Departamento de teologia



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Abbá de Jesus. Não tem sentido compreender assim a oferta salvífica de seu amor. Jesus aparece como vítima do próprio Deus a quem experimentava como Abbá querido. Não há espaço para a seriedade da história ou para a densidade ética das decisões humanas. A vida de Jesus perde todo seu sentido e seriedade. Seus gestos e ensinamentos perdem a densidade salvífica. Não há gratuidade em sua abertura obediencial ao Pai e em sua entrega ao Reino. Não há tão pouco espaço para o perdão divino. Simplesmente não há lugar para o amor.

370 Essa autocompreensão é tão fundamental que muitos chegaram a conceber a tradição judeu-cristã como a única revelação divina autêntica como K. Barth. Postura para Queiruga hoje inaceitável para qualquer teólogo sério e fiel a seu tempo. Embora ainda exista certa retórica teológica intolerável que afirma que unicamente a revelação “bíblica” abre o acesso a Deus, e que unicamente em Cristo é possível alcançar verdadeiro conhecimento. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 58 e id., Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p.20-24. - Digno de nota é que apensar da reconhecida contribuição para o diálogo inter-religioso e de postura aberta e inclusivista de Queiruga tenha recebido importantes críticas na direção oposta por Fraijó. Cf. FRAIJÓ, M., Fragmentos de Esperança. Notas para uma filosofia da religião. São Paulo: Paulinas, 1999, p. 194.206.209-211.

371 Cf. RENAN, E. Souvenirs d’enfance et de jeunesse, p. 160. (apud TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 68. - Veja nota 70).

372 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., A Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p. 19-73. - O surgimento tardio da problematização da revelação bíblica provocou a necessidade apologética de uma reflexão a cerca do processo revelador. Julgamos proveitosa a síntese que Queiruga faz nos dois primeiros capítulos “Concepção Tradicional da Revelação” e “Concepção Tradicional em questão”, com grande riqueza bibliográfica, em sua obra sobre a revelação, do processo histórico-evolutivo, seja da “verbalização” da revelação, seja da trajetória de sua compreensão na tradição cristã. Veja também a esclarecedora reflexão de Libanio nos dois primeiros capítulos de sua obra sobre a revelação: “Revelação como desafio” e “Primeira tentativa de resposta: a apologética”. Cf. LIBANIO, J.B., Revelação a partir da modernidade, op.cit., p. 15-27.29-50.

373 TORRES QUEIRUGA, A., A Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p. 43.

374 id., ibid., p. 96.

375 TORRES QUEIRUGA, A., A Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p. 75-76.

376 id., ibid., p. 410.413.

377 id., ibid., p. 76.

378 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 80

379 TORRES QUEIRUGA, A., A Revelação de Deus na realização humana, op.cit., p. 20. - Tomamos essa provocativa expressão “novos paradigmas cognoscitivos” do próprio Queiruga, de seu livro sobre a revelação.

3802 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 14.

3813 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 75.

3824 Cf. id., ibid., p. 99.

383 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 60.

384 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 05.

385 GONZÁLEZ FAUS, J.I. e VIVES, J., Crer, só se pode em Deus. Em Deus só se pode crer, op.cit. - Sobre o tema das imagens de Deus no mundo atual e a necessidade de sempre repensá-las, já que promovem condutas ou configuram compreensões da vida cristã, o livro citado é pertinente e precioso.

386 SEGUNDO, J.L. e SANCHIS, J. P., As etapas pré-cristãs da descoberta de Deus. Uma chave para a análise do cristianismo (Latino Americano), Petrópolis: Vozes, 1968. - São iluminadoras a intuição e análise que Segundo e Sanchis fizeram da evolução bíblica da experiência pré-cristã de Deus. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., A revelação de Deus na realização humana, op.cit., 29-36.45-74. - Queiruga desenvolve, com rigor e riqueza de dados, este movimento crescente da captação humana da revelação bíblica em seu livro sobre o processo revelador. Cf. id., Recuperar a Criação, op.cit., p.57-76. - Aí o autor sintetiza este movimento até sua plenitude de Jesus de Nazaré.

387 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 63.

388 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 62-63. - O autor desenvolve essas idéias com maior amplitude em seu livro sobre a revelação. Cf. id., A Revelação de Deus na realização humana. op.cit., p. 355-406.

