David a morte de Sócrates


Terceira parte O Espiritismo e a ciência



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Terceira parte

O Espiritismo e a ciência

Capítulo I


Estudo do perispírito


De que é formado o perispírito? – Obrigação que tem a ciência de se pronunciar a respeito. – Princípios gerais. – O ensino dos Espíritos. – O que é preciso se estude.

De que é formado esse perispírito, cuja existência, assim durante a vida, como durante a morte, se acha demonstrada? Qual a substância constituinte desse envoltório permanente da alma? Tal a primeira questão que tentaremos resolver.

Nenhuma das narrativas, nenhuma das experiências acima referidas nos instruíram sobre esse ponto importante. Não tendo sido possível submeter esse corpo abmaterial aos reativos ordinários, forçoso é, ainda agora, que nos atenhamos à observação e ao que os Espíritos hão dito a tal respeito. Aliás, dificilmente poderíamos encontrar melhores instrutores do que aqueles mesmos que produzem as aparições. Não esqueçamos que eles põem em jogo leis que ainda teremos de descobrir, pois mostraram que uma matéria invisível aos olhares humanos pode impressionar uma chapa fotográfica, mesmo na mais absoluta obscuridade.173 Os fenômenos de transporte constituem outra prova da ação dos Espíritos sobre a matéria, ação que se opera por processos de que nem sequer suspeitamos. E que dizer dessas materializações que engendram, por alguns instantes, um ser tangível, tão vivo quanto os assistentes, senão que a ciência humana é de todo impotente para explicar tais manifestações de uma biologia extraterrena?

Até mais amplos esclarecimentos, contentar-nos-emos com os que nos queiram ministrar as individualidades do espaço e tentaremos demonstrar que eles nada têm de contrário às leis conhecidas, não tomadas em sua acepção acanhada, mas consideradas em sua filosofia. Nestes estudos, não se deve pedir uma demonstração em regra, que seria impossível produzir-se. Desde que, porém, por meio de analogias tiradas das leis naturais, possamos formar idéia bastante clara da causa dos fenômenos e do modo provável por que se operam, sensível progresso teremos realizado na senda da investigação, banindo das nossas concepções a idéia de sobrenatural.

O conhecimento do perispírito tem grande importância para a explicação das anomalias que os pacientes sonambúlicos apresentam, nos casos, bem comprovados, de visão a distância, de telepatia, de transmissão de pensamentos e de perda da lembrança de tudo ao despertar. Do mesmo modo, os fenômenos de personalidades múltiplas, os casos de bicorporeidade e as aparições tangíveis, de que temos falado, podem ser muito bem compreendidos, desde que se admita a nossa teoria, ao passo que se conservam inteiramente inexplicáveis por meio do ensino materialista.

Em presença de tais fatos, os sábios oficiais guardam prudente mutismo. Se, pelo maior dos acasos, falam dessas experiências, é para as declarar apócrifas, indignas de prender a atenção de homens inteligentes e, então, as assinalam como últimos vestígios atávicos das superstições dos nossos antepassados.

Importa, porém, que, de uma vez por todas, nos entendamos a esse respeito. Não ignoramos que não se pode absolutamente discutir com quem esteja de parti pris e que o Espiritismo, hoje, se acha mais ou menos na mesma situação em que se encontrava o magnetismo há uma vintena de anos. A história aí está a nos mostrar a obstinação estúpida dos que se petrificaram nas suas idéias preconcebidas.

Sabemos o que pensar da penetração de espírito dos sucessores daqueles que acreditavam que as pedras talhadas eram produzidas pelo trovão; que negaram a eletricidade, zombando de Galvani; que vituperaram e perseguiram Mesmer; que qualificaram de loucura o telefone e o fonógrafo, como, aliás, todas as descobertas novas. Por isso mesmo, sem dar atenção ao banimento mais ou menos sincero a que eles condenam o fenômeno espírita, corajosamente exporemos a nossa maneira de ver, apoiando-a em fatos positivos e bem estudados.

A despeito de todas as negações possíveis, o fenômeno espírita é uma verdade tão bem comprovada hoje, que não há fatos científicos mais bem firmados do que eles, entre os que não são de observação cotidiana, tais como: a queda dos aerólitos, as auroras boreais, as tempestades magnéticas, a raiva, etc.

