Departamento de teologia



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Da onipotência abstrata à compaixão solidária”. Cf. id., Um Deus para hoje, op.cit., p.17-24.

299 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 137.

300 id., ibid., p.23.

301 Digno de nota são certas passagens da Escritura que falam de Deus como um Ser capaz de pedir a um pai o sacrifício de seu filho (Gn 22, 2), que “dá a morte e a vida” (1 Sm 6,2), que é “ciumento” e “castiga os pecados dos pais nos filhos até a terceira ou quarta geração” (Ex 20,5), do qual se pode dizer “não há mal na cidade que não tenha sido causado pelo Senhor” (Am 3,6) ou como sintetiza a epistola aos Hebreus: “Quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo!”, dentre outras às quais, quando tomadas sem mais, sugerem e sustentam certas idéias deturpadas de Deus. Cf. id., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 185.

302 Libanio cita a ironia de G. Büchner. Cf. LIBANIO, J.B., Qual o caminho entre o crer e o amar?, op.cit., p. 35.

303 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação., op.cit., p. 83.

304 id., Fim do Cristianismo pré-moderno., op.cit., p. 247.

305 id., Um Deus para hoje., op.cit., p. 19-20.

306 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 248.

307 Cf. id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 18.

308id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 83. - Novamente, invocando a autoridade da Escritura, poderia-se contextar a análise crítica de Queiruga, pois, ao longo da trajetória da história da salvação, consignada por escrito na Bíblia, encontra-se explicitamente a concepção por ele criticada. Deus aparece, muitas vezes, no Primeiro Testamento como senhor absoluto, determinante tanto do bem quanto do mal, ou seja, Deus aparece como aquele que envia ou permite o mal, o castigo, a doença e a morte fuminante. A título de exemplo é curioso o caso da morte fuminante de Oza, vítima da cólera divina. Cf. 2 Sm 6, 1-7. (Não deixa de ser digno de nota a mudança no horizonte da linguagem religiosa com o surgimento da figura dos “anjos e demônios”. O aprofundamento na percepção do processo revelador divino fez com que o Deus fosse experimentado como o antimal, e não como o autor do mal. Corrobora essa afirmação toda a descrição da práxis libertadora de Jesus de Nazaré. Como exemplo torna-se interessante a descrição, com a participação da figura do demônio, como co-autor da traição de Judas Iscariotes no Evangelho de João. Cf. Jo 13, 2.) Se a Escritura narra as ações e intervenções divinas nos acontecimentos libertadores, também a faz nos trágicos e maléficos. A título de exemplo a narrativa das famosas pragas do Egito. Cf. Ex 7-13. - Em certo sentido, nem o Segundo Testamento escapa das dificuldades descritas. Mesmo com a riqueza de sua novidade, a experiência da proximidade amorosa e libertadora de Deus vivida por Jesus de Nazaré, na qual Deus é experimentado, sobretudo, como Abbá, e invocado como aquele que “livra-nos do mal”, o enigma do mal, para a experiência cristã, não desaparece. A prática libertadora, em nome desse Deus, consolidava a identidade e a autoridade de Jesus diante do povo. A oração do “Pai Nosso” sintetiza a força dessa experiência que alimenta para todos os cristãos a esperança em Deus. Não obstante a essa experiência maravilhosa, o mal não foi expulso de nosso meio. Jesus de Nazaré morreu na cruz vítima do mal, apesar de seus intensos apelos a Deus. É de admirar o fato da acolhida passiva da compreensão da morte de Jesus na cruz dentro de esquema salvífico impetrado pelo próprio Deus, a quem ele experimentava como Pai. Não dá para evitar o espanto de pensar Deus como o Pai que envia o Filho para morrer na cruz. O fato de ser para nos salvar, por amor a nós e por livre entrega do Filho, não anula a crueza da morte de Jesus na plenitude de sua vida humana. (Compreender a morte de cruz dessa maneira é conceber a Deus como autor do mal. É tirar toda densidade e seriedade da trama da história. Pilatos, Judas, os membros do sinédrio, o próprio Jesus seriam apenas “marionetes” nas mãos de Deus). Os apóstolos, como também os primeiros cristãos, sofreram perseguições, o martírio e incontáveis agruras. Não seria difícil continuar a mostrar a presença do mal, com suas múltiplas feições, ao longo da história do cristianismo. A resposta a essas objeções que levantamos encontra-se no terceiro capítulo.

