De que forma o hipertexto está inserido na educação? reflexões preliminares ao catálogo de sites voltados para ensino de E/LE



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De que forma o hipertexto está inserido na educação? reflexões preliminares ao catálogo de sites voltados para ensino de E/LE
Vânia Travaglia(PIBIC/CNPq/Unioeste), Greice da Silva Castela(Orientadora), e-mail: greicecastela@yahoo.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Comunicação e Artes/Cascavel-PR
Grande área e área: Linguística, Letras e Artes - Letras
Palavras-chave: hipertexto, multiletramentos, ensino de E/LE
Resumo
Esse recorte da pesquisa tem por objetivo contemplar o conceito teórico e prático do ‘hiperlink’ e do ‘hipertexto’, a partir da revisão bibliográfica realizada no projeto de iniciação científica “Organização de catálogo com sites voltados para ensino de E/LE”, que começamos em abril desse ano. Essa investigação se insere no Projeto de Pesquisa “Novas tecnologias na Educação: análise de sites para ensino-aprendizagem de línguas”, financiado pela Fundação Araucária. O foco é o âmbito educacional, de como o hiperlink e as tecnologias de informação têm afetado o conceito de letramento desde o início do século XXI. Procuramos tratar das novas formas de aprender e da relação com o conhecimento que se tornaram possíveis por meio da evolução das tecnologias de informação.
Introdução
Esse recorte da pesquisa visa contemplar o conceito teórico e prático do ‘hiperlink’ e do ‘hipertexto’, a partir da revisão bibliográfica realizada no projeto de iniciação científica “Organização de catálogo com sites voltados para ensino de E/LE”, iniciado em abril de 2015. Essa investigação se insere no Projeto de Pesquisa “Novas tecnologias na Educação: análise de sites para ensino-aprendizagem de línguas”, financiado pela Fundação Araucária.
Materiais e Métodos
Utilizamos aportes teóricos de Castells (2005), Cope & Kalantzis (2008), Rojo (2012), entre outros, a fim de esclarecer como se deu a construção dos conceitos de ‘hipertexto’ e como isso gerou a necessidade da criação do que chamamos de ‘multiletramentos’.
Resultados e Discussão
Logo no início do sec. XXI foi possível observar – no Brasil – o avanço crescente das TDC (Tecnologias Digitais de Comunicação) com fins pedagógicos. Atualmente passamos por um período de vivências da Sociedade em Rede, como foi observado por Castells (2005). Esse é o cenário em que a transformação fundamental é a passagem de uma sociedade centrada no trabalho, para uma sociedade centrada na educação. Assim, é preciso abrir espaços, para a invenção, a criatividade e para diferentes formas de trabalho e novas metodologias para o fazer pedagógico. O conhecimento deve ser amplo, de forma não fragmentada, não hierarquizada.

Em relação aos TDC, é possível retomar o sentido histórico do termo hipertexto, surgido nos anos sessenta com Theodore Nelson, para definir a ideia de escrita e leitura não lineares no sistema de informática. Para Nelson, o hipertexto seria a possibilidade de materialização de um diálogo constante não somente entre pessoas, mas da humanidade consigo mesma.

O hipertexto é a possibilidade do leitor escolher entre vários caminhos, qual encadeamento irá seguir. Dessa forma, ele pode se tornar ativo diante do texto, fazendo escolhas que lhe interessem e permeando áreas do conhecimento que lhe são atrativas. O hiperlink é uma escolha de caminhos nas mídias de comunicação interligadas, uma vez que a internet possibilita uma fluidez na relação entre textos referenciais.

No espaço pedagógico, articula-se a problematização da concepção de letramento. Tratando disso, a escola é responsável pelas novas formas de conhecer e ensinar existentes na sociedade moderna. É essa instituição que deve preparar e organizar a participação social seus ‘tutelados’. Sendo assim, o letramento – agora “multi” – passa a incluir e a considerar, nos currículos, as culturas de um mundo globalizado e intolerante presentes em sala de aula, quanto à convivência com a diversidade. Assim, com a “[...] multiculturalidade característica das sociedades globalizadas e a multimodalidade dos textos por meio dos quais a multiculturalidade se comunica e informa, o grupo cunhou [...] um conceito novo: multiletramentos (Rojo, 2012).”

