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COMISSÃO DA VERDADE

AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA EXIBIÇÃO DO FILME “AS ASAS INVISÍVEIS DO PADRE RENZO”, DE EMILIANO JOSÉ DA SILVA

PRESIDENTE

DEPUTADO ADRIANO DIOGO – PT

29/08/2013



COMISSÃO DA VERDADE

BK CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA.

29/08/2013

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Foi o senhor quem fez o filme, não foi ele? Venha para cá, vamos conversar sobre o filme, vamos conversando. Aí não fica sondando ele, vamos conversar com naturalidade. Os dois fizeram? Então, venham para cá. Não fica apressando ele, vamos conversar. Não, deixe-o sossegado, vamos conversar, fale para ele sossegar.

O SR. – Ele não vai ficar bravo comigo não?

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Ele está no lucro, vamos conversar só para, não vamos quebrar a (ininteligível).

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Me dê os nomes dos dois.

O SR. GERALDO MORAES – Geraldo Moraes.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – E ela? Solange Lima. E o filme, como chama?

O SR. GERALDO MORAES – "As Asas Invisíveis do Padre Renzo". Foi feito pelo Emiliano e pelo Jorge Felippe que é o diretor do filme. Na verdade, são os dois quem assinam a direção do filme.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – O Jorge Felippe, não é?

O SR. GERALDO MORAES – Exatamente. Nós estamos tratando agora dessa edição para distribuição do filme, inclusive já foi mexido um pouco aí, esse aí já é.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Quantos minutos?

O SR. GERALDO MORAES – Ele está com uma hora e vinte, mais ou menos, mais ou menos isso.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Vamos já fazer a introdução e já vou resolver. Vamos lá. Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. Posso começar? Quem está na cabine, o Dantas? Podemos começar? Vamos lá?

Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva. Sexagésima Nona Audiência Pública, 29 de Agosto de 2013, Auditório Teotônio Vilela.

Hoje é uma data muito importante para essa Comissão, muito importante.

Está instalada a Sexagésima Nona Audiência Pública da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, no dia 29 de Agosto de 2013, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Auditório Teotônio Vilela, para a exibição do filme "As Asas Invisíveis do Padre Renzo" e o lançamento do livro "Galeria F - Lembranças do Mar Cinzento (IV) - Golpe. Tortura. Verdade."

Esclarecemos que a Comissão da Verdade pretende realizar todas as Audiências abertas ao público.

Bom, o Emiliano vai organizar toda essa atividade hoje à tarde, mas nós estamos aqui com o Geraldo Moraes e a Solange Lima que vão falar do filme, do lançamento do filme, da organização do filme, porque o filme tem 140 minutos.



O SR. GERALDO MORAES – Não, não são 140 não. 80 minutos, por aí.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – 80 minutos. Eu entendi, desculpe, 80 minutos. Eu me atrapalhei, desculpa. Eu entendi que eram duas horas e vinte, bom, 80 minutos, que depois do filme do Alípio, qualquer coisa é trailer. (risos). Duração 80 minutos, ficou todo mundo preocupado aqui. Eu já estava congelado até às sete da noite por conta.

Então, vocês podiam falar um pouquinho sobre o filme, Geraldo e Solange. As partes que vocês dominam tudo, é lógico que o Emiliano é muito cioso das coisas dele, ele pode achar que nós estamos fazendo alguma transgressão aqui, mas como ele teve uma crise de hipoglicemia, a gente vai começando. Não o deixa pelo amor de Deus, não tem esse, aqui não é da vigilância sanitária, é Comissão da Verdade, não precisa. Diga-se de passagem, que ele poderia ter feito a abertura e ter ido almoçar sossegadamente e a gente ficava assistindo o filme, mas tudo bem, faz parte. Geraldo.



A SRA. – Assim, é porque o diretor é super importante no processo da criação do filme.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Fique comigo aqui, Amelinha, veio até o Cezar. Vocês são discípulos do Padre Renzo aqui. Venha cá Cezar, hoje você ter o dia de, não? Então está bom, fica só a Amelinha porque está desbalanceada a Mesa, geralmente a gente põe dois e dois.

A SRA. – Porque como nós (ininteligível) no filme, eu acho que pela hierarquia do cinema mesmo que o produtor fale do distribuidor, mas o diretor é a alma do filme, é onde está a história do filme, onde ela foi construída. Defendendo o diretor aqui e agora.

