Delta: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada



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DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada
Print ISSN 0102-4450


 

DELTA vol.14 special issue São Paulo 1998

doi: 10.1590/S0102-44501998000300013




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HIPOTAXE E GRAMATICALIZAÇÃO: UMA ANÁLISE DAS CONSTRUÇÕES DE TEMPO E DE CONDIÇÃO

 Maria Helena de Moura NEVES (Universidade Estadual Paulista - UNESP/CNPq)
Maria Luiza BRAGA (Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP)

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ABSTRACT

This paper studies complex sentences with temporal hypotatic clauses and with conditional hypotatic clauses in order to investigate the degree of grammaticalization shown by these two kinds of utterances. Our hypothesis is that the more the hypotatic clause is integrated to the nuclear clause, the greater is the degree of grammaticalization. Such degree of integration was measured according to three groups of factors, and the results show that, regarding two of the variables evaluated, the conditional clauses are the most integrated to their nucleus, but, in another rank of evaluation, the temporal clauses are the most integrated ones. Considering that this study is based on a functionalist view, the results may be interpreted according to the principle that there is a competition of motivations in the use of language, so that each utterance reflects the balance of such forces.

RESUMO

O trabalho estuda construções de orações hipotáticas temporais e construções de orações hipotáticas condicionais, com a finalidade de investigar o grau de gramaticalização que se verifica nesses dois tipos de enunciados. A hipótese é que quanto maior a integração da oração hipotática à nuclear, maior o grau de gramaticalização. Essa maior integração foi medida segundo três grupos de fatores, e os resultados mostraram que, em duas das variáveis avaliadas, as orações condicionais são as mais integradas a seu núcleo, mas, em outra ordem de avaliação, as orações temporais são as mais integradas. Dentro da base funcionalista em que o trabalho se move, esses resultados podem ser interpretados segundo o princípio da existência de competição de motivações no jogo da linguagem, entendendo-se que cada enunciado que se produz é o resultado do equilíbrio dessas pressões.

KEY WORDS - grammaticalization; clause combining; functionalism.

PALAVRAS-CHAVE - gramaticalização; articulação de orações; funcionalismo.

 

A orientação funcionalista marcou muito fortemente as análises das línguas particulares, especialmente por ter, de certa forma, legitimado as considerações de ordem discursiva dentro dos estudos gramaticais. A frase, por exemplo, indiscutivelmente regulada em types (Lyons; 1977) no sistema, é analisada, no funcionalismo, como peça de comunicação real, produzida em ato de interação, e organizada, pois, segundo mecanismos capazes de marcar a relatividade da relevância dos diferentes eventos e entidades que se seguem no discurso (De Lancey; 1981). Aquele "dinamismo comunicativo" com que já a Escola de Praga revestiu as seqüências formais assentou a não-biunivocidade entre formas e funções, e conferiu à análise gramatical das frases dos enunciados reais de qualquer língua uma dimensão discursiva determinante: regras e princípios devem ser explicados em termos de sua funcionalidade em relação aos modos de uso das expressões.



Algumas assunções legitimadas pela orientação funcionalista da análise são, por exemplo:

a) A forma dos enunciados não é entendida independentemente de suas funções: a teoria da gramática deve integrar o estudo da forma, do significado e do uso, de tal modo que não apenas os traços lingüísticos formais, mas também os semânticos e os pragmáticos sejam abrigados numa perspectiva teórica mais geral, com inter-relacionamento entre análise dos dados e formação da teoria (Dik; 1989b).

b) Há dois sistemas de regras envolvidos na organização gramatical das línguas naturais: as regras que governam a constituição das expressões lingüísticas (regras semânticas, sintáticas, morfológicas e fonológicas) e as regras que governam os padrões de interação verbal nos quais essas expressões lingüísticas são usadas (regras pragmáticas); o primeiro desses dois sistemas é instrumental em relação ao segundo já que, num paradigma funcional, as expressões lingüísticas devem ser descritas e explicadas dentro de um quadro geral fornecido pelo sistema pragmático da interação verbal (Dik; 1989a).

c) As regularidades das línguas podem ser explicadas em termos de aspectos recorrentes das circunstâncias sob as quais as pessoas as usam: a gramática funcional tem posição num ponto intermédio entre as teorias que dão conta apenas da sistematicidade da estrutura da língua e as que se ocupam apenas da instrumentalidade do uso da língua (Mackenzie; 1992).

d) A língua é internamente estruturada como um organismo dentro do qual subsistemas se hierarquizam (Givón; 1984).

e) As formas da língua são meios para um fim, não um fim em si mesmas: a língua é um sistema semântico, e a gramática funcional destina-se a revelar, pelo estudo das seqüências lingüísticas, os significados que estão codificados pelas seqüências (Halliday; 1985).

