Departamento de teologia



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o fenômeno da assimilação assimétrica dos novos dados” possibilita a compreensão das razões históricas do coexistir de mentalidades diversas e conflitivas num mesmo tempo e lugar. Numa realidade injusta, como a que predomina na América Latina, na qual a exclusão da escolarização mínima assola a maioria, esse fenômeno explica não só a efervescência de diversos cristianismos, mas o sincretismo de tradições religiosas distintas. Cf. id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 26.

174 TORRES QUEIRUGA, A., Creer de otra manera, op.cit., p. 13. – Para Queiruga, é inevitável a desigualdade na penetração e assimilação do novo dentro da Igreja e que tal processo provoque conflitos entre os cristãos.

175 Esse mergulho e convivência com o projeto teológico de Queiruga nos deu a convicção de que sob o ângulo do conflito pré-modernidade e Modernidade sua teologia explicita vigor, relevância e atualidade. O autor debruçou-se e ainda enfrenta com todo seu entendimento o “furor do dragão”. E o faz, a partir de intensa experiência do amor de Deus, com lucidez estupenda e “cor-agem” louvável.

176 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 16-17.

177 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 19.

178 Cf. id., Creer de otra manera, op.cit., p. 10.

179 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 88.

180 Cf. id., ibid., p. 88-89. Os grifos são nossos.

181 id., ibid., p. 249.

182 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 16-17.

183 id., ibid., p. 17, na busca contínua de distinção entre a experiência da fé e sua tradução no marco cultural em que foi vivida e elaborada, o autor afirma que a única saída válida é o intrépido “trabalho do conceito”.

184 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 247.

185 Cf. id., ibid., p. 22.

186 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 13-28. - A única solução eficaz e coerente consiste em mudar o vocabulário e, sobretudo, em introduzir os significados de modo expresso na nova rede conceitual.

187 id., ibid., p. 26.

188 Cf. id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 89.

189 id., ibid., p. 61.89.

190 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 11.

191 Cf. id., ibid., p. 12.

192 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 11-23.

193 id., Creer de otra manera, op.cit., p. 10. Queiruga aprofunda de modo original a compreensão do processo da revelação cristã ao longo da história humana. Essa é uma de suas maiores contribuições para a compreensão da revelação cristã na Modernidade. Nesta dissertação refletiremos sobre essa grande contribuição. Cf. id., A Revelação de Deus na realização humana, op.cit.

194 Falaremos com maior profundidade dessa questão no final do segundo capítulo e num tópico do terceiro capítulo, quando tratarmos da linguagem religiosa. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 179.

195 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 29. 87

196 id., ibid., p. 29.

197 TORRES QUEIRUGA., Creer de otra manera, op.cit., p. 5.

198 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 62.

199 id., ibid., p. 64.

200 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 17.

201 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 62.

202 id., ibid., p. 25.

203 id., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p. 9.

204 id., ibid., p. 10.

205 id., ibid., p. 24.

206 TORRES QUEIRUGA., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 15.

207 Cf. id., ibid., p. 9-10.

208 id., ibid., p. 53.

209 id., ibid., p. 53-54. - Se tomarmos o novo “compêndio do catecismo da Igreja Católica” como referência de atualização da fé, ficamos com a nítida sensação de que a revolução exegética não foi levada em consideração ou de continuarmos no marco referencial pré-moderno. Se tomarmos os nº 73 a 78, intitulados “A queda” fica a impressão nítida de que as contribuições das ciências bíblicas, especialmente, da exegese moderna, não ofereceram nenhuma contribuição pertinente para uma releitura da problemática do pecado original. Acontece que seus leitores estarão situados e se aproximarão dele com os pressupostos do paradigma moderno. Cf. Compêndio do catecismo da Igreja Católica, São Paulo: CNBB/ Loyola, 2005, p. 40-41. - Fomos estimulados a essa análise por uma nota de rodapé, na qual Queiruga cita estudo semelhante num artigo de Freyne. Cf. FREYNE, S. “Bíblia y teologia. Uma tensión sin resolver”, in: Concilium nº 279, 1999, p. 31-38 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 60-61).

210 Este tema será explicitado de modo mais profundo no início do capítulo II dessa dissertação.

211 TORRES QUEIRUGA, A., ibid., p. 54-55 e id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 18-19.

212 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 55-56.

213 Algo semelhante acontece quando, em certos sermões “piedosos”, com a intenção de consolo, o padre afirma para as vítimas do mal, “não teimam, pois, Deus escreve certo por linhas tortas”. O tema do mal será refletido nos capítulos II e III.

