�rito - Natureza, 'Fun��es e Propriedades conversa com os amigos e com outros Esp�ritos livres ou encarnados como ele. O elo flu�dico que o prende ao corpo n�o � rompido definitivamente sen�o com a morte. A separa��o completa s� ocorre com a extin��o absoluta da atividade do princ�pio vital. Enquanto o corpo vive, o Esp�rito, esteja em que dist�ncia estiver, � instantaneamente chamado a ele logo que sua presen�a se torna necess�ria. luz Espiritual J� que a vista espiritual n�o se efetua por meio dos olhos do corpo - elucida Kardec - a percep��o das coisas n�o ocorre por meio da luz ordin�ria. Efetivamente, a luz material � feita para o mundo material. Para o mundo espiritual existe uma luz especial, cuja natureza desconhecemos, mas que �, sem d�vida, uma das propriedades do fluido et�reo destinada �s percep��es visuais da alma. H�, portanto, a luz material e a luz espiritual. A primeira tem focos circunscritos nos corpos luminosos; a segunda tem seu foco em toda a parte. E a raz�o por que n�o existe obst�culo para a vista espiritual. Ela n�o � sustada nem pela dist�ncia nem pela opacidade da mat�ria. Para ela n�o existe escurid�o. O mundo espiritual �, pois, iluminado pela luz espiritual, que possui seus efeitos pr�prios, assim como o mundo material � iluminado pela luz solar. A alma, envolvida por seu perisp�rito, carrega 117 Carlos Bernardo Loureiro consigo o seu princ�pio luminoso. Penetrando a mat�ria em virtude de sua ess�ncia et�rea, para a sua vista n�o h� corpos opacos. No entanto - adverte o Codificador -, a vista espiritual n�o tem em todos os Esp�ritos nem o mesmo alcance nem a mesma penetra��o. Somente os Esp�ritos puros a possuem. Nos Esp�ritos inferiores ela � enfraquecida pela relativa grosseria do perisp�rito, que se interp�e como uma esp�cie de bruma. Manifesta-se em diferentes graus nos Esp�ritos encarnados, mediante o fen�meno da segunda vista, quer no sonambulismo natural ou magn�tico, quer no estado de vig�lia. � com o aux�lio dessa faculdade que certas pessoas v�em o interior do organismo (psicoscopia) e descrevem a causa das mol�stias. Destaca-se, neste particular, a portentosa faculdade psicogr�fica do sensitivo norte-americano Edgar Coyce, que realizou in�meros e admir�veis diagn�sticos de doen�as cuja etiologia a ci�ncia m�dica n�o conseguia estabelecer. 118 Transfigura��o apari��o perispiritual sobre o Corpo F�sico A transfigura��o � tratada por Allan Kardec, de modo especial, em A G�nese, livro quinto da Codifica��o do Espiritismo. Como o Esp�rito pode operar transforma��es na contextura de seu inv�lucro perispiritual e como esse inv�lucro se irradia em torno do corpo como uma atmosfera flu�dica, pode produzir-se, na pr�pria superf�cie do corpo, um fen�meno an�logo ao das apari��es. Sob a camada flu�dica, a forma real do corpo pode desaparecer mais ou menos completamente, e tomar outros tra�os; ou ent�o, os tra�os primitivos, vistos atrav�s da camada �lu�dica modificada como atrav�s de um prisma, podem tomar uma outra express�o. Se o Esp�rito encarnado, saindo do terra-a-terra, identifica-se com as coisas do mundo espiritual, a express�o de um rosto feio pode tornar-se bela, radiosa, por vezes at� luminosa. Se, ao contr�rio, o Esp�rito � excitado por paix�es baixas, um rosto belo pode tomar um aspecto hediondo. � desse modo que se operam as transfigura��es, que s�o sempre um reflexo das qualidades e sentimentos 119 Carlos Bernardo Loureiro predominantes do Esp�rito. Tal fen�meno �, pois, resultado de uma transforma��o flu�dica. � uma esp�cie de apari��o perispiritual que se produz sobre o pr�prio corpo vivo e, �s vezes, no momento da morte, em vez de produzir-se � dist�ncia, como as apari��es propriamente ditas. O que distingue as apari��es desse tipo mudar de aspecto, ficar brilhante, de acordo com a vontade ou o poder do Esp�rito. Exemplo maior e perfeito dessa assertiva kardequiana, foi o que aconteceu a Jesus. Eis o que o evangelista relata a respeito: Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a Jo�o e os levou s�s a um alto monte (o monte Tabor) em lugar afastado e transfigurou-se diante deles. E, enquanto orava, seu rosto parecia outro; suas vestes tornaram-se resplendentes de luz, alvas como neve, t�o alvas como nenhum lavadeiro na Terra seria capaz de branque�-las.. Sobre o assunto, elucida Allan Kardec em A G�nese que � tamb�m nas propriedades do fluido espiritual que se encontra a raz�o desse fen�meno. Acrescentando, ainda, que de todas as faculdades reveladas em Jesus, n�o h� nenhuma que esteja fora das condi��es da humanidade e que n�o seja encontrada no comum dos homens, uma vez que s�o da Lei Natural. Por�m, pela superioridade de sua ess�ncia moral e de suas qualidades flu�dicas, tais faculdades atingiam nele propor��es acima das do vulgo. Ele nos apresentava, � parte seu envolt�rio carnal, o estado dos Esp�ritos puros. 