O termo “multiletramentos”, segundo Cope & Kalantzis (2008), surgiu no intuito de englobar todas essas discussões referentes às novas pedagogias do letramento. Esses pensadores trouxeram dois importantes pontos que foram postos como prioritários pelo grupo: o primeiro é o crescimento cultural da diversidade linguística, originário da cultura de massa e da “negociação” com as diferenças enfrentadas nos contextos sociais de maneira diária.

Dessa maneira, a formação de professoras(es) envolve, ainda, a capacidade de lidar com a multimodalidade textual, ou seja, a capacidade de ler, produzir ou assistir a textos tanto orais e escritos quanto digitais ou impressos, que combinem diversos modos semióticos – linguístico, imagético, sonoro, gestual, espacial (Walsh, 2010), para agir de maneira crítica frente à diversidade nos mais distintos contextos sociais.

Tratando dos objetos digitais de ensino-aprendizagem, são instrumentos que promovem novas possibilidades no desenvolvimento de conteúdos digitais. A aplicação das características torna mais eficiente a atualização de conteúdos, reduzindo tempo e custo de desenvolvimento. Os repositórios devidamente identificados e catalogados disponibilizam recursos didáticos digitais e tornam o desenvolvimento do ato de ensinar mais dinâmico. A utilização de uma arquitetura utilizando-se das TDC, elaborada sob os aspectos da transdisciplinaridade, transversalidade e hipertextualidade abre ao professor novas possibilidades de ensinar condizentes com a nova era do saber.

Sob a perspectiva do letramento, acredita-se que se construa uma escola mais inclusiva, que cria condições para que os alunos construam sua autonomia, que assumam uma postura reflexiva que possibilite uma tomada de consciência sobre as escolhas de determinados recursos dentre os disponíveis e os efeitos que se podem produzir a partir dessas escolhas. Concordamos com essas diretrizes quando se afirma que promover letramentos múltiplos é uma forma de empoderamento e inclusão social.

As investigações de Ramal (2002) e de Lara (2011) revelam uma mesma realidade: a formação inicial vem subutilizando as potencialidades da tecnologia e que a universidade pouco tem contribuído no sentido de proporcionar vivências de uso dos recursos tecnológicos em práticas formativas de professores. Segundo estudos que pesquisaram a formação de professores para o uso das tecnologias digitais, como os de Schnell (2009), é necessário que a instituição escolar acompanhe as mudanças que estão ocorrendo no espaço social mais amplo, ou seja, organize-se de maneiras mais abertas às novas formas de lidar com a informação e o conhecimento, deixando de dar prioridade ao ensino restrito aos livros e ao professor, o que ainda é realidade na maioria de nossas escolas brasileiras.
Conclusões
Nota-se que pôr em prática atividades que desenvolvam esse trabalho mais colaborativo e autônomo requer professores que desenvolvam práticas em que o aluno percorra os próprios caminhos na construção do conhecimento. Os estudiosos da mídia-educação salientam que precisam ser problematizadas, no currículo da formação inicial, essas novas formas de interação e novos usos da linguagem propiciados pela experiência midiática.

O projeto de iniciação científica, após as leituras teóricas, passará a descrever e analisar sites voltados para ensino de Espanhol como Língua Estrangeira (E/LE), no segundo semestre desse ano.


Agradecimentos
Ao CNPq pela bolsa de iniciação científica e a Fundação Araucária pelo apoio financeiro ao Projeto de Pesquisa “Novas tecnologias na Educação: análise de sites para ensino-aprendizagem de línguas”.
Referências
Baladeli, A.D. (2011). Hipertexto e multiletramento: revisitando conceitos. E-scrita: Revista do Curso de Letras da UNIABEU 4, 6-17.
Brenda, R. (2014). Contribuições do PIBID de espanhol à formação inicial e ao uso das TIC. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras - nível de Mestrado - área de concentração em Linguagem e Sociedade, Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Granetto, J.C. (2014). Xanadu: hipertextualidade, objetos digitais de ensino-aprendizagem em língua espanhola, formação continuada dos professores – interfaces. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras - nível de Mestrado - área de concentração em Linguagem e Sociedade, Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Orlando, A.F. (2013). Gênero e diversidade na escola: multiletramentos em aulas de língua portuguesa. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras - nível de Mestrado - área de concentração em Linguagem e Sociedade, Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

Saito, F.S & Ribeiro, P.N.S. (2013). (Multi)letramento(s) digital(is) e teoria do posicionamento: análise das práticas discursivas de professoras que se relacionaram com as tecnologias da informação e comunicação no ensino público. Revista Brasileira de Linguística Aplicada 13, 37-65.









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