Daniel capítulo onze (primeira parte)



Baixar 25.35 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho25.35 Kb.
DANIEL CAPÍTULO ONZE (PRIMEIRA PARTE)
Agora, acrescentarei, dentro das visões de Daniel oito, um comentário histórico que diz respeito a Dan. 11:4 e 5, que trata do mesmo Império citado em Daniel oito. (o bode, o Império de Alexandre da Macedônia).
Em Dan. 11:4, falando do reino de Alexandre da Macedônia, está escrito: “Mas, no auge, o seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos do céu; mas não para a sua posteridade, nem tampouco segundo o poder com que reinou, porque o seu reino será arrancado e passará a outros fora de seus descendentes”. (ARA).
Em Dan. 11:5: “O rei do Sul será forte, (Ptolomeus no Egito – 323-282) como também um de seus príncipes (Seleuco I Nicator, na Síria – 312-281); este será mais forte do que ele, e reinará, e será grande o seu domínio”. (ARA).
Na primeira divisão que houve, do Império de Alexandre, Seleuco, não recebeu nada.

Depois da morte de Alexandre da Macedônia, seus generais disputaram asperamente o poder. Faltava um herdeiro legítimo, pois, Alexandre não tinha sucessor direto. O exército desempenhou um papel decisivo na proclamação do soberano.”

Depois de violentos debates, que ameaçavam degenerar em conflito armado, o irmão de Alexandre, Felipe III, Arideu, débil de espírito, foi proclamado Rei. Mas, na prática, o poder era exercido por Pérdicas, um familiar de Alexandre, que foi nomeado regente. Um pouco mais tarde, Roxana, viúva de Alexandre teve um filho, e esse também foi proclamado Rei. Os outros grandes generais de Alexandre foram nomeados governadores das diversas satrapias: Ptolomeu, filho de Lagos, recebeu o Egito; Antígono, o Grande, a Frigia, na Ásia Menor; Lisímaco, a Trácia. Mas eles não quiseram reconhecer a unidade do estado, nem o poder supremo do Regente. O período que seguiu à morte de Alexandre, foi ensangüentado por guerras entre governadores, primeiramente, entre os diadocos, herdeiros de Alexandre; depois entre os epígonos, seus sucessores.”

O primeiro conflito opôs Pérdicas a Ptolomeu. Para realçar seu prestígio, Ptolomeu apoderou-se dos despojos de Alexandre que queriam enterrar na necrópole real da Macedônia. Atacou na Síria o comboio fúnebre e levou o corpo do soberano para o Egito, para enterrá-lo na sua própria capital, Alexandria. Este ato e as intrigas de Ptolomeu contra Pérdicas forçaram este a empreender uma campanha contra o Egito. ...”



Depois da morte de Pérdicas, a regência passou a Antípatro. A regência supunha a existência de um império unido, mas, na realidade, esta grande potência se desmembrava cada vez mais. Selêucos, tornado sátrapa de Babilônia, entrou na plêiade dos diadocos, e tomou parte em suas incessantes lutas. Um pouco mais tarde, Antígonas e seu filho Demétrio Poiorcetes consolidaram seu domínio na Ásia Menor, na Síria, na Fenícia e na Grécia. Demétrio, grande chefe e engenheiro militar, criou uma excelente frota e tornou-se célebre por suas máquinas de assédio ... Demétrio recebeu o apelido de Poliocertes (tomador de Cidades).” - (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 1. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. pp. 566-567.).
Portanto, somente depois é que Seleuco Nicator, recebe uma parte do Império de Alexandre. Contudo, depois ele foi expulso de Babilônia, onde era sátrapa.
Finalmente, 20 anos após a morte de Alexandre, seu império desagregou-se definitivamente. Ptolomeu, Seleuco, Lisimaco e Cassandro coligaram-se contra Antígono, que pretendia o poder supremo. A batalha decisiva teve lugar em 301 perto de Ipso, na grande Frigia. Foi Seleuco que mais contribuiu para a vitória dos coligados, fazendo entrar em jogo cerca de 400 elefantes, recebidos do rei Chandragupta, da Índia, em sinal de gratidão, porque ele tinha renunciado às suas possessões da Índia. Antígono morreu nesse combate; seu filho Demétrio refugiou-se em Éfeso, onde se encontrava sua frota. A Batalha de Ipso, considerada um marco da história do helenismo, determinou a formação de três grandes estados ‘helenísticos’: o Egito, Síria, Macedônia, governados respectivamente pelos Ptolomeus, pelos Selêucidas e pelos Antigonídios. Porém, estes últimos, somente consolidaram suas posições na Macedônia e na Grécia depois de uma nova e encarniçada luta. Posteriormente, a história dos estados helenísticos, nascido sobre o território do Império de Alexandre da Macedônia, apresenta particularidades dividas à sua composição e á sua estrutura.” - (Ibidem. Vol. 2. pp. 567-568.).

