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ABERTURA DA EDIÇÃO ESPECIAL DE “RAÍZES”, DENOMINADA “250 ANOS DEPOIS – AO ENCONTRO DAS RAÍZES AÇORIANAS”
Angra do Heroísmo, 16 de Setembro de 2002

Intervenção do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César
É com grande gosto, e com muita honra, que presido à Sessão de Abertura da VII Edição das “Raízes”. É uma edição especial, denominada “250 anos depois – ao encontro das Raízes Açorianas”. E é uma edição assim chamada porque o Governo Regional dos Açores quis, com ela, assinalar a efeméride que, este ano, se comemora da presença açoriana no Rio Grande do Sul.
É uma iniciativa dedicada, é certo, àquele Estado do Sul do Brasil, mas também e ainda a outros Estados brasileiros, a espaços onde a cultura açoriana resistiu à erosão do tempo e ao encontro com outras culturas, continuando viva em diversas manifestações, bem conhecidas de todos nós e que exprimem o papel de inegável importância desempenhado pelos Açores no processo de povoamento e colonização do Brasil.
Local esperançoso de chegada de nacionais e estrangeiros que participaram no seu povoamento, o arquipélago dos Açores cedo passou a ser um importante ponto de partida de gente que irá participar na construção de novos domínios do ultramar português e de outros espaços, com destaque, naturalmente, para o grande Mundo Atlântico. De facto, com o rápido aumento da população e a consequente pressão sobre a terra, muitos foram os que, no dealbar de Quinhentos, deixaram os Açores e se passaram a outras paragens, em busca de melhores condições de vida, quer pela obtenção de terra para agricultar, quer através do comércio ou de outras actividades remuneradas.
A participação açoriana na construção do Brasil não se limitou, com efeito, ao fluxo emigratório que ocorreu no século XVIII. Entre os novos espaços que, na era quinhentista, acolheram os açorianos, quer no âmbito da emigração, quer no âmbito da colonização, contou-se o Brasil. No âmbito de um plano de política nacional, delineado em 1545, ficou decidido e foi executado pelo primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, a deslocação anual para a Baía de contingentes populacionais em que avultavam açorianos. E ainda no mesmo século, na década de 80, seguiram para a Baía e Pernambuco mais açorianos, num movimento que se intensificou no final da centúria, com a descoberta de jazigos auríferos e pedras preciosas.
Mas, não obstante as nossas ilhas terem contribuído um pouco para o povoamento e colonização de todas as regiões brasileiras, o facto é que tal contributo adquiriu especial significado, nos séculos XVII e XVIII, em territórios que podem ser designados de “terras de fronteira” – Maranhão/Pará e Santa Catarina/Rio Grande do Sul, áreas vastas para as quais, por razões naturais e ou geopolíticas, parece ter sido deliberadamente encaminhada uma população adaptiva, habituada ao desbravamento, a dificuldades e a privações de vária ordem, como o é a população açoriana.
Uma população que parece ter sido encarada como uma “frente de ocupadores”, especializados no laboratório experimental da Expansão; gentes que estavam longe de imaginar que, para além da ocupação e defesa de novos espaços, iriam constituir uma base de vivência e de cultura que, em meados do século XX, começaria a ser resgatada do silêncio em que se encontrava e que, agora, neste início do século XXI seria celebrada por brasileiros e açorianos, com um novo sentido de compromisso cultural e um sentimento renovado de fraternidade.
A nossa identidade cultural – essa essência que nos caracteriza, distingue e marca a nossa presença nos destinos da nossa emigração – tem sido preservada no Brasil, embora sem perder, naturalmente, o seu carácter dinâmico. Essa identidade preservada, com traços indeléveis do passado e referências assimiladas, tem constituído tema de estudo e de entrega voluntária de muitos dos participantes nesta iniciativa. Daí que se torne imperioso registar o nosso apreço relativamente ao vosso trabalho, bem como a nossa gratidão, expressa nesta oportunidade de vos dar a conhecer um pouco mais do que somos no presente e os caminhos que trilhamos em direcção ao futuro.
Historicamente, os Açores são um lugar de encontro, situado no cruzamento das rotas marítimas, aéreas e das comunicações. A sua privilegiada situação geográfica, quase a meio do Atlântico Norte, concedeu-lhe, sem dúvida alguma, um importante valor geopolítico e geoestratégico que se tem vindo a constatar desde o século XV até aos nossos dias. Pode ser afirmado, sem qualquer receio, que o achamento e o povoamento dos Açores é que deu a Portugal a sua projecção atlântica, tal como tem acontecido até hoje. Porém, não obstante essa constante relevância do arquipélago para a dimensão atlântica portuguesa, e ainda apesar do seu valioso contributo no que respeita a importantes vultos da política e da cultura nacionais, foi só a partir de meados da década de 70 do século XX que o espaço arquipelágico açorense, com a institucionalização dos seus órgãos de governo próprio e apoiados na solidariedade nacional e na cooperação europeia, se começou verdadeiramente a abrir a novas influências exteriores, sem, todavia, destruir a sua identidade própria.
Atravessamos, aliás, um período de grande crescimento e diversificação económicos, que esperamos prosseguir com o nosso esforço e os nossos meios, mas, também, não permitindo que o país fuja às responsabilidades solidárias que tem face à nossa História e à nossa contemporaneidade.
Porque os Açores se constroem também fora das fronteiras da Região, as Comunidades ocupam um espaço importante no nosso trabalho quotidiano; um trabalho realizado na vertente da integração dos emigrantes, na reinserção dos regressados e no apoio à dinâmica da nossa identificação cultural, em países tão distantes geograficamente, mas tão próximos afectivamente, como o é o caso do Brasil.
A proposta de descoberta ou redescoberta das vossas Raízes é uma acção que nos orgulha, graças à vossa resposta, ao vosso interesse, ao grande estímulo que motiva as vossas comunidades nos dias de hoje. Num mundo global, onde o transitório parece instalado, é gratificante constatar a nitidez e a amplitude de que se reveste o resgate cultural a que muitos de vós se têm dedicado. Estamos unidos nesse projecto comum, da preservação, descoberta e/ou redescoberta de memórias e raízes. Vamos prosseguir a sua construção, sem hesitações, em homenagem ao passado, para honrar o presente e desenhar o futuro.
Nesta cidade de Angra, “A “Universal escala do Mar Poente” – no dizer do douto Gaspar Frutuoso - vamos mergulhar na história e partilhá-la entre os Açores e o Brasil, de modo a honrar o que nos é comum com a dignidade e o respeito merecidos. E, ao fazê-lo, estamos a restituir aos Açores não só o seu papel histórico de espaço de escala mas também o de ponto de confluência dos movimentos culturais e de progresso que vão transformando o mundo.
A todos, por isso, muito obrigado e bom trabalho.




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