A SRA. – Chegou o diretor.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Vou começar tudo de novo, e de gravata vermelha hoje, hein.

A SRA. – Ele veio à Lula hoje.

O SR. – Convidaram a gente para ficar enrolando o público.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Thaís, você que faz parte da delegação, faz favor, fique aqui ao lado do Emiliano. Tem personagem aqui?

A SRA. – Ela é personagem.

A SRA. – Não, eu não.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Ah, a Amelinha?

A SRA. – Sim.

A SRA. – Eu fiz um trabalho com o diretor, mas (ininteligível).

A SRA. – Mas é personagem.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – É, você também dá autógrafo hoje, é dia do seu, desculpe a brincadeira, eu vou retomar, vamos lá. Quer começar pelo Emiliano? Vamos começar do zero, apaga tudo, vamos zerar tudo. É que ele estava querendo saber do, como chama aquele negócio, making of do filme, mas eles iriam contar um segredo, mas aí você chegou e nós ficamos todos quietos aqui, eles queriam saber o making of.

A SRA. – Eu só coloquei aqui que hierarquicamente no cinema, quem fala é o diretor primeiro, é quem fala da história, então acho que tem que começar pela direção e a gente fala depois um pouquinho da distribuição do filme.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – As atrizes também, geralmente, elas vêm com a indumentária do dia. Vamos lá, Emiliano com a palavra.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA – Não tem microfone sem fio?

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Eu vou falar duas coisas, nós temos dois universos aqui hoje. Primeiro o filme, que está todo mundo ansioso para assistir e depois o livro. O livro, você já fez uma introdução forte ontem, não é?

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Já.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Por falar nisso, não iria ter uns exemplares do livro aqui hoje?

A SRA. – Sim.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Cadê? Não chegaram?

A SRA. – (ininteligível)

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Você falou?

A SRA. – Falei.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Foi falar com o (ininteligível) hoje, a (ininteligível) chegada?

A SRA. – Acertei com a Clarice e já era para estar aqui.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Fica sossegado, vamos lá. Não, nós temos a tarde toda, vamos, calma, não vamos deixar o nosso diretor nervoso porque baiano nervoso, Glauber Rocha e Emiliano. Aí é muito, viu. Com a palavra o Emiliano.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - É que eu sou produtor também e produção quando falha é um problema, mas deixa lá. Eu quero cumprimentar os companheiros, as companheiras, ao Adriano Diogo, a Mesa aqui, todos os amigos e companheiros.

Eu, até tenho uma historinha, o Saqueta está aqui, meu irmão e então eu pensei em um dia desses, o Jorge Felippe me deu, para mim o filme né, e eu convidei o Saqueta lá na casa de meu irmão aqui em Pinheiros para ver o filme e aí tinham sete minutos, era só o trailer e aí o Saqueta ficou puto, mas hoje ele veio hoje ele vai ver o filme mesmo e tudo.

Essa história, a história do filme, eu tinha a pretensão, na verdade, não esgotada totalmente de fazer uma ficção, um filme mais demorado e ficcional. Um roteirista, e roteirista é um bicho chato, o Geraldo é roteirista, mas não estou, é do time dos chatos, mas o Geraldo é um roteirista famoso de vários filmes, mas aí o roteirista leu demoradamente, o Henrique Andrade leu demoradamente o livro e disse que o personagem não tinha punch para um filme de ficção.

Eu, sem ser nenhum especialista na área, discordava frontalmente desta visão, eu tinha convicção de que o personagem tinha a palavra punch, não sei se é boa, mas tinha força para um filme de ficção muito forte inclusive pelo que ele foi capaz de produzir ao longo da vida. Mas tudo bem, eu não queria discutir porque era o primeiro filme que faço e espero que seja o primeiro de uma série, viu Geraldo e vamos produzir uma série agora, eu e o Geraldo estamos trabalhando nisso agora, agora já me meti a besta, eu estou querendo achar que vou seguir adiante no cinema e aí começamos a trabalhar.

Na verdade, e aí este roteirista demorou, demorou e eu conversei então com o Jorge Felippe que é o diretor e proprietário de uma produtora, a Santo Guerreiro, já é um sujeito com bastante experiência. Conversei com ele por outra razão e de repente comecei a contar essa história do Renzo, quem era ele e tal e o Jorge Felippe, como grande criador que é e um sujeito ousado, disse assim, mas rapaz, isso não pode demorar, temos que fazer esse filme.

