De uma jazida de ferro



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RELATÓRIO DE REAVALIAÇÃO

DE UMA JAZIDA DE FERRO

Localidade: Trindade

Município: São Mamede

Estado: Paraíba

Substância: Minério de ferro

Setembro/2008



APRESENTAÇÃO

O presente Relatório contem os dados referentes à pesquisa de um itabirito na localidade de Trindade, município de São Mamede, estado da Paraíba. Este documento consta de informações relacionadas à Geologia e demais assuntos pertinentes à pesquisa mineral realizada na área correspondente ao processo DNPM 846.113/2002, em atendimento a exigência emitida pelo 15º Distrito com ofício nº 746/2008, atendendo os seguintes itens:



  • Apresentar uma reavaliação da jazida de ferro considerando as novas informações obtidas pelas sondagens e representar o corpo mineralizado graficamente, incluindo mapas de detalhes em escala 1: 2.000;

  • Apresentar um diagrama de falhas e fraturas do corpo mineralizado;

  • Identificar a zona enriquecida com hematita.

O Relatório Final de Pesquisa apresentado ao DNPM destinou-se a caracterizar o bem mineral em questão quanto para a substância mineral Talco, e constitui-se de uma quantificação volumétrica do minério apresentando e discutindo dados referentes a sua exeqüibilidade econômica como; geologia, mercado nacional e internacional, custo x benefício, etc. Porém para o minério de ferro a pesquisa então realizada foi julgada como incompleta, necessitando de dados mais consistentes da reserva, o que resultou na exigência.

Aqui serão relatados dados como geologia local, dados estruturais, cálculo de reserva, trabalhos realizados na pesquisa, investimentos durante a pesquisa, mapas e outros necessários para a completa reavaliação da jazida.

O minério trata-se de um itabirito, rocha metamórfica formada de estratos alternados de quartzo, óxidos de ferro (hematita, magnetita), com granulação média a fina, com estrutura foliada a maciça e textura granuloblástica a lepidoblástica

Em atendimento às exigências legais, este documento é apresentado em três volumes, constando de textos e anexos e o comprovante dos documentos necessários para a realização da pesquisa mineral bem como os mapas planialtimétricos, geológicos e as ilustrações fotográficas.

1

INTRODUÇÃO
1.1 – IDENTIFICAÇÃO DO PROCESSO

O processo referente ao Relatório de reavaliação da jazida de ferro, está localizado Trindade, distrito e município de São Mamede, estado da Paraíba e está a seguir identificado:


Nº Processo DNPM: 846.113/2002

Área da Poligonal Delimitadora: 1.000,00 hectares

Nº Alvará de Pesquisa: N 6.650, de 01/10/02


Área total requerida: 1.000,00 Hectares
Área total pesquisada: 1.000,00 Hectares
1.2 – IDENTIFICAÇÃO DO TITULAR

Nome: C G MINERAÇÃO LTDA


CNPJ:
Endereço: - RN
Fone/Fax:
E-mail:
Responsável Técnico:

1.3 – MEMORIAL DESCRITIVO DA ÁREA

A área de pesquisa possui 1.000,00 hectares sendo delimitada por um polígono de 4 lados (Planta de Situação – Figura 01).

O Ponto de Amarração (PA) está situado nas seguintes coordenadas:
06º 49' 49,6" Latitude Sul e

37º 11’ 43,4" Longitude Oeste.


O Vetor de Amarração dista 2.482 metros a partir do Ponto de Amarração, no rumo verdadeiro de 21º59,9' SE até o vértice 01 e a partir deste com os seguintes comprimentos e rumos verdadeiros (Quadro 1):

Lado

Do Vértice

Ao Vértice

Distância (m)

Rumo do Vetor

01

01

02

2.500,00

Sul

02

02

03

4.000,00

Oeste

03

03

04

2.500,00

Norte

04

04

05

4.000,00

Leste
Quadro 1 – Memorial Descritivo da Área Pesquisada.

1.4 – LOCALIZAÇÃO E ACESSO

A área encontra-se em linha reta cerca de 15 km a noroeste do município de São Mamede – PB, próximo ao limite geográfico dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte.

O acesso a área, a partir de João Pessoa – PB, se dá pela BR-230 até a cidade, São Mamede – PB, percorrendo-se 280 km, daí em diante toma-se a estrada estadual que liga a cidade de São Mamede – PB a Ipueira – RN, percorrendo-se 19 Km até a área pesquisada, totalizando um percurso total de 299 Km, em estradas com cobertura de asfalto de João Pessoa a São Mamede - PB e cobertura de terra batida de São Mamede – PB a Ipueira - RN, sem restrições de tráfego durante o ano inteiro.

Figura 01: Mapa de localização do empreendimento.


2

GEOLOGIA
2.1 – Geologia Regional
A área localiza-se no estado da Paraíba, no município de São Mamede, que possui um substrato geológico formado dominantemente por rochas pré-cambrianas incluindo a Província Borborema, situando-se entre os terrenos tectono-estratigráficos Granjeiro e a Faixa Seridó que são compartimentos tectônicos limitados por falhas ou zonas de cisalhamento, com estratigrafia e evolução tectônica definidas, devidas principalmente à história pré-brasiliana, porquanto a orogênese Brasiliana afetou toda a Província, marcando indistintamente todos os seus terrenos com um vigoroso sistema de zonas de cisalhamento transcorrente e do notável plutonismo granítico.

Os terrenos Granjeiro e Faixa do Seridó são formados principalmente por rochas de idade arqueana e paleoproterozóica. Alguns segmentos paleoproterozóicos apresentam características de orógenos acrescionários e colisionais. A deformação brasiliana é representada por zonas de cisalhamento NE (dextrais) e NW (sinistrais), as quais se associa uma componente tangencial principalmente nas rochas supracrustais.

A
Figura 02: Padrões aeromagnéticos do subsolo paraibano e compartimentação tectono-estratigráfica.
s seqüências estratigráficas são assim divididas: Terreno Granjeiro - Ortognaisses Granodioríticos-graníticos; Ortognaisses TTG; Faixa Seridó - a Formação Seridó; Formação Jucurutu; Formação Serra dos Quintos e a Formação Equador.

