David a morte de Sócrates


Capítulo II As pesquisas do Sr. de Rochas e do Dr. Luys



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Capítulo II
As pesquisas do Sr. de Rochas e do Dr. Luys


Pesquisas experimentais sobre as propriedades do perispírito. – Os eflúvios. – A exteriorização da sensibilidade. – Hipótese. – Fotografia de uma exteriorização. – Repercussão, sobre o corpo, da ação exercida sobre o perispírito. – Ação dos medicamentos a distancia. – Conseqüências que dai decorrem.

A par das narrativas dos sonâmbulos e dos médiuns videntes, as comunicações dos Espíritos, confirmadas pelas fotografias e pelas materializações de vivos e de desencarnados, atestam que a alma tem sempre uma forma fluídica.

A existência desse envoltório da alma, a que os espíritas dão o nome de perispírito, também ressalta evidente dos fatos acima relatados. Esse duplo etéreo, inseparável do espírito, existe, pois, no corpo humano em estado normal e recentes experiências nos vão permitir o estudo experimental do novo órgão.

Acabamos de apreciar a exteriorização completa da alma humana. Fotografamo-la no espaço, quando quase livre, e num estado próximo do em que virá a achar-se por efeito da morte. – Interessa saber por que processos pode esse fenômeno produzir-se. – Ao mesmo tempo em que nos instruirá acerca da maneira pela qual se dá a saída astral, este estudo nos fará adquirir noções diretas sobre as propriedades do perispírito, conhecimentos que nos serão preciosos por esclarecer-nos quanto ao gênero da matéria que o constitui.


Pesquisas experimentais sobre as propriedades do perispírito


Um sábio investigador, o Sr. de Rochas,136 chegou a estabelecer a objetividade da luz ódica, que o barão de Reichenbach atribuía a todos os corpos cujas moléculas guardam uma orientação determinada.137 Ele examinou particularmente os eflúvios produzidos pelos pólos de um poderoso eletroímã – com o auxílio de um paciente hipnótico –, fazendo-o analisar as luzes que via, mediante o espectroscópio, que dá os comprimentos de onda característicos de cada cor e verificando-lhe as informações por uma contraprova, isto é, por meio da luz polarizada. As interferências e as intensificações da luz se revelaram sempre de acordo com o que deve passar-se no estudo de uma luz realmente percebida.

Dessas experiências parece resultar que os eflúvios poderiam ser devidos unicamente às vibrações constitucionais dos corpos, transmitindo-se ao éter ambiente. Mas, será preciso talvez ir mais longe e admitir que há emissão, por arrastamento, de certo número de partículas que se destacam do próprio corpo, dado que os eflúvios ondulam, como as chamas, em virtude dos deslocamentos do ar.138

O corpo humano emite, pois, eflúvios de coloração variável, conforme os pacientes. Uns vêem vermelho o lado esquerdo, como vêem igualmente matizados os jatos fluídicos que saem de todas as aberturas da figura humana. Outros invertem essas cores, que, entretanto, se conservam dispostas sempre de maneira semelhante para o mesmo paciente, se a experiência não se prolonga demasiadamente. Avançando em seus estudos sobre a hipnose, o sábio pesquisador chegou a descobrir notáveis modificações na maneira pela qual se comporta a sensibilidade. Acreditava-se, até então, que o domínio desta não ia além da periferia do corpo. Houve, porém, de reconhecer-se que ela se pode exteriorizar.

Afirma o Sr. de Rochas:

“Vou retomar agora o estudo das modificações da sensibilidade, servindo-me, primeiro, das indicações de um paciente A, cujos olhos foram previamente conduzidos ao estado em que vêem os eflúvios exteriores,139 o qual examina o que se passa quando magnetizo outro paciente B, que apresenta, no estado de vigília, normal sensibilidade cutânea.

Desde que, neste, a sensibilidade cutânea principia a desaparecer, a penugem luminosa que lhe recobre a pele no estado de vigília parece dissolver-se na atmosfera, para surgir de novo, ao cabo de algum tempo, sob a forma de ligeira névoa que, pouco a pouco, se condensa, tornando-se cada vez mais brilhante, de maneira a tomar, em definitivo, a aparência de uma camada muito delgada, acompanhando, a três ou quatro centímetros distante da pele, todos os contornos do corpo.