214 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 56-57.

215 Queiruga faz referência a uma feliz e significativa expressão do teólogo Schillebeeckx imbuída do espírito da nova visão: “fora do mundo não há salvação”. Cf. SCHILLEBEECKX, E., Los hombres como relato de Dios, Salamanca, 1994, p. 29-42 (apud TORRES QUEIRUGA, A., ibid., p. 57). Já citamos luminoso artigo de Libanio no qual analisa a compreensão, hoje inaceitável, mas perfeitamente compreensível no contexto e horizonte cultural em que foi enunciada, da expressão referida. Cf. LIBANIO, J.B., “Extra Ecclesiam nulla salus”, op.cit., p. 21-49.

216 Ao longo dessa dissertação teremos a oportunidade de aprofundar a compreensão do processo revelador. A reflexão teológica de Queiruga abriu importantes perspectivas para nova compreensão desse processo.

217 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno,op.cit., p. 57-60.

218 id., ibid., p. 58.

219 id., ibidem. No sentido oposto, Queiruga ao analisar a relação do cristianismo no contexto da Revolução Francesa e da ascensão da burguesia, explicita a formação do “cristianismo burguês”. Para ele, o que aconteceu na prática foi a “dialética do pior com o pior”, do pior da configuração cultural do cristianismo de privilégios e poder, com o pior da aspiração oligárquica e da monarquia restauracionista de seus privilégios. Cf. id., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 55-60.

220 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 58.91. O cristianismo da América Latina, ao estabelecer essa aliança cultural, teve a possibilidade de uma originalidade teológica epocal, com produção teológica de peso, considerada hoje referência obrigatória na tradição cristã, no universo teológico. Basta lembrarmos aqui o nome de grandes “teólogos da libertação”, com sua rica e variegada produção: G. Gutierrez, L. Boff, J.L. Segundo, J. Sobrino, J. Comblin, J.B. Libanio, P. Richard, dentre outros.

221 id., ibid., p. 91.

222 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 59. - As idéias condensadas desse parágrafo ficarão mais claras e demonstradas ao final do itinerário dessa dissertação.

223 id., ibid., p. 60.

224 id., Creer de otra manera, op.cit., p. 6.

225 Cf. id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 10.

226 Essa problemática será retomada e aprofundada no capítulo II dessa dissertação.

227 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 16.

228 Cf. id., Creer de otra manera, op.cit., p. 6.

229 id., ibidem.

230 Este é o sugestivo título de um livro de introdução à leitura bíblica de Gruen. GRUEN, W., O tempo que se chama hoje. Uma introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1977.

231 Este é o título de um de seus livros. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 7.

232 TORRES QUEIRUGA., Um Deus para hoje, op.cit., p. 7-8.

233 id., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p 10.

234 Cf. id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 89.

235 id., ibid., p. 251. - Queiruga utiliza a expressão latina Intellectus fidei no sentido da compreensão aberta e atualizada da fé. Para ele é uma tarefa específica e insubstituível do livre pensamento do teólogo.

236 id., ibid., p. 90. - A título de exemplificação, o método teológico da teologia da libertação, se vale da mediação sócio-analítica das ciências, como ponto fundamental de seu processo de interpretação da fé.

237 Cf. id., ibid., p. 18.

238 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 251.

239 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 48.

240 id., Fim do Cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 22.

241 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 49.

242 id., ibid., p. 52-53.

243 Cf. id., ibid., p. 55.

244 Cf. MOREL, G., Questions d’homme I: Conflits de la modernité, Paris, 1976, p. 248 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 56).

245 TORRES QUEIRUGA, A., ibid., p. 51-58. - Queiruga visando concretizar a tarefa atual do cristianismo, apresenta a lógica da fraternidade como alternativa humanista à lógica da eficácia sem mais.

246 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 21.

247 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 66.

248 id., ibid., p. 22-23.

249 id., ibid., p. 67.

250 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 60-62; id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 21.

251 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 246-247.

252 Cf. id., ibid., p. 66.

253 id., ibid., p. 62.

254 id., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p. 10-11.

255 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p.13.