TERRENO GRANJEIRO
Ortognaisses TTG (A)
Os ortognaisses TTG são típicos gnaisses cinza de composição tonalítica-trondhjemítica-granodiorítica, com biotita e hornblenda. São frequentemente gnaisses bandados, com bandas máficas ricas em hornblenda e biotita. Em alguns locais esses ortognaisses apresentam xenólitos de metamáficas e meta-ultramáficas pertencentes ao Complexo Granjeiro. De acordo com Silva et al. (1997), tratam-se de gnaisses fortemente empobrecidos em elementos LIL, terras raras pesadas, exibindo padrões de terras raras normalizados para o condrito com ausência de significativa anomalia negativa de Eu. Dados geocronológicos U-Pb shrimp em zircões dessa unidade forneceram valores de 2.541±11 Ma.
Ortognaisses Granodiorítico-graníticos (AP)
Esta unidade é formada por ortognaisses de composição granodiorítica-granítica, subordinadamente tonalítica e migmatitos com mesossoma metamáfico. Devido ao seu posicionamento em zona de alto strain, entre os lineamentos Patos e Malta, tem-se com freqüência a ocorrência de faixas miloníticas e as rochas são bastante estiradas e transpostas. Associados a estas litologias ocorrem corpos anfibolíticos de pequena espessura e que, por vezes, mostram pequena discordância com relação às metaplutônicas encaixantes, além de enclaves de calcários cristalinos. Pelos dados de aeromagnetometria, esta unidade apresenta diferenças com relação às demais unidades paleoproterozóicas da área (alto magnetismo).
FAIXA SERIDÓ
Segundo Hackspacher er al. (1986) e Dantas (1992) o embasamento da Faixa Seridó, foi alvo de três fases de deformação progressiva durante o Transamazônico, que gerou estruturas na direção NW-SE. A fase F2 é a mais proeminente, sendo responsável pelo bandamento gnáissico e pela formação de dobras isoclinais recumbentes e inclinadas. A terceira fase foi mais penetrativa, produzindo dobras normais abertas e fechadas, com intrafoliais associadas, isoclinais e recumbentes. Essa trama paleoproterozóica foi redeformada por novas fases de deformação durante o Neoproterozóico, que produziram estruturas de trend predominantemente NE-SW. De acordo com Dantas (1992), várias fases de deformação desenvolveram-se em resposta a uma mudança progressiva do regime contracinal para o essencialmente transcorrente, que é discreta neste trato, sendo representada por zonas de cisalhamento dextrais, às quais se associam dobras apertadas normais e inclinadas.

O Grupo Seridó é a unidade litoestratigráfica representativa da Faixa Seridó, o Grupo é usualmente dividido nas Formações Seridó, Equador e Jucurutu com divergência entre os autores quanto ao posicionamento da Formação Equador. Ferreira (1997) distinguiu ainda o Complexo Serra dos Quintos, desmembrado da Formação Jucurutu.

O Grupo Seridó é formado por rochas metassedimentares de natureza plataformal marinha e turbidítica profunda. O metamorfismo varia da fácies xisto verde e anfibolito alto, num regime bárico de pressão intermediária. Esta unidade foi alvo de três fases de deformação. A primeira é responsável pelo bandamento composicional (S1//S0), melhor preservado na fácies xisto verde de Cruzeta e Currais Novo (Subfaixa Jucurutu); a segunda, com características contracionais, é representada pelos empurrões e dobramentos recumbentes e/ou isoclinais com transporte de massa para NW (S2 paralela a S1); e a terceira promoveu a verticalização dos estratos, a formação de dobras abertas, por vezes isoclinais inclinadas e de zonas de cisalhamento transcorrentes, ora dextrais, ora sinistrais. Hackspacher & Sá (1984) definiram ainda uma quarta fase de fraca penetratividade, com trend NW-SE.

A formação Equador (Ne) aflora na porção setentrional do estado da Paraíba, nas proximidades da cidade de Junco do Seridó, predominando os quartzitos muscovíticos esbranquiçados até creme e cinza, textura granuloblástica, granulação fina a média e foliação bem desenvolvida.

A Formação Serra dos Quintos (Nsq) é restrita a região centro-norte do Estado da Paraíba, compreendendo uma associação litológica metassedimentar grauváquica, carbonática-ultramáfica. Foi considerada por muitos autores como Formação Jucurutu. É provável tratar-se de uma seqüência correlacionável à Formação Jucurutu e, por esta razão, foi considerada como uma unidade do Grupo Seridó por Ferreira & Santos (2000). As melhores exposições desta formação são observadas na Serra dos Quintos, em faixas continuas contornando um alto do embasamento paleoproterozóico. A associação litológica desta unidade sugere tratar-se de uma seqüência vulcanosedimentar com características de uma sedimentação imatura associada a sedimentos químico-exalativos e a um vulcanismo provavelmente toleítico de arco magmático.

A Formação Jucurutu (Nj), de modo geral, é representada por uma seqüência metassedimentar, com pequena contribuição vulcânica máfica. O paragnaisse com níveis e nódulos de rocha calcissilicática tem características de uma metagrauvaca, pelo aspecto maciço. A associação litológica com abundância de sedimentos clásticos, grauváquicos e quartzosos e com uma extensiva ocorrência de calcários, sugere uma associação tipo QPC, em ambiente de plataforma carbonática de margem passiva.

A formação Seridó (Ns) e o Grupo Seridó Indiscriminado (Nsi) constituem a principal unidade da Faixa Seridó, sendo representados por um espesso pacote de metapelitos de fácies dominantemente anfibolito, contendo raras intercalações de metacalcários, rochas calcissilicáticas e anfibolito. Na Faixa Curimataú, ocorre uma fácies metavulcânico e metavulcaáficosnoclástica, cujos primeiros dados sugerem tratar-se de uma associação de metadacito, metandesitos e metatufos. Em algumas áreas, o S0 é facilmente reconhecido, observando-se uma estrutura típica de ritmitos, às vezes com uma gradação sugestiva de turbiditos. Assim, na evolução dos tectonofácies do grupo, a Formação Seridó, provavelmente, representa a fácies marinha distal da bacia, cuja sedimentação está associada a depósitos de taludes alimentados por correntes de turbidez. Não se observam variações composicionais expressivas na formação Seridó, o que é característico também desses depósitos formados em ambiente marinho profundo.


Figura 03: Estratigrafia e Idade do Grupo Seridó.

2.1.1 – Evolução tectônica
As rochas mais antigas do estado da Paraíba concentram-se principalmente nos domínios ao norte do Lineamento Patos, incluindo os terrenos Granjeiro, Rio Piranhas, São José do Campestre, bem como na parte centro-leste do Estado, no terreno Alto Moxotó. O terreno Granjeiro, na parte centro-oeste do Estado, é formado essencialmente por ortognaisses arqueanos e retrabalhados no Transamazônico. Trata-se de rochas originalmente primitivas, com abundantes intercalações de rochas máfico-ultramáficas, de protólito possivelmente mantélico.

