De acordo com o dicionário Michaelis on line



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Encontro29.07.2016
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Audacioso e provocante, o filme O Xadrez das Cores traz uma história densa, que se desenvolve como um jogo de xadrez. A temática séria e profunda fala da discriminação racial.

"Pela educação pode-se combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e estigmatiza grupos sociais. Contudo, ao mesmo tempo em que não se aceita que permaneça a atual situação, da qual a escola é cúmplice ainda que só por omissão, não se pode esquecer que esses problemas não são essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas das relações sociais, e que como elas têm história e permanência. O que se coloca para a escola é o desafio de criar outras formas de relação social e interpessoal, por meio da interação o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se crítica e responsavelmente diante delas". (PCN Pluralidade cultural, p23 e 24)

É uma das responsabilidades da escola levar os alunos a assumirem uma postura ética e responsável diante da diversidade cultural e étnica.

De acordo com o dicionário Michaelis on line

discriminar
dis.cri.mi.nar
(lat discriminare) vtd 1 Discernir: Discriminar as causas de uma situação. 2 Diferençar, distinguir: Já os olhos mal discriminavam os caracteres. 3 Separar: Discriminar argumentos, razões. Discriminava bem umas das outras razões. 4 Classificar especificando especificar. 5 Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes.

Sobre discriminação racial, a definição que mais se enquadra é "Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes". É sobre isso que trata O Xadrez das cores. Cida está em prejuízo em sua vida e, por dinheiro, precisa se sujeitar a situações degradantes protagonizadas por sua patroa branca e racista.

Por muito tempo aprendemos na escola, uma versão pouco conflituosa, como se os negros tivessem sido trazidos e aceitando a condição sub-humana a que foram submetidos. O ensino de História avançou e, assim as atividades propostas em sala de aula devem buscar uma visão mais contextualizada e menos romanceada da participação dos negros na História e os reflexos dessa construção histórica nos dias atuais.

É necessário ver o negro como um povo que tem direitos e deveres é preciso vê-lo como cidadão. Essa soberania existe em leis, mas na prática, ainda há muita injustiça.

O Xadrez das Cores é um filme que nos incomoda, é impossível manter-se distante da tensão das personagens. A forma como a história é construída nos convida a participar do enredo. Vamos tomando parte do jogo. A alusão ao jogo de xadrez é outro elemento intrigante, esse é um jogo de raciocínio. Está feito o convite para alunos e professores: para combater a discriminação é preciso pensar, refletir, entender as raízes do preconceito.

Precisamos unir nossas vozes na luta contra o preconceito, e como em um jogo de xadrez, saber faz toda a diferença. O conhecimento pode ser conquistado e assim como faz a personagem Cida, é preciso virar o jogo.

As personagens do filme apresentam-se como forças contrárias: rico e pobre, o branco, o negro, a patroa, a empregada. Apesar da relação contrária existente, ambas possuem em comum a força, a determinação. Maria insiste em oprimir, Cida aceita por causa da necessidade da situação, mas utiliza-se do tabuleiro do xadrez para conhecer sua oponente. Não se satisfaz com suas derrotas. Apesar de ver suas peças negras sendo jogadas no lixo prazerosamente por sua patroa, estuda a adversária, busca um conhecimento que não tem.

Uma das mais belas lições do filme é a negação do conformismo, da busca pelo conhecimento para a transformação dos fatos. É alquimia do conhecimento. É esse desejo que a escola tem que despertar.

O jogo de xadrez é outra bela simbologia... Tem os peões, o rei, a rainha, o movimento das peças... O objetivo do jogo é que cada jogador é coloque o rei adversário 'sob ataque', de tal forma que o adversário não tenha lance legal a evitar a 'captura' de seu rei no lance seguinte. O jogador a alcançar tal objetivo, ganhou a partida e diz-se, deu 'mate' no adversário. O jogador que levou o mate perdeu a partida. É um jogo de raciocínio, de inteligência, no qual o tabuleiro é o palco aonde os personagens vão mostrando suas habilidades. Competências estas que são conquistadas a cada movimento, a cada jogada. Como o ser humano que se desenvolve, não nasce pronto, mas vive suas escolhas. A forma como conduzimos nossas vidas indica o quanto iremos evoluir. Cida representante da classe mais excluída de nossa sociedade deixa-nos a vontade de persistir, de mudar, de levar o jogo, o lúdico, o envolvimento aonde era só esquecimento.