389 O termo “outra” quer expressar a releitura atualizante da mesma e sempre nova experiência de Jesus de Nazaré, a fonte de toda experiência cristã autêntica. Seria, portanto, nova forma de expressão cultural da fonte do cristianismo.

390 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 11-30.

391 id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 20.

392 Digno de nota é que essa experiência próxima de Deus é tão cara a Queiruga que não só aparece no título de muitos de seus escritos teológicos, como é a partir dela que constrói seu edifício teológico. Cf. id., Creio em Deus Pai. O Deus de Jesus como afirmação plena do humano, op.cit.; Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus. Por uma nova imagem de Deus, op.cit.; A Revelação de Deus na realização humana, op.cit.; Um Deus para hoje, op.cit., etc.

393 Cf.: id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p.16. - Os grifos são nossos.

394 Esse é o sugestivo título do livro de Mesters sobre a compreensão da linguagem religiosa. Cf. MESTERS, C., Por trás das palavras. Um estudo sobre a porta de entrada no mundo da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1974.

395 Para os cristãos, Jesus é confessado como a síntese, sem contradição ou exclusão, entre divino e humano.

396 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 31-34.

397 Queiruga faz alusão ao texto dos Atos dos Apóstolos: “posto que n’Ele vivemos, nos movemos e somos...” (At 17, 28-29). Esse é o sentido do “panenteísmo” cristão. Cf. id., ibid., p. 33.

398 id., ibid., p. 79.

399 RAHNER, K., Curso fundamental da fé, op.cit., p. 33.171-212. - Como tentativa de nova abordagem em busca de compreensão atual da relação da transcendência divina na imanência da criação é iluminadora a posição de Rahner. Este na introdução de sua obra fala do significado e do sentido da experiência transcendental. Na quinta seção explicita sua aplicação na história da salvação e da revelação.

400 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 74-113. - Trata-se de livro sugestivo e interessante tanto quanto provocante e iluminador a respeito da relação divina de afirmação da criação e, especialmente, da vida humana. Remetemo-nos, de modo especial, ao capítulo III embora sua leitura cabal seja enriquecedora.

401 TORRES QUEIRUGA, A., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 81-85. - Aqui o autor desenvolve traços e pondera limites da rica intuição simbólica de Balthasar para compreender a relação de Deus com as suas criaturas, ou seja, a concepção do mundo como a grande obra de teatro escrita por Deus. Na qual a realização do ator (o ser humano) e do autor-diretor (o Criador) coincidem. O limite fica por conta da autonomia do “ator” diante do “papel” traçado pelo “autor”, superada, talvez, pela cumplicidade da bondade amorosa de Deus com a criação. Aqui se trata da relação entre a liberdade divina e a liberdade humana. É somente com Jesus, com a experiência do “Abbá”, que se concretizou a superação radical, em todas as nuances, das dificuldades da relação Criador-criatura.

402 IRINEU, Adv. Haer., IV, 20, p.7 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 78).

403 Cf.: id., ibid., p. 50.

404 RUBIO, A. G., Unidade na Pluralidade. O ser humano à luz da fé e da reflexão cristãs, (2ª edição), São Paulo: Paulinas, 1989, p. 75-90. - As pertinentes reflexões do autor oferecem compreensão da origem, conseqüências e implicações do dualismo no seio do cristianismo.

405 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 27.

406 id., O cristianismo no mundo de hoje, op.cit., p. 18.

407 Digno de nota é que a reflexão crítica de Queiruga sobre o agir de Deus concebido como milagre recebe a crítica de Estrada. Segundo esse autor, na verdade, Queiruga não propõe respostas, mas a pura e simples desmistificação, nesse sentido ele o acusa de conceber os milagres como mero resquício arcaico de uma antiquada imagem de Deus. Afirma que os pressupostos filosóficos dele, mais do que teológicos, o leva a contestar tradições bem consolidadas e constantemente atualizadas no cristianismo. E sustenta ironicamente que Queiruga não as reinterpreta, e, sim, as elimina, simplesmente por não saber o que fazer com elas, à luz de suas premissas sobre a inevitabilidade do mal em um mundo criado e finito. Cf. ESTRADA, J. A., A impossível teodicéia. A crise da fé em Deus e o problema do mal, São Paulo: Paulinas, 2004, p. 242.

