De jornais paulistas dos séculos XIX e XX: contribuição para o Projeto de História do Português Paulista



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Corpus de jornais paulistas dos séculos XIX e XX: contribuição para o Projeto de História do Português Paulista

[CARTAS DE LEITORES]

Alessandra Castilho da Costa

Sumário


Apresentação

I - Coletas de edições completas




    1. Correio Paulistano




      1. Edição de 22 de agosto de 1854

      2. Edição de 08 de janeiro de 1856

      3. Edição de 05 de setembro de 1854

      4. Edição de 02 de abril de 1875

      5. Edição de 08 de junho de 1901




    1. A Província de S. Paulo/O Estado de S. Paulo




      1. Edição de 28 de janeiro de 1875

      2. Edição de 20 de janeiro de 1901

II – Coletas complementares por gêneros textuais


2.1 Notícias – Correio Paulistano, 02, 04 e 05 de janeiro de 1856

2.2 Cartas de leitores – Correio Paulistano, A Província de S. Paulo/O Estado de S. Paulo (1854, 1875 e 1901)

2.3 Anúncios – O Estado de S. Paulo, 22 de janeiro de 1930

2.4 Anúncios – Correio Paulistano, 12 de janeiro de 1960




Apresentação

O romanista alemão Peter Koch1 ensina que, ao compilarmos material lingüístico na elaboração de um corpus, devemos sempre considerar que esse material é atravessado por diferentes tradições discursivas e, por isso, não devemos imaginar que existam “fatos brutos”. Quer dizer: os textos apresentam-se sempre, inexoravelmente, em “distorção” discursivo-tradicional. E conclui, ainda: quando nos mantemos atentos a esse fato, determinadas tradições discursivas podem se mostrar mais ou menos adequadas para a análise de determinados fatos lingüísticos.

A partir dessa reflexão, torna-se evidente que um projeto de estudo do uso da língua na diacronia deve considerar a correlação entre gênero textual e probabilidade de ocorrência de determinados fenômenos lingüísticos. Em vista de sua variedade de gêneros textuais, o jornal é um objeto de estudo que pode contribuir grandemente para o estudo da diacronia do português.

Como veículo de comunicação de massa, o jornal procura atingir, logicamente, um publico variado. Para o lingüista, esse fato permite estabelecer uma relação entre as formas utilizadas no jornal e o conhecimento lingüístico (pressuposto) de seus leitores em uma determinada época.

O presente Corpus de jornais paulistas dos séculos XIX e XX: contribuição para o Projeto de História do Português Paulista foi desenvolvido no âmbito do Projeto de História do Português Paulista (PHPP), lançado pelo Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho em 1997 na Universidade de São Paulo. Da agenda do Projeto Caipira constam, grosso modo, a organização de corpora diacrônico, o estudo da mudança gramatical, a história social e a formação e transformação de gêneros textuais. O material aqui compilado serviu de base para as análises apresentadas em meu projeto de pós-doutoramento “Tradições discursivas da mídia impressa do português brasileiro: gênese, formação e transformação de gêneros discursivos em uma perspectiva diacrônica”2.

Ao Egregio Tribunal da Redação

Para esse superior tribunal, aggravarão Arzilla e Pontes, do despacho do meritissimo juiz de Commercio, que, em pena os desti-tuio da liquidação da firma de Salgado & C.a

Que interesse terão esses dous individuos em quererem persistir e manter-se na liqui-dação dessa firma onde elles nada tem se não a quarta parte [ilegível] lucros houverem?

Que lucros poderão haver em 7 mezes e poucos dias que durou a tal sociedade?

Terão elles mais interesse na prompta liquidação da casa, do que os credores que lá (anáfora) tem o seu cobre, e o desejão receber?

Será ainda pouca a escandalosa protelação que tem havido em prejuizo dos credores?

Estará a massa ou o espolio em melhor ou peior estado do que estava, em 17 de Novembro do anno de 1873, em que morreu Salgado?

É o que o superior tribunal vae vêr, nesse formidavel tamanduá, onde está appenso o incidente, e no qual tem vigorado mais as tretas do que as letras.