A partir dessas assunções pode-se entender como até questões aparentemente restritas ao âmbito da oração - por exemplo, a transitividade, sabidamente ligada a fatores sintáticos e semânticos - encontraram, na gramática funcional, um tratamento que incorpora a consideração de um componente discursivo. Especialmente a partir do já clássico estudo de Hopper e Thompson (1980) se admite a interferência de fatores discursivos no mecanismo da transitividade, vista como a propriedade central do uso lingüístico. Considera-se que a transitividade é uma propriedade escalar, condicionada por fatores sintáticos e semânticos, mas também pelo texto, já que sua gradualidade é ligada às necessidades de expressão dos usuários, dirigida pelos propósitos da comunicação. Assim, há íntima correlação entre grau de transitividade e relevo discursivo: baixa transitividade se liga a menor relevância, ou segundo plano ("fundo"), e alta transitividade se liga a maior relevância, ou primeiro plano ("figura"). Em cada um desses dois planos, outras propriedades se agregam: à noção discursiva de fundo como plano de menor relevância, por exemplo, se ligam outras noções gramaticais, como a minimização da dimensão dêitico-temporal, isto é, o uso de formas finitas imperfectivas e formas infinitivas (Hopper e Thompson; 1980). A transitividade chega a ser apresentada como um metafenômeno responsável pela codificação sintático-estrutural das funções de caso semântico e pragmático, sendo a estrutura temática apontada como observável tanto no âmbito da frase como no âmbito do discurso, isto é, das proposições concatenadas (Givón; 1984).

Ainda na questão do tratamento da estrutura temática, lembre-se o importante veio de investigação que se criou, no funcionalismo, com a valorização dada ao papel do discurso no modo de preenchimento formal dos papéis temáticos das estruturas argumentais (Du Bois; 1987, 1993a, 1993b): o falante estrutura as frases de seu discurso (usando, por exemplo, um sintagma nominal ou um pronome em uma determinada posição estrutural) dirigido por pressões comunicativas refletidas na necessidade de controlar o fluxo de informação (Du Bois e Thompson; 1991). Organizado pelo fluxo de atenção (De Lancey; 1981), o fluxo de informação representa um "empacotamento" do conteúdo ideacional, feito pelo falante para apresentação a seu ouvinte, implicados, nesse modo particular de embalagem, os diversos aspectos cognitivos e sociais envolvidos na produção do enunciado.

Particularmente beneficiada de tais posições assumidas pela análise funcionalista dos enunciados é a questão da articulação de orações, isto é, da relação entre uma oração tradicionalmente considerada "adverbial" e a oração que aqui denominaremos nuclear. Essas construções se diferenciam da frouxa relação de "coordenação" - em princípio, de recursividade indefinida - mas também se distinguem do rígido encaixamento, ou seja, da relação de coparticipação em uma mesma estrutura básica. Mais do que no caso daquela relação intraproposicional que é a transitividade, de que acima se falava, trata-se, portanto, de uma relação que há de refletir as tensões que organizam dominância e recessividade no texto. As orações de que aqui tratamos - por isso mesmo denominadas "de realce" por Halliday (1985) - são satélites de localização temporal ou satélites cognitivos de uma predicação central, instituída a partir da aplicação, a um determinado predicado, de um certo número de termos que preenchem posições argumentais. Já nessa configuração, tais construções se revelam como altamente sensíveis às determinações do discurso, configurando a expressão de relações situadas acima da organização de "predicação central" (nos termos de Dik; 1989), resolvidas em estruturas de interdependência. Refletem-se, nessas construções, relações de localização temporal, além de relações lógico-semânticas e relações argumentativas, que marcam todo o texto e são, mesmo, provenientes de sua organização geral (Mathiessen e Thompson; 1988). Como facilmente se entende, não é, pois, privilégio dos elementos articuladores de orações a indicação de subseqüência, antecedência, concomitância, nem a indicação de causalidades ou condicionamentos, estes últimos estreitamente relacionados com bases perceptivas que perpassam o texto, tais como a pressuposição, o subentendido, a preferência e a redundância (Peirce, 1987; García, 1994).