408 KASPER, W., Jesús, el Cristo, Salamanca, 1976, p. 112 (apud TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 43). - Verifica-se a concretude da intuição de Kasper no seio do fenômeno religioso atual. Quando os fiéis compreendem o agir divino como intervenção pontual, extraordinária e manipulável pela ação humana nos ritos religiosos, estes se tornam “mágicos” e aqueles ficam suscetíveis aos abusos de líderes pseudo-religiosos inescrupulosos. A fé torna-se fideísta, a religião seita fanática e Deus verdadeiro ídolo.

409 TORRES QUEIRUGA, A., ibid., p. 34-35; id., Recuperar a Criação, op.cit., p. 26.

410 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p.29-31.79.

411 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 37.

412 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 30-31. Nesse contexto é importante o uso da forma verbal do gerúndio, pois, ela expressa o dinamismo contínuo da ação amorosa criadora, que sustenta a vida em sua contingência abissal.

413 id., ibid., p. 35.

414 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 29.

415 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 35.

416 id.,ibid., p. 36; id., Creio em Deus Pai, op.cit., p. 87.

417 id., Recuperar a Criação, p. 81.

418 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Criação, op.cit., p. 85.

419 RAHNER, K. e WEGER, K. H., ¿Qué debemos crer todavia? Propuestas para una nueva generación, Santander, 1980, p. 69, (apud TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 30-31).

420 O fato da presença na linguagem religiosa, na Escritura e, especialmente, na descrição da práxis libertadora de Jesus de Nazaré, bem como na dos discípulos (Ex 7-12; Jo 5, 1-15; At 3, 1-11), parece impugnar a reflexão de Queiruga. Mas a contribuição das ciências bíblicas e a tomada de consciência eclesial da especificidade da linguagem religiosa, a problematização da leitura literalista da Bíblia, mostram que o autor está no caminho certo. Já que a linguagem religiosa não tem a pretensão objetiva da descrição dos acontecimentos, mas transmissão da presença de Deus entre nós. “Milagres” seriam sinais da presença de Deus na história. Mais do que a descrição de fatos, pretendem alimentar a fé e suscitar a percepção da “transcendência” de Deus em cada acontecimento que liberta a vida e recupera a dignidade perdida. Os milagres são uma “forma de interpretar” narrativamente a presença contínua de Deus na criação. O mesmo pode ser dito sobre os inúmeros testemunhos de “milagre” na tradição cristã. Aos olhos da fé, o ser humano é chamado a perceber a contínua presença de Deus em cada conquista da vida, em cada vitória da força do bem. Em todo acontecimento histórico que promova a vida, o homem de fé “enxerga milagre”, porque percebe, na fé, a força da presença de Deus sustentando a vida. O procedimento dos processos de canonização, que invocam como critério de verificabilidade da santidade da pessoa a comprovação da realização histórica de um “milagre” através de sua intercessão, só é compreendido, no horizonte pré-moderno de compreensão da ação divina. Perderia todo sentido continuar com tal prática, no horizonte atual de compreensão da experiência cristã, pois, a santidade estaria na nossa participação na práxis libertadora de Jesus.

421 TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 43-45.

422 Cf.: id., ibid., p. 44. - Na concepção de Queiruga, todo avanço humano autêntico é ação divina. Por exemplo, o crescimento da consciência dos direitos humanos, a superação das desigualdades e preconceitos, dentre outros. O autor reconhece esse avanço na consciência eclesial como contribuição da Teologia Política, da Libertação e Feminista.