Está feito o convite para que todos os educadores provoquem o debate. É no confronto de idéias que a escola pode tentar garantir o espaço da diversidade e do respeito. Dizem que a Arte fala ao coração dos Homens. Que este vídeo seja o inicio de uma obra de conscientização da preservação de todos os povos.   Objetivo:   ➢ Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes representantes da raça afro-descendente, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles, continuidades e descontinuidades, conflitos e contradições sociais


➢ Valorizar o diversidade cultural considerando critérios éticos   Situação Didática   Nesta proposta, sugiro a junção do filme O Xadrez das Cores e a um outro tipo de mídia para o debate inicial. O professor pode iniciar questionando os alunos sobre que conhecimentos possuem sobre o jogo de xadrez. Os alunos vão apresentando suas idéias. Lança-se a pergunta sobre qual seria a temática de um filme chamado O Xadrez das Cores. Na medida em que a classe esgote suas hipóteses, o professor propõe assistirem ao filme.

Esse debate inicial é importante para trazer os alunos para a temática, já que eles ainda não sabem qual será esta, e é justamente nesta motivação que o filme é inserido. A preparação da sala para a sessão do filme é fundamental para desafiar os alunos. As estratégias podem ser as mais diversas , o importante é criar um clima de expectativa, de desejo de saber mais sobre o filme.

Após a sessão do filme, o professor retoma o debate, e neste caso deve centrar sobre a principal temática. Para estimular ainda mais a exposição de idéias, o professor pode pedir que os alunos se posicionem, relacionando com situações que já vivenciaram ou que conhecem sobre a discriminação racial.

Pode-se introduzir no debate a questão sobre a discriminação racial em relação à posição social.

No debate é importante garantir o direito a fala de todos. Aprender a ouvir , se posicionar e argumentar são aprendizagens que só desenvolvemos no exercício. O professor deve fazer um registro das principais idéias apresentadas, para tal pode pedir a ajuda de um aluno que pode ir registrando em uma cartolina, este levantamento servirá para o professor identificar possíveis novos focos de discussão, bem como, para perceber o avanço da turma e até mesmo uma auto-avaliação.

É necessário provocar os alunos a refletirem sobre o que escutam.

"Apesar da força de nossos poetas cantores, dos nossos artistas, da presença negra no futebol e na literatura e de termos também o maior geógrafo do mundo, Milton Santos, a invisibilidade da população negra continua, hoje menor, mas continua. Não só a invisibilidade no sentido real da palavra, mas aquela pusilânime e cínica, que só faz visíveis datas e situações oportunas, como: 13 de maio, 20 de novembro, carnaval e campeonato mundial de futebol, agora também nas competições de ginástica, com a atleta Daiane Santos. "

Um dos alunos pode anotar as conclusões da classe.

Para dar continuidade ao debate, é possível elaborarmos um projeto de trabalho intitulado "Nossos Heróis - Qual é a cara do brasileiro", cujo objetivo central é reconhecer a presença negra no Brasil como uma das matizes mais importantes na formação do povo brasileiro. Sugiro que o professor lance a idéia de que cada dupla deve buscar a história de um negro (a) que fez história e apresente para a classe. Nos sites http://www.acordacultura.org.br/ ou http://www.criola.org.br/ há material disponível com vários exemplos, mas os alunos podem encontrar outros.

O registro das descobertas podem ocorrer através de diferentes formatos: os alunos podem fazer seminários, contação de histórias, caracterizarem-se de acordo com o personagem. O professor deve incentivar a criatividade, mas deve orientar cada apresentação para fazer sugestões para o bom desempenho de todos os alunos.

Uma forma de continuar a atividade seria a produção de jogos sobre o tema, como por exemplo, elaborar perguntas e respostas e também um tabuleiro, vence quem conseguir responder o maior número de respostas corretas.

Caso seja possível seria interessante filmar a performance dos alunos e constituir um acervo de discussão que pode ser ampliado para outras classes.

Depois desta trajetória, sugiro que vejam novamente o filme e comentem que novas relações fizeram após os debates e seminários realizados.