120 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades Transfigura��o Medi�nica Tratamos, at� ent�o, do processo an�mico ou ps�quico da transfigura��o. Vejamo-la � luz do processo medi�nico. Tomemos, a princ�pio, � guisa de exemplo, um dos casos relatados pelo Professor Ernesto Bozzano em uma de suas not�veis monografias: O reverendo Walter Wynn, na obra intitulada Rupert Lives, em que narra as manifesta��es de seu falecido filho, por meio de diversos m�diuns, assim se refere a uma sess�o com uma m�dium irlandesa Mac Creadie: H� outros Esp�ritos em torno de v�s que desejam falar conosco, continuou a jovem Mac Creadie. De repente, a m�dium mudou-se em outra pessoa e comecei a experimentar uma sensa��o que at� esse momento jamais conhecera, e que n�o desejo sentir de novo. Digo com toda a sinceridade, digo mesmo com certa convic��o, era como se a srta. Mac Creadie tivesse tomado a apar�ncia de minha m�e. A cabe�a inclinada, a tosse, a m�o estendida para mim, tudo isto representava minha genitora com perfei��o; e ela me disse: "Meu filho! Meu filho! Quero sempre ser sua m�e!" Isso foi t�o inesperado que n�o experimentei nenhuma emo��o: Eu estava inteiramente calmo. A vis�o durou muito pouco tempo, depois desapareceu. Acrescenta Ernesto Bozzano que, do ponto de vista do 121 Carlos Bernardo Loureiro Espiritismo poder-se-ia dizer que o fato relatado se trata de um fen�meno de "possess�o medi�nica", a tal ponto produzido, que determina a transfigura��o do rosto do m�dium, combinada com as atitudes m�micas habituais da defunta, quando viva. Caso ainda mais eloquente e comprobat�rio, relata-nos o pr�prio Allan Kardec, ocorrido nas cercanias de Saint-�tienne, sobre uma jovem de uns quinze anos que gozava da estranha faculdade de se transfigurar, ou seja, de tomar, em certas ocasi�es, todas as apar�ncias de algumas pessoas mortas. A transfigura��o era t�o completa que se julgava estar na presen�a da pessoa, tamanha a semelhan�a dos tra�os do rosto, do olhar, da tonalidade da voz e at� mesmo das express�es usuais na linguagem. Esse fen�meno repetiu-se centenas de vezes; algumas sem qualquer interfer�ncia da vontade da jovem. Muitas vezes tomou a apar�ncia de seu irm�o, falecido havia alguns anos antes, reproduzindo-lhe n�o somente o semblante, mas tamb�m o porte e a corpul�ncia. Um m�dico local, que frequentemente presenciara esses estranhos fen�menos, querendo assegurar-se de que n�o era v�tima de ilus�o, procedeu a uma interessante experi�ncia. Colheu as informa��es dele mesmo, do pai da m�dium e de muitas outras testemunhas oculares, bastante honradas e dignas de f�. Teve o pesquisador a ideia de pesar a jovem no seu estado normal e durante a transforma��o, quando ela tomava a apar�ncia do irm�o que falecera aos vinte anos e era muito maior e mais forte do que ela. Pois bem: verificou que na 122 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades transfigura��o o peso da m�dium era quase o dobro. Concluiu-se, portanto, que seria imposs�vel atribuir a apar�ncia a uma simples ilus�o de �tica. Observa o professor J. Herculano Pires que, experi�ncias ulteriores �s pesquisas de Allan Kardec revelaram outras e singulares facetas da transfigura��o. Caso h� em que o Esp�rito plasma uma m�scara sobre o rosto do m�dium, reproduzindo sua apar�ncia. Em tais casos, a m�scara se forma pela combina��o flu�dica do perisp�rito do m�dium com o do Esp�rito comunicante. � fen�meno - explica o autor de O Ser e a Serenidade - de sintonia e n�o de penetra��o do esp�rito no corpo do m�dium. 123 O Perisp�rito e os membros Fantasmas O professor Ernesto Bozzano, no seu livro, Desdobramento - Fen�menos de Biloca��o, refere-se � ideia de integridade nos amputados que experimentam a sensa��o perfeita da exist�ncia da parte do corpo que lhes foi retirada. Em sua