Departamento de biologia disciplina: ecologia I



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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA

DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

DISCIPLINA: ECOLOGIA I

DOCENTE: Dr. JEREMIAS PEREIRA DA SILVA FILHO

LUCAS BONFIM RODRIGUES



QUEIMADAS NO BRASIL E PIAUÍ

Teresina, PI

2019

QUEIMADAS NO BRASIL E PIAUÍ

A queimada é um processo de queima de biomassa que pode ocorrer por razões naturais ou ser provocada pelo homem. Sua evolução passa pelos estágios de ignição, chamas, brasas e extinção. A ignição depende do material a ser queimado (biomassa) e de fatores ambientais como temperatura, umidade relativa do ar e vento. É uma prática utilizada em todo o mundo, o que vem acarretando prejuízos à biodiversidade (GASPAR, 2012).

As queimadas alteram ou mesmo devastam totalmente os ecossistemas: destroem a fauna e a flora; ao matarem os microrganismos do solo, tomam-no mais pobre; calcinando a sua superfície, reduzem a penetração de água no subsolo. De um ponto de vista mais amplo, as queimadas são responsáveis por modificações na composição química da atmosfera e, por extensão, influem de forma negativa sobre as mudanças climáticas do planeta, contribuindo para o aumento do efeito estufa e, portanto, para o aquecimento global.

Apesar de ser uma prática comum, o seu uso as vezes pode descontrolar-se e causar incêndios em florestas, matas e terrenos grandes. O número de incêndios entre janeiro e agosto de 2019 é o dobro do mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Embora este seja o número mais alto de incêndios em quase uma década (considerando os dados de 2019 até o momento), ele é menor do que na maioria dos anos no período que vai de 2002 a 2010.

Os incêndios são comuns durante o período da seca e podem ocorrer naturalmente. No entanto, ainda segundo dados do Inpe, especialistas afirmam que a maioria dos incêndios no Brasil neste ano foi causada pela atividade humana - ou seja, agricultores e madeireiros limpando terras para plantio ou pastagem -, já que 2019 não está tão seco em comparação com outros anos.

Grande parte dos incêndios florestais tem motivos econômicos. São provocados para ampliar áreas visando à criação de gado ou culturas agrícolas. Ocorrem também queimadas nas margens das rodovias brasileiras, na sua maioria, causadas por fuligem incandescente proveniente dos escapamentos de caminhões e ônibus com o motor desregulado. Existem também em menor escala, incêndios causados por pessoas descuidadas que jogam pontas de cigarro nas margens das estradas, ateiam fogo a lixões e ainda aqueles causados por balões (DIAS, 2009).

Dados do Inpe revelam que e o Brasil é o líder em quantidade de focos de incêndio entre os países da América Latina. Durante o período de junho a novembro, ocorrem queimadas praticamente em todas as regiões brasileiras, sendo os meses de agosto e setembro os mais críticos. No Nordeste, a ocorrência é maior no período de outubro a janeiro, período com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar.

O Piauí inteiro está sob alerta de fogo, segundo o que aponta o Inpe. As altas temperaturas e o tempo seco contribuem bastante para este cenário e a preocupação, ela se reflete em números. No estado, já se contabiliza um total de 4.860 focos de queimadas ao longo deste ano. Os dados são do monitoramento em tempo real do Inpe. O relatório aponta que a situação mais crítica se dá no município de Baixa Grande do Ribeiro, a 609 Km de Teresina, onde foi contabilizado um total de 42 focos acumulados em apenas um dia. Com o número, a cidade piauiense figurou como a décima com a maior quantidade de focos de queimada do Brasil (ESTRELA, 2019).

Apesar disso, o Estado é o terceiro do Nordeste em número de queimadas em 2019, ficando atrás somente do Maranhão, que já registra 2.852 ocorrências, e da Bahia, com 1.933 ocorrências (ESTRELA, 2019).

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semar), por meio da Coordenadoria de Prevenção, Controle e Combate aos Incêndios Florestais, vem intensificando ações de prevenção e combate a incêndios florestais no Piauí. Entre as ações, pode-se destacar a criação de brigadas nas cidades onde se concentram os maiores índices de focos de calor.