Ao superior tribunal da relação recommendamos, a bem da justiça da moralidade pu-blica, a leitura não só do processo de falencia,comodo appenso, onde verão cousas, que só seriam justificadas nos sertões de Botucatú e não no fôro da capital, onde dizem haver illustração e moralidade.

Um credor.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 06 de janeiro de 1875
Os Liquidantes de Salgado & C.a

Tendo os Srs. J. Pontes, e L. F. de Arzilla procurado justificar-se, offendendo a um dos credores da massa; pedimos ao publico que espere a publicação de certidões, que vamos requerer dos assentamentos da Cadeia publica, e de certos papeis existentes na secretaria ecclesiastica.

O Bigamo Civil.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 08 de janeiro de 1875

Camara municipal de Jundiahy

O sr. Francisco de Queiroz Telles, vice-presidente da comarca de Jundiahy, irritado com a publicação que fiz na Província de 18 de Junho, lembrou-se de dizer-me na sala da mesma camara, onde nos achavamos reunidos para sessão de 10 do corrente, que não me respondia em attenção a meu cunhado e seu irmão o sr. José de Queiroz Telles, e por não dar-me importancia.

Como viu o publico, e sabem todos que têm bom senso, os factos de que tratei em a publicação alludida, nada têm de pessoal.

Nada importam, portanto, as minhas relações de parentesco com o irmão do sr. Francisco de Queiroz.

Presando-me como individuo, e como homem publico, sabem todos que me conhecem e ao sr. Francisco de Queiroz, que me é inteiramente indifferente o conceito que de mim possa ou queira fazer um homem do seu jaez.

O sr. Francisco de Queiroz mesmo se tem bom senso e consciencia, deve ter a convi-ção disto, e comprehender a que razão devia attribuir a cortezia com que sempre o tratei.

Chamando, pois, a questão ao seu verdadeiro terreno, provoco-o, sr. vice-presidente da comarca de Jundiahy, a que faça o publico juizo entre nós em relação ao facto publicado na Provincia de 18 de Junho.

O sr. Queiroz, não acode ao meu appello, não pelas razões que me deu em fórma e linguagem proprias de seu talento e educação, e sim porque é incapaz de defender-se com vantagem em qualquer questão, maximé, nesta em que a sua posição não tem defesa possivel, no dominio da lei e da moralidade.

Conte, porém, o sr. Francisco de Queiroz, que em mim encontrará sempre o firme proposito de fazel-o respeitar a lei e os direitos do povo de Jundiahy, a quem s. exc. está habituado a considerar como seus feitores e colonos,

Jundiahy, 8 de Julho de 1875.

Francisco de Paula Cruz.


Carta do leitor
A Província de São Paulo, 10 de julho de 1875

A S. M. o Imperador

Agora que S. M., assistindo á profunda preleção de hontem, poude apreciar de perto os conhecimentos do abalisado jurisconsulto dr. Justino de Andrade, esperamos que não deixará em ol[]ido o distincto cidadão que tem dedicado toda a sua vida ao estudo no intuito de incutir no animo da mocidade os sãos e severos preceitos do direito.

A justiça


Carta do leitor
A Província de São Paulo, 19 de agosto de 1875

Mogy-mirim

Ha um sentimento que opprime a consciencia humana, como o remorso, quando ella é suceptivel a impulsos nobres: é a gratidão comprimida, abafada no fundo do coração.

Quando a nossa pequenez impossibilita-nos de satisfazermos de outro modo uma divida de generosidade magnanima resta-nos então a lembrança pequena, a saudade indisivel, essa adoração celestial que faz de um animal um homem, e de um homem um se-mideus.

Mas se a gratidão gravada em nossas almas é tão grande como aquella que eu agora sinto, vemo-nos impellidos por um dever rigoroso a atirarmo-nos inteiramene á espansão e á publicidade.

Sinceramente penhorado pela generosidade hospitaleira que me prodigalizou o bom e sympathico povo mogymiriano, sinto ne-cessidade de con s[]grar-lhe na imprensa um solemne voto de gratidão.