obra, Bozzano invoca o testemunho de not�veis fisiologistas entre os quais figuram Weir Mitchell, Bernstein e Pitres, que assim se manifestaram sobre o instigante assunto: As ilus�es dos amputados s�o um fato normal. Realmente, para Piset, que fez suas investiga��es entre soldados do Primeiro Imp�rio, de quatrocentos e cinquenta amputados somente quatorze n�o apresentaram o fen�meno do membro fantasma. A ilus�o somente faltava uma vez em trinta casos. Quase sempre a ilus�o sobrevinha logo ap�s a cirurgia. Todavia, algumas vezes ocorria mais tarde, mas sempre em tempo bastante pr�ximo. O professor William James, um dos pais da Psicologia, investiu, seriamente, nesse campo de pesquisa, chegando a not�veis e l�cidas conclus�es, que 124 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades corroboram aquelas outras at� ent�o firmadas. O professor James, nos seus trabalhos, reporta-se a um trecho de uma obra do fisiologista A. Valentim, segundo o qual se pode admitir casos de deforma��es cong�nitas de membros. Certa jovem de 15 anos e um homem de 40, os quais s� possu�am uma m�o normal, sendo que a outra apresentava, um lugar dos dedos, ligeiras proemin�ncias carnudas, sem ossos, tinham a sensa��o precisa de dobrar os dedos inexistentes todas as vezes que dobravam o coto informe. O professor Bozzano vai ainda mais adiante em suas pesquisas sobre os membros fantasmas ao demonstrar que se chega, tamb�m, a obter fotografia do bra�o flu�dico de um amputado. No Journal du Magnetisme, de julho de 1917, o magnetizador Alphonse. Bouvier publicou longa mat�ria sobre o modo pelo qual chegou a fotografar um membro amputado, ilustrada com um bom clich�: Onde aparece a sombra flu�dica de um bra�o ausente. � dir�amos - a presen�a da aus�ncia... Nos livros - Gestalt Psychology (N. Y., 1950 de F. Katz, e Phantoms �n Patiens with Leprosy and Elderly Digital Amputers (N.Y., 1956), de P. Simmel, s�o relatadas as amputa��es normais e as de membros nos leprosos. De acordo com as observa��es dos pesquisadores, os pacientes, ap�s a amputa��o de bra�os e de pernas, continuaram a constatar a presen�a de parte amputada, chegando a mov�-la e a sentir c�cegas naquele Carlos Bernardo Loureiro local. E ainda mais: a percep��o pode durar, n�o s� longo tempo, mas toda a vida. F. Katz, por sua vez, afirma: Se uma pessoa, com uma perna amputada, chega a uma parede, ela parece atravess�-la ... a lei da impenetrabilidade da mat�ria julgo que n�o se aplica a esse caso. Por outro lado, a declara��o de P. Simmel n�o � menos valiosa, quanto � comprova��o da exist�ncia do perisp�rito. Ap�s suas experi�ncias com leprosos, verificou que a perda gradual das partes do corpo por absor��o, por ser lenta e demorada, n�o produz fantasmas e o mais not�vel � que, na amputa��o de restos de dedos e artelhos, esses efeitos se reproduzem n�o como as partes que havia, mas, sim, perfeitos, isto �, como antes da absor��o. Conta ele fato interessante a respeito de um amputado: (...) quando acordou da anestesia, procurou pegar o p�. A sensa��o da exist�ncia do membro amputado persiste, e a paciente esquece, tenta pisar e cai. Dizia, mais tarde, que podia movimentar os dedos fantasmas... Entretanto Mitchell, Berstein e Pitres pararam nesse ponto, sem mais nada a acrescentar. Apesar de serem autoridades em sua especialidade, certos fen�menos escapam do dom�nio de seu racioc�nio, uma vez que se p�em, apenas, ao n�vel da mat�ria tang�vel, sensorial... Al�m das experi�ncias supracitadas, surgem outras mais surpreendentes e que v�m ratificar a tese esp�rita 126 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades de que as sensa��es, emo��es e impulsos n�o se localizam no c�rebro, como o querem os fisiologistas e psic�logos, e, sim, no Esp�rito. Na obra Espiritismo Dial�tico (1960), do pensador esp�rita argentino Manuel S. Porteiro, encontramos fatos assombrosos para os psic�logos, mostrando, claramente, que os indiv�duos com les�es graves, mesmo em centros nervosos, continuam a se comportar naturalmente. Um dos seus relatos apresentado � Academia de Ci�ncias de Paris pelo Dr. Aguepin, em 24 de mar�o de 1945, refere-se a uma cirurgia realizada em um soldado. Ap�s a opera��o nesse indiv�duo que havia perdido enorme parte do hemisf�rio cerebral esquerdo (subst�ncia cortical e branca, n�cleos centrais etc), comprovou-se que