Esses núcleos embrionários foram submetidos a diversos eventos tectônicos, que promoveram o crescimento ou o retrabalhamento dessa crosta arqueana começou no Paleoproterozóico, perdurando até o Brasiliano, através da deposição e deformação orogênica brasiliana de parte da Faixa Seridó. Há indícios isotópicos de que a parte do Terreno Alto Moxotó, correspondente a unidade Ortognaisse Granodioríticos-Graníticos, inclua a um desses núcleos, ainda não perfeitamente definido. Estruturas complexas resultantes de superposição de fases tectônicas, de cronologia mal definida, são características desses terrenos, incluindo suas supracrustais. Alguns segmentos crustais dos terrenos Rio Piranhas e São José do Campestre resultaram da acresção de arcos magmáticos no Paleoproterozóico, representados pelo Complexo Caicó e provavelmente pelo Complexo Santa Cruz. Grande parte desses terrenos e do terreno Alto Moxotó foi anexada aos núcleos arqueanos durante o ciclo Transamazônico, sendo que os terrenos ao norte do Lineamento Patos podem ter formado uma vasta massa continental unindo os atuais domínios Cearense e Rio Grande do Norte. A soldagem dos blocos pode ter sido consolidada por um episódio colisional, documentado por uma suíte de granitóides amplamente preservada no Terreno Rio Piranhas, a Suíte Poço da Cruz.

Logo em seguida, ocorreu a primeira tentativa de fragmentação dessa vasta massa continental, através de um evento extensional, só documentado na Faixa Óros-jaguaribe. Um mecanismo de afinamento crustal teria desencadeado um evento tectono-magmático anarogênico, hoje representado pela Suíte Serrado Deserto e, concomitantemente, a implatação da Bacia Óros-Jaguaribe. Para alguns autores, a Faixa Óros-jaguaribe representa um rifte passivo tardipaleoproterozóico, resultante do colapso da cadeia orogênica Transamazônica. Não há outro registro desse evento no interior da Província, mas alguns episódios magmáticos anorogênicos ocorreram em fragmentos transamazônicos do Terreno são José do Campestre e do Terreno Alto Moxotó.

Há cerca de 1,1 Ga, o foco da extensão deslocou-se para a área a sul do Lineamento Patos, dando origem a bacias vulcanossedimentares continentais ou a arcos magmáticos Cariris Velhos, presentes, sobretudo na Faixa Piancó-Alto Brígida e no Terreno Alto Pajeú. Há indícios de abertura e de subducção oceânica durante este ciclo, mas o principal registro tectônico dessa época é um evento colisional entre 1,1 e 0,95 Ga, provavelmente envolvendo diversas miniplacas. Este evento colisional está particularmente bem caracterizado no Terreno Alto Pajeú, também conhecido como Faixa Cariris Velhos.

Um novo episódio extensional no início do Neoproterozóico é indicado por alguns pulsos magmáticos, colocados entre 900 e 750 Ma, marcando também o início da formação das bacias brasilianas, que se concentram ao longo da Faixa do Seridó. A Faixa do Seridó registra uma seqüência de sedimentação mais completa, desde plataformal até turbíditica. Ao contrário dos eventos anteriores, que atuaram diferentemente nos diversos segmentos crustais de proto-Província da Borborema, o episódio orogênico Brasiliano, entre 640 e 570 Ma, afetou de forma generalizada todos os terrenos, deformando e metamorfizando indistintamente, tanto as faixas neoproterozóicas, quanto o seu embasamento. A fase principal da orogênese brasiliana representa um episódio de dispersão de terrenos, que desenvolveu zonas de cisalhemento principalmente transconrrentes – transpessivas, algumas provavelmente superpondo antigas faixas contracionais.

A principal zona de cisalhamento é o sistema Patos-Malta, de direção E-W, que constitui um verdadeiro cinturão de cisalhamento de cinemática transcorrente dextral. Na parte ENE do Estado, esse sistema cisalhante espalha-se em um feixe de zonas de cisalhamento em leque, que estruturam as faixas FSE e TCR e TJC. No Domínio Transversal, desenvolveu-se um sistema anastomosado de zonas de cisalhamento de direções E-W, de rejeito dextral, e NE-SW de rejeito sinistral. Destacam-se as zonas de cisalhamento Juru-Belém e Coxixola, dextrais de direção E-W e Boqueirão dos Cochos, Serra do Cabloco, Afogados da Ingazeira e Congo-Cruzeiro do Nordeste, sinistrais de direção NE-SW. Um fértil e expressivo magmatismo granítico formou-se controlado por esse evento transcorrente.

As característica estruturais dessa deformação estão bem ilustradas na Faixa Seridó, conforme figura 04. As relações estratigráficas e estruturais foram há tempos, reconhecidas com uma sucessão de antiformes e sinformes com planos axiais verticais ou com forte inclinação, associados às zonas de cisalhamento transcorrentes acima descritas. No detalhe, reconhece-se uma fase D1\D2 de estruturas de baixo ângulo, com dobras deitadas, reviradas, isoclinais associadas a empurrões, superposta por uma fase D3 de cisalhamento transcorrente. Segundo Jardim (1984), esse leque cisalhante possui uma natureza transpessiva na porção central da Faixa Seridó e transtrativa na parte Sudeste, esta última correspondente à Faixa Rio Curimataú. Hackspacher & Dantas (1997), entretanto, consideram uma suscessão de eventos, envolvendo inicialmente uma colisão frontal, com empurrões dirigidos para WNW, seguido de uma tectônica de escape lateral.

Figura 04: Estruturas da Faixa Seridó e do limite com o Domínio Transversal.


2.2. – Geologia Local
As principais litologias que ocorrem na área pesquisada compreendem gnaisses aluminosos leucocráticos, gnaisses calciossilicáticos, mica-xistos, filitos, formações ferríferas bandadas e anfibolitos. A associação litológica mapeada em sugere tratar-se de uma seqüência metassedimentar, com pequena contribuição vulcânica correlacionável a Formação Jucurutu.

As observações petrográficas em correlação com os estudos em escala regional indicam que o metamorfismo variou da fácies xisto verde a anfibolito alto durante o desenvolvimento de dobramentos e trancorrências associados a fases de deformação regional. A presença de granada almandina nos gnaisses e grunerita nas formações ferríferas são indicativas do fácies anfibolito. A grunerita representa um mineral comum em formações ferríferas que atingiram médio grau metamórfico, variando da isógrada da biotita a da estaurolita/cianita.


