David a morte de Sócrates


Quarta parte Ensaio sobre as criações fluídicas da vontade



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Quarta parte

Ensaio sobre as criações fluídicas da vontade

Capítulo único


Ensaio sobre as criações fluídicas pela vontade


A vontade. – Ação da vontade sobre o corpo. – Ação da vontade a distancia. – Ação da vontade sobre os fluidos.

Um fenômeno absolutamente geral, comprovado em todas as aparições, é que estas se mostram sempre com os trajes que o paciente costuma usar, quando elas resultam de um desdobramento, ao passo que se apresentam envoltas em largos panos, quando é a alma de um morto que se manifesta. Para explicarmos a produção dessas aparências, necessário se faz digamos o que entendemos por vontade e mostremos que não só a vontade existe realmente, como faculdade da alma, mas também que exerce seu poder, durante a vida, fora do corpo terrestre e, a fortiori, além do perispírito no espaço.


A vontade


A palavra vontade dá lugar às vezes a mal-entendidos, decorrentes, sem dúvida, de não se ter bastante cuidado em distinguir a intenção ou o desejo de fazer uma coisa do poder de a executar. Quando um indivíduo paralítico das pernas quer caminhar, é-lhe impossível mover os músculos da locomoção. Ele realmente quer, mas, em virtude de uma ação mórbida, sua vontade não se executa. Por outro lado, na linguagem médica, diz-se, a propósito de uma paralisia histérica, que a vontade está paralisada, para significar que não há, em realidade, da parte do doente, intenção ou desejo de mover os membros do corpo.

As dificuldades, porém, não se limitam ao emprego dessa palavra em dois sentidos opostos; as opiniões igualmente divergem, quando se lhe quer conhecer a natureza. Os materialistas, que fazem da sensação a base do espírito humano e que não admitem para a alma uma existência independente; que consideram as faculdades da alma simples produtos da atividade do cérebro, apenas vêem na vontade o termo final da luta de dois ou muitos estados opostos de consciência. Para essa escola, a vontade é uma resultante de atos físicos mais ou menos complexos. Carece de existência própria.

Nós, que sabemos ser a alma uma realidade com o poder de manifestar-se independente de toda matéria organizada, sustentamos que a vontade é uma faculdade do espírito; que ela existe positivamente como potência; que sua ação se revela claramente na esfera do corpo e que pode mesmo projetar a distância sua energia, como os fatos o vão demonstrar.

Ação da vontade sobre o corpo


É manifesta, para toda gente, a influência da vontade sobre os músculos:224 queremos levantar um braço, ele executa o movimento, constituindo esse ato um exemplo trivial da ação da alma sobre o corpo. Há, porém, casos notáveis em que o seu poder se exerce sobre partes do organismo que pareciam excluídas da sua dominação.

Não é impossível que a vontade atue por ação direta sobre o coração e os músculos lisos da vida orgânica. Aqui está um exemplo.225

Um distinto membro da Sociedade Real de Londres, o Sr. Fox conseguia, por voluntário esforço, aumentar de dez a vinte por minuto os batimentos do seu pulso. Também o Sr. Hack Tuke fez a mesma experiência: pelo espaço de dois minutos mais ou menos, as pulsações, que a princípio eram regulares, se elevaram de 63 a 82.

Pelo exercício, desenvolve-se o poder da vontade. Sabe-se, por narrativas autênticas, que os faquires podem, voluntariamente, pôr-se em estado cataléptico, fazer-se enterrar num subterrâneo e voltar à vida ao cabo de alguns meses de sepultamento. Este fato não é desconhecido na Europa. Poderíamos citar muitos casos de letargia voluntária, devidas ao coronel Townsend. O que se segue foi testemunhado por três doutores, os Srs. Chayne, Baynard e Skrine.

“O pulso – diz o Dr. Chayne – era bem acentuado, conquanto fraco e filiforme; o coração batia normalmente. O coronel deitou-se de costas e permaneceu calmo por alguns instantes. Notei que seu pulso enfraquecia gradativamente, até que, por fim, malgrado à mais minuciosa atenção, deixei de percebê-lo. O doutor Baynard, por seu lado, não conseguia perceber o menor movimento do peito e o Sr. Skrine não logrou notar a mais ligeira mancha produzida sobre o espelho reluzente por ele mantido diante da boca do coronel. Cada um de nós, a seu turno, lhe examinou o pulso, o coração e a respiração. Porém, apesar das mais severas e rigorosas pesquisas, não nos foi possível descobrir o mais ligeiro sinal de vida.”

Iam os três retirar-se, convencidos de que o paciente morrera, quando um ligeiro movimento do corpo os tranqüilizou. Pouco a pouco o coronel voltou à vida. Durara meia hora a letargia.