Obrigado por incommodos de saude a re-sidir por muitos mezes naquella cidade, para melhor aproveitar dos sabios conhecimentos medicos do distincto facultativo, o illm. sr. dr. Antonio Pinheiro de Ulhôa Cintra, vi-me ro-deado de attenções tão cavalheirosas que já-mais poderei esquecer. Profundamente pe-nhorado pois, peço licença aos distinctos ca-valheiros que me honraram com os favores de suas amisades para registrar-lhes na im-prensa este publico testemunho de eterno re-conhecimento. A todos offereço meus limi-tados serviços nesta villa, onde continuo a residir.  Ouro Fino, 20 de Julho de 1875.

Carlos Corimbaba.


Carta do leitor
A Província de São Paulo, 19 de agosto de 1875

Agradecimento

Os academicos rio-grandenses agrade[]em do intimo d´alma ao sr. dr. João Jacintho Gonçalves de Andrade o obsequio que lhes fez, prestando-se graciosamente a celebrar a missa que, por alma do conde de Porto-Ale-gre, mandaram rezar.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 19 de agosto de 1875

Agua na fervura |

Não provoque represalias, não morda a | mão que o protegeu, não insulte quem o | tirou da amargura, quem o ajudou a sair do | abysmo, não revele negra e feroz ingrati-|dão. |

Modere o enthusiasmo, aplaque o furor | de proteger, não estrague sua importancia, | influencia e prestigio; porque talvez breve | precise para si. |

O processo de subtracção de dinheiros pu-|blicos mais dias ou menos dias póde reap-|parecer; e ahi talvez não valha nem o | 3  500 Scipião. |
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de outubro de 1875
Mofina |

Essa bab[] impura que assentou de de-|primir a professora do Bairro do Caguassú, | fulminando-lhe uma accusação por falta de | cumprimento de seus deveres, sáia a campo, | sob pena de passar pelo mais vil calumnia-|dor, por serpe vil, e pelo mais sevandija que | existir póde sobre a terra. 6  3 |

S. Paulo, 18 de Outubro de 1875. |

José Fortunato Rangel Maia. |
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de Outubro de 1875.
Ao publico

José Gomes da Rocha dá conhecimento ao respeitavel publico que, de ora em diante, assignar-se ha José Gomes da Rocha Gon-dim ; e que assim procede porque já teve a honra de ser recolhido á cadea duas vezes, pela sabia policia desta provincia, como autor de um assassinato, que a mesma exma. sra. d. policia diz que fôra perpetrado ha 10 an-nos, em Grãomogol, terra em que o abaixo assignado jámais pisou.

E mais avisa a trez pessoas, que tem egual nome, que se acoutelem da policia, porque tendo o abaixo assignado mudado o nome, deixa em perigo os que o não fizerem.

Sim, senhores! Fui duas vezes á cadea, como assassino: e na ultima vez prenderam-me em Aiahy, algemaram-me, e remette-ram-me para esta cidade, em cuja cadea es-tive cerca de mez e meio, tendo deixado em Apiahy minha pobre mulher e filhos entre-gues ao mais exarceb[]do dessespero.

Felizmente, pela segunda vez, depois de mez e meio de prisão, graças a Deus, sol-taram-me por innocente!... E eu resolvi mudar de nome, para não cahir terceira vez na rat[]e[]ra.

S. Paulo, 20 de Stembro de 1875.



José Gomes da Rocha Gondim.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de setembro de 1875.

reclam Municipal

Quando s[] r[]s[]lverá a reclam a lançar suas vistas sobre o horripiliant[] “Anhagaba-hú[] deposito de imumdicias e verdadeiro fóco de infecção no centroda cidade?!!!

Os moradores do Bexiga.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de setembro de 1875.
Ao sr. T. F.

Não podendo, como se verá mais abaixo, ainda hoje dar a publico os documentos que prometti publicar, e, não querend[] incorrer na suspeita de que sejam impensadas as mi-nhas asseverações, transcrevo o trecho de uma carta de um amigo de Taubaté. Eis o que elle

Me diz:

“Relativamente ao cavalheiro T. F. é exacto que elle esteve processado por tentativa de rapto, segundo tenho ouvido a mais de uma pessoa. Por ter estado no sitio não pude tomar nenhumas informações e ainda menos a certidão que me péde. De tudo isso irei cuidar com empenho.

