David a morte de Sócrates


Capítulo III Fotografias e moldagens de formas de Espíritos desencarnados



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Capítulo III
Fotografias e moldagens de
formas de Espíritos desencarnados


A fotografia dos Espíritos. – Fotografias de Espíritos desconhecidos dos assistentes e identificados mais tarde como sendo de pessoas que viveram na Terra. – Espíritos vistos por médiuns e ao mesmo tempo fotografados. – Impressões e moldagens de formas materializadas. – História de Katie King. – As experiências de Crookes. – O caso da Sra. Livermore. – Resumo. – Conclusão. – As conseqüências.

A fotografia dos Espíritos


Vimos que um dos fenômenos que de modo autêntico demonstram a existência da alma durante a vida é a fotografia do duplo, durante a sua saída temporária do corpo. A grande lei de continuidade, que rege os fenômenos naturais, havia de conduzir os espíritas a ponderar que, sendo a alma humana – durante o seu desprendimento – capaz de impressionar uma chapa fotográfica, a mesma faculdade há de ela ter após a morte. É efetivamente o que se chegou a comprovar, desde que se puderam estabelecer as condições necessárias a essas manifestações transcendentes.

Aqui, nenhuma objeção pode prevalecer. A prova fotográfica tem um valor documentário de extrema importância, porque mostra que a famosa teoria da alucinação é notoriamente inaplicável a tais fatos. A chapa sensível constitui um testemunho científico que certifica a sobrevivência da alma à desagregação do corpo; que atesta conservar ela uma forma física no espaço e que a morte não lhe pode acarretar a destruição.

Em face de semelhantes resultados, que restará de todas as costumeiras declamações acerca do sobrenatural e do maravilhoso? Há-se de convir em que os Espíritos se obstinaram singularmente em contrapor-se aos que lhes negam a existência. Não satisfeitos com o se fazerem visíveis aos seus parentes e amigos, apareceram em fotografias e forçoso foi se reconhecesse que dessa vez o fenômeno era verdadeiramente objetivo, pois que a chapa fotográfica lhes conservava indelével a imagem. Resumamos sumariamente, segundo o eminente naturalista Russel Wallace, alguns fatos bem verificados.152

É freqüente zombarem do a que se chamou fotografias espíritas, porque algumas podem ser facilmente imitadas. Refletindo-se, porém, um pouco, ver-se-á que essa mesma facilidade também faz que a gente se precate da impostura, pois bastante conhecidos são os meios de imitação. Em todo caso, ter-se-á de admitir que um fotógrafo experimentado não pode ser iludido a tal ponto, desde que ele próprio forneça as chapas e fiscalize as operações, ou as execute.

Aliás, há um meio muito simples de se verificar se a figura que aparece é a de um Espírito desencarnado. Consiste esse meio em ver se a pessoa que posa ou os membros da sua família reconhecem a figura que se apresenta na chapa. Se reconhecerem, o fenômeno é real. É o caso de Wallace, que o narra assim:

“A 14 de março de 1874, fui convidado pela primeira e única vez ao gabinete do Sr. Hudson, acompanhado da Sra. Guppy, como médium. Contava eu que, se obtivesse algum retrato espírita, fosse o de meu irmão mais velho, em cujo nome freqüentes mensagens eram recebidas por intermédio da Sra. Guppy, com quem eu fizera uma sessão antes de ir ao Sr. Hudson, sessão essa na qual recebera, pela tiptologia, uma comunicação onde se dizia que minha mãe se fosse possível, apareceria na chapa.

Posei três vezes, sempre escolhendo eu próprio a posição que tomava. De todas as vezes, apareceu no negativo, juntamente com a minha imagem, uma segunda figura. A primeira era a de uma pessoa do sexo masculino, trazendo à cinta um sabre curto; a segunda, uma pessoa de pé, aparentemente a meu lado, um pouco por trás de mim, olhando para baixo, na minha direção, e empunhando um ramo de flores. Na terceira sessão, depois de haver tomado a posição que escolhi e quando já a chapa preparada fora colocada na câmara escura, pedi que a aparição se apresentasse junto de mim e nessa terceira chapa apareceu uma figura de mulher encostada a mim e à minha frente, de tal sorte que os panos que a revestiam cobriram toda a parte inferior do meu corpo.

Vi todas as chapas reveladas e, em cada caso, a figura se mostrou no momento em que o líquido revelador foi derramado sobre o negativo, ao passo que a minha imagem só se tornou visível uns vinte segundos mais tarde. Não reconheci nenhuma das figuras nos negativos, mas, logo que obtive as provas, ao primeiro golpe de vista verifiquei que a terceira chapa continha um retrato incontestável de minha mãe, muito parecido quanto aos traços fisionômicos e à expressão do semblante. Não era uma semelhança como a que existe num retrato tirado em vida, mas uma semelhança um pouco idealizada, se bem fosse, para mim, uma semelhança que não me permitia qualquer equívoco.