À relativa independência conceptual das orações que aqui se estudam (Haiman; 1983) se liga a grande importância de que, no exame dessas construções, se levem em conta dois aspectos fundamentais postos em foco nas investigações de base funcionalista. De um lado, cabe considerar-se o jogo da articulação entre elementos focais e elementos informacionalmente recessivos, de que já se tratou acima. De outro lado, e ligado a isso, há o fato de que o contexto constituído oferece grande margem para manipulação do falante, a ponto de ficar aberto campo propício a diferentes realizações, que podem representar diferentes graus de gramaticalização das entidades postas em funcionamento.

Tratamos a gramaticalização, aqui, não no sentido estrito de evolução diacrônica, mas no sentido funcional de acionamento de possibilidades concomitantes, representativas de diferentes graus de coalescência semântica e/ou sintática na organização do enunciado. Mais do que evolução, o caráter gradual da gramaticalização representa escolha entre construções mais, ou menos, gramaticalizadas, entre paradigmas mais, ou menos, estabelecidos, entre itens que estão mais, ou menos, dentro da gramática. No estudo da articulação de orações, por exemplo, isso representa a consideração, especialmente, da existência de graus na marcação (não-morfológica) de caso, isto é, na integração da oração hipotática de realce à nuclear. Nosso objetivo é verificar se, à semelhança dos processos morfológicos, as estratégias sintáticas exibem graus diferenciados de gramaticalização que se deixam apreender por propriedades formais.

O princípio que está na base de uma investigação levada nesse sentido é o da unidirecionalidade da gramaticalização, já assentada na clássica definição de Kurylowicz (1975)1, especialmente considerada, aqui, a passagem gradual e contínua da menor para a maior regularidade, da menor para a maior previsibilidade, com maior sujeição do falante a determinações do sistema (Neves; 1997: 129). A unidirecionalidade constituiria a propriedade que permitiria a identificação e a circunscrição dos fenômenos de gramaticalização dentro do quadro mais amplo dos demais fenômenos de mudança lingüística.

Dentro do conceito de unidirecionalidade da gramaticalização entende-se que os estágios - sejam eles A e B - estão ordenados de tal forma que A ocorre antes de B, mas B não ocorre antes de A (Hopper e Traugott; 1993). No nível da morfologia, isso significa que um item lexical, uma vez em processo de gramaticalização, antes de se transformar em palavra gramatical passa por etapas intermediárias, as referidas A e B, que se encontram ordenadas entre si, de forma tal que a uma etapa menos gramaticalizada se segue outra mais gramaticalizada. A trajetória inversa estaria bloqueada, ou não caracterizaria um processo de gramaticalização. O trajeto de gramaticalização é o seguinte (Hopper e Traugott; 1993: 7):

ITEM LEXICAL > PALAVRA GRAMATICAL > CLÍTICO > AFIXO FLEXIONAL

Os processos cognitivos correlacionados à mudança no estatuto categorial do item em processo de gramaticalização também operam com categorias que se dispõem em uma escala unidirecional. Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991) sugerem a seguinte:

PESSOA > OBJETO > ATIVIDADE > ESPAÇO > TEMPO > QUALIDADE2

O princípio da unidirecionalidade, não obstante seu caráter a-teórico (Frajzyngier; 1996), é aceito pela maioria dos estudiosos que discutem o paradigma da gramaticalização. Além de restringir os tipos de mudança lingüística, ele permitiria predições quanto ao estágio de gramaticalização de itens ou de construções particulares.