Só que a gente já tinha procurado a TV Brasil, quem conhece essa coisa de ir buscar recursos sabe a dificuldade, a TV Brasil disse, eu acho que dá para 2013, a gente pensar. E não rolou, a gente esperar 2013 e conversei com o Jorge Felippe lá por, creio abril ou março de 2012, o Jorge disse, rapaz vamos fazer isso, não quero nem saber, eu boto a equipe, vou para Florença, boto a equipe, não sei, o que vai dar, se eu vou recuperar o dinheiro ou se não vou é outra coisa. Vamos embora. Eu também não, eu não iria ser remunerado, como não sou isso, nisso eu tinha feito o livro, era uma aventura no melhor sentido de um personagem extraordinário e amigo meu de coração, como era o Renzo. Vamos embora, minha passagem e minha hospedagem eram minhas, o Jorge Felippe levou a equipe e pagou tudo e passamos lá uns oito dias com o Renzo onde ele morava em, vamos chamar de um miniconvento, a casa dele devia ter uns dez, aqueles prédios antigos de Florença ao lado da Sé, ao lado do Duomo, a cem metros da Sé, e ficamos lá com ele.

Fizemos um trabalho exaustivo, muito rico e muito emocionante para nós e emocionante para ele, Renzo. Foi muito forte para nós tudo aquilo. Andamos com ele também por Florença, o Jorge Felippe queria muito e isso já é um olhar do Jorge, queria vê-lo de batina, porque não usa batina, mas ele tem que ter uma batina e eu digo Jorge, mas aí foi para a missa então e viu o Renzo de batina, paramentado. O Renzo até brigou com o outro, porque era na Sé, o outro vigário lá da Sé que disse, não pode entrar equipe de televisão. Aí, Renzo que não era um sujeito tão calmo assim, deu um esporro no cara, é quando vem TV grande aqui vocês deixam, vai entrar sim, então e a equipe entrou e tudo, porque não tiveram coragem de enfrentar o Renzo e então fez as cenas dele, paramentado e tudo.

Mas o principal foi o extraordinário depoimento dele que eu dirigi porque conhecia profundamente a vida dele e já tinha feito o livro e tudo. Foi o grande momento para nós né, para a equipe. Tem um momento que vocês vão perceber inclusive em que nós aplaudimos isso aparece no filme, a frase extraordinária dele que vocês vão ver também, nós não resistimos e aplaudimos ele e isso aparece no filme, nós não tiramos não, tem coisas curiosíssimas porque no momento em que ele está falando uma coisa muito tensa, uma sirene no fundo assim, parece que nós sonorizamos a sirene, botamos o fundo, não, era uma sirene passando ali no Duomo e tal e alguma coisa ou outra, ou a polícia ou alguma ambulância. Mas isso foi parte do filme, passou a ser parte do filme e depois nós o trouxemos para o Brasil.

Foi em maio de 2012, trouxemos em julho, agosto e uma parte de setembro, ele veio para o Brasil para que a gente então fizesse as tomadas brasileiras e ele ficava ouvindo alguns personagens por trás da relação dele com os presos políticos. A família Teles que está aqui, o Cezar, a Amelinha, a Criméia e enfim, a família Teles que tem uma importância grande na vida do Renzo e vice e versa, creio, não é? O Paulinho Vannuchi, o Pedro Tierra, Hamilton Pereira.

(Inaudível)

Ah, tem também. Os livros chegaram atrasados, mas chegaram. É né, não deu para entrar.

E aí então, eu estava dizendo, nós ouvimos o Paulinho Vannuchi, o Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, a família Teles aqui em São Paulo, na própria casa da Amelinha, nós invadimos a casa no estilo do Renzo, invadimos a casa, ficamos uma tarde lá com o Vannuchi e o Hamilton Pereira. Nós fizemos no DOPS, quer dizer, no memorial da resistência. Vocês vão perceber, nós fizemos o Teodomiro Romeiro dos Santos, lá na Bahia, o Paulo Pontes, a Jessie Jane, o Colombo e enfim, fizemos aquelas pessoas que, claro que não fizemos todos os prisioneiros políticos, era impossível, os ex-prisioneiros, fizemos o Brasil.

