"Daisy Miller"



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Encontro27.07.2016
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Henry James

“Daisy Miller”

Faremos uma breve descrição do autor da abro, em seguida citaremos as características da obra em si, para que tenhamos respaldo para fazer um paralelo comparativo entre os aspectos gerais da obra e do seu autor e as criticas feitas por Italo Calvino, assim começaremos por Henry James que nasceu em Nova York, em 15 de abril de 1843, e faleceu em Londres em 28 de fevereiro de 1916, foi um escritor norte americano, que no final de sua vida fora naturalizado britânico, autor de alguns dos romances, contos e críticas literárias mais importantes da literatura da língua inglesa, entre eles poderíamos citar:A volta do parafuso, As asas da pomba, Lady Barbarina, A taça de ouro, retrato de uma senhora, Daisy Miller entre outras, essa ultima daremos um enfoque maior nesse texto.

Filho de Henry James Sr, um teólogo de renome, e irmão do filósofo William James, mentor do pragmatismo, em filosofia, Talvez James tenha levado ao extremo o seu próprio dito – «É a arte que faz a vida, cria o interesse, gera a importância, e não conheço qualquer outro substituto para a força e beleza do seu processo.» Toda a sua vida foi a de um fecundíssimo criador, a de uma torrente de invenção e arte. Em criança e adolescente, recebeu a sua instrução às mãos de tutores privados, nos vários pontos da Europa a que as viagens do seu pai o levaram e que lhe permitiram beneficiar dos mais diversos estímulos culturais. Essas viagens fizeram H.J. preferir o continente europeu, e ainda antes de completar 20 anos deu seus primeiros passos na ficção publicando alguns contos anonimamente, começa, por esta altura, a repartir a sua vida entre os dois lados do Atlântico, pêndulo que redundaria no seu rompimento com a América, na sequência do qual transitaria em definitivo para a Europa, nomeadamente, para Inglaterra. Em 1904, após uma ausência de vinte anos, regressaria, uma última vez, aos Estados Unidos, onde, durante um ano, proferiu conferências e conviveu com o irmão. Um ano antes da sua morte, Henry James tornar-se-ia um cidadão britânico e haveria mesmo de ser condecorado pelo rei Jorge V

Em 1878, James publica Daisy Miller segundo o autor, «A ideia-base da história é a tragédia restrita que consiste em sacrificar essa frágil e etérea criatura, natural e insuspeita, a uma agitação social que lhe sobe à cabeça e à altura da qual ela não estava. Para aprofundar o efeito, fiz com que também à mãe esse turbilhão subisse à cabeça.» O livro foi um sucesso internacional,. Daisy Miller retrata o enamoramento contido e até certo ponto contemplativo de Winterbourne, um norte-americano que morava na Suíça, em Vevey, por uma compatriota, Annie P. Miller, a quem todos conhecem por Daisy. Desde as primeiras páginas, o nobre recatamento do jovem americano contrasta com a liberdade moderna de Daisy. Ele, um rico herdeiro, movimenta-se entre os códigos estritos da sociedade, tentando fazer conformar a sua amada aos padrões formais da sociedade da época para uma menina. De todos quantos se conformam e, de certa maneira, dão forma ao que é a vida em certa sociedade , Winterbourne contemplava no furacão deixado à passagem de Daisy o afago de uma brisa que o animava «Em tudo isto, Daisy parecia-lhe uma extraordinária mistura de inocência e crueza.» Cheio de conflitos sociais o livro se passa, como não poderia deixar de ser, na Europa, mais especificamente no âmbito dos Turistas norte-americanos que residem na Europa, e levanta varias polemicas sobre os valores da sociedade, com seus dogmas e preconceitos que muitas vezes discriminam apenas por não concordar com o estilo de vida que leva o individuo.

Ítalo Calvino retrata muito peculiarmente as características da obra em relação ao seu autor, destacando os aspectos da vida de Henry James, que para ele refletiu nessa obra especificamente, começa caracterizando a obra de HJ no seu contexto geral como sendo orientada como ele mesmo fala ”toda ela sob o signo da evasiva, do não dito de um esquivar-se continuo”. Descreve também Calvino a relação entre a vida de HJ e o contexto da obra colocando o foco, entre os conflitos da sociedade européia e a norte-americana, explicado pelo pendulo vivido pó HJ entre a sua terra natal e o continente europeu.

Outra característica bem notada por Ítalo Calvino é a semelhança entre o personagem Winterbourne e o próprio Henry James, onde podemos ver nesse fragmento da crítica “Winterbourne percebe tudo isso, mas boa parte dele(e de James)é subserviente aos tabus sociais e ao espírito de casta, e sobretudo boa parte dele (e James por inteiro)tem medo da vida(diga-se das mulheres)” referindo-se a vida castra, digamos assim, de James em relação a vida amorosa, que como se sabe, não lhe era preferência, uma outra passagem da critica que retrata esse contexto “Aquela indefinida presença que era para James o “Mal” – vagamente relacionada com a sexualidade pecaminosa ou mais visivelmente representada pela ruptura de barreira de classe ”. De uma forma bem clara Ítalo Calvino destaca outra característica peculiar da obra de HJ, que é o relacionamento que HJ faz dos empregados domésticos com a presença do mal, visto em outra obra do autor, como podemos ver no fragmento “Os leitores de A outra volta do parafuso sabe quando o mundo dos empregados domésticos pode encarnar para James a presença informe do mal”.

De uma forma geral Ítalo Calvino foca sua crítica, no que podemos notar ser a idéia central que o autor tenta nos passar, que é a polemica entre o puritanismo dos compatriotas, aqui representados pelos norte americanos, o paganismo dos nativos no caso os europeus e a sacrificada Daisy Miller, que resistiu a todas as tentações e pois a prova seu caráter, e justamente por isso acabou sacrificada pela intolerância da sociedade, que não concebia tamanha autonomia, para uma menina vinda de fora.



Por fim podemos concluir que a obra e seu autor, muito mais que um personagem, descreve todo um comportamento das classes sociais, da época e Poe em cheque a tênue linha que separa o que é certo ou errado, ou o que é aceito pela sociedade e o que abolido, e ainda podemos ver também que a critica de ítalo Calvino não deixa de enfatizar esse aspecto do autor e demonstrar onde isso aparece na obra, despertando no leitor da critica uma curiosidade em relação ao destino dos personagens, e o desfecho que tamanha polemica pode levar.


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