“O que é certo é que esse sugeito deixou aqui mau nome, e saiu um tanto apressado, sendo até hoje ignorada a sua residencia. “

O que acima fica exposto bastará ao publi-co perspicaz para julgar das qualidades do meu contendor: entretanto prometo desfiar na praça publica o collar das façanhas de tão digno cavalheiro.



Um pae de familia indignado.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de setembro de 1875.
Ao publico

O Diario de Santos, em artigo editorial de 10 do corrente, denunciando á imprensa cer-tos abuzos que diz terem sido commetidos nos autos de uma acção de liberdade em que figuro como parte, fá-lo em termos e de modo que me obriga a referir ao publico as cir-cumstancias que precederam ao pleito e ainda hoje se dão em relação ao seu objecto.

Para melhor esclarecimento da questão, convém remontar á sua origem:

No mez de Março ou Abril do anno cor-rente, appresentaram-se em minha casa dous cavalheiros que disseram chamarem-se José Fernandes e Sant´Anna, e serem emprega-dos da Companhia de Melhoramentos da cida-de de Santos, e allugaram-me um trolly para conduzi-los a Sorocaba.

Acompanhou-nos, como cocheiro, até aquel-la cidade (anáfora), o meu escravo, Franklin, autor da causa citada.

Pouco tempo depois de haver regressado da viagem, foge este preto, e afinal vim a saber que elle estava trabalahndo em Santos.

Parti para alli (anáfora), e effectivamente lá (anáfora) fui en-contrá-lo feito conductor de um bond, e pren-di-o.

Poucas horas depois, os srs. Fonseca, Sant´Anna e José Fernandes, empregados da companhia de Melhoramentos, procuraram-me e propuzeram a venda do escravo, que não pôde effectuar-se por não chegarmos a accordo sobre preço.

O preto tem 23 annos, é excelente co-cheiro; pedi por elle 2:600$.

No dia sguinte, tendo de retirar-me de Santos, pedi ao delegado de policia a entrega do meu escravo, e aquelle me respondeu que não o mandava entregar, porque o sr. José Fernandes havia depositado no cofre de or-phãos a quantia de 1:200$000, destinada á liberdade do preto.

Em consequencia, parti de Santos e lá (anáfora) fi-cou o escravo em deposito. Propoz-se então a acção de liberdade, cuja decisão pende dos tribunaes.

Resta, entretanto, adduzir certas conside-rações de ordem assáz elevada, pois que en-tendem com a segurança da propriedade in-dividual e com direitos constituidos que, por erronea interpretação da lei, são sophisma-dos em detrimento meu.

Por preceito expresso da legislação patria o fôro do escravo é o do domicilio do seu senhor. Os tribunaes de Santos, porém, en-tendem o contrario, e por aquelle fôro corre a acção, apezar das reclamações que fit, para que ella fosse julgada no fôro de Ytú, onde resido.

O meu escravo Franklin, fugido, e preso por mim, propõe acção sem exibir titulos de peculio cuja somma equivalha ao seu preço razoavel, segundo a exigencia do art. 57 do regulamento de 13 de Novembro de 1872, que explica a lei de 23 de Setembro de 1871.

O deposito da quantia de 1:200$, feito pelo sr. José Fernandes não póde ser considerado como elemento que constituia peculio porque não é nem doação, nem legado, e a lei não admitte liberalidade de terceiro senão nas con-dições exigidas pelo art. 48 [ilegível] []gulamento citado.

Nem siquer assiste ao escravo Franklin o direito de contractar com terceiro, em favor de sua liberdade, a prestação de serviços fu-turos; pois que para isto não tem o meu consentimento; condição ainda expressamen-te especificada no art. 4º § 3º da leide 28 de Setembro, e art. 61 do Regulamento alludido.

A despeito, porem, de todas estas circum-stancias, os tribunaes de Santos têm dado andamento á acção, sobre a qual, felizmente, tem a Relação do districto de dar sentença.