256 id., ibid., p. 14. - Qual mãe crê verdadeiramente no Deus revelado na experiência de Jesus e, ao mesmo tempo, considera que, enquanto não for batizado, seu filho recém-nascido “esteja em pecado” ou “não seja filho de Deus, mas mera criatura”? Quem é capaz de crer que o Deus revelado através da vida de Jesus “castigou” milhões de seres humanos por causa do pecado de nossos primeiros pais ou que “exigiu” a morte violenta do próprio Filho como condição para perdoar-nos os pecados? Quem é capaz de crer que Deus, que é amor gratuito e sempre em ato, se dedique a “castigar” seus filhos e filhas com tormentos infinitos e eternos nas profundezas do inferno? Idéias como essas habitam fortemente o imaginário ambíguo de muitos cristãos provocando dúvidas e receios em sua vivência da fé cristã. Impressiona o número de pessoas com as quais nos deparamos, cuja interioridade ou vivência religiosa se encontra marcada negativamente por afirmações contundentes e contraditórias como a de que “Deus (Pai) condena o pecador (seu filho, sua filha) ao fogo eterno do inferno”. Essas idéias justificam posturas devocionais exageradas, a compreensão deturpada da “intercessão” dos santos e, o que é mais grave, um distanciamento estratégico de Deus.

257 Essa acentuação, freqüentemente, unilateral no “tremendum”, sem a tensão dialética com o “fascinans”, segundo a clássica análise de R. Otto provoca graves deturpações na vivência da fé cristã, experiência que se caracteriza pela proximidade amorosa de Deus. Cf. id., ibid., p. 65.

258 id., ibid., p. 24, no meio popular é comum ouvir, em situações que envolvem risco, o vaticínio, inclusive de cristãos, “cuidado que Deus castiga” ou, diante de situações difíceis, o cruel veredicto “isso só pode ser castigo de Deus”.

259 id., ibid., p. 59.

260 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 61.

261 id., ibid., p.14-15.

262 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 40-43.

263 id., ibid., p. 43.

264 id., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 85-90, ou seja, não como algo permanente, apoio vivo e contínuo de Deus ao nosso ser em cada momento da existência.

265 Cf. HEIDEGGER, M., Identidad y Diferecia, Barcelona: Anthropos, 1988, p. 153 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 49).

266 Cf.: id., ibid., p. 49. A concepção abstrata de Deus criou inúmeras dificuldades para muitos cristãos, pois, impedia o cultivo da relação de proximidade afetiva e pessoal com Deus. A explicação para a permanência dessa dificuldade ou deturpação da experiência de Deus entre os cristãos pode ser buscada no esquecimento da experiência vivida e da própria humanidade de Jesus de Nazaré.

267 Essa expressão foi tomada de Rahner. Cf. RAHNER, K., Curso fundamental da fé, op.cit., p. 36.

268 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação., p. 51. - Citado por Queiruga sem referência bibliográfica.

269 id., ibid., p. 50-51.

270 Cf. id., ibid., p. 99.

271 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 36; id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 17.30. São Judas Tadeu e São Benedito, Santa Edwiges e Santa Rita de Cássia, santos e santas das “causas impossíveis”, Nossa Senhora “desatadora de nós”, etc. Para muitos cristãos a própria vida cristã gravita em torno, quando não se resume a isso, da busca incansável e sacrificial por graças e favores divinos. É como se fosse necessário “mover o coração e a piedade” de Deus. A iniciativa da relação é do homem e não de Deus.

272 Isso ocorreu especialmente devido ao esquecimento da experiência fontal de Jesus de Nazaré. Voltaremos a esse ponto ao longo do terceiro capítulo.

273 Queiruga chega a afirmar explícitamente: “dize-me como é teu Deus, dir-te-ei como é tua visão de mundo; dize-me como é tua visão de mundo, dir-te-ei como é teu Deus”. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 11.

274 O deísmo pode ser entendido como a compreensão filosófica puramente racionalista de Deus. Nessa concepção o mundo seria obra e criação de Deus. Mas qualquer revelação histórica ou atividade divina para além da criação perturbaria o curso do mundo e deporia contra a perfeição da criação. Cf. LIBANIO, J.B., Teologia de revelação a partir da Modernidade, op.cit., p. 35. - O deísmo manifesta-se na forma pura ou intervencionista. Na primeira Deus é concebido como o grande arquiteto, engenheiro ou relojoeiro do universo. Na segunda, o Ser divino está no céu e intervém de vez em quando, do qual se tenta aproximar-se pelo rito, recordação, invocação e se busca sua intervenção pela súplica, oferenda ou sacrifício. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 30.247-248.

275 id., ibid., p. 17.

276 id., ibid., p. 73.

277 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 25.

278 Há autores que diante da complexidade do termo pré-moderno preferem a utilização do termo antigo. Cf. PALACIO, C., Fin del cristianismo premoderno. [recensão], in: PT, nº 94, 2002, p. 387-389.

