Departamento de teologia



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Em outras palavras, o empenho primeiro do cristianismo atual inscreve-se na promoção crescente do acesso universal à “categoria de sujeito real e efetivo” dos diversos grupos e indivíduos marginalizados. Em termos mais explícitos, a mediação da salvação de Deus concretiza-se na denúncia e no desmantelamento dos mecanismos de poder e privilégio – que excluem a maioria da participação efetiva na gestão e desfrute dos bens –, nas liberdades sociais, na luta contra toda e qualquer forma de discriminação e na promoção e aliança incondicional em defesa inclusiva dos direitos humanos.


Essa constatação é algo que nasce do próprio núcleo da fé em um só Deus, Criador, Pai-mãe de todo homem e toda mulher. Encontra sua fundamentação mais explícita na práxis libertadora de Jesus de Nazaré. Ele proclamou a chegada da “lógica universal do Reino”, de modo preferencial no meio dos pobres. Para o autor, essa estratégia do amor de Deus concretizava, na verdade, o único modo possível de assegurar universalidade na história, ou seja, começando por baixo, pelos últimos, quebrando a cadeia de privilégios (Mt 20, 1-16; Lc 19, 9-10)615.

Entre os sinais que concretizam o delineamento desse “outro” cristianismo no mundo atual destacam-se a emergência dos novos sujeitos sociais e eclesiais – mulheres, jovens, crianças, indígenas, negros, dentre outros – e, especialmente, a presença política efetiva dos diversos movimentos de libertação e promoção da cidadania – ceb’s, MST, movimentos ecológicos, feministas, indígenas, afro-americanos, as diversas ong`s, o novo movimento voluntariado, dentre outros.

A experiência cristã originária é reinterpretada e criativamente reinventada não pela clausura da repetição fossilizada da tradição, mas recriada pela polissemia advinda da “lógica do amor”. A existência cristã assume a inquietude solidária e responsável da “lógica da fraternidade” e se apresenta mais companheira e tolerante, pautada pela generosidade e pela gratuidade nascidas da presença amorosa de Deus. Uma “outra” configuração do cristianismo no mundo atual, pela memória e profecia da experiência que a conduz, oferece à humanidade a certeza da transcendência-imanente da presença de Deus. A experiência cristã pode “trazer à luz” o reconhecimento de que toda a humanidade está sustentada pela força divina na “impotência histórica”, revelada na solidariedade humana do crucificado, e, principalmente, pela fé teimosa da “esperança transcendente” da presença divina libertadora do ressuscitado616.

CONCLUSÃO FINAL

Esta dissertação procurou confirmar e demonstrar, através da análise da obra de Torres Queiruga, a autenticidade e a relevância da afirmação de que o advento do paradigma moderno, na Ilustração, colocou em crise os alicerces da cultura antiga e, conseqüentemente, a configuração do cristianismo pré-moderno. A virada antropocêntrica, com o emergir positivo e irreversível de nova consciência da autonomia das realidades e da radical historicidade evolutiva de todas as coisas, engendrou mentalidade secularizante que minou gravemente a vitalidade do modo como a experiência cristã se apresentava.

O embate entre cristianismo e Modernidade provocou atitudes de fechamento mútuo e reações polares que não favoreceram a postura de entendimento e diálogo fecundo entre a herança da tradição e a novidade epocal. O recrudecimento em posições unilaterais impediu a necessária autocrítica e o mútuo enriquecimento. Muitos optaram pela empobrecedora negação da “dialética da alteridade” e o esquecimento das lições críticas da história. Ateísmo anti-religioso, de um lado, e fideísmo anti-moderno, do outro.

O cadinho da história foi purificando as ingenuidades e os preconceitos imediatistas de ambos os lados. O processo histórico demonstrou, por um lado, a necessidade do reconhecimento da positividade e da irreversibilidade da nova consciência. Por outro, mostrou também os perigos do otimismo inocente e a necessidade de cuidado crítico diante das ambigüidades das mudanças. Todo processo humano é ambivalente. A religião, como produto humano, não podia ser indiferente diante da mudança cultural. Sofreu abalos sísmicos de tal magnitude que não se pode mais crer da mesma maneira. Para além das reações apologéticas, o Concílio Vaticano II representou, no seio do catolicismo, oficialmente, o reconhecimento da necessidade de abertura à positividade da mudança e de repensar o cristianismo a partir das novas sensibilidades culturais.