Com vistas a aferir o grau de gramaticalização de um determinado item, têm sido propostos critérios, fatores, parâmetros diversos. Hopper (1991), por exemplo, arrola, como princípios, estratificação, divergência, especialização, persistência e descategorização, que possibilitariam a identificação dos estágios iniciais do processo. Lehmann (1985) propõe três parâmetros - peso, coesão e variabilidade - a serem investigados em nível paradigmático e sintagmático, e combinados aos processos de paradigmatização, obrigatorização, condensação, coalescência e fixação. Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991) sugerem uma lista de `hipóteses' que funcionariam como procedimento de descoberta dos graus relativos de gramaticalização da marcação de caso. Dentro desse domínio circunscrito, qual seja a marcação de caso, duas hipóteses são relevantes para o nosso trabalho, aquelas que se relacionam com a marcação de tempo e de condição, e que são as seguintes3:

a) Uma categoria que se refere a um conceito que tem potencialmente três dimensões físicas é menos gramaticalizada do que uma que se refere a um conceito que tem apenas uma dimensão possível, a qual, por sua vez, é menos gramaticalizada do que aquela cujo referente não exibe nenhuma dimensionalidade física. Esse parâmetro pode ajudar-nos a determinar que ESPAÇO é menos gramaticalizado do que TEMPO e que TEMPO é menos gramaticalizado do que uma categoria como CONDIÇÃO ou MODO.

b) Se duas categorias diferem uma da outra apenas pelo fato de que uma expressa uma relação temporal enquanto a outra expressa alguma relação `lógica', então a última é mais gramaticalizada. Desse modo, é possível estabelecer, por exemplo, CAUSA e CONDIÇÃO como categorias que são mais gramaticalizadas do que TEMPO.

Essas duas hipóteses, como se apontou acima, foram propostas tendo-se em vista a marcação morfológica de caso. A questão que se põe, aqui, é se elas teriam poder preditivo mais amplo, de forma a ter aplicação em níveis outros que não o morfológico. Em outras palavras, os enunciados de tempo e de condição estariam ocupando posições diferenciadas no continuum da gramaticalização?

Na verdade, uma questão central nos estudos sobre gramaticalização é a que se refere a seus domínios. Caracterizada, inicialmente, como um processo morfológico, já nos seus primórdios vê os limites dilatados pela inclusão dos fenômenos relacionados à ordem das palavras (Meillet; [1912] 1948). Ao longo das décadas, as fronteiras continuaram a ser sistematicamente ampliadas e, hodiernamente, investigam-se quanto à gramaticalização fenômenos tão distintos quanto a repetição e a combinação de orações, entre outros.

Ao considerarem os processos de combinação de orações a partir da gramaticalização, Hopper e Traugott (1993) associam integração a gramaticalização, indicando que quanto mais integradas as orações de um enunciado tanto mais avançado o processo de gramaticalização. A integração sintática, por seu turno, constituiria um reflexo da integração semântica ou pragmática dos estados de coisa codificados pelas orações em questão, e se deixaria medir pela dependência e pelo encaixamento das orações.

No mesmo sentido vai a nossa investigação. Temos como hipótese básica que quanto maior a gramaticalização, no caso das construções que examinamos - temporais e condicionais4 -, maior a integração entre a oração hipotática e a nuclear, o que pode ser medido com base:

a) na realização do sujeito da hipotática por meio da anáfora pronominal ou por zero;
b) na determinação do tempo e do modo da hipotática pelo tempo e pelo modo da nuclear.

Um conjunto de construções com orações temporais e de construções com orações condicionais (eventuais e factuais) foi analisado, pois, segundo:

a) a realização do seu sujeito;
b) a determinação de seu tempo e de seu modo pelo tempo e pelo modo da nuclear.

Diretamente ligada a essas duas variáveis está uma terceira, que também foi investigada: a posição da oração hipotática em relação à nuclear.

Visando a comprovar empiricamente nossa hipóteses, examinamos os enunciados de tempo e de condição, eventuais e factuais, em relação a essas propriedades - posição, realização do sujeito e determinação modo-temporal hipotática - sob a forma de grupos de fatores5. Os resultados são apresentados a seguir.

À semelhança do que ocorre na morfologização, com forte correlação entre grau de gramaticalização de um item e restrição à sua mobilidade (Lehman; 1985), é de se esperar que as orações mais gramaticalizadas sofram inibições à variabilidade posicional. Para testar essa hipótese, postulamos uma variável com três fatores: anteposição, posposição e intercalação.