A ciência está neste dilema: ou os espíritas são charlatães e é falso tudo o que eles proclamam e, nesse caso, ela os deve desmascarar, pois que lhe incumbe a instrução do povo; ou os fatos que os espíritas têm observado são reais, porém mal referidos e, portanto, errôneas as conclusões que eles daí deduzem, caso em que a ciência se acha obrigada a lhes retificar os erros. Assim, qualquer que seja a eventualidade que se considere, vê-se que o silêncio ou o descaso nenhum cabimento têm. Essa a razão pela qual sinceramente chamamos a atenção dos homens de boa-fé para as nossas teorias que, embora ainda muito incompletas, explicam com lógica os diferentes fenômenos de que acima falamos.

Eis, sucintamente, os princípios gerais sobre os quais nos apoiaremos. São os de Allan Kardec, que magistralmente resumiu em sua obra todos os ensinos dos Espíritos que o assistiram.174

Princípios gerais


Reconhecemos a existência de uma causa eficiente e diretora do universo: a sublimada inteligência que, pela sua vontade onipotente, imutável, infinita, eterna, mantém a harmonia do Cosmos. A alma, a força e a matéria são igualmente eternas, não podem aniquilar-se.

A Ciência admite a conservação da matéria e da energia,175 prova rigorosamente que são indestrutíveis, mas indefinidamente transformáveis. Do mesmo modo, o Espiritismo dá a certeza da imortalidade do eu pensante.

O princípio espiritual é a causa de todos os fenômenos intelectuais que se dão nos seres vivos. No homem, esse princípio se toma à alma, que se revela à observação como absolutamente distinta da matéria, não só porque as faculdades que a determinam (tais como a sensação, o pensamento ou a vontade) não se podem conceber revestidas de propriedades físicas, mas, sobretudo, por ser ela uma causa de movimento e por se conhecer plenamente a si mesma, o que a diferencia de todos os outros seres vivos e, com mais forte razão, dos corpos brutos.

É-nos desconhecida a natureza da alma. Tentar defini-la, dizendo que é imaterial, nada significa, a menos que com essa palavra se queira precisar a diferença que há entre a sua constituição e a da matéria. Qualquer, porém, que seja o seu modo de existir, ela se mostra simples e idêntica. Aliás, a nossa ignorância acerca da natureza da alma é da mesma ordem e tão absoluta, quanto acerca da natureza da matéria ou da natureza da energia. Até agora, somos de todo impotentes para penetrar as causas primárias e temos que nos contentar com o definir a alma, a matéria e a energia pelas suas manifestações, sem pretendermos indagar se, de qualquer maneira, procedem umas das outras.

Certamente a alma não é a resultante das funções cerebrais, pois que subsiste após a morte do corpo. Da análise de suas faculdades ressalta que ela é simples, isto é, indivisível e a experiência espírita confirma essa verdade, mostrando que a sua personalidade se mantém integral depois da morte. O Espiritismo, com o apoiar-se exclusivamente nos fatos, reduz a nada todas as teorias segundo as quais a alma sofre uma desagregação qualquer. O que, ao contrário, se verifica é a indestrutibilidade do princípio pensante.

Suas faculdades a alma as desenvolve por uma evolução incessante que tem por teatro, alternativamente, o espaço e o mundo terrestre. Em cada uma dessas suas passagens, adquire ela nova soma de conhecimentos intelectuais e morais, que são conservados, aperfeiçoados e aumentados por uma evolução sem-fim.

Possui um livre-arbítrio proporcional ao número de suas encarnações, dependendo a sua responsabilidade do grau do seu adiantamento moral e intelectual. Assim como o mundo físico tem a regê-lo lei imutável, também o mundo espiritual é regido por uma justiça infalível, de sorte que as leis morais têm sanção absoluta após a morte. Como o Universo não se limita ao imperceptível grão de areia por nós habitado, como o espaço formiga de sóis e planetas em número indefinido, admitimos que as futuras existências do princípio pensante podem desenvolver-se nesses diferentes sistemas de mundos, de maneira que a nossa vida se perpetua pela imensidade sem limites.

Como pode a alma executar esse processo evolutivo, conservando a sua individualidade e os conhecimentos que adquiriu? Como atua sobre a matéria tangível, durante a encarnação? É o que tentamos determinar em o nosso estudo sobre a Evolução anímica. Aqui, temos que começar por compreender o papel de cada uma das partes que formam o homem vivo.