A necessidade de nova expressão cultural não decorre da claudicação do cristianismo diante da superioridade da Modernidade. Também não se reduz à mera estratégia de sobrevivência da instituição eclesial no mundo atual. Trata-se, antes, do constante e necessário processo de inculturação da fé cristã. Aliás de qualquer experiência religiosa que pretenda ser crível para a cultura na qual se anuncia. Desafia a rica tradição cristã recuperar a “credibilidade externa” e a “coerência interna”, para quem acredita que a experiência originária de Jesus de Nazaré é manancial inesgotável de força vital, dom de Deus, para a humanidade.

Por isso buscou-se explicitar o papel irrenunciável da teologia diante da travessia dessa crise epocal. Ela tem a tarefa urgente de repensar as fontes originárias do cristianismo e traduzí-las, com fidelidade, no novo horizonte cultural. A concretização dessa ingente missão passa pelo enfrentamento, inclusive no próprio fazer teológico, da assimilação assimétrica dos novos dados e pelo reconhecimento, numa autêntica aliança crítica com a Modernidade, de que a positividade da mudança, superando a visão dualista, é fruto do próprio dinamismo criador de Deus. Nesse sentido, o cristianismo, com sua rica tradição de sabedoria, especialmente a da “dialética da cruz-ressurreição”, tem relevante contribuição para a cultura moderna. Deve, por um lado, potencializar os legítimos anseios de liberdade e as novas possibilidades de progressiva realização humanitária, por outro, ajudar na superação das fragilidades do racionalismo utilitarista e das ingenuidades do “mito do progresso infinito”, bem como desmascarar os demoníacos mecanismos de dominação e exclusão social, produtores do “reverso da história”. Com a “lógica da fraternidade” suprassumir a limitada “lógica da eficiência”. Essa foi a pretensão da contribuição do primeiro capítulo.

No segundo capítulo, debruçou-se sobre as pesadas implicações da crise na estruturação do cristianismo pré-moderno. Tratou-se dos graves limites e das incoerências internas que o novo paradigma fez “vir à luz” na autoconsciência cristã. Ele afetou a compreensão da relação de Deus com a criação em três pontos: problematizou a visão do seu agir no mundo, explicitou a fragilidade da resposta cristã ao problema do mal e mostrou a incoerência da imagem de um Deus carente de serviço e louvor.

No primeiro ponto, favoreceu visão deísta intervencionista, miraculosa e manipulável, autoritária e arbitrária, na justa autonomia das realidades. Tal visão provocou a cisão dualista do “sagrado” e do “profano” na realidade, com graves distorções na compreensão da experiência originária e deformações na objetividade da identidade cristã. No segundo ponto, a concepção pré-moderna do agir divino como onipotência intervencionista e a do mundo como realidade totalmente dependente de sua ação, aliada com a possibilidade do mito do “Paraíso na Terra”, favoreceu a elaboração de dilemas aporéticos que colocaram em questão a experiência cristã do amor salvífico e universal de Deus. No terceiro ponto, o cristianismo tornou-se espaço do “dever” e da “obrigação”, resposta a um Deus sem plenitude, deformando a compreensão originária da experiência cristã e reforçando o dualismo sagrado e profano. Favoreceu a visão de Deus como “juiz” severo que incute medo e insegurança, “legislador” autoritário que dita e impõe deveres, ou mesmo, “rival” invencível capaz de anular a tranqüilidade e ocupar o espaço da vida.

Avançando a análise, mereceu atenção especial a “oração de petição” como o lugar onde o conflito de paradigmas se tornou mais visível. Esse modelo de oração reforçou, em primeiro plano, a iniciativa humana em aproximar-se de Deus pela recordação e invocação, na esperança de movê-lo ou conquistar sua graça. Essa concepção religiosa contradiz o núcleo da experiência cristã, pois, além de não expressar a proximidade amorosa e gratuita de Deus captada em Jesus de Nazaré, obscurece a iniciativa absoluta do amor sempre em ato de Deus, ao enfatizar a ação da graça divina a posteriori ao pedido humano. Essa mentalidade religiosa favoreceu a concepção poderosa da religião e transformou Deus em “ídolo” transcendente a ser cultuado e conquistado.