Esse poder da alma sobre o corpo pode chegar até a vencer a enfermidade. Multas vezes, uma vontade enérgica consegue restabelecer a saúde, com exclusão dos efeitos da imaginação ou da atenção. Damos aqui o relato da cura de uma enfermidade grave, a raiva:

O Sr. Cross foi gravemente mordido por um gato, que, no mesmo dia, morreu hidrófobo. A princípio, ele pouca atenção deu a essa circunstância, que, sem dúvida, em nada lhe perturbou a imaginação ou o sistema nervoso. Três meses, no entanto, depois do acidente, sentiu, certa manhã, forte dor no braço e, ao mesmo tempo, grande sede. Pediu um copo d’água.

“No momento, porém – diz ele –, em que eu ia levar o copo aos lábios, senti na garganta violento espasmo. Logo se me apoderou do espírito a terrível convicção de que me achava atacado de hidrofobia, em conseqüência da mordedura do gato. É indescritível a angústia que experimentei durante uma hora. Era-me quase intolerável a idéia de tão terrível morte. Senti uma dor que começou na mão e ganhou o cotovelo, depois a espádua, ameaçando estender-se mais. Percebi que seria inútil qualquer assistência humana e acreditei que só me restava morrer.

Afinal, pus-me a refletir sobre a minha situação. Pensei comigo mesmo que tanto eu podia morrer, como não morrer; que, se houvesse de morrer, teria a sorte que outros tinham tido e outros ainda terão e que me cumpria afrontar a morte como homem; que se, por outro lado, me restasse alguma possibilidade de conservar a vida, um único era, para mim, o meio de o conseguir: firmar as minhas resoluções, enfrentar o mal e exercer esforços enérgicos sobre o meu espírito. Conseguintemente, compreendendo que precisava de exercício ao mesmo tempo intelectual e físico, tomei do meu fuzil e saí a caçar, sem embargo da dor que continuava a sentir no braço.

Em resumo, não encontrei caça, mas caminhei durante toda a tarde, fazendo, a cada passo que dava, um rigoroso esforço de espírito contra a moléstia. Retornando a casa, achava-me realmente melhor. Ao jantar, pude comer e beber água, como de ordinário. No dia seguinte de manhã, a dor recuara para o cotovelo; no dia imediato, retrocedera para o pulso e no terceiro dia desaparecera. Falei do caso ao Dr. Kinglake. Disse-me que, na sua opinião, eu sofrera, indubitavelmente, um ataque de hidrofobia, que me poderia ter sido fatal, se eu não houvera reagido energicamente contra ele, por vigoroso esforço do espírito.” 226

O espírito precisa, às vezes, de um suplemento de força, para agir eficazmente sobre o corpo. No hipnotismo, podem considerar-se as injunções imperativas do operador como o estimulante necessário. Lembraremos, de memória, as experiências do Sr. Focachon 227 e dos Srs. Bourru e Burot.

O farmacêutico de Charmes aplica na espádua de seu paciente alguns selos do correio e passa-lhes por cima, a fim de segurá-los, umas tiras de diaquilão e uma compressa, sugerindo-lhe, ao mesmo tempo, que lhe aplicara um vesicatório. O paciente fica sob vigilância. Depois de vinte horas, retiraram o penso, que se conservara intacto. No lugar, a pele, espessada e macerada, apresentava uma cor azul-amarelado, estando a região cercada de uma zona de intensa vermelhidão, com intumescimento. Esse estado verificaram-no os Srs. Liégeols, Bernheim, Liébault, Beaunis. Pouco mais tarde sobreveio a supuração.

Tão grave perturbação orgânica fora causada pela vontade, atuando como elemento material sobre os tecidos do corpo. Na Salpétrière, o Sr. Charcot e seus alunos ocasionaram queimaduras por sugestão. Finalmente, os Srs. Bourru e Burot 228 conseguiram produzir, à vontade, estigmas no corpo de um paciente. À hora que os operadores determinavam, o corpo do paciente sangrava nos lugares que eram tocados por um estilete sem ponta. Letras traçadas na carne se desenhavam em relevo, de um vermelho vivo, sobre o fundo pálido da pele.229

Prova isto à evidência que a vontade de um operador pode mudar a matéria do corpo de um paciente, em sentido favorável ou nefasto ao indivíduo, conforme a direção que se lhe imprima.

Poderíamos também citar o caso do célebre Edward Irwing, que se curou, pela ação da vontade, de um ataque de cólera, durante a epidemia de 1832.230

O poder da vontade se exerce igualmente sobre as sensações. Jacinto Langlois, distinto artista, íntimo de Talma, narrou ao Dr. Brierre de Boismont que esse grande ator lhe referira que, quando estava em cena, tinha o poder, pela força da sua vontade, de fazer desaparecessem as vestes do seu numeroso e brilhante auditório e de substituir essas personagens vivas por outros tantos esqueletos. Logo que a sua imaginação enchera assim a sala daqueles singulares espectadores, a emoção que em conseqüência experimentava lhe imprimia tal força ao jogo cênico, que muitas vezes os mais empolgantes efeitos se produziam.231

Não é único este fato: Goethe também conseguia ter visões voluntárias e sabe-se que Newton podia obter para si, à vontade, a imagem do Sol. O Dr. Wigan faz menção de uma família, cada um de cujos membros possuía a faculdade de ver mentalmente, sempre que o queria, a imagem de um objeto e de fazer deste, de memória, um desenho mais ou menos exato.

