Data farroupilha Discurso do deputado federal Pompeo de Mattos (pdt/RS), em Sessão Solene em homenagem a Revolução Farroupilha



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Encontro28.07.2016
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Data farroupilha

Discurso do deputado federal Pompeo de Mattos (PDT/RS), em Sessão Solene em homenagem a Revolução Farroupilha.

Para quem mora ou convive com o Rio Grande do Sul, sabe que o mês de setembro é muito especial para nosso Estado. Afinal, lembramos que foi num dia 20 de setembro, lá de 1835, que as forças farrapas tomaram Porto Alegre dando início a uma década de guerra civil. A data tem, portanto, toda uma simbologia, da luta do gaúcho pela conquista de sua própria identidade. Com muita freqüência, nós gaúchos, somos taxados de folcloristas, reinventores de um regionalismo bairrista. É por discordar destes e outros conceitos, que aproveito a data de hoje para fazer uma breve reflexão.

Durante mais de uma semana, mais de 400 mil pessoas visitaram o Acampamento Farroupilha, na Estância da Harmonia, no coração de nossa capital, Porto Alegre.

Todo ano é assim, o Acampamento Farroupilha consolida-se como símbolo maior da celebração de um passado heróico. Estive presente na manhã chuvosa da última quinta-feira, dia 20, no desfile cívico, junto com a governadora, seu secretariado, deputados, enfim, todos os poderes constituídos. Mais de 5.000 gaúchos a cavalo se apresentaram. E em todo o interior do Estado, não foi diferente, pois, aconteceram belos desfiles. E, quanto mais ao sul, mais forte e emocionada foi celebração.

Como reza a tradição, em cidades fonteiriças como Santana do Livramento, no lado brasileiro, e Rivera, no lado uruguaio, a data é comemorada como dia do patrimônio regional. Fronteira nestas cidades, importante dizer, é quase imaginária, tal o grau de identificação cultural que as une. Em tempos de globalização, afirmar a própria identidade louvando a sua trajetória histórica já é muito.

E a cada ano as comemorações da Semana Farroupilha crescem em volume e importância. Não se trata de questão fechada, é um avanço cultural esse fenômeno. Basta dizer que há 2 décadas poucos sabiam quem foi Sepé Tiaraju e hoje o 7 de fevereiro, data de seu martírio em campo de batalha, é celebrado estadualmente. Ou seja, o Rio Grande do Sul cultua sua história e aprende com ela, à medida que as novas gerações aprofundam-se no estudo dos feitos de seus antepassados

O mesmo passa com a epopéia de Andresito Guacurarí y Artigas, valente São Borjense governador das Missões Jesuíticas, ainda hoje quase nenhum gaúcho do lado de cá brasileiro se lembra. Mas isto por enquanto, pois, a cultura gaúcha se enriquece de conhecimento a cada dia. A memória e a história andam juntas neste Estado nacionalmente reconhecido pela importância que dá à cultura.

Muitos pergutam: porque festejam os gaúchos? E nós dizemos, sim, temos muito o que celebrar! A Revolução Farroupilha é um episódio que orgulha aos gaúchos. Alguns criticam ironizando as comemoração da Semana Farroupilha, dizendo que nenhum outro povo comemora tanto uma derrota como os gaúchos. Reações desse tipo revelam, senão um sentimento íntimo de bairrismo, no mínimo, uma enorme falta de informação e conhecimento. Ao celebrarmos a data histórica de “20 de Setembro”, não estamos saudando a vitória em uma guerra, até porque nas guerras ninguém sai realmente vencedor, mesmo quando aniquila seus inimigos. A dor e as cicatrizes superam qualquer sentimento de vitória.

Nós gaúchos, comemoramos, sim, mas é a postura altiva e corajosa dos nossos antepassados frente aos desmandos praticados pelo Império. Os guerreiros Farrapos não venceram. Jamais poderiam vencer Eram relativamente poucos e levavam grande desvantagem bélica e financeira frente ao exército imperial. Seu grande mérito está na perseverança de resistir em condições adversas durante tanto tempo – uma década. Importante destacar e lembrar: ao contrário de todas as outras rebeliões surgidas no Brasil na época, o levante farroupilha foi o único em que a pacificação se deu através de acordo.

Sim, a Guerra dos Farrapos teve um final digno e honroso para os farroupilhas. Primeiro, porque não houve rendição unilateral. Os rebeldes aceitaram depor as armas após várias concessões do governo imperial, representado por Luís Alves de Lima e Silva, então Barão de Caxias, mais tarde eternizado como o Patrono do Exército.

Em nome da paz, e também da proteção à fronteira meridional do Brasil, o Império aceitou a incorporação dos soldados farroupilhas ao Exército, reconheceu a patente de oficial aos líderes do movimento, concedeu anistia geral e completa aos revoltosos, libertou os escravos que participaram da revolta e fortaleceu a assembléia local.

Sim, podemos dizer, que a saga farroupilha, teve um final tão honroso e digno como a causa que motivou a mais longa revolta interna da história do Brasil.

A saga farroupilha é um exemplo de postura altiva e coragem, de perseverança e resistência, mesmo em condições adversas. O herói farrapo demonstrou, mesmo na guerra, sua infinita disposição à paz.

O gaúcho, como nenhum outro povo desse país continental que é o Brasil, teve a oportunidade de escolher e decidiu ser Brasileiro.


Muito obrigado!



POMPEO DE MATTOS

Deputado Federal – PDT/RS



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