Em uma outra aula o professor pode trazer a música Racismo é Burrice (Gabriel Pensador).

É interessante entregar a letra aos alunos para que eles possam identificar mais facilmente os trechos. Sugiro que o professor coloque em discussão o conteúdo da música e também a questão da lavagem cerebral. É este o caminho?

A Música pode ser encontrada no site http://gabriel-pensador.letras.terra.com.br/letras/72839/


  Comentário:   Avaliação:

A avaliação deve ocorrer durante todo o processo. Com um levantamento inicial sobre o que os alunos pensam sobre o assunto e o avanço que demonstrarem. Quanto a apresentação o professor deve compartilhar com os alunos os itens que serão avaliados, tais como, conteúdo apresentado, clareza e síntese, criatividade e o trabalho em grupo.


Para quem quiser um pouco mais....

Pode-se propor estudar as influências africanas na cultura brasileira. Em nossas raízes culturais temos a forte presença do negro, devido a posição desigual que a raça negra se encontrava, a escola nunca valorizou e se aprofundou no estudo dessas influências. A proposta é um resgate da cultura africana e seu impacto na cultura brasileira.

http://www.unidadenadiversidade.org.br/


Este site é fruto da junção de várias entidades que lutam pelos diretos humanos e contém um material bem interessante para se discutir a diversidade na sala de aula, com sugestões de atividades, músicas, vídeos e jogos.

http://portal.mec.gov.br/secad/


Este link faz parte do portal do MEC- Ministério da Educação e Cultura, constituindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), que trata de temas como alfabetização e educação de jovens e adultos, educação do campo, educação ambiental, educação escolar indígena, e diversidade étnico-racial.

Racismo é burrice- Gabriel Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.  
O filme retrata a história de Cida, uma mulher negra que vai trabalhar na casa de Dona Estela, uma senhora de 80 anos, viúva e sem filhos, extremamente racista. A todo momento, Cida é tratada com palavras grosseiras e total desrespeito por dona Estela. Contudo, dona Estela gostava de jogar xadrez e, ao observar o tabuleiro, com peças brancas e pretas, Cida pede à patroa que a ensine a jogar. Mesmo em meio às grosserias de dona Estela, Cida aprende o jogo, porém, cansada de ser mal tratada, pede demissão, mas deixa com dona Estela a imagem de uma Nossa Senhora negra. Dona Estela não se importa com a saída de Cida, tampouco com a imagem da santa, que joga no lixo.

Em sua casa, Cida se desafia a aprender sozinha as estratégias do xadrez, sempre tendo em mente que as peças brancas enfrentam as peças pretas. Passa a ensinar os meninos da vizinhança e fica feliz com a própria evolução no aprendizado.

Certo dia, é surpreendida pela visita do sobrinho de dona Estela, que diz que a tia quer que Cida volte a trabalhar para ela. Cida retorna à casa da antiga patroa e, entre uma tarefa e outra, joga xadrez com dona Estela que, a esta altura, já tinha retirado a santa do lixo e colocado sobre a mesa. Durante uma das partidas, Cida inverte a posição do tabuleiro de forma que as peças brancas ficam com ela e as peças pretas com dona Estela. Cida faz xeque-mate e ganha o jogo, fato que começa a alertar dona Estela para a crueldade de suas reações racistas. Ao final, ambas acabam convivendo com respeito, afeto e dignidade.   Objetivo:   Promover o conhecimento e a discussão de documentos nacionais e internacionais que descrevem e asseguram direitos e deveres dos cidadãos.   Situação Didática   Trabalho interdisciplinar: Português, História, Pluralidade Cultural e Cidadania- A questão do racismo, apresentada no filme, traz desdobramentos interessantes para discussões em sala de aula: para iniciar os debates, os alunos poderão pesquisar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, um dos documentos básicos da Nações Unidas, assinado em 1948 .Na seqüência - e aproveitando a personagem de 80 anos de idade apresentada no filme - podem ter o mesmo procedimento em relação ao Estatuto do Idoso (aprovado em 2003) , que regula os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Por fim, outra opção é conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - instituído em 1990. Na internet, os documentos citados estão disponíveis nos respectivos sites:

o Declaração Universal dos Direitos Humanos- http://www.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm


o Estatuto do Idoso - http://www.amperj.org.br/store/legislacao/codigos/idoso_l10741.pdf
o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - http://www.planalto.gov.br/ccivil/Leis/L8069.htm