Ele voltou para a Itália e em novembro descobre o câncer. Certamente ele já estava doente, a gente não percebia nada e aí ele aguentou até março. Nós ainda corremos muito para tentar com que ele visse o filme vivo e eu falei com ele muitas vezes e ele já doente, mas não querendo, ele não queria muita.. Ele não queria de jeito nenhum que dissesse que ele estava doente, então, a gente sabia, você sabe, eu estou um pouquinho doente e tal, ele dizia, e o filme, está andando? Eu dizia que estava caminhando, como estava e a gente tinha a pretensão e corremos muito, pretendíamos ir ao início de abril levar o filme para ele, agora e aí 25 de março ele faleceu.

Em maio, creio que 7 de maio, nós exibimos o filme em Florença para uns 300 amigos dele, o Padre Sérgio Merlini à frente, mais o arcebispo de Florença esteve, a hierarquia da igreja, não sei se generalizo, mas é uma hierarquia lá no caso, neste caso, vamos ser generosos relativamente conservadora e se impressionou em conhecer pelo filme aquele padre, porque o Renzo não fazia questão de divulgar essas coisas. O arcebispo disse, aliás eu conheci um outro Renzo agora, porque nesses tempos em que ele estava em Florença, e depois... ele era uma espécie de padre que resolvia os problemas da igreja. Teve o caso de um padre que, lá no subúrbio de Florença, enfrentou... eu não sei, mas teve um casamento ou um casal de homossexuais que o padre parece que abençoou ou coisa desse tipo, a hierarquia não gostou e o Renzo então foi chamado, tiraram o padre e botaram o Renzo lá. O Renzo foi, ele era um grande conciliador no melhor sentido da palavra e foi, conviveu na paróquia e depois chamou o padre, fez o padre voltar para o lugar dele e saiu, para vocês terem uma ideia. Convenceu a hierarquia, não foi nada grave e tal, ele tinha um estilo de não brigar com a hierarquia sendo o padre que era, que nós conhecemos, eu, a Amelinha conhecemos bem.

E a hierarquia com aquele filme ficou impressionada e elogiou naturalmente e tudo, mas descobriu um outro Renzo, porque ele não revelava assim quem ele era. O Renzo que defendeu, como defende no filme, e vocês poderão assistir a teologia da libertação e tal, coisa que a igreja, não sei se o novo, o Francisco vai assumir alguma coisa, eu não acredito, a teologia da libertação e tudo, mas o Renzo no filme defende isso. E agora nós estamos na fase de procurar e é muito difícil porque nós tivemos a ousadia de fazer o filme. Normalmente quem lida com cinema e com os projetos de cinema sabe que tem que ver antes o dinheiro, depois que você fez, que você está com o produto na mão, é muito mais difícil. Até agora o Jorge Felippe quem foi e o próprio que tudo foi, eu não botei nenhum dinheiro, eu botei o dinheiro das passagens, da minha hospedagem e obviamente que ninguém me pagou e o Jorge Felippe que arcou com isso até hoje, é no prejuízo, mas ele não lamenta não, ele falou eu vou fazer e vou arriscar, se der deu e se não der, não tem importância.

Portanto essa história extraordinária do Renzo e essa generosidade do Jorge Felippe eu faço questão de dizer, nós fizemos juntos, de coração e alma esse filme. Ele, pena que ele não está aqui para ouvir isso, mas vai ouvir, vai saber que eu disse aqui e agora nós estamos na fase de tentar pelo menos buscar algum recurso que cubra o prejuízo que, não sei se a palavra é prejuízo, no caso dele sim porque é uma produtora né, o prejuízo que teve para fazer o filme.