Se eu, magnetizador, atuo de qualquer modo sobre essa camada, B experimenta as mesmas sensações que experimentaria se lhe atuasse sobre a pele, nada sente, ou quase nada, se atuo alhures, que não sobre a aludida camada. Nada sente, tampouco, se atuar uma pessoa que não esteja em relação com o magnetizador.

Se continuo a magnetização, A vê formar-se em torno de B uma série de camadas eqüidistantes, separadas por um intervalo de seis ou sete centímetros (o dobro da distância entre a primeira camada e a pele) e B só sente os contactos, as picadas e as queimaduras quando feitas nessas camadas, que se sucedem por vezes até dois ou três metros, interpenetrando e entrecruzando-se, sem se modificarem, pelo menos de maneira apreciável. A sensibilidade nelas diminui, à medida que se afastam do corpo.

Conhecido assim o processo de exteriorização da sensibilidade, Muito mais fácil se tornava continuar as observações, sem recorrer ao vidente A. Reconheci então, por meio de numerosas tentativas, que a primeira camada exterior sensível se formava geralmente no terceiro estado, que nalguns pacientes nunca se produz, ao passo que noutros se produzia sob a influência de alguns passes, desde o estado de credulidade, que é uma modificação quase imperceptível do estado de vigília, ou, até, sem qualquer manobra hipnótica, em conseqüência de uma emoção, de uma perturbação nervosa e, porventura, de uma simples alteração do estado elétrico do ar.

Se é certo que a sensibilidade se transporta para as camadas concêntricas exteriores, aproximando as palmas de suas mãos, deverá o paciente experimentar a sensação de contacto, logo que duas camadas sensíveis se toquem. É, efetivamente, o que acontece. Ainda mais: se se entremeiam as camadas sensíveis da mão direita com as da mão esquerda, de modo que fiquem regularmente alternadas, uma chama que passe sobre essas camadas fará que o paciente tenha a sensação de uma queimadura nas duas mãos, sucessiva e alternativamente.”


Hipótese


Que conseqüências devemos tirar de tão interessantes experiências?

Quando se examina o desenho representativo de um paciente exteriorizado e se notam essas camadas sucessivamente luminosas e obscuras, é-se impressionado pela analogia que há entre esse e o fenômeno conhecido em Física pela denominação de “faixas de Fresnel”. Sabe-se em que consiste esta experiência: se, numa câmara escura, um feixe luminoso for projetado sobre uma tela branca, notar-se-á que a iluminação é uniforme; se, porém, um segundo feixe, idêntico ao primeiro, cair sobre a tela, de forma que os dois se superponham em parte, toda a região comum a ambos se apresentará coberta de faixas paralelas, sucessivamente brilhantes e obscuras. Resulta isto de que a característica essencial dos movimentos vibratórios é a interferência, ou seja, a produção, por efeito da combinação das ondas, de faixas de movimentos, em que as vibrações são máximas, e faixas de repouso, nas quais o movimento vibratório é nulo, ou mínimo.140

Nas experiências do Sr. de Rochas, dá-se, ao que nos parece, um fenômeno análogo. Os máximos de sensibilidade se revelam ordenados segundo as camadas luminosas, separadas entre si por outras camadas insensíveis e obscuras. Como explicar isso?

É aí que a existência do perispírito claramente se afirma. A força nervosa, em vez de se espalhar pelo ar e dissipar, distribui-se em camadas concêntricas ao corpo. Faz-se, pois, necessário que uma força a retenha, porquanto, desde que normalmente ela se escoa pela extremidade dos dedos, conforme se observa, do mesmo modo que a eletricidade pelas pontas, forçosamente se perderia no meio ambiente, se não existisse um envoltório fluídico para retê-la ao sair do corpo.

A analogia permite se assimile a força nervosa, cuja existência Crookes demonstrou,141 às outras forças naturais: calor, luz, eletricidade, as quais, devidas a movimentos vibratórios do éter, se propagam em movimentos ondulatórios, cuja forma, amplitude e número de vibrações variam por segundo, conforme a força considerada. No estado normal, a força nervosa circula no corpo, pelos condutos naturais, os nervos, e chega à periferia pelas mil ramificações nervosas que se estendem por baixo da pele. Mas, sob a influência do magnetismo, o perispírito, segundo a natureza fisiológica do paciente, se exterioriza mais ou menos, isto é, irradia em volta de todo o seu corpo e a força nervosa se espalha no envoltório fluídico e aí se propaga em movimentos ondulatórios.