Gnaisses aluminosos (Gn)
Os gnaisses representam o litotipo dominante, ocorrendo em maior expressão nos setores leste e oeste da área, e encontram-se limitados por zonas de cisalhamento dúctil de alto ângulo. Em direção as porções centrais, gradacionam para gnaisses calciossilicáticos, enfeixando intercalações menores e lentes de xistos, filitos, formações ferríferas e anfibolitos. São gnaisses claros contendo bandas quartzo-feldspáticas intercaladas com bandas e níveis micáceos a biotita e muscovita (Fotos 1 e 3 – Prancha 1). As bandas mais xistosas quando alteradas e milonitizadas assemelham-se a quartzo-mica xistos (Foto 2 – Prancha 1). As observações de campo sugerem passagem transicional entre os gnaisses leucocráticos estéreis, e os gnaisses calciossilicáticos, situados nas porções centrais contendo intercalações de filitos e formações ferríferas.

Gnaisses calcissilicáticos, mica-xistos e filitos (Gn2, Xi e Fi)
Nas porções centrais da área de pesquisa ocorrem gnaisses cinza-esverdeados mostrando contatos transicionais e gradacionais para xistos, filitos e formações ferríferas bandadas (Foto 4 – Prancha 1). Possuem composição calciossilicática contendo além de quartzo e feldspato, anfibólio, granada almandina, biotita e epidoto. Localmente podem apresentar concentrações importantes de óxidos de ferro. Mica-xistos e filitos ocre-amarelados ocorrem intercalados aos gnaisses e representam as encaixantes diretas das ocorrências de ferro da área estudada (Foto 5 – Prancha 1). As informações dos furos de sondagem rotativa mostram a existência de pelo menos duas camadas de filitos/mica-xistos limitando as principais camadas mineralizadas em ferro da jazida de São Mamede. As observações de trincheiras realizadas transversalmente aos principais corpos de minério de ferro (Fe1 e Fe2) mostram que a transição dos filitos/xistos para as porções centrais mais ricas das formações ferríferas, se dá através de uma estreita faixa mais aluminosa contendo anfibólios ferríferos.
Formações Ferríferas Bandadas (Bifs)
As principais ocorrências de ferro observadas na jazida de São Mamede correspondem a formações ferríferas bandadas metamorfizadas, similares em composição e quimismo aos itabiritos que ocorrem na borda leste do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais. A descrição macroscópica de campo e a petrografia de seções delgadas e polidas permitiram diferenciar dois tipos principais de minérios de ferro. Um primeiro contendo hematita, magnetita e quartzo (itabirito martítico) e outro contendo além destes minerais a presença de anfibólios ferríferos da série cumingtonita-grunerita (itabirito anfibolítico). O primeiro tipo corresponde a uma formação ferrífera fácies óxido metamorfizada; enquanto o segundo, a um fácies óxido-silicático situado na transição para os filitos encaixantes. Estes materiais em muito se assemelham aos itabiritos anfibolíticos e filitos ocres que ocorrem nas minas de Alegria e Timbopeba, localizadas próximo a cidade de Mariana, MG.
Itabirito Martítico (Im)

Apresenta intercalações de bandas quartzosas e bandas contendo minerais de ferro com textura predominante granuloblástica sugerindo uma origem a partir do metamorfismo de formação ferrífera bandada fácies óxido contendo camadas de chert e ferro (Fotos 7, 8, 9 e 10 – Prancha 2 e Fotos - Furos de sonda - Anexo II). Localmente, observam-se cristais até centimétricos de magnetita formando porfiroblastos contornados pela foliação tectono-metamórfica ou concentrados em zonas de remobilizados de quartzo (Fotos 7 e 11 – Prancha 2).

As observações petrográficas de seções polidas dos minérios de ferro mostram que os minerais de ferro predominantes são martita (hematita proveniente da oxidação da magnetita) e magnetita, seguida de menores proporções de especularita (Fotos 13 a 18 – Prancha 3 e Fotos 19 a 24 – Prancha 4). Na grande maioria das seções estudadas é possível observar o hábito original das magnetitas preservado e o detalhe do processo de martitização através da difusão de oxigënio através dos planos cristalográficos da magnetita, gerando a formação de hematita (martita) (Fotos 22, 23 e 24 – Prancha 4). O predomínio de magnetita também é observado nos furos de sonda onde os minérios mostram elevada suscetibilidade magnética.
Itabirito Anfibolítico (Ia)

Ocorre na zona de contato entre os itabiritos martíticos e as faixas de filitos e xistos encaixantes e correspondem, provavelmente, a um fácies óxido-silicático mais impuro. Além dos minerais essências hematita e magnetita, contém anfibólios ferríferos exibindo hábito prismático a fibroso formando níveis e bandas que intercalam-se com as bandas quartzosas (Foto 12 – Prancha 2).

As propriedades óticas dos anfibólios observada nas análises petrográficas sugerem que os anfibólios apresentem teores elevados de ferro e pertençam a série cummingtonita/grunerita (Fotos 25 a 30 – Prancha 5 e Fotos 31 a 34 – Prancha 6). No interior dos gnaisses aluminosos e calciossilicáticos ocorrem corpos menores de anfibolitos contendo bandas de hematita/magnetita gerando minérios de ferro aluminosos (Foto 6 – Prancha 1 e Fotos 35 e 36 - Prancha 6).
2.2.1 – Geologia Estrutural
A feição estrutural mais persistente observada micro e mesoescala na jazida de ferro de São Mamede consiste numa foliação tectono-metamórfica definida por diferentes estruturas planares paralelizadas (bandamento composicional, xistosidade e foliação milonítica). Esta estrutura foi genericamente referida como Sn, e representa a estrutura planar “guia” presente na área da jazida.

O bandamento composicional é definido por faixas e bandas paralelas de espessura milimétrica a centimétrica, com arranjo planar paralelo, apresentando composição mineralógica e textura distintas. Nos itabiritos as bandas podem ser mono e poliminerálicas, contendo proporções variadas de quartzo, hematita (martita), magnetita, especularita, anfibólios. Nos itabiritos martíticos o bandamento é caracterizado pela alternância de bandas de martita pseudomórfica de magnetita, com bandas essencialmente quartzosas (Fotos 8,9,10 e 11 – Prancha 2; Fotos 13,14,15,16,17 e 18 – Prancha 3). Especularita ocorre em menor quantidade, em zonas de maior deformação (Fotos 13 e 15 – Prancha 3). As bandas não ultrapassam, em média, o centímetro de espessura. Nos gnaisses o bandamento é dado pela intercalação de bandas quartzo-feldspáticas com bandas contendo minerais máficos (biotita e anfibólios) e muscovita (Fotos 1, 3 e 4 – Prancha 1).