o mesmo continuava a se comportar normalmente, a despeito das les�es e perdas de circunvolu��es b�sicas �s fun��es essenciais. O outro fato � referido por Protero e o que Tanto Lisboa, chamado o Lusitano, publicou, em seu livro Pr�tica M�dica, no final do seu s�culo XVI. Um menino de 10 anos recebeu uma pancada t�o forte no cr�nio, que cortou o osso e a membrana cervical, perdendo parte da massa encef�lica. Ao contr�rio do esperado, a ferida cicatrizou. Tr�s anos depois, morria hidroc�falo. Para espanto dos m�dicos, o cr�nio foi aberto e n�o se encontrou o c�rebro. Em seu lugar havia um l�quido. Esse fato foi considerado extraordin�rio, pois o menino viveu durante tr�s anos nessa situa��o e na plenitude de suas faculdades ps�quicas. 127 Carlos Bernardo Loureiro Para explicar esses e outros fatos an�logos, os materialistas recorreram � hip�tese do fisiologista Pierre Flomens, segundo a qual um hemisf�rio cerebral pode suprir a falta do outro. E que dir�o quanto � aus�ncia total de massa encef�lica? A� � que o materialismo se v� obrigado a ceder terreno � Ci�ncia Esp�rita e, n�o s� nesses fen�menos, mas em outros, estudados pela Psicologia de maneira carente ou insatisfat�ria, como, por exemplo, a dupla personalidade. Com o Espiritismo, poder-se-� chegar a uma conclus�o, ir mais al�m e interpretar o inexor�vel, isso porque a resposta est� em n�s mesmos, no conhecimento da ess�ncia do ser humano e das partes de que � composto! 128 A Exist�ncia do Duplo em Tudo que Vive Dia-a-dia, mais se consolida a concep��o da exist�ncia do duplo em tudo que vive. Todos aceitamos a duplicidade dos corpos, nos humanos - pelo menos nos meios espiritistas - tendo a acrescentar a essa dupla parte essencial o Esp�rito. A fotografia e a vid�ncia nos afirmam que os animais t�m o seu duplo. Os pr�prios Esp�ritos confirmam essa assertiva. Raymond, desencarnado na guerra de 1914-1918, filho de Olivier Lodge, o not�vel pesquisador ingl�s, deu ao genitor v�rias comunica��es a respeito, notificando-o de que um c�o pertencente � fam�lia, morto antes, achava-se em sua companhia. Na Encyclopeadia of Psichic Science, de autoria do pesquisador Nando Fodor, v�m citados os nomes dos mais importantes m�diuns, cujas faculdades, especial�ssimas, possibilitam materializa��es de diversos representantes do reino animal. Entre esses sensitivos, destacam-se Franeke Kluski, not�vel poeta, e Jan Guzik, homem simples e de cultura limitada, ambos nascidos na Pol�nia, pa�s da Europa Central. Jan Guzik oferecia-se, perfeitamente, � 129 Carlos Bernardo Loureiro materializa��o do duplo de c�es e de alguns animais de apar�ncia estranha que os pesquisadores, entre os quais o Dr. Gustave Geley, n�o conseguiam classificar. Franeke Kluski, por sua vez, possibilitava a materializa��o do duplo de aves de rapina, e de pequenos animais selvagens e at� os de grande porte. V�rios desses animais materializados foram fotografados durante as sess�es realizadas nas d�cadas de 1920 e 1930. Os resultados das pesquisas com Franeke Kluski v�m relatados na Revue M�tapsychique, no fasc�culo de julho/agosto de 1921. O Dr. Gustave Geley, que assistiu �s sess�es, anunciou a publica��o dos atos a respeito do extraordin�rio fen�meno das materializa��es, nos termos que seguem: As materializa��es deformas animais n�o s�o raras com Kluski. Nos atos das sess�es realizadas na sociedade de Estudos Ps�quicos de Vars�via, h� registros de materializa��es de duplo de uma grande ave de rapina, aparecida em v�rias sess�es e fotografada; e depois o duplo de um ser bizarro, uma esp�cie de intermedi�rio entre o s�mio e o homem (pitecantropo). Ele � descrito como tendo a altura de um homem e uma face simiesca, mas com uma fronte desenvolvida e rela, cara e corpo cobertos de pelos, bra�os compridos, m�os grossas e compridas. Mostra-se sempre mudo, pega nas m�os de assistentes e as lambe como o faria um cachorro... esse ser, que fora chamado de o pitecantropo, 130 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades manifestou-se v�rias vezes. Essa entidade, sempre d�cil, s� mostrava certa animosidade contra a gatinha da Sra. Kluski, de nome Frusia, que costumava se deitar sobre o joelho da esposa do m�dium. No tocante � materializa��o da grande ave de rapina (um Condor), a ata da sess�o realizada no dia 7 de setembro de 1920, informa, sob a