Daniel capítulo oito (primeira parte)



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DANIEL CAPÍTULO OITO (PRIMEIRA PARTE)

A partir do capítulo oito, temos que prestar bastante atenção à utilização das palavras hebraicas usadas, principalmente, às que são traduzidas por visão.



Em Dan. 8:1: “No ano terceiro do reinado do rei Belsazar, eu, Daniel, tive uma visão” (chāzôn) “depois daquela que eu tivera a princípio”. (ARA).

(chāzôn). “Visão. Esta palavra tem um escopo de utilização semelhante ao de” (chizzāyôn, machăzeh) “e outros derivados de” (chāzâ). “Como” (chāzôt), “é usada nos títulos de certos livros proféticos (Naum e Isaías).” – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. p. 446.).


Essa visão que ele teve a princípio, foi a visão, já citada, do capítulo sete.
Em Dan. 8:2: “Quando a visão” (be chāzôn) “me veio, pareceu-me estar eu na cidadela de Susã, que é província de Elão, e vi que estava junto ao rio Ulai”. (ARA).

Nesses dois primeiros versos, temos o ano da visão, mas não temos o lugar preciso, onde o profeta estava quando teve a visão. ela foi recebida pelo profeta. (Uma cidade do Oriente).

Os dois detalhes: primeiro: o ano da visão: 551 a. C., este foi o terceiro ano do rei Belsazar.

Segundo: O profeta, provavelmente, encontrava-se em Babilônia. Porque Susã, como foi dito, era uma província de Elão, que não pertencia ao Império Babilônico, e sim ao reino Medo. No entanto, o que podemos perceber claramente na visão, é que a capital dos próximos dominadores do mundo não seria mais Babilônia e sim Susã.

“Palavras de Neemias, filho de Hacalias. Ora, sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a capital”. (Neemias 1:2 – AVR).

“Sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias, que, estando o rei Assuero assentado no trono do seu reino em Susã, a capital, no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus príncipes e servos, estando assim perante ele o poder da Pérsia e da Média, os nobres e os oficiais das províncias”. (Ester 1:1-3 – AVR).
Em 553 A. C. as tropas de Ciro marcharam sobre a Média. A luta se prolongou por três anos e terminou em 550 A. C., com a vitória dos persas.” – (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 1. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. p. 285.).


Em Dan. 8:3:Então, levantei os olhos e vi, e eis que, diante do rio, estava um carneiro, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um, mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último”. (ARA).
O carneiro representa o segundo Império Mundial. O Império Medo-Persa, que é representado pelos dois chifres. O chifre que subiu primeiro, em Babilônia, foi o medo – Dario o Medo (Dan. 5:24-31; 6:1; 9:1 e 11:1), depois o persa (Dan. 10:1 – Ciro II, o Persa).
Então, da parte dele foi enviada aquela mão que traçou esta escritura. Esta, pois, é a escritura que se traçou: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas. Então, mandou Belsazar que vestissem Daniel de púrpura, e lhe pusessem cadeia de ouro ao pescoço, e proclamassem que passaria a ser o terceiro no governo do seu reino. Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, com cerca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino”. (Dan. 5:24-31 – ARA).
Em Dan. 8:4: “Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente (yāmâ – mar), e para o norte, e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade e, assim, se engrandecia”. (ARA).

Da mesma maneira, que “o bode” (Dan. 8:21) representava o Império de Alexandre da Macedônia, “o carneiro” (Dan. 8:20), também representava o Império de Ciro.



Na História, está registrado o seguinte:
“No ano 558 A. C., os persa uniram-se contra os medos, sob a direção de Ciro II (o chefe das tribos persa, Ciro I, é citado nas crônicas de Assurbanipal). Desse modo, Ciro tornou-se o fundador de um novo reino, cujo nascimento marca uma reviravolta na história antiga do Oriente.

