Departamento de educaçÃo básica núcleo regional de educaçÃo equipe técnica: FÍsica livro didático na sala de aula



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D

EPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA


NÚCLEO REGIONAL DE EDUCAÇÃO

EQUIPE TÉCNICA: FÍSICA

Livro didático na sala de aula

O livro didático mantém-se como o recurso mais presente em sala de aula, quando não a própria aula, a voz principal do ensino (SCHÄFFER, 1998, p.144).


O Programa Nacional de Livro Didático (PNLD) trouxe para o centro das discussões o papel e a contribuição do livro didático na melhoria do sistema de ensino do país. Se por um lado, parece certa a idéia de que tais livros trazem contribuições positivas a uma população não habituada ao convívio com livros, não se sabe ao certo qual a contribuição efetiva que eles podem dar ao processo de ensino-aprendizagem.

Mesmo antes do PNLD, o livro já se constituía em instrumento imprescindível ao trabalho do professor, o que é uma realidade indesejável, pois se entende que o livro didático não deva ser instrumento único e definidor do processo de ensino. No entanto, é preciso admitir que o livro didático seja atualmente responsável por grande parte do processo de ensino e aprendizagem, pois além de definidor do projeto pedagógico, é assumido como fonte de “informações científica e segura para muitos professores, na principal fonte de atualização e de consulta. (SCHÄFFER, 1998, p.144).

Entende-se que livro didático deve ser material de consulta e estudo do aluno, para auxiliar na aprendizagem, nunca do professor, pois esse deve ir além dos livros e manuais didáticos. Por isso destaca-se a importância da discussão acerca do papel do livro didático na sala de aula.

É preciso considerar a etapa que precede a utilização de um livro, a escolha do mesmo. Nesse momento, alguns cuidados precisam ser tomados, como ter um olhar atencioso em relação ao rigor conceitual presente em seus textos e a coerência entre o material e a proposta de ensino da escola. No caso, do Estado do Paraná é preciso considerar as Diretrizes Curriculares da Educação Básica – Física (DCE - Física), já no momento de seleção do livro, para que haja coerência entre o livro e as diretrizes.

Para além da seleção, já na sala de aula

“... é preciso planejar seu uso em relação aos conteúdos e comportamentos com que ele trabalha. É só a partir disso que se pode descobrir a melhor forma de estabelecer o necessário diálogo entre o que diz o livro e o que pensam os alunos”. (LAJOLO, 1996, p.6)


Isso só será possível a partir do momento que o professor conhecer profundamente o material, antes de levá-lo para sala de aula, identificando suas incoerências e possíveis erros, para que, ao apresentar aos estudantes, o faça com firmeza e segurança, mostrando que até nos livros o conhecimento é falível. Somente assim, é possível utilizar um livro de forma critica.

Minimizar os danos do mau livro começa pela atividade que precisa preceder o uso de qualquer livro didático, bom ou ruim, voluntariamente escolhido ou autoritariamente imposto: leitura integral e atenta do livro, de capa a capa, da folha de rosto até a última página. (LAJOLO, 1996, p.7)


Repita-se, é importante que o professor tenha um conhecimento profundo do livro adotado, pois isso permitirá decidir por onde começar e onde terminar, como é apontado pelas DCE-Física. “Em outras palavras, o pedagogo do livro deve ser o professor e não o contrário. O professor é quem sabe quando e como utilizar o livro didático” (DCE-Física, 2008, p. 64). Ou seja, um livro torna-se bom conforme a maneira que é explorado em sala de aula pelo professor.

Entretanto é preciso reconhecer que “em sociedades como a brasileira, livros didáticos e não-didáticos são centrais na produção, circulação e apropriação de conhecimentos, sobretudo dos conhecimentos por cuja difusão a escola é responsável” (LAJOLO, 1996, p.4).

Dessa forma, reconhece-se a importância desse recurso como divulgador da ciência, porém como mais um instrumento a serviço do professor, sendo este último quem determina quando, quanto e como vai utilizá-lo, assim como os demais instrumentos encontrados na escola. Pois o melhor livro, repita-se mais uma vez, é apenas um livro, instrumento auxiliar de aprendizagem (LAJOLO, M. 1996, p.8).

Assim, quem determina e delimita o papel do livro didático na sala de aula é o professor, pois, a cada aula preparada e registrada no seu Plano de Trabalho Docente, o conteúdo do livro é reconstruído e reorganizado pelo professor e, nesta perspectiva, a utilização de um livro sempre exige adaptações.

Neste sentido, este trabalho apresenta algumas propostas de organização e sequenciação de conteúdos, para cada conteúdo estruturante – Movimento, Termodinâmica e Eletromagnetismo. Para tanto, adotou-se como Livro Didático o “Livro Didático Público de Física” e outros textos didáticos.

Cada sequência é composta por atividades que consideram o conteúdo estruturante e os seus respectivos conteúdos básicos e foi pensada considerando os encaminhamentos propostos nas DCE - Física.

Assim, para um encaminhamento de trabalho em sala de aula a partir do conteúdo estruturante movimento são propostas duas sequências. A primeira, organizada a partir do capítulo 2 – “Descrição clássica dos movimentos: inércia e momentum”, contempla os seguintes conteúdos básicos: Momentum e inércia; Conservação da quantidade de movimento e a primeira Lei de Newton. A segunda, dá continuidade a primeira, tendo como conteúdo básico a segunda e a terceira lei de Newton, e utiliza como material didático o Folhas “A Física no boliche”.

No conjunto, as duas sequências que abordam o conteúdo estruturante movimento trabalham os conteúdos específicos: velocidade, aceleração, trajetória, intervalo de tempo, unidades de medidas das grandezas envolvidas, forças e grandezas vetoriais. Aos finais das duas sequências, espera-se que os estudantes formulem uma visão clássica do estudo dos movimentos, ao mesmo tempo em que perceba as limitações do seu modelo.

Para o estudo da Termodinâmica, a organização se dá a partir do capítulo 4 – “Lei Zero da Termodinâmica”, tendo como objetivo explorar como conteúdo básico a lei zero da termodinâmica e, específico, a transferência de calor. Pensou-se a sequência, considerando que o estudante tenha construído a idéia de temperatura. Assim, espera-se introduzir aos estudantes o quadro teórico da termodinâmica a partir das suas leis.

A partir da reconstrução do capítulo 13 - “Campos Eletromagnéticos”, é proposta uma organização de quatro aulas, com objetivo de ensinar o conceito “campos”, entendido como conteúdo básico e entidade do eletromagnetismo. Pensou-se a seqüência didática partindo do princípio que o capítulo 9 – “Carga elétrica”, do Livro Didático Público de Física –, já tenha sido trabalhado pelo professor, e considerando ainda que o próximo tópico a ser abordado seja ondas eletromagnéticas.


Referências:
BRASIL/MEC/SEB. O LIVRO DIDÁTICO NA HISTÓRIA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Disponível em: http://portal.mec.gov.br
SCHÄFFER, N. O. O livro didático e o desempenho pedagógico: anotações de apoio à escolha do livro didático. In: CASTROGIOVANNI, A. C.; CALLAI, H. C.; SCHÄFFER, N. O. │et al.│ Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003.
LAJOLO, M. Livro Didático: um (quase) manual de usuário. In: Em Aberto, ano 16, n. 69, Jan/Mar, 1996.
PARANÁ/SEED/DEB. DIRETRIZES CURRICULARES DA EDUCAÇÃO BÁSICA-Física. Curitiba, SEED/DEB, 2008.


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