O ensino dos Espíritos


Se a questão do homem espiritual se conservou por tão longo tempo em estado hipotético, é que faltavam os meios de investigação direta. Assim como as ciências não puderam desenvolver-se seriamente, senão depois que se inventaram o microscópio, o telescópio, a análise espectral e, ultimamente, a radiografia, também o estudo do Espírito tomou prodigioso impulso com a hipnose e, principalmente, depois que a mediunidade tornou possível o estudo do Espírito desprendido da matéria corpórea. Aqui está o que as nossas relações com os Espíritos nos ensinaram relativamente à constituição da alma.

Das numerosas observações feitas no mundo inteiro resulta que o homem é formado da reunião de três princípios:

1) a alma ou espírito, causa da vida psíquica;

2) o corpo, envoltório material, a que a alma se associa temporariamente, durante a sua passagem pela Terra;

3) o perispírito, substrato fluídico que serve de liame entre a alma e o corpo, por intermédio da energia vital. Do estudo desse órgão decorrem conhecimentos novos, que nos permitem explicar as relações da alma e do corpo; a idéia diretora que preside à formação de todo indivíduo vivo; a conservação do tipo individual e específico, sem embargo das perpétuas mutações da matéria; enfim, o tão complicado mecanismo da máquina vivente.

A morte é a desagregação do invólucro carnal, aquele que a alma abandona ao deixar a Terra; o perispírito a acompanha, conservando-se-lhe sempre ligado. Forma-o a matéria em estado de extrema rarefação. Esse corpo etéreo, que no estado normal nos é invisível, existe, portanto, no curso da vida terrestre. É por seu intermédio que o eu percebe as sensações físicas e é também por seu intermédio que o espírito pode revelar, no exterior, o seu estado mental.

Tem-se dito que o Espírito é uma chama, uma centelha, etc. Assim, porém, se deve entender com relação ao espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não se poderia atribuir forma determinada. Em qualquer grau que ele se encontre na animalidade, está sempre intimamente associado ao perispírito, cuja eterização corresponde ao seu adiantamento moral, de sorte que, para nós, a idéia de espírito é inseparável de uma forma qualquer, de maneira a não podermos conceber um sem a outra.

“O perispírito, pois, faz parte integrante do Espírito, como o corpo faz parte integrante do homem. Mas, o perispírito, por si só, não é o Espírito, como o corpo não é, por si só, o homem, visto que o perispírito não pensa, não age por si só. Ele é para o espírito o que o corpo é para o homem: o agente ou instrumento da sua ação.”

Segundo o ensino dos Espíritos, essa forma fluídica é extraída do fluído universal, sendo deste, como tudo o que existe materialmente, uma modificação. Justificaremos, dentro em pouco, essa maneira de ver.

Malgrado à tenuidade extrema do corpo perispirítico, ele se mantém constantemente unido à alma, que se pode considerar um centro de força. Sua constituição lhe permite atravessar todos os corpos com mais facilidade do que a que tem a luz para atravessar o vidro; do que o calor ou os raios-X para atravessar os diferentes obstáculos que se lhes oponham à propagação. A velocidade do deslocamento da alma parece superior à das ondulações luminosas, diferindo destas, porém, essencialmente, em que nada a detém, deslocando-se ela pelo seu próprio esforço. Por ser muito rarefeito o organismo fluídico, a vontade atua sobre o fluído universal e produz o deslocamento. Concebe-se facilmente que, sendo quase nula a resistência do meio, a mais fraca ação física acarretará uma translação no espaço, cuja direção estará submetida à vontade do ser.

O perispírito se nos afigura imponderável, pelo que a ação da gravidade parece inteiramente nula sobre ele; mas, daí não se deverá concluir que, desprendido do corpo, possa o Espírito transportar-se, segundo a sua fantasia, a todas as partes do Universo. Veremos, daqui a pouco, que o espaço é pleno de matérias variadas, em todos os estados de rarefação, de modo que, para o Espírito, existem certos obstáculos fluídicos de tanta realidade, quanto a que para nós pode ter a matéria tangível.

Nos seres muito evoluídos, o perispírito carece, no espaço, de forma absolutamente fixa; não é rígido, nem está condensado, como o corpo físico, num tipo particular. Regra geral, predomina no corpo fluídico as formas humanas, à qual ele naturalmente retorna, quando haja sido deformado pela vontade do Espírito.