A xistosidade é caracterizada pela orientação preferencial de cristais de biotita/muscovita, anfibólios, hematita especular e quartzo. Ocorre melhor desenvolvida nos xistos, filitos e nos itabiritos anfibolíticos. Nestes últimos, a existência e/ou espessura das bandas depende da proporção entre quartzo/martita e anfibólios ferríferos e a xistosidade limita-se aos níveis/bandas anfibolíticos (Fotos 2 e 5 – Prancha 1, Foto 12 – Prancha 2).

A foliação milonítica corresponde ao arranjo planar e localmente anastomosado de minerais resultante do fluxo plástico durante a deformação dúctil (Fotos 3 e 6 – Prancha 1). Especialmente nas porções mais externas da área, correspondentes aos limites leste e oeste, observam-se zonas de cisalhamento dúctil de alto ângulo nos gnaisses e corpos menores anfibolíticos onde predomina a verticalização de Sn associadas a estruturas S-C, bandas/zonas de cisalhamento e dobras de arrasto.

A foliação principal Sn apresenta dispersão de valores relacionada a existência de dobramentos e inflexões relacionados a manifestações tectônicas de baixo e alto ângulo.

A partir da análise das projeções esféricas (diagramas de planos e pólos) das figuras 05 e 06 das rochas encaixantes dos minérios de ferro percebe-se três concentrações máximas (P1, P2 e P3). A primeira (P1), mais expressiva, corresponde aos pólos dos planos de Sn tomada no flanco longo de dobras D1 dos litotipos localizados no setor norte-nordeste até próximo a porção central da área (Mapa Geológico em Anexo). A dispersão dos pólos em direção norte está associada a inflexão da foliação principal para ENE-WSE, a partir da porção central para sudeste da área pesquisada. A concentração de pólos P2 corresponde a medida de Sn tomada no flanco curto das dobras D1 e possuem mergulho no sentido inverso aos planos correspondentes aos pólos P1. Os pólos P3 tem relação com os planos subverticais gerados por zonas de cisalhemento dúctil de alto ângulo orientadas N-S e NNE-SSE. Os planos médios representativos de cada concentração máxima também encontram-se ilustrados no diagrama polar.

Nos itabiritos, a partir do menor número de medidas, percebe-se dois máximos, um mais expressivo relacionado aos planos sub-horizontais de Sn com orientação N10-60E 30-56/NW (P1) e outro relacionados a planos mergulhando com baixo ângulo no sentido inverso (N15-45E 30/SE) (P2). O pólo P3 corresponde a plano subvertical orientado N20E (Figuras 06 e 07).




Figuras 05 e 06 – Diagramas Schmidt-Lambert da foliação principal Sn de todas as rochas e encaixantes dos minérios de ferro que ocorrem na área mapeada. A: planos e pólos. B: concentração máxima, planos médios de Sn e curvas de isofreqüência de 1.8/3.6/5.5/7.3/9.1/10.9/12.7 % (55 dados).



Figuras 06 e 07– Diagramas Schmidt-Lambert da foliação principal Sn para os minérios de ferro de São Mamede. A: planos e pólos. B: concentração máxima e curvas de isofreqüência de 4.3/8.7/13.0/17.4/21.7/26.1 % (23 dados).
O tratamento da foliação principal (Sn) nas zonas de cisalhemento dúcteis transcorrentes, localizadas nas extremidades e mais especificamentelo no setor sudeste da área de pesquisa, forneceu os diagramas de contorno da Figura 08 apresentado abaixo.



Figura 8 – Diagrama Schmidt-Lambert da foliação principal Sn para as rochas situadas nas zonas de cisalhamento dúctil de alto ângulo presentes na jazida de fero de São Mamede. Curvas de isofreqüência de 5.6/11.1/16.7/22.2/27.8 % (18 dados).
Associada à superfície da foliação principal (Sn) observa-se uma lineação mineral e, outra, de estiramento mineral, penetrativas, presentes em todos os litotipos mapeados. A lineação mineral é definida pela orientação preferencial de cristais de especularita e grunerita nos itabiritos; e, micas (biotita/muscovia) e anfibólios nos gnaisses, xistos e anfibolitos. A lineação de estiramento mineral é encontrada nas zonas de maior concentração de deformação cisalhante, em particular onde predomina o desenvolvimento de tectonitos “L”. Microscopicamente caracteriza-se pelo alongamento do quartzo (ribbons) e anfibólios e, mais raramente, de hematita especular e magnetita.

Além da foliação principal Sn ocorre, na área pesquisada, outras superfícies planares (Sn+1 e Sn+2), plano-axiais de conjuntos de dobramentos (D1 e D2) cujos eixos orientam-se grosseiramente NE-SW e NW-SE (Mapa Geológico em Anexo). A foliação Sn+1 pode ser classificada como uma clivagem espaçada, onde a trama, descontínua, caracteriza-se por dois domínios distintos, um exibindo forte orientação preferencial de minerais (clivagem de crenulação) e outro menos deformado, com estrutura anterior (Sn) preservada (microlitons). A Foto 37 (Prancha 7) ilustra o desenvolvimento de clivagem de crenulação em zonas de charneira de dobras D1. A foliação Sn+1 aparenta ter se desenvolvido em condições de menor ductibilidades e corresponde a uma clivagem de fratura espaçada desenvolvida transversalmente aos corpos de minério de ferro (Fotos 38 e 39 - Prancha 7).

Foram identificados na jazida dois conjuntos principais de dobramentos, representados por D1 e D2. As dobras D1 foram geradas em condições essencialmente dúcteis e possuem eixos com orientação variando entre N-S e N60E, enquanto as dobras D2 desenvolveram-se em condições dúcteis-rúpteis, mostrando eixos orientados NE-SW com mergulhos para NE.

As dobras D1 variam de centimétricas a decamétricas e são preferencialmente representadas por (1) dobras simétricas, intrafoliais, isoclinais a cerradas (Fotos 37, 39, 40, 41 - Prancha 7, Fotos 45 e 46 – Prancha 8) (2) assimétricas, com os flancos rompidos ou não (Foto 42 - Prancha 7, Fotos 43, 44, 47 e 48 – Prancha 8). Os dois tipos podem exibir ou não uma xistosidade plano-axial e seus eixos apresentam orientação variada. As expressões decamétricas das dobras D1 encontram-se no mapa geológico em anexo, constituindo seqüência de antiformes e sinformes com eixos sub-paralelos a foliação principal.