Os resultados indicam que, quanto à anteposição e à posposição da oração hipotática em relação à oração nuclear, as diferenças entre orações de tempo e de condição são relativamente pequenas, como mostra o gráfico 1.

 

 As diferenças encontradas se referem aos casos de intercalação da oração hipotática, relativamente freqüente nos enunciados de condição, e esporádica nos de tempo. As restrições à mobilidade posicional, quer discursivas quer gramaticais, atuam tanto nas hipotáticas que ocorrem às margens quanto nas que ocorrem dentro da oração nuclear, como mostramos em trabalhos anteriores (Braga, no prelo; Neves, no prelo). Sabe-se que uma oração que esteja circundada por material de outra é mais estreitamente vinculada a essa do que uma oração que, completa, a preceda ou anteceda. (Harris e Campbell; 1995: 283). Observe-se, também, que, quando a oração hipotática está intercalada, a remoção pode tornar-se mais delicada, uma vez que o falante precisa atender à configuração sintática dos constituintes da oração nuclear que a circundam e à inter-relação desses constituintes com fatores tão diferenciados quanto quantidade e distribuição linear da informação, presença de anáfora e de focalizador. Os trechos (1) e (2), abaixo, ilustram ocorrências de intercalação:

(01) Inf.: e eu acho que o dinheiro todo que eu pudesse... se eu ganhasse assim na loteria e tal eu nunca jogaria em mercado de capitais (D2-RJ-355, p. 107-108)

(02) Inf.: mas essa aí, quando tocava a gente não dançava. (DID- POA-045, p. 21)

Ainda quanto à posição, uma evidência adicional da diferença entre as orações em pauta é fornecida pelo emprego de conectivos e sequenciadores que vinculam as construções de tempo e de condição, como um todo, ao cotexto precedente, muito mais usuais em se tratando dos enunciados de condição. Não importa qual seja a ordem das orações hipotáticas, esses juntores sempre remetem à oração nuclear, visto que é esta que codifica a unidade retórica que ajuda a construir a espinha do texto, e enquanto tal criam um fraco contexto de intercalação, como se mostram (3) a (5), abaixo.



(03) Inf.: Entretanto, se há persistência em qualquer dos pontos da glandula mamária de um nódulo, este nódulo terá que ser examinado, terá de ser retirado. (EF, SSAL, 049, p. 05-06)

Inf.: você geralmente viajando você... não se prende muito ao horário então normalmente você almoça horas bem mais tarde... aqui porque você tem o problema de trabalhar ce tem uma hora fixa pra almoçar... então se eu comer muito na hora do café não vou ter vontade de almoçar (DID-RJ-328, p. 143).

(04) isso a gente nós já explicamos em classe... porque quando ele vai aferir ou vai investigar, experimentar o homem... não é o que o homem diz... do experimento de laboratório... mas sim o que o homem realmente está pensando (EF, REC, 337, p.06)

(05) A mensagem é a mesma, ela poderá interpretar, se eu pedir a interpretação, vai me dar o seu ponto de vista, vai me dar o seu ponto de vista, a sua opinião, mas ele não está criando nada, ele está fiel à comunicação e à extrapolação, o que é extrapolação? (...) É seguido, hein? É uma transferência a partir de que? Certo. Exato. Exato. Então, quando o individuo, ou quando o aluno for capaz, capaz de inferir a partir daquela comunicação, ele está já com o nível de extrapolação (EF-POA-278, p. 11)

O número bem mais elevado de intercalação no caso dos enunciados condicionais, bem como de conectivos antecedendo os enunciados condicionais, com as conseqüentes restrições à mobilidade da hipotática, parece confirmar, então, a hipótese de que as orações do enunciado de condição estariam mais integradas a seu núcleo, e, conseqüentemente mais gramaticalizadas do que as de tempo.

Quanto à segunda variável - explicitação do sujeito - a razão de nosso interesse pela investigação tem base no fato de que a anáfora, por implicar o compartilhamento do constituinte que é retomado sob a forma pronominal ou zero, tem sido arrolada entre os índices de integração das orações (Lehmann; 1988). Uma vez que nosso interesse se centra na codificação do sujeito por meios anafóricos, desconsideramos as ocorrências de verbo impessoal e aquelas em que o sujeito é um SN pleno com núcleo substantivo.