A linguagem religiosa sofreu o embate de Modernidade, especialmente, no referente à interpretação literalista e objetivista da Escritura, da Tradição e dos dogmas. A problematização revelou as ingenuidades e as deformações que tal compreensão favoreceu na experiência originária. A crítica “fez nascer” a consciência da necessidade de conhecer a especificidade da linguagem religiosa como condição de possibilidade para que ela se torne significativa e crível para o contexto cultural moderno.

E finalmente se viram a necessidade e a urgência de outra configuração, no mundo atual, do cristianismo pré-moderno nos eixos estruturantes da experiência cristã, a saber, a salvação e a revelação.

Ao debruça-se sobre o eixo da salvação, constatou-se a vivência desvirtuada, sem clareza afirmativa do núcleo da experiência originária, a gratuidade absoluta do amor salvífico de Deus. Quanto ao eixo da revelação, constatou-se que o cristianismo ao assumiu a concepção extrinsecista, converteu a autocomunicação de Deus numa “lista de verdades” manifestada ou entregue de modo “sobrenatural” ao ser humano, sem qualquer dinamismo atual.

No terceiro capítulo, apontaram-se as pistas para uma configuração atual do cristianismo. Ele se divide em três partes. Na primeira, mostrou-se que as posições teológicas do autor não rejeitam a tradição viva do cristianismo, mas certas leituras atuais que são feitas da “herança da fé”. Defendeu-se “nova objetividade religiosa” que concilie, sem concessões, fidelidade à tradição cristã e atualidade com a nova sensibilidade cultural. Três pontos chamaram-nos atenção.

No primeiro, constatou-se a possibilidade de concretização através de duas intuições do autor. A primeira foi a convicção de que em Jesus experimentou-se a transcendência de Deus, sua “infinita diferença” em relação ao criado, como algo que se realiza na “máxima imanência e unidade”. Essa experiência decretou o fim do “Deus separado do mundo” e promoveu a certeza de que a relação de Deus com a criação é unicamente de afirmação, promoção, libertação, potencialização e salvação. A segunda foi a idéia da “criação por amor”. Deus amorosamente está criando todas as coisas, sustentando-as em sua contingência, de modo que cada ser existe e é desde esse amor infinito do Criador. Essa concepção explicitou o engano e favoreceu a eliminação do dualismo natural-sobrenatural, sagrado-profano. Constatou-se que a concepção do autor promove a valorização sistêmica das realidades terrestres a partir da afirmação da transcendência divina na imanência da criação e a superação da mentalidade religiosa intervencionista. Essa perspectiva responde melhor à sensibilidade atual, pois, aponta na direção da autonomia. O criador não tira a responsabilidade humana, ao contrário, sem a colaboração da livre decisão humana nada sucede no “reino da liberdade”.

A reflexão voltou-se, em seguida, sobre a resposta cristã à questão do mal. Mostraram-se os passos da proposta do autor. Primeiro, para a superação da contradição entre bondade e onipotência divina, a “ponerologia”. O mal faz parte da estrutura radical, da essência íntima, do finito. Segundo, para confirmação da experiência cristã da fidelidade de Deus, a “pisteodicéia”, o fato da criação afirma uma positividade fundamental. Se Deus criou é porque vale a pena. Significa que é o bem, e não o mal, que detém a última palavra. Desse modo, a presença do mal, sem ser negada nem banalizada, ficou relativizada e envolvida pela positividade do mundo. Deus cria por amor, o mal não provém d`Ele. Ao contrário, o mal, pelo dinamismo amoroso de sua ação criadora, lhe opõe, existe porque é inevitável. O confronto com a experiência de Jesus de Nazaré revelou o Deus próximo, atingido pela angústia humana e empenhado numa luta sem reservas contra o mal, o Deus radicalmente “antimal”. O autor defendeu a tese de que, para a experiência cristã, o problema do mal se torna demarcado e “superado” apenas diante do projeto salvífico de Deus. Deus oferece a dignidade, a coragem e a esperança na luta contra o mal. A fé em Deus é capaz de manter viva a esperança contra o mal. Esse foi o testemunho da vida concreta e comprometida de Jesus de Nazaré. Nesta vida encontram-se os elementos necessários para o sentido da resposta humana à questão do mal. O cristão, mais do que discutir, é chamado a dar testemunho do sentido daqueles que, com esperança depositada em Deus, lutam contra o mal. O problema do mal encontrou sua solução radical na práxis amorosa dos que lutam contra ele, afirmando assim o sentido da realidade e do desígnio salvífico de Deus sobre o mundo.

