David a morte de Sócrates


Capítulo IV Discussão em torno dos fenômenos de materialização



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Capítulo IV
Discussão em torno dos fenômenos de materialização


Não se pode recorrer à fraude, como meio geral de explicação. – Fotografia simultânea do médium e das materializações. – Hipótese da alucinação coletiva. – Sua impossibilidade. – Fotografia e modelagens. – As aparições não são desdobramentos do médium ou do seu duplo. – Não são imagens conservadas no espaço. – Não são idéias objetivadas inconscientemente pelo médium. – Discussão sobre as formas diversas que o Espírito pode tomar. – A reprodução do tipo terrestre é uma prova de identidade. – Certezas da imortalidade.

Nos capítulos precedentes, aduzimos as provas que, parece-nos, demonstram com segurança a existência e a imortalidade da alma. Todavia, convém analisemos as objeções que se nos opuseram, quer com relação aos fatos em si mesmos, quer quanto às conseqüências que deduzimos deles.


Exame da hipótese de serem falsos os fatos relatados


Evidentemente, esta suposição é a que mais de pronto se apresenta aos que pela primeira vez lêem narrativas tão extraordinárias, quais as das materializações. É legítimo esse sentimento de dúvida, porquanto tais manifestações póstumas distam tanto do que toda a gente está habituada a considerar possível, que se compreende perfeitamente bem a incredulidade. Quando, porém, se toma conhecimento dos volumosos arquivos do Espiritismo, é-se obrigado a mudar de opinião, porquanto o que se depara a quem os examina são relatórios promanantes de homens de ciência universalmente estimados, de cuja palavra não se poderia suspeitar, tão acima de toda suspeita a honradez deles. Com efeito, ninguém pode absolutamente imaginar que os professores Hare, Mapes, o grande juiz Edmonds, Alfred Russel Wallace, Crookes, Aksakof, Zoellner ou o Dr. Gibier se hajam conluiado para mistificar seus contemporâneos. Seria tão absurda semelhante suposição que temos por inútil insistir sobre esse ponto.

Será, no entanto, mais admissível que esses homens eminentes se hajam deixado enganar por hábeis charlatães que no caso seriam os médiuns? Não o cremos tampouco, visto que alguns médiuns, como Eusápia Paladino, foram estudados por diversas comissões científicas, de que faziam parte homens do valor de Lombroso, Charles Richet, Carl du Prel, Aksakof, Morselli, Maxwell, de Rochas; astrônomos quais Schiapparelli e Porro, etc., e todos esses investigadores, separadamente, chegaram à comprovação de fenômenos idênticos.

Fora, pois, necessária a mais insigne má-fé, para se não reconhecer o imenso alcance dessas experiências. Os adversários do Espiritismo guardam silêncio acerca desses trabalhos, et pour cause, mas os que se resolveram a consultá-los, certo se impressionarão com o prodigioso concurso de afirmações unânimes, que dão aos fatos espíritas verdadeira consagração científica.

Quererá isso dizer que devamos aceitar todas as afirmações espíritas que nos forem feitas por quaisquer individualidades?

Evidentemente, não. Sobretudo nessas matérias, faz-se preciso nos mostremos excessivamente severos quanto ao valor dos testemunhos e proceder a uma seleção séria no acervo das observações. Entretanto, não se nos afigura lícito desprezar os relatos que provenham de homens instruídos, de posição independente, que nenhum interesse tenham em mentir e cuja palavra é acatada sobre qualquer outro assunto. São extremamente numerosos e merecem inteiro crédito os depoimentos de engenheiros, padres, magistrados, advogados, doutores que hão experimentado seriamente e que referem como foram convencidos. Há cinqüenta anos esse vasto inquérito se vem processando e imenso número de documentos possuem sobre cada classe de fenômenos, de sorte que, apartados os casos duvidosos, resta elevado número de narrativas, idênticas quanto ao fundo, mostrando que esses narradores, desconhecendo-se uns aos outros, assinalaram fatos precisos.