chancela de Gustave Geley: �s 11 horas e 20 minutos, viu-se um grande p�ssaro, bem materializado e bem iluminado. A Revue Spirite (janeiro/fevereiro de 1920) divulgou a fotografia do duplo da ave de que trata a ata supracitada, e que fora vista sobre o ombro esquerdo do m�dium, com suas grandes asas abertas e o olhar penetrante dirigido para os experimentadores, que sentiram naquele momento m�gico, o quanto � enigm�tico o processo existencial, de que faz parte todos os seres vivos. O professor Ernesto Bozzano, pesquisador not�vel, assim como Gustave Geley, que devotou sua vida � investiga��o da imortalidade, jamais alimentaram a esperan�a de que as pesquisas que desenvolveram, com idealismo e amor � verdade, em torno da materializa��o do duplo da alma animal encontrassem a aceita��o plena da comunidade cient�fica europeia e de al�m-mar. Ambos sofreram, como o inesquec�vel William Crookes, os ataques, impostos, dos seus contempor�neos, muitos experts em coisa nenhuma ... 131 Carlos Bernardo Loureiro O testemunho de Andr� Luiz Entre n�s, despontam as anota��es psicografadas de Andr� Luiz, o grande pesquisador do Al�m. Informa ele que as plantas tamb�m t�m o seu DUPLO! Vejamos o caso em apre�o, ao nos relatar a passagem em que, uma menina - Esp�rito, residente na esfera Nosso Lar, vem � crosta da Terra, em companhia de sua m�e, em visita ao que na Terra fora pai e esposo, aproveitando a libera��o provis�ria do duplo deste, atrav�s do fen�meno do sono. L�-se, ent�o, em Os Mensageiros, o seguinte, relatado pelo autor de Mecanismos da Mediunidade: Aniceto (mentor espiritual), Vicente e eu, em companhia de outros amigos, fomos ao pequeno jardinzinho, que rodeava a habita��o. As flores veludosas recendiam. A claridade espiritual ambiente, como que espancava as trevas da noite. Respirando as brisas caridosas, que sopravam da Guanabara(Rio de Janeiro), notei, pela primeira vez delicado fen�meno que n�o havia observado at� ent�o. Uma pequena carinhosa, enquanto a m�ezinha palestrava com um amigo, colheu um cravo perfumoso, num grito de alegria. Vi a menina talar a flor, retir�-la da haste, ao mesmo tempo que a parte material do cravo emurchecia, quase de s�bito"(grifos nossos). A Sra. a repreendeu com calor: - Que � isso, Regina? N�o temos direito de 132 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades perturbar a ordem das coisas. N�o esque�amos de que se tratam de Esp�ritos desencarnados. S� se pode admitir, pois, que a menina-esp�rito cortou a parte flu�dica, o duplo, do cravo, tanto que a parte material da flor e murchou ! Se a parte material do cravo ficou de p�, emurchecida, e a menina-esp�rito levou o cravo consigo, depois de tal�-lo � sua m�e, � fora de d�vida que se tratava do duplo flu�dico do cravo. Se os outros seres viventes t�m o seu duplo, sobrevivendo � morte, por que as plantas, que tamb�m possuem vida, n�o deviam ter o seu duplo? ... 133 Cita��es 1 � o mesmo que "Akasa", atmosfera humana, eletricidade vital, emana��o magn�tica, fluido elementar, fluido el�trico animalizado, fluido ps�quico, for�a act�nica, for�a n�urica, luz astral, ode, onda nervosa, onda ps�quica, fluido ectoplasm�tico, raios mitog�nicos, raios Y, subst�ncia primordial, teleplasma, Zo�ter, fogo- gerador, flux, for�a cerebral irradiante etc. 2 Ensina-nos Dr. Alberto de Souza Rocha que existem na estrutura do perisp�rito, no tocante � faixa mais intimamente ligada ao corpo f�sico, fulcros energ�ticos e linhas de for�a potencializadoras e irradiadoras do comando da alma, sendo nesse caso o c�rebro f�sico o gabinete desse comando central das energias espirituais. Em Evolu��o em Dois Mundos, o Esp�rito Andr� Luiz descreve esses centros vitais, embora n�o encontremos refer�ncias a respeito no contexto da Codifica��o do Espiritismo, salvo tenu�ssima refer�ncia no item 146, de O Livro dos Esp�ritos. Temos, ent�o, os seguintes centros: o centro coron�rio e o cerebral, bem vizinhos, situam-se no perisp�rito, em �rea correspondente ao c�rebro; o lar�ngeo, controlando a respira��o e a fona��o; o card�aco, a circula��o e a emotividade; o espl�nico, o 134 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades sistema hem�tico, interligando o ba�o com outras fontes de forma��o sangu�nea; o g�strico, controlando os fen�menos da digest�o e o gen�sico, modelando novas formas e gerando est�mulos criadores. 