Os resultados preliminares sugerem que não há diferenças significativas entre orações de tempo e condição, como mostra o gráfico 2.

 

 Entretanto, sabemos que a realização do sujeito por pronome anafórico é sensível a outros condicionamentos lingüisticos além do tipo de oração. A posição da oração e a correferencialidade entre os sujeitos das orações que integram o enunciado, por exemplo, constituem correlações pertinentes como demonstraram, para o português do Brasil, Paredes da Silva (1988) e Duarte (1993). Assim, os resultados exibidos no gráfico 2 representam tão somente uma primeira aproximação dos dados, pois, não levando em consideração a delicada inter-relação de outras variáveis igualmente pertinentes, não podem ser tidos como conclusivos.

Visando a superar essa limitação, procedemos a recortes e cruzamentos diversos que são considerados a seguir. Vale lembrar que a primeira tabela inclui apenas as ocorrências de sujeitos não-correferenciais, enquanto a segunda abriga apenas as de sujeitos correferenciais.

A interpretação dos resultados das tabelas 1 e 2 requer prudência, visto que várias células são pequenas. Entretanto, eles permitem verificar que a escolha de uma anáfora zero ou de uma anáfora pronominal é sensível à posição da oração hipotática e à correferencialidade dos sujeitos. Observa-se, em primeiro lugar, que a anáfora zero é mais provável nas orações hipotáticas pospostas, enquanto a pronominal é mais provável nas antepostas, correlações que são mais perceptíveis no caso de sujeitos correferenciais. Observa-se, ainda que, no caso de sujeitos não-correferenciais, a anáfora pronominal tende a ocorrer mais nas orações de tempo do que nas de condição, enquanto a anáfora zero, inversamente, tende a ocorrer mais nas de condição.

 

 

 



 

Afinal, assumindo-se que, à semelhança do que ocorre nos processos morfológicos, a maior gramaticalização da combinação das orações pode ser aferida pela maior integração, e que a presença de anáfora zero constitui um índice confiável dessa integração, os resultados empíricos que obtivemos sugerem, mais uma vez, que os enunciados de condição estão mais gramaticalizados do que os de tempo.



Quanto à terceira e última variável - correlação modo-temporal entre as orações nuclear e hipotática - a motivação para a investigação se liga não apenas à noção de consecutio temporum, que está em toda a literatura clássica, mas também a indicações da lingüística moderna (entre outros, Van Valin, 1984; Lehman, 1988; Harris e Campbell, 1995) de que existe uma dependência, ao menos parcial, do tempo da oração hipotática em relação ao da sua nuclear.

O primeiro passo consistiu em agrupar as construções de tempo e de condição segundo compartilhassem ou não os mesmos tempos ou os mesmos modos. Os resultados são exibidos na tabela 3.

 

 

Os dados mostram nítidas diferenças entre os enunciados de tempo e os de condição no que diz respeito à correlação entre tempo e modo. Nas construções temporais, os falantes tendem a manter o mesmo modo na oração nuclear e na hipotática, preservando o tempo em cerca de 80% dos casos, resultado que, especialmente quanto ao modo, tem de ser avaliado com cautela, já que o corpus examinado apresentou predominância quase absoluta de orações de tempo iniciadas por quando, conectivo favorecedor do uso do indicativo. No caso das construções condicionais, embora os falantes possam utilizar estratégias similares, o que chama a atenção é uma manipulação mais rica do modo.



A tabela acima revela os princípios gerais que controlam o jogo modo-temporal nos enunciados em estudo, sem, no entanto, esclarecer sobre uma possível determinação, stricto sensu, do modo e do tempo da oração hipotática pela nuclear. Observa-se que uma análise mais refinada descortina uma grande gama de combinações, que estão apresentadas a seguir e que se indicam, esquematicamente, no quadro 1:

(06a) L2: quando comem peixe, comem cru. (D2-POA-291, p. 17)

(06b) Inf: se essas características estão explicitas da mesma maneira como eu as coloquei isso é conhecimento (EF-POA-278, p. 06)

(07a) Então quando o indíviduo, ou quando o aluno for capaz de inferir a partir daquela comunicação, ele está já com o nível de extrapolação. (EF-POA-278, p. 11)