Esse poder da vontade, que se exerce sobre o corpo com tanto império, quando a pessoa sabe servir-se dele, também tem ação determinada sobre outros organismos. Vamos mostrá-lo experimentalmente.

Ação da vontade a distância


A influência da vontade de um hipnotizador sobre o seu paciente é fato que hoje dispensa qualquer demonstração. A sugestão, cujas formas são tão variadas, tornou incontestável a ação que, sobre o espírito de um paciente sensível, exerce uma ordem formulada de modo imperativo. Essa ordem se grava no espírito do paciente e pode fazê-lo executar todos os movimentos, dar-lhe todas as alucinações dos sentidos, como lhe pode perturbar as faculdades intelectuais e até aniquilá-las completamente, por certo tempo. Os tratados sobre hipnotismo estão cheios de exemplos desse gênero de ações voluntárias. O que queremos mostrar aqui é o que foi com muita freqüência contestado: a ação da vontade, a distância. Os antigos magnetizadores lhe haviam revelado a existência e os modernos experimentadores, sem embargo da repugnância que manifestam, terão que se resignar a confessá-la. É, aliás, o que fazem os mais sinceros.

Aqui estão dois fatos, buscados em fontes de confiança, que mostram, sem contestação possível, a influência da vontade a exercer-se fora dos limites do organismo.

No seu célebre relatório à Academia, refere assim o Dr. Husson o primeiro deles:

“A Comissão se reuniu no gabinete de Bourdais, a 6 de outubro, ao meio-dia, hora em que chegou o Sr. Cazot (o paciente). O Sr. Foissac, o magnetizador, fora convidado a comparecer às 12:30. Ele se conservou no salão, sem que Cazot o soubesse e sem nenhuma comunicação conosco. Foi-lhe dito, no entanto, por uma porta oculta, que Cazot se achava sentado num canapé, distante dez pés de uma porta fechada, e que a Comissão desejava que ele, magnetizador, adormecesse o paciente e o despertasse àquela distância, permanecendo no salão e Cazot no gabinete.

As 12:37, estando Cazot atento à conversação que entabuláramos, ou a examinar os quadros que adornam o gabinete, o Sr. Foissac, colocado no compartimento ao lado, começa a magnetizá-lo. Notamos que ao cabo de quatro minutos Cazot pisca ligeiramente os olhos, inquieto, e que, afinal, decorridos nove minutos adormece ...”

O resultado é positivo, com exclusão de toda suspeita, dado que se produziu diante de investigadores pouco crédulos e de toda a competência exigida para se pronunciarem com conhecimento de causa. Cedamos agora a palavra ao Sr. Pierre Janet, cujos trabalhos sobre o hipnotismo têm autoridade no mundo sábio.232

“Pode-se adormecer o paciente sem o tocar, por uma ordem não expressa, mas apenas pensada diante dele. Numa nova série de experiências, cuja narrativa ainda não está publicada, após longa educação do paciente, cheguei eu próprio a repetir à vontade esse curioso fenômeno. Oito vezes de seguida, tentei adormecer a Sra. B..., de minha casa, tomando todas as precauções possíveis para que ninguém fosse prevenido da minha intenção e variando de cada vez a hora da experiência. De todas às vezes, a Sra. B... adormeceu de sono hipnótico, alguns minutos depois de haver eu começado a pensar nisso. A verificação do fato havia naturalmente de provocar nova suposição. Pois que a sugestão mental podia adormecer a Sra. B. achando-se ela em estado de vigília, a mesma sugestão deveria fazê-la passar de uma fase do sono a outra.

Era fácil verificá-lo, desde que a Sra. B... estivesse em sonambulismo letárgico. Enquanto eu lhe fazia sempre as sugestões mentais, sem a tocar, sem lhe soprar nos olhos, sem exercer sobre ela qualquer ação física, pus-me apenas a pensar: “Quero que durma.” Ao cabo de alguns instantes, entrava ela em letargia sonambúlica. Repito a mesma ordem mental, ela suspira e ei-la em letargia cataléptica. De cada vez que formulo esse pensamento, transpõe ela um novo estado. O pensamento do magnetizador pode, pois, por uma influência inexplicável, mas que é aqui imediatamente verificável, fazer que o paciente percorra as diferentes fases, num sentido ou noutro.”

Sabe-se com quanto cuidado os Srs. Ochorowicz, Myers, Richet, De Dusart, Dr. Moutin, Boirac, Paul Joire, etc., realizaram essas experiências. É, portanto, certo que a sugestão pode ser exercida a distância.233

O Sr. Janet reconhece aqui a ação da vontade sem contacto material com o paciente; entretanto, para se escusar de tão grande audácia aos olhos dos seus doutos correligionários, apressa-se a dizer que o fato é inexplicável. Mas, por que, se faz favor? Sabemos que o ser humano possui uma força nervosa que pode exteriorizar-se e nem as experiências de Crookes sobre as forças psíquicas, nem as do Sr. de Rochas foram, que nos conste, demonstradas falsas. Por outro lado, não é certo também que a telegrafia sem fio deixou de ser um mito e constitui um fato experimentalmente demonstrado? Assim, entre o Sr. Janet e o paciente que “recebeu uma educação bastante prolongada”, um laço fluídico se criou, que transmite ao segundo a vontade do primeiro, sem dúvida do mesmo modo pelo qual os raios luminosos do fotofono de Graham Bell transportavam as ondas magnéticas que, provavelmente, são mais materiais do que as do pensamento.

É, em verdade, curioso observar como os experimentadores filiados a uma certa escola se exasperam diante dos fatos. Quando são suficientemente honestos para reconhecê-los reais e têm a coragem de proclamá-los tais, como o Sr. P. Janet, imediatamente se tomam de escrúpulos e procuram desculpar-se da grande ousadia que tiveram de pôr um pé no terreno vedado. Nós, muito felizmente, não padecemos da mesma timidez; podemos interpretar livremente os fenômenos e dar-lhes todo o valor que comportam. É que, malgrado a todas as negações, estamos absolutamente certos de que a alma tem existência independente, apoiando-se a nossa crença em vinte anos de investigações severas, cujos resultados hão merecido a sanção dos mais incontestados mestres em todos os ramos da ciência. Podemos, pois, proclamar desassombradamente a verdade de tais resultados, sem temor de que o futuro nos desminta.

Que é feito dos anátemas, zombeteiros ou solenes, lançados, vai para cinqüenta anos, pelos cépticos e pelos pseudo-sábios? Foram juntar-se, no país do esquecimento, a todas as hipóteses mal nascidas, às teorias cambaleantes, cujo passageiro êxito elas a deveram unicamente aos nomes de seus inventores e que se acham hoje completamente olvidadas.

O Espiritismo, qual vigorosa árvore, precisou desse húmus para se desenvolver e, segundo uma palavra célebre, ele se eleva “alto e forte sobre as ruínas do materialismo agonizante”.

A ação da vontade sobre os fluidos


Eis-nos agora armados de todos os conhecimentos necessários a explicar como os Espíritos se apresentam revestidos de túnicas, de amplas roupagens, ou mesmo de suas roupas costumeiras. Precisávamos demonstrar o poder da vontade fora do corpo. Fizemo-lo. Sabemos que os fluidos são formas rarefeitas da matéria; temos pois, ao nosso alcance, todos os documentos necessários. Aqui está, agora, a teoria espírita relativa a esse gênero de fenômenos.

O Espírito haure, da matéria cósmica ou fluido universal, os elementos de que necessita para formar, à sua vontade, objetos que tenham a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Pode igualmente, pela ação da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe dá certas propriedades. Essa faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce, quando necessário, como um ato instintivo, sem dele se aperceber. Os objetos que o Espírito forma têm existência temporária, subordinada à sua vontade ou a uma necessidade. Pode fazê-los e desfazê-los a seu bel-prazer. Em certos casos, tais objetos assumem, aos olhos de pessoas vivas, todas as aparências da realidade, isto é, tornam-se momentaneamente visíveis e, mesmo, tangíveis. Há formação, porém, não criação, porquanto do nada o Espírito nada pode tirar.

Nos exemplos que aduzimos, a criação das vestes é atribuível a uma ação inconsciente, mas real, do Espírito, que materializou suficientemente aqueles objetos, para os tornar visíveis. A ação é a mesma que nos casos de materialização. É de notar-se, nas experiências de Crookes, que Katie King se mostra envolta em panos que podem ser tocados, mas que desaparecem com ela, finda a manifestação.

Poder-se-á admitir que o Espírito crie inconscientemente imagens fluídicas, ou, por outra, que seu pensamento, atuando sobre os fluidos, possa, a seu mau grado, dar-lhes existência real? Sabemos, de fonte pura, que, voluntariamente, um objeto ou uma criatura podem ser representados mentalmente, de modo bastante real, para que um médium vidente chegue a descrever essa idéia. Fomos testemunhas várias vezes desse fenômeno e daqui a pouco veremos que experiências feitas com pacientes hipnóticos estabelecem a objetividade dessas formações mentais. E involuntariamente, será possível? Os estados do sonho como que indicam de que maneira a ação se executa. Quando temos um sonho lúcido, habitualmente nos achamos nele vestidos de um modo qualquer, o que provém da circunstância de estar a idéia de vestes associada sempre, de forma inteira, à imagem da nossa pessoa.

Se pensamos numa reunião de gala ou numa festa à noite, vemo-nos em trajes de cerimônia, como nos vemos em trajes caseiros se pensamos no nosso domicílio. Essa imagem, se se exteriorizasse bastante, pareceria vestida. Podemos, pois, imaginar que nos casos de desdobramentos, que são objetivações inconscientes, a imagem das vestes acompanha sempre o Espírito e experimenta, como ele, um começo de materialização.

O mesmo se dá com os objetos usuais de que costumamos servir-nos: logo que neles pensamos, temos as suas representações mentais, que se pode projetar fluidicamente no espaço. É o que se passa no sonho, com a diferença de que tais produtos da imaginação, em geral, pouco duram. Há casos, no entanto, em que essas representações mentais persistem por certo tempo e se objetivam. Um exemplo:234

“Um de meus amigos – diz Bodi – viu, certa manhã, ao despertar, de pé junto à sua cama, uma personagem vestida à moda persa. Ele a via tão nitidamente, tão distintamente, como as cadeiras ou as mesas do quarto. Esteve, por isso, quase a levantar-se, para verificar de perto o que era aquele objeto, ou aquela personagem. Olhando, porém, com mais atenção, verificou que, ao mesmo tempo em que via a personagem tão bem quanto possível, igualmente via, com a maior nitidez, por trás dela, a porta do quarto. Ao descobrir isso, a visão sumiu-se. Lembrou-se então o meu amigo de que tivera um sonho no qual o principal papel coubera à imagem de um persa. Tudo assim se explicava de maneira satisfatória: tornava-se evidente que o sonho fora o ponto de partida da visão e que aquele, de certa forma, continuara depois do despertar. Houvera, portanto, simultaneamente, percepção de um objeto imaginário e percepção de um objeto real.”

Essa criação fluídica, essa espécie de fotografia mental mais ou menos persistente no espaço, também se revela nos casos seguintes:

O fisiologista Gruithuisen teve um sonho “em que viu principalmente uma chama violácea que, durante certo tempo após haver ele despertado, lhe deixou a impressão de uma mancha amarela complementar”.

O Sr. Galton publicou uma memória sobre a faculdade de ver números, de figurá-los imaginativamente, como se tivesse existência real. Cita notadamente o Sr. Bilder, que fez extraordinários prodígios no tocante a esse cálculo mental e que, de certa forma, consegue ver, pelos seus centros sensórios, números claramente traçados e colocados em bem determinada ordem.235

Eis agora uma série de experiências que parecem deixar firmado que a criação fluídica é uma realidade. Essas experiências foram feitas pelos Srs. Binet e Ferré,236 que, entretanto, é ocioso dizê-lo, explicam os fatos por meio da alucinação. Teremos ocasião de julgar se há cabimento para semelhante hipótese.

Examinemos em primeiro lugar um fenômeno que pode produzir-se em estado normal, ou por uma operação mental, ou, ainda, por sugestão, e nos será fácil demonstrar que, para a mesma experiência, produzida pela mesma causa, a explicação daqueles senhores passa a ser diferente, desde que nelas toma parte o hipnotizado.

1º – O estado normal. Sabe-se que, posto um objeto colorido diante de um fundo preto, se o olharmos fixamente durante certo tempo, em breve a nossa vista estará cansada e a intensidade da cor se enfraquece. Se dirigirmos então o olhar para um cartão branco, ou para o forro da casa, perceberemos uma imagem do objeto, mas de cor complementar, isto é, que formaria o branco, se se achasse reunida à do objeto. Sendo vermelho o objeto, a imagem é verde e vice-versa.

2º – O estado mental. “Se, com os olhos fechados, conservarmos a imagem de cor muito viva fixada por muito tempo diante do espírito e se, depois, abrindo bruscamente os olhos, os dirigirmos para uma superfície branca, veremos aí, por um instante, a imagem contemplada em imaginação, porém, na cor complementar. O experimentador chega, pois, a figurar para si a idéia do vermelho, de modo muito intenso, para ver, ao cabo de alguns minutos, uma mancha verde sobre uma folha de papel.” 237

Para que esta experiência tenha sentido, preciso se faz que o Espírito veja realmente as cores vermelhas, sem o que a cor complementar não aparecerá, pois que o operador não está hipnotizado. É indispensável que o olho seja impressionado, como o é normalmente, para dar a cor complementar. Se não for o olho, será um ponto correspondente dos centros nervosos. O esforço para criar o vermelho acaba certamente numa ação positiva, porquanto se traduz objetivamente pela mancha verde sobre o papel.

3º – Sugestão. Pede-se ao doente em estado sonambúlico que olhe com atenção para um quadrado de papel branco, em cujo centro há um ponto preto, a fim de lhe imobilizar o olhar. Sugere-se-lhe, ao mesmo tempo, que aquele pedaço de papel é de cor vermelha ou verde, etc. Ao fim de alguns instantes, apresenta-se-lhe um segundo quadrado de papel, tendo também, ao centro, um ponto preto. Bastará, então, atrair a atenção do doente sobre esse ponto, para que ele espontaneamente exclame que o ponto está no meio de um quadrado colorido e a cor que indica é a complementar da que se lhe mostrou por sugestão.

Ainda neste caso dizemos que há produção real da cor, ou diante dos olhos do hipnotizado, ou nos centros cervicais que lhes correspondem, porquanto ele ignora absolutamente a teoria das cores complementares. Se essa teoria se acha assim verificada, como de fato acontece, é que a cor sugerida existe na realidade, quer exteriormente ao paciente, quer interiormente, se o preferirem. Uma idéia abstrata não pode afetar os centros visuais e dar-lhes a impressão da realidade. Houve, pois, criação fluídica de uma cor vermelha e esta, se bem que produzida pela vontade, atua como se fosse visível para toda gente.

Pode-se chamar alucinação a essa sensação; mas, será preciso então acrescentar que é uma alucinação verídica, como a das aparições, visto que determinada por uma cor que tem existência própria, embora seja invisível para seres cujo sistema nervoso não se ache em estado de percebê-la.

Examinemos agora as outras experiências. Dizem textualmente os Srs. Binet e Ferré:

“O objeto imaginário que figura na alucinação é percebido nas mesmas condições em que o seria, se ele fosse real.”

Exemplo: Se por sugestão se faz aparecer um retrato sobre um cartão, cujas duas faces sejam de aparências inteiramente idênticas, a imagem será sempre vista sobre a mesma face do cartão e, qualquer que seja o sentido em que se lhe apresente, a hipnotizada saberá sempre colocar as faces e os bordos na posição que ocupavam no momento da sugestão, de tal modo que a imagem não fique invertida, nem inclinada. Se inverterem as faces do cartão, o retrato deixará de ser visto. Se se inverterem apenas os bordos, o retrato será visto de cabeça para baixo. Nunca a hipnótica é apanhada em falta. Quer se lhe cubram os olhos, quer se mudem as posições do objeto, operando por detrás dela, as respostas são sempre perfeitamente conformes à localização primitiva.

Se, depois de misturar com vários outros o papelão sobre o qual figura um retrato imaginário, o paciente for despertado e se lhe pedir que examine a coleção assim formada, ele o faz sem saber por que. Em seguida, ao dar com o papelão sobre o qual se operou a sugestão, aponta a imagem que se quis que ele visse.

Quando se olham objetos exteriores, colocando diante de um dos olhos um prisma, os objetos parecem duplos e uma das imagens sofre um desvio cujo sentido e grandeza se podem calcular. Ora, eis o que se obtém durante o sono hipnótico. Se se inculca à doente a idéia de que, sobre a mesa de cor escura que lhe está na frente, há um retrato de perfil, ela, despertada, vê distintamente o mesmo retrato. Se, então, sem a prevenir, se lhe coloca um prisma diante de um dos olhos, a paciente logo se admira de ver dois perfis, sendo a imagem falsa colocada sempre de acordo com as leis da Física. Dois dos nossos pacientes podem responder conformemente no estado de catalepsia, sem terem, no entanto, qualquer noção das propriedades do prisma. Aliás, pode-se dissimular para eles a posição precisa em que se coloca o prisma, escondendo-se-lhe os bordos. Se a base do prisma está para cima, as duas imagens ficam colocadas uma sobre a outra; se a base é lateral, as duas imagens ficam lateralmente colocadas. Enfim, pode-se aproximar suficientemente a mesa para que não seja duplicada, o que serviria de indício.

Quando se substitui o prisma por um binóculo, a imagem aumenta ou diminui, conforme o paciente olha pela ocular ou pela objetiva. Houve a precaução de dissimular a extremidade do binóculo que se lhe apresentou numa caixa quadrada, com dois furos nas faces opostas, em correspondência com os vidros. Evitou-se assim que o paciente percebesse, no campo do binóculo, objetos cujas mudanças de dimensões poderiam servir de indício. Teve-se também que pôr em foco o binóculo, para a vista do alucinado.

Continuando-se a aplicar as leis da refração, pôde-se, por meio de uma lente, aumentar o retrato sugerido. Colocado este a uma distância dupla da distância focal da lente pequena, foi ele visto invertido. Verificou-se, certa vez, com o microscópio, que se tornara enorme uma pata alucinatória de aranha.

Coloquemos agora o retrato imaginário diante de um espelho. Se houver sugerido que o perfil está voltado para a direita, no espelho ele aparecerá virado para a esquerda. Logo, a imagem refletida é simétrica da imagem alucinatória. Inverta-se pelos bordos o quadrado de papel, operando por detrás da doente: no espelho, o retrato aparece de cabeça para baixo e – circunstância digna de nota –, com o perfil voltado para a direita, o que também está de acordo com as leis da óptica.

Recapitulemos: o retrato imaginário está voltado para a direita, o espelho o faz parecer voltado para a esquerda e, se se inverter o papel, ele parece voltado para a direita. Aí já temos combinações que absolutamente não se inventam. Vamos, porém, complicar ainda mais a experiência. Substituamos o retrato por uma inscrição qualquer em muitas linhas. No espelho, a inscrição imaginária é lida às avessas, isto é, invertida da direita para a esquerda. Se invertemos as bordas do papel, a inscrição é lida com inversão de cima para baixo, tornando-se última a primeira linha e cessando, ao mesmo tempo, a inversão da direita para a esquerda. Esta experiência nem sempre é bem sucedida, mas muitas vezes o é ao cabo de uma série que exclui toda suspeita de fraude. “Haverá muita gente que, sabendo que a escrita é vista invertida da direita para a esquerda no espelho, se aperceba de que, invertendo-se a folha escrita, a inscrição fica invertida de cima para baixo, mas deixa de o estar da direita para a esquerda? O hipnótico zomba de todas essas dificuldades, que para ele não existem, porquanto ele vê, sem precisar de qualquer raciocínio.” 238

Como se hão de interpretar esses fenômenos? Se admitirmos que a vontade do operador cria momentaneamente, atuando sobre os fluidos, uma imagem invisível para os assistentes, mas perceptível para os olhos da histérica hipnotizada, tudo se compreende, por comportar-se o objeto invisível exatamente como o faria um objeto real. Mas, uma vez que os experimentadores não conhecem ou não crêem na nossa teoria, deixemos-lhes o encargo da explicação. Dizem eles:

“Tem-se de escolher entre as três suposições:

1º – Fez-se a sugestão; o paciente soube que se lhe colocava diante dos olhos um prisma com a propriedade de desdobrar os objetos, um binóculo que lhes aumenta o tamanho, etc. Esta primeira hipótese, porém, tem de ser afastada, porquanto, é de toda evidência que a doente ignora as propriedades complexas da lupa, do prisma simples, do prisma bi-refringente e do prisma de reflexão total. Quanto aos outros instrumentos que a doente poderia conhecer, como o binóculo, houve o cuidado de dissimulá-los em estojos. Logo, a menos se suponha que o operador tenha cometido a imprudência de anunciar de antemão o resultado, deve-se considerar certo que a sugestão, assim compreendida, nenhum papel desempenhou.

2º – Os instrumentos de óptica empregados modificaram os objetos reais que se achavam no campo visual do paciente e essas modificações lhe serviram de indícios para supô-los semelhantes no objeto imaginário. Esta segunda explicação, embora melhor do que a precedente, nos parece insuficiente. Tem contra si numerosos fatos já citados: a localização precisa da alucinação sobre um ponto que o operador não determina senão por meio de múltiplas mensurações; o reconhecimento do retrato imaginário sobre o cartão branco, misturado com seis outros cartões, para nós, inteiramente semelhantes; a inversão do retrato imaginário, pela inversão do cartão, à revelia da doente, etc. Adotaremos uma terceira hipótese já indicada.

3º – A imagem alucinatória sugerida se associa a um ponto de referência exterior e material, e são as modificações que os instrumentos de óptica imprimem a esse ponto material que, de ricochete, modificam a alucinação.”

A hipótese do ponto de referência, diremos nós, nada tem de compreensível, dadas as precauções, que os operadores tomam, de empregar ora uma mesa de cor escura, ora quadros ou cartões inteiramente semelhantes. Mas, suponhamos que, com efeito, haja um ponto de referência, que os instrumentos o desviem segundo as leis da óptica e que esse desvio se reproduza no espírito do paciente. Nem por isso deixa de ser verdade que as relações que liguem a alucinação a esse ponto de referência sofrem todos os desvios, todas as refrações que lhes imprimem os instrumentos, ou, por outra: a imagem ideal se reflete, se deforma, se desdobra, como uma imagem real. Ela tem, pois, uma existência objetiva.

Seja, se o quiserem, subjetivo o fenômeno e não possam outros comprová-lo; ele é, nada obstante, inegável e a sua natureza positiva se revela pelos mesmos resultados que daria qualquer objeto material, submetido às mesmas experiências.

Repetiremos, portanto, que, se a esse fenômeno se pode dar o nome de alucinação, esta é verídica, no sentido de que, conforme o dizem os Srs. Binet e Ferré, o paciente e o que ele vê não é um pensamento fugitivo, sem consciência, qualquer coisa de não substancial: é uma imagem, semelhante, em todos os pontos, à que seus olhos lhe retraçam todos os dias, imagem essa que, associada em seu espírito a um elemento exterior sobre o qual podem atuar os instrumentos, se comporta como na realidade. Ela, conseguintemente, é bem alguma coisa de positivo, que deve sua existência à vontade do operador.

Se for exata a hipótese do ponto de referência, o fenômeno será subjetivo; se, ao contrário, não houver necessidade do ponto de referência, ele é objetivo, a visão se opera pelo olho, num estado especial, determinado pela hipnose. Qualquer que seja o lado por que se encare a questão, é-se conduzido, cremos, a reconhecer que a criação fluídica é um fato inegável e que, uma vez mais, o ensino dos Espíritos se confirma por fenômenos que se desconheciam, quando estas verdades nos foram reveladas.

Os magnetizadores antigos adiantaram-se aos modernos hipnotizadores na maior parte das experiências em torno das quais se faz hoje tanto ruído, mas que só são novas para os que querem ignorar as de antanho.

Eis aqui um caso de criação fluídica pela ação da vontade, em o qual não há sugestão feita ao paciente, nem, portanto, ponto de referência.

Em seu livro: O magnetismo animal, o Dr. Teste relata a seguinte experiência por ele realizada em público:

“Sentado no centro do meu salão, imagino, tão nitidamente quanto me é possível, um tabique de madeira pintada, elevando-se à minha frente, até à altura de um metro. Quando essa imagem se acha bem fixada no meu cérebro, eu a realizo mentalmente por meio de alguns gestos. A Srta. Henriqueta H..., jovem sonâmbula tão impressionável que a faço adormecer em poucos segundos, está então desperta, no compartimento ao lado. Peço-lhe me traga um livro que deve estar ao seu alcance. Ela vem, com efeito, trazendo na mão o livro; mas, em chegando ao local onde eu levantara o meu tabique imaginário, pára de súbito. Pergunto-lhe por que não se aproxima um pouco mais.

– O senhor não vê, responde ela, que está cercado por um tabique?

– Que loucura! Aproxime-se.

– Não posso, afirmo-lhe.

– Como vê esse tabique?

– Tal qual é aparentemente... de madeira vermelha... Toco-o. Que singular idéia a sua de colocar isto aqui no salão!

Tento persuadi-Ia de que está sendo vítima de uma ilusão e, para a convencer, tomo-lhe as mãos e puxo para mim; seus pés, porém, se acham colados ao assoalho; somente a parte superior do seu corpo se inclina para frente. Por fim, exclama que lhe estou comprimindo o estômago de encontro ao obstáculo.”

Aqui, não há sugestão verbal; entretanto, o tabique realmente existe para a paciente.

Cremos mesmo que, em todas as alucinações naturais ou provadas, há sempre formação de uma imagem fluídica, que, no caso de enfermidade, pode decorrer do estado mórbido do paciente, ou da vontade do operador, em caso de sugestão. Quando se estuda atentamente grande número de observações, quais as que Brierre de Boismont 239 relatou, não há como não ficar impressionado pelo caráter de realidade que as perturbações dos sentidos têm para os pacientes. Estes descrevem minuciosamente suas visões, chegam a vê-las com uma intensidade que claramente denota não se tratar apenas de uma idéia a que emprestem uma representação, que há alguma coisa mais, que ela existe, porquanto o que mais exaspera é a negação dessa realidade.

Todo um estudo está por fazer-se acerca da distinção que se deve estabelecer entre uma alucinação propriamente dita, isto é, uma criação fluídica anormal, consecutiva a perturbações cerebrais, e o a que os espíritas chamam as obsessões.

Depois que este artigo foi escrito (julho de 1895), logramos obter provas objetivas da realidade da criação fluídica pela ação da vontade.

Possuímos provas fotográficas de formas mentais, radiografadas sobre uma chapa sensível, pela ação voluntária e consciente do pensamento do operador. O comandante Darget conseguiu, em duas ocasiões, exteriorizar o seu pensamento fixado numa garrafa, de modo a reproduzir essa imagem sobre uma chapa fotográfica, sem máquina, apenas tocando com a mão a chapa, do lado do vidro.240 Temos, pois, uma prova física certa, inatacável, do poder criador da vontade, poder que estudamos nas manifestações precedentes.

Um americano, Sr. Ingles Roggers, afirma que, tendo, depois de olhar durante longo tempo uma moeda, fixado, com toda a atenção que lhe era possível, uma chapa fotográfica, obteve um clichê em que se acha reproduzida a forma da moeda.241

Édison filho, por seu lado, declara 242 haver construído um aparelho por meio do qual a fotografia do pensamento se torna uma realidade positiva.

“Ainda não posso pretender, diz a esse propósito o jovem Édison, fazer que toda gente acredite que aquela sombra é a fotografia de um pensamento: por demais indistinta, falta-lhe o caráter indispensável para ser uma prova convincente. Mas, estou persuadido de que, dentro de certos limites, fotografei o pensamento.”

Notemos mais, que as imagens criadas pelos Srs. Binet e Ferré poderiam, provavelmente, ter sido radiografadas, pois que possuíam bastante objetividade para serem vistas pelos pacientes e obedecerem a todas as leis da óptica, consideração esta última que grande valor adquire para todo espírito imparcial.




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