3Permitimo-nos observar que, na d�cada de 1980, o Esp�rito Ambroise Pare, que se comunicava atrav�s da mediunidade de Jos� Medrado, realizava, em certos pacientes, especiais drenagens no seus campos perispirituais, resolvendo muitos problemas de ordem ps�quica e biol�gica. Tivemos a oportunidade de acompanhar, de perto, o trabalho do Dr. Ambroise, constatando a veracidade das curas que se alcan�avam, atrav�s desse m�todo que parece ter sido �nico em nosso Pa�s. 4 Ensina o Dr. Jorge Andr�a que: o momento da reencarna��o desencadeia para o Esp�rito uma s�rie de rea��es a repercutirem em sua organiza��o. De modo geral, o Esp�rito Candidato � reencarna��o se mostra com o aspecto da �ltima etapa terrena, �s expressas de suas energias perisp�ritas. Essas modelam o seu aspecto e forma. O mergulho na carne, para nova etapa, permite que os campos perispirituais sofram um processo espec�fico de redu��o de concentra��o, um verdadeiro encolhimento. Nessas condi��es, parte das energias perispirituais s�o cedidas � natureza, como o corpo f�sico o foi no processo de cadaveriza��o da forma 135 Carlos Bernardo Loureiro anterior. Fica, assim, uma pequena camada envolvendo as zonas nobres do Esp�rito, de forma mais ou menos ov�ide, tanto mais reduzida quanto menos evolu�da for o seu. O Esp�rito Andr� Luiz trata do processo de "redu��o perispiritual" na obra Mission�rios da Luz, ed. FEB. 5 Esclarece o pesquisador Esp�rita Vitor Ronaldo Costa (vide Revista Internacional de Espiritismo, fevereiro de 1996) que - O estado de auto-intoxica��o flu�dica decorre, em grande n�mero de casos, de uma vicia��o mental, alimentada por um per�odo de tempo mais prolongado. A curti��o de um ressentimento duradouro gera verdadeira corrente mental desgastante e enfermi�a, a circular em torno do fulcro consciencial, achando por fixar-se nas entranhas do perisp�rito, constituindo-se na matriz energ�tica de m�ltiplos desarmonias psico-f�sicas. A m�goa persistente alimentada mant�m uma estreita e perigosa rela��o com as neoplasias malignas (o c�ncer, por exemplo), porquanto as vibra��es geradas e corrigidas em regime de circuito fechado suprimem os fatores imunol�gicos anti-tumorais. 5 M�s e Maggy Harsch - Fischbach, identificados com Mr. e Mrs. H-F, de Hesperange, Luxemburgo, s�o reconhecidas autoridades no campo a Transcomunica��o Instrumental e que t�m posto em incid�ncia a exist�ncia de esta��es transmissoras que trabalham em outra 136 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades dimens�o, a dimens�o espiritual. 7 Friedrich Juergenson (1903-1987) � um dos mais importantes investigadores no campo da grava��o de vozes do Al�m. Ao todo, Juergenson gravou, no decorrer de suas experi�ncias, setenta mil fitas. Juergenson era amigo e companheiro de trabalho do Dr. Konstantin Roudive, autor da obra famosa Break Throgh, publicada na Inglaterra em 1971. 8 Em nota de rodap�, na edi��o de Obras P�stumas, da Edicel, l�-se: Muitas pessoas p�em em d�vida as manifesta��es medi�nicas que n�o modificam a express�o e a voz do m�dium. N�o obstante, as manifesta��es puramente subjetivas ou mentais s�o �s vezes mais v�lidas e mais exatas que as outras. A mediunidade mais refinada, mais pura, � a intuitiva, na qual a rela��o Esp�rito com o m�dium � inteiramente oculta, passsando-se apenas no plano espiritual do m�dium. A veracidade das comunica��es n�o se afere por sinais exteriores mas pelas ideias, pelo conte�do das mensagens. 9 Em O Que � o Espiritismo, Allan Kardec elucida: A alma n�o est�, como geralmente se pensa localizada em uma parte determinada do corpo; forma com o perisp�rito um todo flu�dico, penetr�vel, interligando- se ao corpo inteiro, com o qual constitui um ser complexo, do qual a morte n�o �, de certa forma, sen�o 137 Carlos Bernardo Loureiro um desdobramento. 10 Lucidez diz-se mais particularmente da clarivid�ncia sonamb�lica. Um son�mbulo � mais ou menos l�cido conforme a emancipa��o do duplo � mais ou menos completa. 