Dependendo do grau de alfabetização, letramento e interpretação de seus alunos, divida-os em grupos e, após a leitura detalhada de cada documento, cada grupo deverá reproduzi-lo de forma sucinta e apresentá-lo em forma de painel para os demais, incluindo comentários pessoais e eventuais adendos que os alunos julguem necessários e complementares. O debate dar-se-á sobre as questões atualmente discutidas a nível nacional, como por exemplo a questão da maioridade penal. Sem dúvida, é um tema bastante controverso e, ao mesmo tempo, delicado, que deverá ser conduzido com muito bom senso, para não gerar tumultos em sala de aula. Contudo, esse exercício oral será muito bom para que os alunos vivenciem, ainda que de forma restrita ao ambiente escolar, as etapas de elaboração de um documento oficial percebendo e vivenciando as possibilidades de pensamentos convergentes e divergentes implícitas em tal ação e o quanto isso adia a elaboração de um documento final e consensual. Por meio deste exercício, são estudados aspectos de Português, como expressão e comunicação verbal e escrita e análise da linguagem apropriada para documentos oficiais. Ao estudar cada um deles também analisam-se a evolução e a intervenção histórica de aspectos que envolvem Pluralidade Cultural e Cidadania nos vários artigos, considerando-se a inclusão ou não de questões contemporâneas como racismo, cotas em universidades, assédio verbal, discriminação por etnia, segregação de gênero, raça, cor da pele, posição político-partidária e prática religiosa. Os temas são interligados e, sem dúvida, bastante polêmicos, porém, precisam ser discutidos.

  Comentário:   Avaliação:

A sala poderá ser dividida em 3 grandes grupos, sendo que cada um será responsável por pesquisar um dos documentos citados, emitindo pareceres. Ao professor caberá analisá-los e conduzir as intervenções dos demais alunos enfatizando que, a cada argumento apresentado, deve corresponder uma ou mais evidências que o justifiquem.  

A história brasileira é marcada pela dominação étnica desde quando os negros foram trazidos para o Brasil. Seqüestrados, submetidos às condições desumanas os negros lutavam para preservar a dignidade, os costumes de um povo. No entanto a luta era desigual e apesar da passagem do tempo, do repúdio a escravidão, ainda hoje os negros sentem na pele escura os resquícios de toda sua saga, temos em nossa sociedade atuais representantes de um pensamento ideológico arcaico que tem raízes profundas, complexas.

A diferença entre negros e brancos nota-se nas dimensões sociais e econômicas.

Não é a toa que as estatísticas mostram que negros e pardos estão entre as parcelas mais mal remuneradas da sociedade. E que as oportunidades ficam menores quando se é mulher, pobre e negra, como a protagonista do filme.

A Escola enquanto instituição não tem como assumir uma posição neutra em relação ao tema, ou o professor atua como agente transformador ou perpetua a ideologia discriminatória.

Trazer o tema para a discussão, ouvir diferentes pontos de vistas, refletir sobre como a sociedade lida com o tema, associar outros artigos e livros, as possibilidades são diversas, o importante é desenvolver a exibição do filme de tal forma que venha verdadeiramente agregar novas visões e atitudes diante do tema central. Ajudando ao aluno perceber seu entorno social com outros olhares.

Uma das mais belas lições do filme é a negação do conformismo, da busca pelo conhecimento para a transformação dos fatos. É alquimia do conhecimento. É esse desejo que a escola tem que despertar. Você se habilita?

Que a escola possa colocar na mão das crianças, jovens, adultos uma nova possibilidade e que possamos dizer diariamente: Xeque mate discriminação racial!

  Objetivo:   Discutir a questão racial, bem como as relações que existem entre as classes sociais.