Entretanto, emquanto taes cousas se pas-sam, eu estou privado dos serviços de meu escravo e a ainda o Dia[] de Santos, com se-riedade grotesca, diz que eu sou um senhor prepotente, riquissimo, e que o preto Frank-lin é a victima que um capricho meu quer sacrificar!

Mal informado (porque não me assiste o direito de chamal-o malevolo) andou o Dia-rio. Eu não ponho obstaculos á liberdade do escravo Franklin  exijo apenas por ella o seu preço razoavel,

A victima nesta questão serei eu, e con-tra mim exercem prepotencia os tribunaes, e alguns individuos capricho odioso.

O facto de fugir o meu escravo, dias de-pois de ter viajado para Sorocaba com os empregados da Companhia de Melhoramen-tos de Santos, e ir directamente allugar-se como cocheiro naquella companhia, é indi-cio vehemente de que alguem exerceu se-ducção sobre elle.

Accresce que o sr. Sant´Anna, apontador daquella companhia e contratador de servi-ços, tendo sido pouco escrupuloso ao ponto de ajustar para o trabalho da companhia um preto que elle conhecia como escravo meu, e que, sem que apresentasse documento em que eu o auctorisasse a procurar serviço em Santos, devia ser considerado fugido, esta-beleceu contra si prova de crime de acouta-mento, pelo qual, opportunamente, eu hei de processal-o.

Eis os termos da questão; o publico que julgue entre mim e o Diario de Santos.

Concluindo, devo protestar contra todos os abusos denunciados no artigo a que res-pondo, nos quaes, a serem verdadeiros, eu nenhuma parte tenho. Na acção que se plei-tea, sou representado por meu advogado, a qual só encarreguei daquillo de que po-dia encarregar; isto é, da defesa de meus direitos.



Elias Ántonio Pereira Mendes.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 21 de setembro de 1875.
O fôro

Chamei á responsabilidade o artigo inserido no Correio de hoje, assignado por M. Bento Vianna.

A questão toda versa em não consentir eu que o sr. Bento Vianna reduza o fôro a Sicilia na cobrança de custas a que não tem di-reito.

Como advogado, não admitto piratas em causas que trabalho.

E, no tempo devido darei ao publico o resultado do processo que intentei contra o auctor e responsavel do artigo alludido.

João Peregrino Veriato de Medeiros.

Carta do leitor


A Província de São Paulo, 24 de junho de 1875.
A companhia Lyrica e a de Zarzuela

Devido á officiosidade de um espalha brazas em breve retirar-se-ha a companhia de Zar-zuela, para dar o lugar à Lyrica.

Quando a companhia Hespanhola estava em maré de felicidade e o publico princi-piava a tomar gosto pelas zarzuelas, cede-se o theatro á outra companhia, que se apre-senta com um imposant inexcedivel.

Da comparação do elenco das duas compa-nhias se vê que a de zarzuela está muito mais completa que a lyrica.

Os artistas são melhores, na proporção dos dous generos em que trabalham; o corpo de córos é muito melhor, por que ao menos tem damas.

A companhia Lyrica quer se impôr ao pu-blico. Mais de vagar, por que não tem ella um artista que se diga de 2ª ordem ao me-nos.



2º Observador.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 27 de abril de 1875.
Itapetininga

Em resposta aos artigos e mofina do Municipio, desta, só tenho a dizer o seguinte:

O doutor e o rabecão perdem seu tempo em atirar-me pedradas que não podem me alcançar. Não tenho credores que possam me incommodar, porque nunca contrahi dividas que não pudesse pagar.

Outro tanto não póde dizer o doutor que nunca ha de pagar o que deve.