O avanço na reflexão mostrou que o testemunho libertador de Jesus corrobora a necessidade de “outra” concepção da relação de Deus com o ser humano. A partir do debruçar-se sobre essa experiência, explicitou-se o caráter mais profundo da criação: ela é absoluta iniciativa amorosa de Deus. O dinamismo criador revela-se na afirmação da criatura em e por si mesma. Essa perspectiva favoreceu a superação da visão dualista sagrado-profano. Concluiu-se, então, que o que ajuda na verdadeira realização da criação, responde ao desígnio criador e constitui a “alegria” do Abbá-Criador. A vida humana, em todas as suas dimensões, é querida e promovida por Deus.

No segundo ponto, buscou-se, correlativamente, “nova subjetividade religiosa”, ou seja, “outra” compreensão da relação do ser humano com Deus. A resposta humana à experiência do amor salvífico de Deus realiza-se no cultivo da relação amorosa, no assentimento livre e consciente e na entrega comprometida ao Reino de Deus. A atitude primeira do cristão, diante da oferta salvífica, é confiar e entregar a vida nas mãos de Deus. Esse é o sentido primeiro da oração cristã. Não é a iniciativa humana em conquistar ou provocar a ação divina. A iniciativa é sempre de Deus, é Ele que “escuta os gemidos” dos que sofrem, suscita na consciência humana o desejo de ajudar. Quem precisa ser convencido a agir é apenas o ser humano. Este precisa abrir-se ao chamado divino. A oração em comum, na Comunidade de fé, oferece ocasião oportuna de abertura social a Deus e à influência transformadora da graça salvífica. O ser humano, como toda a criação, existe em Deus e n’Ele subsiste. Essa compreensão favorece ao cristianismo a possibilidade de desenvolver postura aberta e prospectiva em relação ao mundo e à história. Acolher, positivamente, aquilo que favorece a realização autêntica do ser humano.

No terceiro ponto, a reflexão voltou-se para a razão de ser primeira da teologia, a busca da linguagem religiosa adequada para expressar a experiência de Deus. Concluiu-se que a linguagem religiosa não pode ser compreendida como descritiva e objetivante, mas narrativa e performativa. Sua intencionalidade é, sobretudo, a de transmitir experiências e mensagens que interpelem e provoquem conversão. Daí a necessidade desafiante de interpretá-la em sua especificidade e contexto de enunciação. Para isso concluiu-se ser fundamental a superação da leitura literalista e a-histórica da Escritura e da Tradição e o cuidado diante da tendência “objetivante” ou “subjetivista” da experiência religiosa. A transposição, sem mais, da linguagem pré-moderna favoreceu o surgimento de mentalidades religiosas deturpadas. A superação desse fenômeno passa necessariamente pela elaboração de nova linguagem religiosa e de nova postura diante dela.

Na segunda parte do terceiro capítulo, voltou-se para a sistematização de “outra” compreensão dos pilares estruturantes da salvação e da revelação como forma de atualização da riqueza da tradição jesuânica. Primeiramente, mostrou-se que é preciso recuperar o sentido originário da salvação cristã. E, no confronto com a experiência fontal “maiêutica” do Deus que emerge na vida de Jesus, constatou-se que algo fundamental se perdeu no itinerário histórico da fé cristã. Foi proposto, então, instaurar profunda “hermenêutica de reinterpretação” do dinamismo afirmativo da fé cristã. “Trazer à luz”, como única significação legítima, seu valor exclusivamente positivo. O amor salvífico de Deus deve ocupar o centro de qualquer configuração autêntica do cristianismo. É seu coração e sua “matriz hermenêutica”. É pelo amor que Deus nos salva e nos liberta para a práxis da justiça. Concluiu-se que na experiência cristã autêntica, graça e liberdade não se subtraem. Não há lógica de dominação, mas de serviço e afirmação. Tudo o que é bom é graça divina, sem que isso signifique a supressão do esforço humano. O interesse maior e definitivo de Deus não é a submissão humana, mas a sua realização plena.