A segunda fotografia é muito menos distinta: o olhar se dirige para o chão; o rosto tem uma expressão diferente da terceira, a tal ponto que, a princípio, achei que era outra pessoa. Tendo enviado os dois retratos de mulher à minha irmã, ela foi de opinião que o segundo se parecia muito mais com minha mãe do que o terceiro e que, de fato, apresentava boa semelhança com ela como expressão, mas com alguma coisa de inexato na boca e no queixo. Verificou-se que isso era devido, em parte, a que o fotógrafo retocara os brancos. Efetivamente, ao ser lavada, a fotografia se mostrou toda coberta de manchas brancas, mas melhor, quanto da semelhança, com minha mãe. Eu ainda não verificara a semelhança do segundo retrato, quando, ao examiná-lo algumas semanas mais tarde com um vidro de aumento, imediatamente percebi um traço especial e notável do rosto natural de minha mãe, a saber: o lábio e o maxilar inferiores bastante salientes.

Os dois espectros trazem iguais ramos de flores. É de notar-se que, quando eu posava para o segundo grupo, o médium haja dito: “Vejo alguém e há flores.”

Esse retrato também foi reconhecido pelo irmão de R. Wallace,153 que não é espírita.

Se um médium declara que vê um Espírito, quando as outras pessoas presentes nada vêem, e que o Espírito está em tal lugar; se lhe descreve o aspecto e as vestes e, em seguida, a chapa fotográfica confirma a descrição em todos os pontos, não se poderá negar que, positivamente, o Espírito existe no lugar indicado. Damos a seguir muitos exemplos de tão notáveis manifestações.

É autor dessas experiências o Sr. Beattie, de Clifton, de quem o editor do British Journal of Photography fala nestes termos:

“Todos os que conhecem o Sr. Beattie o consideram hábil e cuidadoso fotógrafo, uma das últimas criaturas, no mundo, passíveis de ser enganadas, pelo menos em tudo o que diga respeito à fotografia. Também é incapaz de enganar os outros.

O Sr. Beattie teve a ajudá-lo em suas pesquisas o Dr. Thomson, médico em Edimburgo, que durante vinte e cinco anos praticou a fotografia como amador. Os dois fizeram experiências no gabinete de um amigo não espiritualista, mas que se tornou médium no curso das experimentações. Auxiliou-os como médium um negociante muito amigo dos dois. Todo o trabalho fotográfico era executado pelos Srs. Beattie e Thomson, conservando-se os dois outros sentados junto de uma mesa pequena. As provas foram tiradas por séries de três, com poucos segundos de intervalo e muitas dessas séries foram feitas numa mesma sessão...

duas provas, tiradas como as antecedentes, em 1872 e cujas fases todas o médium descreveu durante a exposição das chapas. Apareceu primeiro, diz ele, um denso nevoeiro branco. A prova saiu toda sombreada de branco, sem nenhum vestígio dos modelos. A outra fotografia ele a descreveu previamente, como tendo de ser um nevoeiro em forma de nuvem, com uma pessoa no meio. Na prova, vê-se apenas uma figura humana, branca, dentro de uma superfície quase uniformemente enevoada. Durante as experiências de 1873, em cada caso o médium descreveu minuciosa e corretamente as configurações que haviam de em seguida aparecer na chapa. Numa delas, há uma estrela luminosa de grande dimensão, em cujo centro se mostra bem visível um rosto humano. É a última das três em que se manifestou uma imagem, tendo o médium anunciado cuidadosamente o conjunto.

Noutra série de três, o médium, primeiro, descreveu o seguinte: “Uma luz nas suas costas, vinda do chão”; depois: “uma luz a subir pelo braço de outra pessoa e provindo ou parecendo provir da perna”; em terceiro: “existência da mesma luz, mas com uma coluna que se eleva da mesa, como que incandescente, até às suas mãos”. E exclamou de súbito: “Que luz brilhante lá no alto! Não a vedes?” E apontava com a mão o lugar. Todas essas palavras descreviam muito fielmente o que depois apareceu nas três provas, sendo que na última se percebia a mão do médium indicando uma mancha branca existente acima da sua cabeça.”

Mencionemos ainda uma fotografia isolada e muito marcante.

“Durante a “pose”, disse um dos médiuns estar vendo, no plano posterior, uma figura negra, enquanto que o outro médium dizia perceber uma figura brilhante ao lado daquela. Na fotografia aparecem as duas figuras, muito fraca a brilhante, muito mais nítida a escura, que é de gigantesca dimensão, de talhe maciço, traços grosseiros e longa cabeleira.”