Mas ele é muito feliz com isso, o Jorge Felippe, ele não tem um lamento, não era o negócio, não era um negócio, o máximo que a gente pretende agora é tentar cobrir esta lacuna, se der. Estamos discutindo com a TV Brasil para ele entrar na grade da TV Brasil, isso vai acontecer, já está definido e também estivemos com a Comissão de Anistia e demos entrada, Geraldo, no projeto da Comissão de Anistia, nós demos entrada para entrar em um edital que aí nós correríamos o Brasil em uma atividade da Comissão de Anistia e se a gente vencer um dos projetos e vamos, ele vai perseguir ou vai seguir uma carreira também de eventos desta natureza em Salvador, nós vamos lançar e tudo e depois, se houver, se a gente passar na Comissão de Anistia para correr o Brasil, correremos, se não nós discutiremos aqui em São Paulo um grande lançamento, mas aí independentemente deles e assim vamos para o resto do Brasil. Não é propriamente um filme, obviamente não é um filme comercial, é mais um desses depoimentos para nossa história. Ponto final.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Só coisa boa, não é? Vamos ajudar vocês aqui em São Paulo sim. Já está muito no fim do ano, mas dá para em alguma coisa a gente pode ajudar no lançamento. Bom, têm os dois livros aqui na Mesa, não é? Tem o livro sobre o Padre Renzo, "Nas Asas Invisíveis do Padre Renzo" e tem o "Galeria F".

(Inaudível)

"Galeria F" é uma série de... esse é o quarto livro. "Galeria F" era como ele chamava a galeria do presídio político, dos presos políticos.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Lá em Salvador.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Lá em Salvador. Bom, vamos organizar de alguma forma. Bom, o Paulo Vannuchi faz o posfácio eles ligaram lá para o gabinete que o Paulo estava chegando, não chegou até agora.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Ele falou que viria.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Então, podemos começar pelo filme, não é? Acho que a grande expectativa de hoje à tarde é o filme, então, mas vai fazer à moda antiga? No telão, não é?

A SRA. – No telão.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Que bom, a gente sai. Está bom, vamos lá. Pessoal, a pipoca não chegou, até agora nós estávamos enrolando, nem a doce e nem a salgada.

É FEITA A EXIBIÇÃO DO FILME – “AS ASAS INVISÍVEIS DO PADRE RENZO.”

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – (Ininteligível) pede para a Vivian descer por favor. Nossa Senhora que coisa bonita. O rapaz da cabine não está aí para levantar a tela? Você precisa falar com o Emiliano logo, precisa te liberar, não é? Era bom, Emiliano já fala, já grava, eu falo, eu te libero. Pede para o pessoal descer. Só um minutinho pessoal, deixa o Emiliano gravar aqui, eu também falo.

(Inaudível)

Lógico. Fale com quem você quiser, fique à vontade. Se você quiser, a gente vai tirando as pessoas, mas já ouve o Emiliano aí, ele tem que voltar, ouve e libere o Emiliano. Isso, por favor.

O SR. – Obrigado Deputado.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Imagina.

(Inaudível)

Vamos lá? Pessoal, vamos retomar? Daqui a pouco nós vamos ter acesso aos dois livros, acho que foi um grande dia para a humanidade hoje aqui, não é? E nós fomos os privilegiados viu, (inaudível). Nós te agradecemos porque nesse pequeno grupo seleto aqui, nós tivemos a oportunidade de ver essa maravilha pela primeira vez, pela primeira vez.

Então, infelizmente a gente está no tempo do elogio fácil e fácil e falso, não é? Mas não é o caso. Emiliano, além do personagem, desse ser humano maravilhoso que você, um trabalho magnífico, estamos todos emocionados e o que a gente puder fazer para contribuir para que esse processo avance no lançamento desse filme, o que a gente puder contribuir, então nós gostaríamos, não recompôs né, a Amelinha está dando entrevista e está voltando, o Paulo está por aí. A gente gostaria se você pudesse dar um fechamento maravilhoso para esse trabalho, que o trabalho diz por si próprio, a gente tem acesso aos seus livros e a gente queria te ouvir mais um pouquinho, não é? Porque tudo o que a gente ouvir e você conseguiu, você virou diretor de cinema, que maravilha, hein. O cara é impressionante, vamos lá.



O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA – Eu devo dizer a vocês que, eu sou um sujeito meio casca grossa né, a vida vai fazendo com que o couro da gente fique meio grosso até por injunções da luta política e do enfrentamento que nós fizemos, não é Cezar? Nós fomos obrigados quase que a isso, aprender, aprender a não chorar, aprender a enfrentar as vicissitudes da vida com mais, sem se render muito, eu me lembro que talvez dos meus quatro anos de prisão, eu solitariamente, eu tenha chorado uma vez e nunca mais e de jeito nenhum.