309 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 24-25.

310 TORRES QUEIRUGA, A., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p. 18-19.

311 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 14.

312 Esse aspecto será desenvolvido mais abaixo, no próximo ponto, quando refletirmos sobre a compreensão pré-moderna da nossa relação para com Deus.

313 Hoje, o fato incontestável da realidade de inúmeras pessoas viverem em plenitude e felicidade, sem a inserção efetiva numa religião, ou mesmo, sem qualquer referência explícita a Deus, coloca em xeque tal compreensão antropológica.

314 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 20-21.

315 id., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p. 31.

316 Essa mentalidade está presente nas Escrituras, quando se fala da necessidade de submissão da criatura ao Criador, testemunha a compreensão de que, de fato, fomos criados por e para Deus. E mais ainda, de que sem ele nada somos e que nossa realização mais profunda está no colocar-se a seu serviço. Há muitos trechos bíblicos que expressam a concepção de que nossa realização está na submissão e no serviço a Deus. Cf. Dt 11, 13-17; Sl 2, 10-12; 62, 2-3.6-8; 63, 2-6; 95, 6-7; 100, 3. - A própria pessoa de Jesus entendeu-se a si mesmo referido totalmente ao Pai e viveu em atitude obediencial ao Reino de Deus, colocando-se inteiramente a seu serviço. Não seria legítimo, portanto, supor que esse seja o “caminho” de todos os cristãos pelo menos? Abrir mão dessa compreensão não equivaleria assumir posição de autêntica claudicação do cristianismo à Modernidade? - Outros testemunhos autorizados são evocados. Endossaria, nessa direção, pensadores como Santo Agostinho. Em suas Confissões expressou de forma belíssima e profunda nossa dependência em relação ao Criador “Fizeste-nos para vós, e nosso coração está inquieto, enquanto em Ti não repousar”. - Por fim, além das autoridades invocadas, esta compreensão está fortemente presente, com grande variedade de nuances, em toda a liturgia da Igreja e, de modo intenso, no próprio sensus fidei. A prática litúrgica da Igreja expressa continuamente em suas normas, gestos e invocações o cultivo da atitude de submissão e dependência. Por conseqüência ou por sintonia, seja no louvor e seja na petição, entre os fieis predomina e impera a compreensão criticada. A resposta a essas objeções será feita no terceiro capítulo.


317 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 92.

318 id., ibidem.

319 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 20.

320 Pode-se enganar objetivamente o sentido ou a significação do que seja fé, mas não dá para fingir ter fé. Por exemplo, pode-se caracterizar a fé de determinada pessoa algo infantil, fanático, inconsistente, ilusório, mas subjetivamente não se pode negar a intenção dessa pessoa entregar-se nessa atitude.

321 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 30.40.

322 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 207. - Queiruga analisou essa deformação na oração cristã.

323 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 16.

324 Cf. especialmente nota 24, TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 93. - Queiruga descreve esse “fogo cruzado” a que a Modernidade submeteu a oração de súplica.

325 id., ibid., p. 94.

326 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 17.

327 Digno de nota na vivência real do cristianismo é a concepção mágica dos ritos sacramentais que habita a cabeça do cristão comum. A pregação, a catequese, a liturgia, as devoções, freqüentemente, reforçaram essa concepção religiosa deturpada.

328 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 54.73-74. - Queiruga alerta para o perigo da concepção intervencionista do agir de Deus e de sua imanentização. Para ele, tal concepção anula a própria transcendência divina, ao reduzir sua ação ao nível das causas mundanas.

329 id., ibid., p. 76.

330 id., ibid., p. 95.

331 Objetivamente, o mais grave, para Queiruga, em relação a oração de petição é que ela passa a visão de que Deus poderia ajudar, mas não quer. E se, atente a alguma súplica, seu amor universal fica gravemente ferido, pois, Deus ajuda somente de vez em quando e somente a alguns, id., ibid., p. 94-97. A análise do autor provoca uma série de objeções. Entre elas se destacam, o fato da oração de petição está presente, quase que continuamente, ao longo da Escritura. A título de exemplo, sobressai o livro dos Salmos, com belíssimas orações de súplica e confiança em Deus. Além disso, o próprio Jesus praticou e ensinou explicitamente a oração de petição, falou de sua eficácia e da importância da atitude de confiar a vida nas mãos do Pai. Por fim, esse modo de orar faz parte da Tradição Viva da Igreja, está presente na liturgia. Os fieis, em suas orações pessoais e nos momentos coletivos, enquanto comunidade de fé, suplicam “ao Pai, pelo Filho e no Espírito Santo”. Numa palavra, a grande justificativa é que ela expressa a atitude básica da criatura diante do Criador, a confiança em Deus. A resposta a essas objeções serão feitas no terceiro capítulo.