As mais das vezes, necessário se torna fazer que o paciente chegue aos estados profundos da hipnose, para que se produza a irradiação perispirítica, porquanto de certo tempo precisa o magnetizador para neutralizar, em parte, a ação da força vital, a fim de que o duplo possa exteriorizar-se parcialmente. O estado de relação só se acha estabelecido, quando começa o desprendimento, ou, por outra, nesse momento, as ondulações nervosas do magnetizador vibram sincronicamente com as do paciente, interferem e produzem exatamente aquelas camadas alternativamente sensíveis e inertes.

Em suma, a experiência é talvez idêntica à de Fresnel. Nessa hipótese, em lugar de ondulações luminosas, há ondulações nervosas, os dois focos luminosos são substituídos pelo magnetizador e o seu paciente, figurando de tela o perispírito.

O lugar dos pontos onde se mostram as zonas sensíveis é limitado pela expansão da substância perispirítica. Temos assim um meio de estudar esse envoltório fluídico que se nos revelou e que não era conhecido antes dos ensinos do Espiritismo.

Atribuindo maior extensão à precedente experiência, é-nos fácil conceber que a exteriorização seja mais completa. Chegaremos então a compreender como pode a alma sair do corpo e manifestar-se sob a forma de aparição. Foi o que o Sr. de Rochas verificou experimentalmente 142 e, para comprovar-se esta afirmativa, basta se encontrem pacientes aptos a produzir fenômenos desse gênero, o que não é impossível, pois que o médium de Boulogne-sur-Mer, assim como os pacientes do magnetizador Lewis e da Sra. de Morgan, nos ofereceram exemplos disso.

Vimos que os fantasmas de vivos falam, o que implica a existência neles, além dos órgãos da palavra, de certa quantidade de força viva, cuja presença é também atestada por deslocamentos de objetos materiais, como o abrir e fechar uma porta, agitação de campainhas, etc. Necessário é, portanto, que eles tirem de qualquer parte essa força. Nos casos que examinamos, tiram-na provavelmente de seus corpos materiais, o que faz evidente a necessidade de estarem ligados a estes.

Ensina Allan Kardec, de acordo com os Espíritos, que a alma, quando se desprende, seja durante o sono, seja nos casos de bicorporeidade, permanece ligada sempre ao seu envoltório terreno por um laço fluídico.

Podemos justificar essa maneira de ver por meio das experiências seguintes:

Prosseguindo em seus estudos, notou o Sr. de Rochas que, se fizer que uma zona luminosa, isto é, sensível, de um paciente exteriorizado atravesse um copo d’água, interrompidas se mostrarão as camadas que ficarem atrás do copo, com relação ao corpo. Quanto à água existente no copo, essa se ilumina rapidamente em toda a sua massa, desprendendo-se dela, ao fim de algum tempo, uma espécie de fumaça luminosa.

Ainda mais: tomando do copo d’água e transportando-o a certa distância, verificava o experimentador que ele se conservava sensível, isto é, que o paciente ressentia todos os toques que se fizessem na água, embora àquela distância já não restassem vestígios de camadas sensíveis.

O Sr. de Rochas pesquisou em seguida sobre quais as substâncias que armazenam a sensibilidade e verificou serem quase sempre as mesmas que guardam os odores: os líquidos, os corpos viscosos, sobretudo os de origem animal, como a gelatina, a cera, o algodão, os tecidos de malhas frouxas ou que se desfiam, como os veludos de lã, etc.

“Refletindo – diz ele – sobre o fato de que os eflúvios das diferentes partes do corpo se fixavam de preferência nos pontos da matéria absorvente que mais próximos se lhe achavam, fui levado a crer que uma localização muito mais perfeita se me ofereceria, se eu chegasse a reunir, em certos pontos da matéria absorvente, os eflúvios de tais ou tais partes do corpo e a reconhecer quais eram esses pontos. Como os eflúvios se espargem de modo análogo à luz, uma lente que reduzisse a imagem do corpo atenderia à primeira parte do programa. Já só se tratava então de ter uma matéria absorvente sobre a qual se houvesse fixado a imagem reduzida. Ocorreu-me que uma chapa de bromo-gelatina poderia dar resultado, principalmente se fosse ligeiramente viscosa.”