11 Guardadas as devidas propor��es, realizaram-se na R�ssia, h� poucos anos, not�veis pesquisas de Cam pos de For�a, sob a responsabilidade do laborat�rio de Cibern�tica Biol�gica do Departamento de Fisiologia da Universidade de Leningrado. O grupo de pesquisa, chefiado pelo sucessor do Dr. Leonid L. Vasilie, Dr. Paue; Gulvaiev usa eletrodos de detec��o de alta resist�ncia extremamente sens�veis para delinear o campo de for�a humano ou "aura el�trica", como � chamada. Na Universidade de Saskatchewan, no Canad�, fizeram pesquisas sobre a mensura��o dos campos de for�a humanos. O grupo canadense, chefiado pelo Dr. Abram Hoffer e pelo Dr. Harold Kelm, vem trabalhando com um detector que consiste em duas placas de condensador, um pr�-amplificador e um registro de linha como o de um eletrocardi�grafo. Esse detector delineia � dist�ncia a aura el�trica invis�vel do corpo. No terreno da ci�ncia esp�rita esses detectores de campos de for�a (que seriam um est�dio mais avan�ado da kirliangraf�a) poderiam ser important�ssimos para a pesquisa ps�quica e medicina. 138 Perisp�rito - Natureza, Fun��es e Propriedades 12 A for�a ps�quica, de William Crookes seria o mesmo que o "od", de Reichembeach, o talism� de Hermes, o Enormon ou Ignis subtilissimus, de Hip�crates, o Akasa, dos Hindus, a Luz-Astral, dos cabalistas, o Pneuma de Galeno, o Blas humanum, de Von Helmont, o Alkahest, de Paracelso, a C�pula, de Boerhave, a Quinta-ess�ncia, dos alquimistas, a mat�ria sutil, de Descartes, o Spiritus subtilissimus de Newton. 13 Nos EUA, Lloyd F. Hopkins vem desenvolvendo, na atualidade, uma s�rie de pesquisas, em torno do que ele denomina de mind sight (vis�o mental), registradas nas obras Training Manual for Sight without and Eyes Though Mind Sight and Perception (1988). Lloyd criou o Mind Sight and Perception Research Center, Inc que acolhe aprendizes da vis�o sem olhos. 14 Nas modernas fotos de Kirlian, o contorno luminoso de um bra�o ou de uma perna amputados aparece como se o membro estivesse ali presente; e realmente est�, em sua forma flu�dica. 15 J. G. Thoemson conseguiu fotografar, numa sess�o experimental, em Londres, uma cadelinha materializada junto a um fantasma em manifesta��o estereol�gica. Posteriormente, o animal foi reconhecido por uma senhora que viu a foto, numa moldura, na sala de estar do pesquisador: pertencera a um tio seu j� desencarnado, justamente o fantasma registrado na 139 Carlos Bernardo Loureiro fotografia. 16 Al�m de possu�rem um duplo, as plantas, conforme pesquisas pioneiras do norte-americano Cleve Backster com o pol�grafo, s�o dotadas de percep��o, que ser�, grosso modo, um sistema sensorial cujo mecanismo, acreditamos, se encontra, enigmaticamente, nas fun��es de seu duplo, princ�pio revelado por Andr� Luiz. Mais esclarecimentos sobre o assunto podem ser encontrados na nossa obra O T�nel e a Luz. 140 Sugest�es para Leitura 1. A��o � Dist�ncia dos Moribundos, 1872; Maximiliano Perty; Edi��o do pr�prio pesquisador 2. Animismo ou Espiritismo?; Ernesto Bozzano; 1-edi��o; Editora FEB. 3. Animismo e Espiritismo; Alexandre Aksakof; 2-edi��o; Editora FEB. 4. Bases Cient�ficas do Espiritismo; Epes Sargent; 3a edi��o, Editora FEB. 5. A Ci�ncia do Esp�rito; Henrique Rodrigues; l-edi��o; Casa Editora "O Clarim". 5. a) A Crise da Morte; Ernesto Bozzano; Editora FEB. 6. O Dinamismo Ascencional; Gustave Mercier; Paris, 1960. 7. Dos Raps � Comunica��o Instrumental; Carlos Bernardo Loureiro; l- Edi��o; Editora Eldona Sovieto. 8. Encontro com a Cultura Esp�rita; "Biologia e Espiritismo" (For�as Espirituais); Jorge Andr�a; Editora "O Clarim". 9. O Espiritismo � Luz da Cr�tica; Deolindo Amorim; \- edi��o; Edi��o da Federa��o Esp�rita do Paran�. 10. Espiritismo Dial�tico; Manuel Porteiro S.; Ia edi��o; Editora Victor Hugo; Buenos Aires - Argentina. 11. Espiritismo e Psiquismo; Alberto de Souza Rocha; 141 Carlos Bernardo Loureiro \- edi��o; Edi��es Correio Fraterno do ABC. 12. O Espiritismo Perante a Ci�ncia; Gabriel Delanne; 2- edi��o; Editora FEB. 13. Experi�ncias Ps�quicas Al�m da Cortina de Ferro; Sheila Ostrande; Lynn Schroeder; Cultrix - Pensamento 14. Hipnotismo e Mediunidade; C�zar Lombroso; 3� edi��o; Editora FEB. 15. O Homem e a Evolu��o; Albert Vendei; Toulouse -Fran�a, 1959. 15. a) O Livro dos Esp�ritos; O Livro dos M�diuns; O C�u e o Inferno; Allan Kardec; Editora FEB - Rio de Janeiro - RJ. 16. No Invis�vel; L�on Denis; 5� edi��o; Editora FEB. 17. Pensamento e Vontade; Ernesto Bozzano; 4- edi��o; Editora FEB. 18. O Problema do Al�m e do Destino; Alberto Seabra; 3� edi��o; Editora Pensamento. 