Em 553 A. C. as tropas de Ciro marcharam sobre a Média. A luta se prolongou por três anos e terminou em 550 A. C., com a vitória dos persas. A aristocracia meda do exército de Astíages contribuiu bastante para a vitória persa, traindo seu rei e ainda entregando-o a Ciro. Este, ocupou a capital de Astíages, Ecbátana e, como diz a crônica de Nabonides, ‘a prata, o ouro, enfim, toda espécie de tesouros de Ecbátana é apanhada e levada.’ Daí por diante, a Média fez parte do Império Persa. ...” – (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 1. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. p. 285.).



Em outro lugar diz:
"Em 559 a. C. um príncipe chamado Ciro, tornou-se rei de uma tribo persa do sul. Aproximadamente cinco anos depois, fez-se governador de todos os persas e, então, concebeu a ambição de dominar os povos vizinhos. Ficou na história como Ciro o Grande, um dos mais sensacionais conquistadores de todos os tempos. Dentro do pequeno espaço de vinte anos fundou um vasto império, maior do que qualquer outro que já existira. É impossível acreditar que seu êxito se devesse inteiramente à força de sua própria personalidade. Para começar, foi aceito pelos medos como rei logo depois de se tornar monarca dos persas. As razões disso não são bem conhecidas. De acordo com várias tradições, era neto ou genro de um rei medo. Talvez um vago sentimento de consangüinidade nacional impelisse medos e persas a se unirem sob um chefe comum. Seja qual for, a ‘conquista’ dos medos por Ciro foi realizada com tão pequena oposição que pouco mais significou uma mudança de dinastia. ...

A primeira das conquistas autênticas de Ciro foi o império da Lídia, que ocupava a metade ocidental da Ásia Menor e separava-se da terra dos medos somente pelo rio Hális. Percebendo as ambições dos persas, Creso, o famoso rei da Lídia, determinou iniciar uma guerra preventiva para salvar sua nação da conquista. Estabeleceu alianças com o Egito e Esparta, feito o que consultou o oráculo grego de Delfos sobre a conveniência de um ataque imediato. Segundo Heródoto, o oráculo respondeu que se ele atravessasse o Hális e assumisse a ofensiva, destruiria um grande exército. Assim o fez, mas o exército destruído foi o seu. Suas forças foram completamente derrotadas e seu pequeno e próspero reino anexado como província do estado persa. Sete anos depois, em 539 a. C., Ciro aproveitou-se de descontentamentos e conspirações no império caldeu para submeter a cidade de Babilônia. Sua vitória foi fácil, pois teve, dentro da própria cidade, a ajuda dos judeus e dos sacerdotes caldeus insatisfeitos com a política de seu rei. A conquista da capital da caldéia tornou possível estender rapidamente o controle sobre todo o império e, desse modo, anexar o Crescente Fértil aos domínio de Ciro. ” – (BURNS, Edward Mcnall. HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL. Vol. 1. 3ª ed. Porto Alegre – RS, Editora Globo, 1975. pp. 98-99.).
“... Sucedeu-o no trono seu filho Cambises, que conquistou o Egito em 525 a. C. ...” – (Ibidem. p. 99).

O outro historiador, também declarou:
“A reorganização do exército de Ciro é de grande importância: as unidades regulares de cavalaria tornaram-se a principal força de choque das tropas persas. Ciro conquistou rapidamente a Armênia e a Capadócia. No ano 546 A. C., devastou a Líbia e se apoderou das incalculáveis riquezas de Creso, entesouradas em Sardes, capital do reino. Pouco tempo depois, Ciro submeteu quase toda a Ásia Menor inclusive as cidades gregas do litoral do Mar Egeu. Todos eram obrigados a lhe pagar tributo.

Tendo cercado a Mesopotâmia a Leste, ao Norte e a Oeste, e bloqueado todas as vias comerciais, Ciro já podia concretizar seu sonho de conquistar seu principal adversário, a Babilônia caldéia. A aristocracia, os sacerdotes, os mercadores e os usuários babilônios abriram suas portas ao exército persa; esperavam, assim, ver ampliadas as suas operações comerciais e financeiras em um império novo, mais vasto do que o seu.