As dobras D2 correspondem ao arqueamento regional e inflexões das camadas dobradas na fase anterior e é representada por uma grande dobra de arraste com eixo orientado NE-SW mergulhando para NE. Associado ao dobramento D2, desenvolveram-se em regime dúctil-rúptil, pequenas zonas transcorrentes verticais com movimentação anti-horária (sinistrais) que seccionaram as camadas de ferro dobradas na fase anterior (setor SW do mapa geológico). Desenvolveram-se, ainda, em condições de menor ductibilidade, clivagens de fratura penetrativas, ortogonais a direção principal dos corpos de minério de ferro (Fotos 38 e 39 - Prancha 7).

Estas zonas de alto ângulo menores (NW-SE) parecem subordinadas de Zonas de Cisalhamento Dúctil N-S, mais expressivas, mapedas nos limites da área de pesquisa. Estas estruturas maiores guardam, muito provavelmente, relação com os grandes lineamentos regionais de alto ângulo que infletem em direção N-NE (Zonas de Cisalhamento de Malta e Picuí - João Câmara) a partir do Lineamento de Patos.

Baseado na análise geométrica e descritiva das estruturas presentes na jazida e a partir da correlação com os eventos de deformação regional que afetaram as litologias do Grupo Seridó (incluindo as Formações Seridó, Equador e Jucurutu) pode-se aventar para área pesquisada, pelo menos duas fases de deformação. Uma primeira, com características contracionais, responsável pelo bandamento, pelos empurrões e dobramentos recumbentes e/ou isoclinais em regime dúctil; e uma segunda, em regime dúctil-rúptil promovendo a verticalização das camadas, a formação de dobras abertas e de zonas de cisalhamento transcorrentes sinistrais.

3

TRABALHOS REALIZADOS

A pesquisa foi realizada seguindo várias etapas, iniciando com o conhecimento prévio da área em interesse, através de dados bibliográficos e cartográficos em escritório, designando algumas características que serviram para seu planejamento. Foram utilizadas fotografias áreas, mapas temáticos e imagens de satélite para a visualização e entendimento das relações com as estruturas regionais.

Para melhor compreendimento dos serviços realizados, eles assim foram divididos: Acesso e Abertura de Picadas, Topografia, Mapeamento Geológico, Prospecção/Sondagem, Análises Laboratoriais e Relatório.


1) Acesso e Abertura de Picadas
Nesta primeira etapa houve a identificação da poligonal requerida e em seguida com o auxilio de uma bússola do tipo brutton, a instalação de uma linha base no sentido N-S com 1.200 metros na área de ocorrência do minério de ferro, e aberta picadas a cada 100 metros no sentido E-W, com esta configuração; partindo do ponto 0 - aberto 500 metros para o sentido Leste e 1.000 metros para Oeste, para cada 100 metros até totalizar 1.200, finalizando com 20.700 metros de picada, permitindo desenvolver trabalhos em qualquer sentido da área.

Ao início da abertura das picadas houve a preocupação do acesso a área, então foram abertas vias de acesso com auxílio de um trator Komatsu-D50, que facilitariam a locomoção e os serviços de prospecçãosondagem. Ainda durante esta fase foi feita a remoção da cobertura vegetal de alguns afloramentos através de roço manual para facilitar a fase de mapeamento geológico.





Foto 09: Via de acesso a área e afloramento exposto após roço manual.


2) Topografia
Após aberta as picadas foi realizado um novo serviço topográfico visando uma escala de detalhe solicitada pela exigência, de 1:2.000, assim foi levantado pontos em uma malha predefinida de 50 em 50 metros, resultando numa planta topográfica (anexo IV) com curvas de nível eqüidistante 2 metros com um alto grau de acuricidade. Para este levantamento foi utilizado um conjunto de GPS Geodésicos de base fixa Ashtech ProMark II, os dados processados pelo software Ashtech Reliense Precision, e as curvas de nível geradas no software de modelamento Surfer 8.0 pelo método de triangulação e interpolação linear.

Inicialmente foi locado na área um ponto, onde foi cravado um marco de concreto, que foi utilizado como base para o processamento dos dados, para tanto se fez necessário à determinação das coordenadas e altitude deste corrigido de outro conhecido mais próximo, foi escolhido a estação Planimétrica – SAT 92419 do IBGE, localizada em Patos, estado da Paraíba, figura 10.

As coordenadas da base são: 700385,456  9242179,034 e de altitude ortométrica 243,1 metros.



Figura 10: Instalação da Base na área do empreendimento, corrigida pela estação planimétrica do IBGE, SAT 92419. Coordenadas da base corrigida: 700385,456  9242179,034 – Altitude: 243,1 metros.


Após a correção da base, foi realizado o levantamento de acordo com o proposto gerando 1.047 pontos coletados (anexo XX), com um erro médio de 0,051857 metros para as coordenadas X (Norte-Sul), 0,164981 metros para as coordenadas Y (Leste-Oeste) e 0,074604 para altitude ortométrica. A disposição dos pontos coletados pelas picadas, além do levantamento das estradas, dos afloramentos, da localização dos furos de sonda e das trincheiras abertas pode ser observado na figura 11, com o modelamento digital do terreno, onde é possível ver altos estruturais e os canais abertos pelos riachos intermitentes do local.








Figura 11: Disposição dos pontos coletados na área de influência direta da mineração e Modelagem Digital do Terreno.

Estes dados de planialtimetria serão de grande utilidade para o mapeamento geológico e construção de perfis geológicos com o controle estrutural das camadas, e ainda de extrema importância para o cálculo de reserva do minério de ferro.


3) Mapeamento Geológico
O mapeamento geológico foi realizado através das picadas abertas, percorrendo-as em toda sua extensão juntamente com uma prancheta e papel milimetrado para o perfeito mapeamento em detalhe exigido pelo DNPM, gerando um mapa de pontos com os litotipos encontrados.

Foram coletados dados dos litotipos existentes, dados estruturais: atitude das camadas, falhas, entre outros. O mapa geológico gerado e a geologia local estão comentados no item 2.2 - Geologia Local.




4) Prospecção  Sondagem
A partir do mapeamento geológico e da topografia foi possível identificar os corpos mineralizados, preparar a sondagem e abertura de trincheiras. Para um melhor entendimento, abrimos “trincheirões” perpendiculares a direção da camada em toda a extensão de alguns corpos alvos para a sondagem com auxílio de um trator. Assim foram abertos no total de 11 (onze) Trincheirões que terão nomenclatura de T01, T02, T03,..., T11, com T maiúsculo, somando-se as trincheiras já abertas no trabalho anterior que receberam a nomenclatura t01, t02,..., t06, com t minúsculo, para melhor compreensão.