Quanto á reclamação do rabecão, póde receber essa miseravel quantia, com a condi-ção que ha de declarar que recebe por doa-ção, e não porque tnha direito; se suppõe ter, recorra ao poder judiciario que decidirá quem tem razão.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 27 de abril de 1875.
Agradecimento

Sendo a gratidão o mais nobre e elevado dos sentimentos, os abaixo assignados em falta de outros recursos vêm á imprensa para manifestar sua eterna gratidão a to-das as pessoas que se prestaram no doloroso transe porque passou Antonio Januario de Quadros, durante sua enfermidade, na cida-de de Rio Claro o qual entregou sua alma a Deos no dia 27 de Março proximo passado. Sendo este um dos serviços que jamais podem esquecer os abaixo assignados, pae e irmãos do fallecido, imploram a Providencia que lhes prolongue os annos e lhes cubra de bençãos. Destacamos com especialidade os nomes dos seguintes srs.:

Vigario Flaminio Alves Machado de Vasconcellos.

Coadjutor Padre Julio Serroceno.



Dr. Francisco Villela de Paula Machado.

Pharmaceutico, Olegario José de Arruda Mendes.

Sachristão da Parochia Antonio Saturni-no da Pa[]ão.

Antonio Gonsalves de Amorim.

Antonio Hercules Napoleão Chaves.

Os irmãos Pompêos.

Os irmãos Campos Mendes.

Ernesto de Abreu Rangel.

E aos distinctos muzicos da corporação de Santa Cruz, offerecendo seus limitados prestimos em qualquer parte que a sorte os col-loque.

Ytú, 16 de abril de 1875.

Joaquim Januario do Monte Carmello.

José Januario de Quadros.

Bernardino Januario de Quadros.

Luiz Januario de Quadros.
Carta do leitor
A Província de São Paulo, 27 de abril de 1875.
Agradecimento

A viuva, filhos, genros e netos do finado conselheiro Joaquim Floriano de Toledo agradecem á todas as pessoas que espontaneamente dignaram-se, não só acompanhar o enterro do mesmo finado, como assistir ás missas que em suffragio de sua alma foram ditas em diversas egrejas.


Carta do leitor
A Província de São Paulo, 27 de abril de 1875.
Prolongamento da estrada do Rio Claro

Quando o craneo dos estadistas e politicos se encandece no fogo da discussão religiosa, quando o Bispo de Pernambuco, deixa prenhe com a grandesa de sua Pastoral as columnas do Jornal do Commercio, quando o viajante grita pelo pessimo estado de nossas vias de communicação, quando os jornaes caricatos se occupam do ministerio, e dos theatros, quando finalmente a lavoura estremece ante o negro phantasma que lhe cerceia os braços, é que eu, de um canto ignorado do mundo, tomei a resolução de vir a esta cidade, onde só se trata de caminhos de ferro!

Caminho de ferro! milagre da civilisação, operaste em mim uma revolução nervosa, e quasi que me desconheço. Podera! Eu que, sempre preso ao natural acanhamento, companheiro inseparavel de uma insufficiencia consciente, me remettia sempre ao silencio quando via discutir-se esta ou aquella questão, em materia que muitas vezes me era conhecida, tomo hoje ares de Paladino e puxo da durindana enferrujada, para entrar no torneio dos caminhos de ferro! E assim devia ser, porque estou affectado dessa febre que augmenta o pulso da população Rio Clarense.

Não pensem porém que vou invadir o vedado terreno da engenharia e de mechanica, entrando na discussão technica, só permittida aos mimosos filhos, criados com o leite da sciencia. Vou fallar, porque todos fallam, vou gritar, porque todos gritam, e chorarei se todos chorarem, quando os competentes na questão derem sentença final, inappellavel e sem recurso, sobre o ramal que deve seguir á Pirassununga.

É opinião aceita, desejo unanime, voto sem contradição, que o ramal deve partir d´esta cidade, tendo por ponto obrigatorio as Araras, de onde livremente se poderá estender por onde o nariz da sciencia apontar.

Os fazendeiros importantes desta localidade, a ser aceito este alvitre, tomarão alguns milhares de acções, e ao contrariose remet-terão ao silencio, e nem á rogo das serêas to-marão sequer meia duzia de acções. Ia di-zer uma acçãoMASnão quero que confundam com um mação , porque a innocencia de minhas cartas póde ser interpretada jesuiticamente.

Dito isto, dei o primeiro recado e esperem que logo darei conta de mais.
Carta do leitor


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