423 Deus não é aquele ser passivo fora do mundo, cuja ação é acionada por iniciativa nossa, através de ritos e orações.

424 Veja o sentido dos seguintes textos da Escritura: Jo 5,17; 15, 5; Rm, 8, 26; Sl 127, 1. Cf.: id., ibid., p. 80-81.

425 Estrategicamente optamos por inserir essa nota crítica no início da síntese que fizemos da reflexão de Queiruga. Estrada denomina a reflexão de Queiruga de “sistema” e percebe seu desenvolvimento em cinco etapas: 1) A ponerologia: demonstração da inevitabilidade do mal devido à finitude da criação. 2) Especulação em torno das causas ou origem do mal e confirmação do pressuposto do mal inerente à finitude. 3) Relação entre a inevitabilidade do mal metafísico do mundo finito e do mal moral e físico pela liberdade finita e a conseqüente superação do dilema de Epicuro. 4) Inevitabilidade do mal e crítica à lógica do milagre. Demonstração da inviabilidade teológica da resposta religiosa tradicional. 5) O significado da resposta cristã: o mal não é absoluto e deve ser enfrentado, com esperança e práxis, junto com o Deus antimal. Estrada considera a resposta de Queiruga ao problema do mal realista, interessante, coerente, clara e sistemática, mas insuficiente, simplificadora, inconsistente e abstrata em seus pressupostos filosóficos especulativos. Filosoficamente, afirma que seus pressupostos não podem ser demonstrados empiricamente. Além disso, acusa Queiruga de fazer teorização abstrata do mal, passar ao largo das experiências concretas ao evitar falar da morte e do sofrimento concreto. Opera um deslocamento do âmbito existencial para a esfera lógico-racional. Teologicamente, afirma que a reflexão de Queiruga tende a negar mais do que a interpretar os mitos e símbolos religiosos. Além disso, tende a reduzir a experiência religiosa aos estreitos limites da razão. Para ele, diferentemente da razão que se pergunta pela origem, a problemática religiosa diz respeito ao sentido do mal. Por fim, acusa a reflexão racionalista de Queiruga entrar em contradição, por um lado, afirma que o mal se reduz ao reverso da finitude da criação e, por outro, continua crendo na utopia cristã, na criação destinada escatologicamente à redenção da qual o mal estará ausente. Enfim, diz que o racionalismo de Queiruga é uma tentativa mal sucedida de reavivar o racionalismo de Leibniz, bem como superar seus entraves metafísicos. Cf. ESTRADA, J. A., A impossível teodicéia, op.cit., p. 229-242. - Queiruga não se reconhece na leitura crítica de Estrada e o responde em nota (veja nota 65). Cf.: TORRES QUEIRUGA, A., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 225-226.

426 Cf. id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 18.

427 Cf. id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 83-152, para uma abrangente apropriação da reflexão de Queiruga em relação ao repensar da questão do mal remetemos ao capítulo segundo de sua obra sobre a Salvação. Veja também artigo luminoso de Queiruga. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., El mal inevitable: replanteamiento de la teodicea in: Iglesia Viva, v. 175, n. 14 (1995), p. 37-69. Nesse o autor, com clareza e coerência, sintetiza sua “ponerologia” (discurso sobre o mal em si mesmo anterior ou independente do discurso religioso) e sua proposta da “pisteodicéia” (discurso esperançado, a partir da fé cristã, em busca de justificar ou situar o “mistério do mal” diante da revelação do “Mistério de Deus”). Em seu último livro, Queiruga caracteriza sua “pisteodicéia”, a partir do horizonte aberto pela experiência da ressurreição de Jesus, como autêntica “Elpidologia” realizada (esperança realizada diante da experiência da presença salvadora de Deus). Cf. id., Esperanza a pesar del mal. La resurrección como horizonte. Santander: Sal Terrae, 2005, p. 97-131.

428 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 84.

429 id., ibid., p. 102.

430 id., ibid., p. 103. - Queiruga afirma que, desde o início da busca em lidar com o problema do mal, houve a tendência dualista de dramatizá-lo, a partir da tensão contínua entre o princípio originário do bem e do mal. E aponta exemplos como o Zoroastrismo, o Maniqueísmo e, até mesmo, o modo cristão de conceber a existência do demônio. A questão é tão complexa que Queiruga a percebe presente na teologia de Barth, quando este fala do mal como realidade autônoma, instância intermediária entre Deus e a criatura, que se caracteriza pela oposição à obra de Deus, por sua busca e tentativa de destruir o ser humano. Ele será aniquilado na vitória final da graça de Cristo, mas enquanto essa não ser realiza, o mal provoca enorme estrago. Para o autor, a teologia de Tillich é mais consciente do caráter simbólico de toda linguagem ontológica e teológica. Conseguiu expressar de modo mais justo e acertado, quando caracterizou a força do mal como “demoníaca” e como presente e contraposta na ambigüidade das criaturas. Cf.: id., ibid., p. 105-106. - No pensamento católico, por um lado, a concepção do mal como drama também se fez presente no pressuposto das teodicéias. Encarava-se a realidade do mal como algo que estava aí, somado ao mundo, mas que poderia não estar. Deus, como senhor absoluto da criação, de alguma maneira, tinha a ver com essa presença. Isso significava que Deus “podia, mas não queria” tirar o mal. Por outro lado, havia também outra concepção intermediária que procurava fazer distinção, da parte de Deus, entre causar e permitir o mal, mas por razões superiores que nos ultrapassavam. Isso significava que Deus não o causava, nem o queria diretamente. Optar pela permissão podia ter sentido quando alguém se encontrava encurralado entre dois males, mas como sustentar o amor gratuito de um Deus que podendo evitar o mal, o permitia? Cf. id., ibid., 106-107.