A partir daí foram escolhidos os locais para a realização da sondagem, que totalizaram 08 furos, com nomenclaturas distintas, sendo SIF, SVF e SF, distribuídos da seguinte forma: SIF – Sondagem Inclinada Furo XX, SVF – Sondagem Vertical Furo SS e SF – Sondagem Furo XX está última foi realizada no trabalho de pesquisa anterior, no total de 03.

Foi coletado ainda um total de 35 amostras de superfície, para a confecção de laminas delgadas, seções polidas e análises físico-químicas, como análise de teor de Fe2O3, SiO2, Al2O3, entre outros e cálculos de densidade.

Com a abertura das trincheiras foi possível definir os contatos do corpo mineralizado, assim como a interpretação das estruturas e a atitude das camadas.



As coordenadas de cada uma das trincheiras, furos de sonda, amostragem estão na tabela abaixo com algumas observações.


Identificação

Coordenadas

Observações

T01

699978

A trincheira 01 possui dimensões de 101m X 5m com sentido E-W, o furo SIF-01 se encontra aqui.

9242354

T02

699868

A trincheira 02 possui dimensões de 59m X 5m, sentido E-W, sobre o corpo mineralizado. Aqui encontra-se o SIF-02.

9241820

T03

699797

A trincheira 03 possui dimensões de 60m X 5 m, sentido NW-SE, foi realizado aqui o SIF-03.

92416448

T04

699587

A trincheira 04 possui dimensões de 21m X 5m, sentido NW-SE, sobre o corpo mineralizado.

9241422

T05

699526

A trincheira 05 possui dimensões de 42m x 5m, sentido NW-SE, foi realizado aqui o furo SIF-05, sobre o corpo min.

9241130

T06

700.047

A trincheira 06 possui dimensões 58m X 5m, sentido E-W, encontra-se a E da trincheira T01, sobre o corpo min.

9242251

T07

699963

A trincheira 07 possui dimensões de 40m X 5m, sentido ENE-WSW, sobre um corpo mineralizado.

9242251

T08

699951

A trincheira 08 possui dimensões de 18m X 5m, sentido E-W, próximo a trincheira t04, pouco mais a E.

9242026

T09

699935

A trincheira 09 possui dimensões de 42m X 5m, sentido NW-SE, próximo a trincheira T02.

9241808

T10

699865

A trincheira 10 possui dimensões 36m X 5m, sentido NW-SE, próximo a trincheira T03.

9241600

T11

699647

A trincheira 11 possui dimensões 59m X 5m, sentido NW-SE, sobre um corpo mineralizado.

9241366

t01

699978

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 8m X 1,20m. E-W

9242344

t02

699943

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 10m X 1,50m. E-W

9242242

t03

699931

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 15m X 2,0m. E-W

9242146

t04

699920

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 8m X 1m. E-W

9242018

t05

699892

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 7m X 1,20m. E-W

9241902

t06

699868

Trincheira antiga aberta durante a fase de pesquisa anterior, de dimensões 8m X 1,00m. E-W

9241820

SIF-01

699812

Furo de sonda inclinado com 47 metros de profundidade e inclinação de 45º para SE. Perpendicular a camada.

9241826

SIF-02

699857

Furo de sonda inclinado com 31,45 metros de profundidade e inclinação de 43º para SE. Perpendicular a camada.

9241818

SIF-03

699778

Furo de sonda inclinado com 29,20 metros de profundidade e 30º de inclinação para SE. Perpendicular a camada.

9241662

SVF-04

699354

Furo de sonda vertical com 94 metros de profundidade.


9241619

SIF-05

699511

Furo de sonda inclinado com 14,0 metros de profundidade, com inclinação de 60º para SE.

9241140




Identificação

Coordenadas

Observações

SVF-06

699503

Furo de Sonda Vertical com 26,20 metros de profundidade.

9242302

SIF-07

699647

Furo de Sonda Inclinado com 23,00 metros de profundidade com inclinação de 45º para SE

9242318

SVF-08

699800

Furo de Sonda Vertical com 93 metros de profundidade.

9242328

SF-01

699885

Furo de Sonda Vertical com 26 metros de profundidade, realizado na pesquisa anterior.

9242189

SF-02

699842

Furo de Sonda Vertical com 24 metros de profundidade, realizado na pesquisa anterior.

9241987

SF-03

699773

Furo de Sonda Vertical com 29,30 metros de profundidade, realizado na pesquisa anterior.

9241778

AM-01

699960

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9242282

AM-02

699918

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9242110

AM-03

699892

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9241944

AM-04

699847

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9241708

AM-05

699738

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9341573

AM-06

699598

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9241468

AM-07

699679

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9241377

AM-08

699536

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9341127

AM-09

699387

Amostra de mão coletada para análise físico-química.

9341408

Tabela 01: Tabela com o resumo de pontos de trincheiras, furos de sonda e amostragens.
A sondagem foi realizada com uma sonda rotativa a diamante Mach 700 da Maquesonda, motor MMX, diâmetro de 3 polegadas com capacidade de perfuração de 300 metros, com amostragem contínua e testemunhos NX. Através dos furos de sonda podemos identificar o comportamento das camadas, além de determinar o perfil litológico em profundidade, os dados referentes aos furos, com sua descrição encontram-se no Anexo II.


Figura 12: Sonda rotativa tipo Mach 700 – Maquesonda.
5) Análises Laboratoriais
As análises químicas foram realizadas pela empresa Armil Mineração Ltda que possui equipamentos necessários, o que nos possibilitou fazer uma bateria de análises ao total de 205 amostras no período de 02 meses.

As amostras foram coletadas a cada metro dos furos de sonda, o que nos proporcionou um parâmetro muito bom para a determinação das camadas mineralizadas, foi utilizado um aparelho espectrofotômetro de absorção atômica, onde a metodologia para os ensaios consistiu em:

Inicialmente, em um cadinho de grafite pesa-se em uma balança analítica de precisão, 0,203g da amostra a ser analisada, moída na malha 200# e 1,3g de Metaborato de Lítio, que vai atuar como fundente. Em seguida o cadinho é levado para a Mufla, previamete aquecida a 1.000ºC, para fundir a amostra. Passados 15 minutos nesta temperatura, a massa fundida é transferida para um becker de 250 mL contendo uma solução de 200 mL de água deionizada e 20 mL de ácido clorídrico concentrado P.A., sob agitação constante até a completa dissolução da massa. Esta solução é transferida para um balão volumétrica de 500mL e avolumada até o nivelamento do balão com água deionizada. Faz a homogeneização no balão volumétrico, agitando-o bem e em seguida filtra a solução e armazena em um recipiente plástico. Este recipiente será levado para a mesa onde será realizada a análise química pelo espectrofotômetro de absorção atômica.