Por intermédio do envoltório fluídico é que os Espíritos percebem o mundo exterior; mas, suas sensações são de outra ordem, diversas das que tinham na Terra. A luz deles não é a nossa; as ondulações do éter, quais as ressentimos, como calor ou luz, são por demais grosseiras para os influenciar normalmente. São, do mesmo modo, insensíveis aos sons e aos odores terrestres. Referimo-nos aqui aos Espíritos adiantados. Mas, todas as nossas sensações terrestres têm, para eles, equivalentes mais apurados. Dá-se, a esse respeito, uma como transposição para mais elevado registro da mesma gama. Além disso, eles percebem vibrações em muito maior número do que as que nos chegam diferenciadas pelos sentidos e as sensações determinadas por esses diferentes movimentos vibratórios criam uma série de percepções de ordem diversa das de que temos consciência.

Os Espíritos inferiores, que formam a maioria no espaço que circunda a Terra, podem ser acessíveis às nossas sensações, sobretudo se seus perispíritos são grosseiros de todo, porém isso se dá de maneira atenuada. A sensação neles não é localizada: experimentam-na em todas as partes do corpo espiritual, enquanto que, nos homens, é experimentada no ponto do corpo onde teve origem.

Estes os dados gerais que se encontram na obra de Allan Kardec, a mais completa e a mais racional que possuímos sobre o Espiritismo. A bem dizer, é mesmo a única que trata, em todas as suas partes, da filosofia espírita e fica-se espantado de ver com que sabedoria e prudência esse iniciador traçou as grandes linhas da evolução espiritual.

A dedução rigorosa é o caráter distintivo desta doutrina. Em vez de forjar seres imaginários para explicar os fatos mediúnicos, o Espiritismo deixou que o fenômeno se revelasse por si mesmo. Em todas as partes do mundo, há 70 anos, são as almas dos mortos que, vindo confabular conosco, afirmam ter vivido na Terra e dão dessas afirmativas provas que os evocadores verificam mais tarde e reconhecem exatas. Numa palavra, achamo-nos em presença de um fato real, visível, palpável, que coisa alguma poderia infirmar. Não há negações que prevaleçam contra a luminosa evidência da experiência moderna. Não há demônios, nem vampiros, nem lêmures, nem elementais ou outros seres fantásticos, imaginados para aterrorizar o vulgo, ou desviar, em proveito de obscuros engrimanços, a atenção dos pesquisadores. É a alma dos mortos que se revela pela mesa, pela escrita direta e pelas materializações.


O que é preciso se estude


Pela observação e pela experiência, fomos levados a comprovar que o invólucro da alma é material, pois que pode ser visto, tocado, fotografado. Mas, é evidente que essa matéria difere, pelo menos quanto ao seu estado físico, da matéria com que estamos diariamente em contacto.

O perispírito existente no corpo humano não nos é visível; não tem peso apreciável e, quando sai do corpo para se mostrar longe deste, verifica-se que nada lhe pode opor obstáculo. Destas observações, temos de concluir que é formado de uma substância invisível, imponderável e de tal sutileza, que coisa alguma lhe é impenetrável. Ora, estes são caracteres que parecem em absoluta contradição com os que a Física nos revela como sendo os da matéria.

Temos, pois, que procurar saber o que se deve entender pelo termo matéria e, para isso, urge conhecer o que são o átomo, o movimento e a energia. Adquiridas estas noções, poderemos inquirir como é que uma matéria fluídica tem a possibilidade de conservar forma determinada e, sobretudo, como é que a morte não acarreta a dissolução desse corpo espiritual, uma vez que ocasiona a do corpo físico.

Tornar-se-á então necessário nos familiarizemos com a idéia da unidade da substância, porquanto, admitida essa idéia, claro fica que, se o perispírito é formado da matéria primordial, não poderá decompor-se em elementos mais simples e, como a alma já se acha revestida dele antes de nascer, isto é, anteriormente à sua entrada no organismo humano, irá com ele, ao deixar o seu corpo terreno.

Se for verdadeiramente possível demonstrar que as concepções científicas atuais nos permitem conceber semelhante matéria, poder-se-á empreender, racionalmente, o estudo do perispírito, estudo que então sairá do domínio do empirismo para entrar no das ciências positivas.

Vejamos, pois, desde já, como é constituída a matéria.





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