Dentre os fatores que contribuem com as queimadas, temos os fatores climáticos, topográficos e tipos de combustível. Segundo Dias (2009), a baixa precipitação de chuvas, umidade relativa do ar baixa e outros fatores (ventos mais fortes, por exemplo) favorecem o início e a propagação do fogo na vegetação; quanto menor a precipitação, mais a vegetação fica ressecada, facilitando a combustão; quanto maior a temperatura, maior o risco de combustão; ventos fortes e constantes aumentam a evapotranspiração e diminuem a umidade relativa do ar; facilitando a propagação do fogo; formações específicas de nuvens na atmosfera favorecem a ocorrência de raios.

Quanto mais acidentado for um terreno (aclives e declives) mais rapidamente o fogo se alastra; regiões com inclinações acentuadas contribuem para regimes específicos de movimentação do ar (ventos, correntes de ar) que terminam contribuindo para a alimentação do fogo na vegetação; áreas planas, por sua vez, permitem ventos com maior velocidade (com conseqüente maior velocidade de propagação do fogo).

A combustão e a propagação do fogo também dependem do material que está sendo queimado; a biomassa, isto é, o material orgânico (vegetação - troncos, galhos, folhas, cascas, raízes, musgos, frutos e outros) disposto no ambiente, que entra em combustão, vai determinar a natureza do fogo, a depender da sua constituição química, seu estádio de decomposição, umidade e temperatura do material, dentre outros.

Em suma, as derrubadas, seguidas de queimadas, causam prejuízos irreparáveis à biodiversidade, ao ciclo hidrológico e ao ciclo do carbono na atmosfera. Tais prejuízos reduzem os serviços ambientais que a floresta, mantida em seu padrão atual, poderia proporcionar ao Planeta. O impacto das queimadas, uma das principais estratégias utilizadas para a expansão das fronteiras agrícolas, ameaça de extinção espécies de animais e de plantas e causa a erosão do solo que fica menos protegido.

A derrubada da floresta e a queima da vegetação por atividades humanas são grandes transformadoras das paisagens piauienses e tem crescido muito nas últimas décadas. Esses fenômenos são fatores que influenciam a ocupação territorial e o uso de recursos naturais da floresta e do solo. A fumaça e os gases liberados, como o monóxido de carbono e o ozônio, concentram-se na atmosfera e tornam o clima mais seco, as temperaturas mais altas e o ar irrespirável.

Aos pequenos produtores, que praticam a agricultura de subsistência, é essencial estabelecer um programa agressivo de mecanização de três hectares de áreas degradadas e fornecimento de 3 mil kg calcário e fertilizantes para a produção de alimentos em troca da eliminação dos desmatamentos e queimadas. Isto evitaria a derruba e a queima de uma média de três hectares de florestas, bem como a emissão na atmosfera de cerca de 500 mil kg de carbono por produtor a cada ano (VALENTIM, 2006).

REFERÊNCIAS

BBC NEWS. Número de incêndios florestais no mundo em 2019 é um recorde? BBC NEWS, 2019. Disponível em: . Acesso em 22 out 2019.

DIAS, G. F. Queimadas e incêndios florestais: cenários e desafios: subsídios para a educação ambiental. Brasília: MMA, Ibama, 2009. 32 p.

ESTRELA, M. C. Piauí registrou 328 queimadas em apenas 24 horas, segundo Inpe. Portal O Dia: Teresina, 2019. Disponível em: . Acesso em 22 out 2019.

GASPAR, L. Queimadas no Brasil. Fundação Joaquim Nabuco: Recife, 2012. Disponível em: . Acesso em: 22 out 2019.

Governo do Estado do Piauí. Estado intensifica estratégias para prevenção e controle de incêndios florestais. Teresina, 2019. Disponível em: . Acesso em 22 out 2019.

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2018. Portal do Monitoramento de Queimadas e Incêndios. Disponível em: . Acesso em 22 out 2019.



VALENTIM, J. F. Quando a fumaça passar. 2006. Disponível em: . Acesso em 22 out 2019.

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