(07b) Inf.: se você apanhar dez... em nove tem capital japonês no meio. (EF-RJ-379, p. 884-85)

(08) se ela foi criada... para um FIM... Outro... que NÃO ... a contemplação estática ... ela é pragmática. (EF-sp-405, p. 303-307)

(09) uma biblioteca deve ser um:: lugar muito bem:: amplo... ahn muito bem ventilado... né?... bem localizado quer dizer em posição que... eu falo em relação... ao sol... ao poente ao nascente... prá o:: o::... estudante ter um conforto prá estudar a não ser que seja::; que um colégio tenha condições de botar ar condicionado. (DID-SSA-231, p. 346-350)

(10) quando vai (a/a) encenar eu acho que o pessoal já deve estar sabendo mais do que de cor (DID-SP-281, p. 108)

(11) L2: se ele aprender a que dizendo que não quer ir não vai... eu estou criando um precedente muito sério. (D2-SP-360, p. 357-362)

(12) L2: eu por mim trabalhava na Escola de Belas Artes se o salário que me pagassem na Escola de Belas Artes me desse pra co ... viver condignamente. (D2-SSA-98, p. 103-105

(13a) ... ou se ele tava em solidão quando estava no meio da sociedade (D2-REC-05, p. 04)

(13b) quanto à coleta se eles dependiam... da colheita... de... frutos... raizes... que eles não plantavam... que estava à disposição deles na natuREza... eles também tinham que obedecer o ciclo vegetativo (EF-SP-405, p. 49-50)

(14) ...tu acho que estavas junto com o, Manabu Mabe e junto o Carona quando nós fomos naquele arma/restaurante naquele naquele restaurante é::: chinês (D2-POA-291, p. 15-16)

(15a) ...a, quando ele usa ainterpretação, ele já preparou o, a, processo mentaldo aluno para uma extrapolação. (EF-POA-278, p. 15)

(15b) e'inclusive se alguma coisa quebrada por exemplo eu chego... foi um dos dois... (D2-sp-360, p. 142-143)

(16a) quando nós passamos elas disseram assim> essas viciadas... (DID-POA-045, p. 10)

(16b) se ele armazenou aquilo e devolve da mesma maneira como ele a recebeu, ele não fez nenhum trabalho, ele não manipulou aquela informação (EF-POA-278, p. 07)

(17) quando:: tinha uns quinze a dezoito anos eu estudei balê (DID-SP-281, p. 109-110)

(18) se faz a retirada do... testiculo, se retirando, portanto, a fonte produtora ou elaboradora de testerona, terá que haver uma gincomastia secundária. (EF-SSA-491, p. 04-05)

(19a) ... então vejam aqui, aqui, quando estiver trabalhando com compreensão ele vai atuar sobre uma comunicação (EF-POA-278, p. 08)

(19b) L2 porque se você não tiver outra opção não tiver Chacrinha não tiver Flávio Cavalcanti
L1 eu eu continuo achando
L2 não tiver Sílvio Santos/ o povo
L1 eu continuo achando
L2 o povo vai ligar pra TV universitária. (D2-RE-05, p. 310-315)


(20) Então, se se a Maria Lúcia fez ver per, percutir com a sua colocação, ela vai dizer que eu não posso aplicar, também, sem fazer uma análise ou aplicação. (EF-POA-278, p. 252-254)

(21) ... então se houvesse já uma interpretação, estaria no nível seguinte (EF-POA-278, p. 06)

(22) se nós tivermos de falar de alimentação brasileira...realmente não...não teria assim muita relação, ... né? (DID-RJ-328, p. 258-263)

(23) quando eu pergunto o que estuda a sociologia do direito eu poderia perguntar também o que estuda sociologia jurídica. (EF-REC-337, p. 05)

(24) ... um acordo entre a classe patronal e a classe trabalhadora a fim de que se evite o chamado dissídio coletivo... quando não um acordo entre patrões e empregados (DID-REC-131, p. 02)

 

 