Fotografia de uma exteriorização


“Daí os meus ensaios com um aparelho fotográfico, ensaios que vou relatar de conformidade com o meu registro de experiências.

30 de julho de 1892. – Fotografei a Sra. Lux, primeiramente desperta, depois adormecida, sem estar exteriorizada; por fim, adormecida e exteriorizada, servindo-me, neste último caso, de uma chapa que tive o cuidado de conservar por alguns instantes em contato com o seu corpo, dentro do “chassis”, antes de colocá-la na máquina.

Comprovei que, picando com um alfinete a primeira chapa, a Sra. Lux nada sentia; picando a segunda, sentia um pouco; na terceira, sentia vivamente e tudo isso poucos instantes após a operação.

2 de agosto de 1892. – Presente a Sra. Lux, experimentei a sensibilidade das chapas impressionadas a 30 de julho e já reveladas. A primeira nada produziu; a segunda pouca coisa; a terceira estava tão sensível quanto na data anterior. Para ver até onde ia a sensibilidade da terceira chapa, dei dois golpes fortes de alfinete na imagem de uma das mãos, de forma a cortar a camada de bromo-gelatina.

A Sra. Lux, que se achava dois metros distantes de mim e não podia ver em que parte eu dava a picada, fez logo uma contração, soltando gritos de dor. Tive grande trabalho para fazê-la voltar ao seu estado normal. Acusava sofrimentos na mão e, passados alguns momentos, vi que lhe apareciam na mão direita, aquela cuja imagem recebera a picada, dois traços vermelhos, em situação correspondente à dos arranhões na imagem. O Dr. P..., que assistia à experiência, verificou que na epiderme não havia incisão nenhuma e que a vermelhidão era na pele. Verifiquei, ao demais, que a camada de gelatina bromada (muito mais sensível do que a chapa que a suportava) emitia radiações com máximos e mínimos, tal qual a própria paciente. Essas radiações quase não se apresentavam do outro lado da chapa.”

Paremos aqui com a nossa citação, que já nos permite comprovar a existência de uma relação, estabelecida de modo contínuo, entre a Sra. Lux e a sua fotografia, estando aquela exteriorizada. De 30 de julho a 2 de agosto, sem embargo do prolongado afastamento da paciente, não se rompeu a relação, tanto que toda ação exercida na fotografia se transportava para o corpo, de maneira a deixar traços visíveis. É, pois, legítimo admitir-se que a ligação é ainda mais íntima, quando o próprio perispírito se acha inteiramente exteriorizado, qualquer que seja a distância que o separe do corpo físico.

As experiências do Sr. de Rochas foram verificadas pelo Dr. Luys, na “Charité” 143 e pelo Dr. Paul Joire, que já assinalara essa exteriorização no seu tratado de hipnologia, publicado em 1892. Muito recentemente 144 reconheceu ele que a exteriorização da sensibilidade é um fenômeno real, de forma nenhuma dependente da sugestão oral, conforme o Dr. Mavroukakis pretendera insinuar, e independente também de qualquer sugestão mental, porquanto, se quatro ou cinco pessoas de mãos dadas separam do paciente o operador, há regular e progressivo retardamento na sensação que o hipnotizado experimenta, o que evidentemente não se daria, se a sensação fosse produzida por uma sugestão mental do operador.

Repercussão, sobre o corpo,
da ação exercida sobre o perispírito


O magnetizador Cahagnet, como vimos, cria firmemente na possibilidade do desprendimento da alma. Relata, sem a poder explicar, uma experiência que, como tudo parece indicar, resultou de ação material exercida sobre o perispírito, de envolta, provavelmente, com uma auto-sugestão. Eis aqui o fato.145

Um Sr. Lucas, de Rambouillet, muito inquieto pela sorte de um cunhado seu que desaparecera do país, havia uns doze anos, em conseqüência de discussão que tivera com o pai, deliberou recorrer à clarividência de Adèle Maginot, para saber se o cunhado ainda vivia. A clarividente viu o indivíduo de quem se tratava e o descreveu de maneira que sua mãe e seu cunhado o reconheceram. Aí, porém, começa a experiência a complicar-se. Vamos, pois, citá-la textualmente:

“Não contribuiu menos para espantar àquela boa senhora, assim como ao Sr. Lucas e às outras pessoas presentes à curiosa sessão, o verem que Adèle, como que para se defender dos raios ardentes do Sol naquelas terras, punha as mãos do lado esquerdo do rosto, parecendo sufocada pelo calor. O mais maravilhoso, no entanto, dessa cena foi que ela recebeu um golpe de sol, que lhe tornou vermelho-azulado aquele lado do rosto, desde a fronte até a espádua, ao passo que o outro lado conservou a sua coloração branco-mate. Somente 24 horas depois principiou a desaparecer a cor carregada. Era tão violento o calor, naquele instante, que não se podia ter dadas às mãos. Achava-se presente o Sr. Haranger-Pirlat, antigo magnetizador, honrosamente conhecido, havia mais de 30 anos, no mundo do magnetismo.”

Para explicar o caso, cremos que a idéia do calor intenso do sol do Brasil há fortemente sugestionado a paciente, cujo perispírito talvez estivesse muito pouco desmaterializado e, em conseqüência, ainda bastante sensível às radiações caloríficas. Houve, pois, parece-nos, repercussão da ação física do sol sobre o corpo material, facilitada e provavelmente aumentada pela auto-sugestão de que naquele país o calor é tórrido.

O fato da passagem da alteração do perispírito para o corpo físico já foi observado inúmeras vezes, de sorte que nos achamos em condições de lhe conceber o mecanismo,146 tendo-se mesmo chegado a verificá-lo experimentalmente, como vamos mostrar.

O Sr. Aksakof, numa experiência realizada em S. Petersburgo, com a célebre médium Kate Fox, observou que, enfulijada a mão fluídica do médium, a fuligem foi transportada para a extremidade dos seus dedos materiais, que se não tinham movido, porquanto o sábio russo colocara as mãos da Sra. Fox sobre uma placa luminosa, de modo a certificar-se bem da imobilidade delas e, por maior precaução, espalmara suas próprias mãos sobre as do médium.

Vê-se, pois, que há mais do que simples presunções no que respeita à existência de solidariedade entre o corpo e o seu duplo fluídico. No seu tratado de Magia Prática,147 Papus refere o caso de um oficial russo que, presa de obsessão por uma individualidade encarnada, lançou-se de espada em punho sobre a aparição e lhe fendeu a cabeça. O ferimento feito no perispírito se reproduziu na mulher causadora do fenômeno, a qual, no dia seguinte, morreu das conseqüências do golpe recebido pelo seu corpo fluídico.

Dassier cita muitos casos semelhantes, extraídos dos arquivos judiciários da Inglaterra.148 Uma certa Joana Brooks, em se desdobrando, causara muitos malefícios àqueles de quem não gostava. Havendo atacado uma criança, esta entrou a deperecer rapidamente, sem que ninguém soubesse a que atribuir o mal que a tomara, quando, em dado momento, disse a criança, apontando para um ponto da parede: “É Joana Brooks que está ali!” Um dos presentes saltou e deu um golpe de punhal no lugar indicado e a criança declarou que a mulher ficara ferida na mão. No dia seguinte, foram à casa da feiticeira e verificaram que ela estava realmente ferida, como o afirmara a criança.

Em circunstâncias quase semelhantes, outra mulher, Juliana Cox, foi ferida em sua perna fluídica, por uma moça a quem ela obsediava e, indo-lhe depois a casa algumas pessoas, comprovaram que a lâmina da faca, que lhe atingira o duplo fluídico, se adaptava exatamente à ferida que se lhe abrira na perna material.

Recordemos a última frase do Sr. de Rochas: “A imagem da Sra. Lux emitia radiações com máximas e mínimas.” Ora, como essas radiações são imperceptíveis à visão ordinária, temos por demonstrado ser possível fotografar-se matéria invisível, o que pode fazer se compreenda a fotografia dos Espíritos.


Ação dos medicamentos a distância


Por outra série de provas, podemos evidenciar a existência do perispírito no homem. Fa-lo-emos examinando os efeitos que se produzem em certos pacientes hipnotizados, quando se lhes aproximam do corpo substâncias encerradas em frascos cuidadosamente arrolhados.