332 Cf. MONDIN, B. O homem, quem é ele? Elementos de Antropologia Filosófica. São Paulo: Paulus, 2003, p. 136-156.

333 É muito esclarecedor nessa temática o livro de Queiruga sobre a revelação, pois, para ele o “milagre” da revelação consiste em ir rompendo pouco a pouco – a força de tropeços e fidelidades, de gloriosas intuições e penosas recaídas – as deformações de nossa compreensão de Deus. Deus não é assim, “Deus é diferente”. É um processo lento e paulatino de apercepção da auto-comunicação de Deus. Toda a Bíblia é, na verdade, o testemunho dessa luta contra si mesma, ou seja, ingente processo de auto-superação, sustentado pelo amor incansável de Deus, que continuamente nos está chamando para si. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., A revelação de Deus na realização humana, op.cit. - Veja também id., Creer de otra manera, op.cit., p. 9-10.

334id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 71-104. - Queiruga tem presente o papel insubstituível da linguagem em nossa experiência.

335id., ibid., p. 95.

336 Cf. ARANHA, M. L. de A. e MARTINS, M. H. P., Temas de filosofia, São Paulo: Moderna, 1998, p. 13-15.

337 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 72. - Queiruga organiza as dificuldades da linguagem religiosa em torno de três eixos: as de caráter estrutural, as advindas da mudança de paradigma e aquelas de índole mais vivencial.

338 Cf. BARUZI, J., San Juan de la Cruz y el problema de la experiencia mística, Valladolid, 1991. (Apud id., Creer de otra manera, op.cit., p. 9.).

339 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 47. - Queiruga chama a atenção de que foi com Descartes e Kant que tomamos consciência do papel do sujeito na constituição do objeto, inclusive “objeto religioso”.

340 Sobre o processo de formação do cânon bíblico, a compreensão teológica atual, no espírito da Dei Verbum, da inspiração divina é esclarecedor os capítulos 11, 12 e 13 da obra de Libanio sobre a revelação a partir da modernidade, como também os capítulos 16 e 17 de seu tratado sobre a fé, no qual, de certa forma, retoma e aprofunda as teses apontadas no primeiro. Cf. LIBANIO, J.B., Teologia da Revelação a partir da Modernidade, op.cit., p. 309-378; id., Eu creio, nós cremos. Tratado da fé, São Paulo: Loyola, 2000, p. 335-366. - Outra obra esclarecedora sobre o assunto é do teólogo Juan Luis Segundo. Especialmente, para esse propósito, o capítulo 4. Cf. SEGUNDO, J.L., O dogma que liberta. Fé, revelação e magistério dogmático, São Paulo: Paulinas, 2000, p. 119-144. - Para compreender a necessidade de equilíbrio e tensão dialética, bem como os riscos de acentuação unilateral de uma, entre a dimensão divina, a subjetividade humana e a exigência da encarnação histórica da revelação sugerimos o capítulo 3: “Apresentação atual do problema” da obra sobre a revelação de Queiruga. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p. 75-98.

341 id., Fim do cristianismo pré-moderno., op.cit., p. 74.

342 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 72-82. - Queiruga explicita, de modo grave, suas preocupações com as dificuldades estruturais da linguagem religiosa. Para ele a teologia é chamada a realizar algo impossível, falar do não mundano, radicalmente transcendente, com a linguagem que dispomos: mundana, empírica, histórica.

343 Vale lembrar aqui o princípio paulino tão evocado quanto facilmente esquecido, de que a letra mata, enquanto o Espírito gera vida.

344 id., ibid., p. 46.247. - No horizonte cultural atual, não é possível continuar, sem ônus, com uma concepção a-histórica dos dogmas ou com a leitura literalista da Bíblia. Continuar com tais práticas, perpetuaria o autoritarismo do “porque assim está escrito”, “assim está definido”, não mais palatável ou digerível para o ser humano que passou pela virada histórica, antropocêntrica, científica.