O quadro acima mostra que 31% dos tipos de correlações são explorados tanto nos enunciados de tempo quanto nos de condição, enquanto em 69% dos casos esses dois tipos de enunciados se encontram em distribuição complementar. Mostra também que, para um grande número de células, inexiste uma relação biunívoca entre o tempo e o modo das orações que constituem o enunciado. Ao contrário, a um tempo da oração nuclear podem correlacionar-se outros tempos e, também, modos diversos na hipotática. Essa flexibilidade sugere que a flexão modo-temporal da hipotática não é determinada apenas pela flexão do verbo da oração nuclear, e que a explicação para essa relação precisa enriquecer-se consideravelmente, de modo a incluir informações outras, tais como tipo de conectivo, a posição, etc. Sugere, conseqüentemente, que a variável determinação de tempo e de modo, no caso dos enunciados em estudo, não pode ser usada como um parâmetro capaz de validar empiricamente nossa hipótese.



Em conclusão, deve-se apontar que os resultados da análise que empreendemos devem ser considerados dentro da noção funcionalista básica de que, no jogo da linguagem, motivações entram em competição, e cada enunciado que se produz é o resultado do equilíbrio dessas pressões. No nosso caso, enquanto a análise das duas primeiras variáveis analisadas - ordem relativa das orações e realização do sujeito de cada uma das orações - aponta para a conclusão de que as construções condicionais são mais integradas e, portanto, mais gramaticalizadas do que as temporais, os resultados da análise da terceira variável vão noutra direção, indicando que as construções temporais são mais integradas do que as condicionais. Se a primeira conclusão repercute noções muito fortes, como a que se deduz da escala unidirecional da gramaticalização (Hopper e Traugott, 1993; Heine, Claudi e Hünnemeyer, 1991), na qual as categorias mais gramaticalizadas são as da direita (mais abstratas), a segunda conclusão - que é especialmente referente a casos de intercalação de orações - reflete a hierarquização em camadas proposta na gramática funcional (Dik, 1985; Hengeveld, 1989; Hengeveld et alii, 1990), na qual os satélites de tempo atuam em nível mais baixo (o da predicação), enquanto os satélites de condição atuam em nível mais elevado, e, portanto, de ligação mais frouxa (os da proposição e do ato de fala).

 

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Título:
Hipotaxe e gramaticalização; uma análise das construções de tempo e de condição


Hipotaxis and grammaticalization: an anylisis of temporal and conditional complex sentences.

Maria Helena de Moura NEVES


Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP-CAr
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Maria Luiza BRAGA


Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
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e-mail mbraga@iel.unicamp.br

área do trabalho: teoria e análise lingüística

 

 

1 "Grammaticalization consists in the increase of the range of a morpheme advancing from a lexical to a grammatical or from a less grammatical to a more grammatical status, e. g. from a derivative formant to an inflectional one".



2 Segundo Heine, Claudi e Hunnemeyer (1991), "the categories introduced above represent prototypical entities, each of wich includes a variety of perceptually and/or lingüístically defined concepts and can be viewed as representing a domain of conceptualization that is important for structuring experience. The relation among them is metaphorical in nature, that is, any one of them may serve to conceptualize any other category to its right."

3 Na apresentação de Heine, Claudi e Hünnemeyer (1991, p. 157), essas são as hipóteses d) e e), respectivamente.

4 O corpus em exame é constituído de construções temporais e condicionais da língua falada (Projeto NURC) introduzidas por conjunção, as quais foram objeto de investigação em trabalhos, respectivamente, de Braga (no prelo, volume VII) e de Neves (no prelo, volume VII), no âmbito do Projeto "Gramática do Português Falado", coordenado por Ataliba Teixeira de Castilho. A delimitação dos inquéritos do NURC para exame dos dois tipos de ocorrência foi exatamente a mesma, o que permite que nossas considerações possam recorrer à questão da freqüência.



5 O conceito de grupo de fatores remete à teoria da variação (Labov, 1969). Não estamos, porém, considerando orações de tempo e de condição como variantes de uma variável dependente. O que estamos fazendo é apenas utilizar alguns dos recursos oferecidos pela metodologia: basicamente, o uso de grupos de fatores, o que garante uma análise exaustiva e coerente de todos os dados à luz do mesmo elenco de categorias lingüisticas, e o uso de estatística para comprovar, ou não, as hipóteses.



http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-44501998000300013

Capturado em 24/04/2006


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