431 id., ibid., p. 90.

432 id., ibid., p. 223.

433 O termo teodicéia refere-se, segundo o Aurélio, ao discurso que procura conciliar a bondade e a onipotência divina com a existência do mal no mundo. É atribuído ao filósofo Leibniz. Digno de nota é que Queiruga vai tomar como ponto de partida o pressuposto leibniziano da “impossibilidade do mundo finito sem o mal”.

434 Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 39-40. A afirmação de Bonhoeffer, citada no capítulo II, de que “Só o Deus sofredor pode salva-nos” encontra validade dentro de outro paradigma, o de um Deus não intervencionista e delicadamente respeitoso da autonomia do mundo. Cf. id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 18.

435 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 118.

436 id., ibid., p. 107. - Uma coisa é a realidade do mistério, e outra a pretensão de recorrer a ele quando a construção teórica de que se parte não oferece saída.

437 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 108-109. - “Em termos negativos, a questão coloca-se de modo incisivo: como é que Deus, podendo criar um mundo totalmente bom e perfeito, criou um mau e carregado de sofrimento? Ou de modo positivo, como é que Deus, sabendo que, se criasse o mundo, este estaria necessariamente ferido pelo mal e o sofrimento, acabou, mesmo assim, decidindo-se por criá-lo?”. Cf. id., ibid., p. 110. Em outras palavras, “uma liberdade finita não pode dispor totalmente de si mesma: não pode ser perfeita. Por isso, ou não há mundo e liberdade ou, se existirem, será preciso contar que ao se realizarem, serão produzidos também, desajustes e conflitos, egoísmos e maldades”. Cf. id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 36.

438 Digno de nota é a evolução do pensamento de Fraijó quanto ao pressuposto de considerar a finitude como a raiz última do mal. Fraijó passa da crítica contundente a uma considerada abertura. Veja sua forte crítica ao pressuposto de Queiruga em: FRAIJÓ, M. A vueltas con la religión, Estella (Navarra): Verbo Divino, 1998, p. 145., depois sua nova consideração em: FRAIJÓ, M., Dios, el mal y otros ensayos, Madrid: Trotta, 2004, p. 46. Cf. TORRES QUEIRUGA, A., Esperanza, a pesar del mal, op.cit., p. 107.

439 id., ibid., p. 37. - Queiruga está convencido de que com teodicéias teóricas, os cristãos, não convencem os que não toleram o escândalo do sofrimento dos inocentes. E que, portanto, nossa única resposta, em seguimento de Jesus, é o da luta eficaz e comprometida contra o mal. Cf. id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 140.

440 id., ibid., p. 94. - Queiruga usa, como mediação analítica, as reflexões filosóficas de Parmênides, Leibniz, Kant e Ricoeur. Não é o objetivo dessa dissertação tecer considerações críticas, por mais importantes que sejam, desses fundamentos filosóficos. Ultrapassariam os limites do tema proposto.

441 id., ibid., p. 91-95. - Para Queiruga, o mundo finito sem mal é uma contradição da mente e da linguagem humanas. A experiência do limite e do contraste num mundo finito, é facilmente percebida no cotidiano da vida, pois, o que é vantajoso para um lado acaba sendo desvantajoso para outro. Por exemplo, o tempo bom para banhista tempo mau para o lavrador, lucro para um, perda para outro, as guelras do peixe na água permitem-lhe viver, na terra significam sua morte. Um mundo finito necessariamente tem que apresentar desajustes, no nível físico (catástrofes), no nível da vida (cadeia alimentar), no nível humano (a dor e o sofrimento), no nível moral (liberdade finita com seus muitos condicionamentos).

442 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 97.

443 id., ibid., p. 101.

444 Cf. id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 19-20. Os grifos são nossos.

445 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 89.