345 id., ibid, p. 249. - Continuar com tal visão, sem concebê-la como descrição mítica e simbólica, equivaleria, no mundo de hoje, a condenar a religião, irremediavelmente, à categoria de algo do passado, primitivo e pertencente à fase infantil da humanidade. Ou como ironiza Queiruga, no máximo, do tempo de nossos avós, para escárnio dos netos. O autor leva a sério o problema da linguagem e defronta-nos com agudos questionamentos: “Quem, diante de dados da história humana e da evolução biológica, é capaz de pensar hoje o início da humanidade a partir de um casal perfeito, em um paraíso? Quem pode crer num “deus” que castiga homens e mulheres, porque seus “primeiros pais” o desobedecera comendo uma fruta proibida? Um Deus que castiga eternamente, com infinitos tormentos, nossas culpas ou que exigiu a morte de seu Filho para perdoar nossos pecados. E apesar de tudo, constata, para nossa surpresa, que tais visões habitam de maneira muito profunda o imaginário religioso de nossa cultura e as afirmações de grandes teólogos da atualidade. Cf. id., ibid., p. 82-83. Esse problema afeta profundamente o marco das formulações em que se expressam as grandes verdades de nossa fé.

346 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 83-84. - O problema é que a teologia cristã atinge a minoria dos cristãos e a mensagem cristã continua a chegar às pessoas, ao cristão comum, como aquilo que sugere o significado direto das expressões. As palavras ganham seu significado no contexto em que são pronunciadas e recebidas. Sem renovação da estrutura da linguagem, conservando palavras e expressões solidárias com o contexto anterior, torna-se inócuo e inútil todo recurso “a procedimentos hermenêuticos, artifícios oratórios, refinamentos teológicos” na busca de obter “significatividade atual” e conter o conflito de sentido pela ruptura do contexto originário.

347 Sem pretender reduzir a isso o problema da linguagem, percebe-se, de modo definitivo, que empreender leitura interpretativa das Escrituras constitui umas das tarefas mais urgentes para o repensar da fé cristã que ajude na compreensão e vivência atual. Esse fato não passa despercebido da crítica de Queiruga. O autor denuncia o fato da leitura teológica da visão bíblica sobre a história de Deus com a humanidade se caracterizar ainda por uma profunda impregnação mitológica. Queiruga mostra, por exemplo, que o reconhecimento do caráter mítico da narrativa do livro do Gênesis – isso significa que o ali narrado não tem um significado histórico de acontecimentos físicos que mudem o curso das leis naturais, – não mudou a recorrente invocação dessa narrativa como fundamento histórico explicativo. A ponto de não ser raro encontrarmos até hoje entre os cristãos aqueles que concebem, alimentados pela catequese ou pregação fundamentalistas, que a morte biológica e os desastres naturais entraram no mundo por conseqüência do pecado de Adão e Eva, e o que é pior, como castigo divino infligido sobre toda a descendência adâmica. É claro que a narrativa, indo além da pura letra, conserva seu valor religioso simbólico e existencial, mas converte-se em puro disparate quando lida no nível histórico-explicativo. Queiruga chama nossa atenção para as acertadas observações e análises de P. Ricoeur. Veja nota 17. Cf. id., ibid., p. 25-29.85.

348 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 27-28.84. - Queiruga afirma que o exagero de Bultmann ou as sutilezas teológicas de seus críticos, não devem nos fazer descuidar do alerta do programa de desmitologização.

349 id., ibid., p. 57.

350 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 13-14.

351 id., ibid., p. 31.