Em seguida voltou-se para o eixo da revelação em busca de “outra” compreensão que fosse mais significativa e crível para os atuais parâmetros cognocitivos, ou seja, respeitadora da transcendência divina e da autonomia contingente da criação. Constatou-se que o autor construiu inovadora compreensão do processo revelador. Da experiência da vontade divina da máxima revelação possível afirmou o Deus que está, desde sempre, continuamente, fazendo de tudo para revelar-se plenamente a humanidade de todos os tempos e lugares. Mas que esbarra na incapacidade constitutiva da finitude humana em captar e acolher, com transparência, a auto-comunicação divina. No entanto, o “esforço supremo do amor salvador” de Deus conseguiu, sem forçar, pela pressão amorosa, fazer “vir à luz” na consciência humana a capacidade de perceber e acolher sua revelação. Essa pressão amorosa não feriu e não fere a autonomia do ser humano porque revela o que ele é, algo que lhe é constitutivo. Não vem de fora, pois, é algo que já está aí, dentro, possibilitando a autonomia da criação. O autor mostrou que a Escritura fez e continua fazendo o papel de “parteira”, ajudando a “dar à luz” na história a uma compreensão da realidade que capta a presença de Deus que “já estava aí presente”, sustentando toda realidade, “e sempre vindo”, tentando ser conhecida. Essa captação abriu o ser humano para novas possibilidades de percepção da presença salvadora nos dinamismos da história.

Concluiu-se que essa “outra” compreensão do processo revelador, enquanto “maiêutica histórica” e “esforço supremo do amor” não só conseguiu integrar os dados fundamentais da tradição cristã, como também permitiu ao autor superar as dificuldades da mentalidade antiga, ao proporcionar nova objetividade em sua compreensão, e ampliar os horizontes do diálogo inter-religioso. O autor cunhou importantes conceitos para a reflexão teológica atual. Entre eles destacou-se a “inreligionação”, o universalismo ou “pluralismo assimétrico”, o “teocentrismo jesuânico”, dentre outros.

E finalmente, na última parte, a título de ensaio insipiente da “outra” configuração, recolhendo as pistas da obra do autor, apresentaram-se traços que apontam a direção do caminho a ser trilhado. Um cristianismo liberto de todo particularismo favoritista, aberto ao diálogo com as outras tradições religiosas e com as demais buscas culturais, irmanados no objetivo maior: “uma humanidade mais humana, mais divina, mais unida em prol da paz”. Portanto, um cristianismo mais companheiro de cada homem e mulher, porque mais comprometido com o mundo e menos voltado para o “pequeno rebanho”.

Da “necessidade” de “outra” configuração experimentou-se, no final, o gosto e a beleza da “possibilidade”. Captaram-se traços característicos da autêntica identidade cristã. Primeiro, a interatividade. A configuração assumirá a dimensão dialógica e fraterna. Segundo, a recursividade. É imprescindível o movimento constante de “volta às fontes”, num dinamismo que a leva a ir cada vez mais longe, em outras possibilidades, nos caminhos da história. Terceiro a inclusividade. Tenderá sempre a universalidade, num movimento de abertura e postura aprendiz. Se o que se captou é verdadeiro, significa que o caminhar do cristianismo será sempre prospectivo, aberto ao diálogo aprendente, na esperança de um futuro melhor para todos.

De tudo, no final da pesquisa, ficaram duas impressões fortes. A primeira, foi a sensação de que se trilharam apenas alguns passos, embora na certeza interior de que tenham seguido a direção certa. A segunda é a impressão de que o autor é infinitamente mais rico do que a leitura sistematizou. Essas impressões suscitaram um desejo e um convite. Desejo de continuar o “Caminho” com essa companhia tão enriquecedora e convite para que outros se aventurem nas profundezas do mistério de Deus “enquanto se deixa encontrar”.






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