Entrando em Babilônia no ano 538 A. C., Ciro exterminou os últimos descendentes da família reinante e proclamou-se Rei de Babilônia. Publicou nessa ocasião um manifesto, cujo texto se conservou até os nossos dias. Nele, Ciro prometia manter o antigo regime do país, respeitar seus deuses e contribuir para o desenvolvimento da cidade.” – (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 1. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. p. 286.).

Embora, o historiador declare que Ciro, em 538, “proclamou-se Rei de Babilônia’, ele só começou a reinar após a morte de Dário o Medo, que foi na pratica o primeiro “Rei de Babilônia”, em 539 a. C.., após a conquista dos Medos e Persas. (Dan. 5:31; 6:1; 9:1 e 11:1).

“Seu filho Cambises foi seu sucessor. ... Pretendia estender seu poderio sobre a maior parte da bacia mediterrânea, até Cartago. Sua guerra contra o Egito foi descrita nos textos gregos e egípcios. Em 525 A. C.,”. - (Ibidem. p. 287.).
Nesse verso, percebemos o carneiro crescendo para três dos quatro ventos, ou seja, só não cresceu para uma direção (o Oriente). Ele cresceu para o Ocidente (conquistando o reino da Média, e por último, conquistou o que restava do Império Babilônico); para o Norte (conquistando a Armênia e a Capadócia, o Reino da Lídia, a Macedônia e Ásia Menor, e as cidades gregas) e para o Sul (conquistou a Líbia e o Egito).
Em Dan. 7: 5, temos:

Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou sobre um dos seus lados; na boca, entre os dentes, trazia três costelas; e lhe diziam: Levanta-te, devora muita carne”. (Dan. 7:5 – ARA).


Portanto, dessas conquistas feitas, três (Lídia, Babilônia e Egito) são descritas em Dan 7:5, porque elas eram as principais cidades do Império Babilônico.
Em Dan. 8:5: “Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente (min-hama‘ărāb) sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode tinha um chifre” visível (chāzût) “entre os olhos”.
(chāzût). “Visão, visibilidade. Ocorre cinco vezes no AT. Em três delas mal se distingue em sentido do segundo significado de” (chizzāyôn) “ (q. v.)mensagem, discurso ou oráculo proféticos. Duas vezes, em Daniel, tem o sentido mais adjetivo de algo que é claramente visível (Dn 8.5,8).” – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. p. 447.).
Em Dan. 8:6-7: “Dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder. Vi-o chegar perto do carneiro, e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; e o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele”. (ARA).

O profeta Daniel estava “na cidadela de Susã, que é província de Elão” (Dan. 8:2 - ARA) quando teve a visão deste capítulo. Então, é a partir do Oriente que devemos considerar essa visão. Outro detalhe, é que foi somente depois que os macedônios, por meio de Felipe e Alexandre, o Grande, seu filho, conquistaram e unificaram a Grécia, e depois deste, ter conquistado as províncias, que pertenciam aos medos e aos persas, desde o Norte (Trácia, Lídia [na Ásia Menor]), até o Sul (Egito e Líbia) que o bode expandiu o seu domínio para o Oriente, propriamente dito, contra Dário III Codomano, rei dos medos-persas. Após derrotá-lo, teve, então, o domínio completo sobre esse Império, passando a ser “senhor do mundo”. Contudo, não dominou a região ao ocidente da Grécia, ou seja, não expandiu o seu domínio sobre os romanos.



Em Dan. 8:8, 20 e 21:

E o bode de pelos tornou-se grande, durante o poder. Quando, então, foi quebrado o ser forte, o chifre, o grande. E levantaram-se, visíveis, (תוזח - āzût), quatro inferiores, (abaixo; sob, depois de; debaixo de; em lugar de; sub; o que está debaixo; a parte inferior; inferiores; etc.) para os quatro ventos do céu”. (Dan. 8:8).


Em Dan. 8:20 e 21: “Aquele carneiro com dois chifres, que viste, são os reis da Média e da Pérsia; mas o bode peludo é o rei da Grécia; o chifre grande entre os olhos é o primeiro rei.” (ARA).
Desses dois últimos versos, iremos analisar somente o que diz respeito à Grécia (O Império de Alexandre e as suas divisões).




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