As fraudes dos médiuns


Se, geralmente, é pouco suspeita a boa-fé dos assistentes, o mesmo não se dá com a dos médiuns, a qual pode exigir muita reserva. É certo que os médiuns profissionais são às vezes tentados a suprir a falta de manifestações, quando longo tempo se passa sem que elas se produzam. A simulação, porém, só pode dar-se no tocante aos fenômenos mais simples e unicamente os observadores ingênuos e inexperientes se deixam enganar, caso que não é o dos sábios cujos nomes vimos de citar, os quais operavam tomando todas as precauções necessárias. Os fenômenos de materialização, pela sua singularidade, foram sempre os que constituíram objeto de vigilância mais severa e os experimentadores, cépticos ao iniciarem suas investigações, somente adquiriram a certeza da realidade dos mesmos fenômenos quando se lhes tornou evidente que as materializações não podiam ser efeito de disfarces do médium, ou produzidas por um comparsa que desempenhasse o papel do Espírito. Tomemos para exemplo as clássicas pesquisas de William Crookes. Só ao cabo de três anos de investigações, feitas, pela maior parte, na sua própria casa, em seu laboratório, conseguiu ele ver e fotografar simultaneamente o Espírito e o médium 194 e certificar-se assim de que a aparição não era devida a um disfarce de Florence Cook. Aliás, esta menina de quinze anos passava semanas inteiras em casa do professor, onde lhe teria sido impossível preparar as maquinações indispensáveis à execução de semelhante impostura.

Em todos os relatos sérios que se hão publicado sobre as materializações, a primeira parte da narrativa é consagrada à descrição das providências tomadas para evitar o embuste, sempre suspeitável. O gabinete do médium é cuidadosamente examinado; verifica-se que não há alçapões, nem janelas dissimuladas, nem armários em que se possam esconder um ou mais comparsas. Por vezes, as portas do aposento onde a reunião se efetua são seladas com papel timbrado, de maneira a não poderem abrir-se sem ruído e sem ruptura dos papéis. O próprio médium é severamente examinado e freqüentemente despido, de forma que não possa esconder o que quer que sirva para um disfarce. Concluídos esses preliminares, trata-se de colocar o médium na impossibilidade de mudar de lugar. Não raro, como o fizeram Varley e Crookes, estabelece-se uma corrente elétrica que, depois de atravessar o corpo do sensitivo, vai ter a um galvanômetro de reflexão, que assegura a sua imobilidade, porquanto, o menor movimenta que ele fizesse ocasionaria uma diferença na resistência do circuito e se revelaria por variações na intensidade da corrente, variações que o espelho indicaria. Apesar de tão minuciosas precauções, o Espírito de Katie e o da Sra. Fay 195 se mostraram como de ordinário, o que provou a perfeita independência da aparição.

Doutras vezes, atam-se as mãos e os braços do médium por meio de cordões em que são dados nós, aos quais se apõem selos de cera. A mesma ligadura lhe passa depois em torno do corpo, prendendo-o à cadeira, onde outros nós são feitos e selados. Finalmente, a extremidade do cordão é presa a um anel, fora do gabinete, à vista dos assistentes. Não raro, empregam-se sacos ou redes, que se fecham e selam como precedentemente. Tem-se mesmo chegado a utilizar gaiola. Apesar de todas essas medidas de fiscalização, os fatos se hão reproduzido exatamente como quando o médium está livre. Incontestavelmente, existem copiosas e absolutas provas de que o médium não pode fraudar; é quando, nas próprias habitações dos investigadores, se fotografam simultaneamente o Espírito e o médium. Não sendo possível, então, que qualquer comparsa simule a aparição, é de toda evidência que o médium não é o autor consciente do fenômeno.

Os desta natureza foram observados por William Crookes, por Aksakof, pelo Dr. Hitchman, etc.196 Não são menos probantes os moldes de membros corporais de formas materializadas. Não somente é impossível simulá-los, pois que não se pode fazer o molde de uma mão completa, senão compondo-o de várias peças cujas junturas ficam visíveis, ao passo que os que os Espíritos produzem não nas têm, mas ainda porque um molde que não se compusesse de diferentes partes não poderia ser retirado, visto que o pulso é notoriamente mais estreito do que a mão à altura dos dedos.

Nas experiências que citamos, o molde da mão física do médium difere inteiramente do da aparição, o que positivamente demonstra duas coisas:

1º) a sinceridade do médium;

2º) que a mão fluídica não é devida a um desdobramento seu.

Cumpre não esquecer tampouco que, quase sempre, a parafina foi pesada pelos operadores, antes e depois das sessões, verificando eles ser o peso do molde, mais o da parafina não utilizada, igual ao peso primitivo dessa substância, donde a conclusão de que o molde foi fabricado in loco e não trazido de fora.

Supondo que os médiuns fossem dotados de astúcia até então desconhecida, esbarra-se de encontro à evidência das fotografias e dos moldes. Somos, pois, forçados a afastar a hipótese de um embuste, pelo menos nos casos que citamos.




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