Possibilitar conhecimentos e vivências que cooperam para que se apure sua percepção de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que recaiam sobre si mesmo, ou que venha a testemunhar - e para que desenvolva atitudes de repúdio a essas práticas.   Situação Didática   Pedir que os alunos relatem situações em que já tenham vivenciado algum tipo de preconceito em relação a si mesmo ou a outras pessoas
Focar sobre a situação do negro e as condições em que foram inseridos no Brasil
Propor que os alunos durante quinze dias, façam registro de aparições de negros na televisão em qualquer programa ou propaganda, sendo que o registro deve conter o nome do programa/propaganda, horário e uma descrição da situação do negro apresentada
Em grupos de 6 crianças pedir que tabulem a freqüência das aparições e que o grupo redija uma síntese do que concluiu
Apresentação dos grupos
Propor que o grupo assista o Curta- Xadrez das cores
Conversar sobre as impressões do curta
Pedir que as crianças façam um júri-simulado sobre a situação de preconceito vivenciada pela protagonista.

Organização do júri-simulado:


5 pessoas para defender a patroa
5 pessoas para defender a empregada
5 pessoas para decidir a questão
20 crianças que se responsabilizarão para montar um registro jornalístico do fato

É importante trabalhar com as crianças sobre as funções e papéis que cada um desempenhará, deixando claro que todas entendam a natureza de sua função.

Validar procedimentos de pesquisa que apóiem os argumentos da acusação e da defesa, e como relatar um fato em forma de página de jornal.

Filmar o júri simulado para que depois as crianças assistam e façam críticas


Fazer leitura dos jornais de registro do júri
E comparar as diferenças de fatos, visões e opiniões,
Validar a diferença de opinião desde que estão não possua caráter preconceituoso
Entrevistar um advogado para que indique quais são os artigos no código penal que tratem do preconceito racial
Leitura dos artigos e das penas
Montar um mural indicando o filme com informações sobre o que é o código penal e como lida com o preconceito racial.

As relações raciais no Brasil são marcadas por contradições. Ao mesmo tempo em que parcelas significativas da população negra se encontram em situações de desvantagem, no quadro de desigualdade social, o racismo é negado oficialmente e também pelo senso comum. Em muitos casos, evoca-se a mestiçagem do povo brasileiro como fator de unidade e ausência de conflito. No entanto, há práticas veladas de racismo, como o requisito de "boa aparência" para a conquista de um emprego, que escondem um padrão de beleza branco, ou a associação do negro às funções que requerem menos qualificação profissional.

Esse racismo velado se reflete também no sistema educativo. A crença de que vivemos em um paraíso racial, sem conflitos, muitas vezes, impede que o assunto seja tratado em sala de aula, como se ao tocar no assunto estivéssemos criando o preconceito. As atitudes preconceituosas inscrevem-se no plano da invisibilidade da questão para amplos setores da sociedade.

Preconceito e discriminação são crimes. Talvez, seja este um dos primeiros passos rumo a uma mudança de mentalidade e atitude. Mas apenas leis, externas ao sujeito e tendo seu cumprimento subordinado ao poder coercitivo do Estado, não garantem mudança de atitudes. Tal mudança implica numa ação formativa de âmbito moral através da qual é o próprio sujeito quem se auto-obriga ao cumprimento das normas tendo por base seus valores e sentimentos morais.

A formação moral torna-se, dessa maneira, fundamental para que os direitos sejam de fato reconhecidos e respeitados. A constituição de um sujeito moral é função também da escola e depende do enfrentamento das situações de conflito surgidas na escola e também em contextos externos à sala de aula.

Tomar a palavra a partir da discussão e do enfrentamento de problemáticas cotidianas possibilita a análise do problema, a sua discussão, a percepção de que há diferentes formas de enfrentá-lo. Permite, também a descoberta dos próprios sentimentos e dos sentimentos dos outros envolvidos.

Uma ação educativa baseada pautada por tal disposição exigirá dos alunos um raciocínio sobre a problemática que surge das relações interpessoais e sobre as emoções associadas a tal problemática. Tal aprendizagem dependerá da descentração do próprio ponto de vista, para que se possa contemplar simultaneamente pontos de vista diferentes.

O filme aborda a questão do conflito racial presente em nossa sociedade, explicitando os sentimentos dos atores envolvidos e propiciando uma reflexão crítica acerca da discriminação racial. Nossa presente proposta pretende uma ação educativa cujo objetivo central é o desenvolvimento do sujeito moral.   Objetivo:   Objetivos Gerais

desenvolver a capacidade de compreensão crítica da realidade
adquirir sensibilidade para perceber os próprios valores e sentimentos e utiliza-los criticamente enquanto procedimentos de educação moral
estimular a capacidade dialógica, a tolerância e a participação democrática
reconhecer e assimilar valores morais que podemos entender como universalmente desejáveis
conhecer informações relacionadas à problemática apresentada que possam ter relevância para explicitar valores.