352 id., ibid., p. 13-16. O dito popular “Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és”, quando se tem presente a implicação entre imagem de Deus e atitude religiosa, pode ser legitimamente, parafraseado no nível da experiência religiosa: “Dize-me como é o teu Deus, que eu te direi como és a tua religião”. Alguém que não tivesse nenhum conhecimento do cristianismo histórico e viesse a conhecer a experiência de Deus feita por Jesus e seus discípulos, não teria dificuldade de afirmar que uma religião nascida do dinamismo da experiência do Deus de Jesus seria, na identidade profunda, densamente acolhedora, atrativa e libertadora. Faria de tudo para que seus membros caminhassem confiantes na presença amorosa de Deus em suas vidas. - O cristianismo, ao longo de sua trajetória histórica, perdeu algo essencial do núcleo de sua experiência religiosa. Constata-se essa perda pelo número de pessoas que vivem a experiência religiosa “cristã” sob o imperativo do temor, da insegurança e do medo. Para essas pessoas, algo falhou no processo de transmissão-recepção da experiência cristã, de modo que o cristianismo para elas não é “Boa Notícia”. A compreensão que carregam apresenta distorção que coloca em risco o núcleo do Evangelho. Essa distorção postula a exigência de radical repensar. Essa constatação é a grande motivação da obra de Queiruga sobre a salvação cristã.

353 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 34.

354 Recordando as preleções de um mestre amigo, lembrei-me de uma em que dizia, numa mistura de seriedade e leveza, inspirado talvez em P. Ricoeur, “os que pensam diferentes de você são seus verdadeiros amigos”, “cuidado com quem pensa como você, estes são seus inimigos”. Dessa lição aprendi a necessidade de dar atenção às críticas. Elas freqüentemente ajudam na percepção do que nos escapa e potencializam a autocrítica. Oportunizam a revisão dos pressupostos da própria mentalidade. A unanimidade nos cega para desvios e deturpações.

355A percepção do velho mestre juntamente com a atual, quase espontânea sintonia com sua observação provocam a necessidade de severa reflexão teológica, pois, estamos diante de algo que afeta frontalmente o núcleo da experiência cristã.

356 Cf. NIETZSCHE, F., Así habló Zaratustra, in: Obras Completas III, Buenos Aires, 1961, p. 293 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 12.29.32.36.38-39.69). A segunda parte da crítica de Nietzsche sobre a necessidade de proclamar-se a morte de Deus pode-se hoje compreender a morte de certas imagens de Deus ou, como faz Queiruga, o fim de certa configuração do cristianismo.

357 Cf. FEUERBACH, L., La esencia del cristianismo, Salamanca, 1975, p.73 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 32-33).

358 Cf. MARX, K., Manuscritos. Economía y Filosofia, Madri, 1969, p. 154 (apud TORRES QUEIRUGA, A.., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 12.33.60.186.188-189).

359 Citado por Queiruga sem referência bibliográfica. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 12.33.

360 id., ibid., p. 34.

361 Muito diferente do espírito jesuânico experimentado no Evangelho.

362 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 29-30.44. - Em tom de brincadeira, nos meios populares, escuta-se falas veladas que traduzem o clima tristonho e a atmosfera negativa que impregna muitos ambientes religiosos: “aqui nossas celebrações e reuniões perdem de goleada para velório”. O olhar lúgubre dos “santos” e do próprio Jesus nas pinturas, ícones e imagens nas igrejas confirma não se tratar de hipérbole infundada. Perde-se totalmente aquela experiência de alegria dos redimidos, testemunhada no Evangelho de Lucas e da libertação da liberdade para a práxis do amor e da justiça, sintetizada de modo paradigmático por Paulo em sua carta aos Gálatas. Cf. Gl 5, 1.4-6.13-14. - Veja também o livro de França Miranda, no qual deixa claro que o cristão é, sobretudo, aquele que foi libertado, pelo dinamismo amoroso e gratuito de Deus, para a práxis do amor e da justiça. MIRANDA, M. de F., Libertados para a práxis da justiça. A teologia da graça no atual contexto latino-americano, São Paulo: Loyola, 1991.

363 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 29-32.

364 id., ibid., p. 39.

365 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 30. - O tema dos novíssimos, por mais que hoje não tenha tanto espaço ou a mesma credibilidade na pregação da igreja, habita vivamente o imaginário religioso cristão. A prece pelas “almas do purgatório” aparece em quase todas as celebrações, nas orações e jaculatórias do terço. Como os temas afins a essa temática continuam como preocupação de grande parte dos cristãos, indica-se que o tema da salvação está longe de transforma-se na Boa Nova do Evangelho.

366 id., ibid., p. 35.

367 id., ibid., p. 39.

368 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 167-170. - A exposição detalhada das idéias de Queiruga encontra-se no 3º capítulo de seu livro sobre a salvação, na 2ª parte, intitulada: “A redenção deformada”.
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