Os dados obtidos com as análises estão expressos no Anexo III deste relatório juntamente com uma análise que foi realizada em Minas Gerais por outro laboratório e que já consta na documentação do processo DNPM, que contêm dado químico de fósforo.





Foto 13: Realização da abertura das amostras para análise no espectrofotômetro de absorção atômica.


Foto 14: Espectrofotômetro de absorção atômica.

Através de um ensaio laboratorial bastante simples foi possível determinar a densidade de algumas amostras. O procedimento adotado foi o seguinte:



Inicialmente a amostra foi reduzida em pedaços dimensionados para proveta, então a amostra foi pesada, e um volume conhecido colocado na proveta e assim colocado a amostra e observado o volume deslocado pela amostra, e utilizado a equação d = mV, onde d = densidade, m = massa e V = volume. Os dados obtidos estão expressos na tabela abaixo:


Amostra

d

Amostra

d (gml)

SVF – 09 - 75 m

2,97

SVF – 09 – 85 m

3,45

SIF – 01 – 45 m

2,98

AM-01

3,23

AM-02

3,36

AM-03

3,23

AM-04

2,90

AM-05

3,16

AM-06

3,31

AM-07

2.90

AM-08

3,22

AM-09

4,23



(gml)


SVF – 08 - 65 m

2,91

SVF – 08 – 75 m

3,26

SIF - 02 – 5 m

3.37

SIF – 02 – 10 m

3,01

SIF – 03 – 10 m

3,29

SIF – 03 – 13 m

3,41

SIF – 05 – 5m

3,52

SIF – 05 – 10 m

2,91

SIF – 01 – 5m

3,43

SIF – 01 – 10 m

2,93

SVF – 04 – 65 m

2.97

SVF – 04 – 75 m

3,64

Média: 3,235 gml

Tabela 02: Densidade do minério de ferro.
5) Relatório
Como dito, este relatório visa atender uma exigência do 13º Distrito DNPM emitida em Março e publicada no DOU em Julho de 2008, que solicita uma reavaliação do minério de ferro que se encontra na área do empreendimento, assim durante aproximadamente quatro meses foi mobilizada uma equipe de pesquisa para o seu atendimento, que envolveu 02 técnicos de mineração e geologia, 01 geólogo, 01 engenheiro de minas, consultores – Doutor em geologia, com o intuito de não medir esforços para atender ao DNPM dentro do prazo estipulado com o máximo de informações coletadas possível, sem a necessidade de um pedido de prorrogação de prazo da exigência, pois entendemos que este órgão visa a viabilização do setor mineral no estado da Paraíba, e não a dificultar a outorga.

Durante os últimos quinze dias dentro do prazo da exigência foi recolhido todos os dados e dado inicio ao relatório que descreve todas as etapas da pesquisa e contém todas as informações de análises químicas, sondagem, mapeamento geológico com interpretações de dados estruturais e gênese do jazimento.

4

INVESTIMENTOS DURANTE

A PESQUISA

A pesquisa foi realizada durante 04 meses e gerou empregos temporários na região de São MamedePB e principalmente a cidade de IpueiraRN, já que a área encontra-se próximo ao limite dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, além de envolver consultores do estado do Ceará. O quadro abaixo discrimina de forma completa e simplificada, os valores e custos da pesquisa no final dos 04 meses.




DESCRIÇÃO DOS TRABALHOS

CUSTO

Levantamento planimétrico com DGPS.

7.500,00

Confecção de lâminas delgadas e seções polidas

2.400,00

Consultoria técnica

7.000,00

Vias de acesso  trincheiras

25.000,00

Mapeamento geológico

4.000,00

Análises físico-químicas

8.000,00

Honorários da equipe técnica

80.000,00

Serviços Terceirizados

- Locação de caminhão para a equipe de sondagem

- Refeições

- Alojamento

- Vigilância

- Roço


- Abertura de Picadas

- Auxiliares da Sondagem



88.000,00

DeslocamentoHospedagemRefeição da equipe técnica

15.000,00

Sondagem – Coroas impregnadas, revestimentos, calibradores, caixa de molas, caixa de testemunhos, barrilhetes, combustível, óleos hidráulico, manutenção, depreciação, entre outros (sem os honorários da equipe de sondagem)

56.000,00

Acordo com superficiários para a realização da pesquisa

7.000,00

ConfecçãoImpressãoPlotagem do Relatório

1.200,00

TOTAL (R$)

301.100,00

Quadro 02: Investimentos realizados na pesquisa.

5

CÁLCULOS DA RESERVA

Após o mapeamento geológico onde se obteve as atitudes das camadas juntamente com os dados de sondagem e das trincheiras foi possível desenhar seções geológicas com a disposição dos litotipos em sub-superfície e assim obter a terceira variável para o cálculo de volume do jazimento.

Foi encontrado dois corpos de itabirito com variações composicionais e de espessuras distintas, notou-se que existe um padrão de dobramento muito intenso com dobras isoclinais fechadas e uma camada bastante espessa em profundidade de um itabirito rico em magnetita, bem identificado pela sua alta propriedade magnética, com igual variação mineralógica observada em superfície.

Assim optou-se por dividir o cálculo em duas etapas, o primeiro cálculo será o do corpo mais próximo a superfície, por seguinte o mais profundo.

Para o cálculo da Reserva Medida do minério de ferro foi utilizado o método de cubagem pela regra de variações graduais, através de Seção Padrão Vertical. Neste método, os corpos foram subdivididos em blocos menores pelos planos das seções topográficas.

O volume de cada bloco foi delimitado pela fórmula do prisma hipotético, multiplicando-se a média das duas Seções Topográficas consecutivas, considerando-se o intervalo entre as duas seções, pela distância entre as mesmas. Estas distâncias foram obtidas a partir do mapa plani-altimétrico do empreendimento (Anexo IV), cuja a distância das Seções Topográficas foram determinadas de acordo com o desenho das seções geológicas, como pode se observar na tabela a seguir:


Seções

Distância

A-B

165 m

B-C

160 m

C-D

149 m

D-E

160 m

E-F

153 m

F-G

163 m

G-H

160 m

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