Objetivos Específicos

estimular a participação de todos os alunos alunas, expressando suas opiniões e sentimentos
discutir o preconceito e a discriminação racial em nossa sociedade
através da problemática abordada pelo filme desenvolver conteúdos curriculares específicos em cada área de conhecimento.
  Situação Didática   Discussão em grupo:

Os alunos e alunas são convidados a expressarem sua compreensão acerca do filme e da problemática abordada. Sugerimos algumas questões, para conduzir a discussão em grupo, que têm como objetivo a reflexão sobre o tema da discriminação, levando os discentes a perceber os valores envolvidos na questão.

Sugestão de perguntas para direcionar a discussão:

- A situação vivida pela empregada, é algo que vocês apreciam?


- O que vocês sentiram diante do tratamento que a patroa dispensava à empregada?
- Por que a patroa tratava a empregada daquela forma?
- O que a patroa sentia diante do fato de ter uma empregada negra?
- Como a empregada se sentia diante dos comentários e atitudes da patroa?
- O que você achou da reação da empregada?
- O que você faria se estivesse no lugar da empregada?
- O que você considera positivo na atitude da empregada e da patroa?

A partir das opiniões emitidas propor uma reflexão sobre os valores envolvidos na situação retratada pelo filme.

Levantamento de situações semelhantes vivenciadas pelos alunos e alunas

Propor uma atividade escrita na qual os alunos e alunas relatem uma situação semelhante à descrita no filme. Os alunos que se sentirem à vontade podem ler sua redação para os colegas.

Pesquisa sobre a situação do negro no Brasil

Buscar na mídia e em órgãos oficiais, IBGE, por exemplo, informações sobre a situação do negro no Brasil: indicadores sociais (nível de escolaridade, condições de moradia) e econômicos (ocupações, nível de renda).

Discussão sobre os direitos dos cidadãos

A partir dos dados e informações obtidos, discutir os direitos de cidadania e a igualdade em relação ao gozo dos mesmos.

Projeto envolvendo diferentes disciplinas

Após a discussão, fazer um levantamento com os alunos e alunas sobre as perguntas que gostariam de ver respondidas relacionadas ao tema. Por exemplo, podem surgir questões como: "Por que os negros ganham menos?" - "Por que os negros estudam menos que os brancos?" - "Como começou o preconceito no Brasil ?"

Partindo das questões eleitas pelo grupo elaborar um planejamento pedagógico que possa contemplar os conteúdos específicos de cada disciplina na resposta à questão proposta.

Assim, em história poderia ser estudado o período da escravidão. Em matemática porcentagem. A idéia é que os conteúdos escolares possam ser desenvolvidos a partir de uma temática relevante, respondendo às dúvidas nascidas das discussões em grupo.

  Comentário:   Indicações Bibliográficas

ARAÚJO, Ulisses F. (2003). Temas Transversais e Estratégia de Projetos. São Paulo: Moderna.

BUARQUE DE HOLANDA, Sergio (1995). Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras.

CORTINA, Adela (2003). O Fazer Ético: guia para a educação moral. São Paulo: Moderna.

SCHILLING, Flávia (2004b). A multidimensionalidade da violência. In CARVALHO, José Sérgio (org.). Educação, cidadania e direitos humanos.Petrópolis: RJ: Vozes. SERRANO, Gloria P. (2002). Educação em Valores: como educar para a democracia. Porto Alegre: Artmed.

PUIG, Josep Maria (1998). Ética e Valores: métodos para um ensino transversal. São Paulo: Casa do Psicólogo.  



Tema Transversal: Pluralidade cultural- Discutir a questão racial, bem como as relações que existem entre as classes sociais.

Possibilitar conhecimentos e vivências que cooperam para que se apure sua percepção de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que recaiam sobre si mesmo, ou que venha a testemunhar - e para que desenvolva atitudes de repúdio a essas práticas.  


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