Os fatos expostos pelos Srs. Bourru e Burot 149 escapam a toda explicação científica, pela boa razão de que, desconhecendo o perispírito e suas propriedades, era impossível aos sábios compreender o gênero de ação que nesse caso se exerce. Graças às experiências do Sr. de Rochas, fazendo intervir nelas o perispírito exteriorizado, torna-se mais fácil explicar os fenômenos.

Depois de haver tomado todas as precauções, para evitar a simulação ou as sugestões, aqueles observadores comprovaram os fatos seguintes:

Conservada a uma distância de dez a quinze centímetros de um paciente adormecido, a cuba de um termômetro lhe produzia dor muito viva, convulsões e uma contração do braço. Um cristal de iodeto de potássio determinava espirros. O ópio fez dormir. Um frasco de jaborandi acarretava salivação e suor. Continuadas com a valeriana, a cantárida, a apomorfina, a ipecacuanha, o emético, a escamônea, o aloés, as mesmas experiências deram resultados precisos e concordantes. Apenas colocados perto da cabeça do paciente, mas sem contacto, cada um daqueles medicamentos produzia efeito de acordo com a sua natureza, isto é, verdadeira ação fisiológica, como se o aludido paciente o houvesse introduzido em seu organismo.

Foi também experimentada a ação de venenos diluídos na água e comprovaram-se os mesmos sintomas que se produziriam se o paciente os houvesse ingerido pelas vias ordinárias. O louro-cereja determinou uma crise de êxtase numa mulher judia, que acreditou ver a Virgem Maria.

O Dr. Luys, muito céptico a princípio, afinal se convenceu. Refere ele que dez gramas de conhaque num tubo selado a fogo e aproximado da cabeça de um paciente hipnotizado causam a embriaguez ao cabo de dez minutos. Dez gramas d’água, sempre em tubo selado, produzem, depois de alguns minutos, a constrição da garganta, a rigidez do pescoço e os sintomas da hidrofobia. Quatro gramas de essência de tomilho, encerradas da mesma maneira num tubo e postas diante do pescoço de uma mulher hipnotizada, perturbaram-lhe a circulação, fizeram-lhe sair das órbitas os olhos, intumesceram-lhe o pescoço de modo assustador e ocasionaram, na inervação circulatória do pescoço, da face e dos músculos inspiratórios, uma crescente desordem, acompanhada de um ruído de pulmoeira de caráter sinistro, que aterrou o experimentador e o obrigou a deter-se, para evitar acidentes fulminantes.150

“Diante de tão claras manifestações tangíveis – escreve o Dr. Luys –, e tão precisas, de que fui com freqüência testemunha; diante de tão surpreendentes casos de repercussão das ações a distância sobre a inervação visceral dos pacientes, em os quais ocasionei náuseas e vômitos, apresentando-lhes um tubo que continha ipecacuanha em pó, e vontade de defecar, colocando-lhes no pescoço um tubo com vinte gramas de óleo de rícino, não hesito em reconhecer que assistimos a uma série de fenômenos singulares que se desenvolvem com exclusão das leis naturais, e à evolução normal deles, fenômenos que derrocam o que julgamos saber sobre a ação dos corpos. Mas, eles existem, impõem-se à observação e, cedo ou tarde, servirão de ponto de partida para a explicação de grande número de fenômenos invulgares da vida normal.” 151

Sem dúvida alguma, são singulares esses fatos, mas não é impossível explicá-los, depois que a exteriorização do perispírito e do fluído nervoso se tornou fenômeno demonstrado. Numa das experiências do Sr. de Rochas, observamos que a água acumula a sensibilidade e que, atuando-se sobre essa água, se transmitem sensações ao corpo. Devemos admitir que no mesmo caso estejam outros líquidos; mas, então, as sensações experimentadas estarão em relação com as propriedades desses líquidos, podendo-se notar no paciente os mesmos fenômenos que apresentaria, se os houvesse ingerido naturalmente.

Nas experiências precedentes, as substâncias estavam encerradas em frascos fechados a esmeril, ou selados a fogo. O fluido perispirítico, porém, penetra todos os corpos, o mesmo fazendo o fluido nervoso em grande número deles. Somente, pois, se observaram fenômenos, quando o medicamento em experiência era capaz de ser assimilado, quanto à sua parte volátil, pela força nervosa.




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