Agora, apresentarei um resumo da História da primeira divisão do Império de Alexandre:

Em 323, é a morte de Alexandre da Macedônia (Dan. 8:8, 21-22 e 11:4). Pérdicas parente de Alexandre é indicado para ser Regente do Império; Ptolomeu [Egito], Antígono [Frigia, na Ásia Menor] e Lisímaco [a Trácia] são indicados sátrapas [governadores]; Após a morte de Pérdicas, Antípatro (que morreu em 319) pai de Cassandro é indicado para ser Regente (Dan. 8:8, 21-22 e 11:4)”. Essa é a primeira divisão em quatro.




A segunda divisão foi em 301:

Em 301 a. C., houve nova divisão do Império Grego. Antígono e seu filho Demétrio foram vencidos por: Ptolomeu (Egito), Seleuco (Síria), Lisímaco (Ásia Menor) e Cassandro (Macedônia/Grécia), este era filho do último regente (Antípatro que morreu em 319).



Passados alguns anos, ocorre uma terceira divisão, que no contexto profético, também, é muito importante.
Demétrio retornou a Grécia (em 297) e em 293 tornou-se Rei da Macedônia, até 288; quando foi fugiu, mas o seu filho ficou reinando em seu lugar. Ele morreu (em 283). A partir dessa data, seu filho Antígono Gonatas (283-239) torna-se o fundador da Dinastia Macedônica. A qual por várias vezes esteve em guerra contra os romanos, e foi derrotado em todas, mas os destaques são: a Primeira Guerra da Macedônia (que terminou em 205 – durante a Segunda Guerra Púnica, quando o rei Filipe V era aliado de Cartago), a Terceira Guerra da Macedônia, em 168 a. C. e por último, a guerra, também contra a Macedônia, que ocorreu em 146 a. C.
Ou historiador diz o seguinte:
“Quando Alexandre morreu, em 323 a. C., não deixou herdeiro legítimo para lhe suceder. O parente masculino mais próximo era um débil mental, seu meio-irmão. A tradição conta que, quando em seu leito de morte os amigos lhe pediram que designasse um sucessor, ele respondeu vagamente: ─ ‘O melhor homem.’ Após a morte do Macedônio, seus generais mais altamente graduados trataram de dividir o império entre si. Alguns dos comandantes mais jovens protestaram contra esse conluio e seguiu-se uma série de guerras, que culminou na decisiva batalha de Ipso, em 301 a. C. O resultado de tal batalha foi uma nova divisão entre os vitoriosos. Seleuco apossou-se da Pérsia, da Mesopotâmia e da Síria; Lisímaco assumiu o controle sobre a Ásia Menor e a Trácia; Cassandro estabeleceu-se na Macedônia; e Ptolomeu adicionou, ao seu primitivo domínio do Egito, a Fenícia e a Palestina. Vinte anos depois esses quatro estados foram reduzidos a três, quando Seleuco derrotou e matou Lisímaco em batalha, apropriando-se de seu reino. Nesse meio tempo, grande parte dos estados gregos tinham-se revoltado contra as tentativas do rei da Macedônia para submetê-los a seu poder.” – (BURNS, Edward Mcnall. HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL. Vol. 1. 3ª ed. Porto Alegre – RS, Editora Globo, 1975. p. 194.).

Quando o historiador diz: “Nesse meio tempo, grande parte dos estados gregos tinham-se revoltado contra as tentativas do rei da Macedônia para submetê-los a seu poder”. Essas revoltas, já não eram contra Cassandro, e sim contra Demétrio (297-288/283 – esta última data, refere-se a morte de Demétrio) e Antígono Gonatas (283-239).