Tais experiências só puderam realizar-se com muito trabalho e perseverança. Às vezes, vinte provas consecutivas nada de anormal revelavam. Passaram de cem as que se tiraram, havendo completo malogro na maioria delas. Mas, os êxitos alcançados valeram bem a pena que custaram. Demonstram de modo a não admitir dúvidas:

1) a existência objetiva dos Espíritos;

2) a faculdade, que possuem alguns seres chamados médiuns, de ver essas formas que se conservam invisíveis para toda gente.

Sendo da mais alta importância a prova fotográfica da visão mediúnica, citaremos o fato que se segue, extraído da obra de Aksakof, Animismo e Espiritismo, págs. 67 e seguintes:

O Banner of Light, de 25 de janeiro de 1873, publicou uma carta do Sr. Bromson Murray 154 concebida nestes termos:

“Senhor Diretor,

Num dos últimos dias do mês de setembro último, a senhora W. H. Mumler, residente na cidade de Boston, à rua West Springfield, achando-se em estado de transe, durante o qual dava conselhos médicos a um de seus doentes, interrompeu-se de súbito para me dizer que, quando o Sr. Mumler me fotografasse, apareceria na chapa, ao lado do meu retrato, a imagem de uma mulher, segurando na mão uma âncora feita de flores. Essa mulher desejava ardentemente afirmar sua sobrevivência ao marido e inutilmente procurara até então uma oportunidade de aproximar-se dele. Achava que o conseguiria por meu intermédio. Acrescentou a Sra. Mumler: “Por meio de uma lente, poder-se-ão perceber nessa chapa as letras R. Bonner.” Perguntei-lhe, mas em vão, se essas letras queriam dizer Robert Bonner. No momento em que me preparava para a “pose”, a fim de me ser tirada a fotografia, caí em transe, o que jamais me acontecera. Apesar de todos os esforços, Mumler não conseguiu colocar-me na posição desejada. Foi-lhe impossível fazer que eu ficasse ereto e com a cabeça apoiada no suporte. Meu retrato, pois, ele o tirou na posição que a prova indica, aparecendo a meu lado a figura de mulher com a âncora e as letras formadas de botões de rosas, como fora predito. Infelizmente, eu não conhecia com o nome de Bonner pessoa alguma que pudesse estabelecer a identidade da figura fotografada.

De volta à cidade, referi a várias pessoas o que se dera. Disse-me uma delas que recentemente encontrara um Sr. Bonner, da Georgia. Queria mostrar-lhe a fotografia. Decorridos quinze dias, essa pessoa me pediu que passasse pela sua casa. Alguns instantes depois de haver eu lá chegado, entrou um visitante: Sr. Robert Bonner. Declarou-me que era de sua mulher a fotografia, que a vira em poder da senhora que no momento nos recebia e que achava perfeita a semelhança. Aliás, não há aqui quem conteste a semelhança que aquela fotografia apresenta com um retrato da Sra. Bonner, tirado dois anos antes de sua morte.” 155

O Sr. Bonner ainda obteve a fotografia de sua defunta mulher numa posição previamente designada por um médium de Nova York que não a conhecia, nem vira a fotografia que se achava em Boston.

O jornal O Médium, de 1872, também fala de uma fotografia de Espírito, obtida ao mesmo tempo em que o médium declarava o que se ia dar. Diz o jornal:

No momento em que a chapa ia ser exposta, a Sra. Connant (o médium) voltou-se para a direita e exclamou: “Oh! Aqui está a minha Was-Ti!” (Era uma menina índia, que se manifestava freqüentemente por seu intermédio.) E estendeu a mão esquerda, como se quisesse pegar a da aparição. Na fotografia, vê-se, perfeitamente reconhecível, a figura da indiazinha, com os dedos da mão direita na mão da Sra. Connant.

Temos, pois, aqui a fotografia de uma figura astral, assinalada e reconhecida pelo paciente sensitivo, no momento da exposição da chapa. É mais uma confirmação das experiências do Sr. Beattie.

Poderíamos multiplicar o número das citações deste gênero; mas, a exigüidade do nosso quadro nos obriga a remeter o leitor às mencionadas obras do eminente naturalista e do sábio russo. Em precedente trabalho,156 reproduzimos a fotografia de um Espírito obtida em plena obscuridade, pelo Sr. Aksakof, com o médium Eglinton. Veremos, dentro em pouco, que também o grande físico inglês William Crookes obteve uma série de fotografias de uma forma materializada.

Examinemos outro aspecto do fenômeno.




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