446 Se o mal tivesse a última palavra, certamente, Deus não teria criado, pois, na luta contra o mal, pode-se, com a graça de Deus, tirar o bem até mesmo do mal. Por exemplo, em grandes catástrofes observa-se intensa rede de solidariedade, pode-se transformá-la em verdadeiro momento de Kairós, tempo de conversão e revisão de vida. O ser humano evoluir em sua realização humana, a partir da experiência de lutar, com a graça de Deus, contra o mal. Cf. id., ibidem.

447 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 111-114. - Queiruga reconhece certa circularidade dialética entre a fundamentação da bondade do mundo a partir da concepção cristã de Deus, e a fundamentação dessa concepção de Deus a partir da bondade do mundo. Cf.: id., ibid., p. 115.

448 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 36. - Queiruga, observa que não se deve dizer que Deus manda ou permite o mal, mas que o sofre e o padece como frustração da obra de seu amor em nós. - Veja também em id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 21.

449 id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 114-116.

450 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 100. - Todas essas referências são feitas, sem precisão bibliográfica, pelo próprio Queiruga.

451 id., ibid., p. 102.

452 id., ibid., p. 205.

453 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 23.

454 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 139-144.

455 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 248.

456 id., Um Deus para hoje, op.cit., p. 22.

457 Nesse sentido é paradigmática a experiência paulina. id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 136-139.

458 TORRES QUEIRUGA, A., Um Deus para hoje, op.cit., p. 21. - Muitos protestam contra o “silêncio de Deus” diante do mal. Queiruga se pergunta se este possível silêncio divino não se deve ao fato de que o ser humano não pode escutar em sua “surdez estrutural de criatura” ou em sua displicente não escuta da palavra de Deus, ou ainda, pela “distância entitativa entre o Criador e a criatura”, pela constitutiva distância divina, de seu estar muito além de tudo quanto seja apreensível, imaginável ou pensável, de sua inacessibilidade pelo o conceito e a palavra. Para ele, o mais admirável não está tanto no “silêncio de Deus” quanto na própria possibilidade de sua palavra. A questão correta não seria, então “por que Deus torna as coisas tão difíceis?”, mas “como é possível amor tão grande que é capaz de realizar o impensável mistério desta comunicação?”. Abre-se assim nova perspectiva para o sentido maior da “encarnação” – Deus faz-se Palavra, Verbo, para se traduzir na fragilidade da carne, para tornar acessível o inacessível – e da “ressurreição” – atrás do silêncio da cruz espera, viva e impaciente, a palavra definitiva sobre o seu amor salvífico. Olhando para vida de Jesus, o autor intui que Deus fez tudo para aproximar-se dos seres humanos. Deus não dificulta a possibilidade humana de comunhão com ele, ao contrário, está sempre ao seu lado, o apoiando, o compreendendo e o animando. Deus disponibiliza seu amor e a força de seu poder para conseguir chegar até nós. Cf. id., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 145-149.

459 Como experiência de pai, veja em Os 11, de mãe, veja em Is 49, 14-15 e de esposo, veja em Is 1, 21-23; 49, 14-26; 54; 62; Jr 2; Ez 16.

460 TORRES QUEIRUGA, A., Recupera a Salvação, op.cit., p. 118-122.

461 id., ibid., p. 123.

462 id., ibid., p. 123-126. - Ao proclamar “felize os pobres…”, princípio fundamental da pregação evangélica, Jesus se opôs aos grupos e concepções religiosas de seu tempo: fariseus, essênios e, inclusive, ao Batista.

463 TORRES QUEIRUGA, A., Recupera a Salvação, op.cit., p. 127-128.

464 Cf. id., ibid., p. 128.

465 Cf. id., ibid., p. 130.

466 TORRES QUEIRUGA, A., Recuperar a Salvação, op.cit., p. 131-134.

467 id., ibid., p. 144.

468 É sugestivo para expressar nosso propósito o título e o capítulo 2 e 3 do livro de Queiruga intitulado “Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus”. Cf. id., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 71-180.

469 TORRES QUEIRUGA, A., Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, op.cit., p. 42.

470 id., ibid., p. 9.

471 id., ibid., p. 11-23.

472 id., Fim do cristianismo pré-moderno, op.cit., p. 34.

473 id., ibid., p. 248.

474 id., ibidem.
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