Ainda, continuando os comentários sobre o verso cinco, outro escritor diz o seguinte:
“No verso 5 o anjo disse que o ‘rei do sul’ seria ‘forte’. Ptolomeu I Soter (323 a 280 a. C.) foi, de fato, forte desde o princípio. O Egito era imensamente rico e um tanto fácil de ser protegido. O ‘príncipe’ que se tornou ‘mais forte que elefoi Seleuco I Nicator, o general que originalmente ficou com a porção leste do império de Alexandre, e fugiu para o Egito em busca de segurança. Ptolomeu concedeu-lhe privilégios especiais e auxiliou-o a montar um novo exército.

Tendo obtido rapidamente sucesso em desalojar o seu rival do trono da Síria, Seleuco prosseguiu mediante ações que acabaram afastando Lisímaco da Síria e da Ásia Menor, tornando-se com isto orei do norte’. Como resultado, Seleuco tornou-se dirigente da maior parte do antigo império de Alexandre, desde o Mar Egeu até a Índia. Ele desejou também assumir o controle da Judéia, tomando-a do Egito; mas Ptolomeu lhe fez lembrar, que sem o auxílio do Egito, ele jamais teria reunido condições para o êxito posterior.” – (MAXWELL, C. Mervyn. Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel. 1ª ed. Tatuí – SP, CPB, pp. 299-300.).

O escritor acima faz referência ao afastamento de Lisímaco da Síria e da Ásia Menor, mas Seleuco, a partir da divisão de 301 a. C. passou a dominar sobre a Síria, enquanto Lisímaco dominava a Ásia Menor. Portanto, Seleuco só passou a ser rei do Norte quando conquistou a Ásia Menor e não a Síria, que já estava sob seu domínio.



Um historiador, sobre os Selêucidas, escreveu o seguinte:
“... O Império Selêucida atingiu o seu máximo de extensão sob Selêucos I, Nicator (Vencedor, 312-280), que empurrou suas fronteiras da Ásia Menor para a Índia, e reinou sobre a Síria e a Fenícia. Mas, sob os seus sucessores imediatos, começou a desagregação do império. Antíoco II (261-247) perdeu a Bactriana e a Pátria. Antíoco III, o Grande, (223-187) reinou com grande dificuldade um Estado que estava prestes a se desmembrar.

Este monarca manteve luta incessante contra o Egito. Conseguiu momentaneamente ocupar a Palestina e a Fenícia. Mas, a intervenção de Roma pôs fim ao poderio dos Selêucidas. Depois que Antíoco foi vencido em (190 antes da nossa era) pelos romanos, em Magnésia, a Síria tornou-se praticamente um protetorado de Roma ...” - (DIACOV, V. e COVALEV, S. HISTÓRIA DA ANTIGÜIDADE. Vol. 1. São Paulo, Editora Fulgor Limitada, 1965. pp. 578-579.).



Em outro lugar, sobre o último Seleucida, que dominou a Ásia Menor, e que foi efetivamente rei do Norte, está escrito na História:
Depois de Magnésia, todas as cidades gregas da Ásia Menor passaram para os romanos, e estes tomaram Sardes, onde os embaixadores de Antíoco vieram pedir a paz aos Cipiões. As condições dessa paz (188) foram muito rigorosas para a Síria; ela teve de renunciar a todas as suas possessões na Ásia Menor até a Cadeia do Tauro, pagar uma enorme contribuição de 15 000 talentos, entregar todos os seus elefantes, destruir toda a sua frota, excetuando-se 10 navios, e reconhecer, de fato, o protetorado romano. Os territórios tomados a Antíoco na Ásia Menor foram dados pelos romanos aos seus aliados, Pérgamo e Rodes.

A Guerra da Síria, de 192-188, deu a Roma o domínio completo de todo o Mediterrâneo oriental, e os embaixadores dos estados orientais, no decorrer das conferencias, passaram a chamar os romanos de ‘Senhores do Universo’ (Políbio XXI, 16,8). ...” – (Ibidem. Vol. 3. pp. 716-717.).



Essas citações, acrescentadas, que contribuíram para uma melhor compreensão de Dan. 11:4-5, bem como para demonstrar que os Selêucos somente passaram a ser chamado, de rei do Norte, quando a Ásia Menor (O antigo Reino da Lídia e a Frígia) foi conquistada, e mantida sob o domínio deles. O último “Rei do Norte” da linhagem dos Selêucos, foi Antíoco III, o Grande. Portanto, pode ser afirmado, sem sombra de erro, que Antíoco Epifânio, jamais se tornou “Rei do Norte”.




LTJ/130502 josielteli@hotmail.com 2ª Impressão Corrigida e Ampliada


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal