David a morte de Sócrates


Segunda parte A experiência



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Segunda parte

A experiência

Capítulo I


Estudos experimentais sobre o
desprendimento da alma humana


O Espiritismo é uma ciência. – Aparição voluntária. – Vista a distância e aparição. – Fotografias dos duplos. – Efeitos produzidos por Espíritos de vivos. – Evocação do Espírito de pessoas vivas. – Espíritos de vivos manifestando-se pela mediunidade dita de incorporação. – Como pode o fenômeno produzir-se.

Uma ciência só se acha verdadeiramente constituída quando pode verificar, por meio da experiência, as hipóteses que os fatos lhe sugerem. O Espiritismo tem direito ao nome de ciência, porque não se há limitado à simples observação dos fenômenos naturais que revelam a existência da alma durante a encarnação terrena e depois da morte. Todos os processos empregou ele para chegar à demonstração de suas teorias e pode dizer-se que o magnetismo e a ciência pura lhe serviram de poderosos auxiliares para firmar a exatidão de seus ensinos.

Os numerosos exemplos registrados, do desdobramento da alma, mostraram que havia de ser possível a reprodução experimental de tais fenômenos. Grande número de pesquisas feitas nesse sentido e coroadas de êxito confirmaram essa possibilidade. Deu-se a denominação de animismo à ação extracorpórea da alma; mas, semelhante distinção é puramente nominal, pois que tais manifestações são sempre idênticas, quer durante a vida, quer após a morte.

Com efeito, a ação da alma, fora das limitações em que o corpo a encerra, não se traduz apenas por fenômenos de transmissão do pensamento ou de aparições; pode também assinalar-se por deslocamentos de objetos materiais, que lhe atestam a presença. Acham-se então os assistentes diante de fatos iguais aos que a alma desencarnada produz.

É esta uma observação da mais alta importância, mas a que não se tem dispensado bastante atenção. Se, verdadeiramente, o Espírito de um homem que vive na Terra, saindo momentaneamente do seu invólucro corpóreo, pode fazer que uma mesa se mova, de maneira a ditar uma comunicação por meio de um alfabeto convencional; se o Espírito de um encarnado é capaz de atuar sobre um médium escrevente, para lhe transmitir seus pensamentos; se, enfim, é possível se obtenha o molde da personalidade exteriorizada desse indivíduo, ocioso se torna atribuir esses mesmos fenômenos a outros fatores que não a almas desencarnadas, quando são observados nas manifestações espíritas, isto é, nas em que impossível se revela a intervenção de um ser vivo.

Segundo o método científico, desde que bem definidos ficam os efeitos de uma causa, basta depois se observem os mesmos efeitos, para haver a certeza de que a causa não mudou. Regra idêntica se deve aplicar no estudo dos fenômenos do Espiritismo. Pois que a alma humana tem o poder de agir fora do seu corpo, isto é, quando se acha no espaço, lógico é se admita que do mesmo poder dispõe ela depois da morte, se sobrevive integralmente e se se põe em comunicação com uns organismos vivos, análogos ao que possuía antes de morrer. Ora, sabemos, por testemunhos autênticos, que ela conserva um corpo real, mas fluídico; que nada perdeu de suas faculdades, pois que as exerce como outrora; logo, se os fatos observados de animismo são inteiramente semelhantes aos do Espiritismo, é que a causa é a mesma, ou seja, a alma em nós encarnada.

Essa relação de causa e efeito, que assinalamos nos casos de telepatia, vamos criá-la voluntariamente, de sorte a não ser mais possível atribuírem-se ao acaso, ou a coincidências fortuitas, os fenômenos que produzirmos. Numa palavra, procederemos experimentalmente, tendo em mira obter resultados previstos de antemão. Se as previsões se realizarem, é que são exatas as hipóteses segundo as quais as pesquisas se intentaram.

Vejamos, pois, as experiências que já não permitem dúvidas sobre a possibilidade de a alma sair do seu envoltório corporal. Elas são múltiplas e variadas, como mostraremos.

Voltemos, por um instante, aos Phantasms of the Living, a fim de extrairmos daí a narrativa seguinte, em que a manifestação é consecutiva à vontade de aparecer num lugar determinado.

Aparição voluntária


É interessante este caso,116 porque duas pessoas viram a aparição voluntária do agente. A narrativa foi copiada de um manuscrito do Sr. S. H. B., que o transcrevera de um diário em que ele próprio relatava os fatos que lhe sucediam cotidianamente.

“Certo domingo do mês de novembro de 1881, à noite, tendo acabado de ler um livro em que se falava do grande poder que a vontade humana é capaz de exercer, resolvi, com todas as minhas forças, aparecer no quarto de dormir situado na frente do segundo andar da casa de Hogarth Road, 22, Kensington. Nesse quarto dormiam duas pessoas de minhas relações: as Srtas. L. S. V. e C. E. V., de 25 e 11 anos de idade. Eu, na ocasião, residia em Kildare Gardens, 23, a uma distância de mais ou menos três milhas de Hogarth Road, e não falara a nenhuma das duas senhoritas da experiência que ia tentar, pela razão muito simples de que a idéia dessa experiência me viera naquela mesma noite de domingo, quando me ia deitar. Era meu intento aparecer-lhes à uma hora da madrugada e estava decidido a manifestar a minha presença.

Na quinta-feira seguinte fui visitar as duas jovens e, no curso da nossa palestra (sem que eu fizesse qualquer alusão à minha tentativa), a mais velha me relatou o seguinte episódio:

No domingo anterior, à noite, vira-me de pé junto de sua cama e ficara apavorada. Quando a aparição se encaminhou para ela, gritou e despertou a irmãzinha, que também me viu.

Perguntei-lhe se estava bem acordada no momento e ela me afirmou categoricamente que sim. Perguntando-lhe a que horas se passara o fato, respondeu que por volta de uma hora da manhã.

A meu pedido, escreveu um relato do ocorrido e o assinou.

Era a primeira vez que eu tentava uma experiência desse gênero e muito me impressionou o seu pleno e completo êxito.

Não me limitara apenas a um poderoso esforço de vontade; fizera outro, de natureza especial, que não sei descrever. Tinha a impressão de que uma influência misteriosa me circulava pelo corpo e também a de que empregava uma força que até então me fora desconhecida, mas que, agora, posso acionar, em certos momentos, a meu bel-prazer.

S. H. B.

Acrescenta o Sr. B...:

“Lembro-me de haver escrito a nota que figura no meu diário, quase uma semana depois do acontecido, quando ainda conservava muito fresca a lembrança do fato.”

A Srta. Vérity narra assim o episódio:

“Há quase um ano, um domingo à noite, em nossa casa de Hogarth Road, Kensington, vi distintamente o Sr. B... em meu quarto, por volta de uma hora da madrugada. Achava-me inteiramente acordada e fiquei aterrada. Meus gritos despertaram minha irmã, que também viu a aparição. Três dias depois, encontrando-me com o Sr. B..., referi-lhe o que se passara. Só ao cabo de algum tempo, recobrei-me do susto que tive e conservo tão viva a lembrança da ocorrência, que ela não poderá apagar-se da minha mente.

L. S. Vérity.

Respondendo a perguntas nossas, disse a Senhorita Vérity:

“Eu nunca tivera nenhuma alucinação.”

São características muitas circunstâncias desta narrativa e nos vão facilitar emitamos a nossa opinião.

Primeiramente, convém notar que a Srta. Vérity não é um paciente magnético, que nunca teve alucinações e que goza de saúde normal. A aparição se lhe apresenta com todos os caracteres da realidade. Ela se persuade tanto da presença física do Sr. B... no seu quarto, que solta um grito, quando o vê encaminhar-se para o seu leito. Verifica, portanto, que o fantasma se desloca com relação aos objetos circunjacentes, o que não se daria, se fosse interior a visão. Sua irmã desperta e também vê a aparição.

Ainda quando se suponha, o que já é difícil, dadas as circunstâncias, uma alucinação da Srta. Vérity, inteiramente improvável é que sua irmãzinha, ao despertar, também fosse presa imediatamente de uma ilusão. Na vida ordinária, não basta se diga a alguém: aqui está o Sr. tal, para que instantaneamente uma alucinação se produza. Logo, pois que a imagem do Sr. B... se desloca, que é percebida simultaneamente pelas duas irmãs, evidencia-se que ela tem uma existência objetiva, que se acha realmente no quarto.

Que conseqüências tirar dessa presença efetiva?

Posta de lado a alucinação como causa do fenômeno, temos de admitir que o Sr. B... desdobrou-se, isto é, que, conservando-se o seu corpo físico onde estava, sua alma se transportou ao aposento de Hogarth Road e pôde materializar-se bastante para dar às duas moças a impressão de que era ele em pessoa quem lá estava. Notaremos que nesse estado a alma reproduz identicamente a fisionomia, o talhe, os contornos do ser vivo. Ao demais, a distância que separa o corpo do seu princípio inteligente parece que em nada influi sobre o fenômeno. Notaremos também que essas observações são gerais e se aplicam a todos os casos espontâneos já observados.

O agente, no caso em apreço, pôde desdobrar-se voluntariamente. No caso que se segue, vamos ver que ele teve necessidade do auxílio de outrem, para chegar ao mesmo resultado.


Efeitos físicos produzidos por Espíritos de vivos


Nesta outra experiência o duplo logrou provar a sua presença por uma ação física. Devemo-la à Sra. de Morgan, esposa do professor que escreveu o livro: From matter to spirit (Da matéria ao Espírito).117

Ela tivera ocasião de tratar de urna moça por meio do magnetismo e muitas vezes se aproveitara da sua faculdade de clarividência para fazê-la ir, em Espírito, a diferentes lugares. Um dia, quis que a paciente se transportasse à casa que ela, Sra. Morgan, habitava. “Bem, disse a moça, aqui estou e bati com força à porta.” No dia seguinte, a Sra. Morgan se informou do que se passara em sua casa naquele momento. Responderam-lhe: “Um bando de meninos endiabrados veio bater à porta e em seguida fugiu.”

Noutro caso, o Espírito vivo que produziu a manifestação veio por causa de um dos assistentes. A narração fê-la o engenheiro Sr. Desmond Fitzgerald.118 Conta ele que um negro chamado H. E. Lewis possuía grande força magnética, da qual dava demonstração em reuniões públicas. Em Blackheath, no mês de fevereiro de 1856, numa dessas sessões, magnetizou uma moça a quem jamais vira. Depois de mergulhá-la em profundo sono, determinou-lhe que fosse à sua própria casa e revelasse ao público o que visse lá. Referiu ela então que via a cozinha, que aí se achavam duas pessoas ocupadas em misteres domésticos.

Ordenou-lhe então Lewis que tocasse numa dessas pessoas. A moça se pôs a rir e disse: “Toquei-a. Como ficaram aterradas as duas!” Dirigindo-se ao público, Lewis perguntou se algum dos presentes conhecia a moça. Como alguém lhe respondeu afirmativamente, propôs que uma comissão fosse à casa da paciente. Diversas pessoas para lá se dirigiram e, ao regressarem, confirmaram em todos os pontos o que, adormecida, a moça dissera. Toda a gente da casa estava atarantada e em profunda excitação, porque uma das pessoas que se achava na cozinha declarara ter visto um fantasma e que este lhe tocara no ombro.

Pode-se colocar em paralelo com esta observação a do Dr. Kerner, em que o duplo da sonâmbula Susana B... apareceu ao Dr. Rufi e lhe apagou a vela.

Temos também um caso de batimentos, em completa analogia com os que os Espíritos produzem.119

Uma Sra. Lauriston, de Londres, tem uma irmã residente em Southampton. Certa noite, estando esta última a trabalhar em seu quarto, ouviu três pancadas na porta. “Entre”, disse ela. Ninguém, todavia, entrou. Como, porém, as pancadas se repetissem, ela se levantou e abriu a porta. Não havia pessoa alguma. A Sra. Lauriston, que estivera gravemente enferma, voltando a si, referiu que, tomada do ardente desejo de rever a irmã antes de morrer, sonhara que fora a Southampton, que batera à porta do quarto da irmã e que, depois de bater segunda vez, sua irmã se apresentara à porta, mas que a impossibilidade em que ela, visitante, se achara para falar à outra a emocionara tanto, que a fez voltar a si.

Precisaríamos de muito maior espaço do que o de que podemos dispor, para citar os numerosos testemunhos existentes com respeito às ações físicas exercidas pelas almas dos moribundos, com o intuito de se fazerem lembradas de parentes ou amigos distantes. A tal propósito, podem consultar-se as obras de Perty: Ação dos moribundos a distância e O Moderno Espiritualismo. Os Proceedings da Sociedade de Pesquisas e os Phantasms of the Living relatam uma imensidade deles. Não insistiremos, pois, sobre esses fenômenos, fora que estão, absolutamente, de toda dúvida.120


Fotografias de duplos


Os fatos que até aqui temos relatado firmam a realidade dos fantasmas de vivos, isto é, a possibilidade, em certos casos, do desdobramento do ser humano. Tais aparições reproduzem, com todas as minúcias, o corpo físico e também às vezes manifestam a sua realidade por meio de deslocamentos de objetos materiais e por meio da palavra. Já expendemos as razões pelas quais a hipótese da alucinação telepática nem sempre é admissível e, se essas razões não convenceram a todos os leitores, esperamos que os fatos que seguem bastarão para mostrar, com verdadeiro rigor científico, que, na realidade, a alma é a causa eficiente de todos esses fenômenos.

As objeções todas caem por si mesmas, diante da fotografia do espírito fora do seu corpo. Neste caso, nenhuma ilusão mais é possível; a chapa fotográfica é testemunho irrefutável da realidade do fenômeno e será necessário uma prevenção muito enraizada para negar a existência do perispírito. Vamos citar diversos exemplas que tomamos ao Sr. Aksakof.121

O Sr. Humber, espiritualista muito conhecido, fotografou um jovem médium, Sr. Herrod, a dormir numa cadeira, em estado de transe, e no retrato via-se, por detrás do médium, a sua própria imagem astral, isto é, o seu perispírito, em pé, quase de perfil e com a cabeça um pouco inclinada para o paciente.

Outro caso de fotografia de um duplo atesta-o o juiz Carter, em carta de 31 de julho de 1875 à Banner of Light, transcrita em Human Nature de 1875, págs. 424 e 425.

Finalmente, o Sr. Glandinning, no Spiritualist, numero 234 (Londres, 15 de fevereiro de 1877, pág. 76), assinala terceiro caso de fotografia de duplo, o de um médium em lugar que este ocupara alguns minutos antes.

Veremos que o pensamento é uma força criadora e que, assim sendo, se poderia imaginar que tais fotografias resultam de um pensamento que o agente exteriorizou. A seguinte experiência, porém, estabelece que semelhante hipótese carece de base, pois que o duplo não é simples imagem, mas um ser que atua sobre a matéria.


O caso do Sr. Stead


O Borderland, de abril de 1876, pág. 175, traz um artigo de W. T. Stead sobre uma fotografia do Espírito de um vivo. Eis o resumo do relatado ali:

A Sra. A... é dotada da faculdade de se desdobrar e de apresentar-se a grande distância, com todos os atributos de sua personalidade. O Sr. Z... lhe propôs fotografar-lhe o duplo e combinou que ela se fecharia no seu quarto, entre 10 e 11 horas, e que se esforçaria por aparecer em casa dele, no seu gabinete de trabalho.

A tentativa abortou, ou, pelo menos, se o Sr. Z... sentiu a influência da Sra. A..., não se serviu do seu aparelho fotográfico, temendo nada obter. A Sra. A... concordou em repetir a experiência no dia seguinte e, como se achasse indisposta, deitou-se e dormiu. O Sr. Z... viu o duplo entrar-lhe no gabinete à hora aprazada e pediu licença para fotografá-lo, depois de lhe cortar uma mecha de cabelos para tornar-lhe indubitável a presença real. Batida a chapa e cortada a mecha, ele se meteu na câmara escura, para proceder à revelação do negativo.

Ainda não havia um minuto que para ali entrara, quando ouviu forte estalido, que o fez sair a verificar o que acontecera. Ao entrar no gabinete, encontrou sua mulher, que subira à pressa, por também haver escutado o estalido. O duplo desaparecera; mas, o quadro que servira de fundo durante a exposição da chapa fora arrancado do suporte, quebrado ao meio e atirado ao chão. A Sra. A..., que nesse momento se achava deitada em sua cama, não tinha, ao despertar, a menor idéia do que se passara.

A fotografia do seu duplo existe e o Sr. Stead possui o negativo. A lembrança do que sucedera durante o desprendimento apagou-se com a volta da paciente ao estado normal.

Outro caso agora, em que a lembrança permanece.


Outras fotografias de duplos


Em seu livro sobre a iconografia do invisível,122 o Dr. Baraduc, à pág. 122 (Explicações, XXIV bis), reproduz uma fotografia obtida por telepatia entre o Sr. Istrati e o Sr. Hasdeu, de Bucareste, diretor do ensino na Romênia. Eis aqui, textualmente, como foi ela conseguida:

“Indo o Dr. Istrati para Campana, convencionou com o Dr. Hasdeu que, numa data prefixada, apareceria numa chapa fotográfica do sábio romeno, a uma distância mais ou menos igual à que há entre Paris e Calais.

A 4 de agosto de 1893, o Dr. Hasdeu, ao deitar-se à noite, evoca o Espírito de seu amigo, com um aparelho fotográfico nos pés da cama e outro à cabeceira.

Após uma prece ao seu anjo protetor, o Dr. Istrati adormece em Campana, formando, com toda a força de sua vontade, o desejo de aparecer num dos aparelhos do Dr. Hasdeu. Ao despertar, exclama: “Tenho a certeza de que me apresentei ao aparelho do Sr. Hasdeu, como figurinha, pois sonhei isso muito distintamente.”

Escreve ao professor P... que, levando consigo a carta, encontra o Sr. Hasdeu em preparativos para revelar a chapa.

Copio textualmente a carta do Sr. Hasdeu ao Sr. de R... que ma transmitiu:

“Na chapa A, vêem-se três impressões, uma das quais, a que marquei no verso com uma cruz, extremamente satisfatória. Vê-se aí o doutor a olhar atentamente para o obturador do aparelho, cuja extremidade de bronze é iluminada pela luz própria do Espírito.”

O Sr. Istrati volta a Bucareste e fica espantado diante do seu perfil fisionômico. É muito característica a sua imagem fluídica, no sentido de que o exprime com mais exatidão do que o seu perfil fotográfico. Assemelham-se muito a reprodução, em tamanho pequeno, do retrato e a fotografia telepática.”

Para terminar, lembraremos que o Capitão Volpi também conseguiu obter a fotografia do duplo de uma pessoa viva que se fora fotografar.123 A imagem astral é muito visível e apresenta características especiais, que não permitem se lhe ponha em dúvida a autenticidade.

Materialização de um desdobramento


O ponto culminante da experimentação, no que concerne ao desdobramento, foi alcançado com o médium Eglinton. Um grupo de pesquisadores, de que faziam parte o Dr. Carter Blake e os Srs. Desmond, G. Fitz Gerald, M. S. Tel e E..., engenheiros telegrafistas, afirma que, a 28 de abril de 1876, em Londres, obtiveram, em parafina, um molde exato do pé direito do médium, que nem um instante fora perdido de vista por quatro dos assistentes.

O atestado da realidade do fenômeno apareceu no Spiritualist de 1876, pág. 300, redigido nos seguintes termos:

Desdobramento do corpo humano. O molde em parafina de um pé direito materializado, obtido numa sessão à rua Great Russell, 38, com o médium Eglinton, cujo pé direito se conservou, durante toda a experiência, visível aos observadores colocados fora do gabinete, verificou-se que era a reprodução exata do pé do Sr. Eglinton, verificação essa resultante do minucioso exame a que procedeu ao Dr. Carter Blake.” 124

Não é único o exemplo; mas, é notável pela alta competência científica dos observadores e pelas condições em que foi obtida tão palpável prova do desdobramento.

Nas experiências que o Sr. Siemiradeski realizou com Eusápia, foram conseguidas muitas vezes, em Roma, impressões do seu duplo sobre superfícies enegrecidas com fumaça. Veja-se a obra do Sr. de Rochas: A exteriorização da motricidade.

Como se há de negar, em face de provas tais! Todas as condições se acham preenchidas, para que a certeza se imponha com irresistível força de convicção.

Recomendamos esses notáveis estudos muito especialmente aos que negam ao Espiritismo o título de ciência. Eles mostram a justeza das deduções que Allan Kardec tirou de seus trabalhos, há cinqüenta anos, ao mesmo tempo em que nos abrem as portas da verdadeira psicologia positiva, da que empregará a experimentação como auxiliar indispensável do senso íntimo.

Que dizer e que pensar dos sábios que fecham os olhos diante dessas evidências? Queremos acreditar que não têm conhecimento de tais pesquisas; que, cegados pelo preconceito, estão ainda a imaginar que o Espiritismo reside inteiro no movimento das mesas, pois, se assim não fora, haveria, da parte deles, verdadeira covardia moral no mutismo que guardam em presença da nossa filosofia.

A conspiração do silêncio não pode prolongar-se indefinidamente. Os fenômenos hão repercutido e ainda repercutem fortemente; os experimentadores têm valor científico solidamente firmado, para que haja quem não se lance resolutamente ao estudo. Sabemos bem que esta demonstração irrefutável da existência da alma é a pedra de escândalo donde nos vêm as inimizades, os sarcasmos e a nossa exclusão do campo científico. Mas, queiram ou não, os materialistas já se acham batidos. Suas afirmações errôneas são destruídas pelos fatos. Será inútil valerem-se das retumbantes palavras “superstição”, “fanatismo”, etc. A verdade acabará por esclarecer o público, que lhes repudiará as teorias antiquadas e desmoralizadoras, para volver à grande tradição da imortalidade, hoje assente sobre bases inabaláveis.

Agora que temos a prova científica do desdobramento do ser humano, muito mais fácil será compreenderem-se os variados fenômenos que a alma humana pode produzir, quando sai do seu corpo físico.


Evocações do Espírito de pessoas vivas

Comunicações pela escrita


É doutrina constante do Espiritismo que a alma, quando não está em seu corpo, goza de todas as faculdades de que dispõe quando na erraticidade se encontra. Cada um de nós, durante o sono corporal, readquire parte da sua independência e pode, conseguintemente, manifestar-se. Allan Kardec consignou em sua revista muitos exemplos dessas evocações.125

“Em 1860, foi o Espírito do Dr. Vignal que veio espontaneamente dar, por um médium escrevente, pormenores sobre esse modo de manifestação. Descreveu como percebia a luz, as cores e os objetos materiais. Não podia ver-se a si mesmo num espelho, sem a operação pela qual o Espírito se torna tangível.126 Comprovou a sua individualidade pela existência do seu perispírito que – embora fluídico – tinha para ele a mesma realidade que o seu envoltório material e também pelo laço que o prendia ao seu corpo adormecido.”

Outro Espírito, não prevenido, se manifesta, no mesmo ano, em virtude de uma evocação. É o da Srta. Indermulhe, surda e muda de nascença que, entretanto, exprime com clareza seus pensamentos. Por certas particularidades características que lhe estabelecem a identidade, um seu irmão a reconhece. Sob o título: O Espiritismo de um lado e de outro lado o Corpo, em o número de janeiro, de 1860, a Revue relata a evocação de uma pessoa viva, feita com autorização sua. Daí resultou interessante colóquio sobre as situações respectivas do corpo e do espírito, durante o transporte deste a distância; sobre o laço fluídico que os prende um ao outro; e sobre ser a clarividência do Espírito ligado ao corpo, inferior à do Espírito desligado pela morte. Ainda neste caso, o Espírito emprega torneios de frases, idênticos aos de que habitualmente se serve na vida corrente.

Para os pormenores, recomendamos aos leitores os números citados da Revue. Eles poderão convencer-se de que há já 40 anos que os fenômenos do animismo foram bem estudados; que nenhum cabimento há para que deles se separem os fenômenos espíritas propriamente ditos, pois que uns e outros são devidos à mesma causa: a alma.

Pode quem quer que seja evocar o Espírito de um cretino ou o de um alienado e convencer-se experimentalmente de que o princípio pensante não é louco. O corpo é que se acha enfermo e não obedece por isso às volições da alma, donde dolorosa e horrível situação, constituindo uma das mais temíveis provas.127

O Sr. Alexandre Aksakof consagrou parte do seu livro Animismo e Espiritismo a relatar casos, extremamente numerosos, de encarnados manifestando-se a amigos ou a estranhos, pelos processos espiríticos. Resumamos alguns dos mais característicos exemplos dessas observações.128

O muito conhecido escritor russo Wsevolod Solowiof conta que freqüentemente sua mão era presa de uma influência estranha à sua vontade e, então, escrevia com extrema rapidez e muita clareza, mas da direita para a esquerda, de sorte a não se poder ler o escrito, senão colocando-o diante de um espelho, ou por transparência.

Um dia, sua mão escreveu o nome “Vera”. Como perguntasse: Que Vera? Obteve por escrito o nome de família de uma jovem sua parente. Admirado, insistiu, para saber se era, na realidade, a sua parente quem assim se manifestava. Respondeu a inteligência: “Sim; durmo, mas estou aqui e vim para lhe dizer que nos veremos amanhã, no Jardim de Verão.” Efetivamente assim aconteceu, sem premeditação da parte do escritor. A moça, por seu lado, dissera à família que visitara em sonho o seu primo e lhe anunciara o encontro que teriam.129

Existe, pois, uma prova material: o escrito da visita perispirítica do Espírito da moça que, por clarividência, anuncia um acontecimento futuro. Passados dias, outro fato similar se produziu, quase nas mesmas condições e com as mesmas personagens.

Agora, um segundo exemplo, extraído do artigo de Max Perty, intitulado: Novas experiências no domínio dos fatos místicos, exemplo que é dos mais demonstrativos.

A Srta. Sofia Swoboda, durante uma festa de família que se prolongou até muito tarde, lembrou-se de repente de que não fizera o seu dever de aluna. Como estimasse muito a sua professora e não quisesse contrariá-la, tentou pôr-se a trabalhar. Eis, porém, que, sem saber como e sem mesmo se surpreender, julgou achar-se na presença da Sra. W..., a professora em questão. Fala-lhe e lhe comunica, em tom de aborrecimento, o que sucedera. Súbito, a visão desaparece e Sofia, calma de espírito, volta para a festa e narra aos convidados o que se passara. A professora, que era espírita, naquela mesma noite, por volta das dez horas, tomara de um lápis para se corresponder com o seu defunto marido e ficou espantada, ao verificar que escrevera palavras alemãs, com uma caligrafia em que reconheceu a de Sofia. Eram desculpas formuladas em tom jocoso, a propósito do esquecimento involuntário da sua tarefa. No dia seguinte, houve Sofia de reconhecer não só que era sua a caligrafia da mensagem, como também que as expressões eram as que empregara no fictício colóquio que tivera com a Sra. W...

Em seu artigo, Perty relata outro caso, particularmente edificante pelas circunstâncias que o cercaram e devido ao Espírito da mesma Srta. Sofia:

A 21 de maio de 1866, dia de Pentecostes, Sofia, que morava em Viena, depois de um passeio pelo Prater, foi tomada de violenta dor de cabeça que a obrigou a deitar-se, por volta das três horas da tarde. Sentindo-se em boas disposições para se desdobrar, transportou-se rápido em pensamento a Mœdling, à casa do Sr. Stratil, sogro de seu irmão Antônio. Viu, no gabinete do Sr. Stratil, um moço, o Sr. Gustavo B..., a quem estimava muito e desejava dar uma prova da independência da alma com relação ao corpo. Dirigiu-se ao rapaz em tom jovial e carinhoso, mas, de repente, calou-se, chamada a Viena por um grito que partira do quarto vizinho ao seu, onde dormiam seus sobrinhos e sobrinhas. A palestra de Sofia com o Sr. B... apresentava os caracteres de uma mensagem espírita dada a um médium.

Querendo certificar-se com relação à personalidade que se manifestara, o Sr. Stratil escreveu à sua filha, que se achava em Viena, em companhia da família da Srta. Sofia, fazendo-lhe estas perguntas: como passara Sofia o 21 de maio? Que fizera? Não estivera a dormir, naquele dia, entre três e quatro horas? No caso afirmativo, que sonho tivera?

Interrogada, a Srta. Sofia falou, com efeito, de um desdobramento seu, enquanto dormia; mas, a brusca chamada de seu espírito ao corpo lhe fizera esquecer a maior parte da conversa em que se empenhara. Entretanto, lembrava-se de ter conversado com dois senhores e de haver, em certo momento, experimentado desagradável sensação, proveniente de um dissídio com os seus interlocutores. Respondendo a esses pormenores, o Sr. Stratil expediu para Viena, a seu genro, uma carta lacrada, com o pedido de não falar dela a Sofia, enquanto esta não recebesse uma do Sr. B... Passados alguns dias, a tal carta se achava completamente esquecida, em meio das preocupações cotidianas.

A 30 de maio, recebeu Sofia, pelo correio, uma carta galante do Sr. B..., com um retrato seu. Dizia assim:

“Senhora,

Aqui me tem. Reconhece-me? Se assim for, peço me designe um lugar modesto, seja no rebordo do teto, seja na abóbada. Muito grato lhe ficaria se não me suspendesse, caso fosse possível. Mais valera que me relegasse para um álbum, ou para o seu livro de missa, onde eu facilmente poderia passar por um santo cujo aniversário se festejasse a 28 de dezembro (dia dos Inocentes). Se, porém, não me reconhece, nenhum valor poderá dar ao meu retrato e, nesse caso, eu muito lhe agradeceria que mo devolvesse.

Queira aceitar, etc.

(Assinado): N. N.

Os termos e a fraseologia eram familiares à moça. Pareciam-lhe seus. Ela, entretanto, apenas vaga lembrança deles guardava. Como falasse do fato a seu irmão Antônio, abriram a carta do Sr. Stratil. Continha o texto de uma conversa psicográfica com invisível personagem, numa sessão em que as perguntas eram formuladas pelo próprio Sr. Stratil, servindo de médium o Sr. B...

Segundo esse documento, o Espírito de Sofia diz que seu corpo se acha em profundo sono, que ela dita a carta que o Sr. B... enviou-lhe e que ouve, como se estivesse sonhando, as crianças a gritar. Termina com estas palavras: Adeus, desp... são quatro horas.

À medida que lia o referido documento, cada vez mais precisas se iam tornando as lembranças de Sofia que, de quando em quando, exclamava: “Oh! sim; é bem isso.” Concluída a leitura, ela, na posse plena da sua memória, se recordava de todos os pormenores que olvidara ao despertar. Antônio notou que a caligrafia do documento se assemelhava muito à de Sofia nos seus deveres em francês, mostrando-se ela do mesmo parecer.

Nesta observação se nos deparam todos os caracteres necessários a estabelecer a identidade do ser que se manifestara. Nada falta. Aquela carta ditada pelo Espírito de Sofia, numa escapada perispirítica, com o pedido da fotografia, lhe desperta as lembranças e, até mesmo a grafia, tudo confirma ter sido ela quem se manifestou. Há, pois, a mais completa semelhança, a maior analogia entre essa comunicação dada pelo espírito de uma pessoa viva e as que todos os dias recebemos dos Espíritos que já viveram na Terra.

Deve ler também, na obra do sábio russo, os relatos da Sra. Adelina Von Vay, do Sr. Thomas Everitt, da Sra. Florence Marryat, da Srta. Blackwell, do Juiz Edmonds, quem deseje verificar que a comunicação dos Espíritos dos vivos, pela escrita mediúnica – se bem menos freqüente – é tão possível e tão normal quanto a dos mortos.130 A identidade desses seres invisíveis, mas ainda pertencentes ao nosso mundo, se estabelece da mesma maneira que a dos desencarnados.

Espíritos de vivos manifestando-se pela incorporação


A Sra. Hardinge Britten, escritora espírita bastante conhecida, em muitos artigos publicados pelo Banner of Light 131 “sobre os duplos”, refere um caso interessante ocorrido em casa do Sr. Cuttler, no ano de 1853: “Um médium feminino se pôs a falar alemão, embora desconhecesse completamente esse idioma. A individualidade que por ela se manifestava dava-se como mãe da Srta. Brant, jovem alemã que se achava presente.” Passado algum tempo, um amigo da família, vindo da Alemanha, trouxe a notícia de que a mãe da Srta. Brant, após séria enfermidade, em virtude da qual caíra em prolongado sono letárgico, declarara, ao despertar, ter visto a filha, que se encontrava na América. Disse que a vira num aposento espaçoso, em companhia de muitas pessoas, e que lhe falara. Ainda aí, é tão evidente a relação de causa e efeito, que não nos parece devamos insistir.

O Sr. Damiani,132 por seu lado, narra que nas sessões da baronesa Cerrapica, em Nápoles, receberam-se muitas vezes comunicações provindas de pessoas vivas. Diz, entre outras coisas:

“Há cerca de seis semanas, o Dr. Nehrer, nosso comum amigo, que vive na Hungria, seu país natal, se comunicou comigo por via do nosso médium, a baronesa. Não podia ser mais completa a personificação: com absoluta fidelidade o médium reproduzia os gestos, a voz, a pronúncia daquele amigo, de sorte a nos persuadirmos de que tínhamos em nossa presença o próprio Dr. Nehrer. Disse-nos que naquele momento cochilava um pouco, para repousar das fadigas do dia e nos comunicou diversos detalhes de ordem privada, que todos os assistentes ignoravam. No dia seguinte, escrevi ao doutor. Em sua resposta, ele afirmou exatos em todos os pontos os detalhes que a baronesa nos transmitira.”

Outras materializações de duplos de vivos


Passamos em revista diversas manifestações da alma momentaneamente desprendida do seu corpo material. Nas materializações, porém, é que a ação extracorpórea do homem alcança o mais alto ponto de objetividade, visto que se traduz por fenômenos intelectuais, físicos e plásticos.

Só o Espiritismo faculta a prova absoluta desses fenômenos. Não obstante todas as controvérsias, já agora está perfeitamente firmado que os irmãos Davenport não eram vulgares charlatães. Apenas, o que deu lugar a supor-se houvesse embuste da parte deles, foi que as manifestações se produziam, as mais das vezes, por meio de seus perispíritos materializados.133

Nas experiências levadas a efeito em presença do prof. Mapes, este, bem como sua filha, puderam comprovar o desdobramento dos braços e das mangas do médium.

Idênticas observações foram feitas na Inglaterra com outros médiuns. O Sr. Cox relata um caso em que as mais rigorosas condições de fiscalização foram postas em prática. Citemo-lo, segundo o Sr. Aksakof.

Trata-se de um médium de materialização, cuja presença no gabinete das experiências é garantida por uma corrente elétrica que lhe atravessa o corpo. Se o médium tentasse enganar, desligando-se, o embuste seria imediatamente denunciado pelo deslocamento instantâneo da agulha de um galvanômetro. Fala deste modo o Sr. Cox:134

“Em sua excelente descrição da sessão de que se trata, diz o Sr. Crookes que uma forma humana completa foi por mim vista, assim como por outras pessoas. É verdade. Quando me restituíam meu livro, a cortina se afastava bastante, para que se visse quem entregava. Era a forma da Sra. Fay, integral, com a sua cabeleira, seu porte, seu vestido de seda azul, seus braços nus até ao cotovelo, adornados com braceletes de finas pérolas. Nesse momento, o aparelho nenhuma interrupção registrou da corrente galvânica, o que inevitavelmente se teria dado, se a Sra. Fay houvesse soltado das mãos os fios condutores. O fantasma apareceu do lado da cortina oposto ao em que se encontrava a Sra. Fay e a uma distância de, pelo menos, oito pés da sua cadeira, de sorte que lhe fora impossível, de qualquer maneira, alcançar aquele livro na estante, sem se desprender dos fios condutores. Entretanto, repito, a corrente não sofreu a mínima interrupção.

Outra testemunha viu o vestido azul e os braceletes. Nenhum de nós comunicou o que vira aos demais, antes de acabada a sessão. As nossas impressões, por conseguinte, são absolutamente pessoais e independentes de qualquer influência.”

Estamos em presença de uma experiência concludente em absoluto, não só pela grande competência dos observadores, como também porque as precauções tomadas foram rigorosamente científicas. Tornado impossível o deslocamento do corpo, sem que fosse imediatamente denunciado pela variação da corrente elétrica, uma vez que a aparência da Sra. Fay se mostrou com bastante tangibilidade para tomar de um livro e entregá-lo a uma pessoa, é claro que houve desdobramento daquele médium, com inegável materialização.

Já vimos que os Anais Psíquicos, de setembro-outubro de 1898, trazem uma narrativa da qual consta que o duplo de uma senhora foi observado por mais de uma hora, numa igreja, tendo nas mãos um livro de orações.

Nas experiências feitas com Eusápia Paladino e em que muitos eram os observadores, foi possível comprovar-se materialmente o seu desdobramento. Na Revue Spirite de 1889, o Dr. Azevedo publicou o relato de uma experiência em que a mão fluídica de Eusápia produzira, à plena luz, a marca de três dedos.

O coronel de Rochas, em sua obra A exteriorização da motricidade,135 publica o fac-símile de uma moldagem da mão natural do médium, ao lado de uma fotografia dos braços deixados na argila. Notam-se as maiores analogias entre as duas impressões. Aos apresentados poderíamos juntar muitos outros documentos; preferimos, porém, aconselhar aos leitores que se reportem aos originais. Temos dito a respeito o bastante para que a convicção se imponha de que a ação física e psíquica do homem não se limita ao seu organismo material.

Como se produz esse estranho fenômeno? As narrativas anteriormente reproduzidas não no-lo dão a saber. Nelas, vemos perfeitamente a alma fora dos limites do organismo; porém, não assistimos à sua saída do invólucro corpóreo. As pesquisas do Sr. de Rochas lançaram forte luz sobre esses desdobramentos. Vamos, pois estudá-las.





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