279 Segundo o Aurélio, milagre é um feito ou ocorrência extraordinária, que não se explica pelas leis da natureza. Acontecimento admirável, espantoso; Portento, prodígio, maravilha; Ocorrência que produz admiração ou surpresa. Qualquer manifestação da presença ativa de Deus na história humana ou sinal dessa presença, caracterizado sobretudo por uma alteração repentina e insólita dos determinismos naturais.

280 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 43.

281 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 44.

282 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 98.

283 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 74.

284 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p.31.

285 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p.34-39. - Recolhemos essas considerações do próprio Queiruga.

286 A leitura literalista e positivista de certas passagens da Escritura, tais como Mc 8, 34-35 (“Se alguém quer me seguir, renuncie..., tome a sua cruz...”) corroboram freqüentemente essa visão dualista da vida cristã. Cf. id., ibid., p. 36.

287 Queiruga refere-se as críticas do conhecido “mestre da suspeita” Feuerbach, segundo feliz e preciosa expressão de P. Ricoeur, como elemento de análise da crise da configuração pré-moderna do cristianismo. Estas podem ser encontradas em FEUERBACH, L., A essência do cristianismo, São Paulo: Papirus, 1997 (apud id., ibidem).

288 É importante considerar possíveis objeções a essa problematização do modo pré-moderno de compreender a relação Deus-mundo e seu agir entre nós. Em primeiro lugar, como “religião do Livro” poder-se-ia invocar a autoridade da Bíblia, enquanto Palavra de Deus, revelação consignada por escrito, como testemunha e fundamento da concepção questionada acima. Poder-se-ia objetar a Queiruga dizendo que a visão por ele criticada encontra-se presente no imaginário religioso porque se fundamenta na própria Sagrada Escritura. A Escritura é testemunha e apresenta-nos inúmeros “milagres” de Deus em nossa história. Ela está presente na vida do próprio Jesus de Nazaré, reconhecido por todos cristãos como aquele que historicamente atingiu a plenitude da revelação divina. Jesus não somente partilhava, em certa medida, dessa mentalidade, como também experimentava de modo inigualável a proximidade salvífica de Deus. Jesus fez diversos “milagres”, fato testemunhado e descrito por seus próprios discípulos. Em segundo lugar, ela encontra forte ressonância na Tradição da Igreja e, de modo especial, está inserida na linguagem litúrgica atual. Ao longo de toda a Tradição da Igreja encontramos o testemunho da graça de intervenções miraculosas de Deus diretas, ou através de seus anjos, santos e santas em todos os rincões da humanidade. Ela faz parte do sensus fidei dos cristãos. Em terceiro lugar, o “milagre” para a Igreja é, até hoje, um dos critérios fundamentais nos processos de canonização. Ele atestaria a santidade e credibilidade da pessoa diante de Deus e legitimaria sua invocação no culto, presença nos altares das igrejas e na devoção dos fiéis. Portanto, não seria exagerada a suposição da necessidade premente de superação dessa mentalidade? A resposta a essas objeções encontra-se no terceiro capítulo.

289 O tema do mal é caro a Queiruga. O autor ocupou-se do tema em diversos trabalhos na busca de exatidão e aclaramento das dificuldades inerentes a essa problemática. À título de exemplo indicamos: Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 81-152; id., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 114-159; id., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p.181-264.

290 Não é pretensão nossa desenvolver aqui análise filosófica da questão do mal. Por mais cara que seja para Queiruga, essa empreitada ultrapassaria os limites dessa dissertação. Para primeiro contato com a problemática do mal na obra de Torres Queiruga remetemos o leitor para a dissertação de mestrado do professor Camilo de Lelis, defendida em 2005. Nesta, no capítulo primeiro, o autor oferece, entre outros dados, síntese da contribuição filosófica para a questão. Além disso, sintetiza de modo profundo a novidade da teologia de Torres Queiruga para repensar da questão no mundo atual. Cf. RIBEIRO, C. de L. O. S., Repensar o mal na nova situação secular. Os conceitos de ponerologia e pisteodicéia na obra de Torres Queiruga. [Dissertação de Mestrado] Belo Horizonte, CES, 2005.

291 TORRES QUEIRUGA, A., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 26-27.

292 Cf. Epicurus, Zürich, ed. de O. Gigon, 1949, p. 80; Lactâncio, De ira Dei, 13 (PL 7,21), (apud TORRES QUEIRUGA, A., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 187).

293 TORRES QUEIRUGA, A., ibidem.

294 id., ibid., p. 191-192.

295 id., ibid., p. 183-186.191.

296 id., Fim do cristianismo pré-moderno., op.cit., p. 27.

297 TORRES QUEIRUGA, A., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 188.
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