19. Provas Cient�ficas da Sobreviv�ncia; J. K. Friedrich Z�llner; 1- edi��o; Edicel - SR 20. O Ser Subconsciente; Gustave Geley; l- edi��o; Editora FEB. 21. O T�nel e a Luz; Carlos Bernardo Loureiro; l� edi��o; Editora Mn�mio T�lio; S�o Paulo - SP. 22. L'Ocultisme Experimental; Charles Lancelin; Paris-Fran�a. 23. Relationship of a Geo-Magnetic Environment to Herman Biology; Robert Becker; New York State Journal of Medicine, 1963. 24The Reach of the Mind, 1947; J. B. Rhine. 142 fun��es e �Propriedades tppontions, 1982; Andrew i pi�piio autor. I ? d � I ora Dervy - Livres - Paris, ... Lewis Spence; Editora (In I i I... N Y., 1960. I i l �ulge; Edi��o: Sociedade de Mu, I� . i. h der Toten (Imagem do Reino Dou (M.MIMM i Molhe; Knan - Munique, 1987. IC lllitl �. H. i. IH L.Mmiiiikation (Transcomu- iii. ii^iu IIIIMIIIM Mini) i mesl Senkoshi; R. G. Ficher, ll.lllll.Mi l'�M" � I Novflilmtl l "�i� lop�dla Delta Larousse; Editora Delta S \ !2 Hist�ria �li l*in a psicologia; JonAzp�rua; Ediciones IMA Carni ns Venezuela / Carlos Bernardo Loureiro fotografia. 16 Al�m de possu�rem um duplo, as plantas, conforme pesquisas pioneiras do norte-americano Cleve Backster com o pol�grafo, s�o dotadas de percep��o, que ser�, grosso modo, um sistema sensorial cujo mecanismo, acreditamos, se encontra, enigmaticamente, nas fun��es de seu duplo, princ�pio revelado por Andr� Luiz. Mais esclarecimentos sobre o assunto podem ser encontrados na nossa obra O T�nel e a Luz. 140 Sugest�es para Leitura 1. A��o � Dist�ncia dos Moribundos, 1872; Maximiliano Perty; Edi��o do pr�prio pesquisador 2. Animismo ou Espiritismo?; Ernesto Bozzano; 1-edi��o; Editora FEB. 3. Animismo e Espiritismo; Alexandre Aksakof; 2-edi��o; Editora FEB. 4. Bases Cient�ficas do Espiritismo; Epes Sargent; 3� edi��o, Editora FEB. 5. A Ci�ncia do Esp�rito; Henrique Rodrigues; l� edi��o; Casa Editora "O Clarim". 5. a) A Crise da Morte; Ernesto Bozzano; Editora FEB. 6. O Dinamismo Ascencional; Gustave Mercier; Paris, 1960. 7. Dos Raps � Comunica��o Instrumental; Carlos Bernardo Loureiro; Ia Edi��o; Editora Eldona Sovieto. 8. Encontro com a Cultura Esp�rita; "Biologia e Espiritismo" (For�as Espirituais); Jorge Andr�a; Editora "O Clarim". 9. O Espiritismo � Luz da Cr�tica; Deolindo Amorim; \- edi��o; Edi��o da Federa��o Esp�rita do Paran�. 10. Espiritismo Dial�tico; Manuel Porteiro S.; I- edi��o; Editora Victor Hugo; Buenos Aires - Argentina. 11. Espiritismo e Psiquismo; Alberto de Souza Rocha; 141 Carlos Bernardo Loureiro 1- edi��o; Edi��es Correio Fraterno do ABC. 12. O Espiritismo Perante a Ci�ncia; Gabriel Delanne; 2- edi��o; Editora FEB. 13. Experi�ncias Ps�quicas Al�m da Cortina de Ferro; Sheila Ostrande; Lynn Schroeder; Cultrix - Pensamento 14. Hipnotismo e Mediunidade; C�zar Lombroso; 3- edi��o; Editora FEB. 15. O Homem e a Evolu��o; Albert Vendei; Toulouse - Fran�a, 1959. 15. a) O Livro dos Esp�ritos; O Livro dos M�diuns; O C�u e o Inferno; Allan Kardec; Editora FEB - Rio de Janeiro - RJ. 16. No Invis�vel; L�on Denis; 5� edi��o; Editora FEB. 17. Pensamento e Vontade; Ernesto Bozzano; 4� edi��o; Editora FEB. 18. O Problema do Al�m e do Destino; Alberto Seabra; 3� edi��o; Editora Pensamento. 19. Provas Cient�ficas da Sobreviv�ncia; J. K. Friedrich Z�llner; ls edi��o; Edicel - SP. 20. O Ser Subconsciente; Gustave Geley; l� edi��o; Editora FEB. 21. O T�nel e a Luz; Carlos Bernardo Loureiro; l� edi��o; Editora Mn�mio T�lio; S�o Paulo - SP. 22. L'Ocultisme Experimental; Charles Lancelin; Paris-Fran�a. 23.Relationship of a Geo-Magnetic Environment to Herman Biology; Robert Becker; New York State Jour nal of Medicine, 1963. 142 24.The Reach of the Mind, 1947; J. B. Rhine. Perisp�rito �Natureza , Fun��es e Propriedades 25. Haustings and Appantions, 1982; AIKIHW Mackenzie; Edi��o do pr�prio autor. 26. La Science de 1'�me; Editora Dervy - Livres - Paris, 1973. 27. Encyclopedia of ocultism; Lewis Spence; Editora da University Books; Inc. N. Y, 1960. 28. Raymond; Sir Oliver Lodge; Edi��o: Sociedade de Metaps�quica, 1939. 29. Bilder aus Dom Reich der Toten (Imagem do Reino dos Mortos); Rainer Holbe; Knan - Munique, 1987. 30. Instrumentelle Transkomunikation (Transcomunica��o Intrumental); Ernest Senkoshi; R. G. Ficher, Frankfurt, 1989. 31. Nov�ssima Enciclop�dia Delta Larousse; Editora Delta S. A. 32. Hist�ria da Parapsicologia; Jon Azp�rua; Ediciones CIMA - Caracas - Venezuela 143 /.


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