Esta minha experiência com o Renzo, foi uma experiência muito forte, muito, digo de uma amizade profunda porque talvez essa nossa militância política, às vezes tem alguma coisa de crueldade também, não é? Eu quero dizer, nós vamos nos tornando um pouco ásperos talvez, por injunções da vida política, a vida política é muito dura, sempre, não só naquela época como hoje, porque você é obrigado a fazer o teatro e teatro aqui não é nenhuma crítica à política, a política é também. Há um autor chamado Richard Sennett que fala nisso em um livro chamado "O Declínio do Homem Público", ele fala no teatro da política muito positivamente e o teatro da política que o a faz civilizatória porque você convive com os contrários, com os diferentes e tudo e estabelece o diálogo, mas ela também pode nos tornar às vezes meio duros por isso, engolir muitos sapos na vida política, você é obrigado a isto.

Você não convive só com os seus próximos e nem com aqueles que pensam de modo semelhante, você convive é com a diferença e por isso é necessária a política.

O Renzo é uma lição de vida extraordinária porque ele soube e, a seu modo e com suas convicções religiosas, ele soube fazer política no mundo. Parece estranho dizer isso, não é Amelinha? Mas ele era um extraordinário político, mas não como a gente pensa, como eu penso ou como o Cezar pensa, mas estabelecendo uma ponte entre pessoas diferentes, muito diferentes. Estabelecendo a união, a reunião da diversidade sabendo que ele pensava muito diferente da gente que estava preso, ele ia aprender com a gente, ele confessa isso.

E ao ir aprender com a gente ele nos ensinava, o curioso era isso. Nós, o primeiro momento era sempre ressabiado na relação com o Renzo, dos prisioneiros políticos eu estou falando e o que este padre quer? E depois em um segundo momento ele vai conquistando. Eu dou um exemplo desta relação com os religiosos, eu fui encarregado, prisioneiro político novo na penitenciária Lemos de Brito vinha um padre Capelão Militar querer dar assistência a gente. Veio uma vez, veio duas e eu fui encarregado, pelos outros colegas prisioneiros políticos, para dizer a ele com toda a tranquilidade que nós não queríamos mais ele lá. Ele chamava-se Capitão Generoso.

E ele veio com a gente, sentou em uma roda e disse, Capitão Generoso nós não queremos mais você aqui, nós não somos religiosos e o senhor reserve a sua generosidade para outros, conosco não precisa, nós não queremos. Eu fui o embaixador duro dessa missão e depois vem o Renzo, que é um personagem como já disse, como tentamos revelar no filme, é um personagem que celebra permanentemente este sentimento extraordinário da amizade. Foi Caetano quem disse, não é? Caetano não, o mundo já disse que é o sentimento mais extraordinário da humanidade.



O SR. – Foi um outro baiano.

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA - Foi outro baiano, outro baiano. O Renzo, ele nos encantou, ele nos seduziu, ele nos envolveu e ele se tornou um grande amigo de todos nós e o que era notável é, a cadeia não é uma coisa fácil e reunia diferentes organizações revolucionárias e havia divergências aparentemente abissais entre as diversas organizações. Eram divergências que não eram pequenas não, a ALN, a VPR, a VAR-Palmares, a AP, o PCdoB, não eram divergências pequenas não.

E o Renzo chegava lá e transitava, como disse o poeta e só o poeta podia, o poeta Pedro Tierra, figura extraordinária que a parece no filme, vocês viram, era um anjo de asas invisíveis porque ele não, isso aí ele passava ao largo dessas divergências, dessas diferenças e nos deu, portanto uma lição muito grande de vida. Eu digo sempre que a política tem esse lado duro e que aquela velha frase, não tão longa, não tão longe da gente, do Che Guevara, nós às vezes cultivamos mais o ser duro, é preciso ser duro, mas nos esquecemos de que não podemos perder a ternura, não é? Muitas vezes.

E o Renzo nos lembrou disso, olhe, é preciso mais ternura. O que não tirava dele a firmeza, o que não tirava dele a determinação, o que não tirava dele mesmo que ele não admitisse, a atividade política, ele dizia, não estou fazendo politica. Mas evidentemente ele estava sempre fazendo política a modo do jeito que ele entendia política e ainda bem que ele entendia a política de modo diferente da gente. E eu abri dizendo da minha aparente dureza, para dizer que eu termino sempre este filme, já o vi umas, não muitas vezes não, deve ser a quinta vez que eu estou vendo, mas eu o termino chorando.

Eu não consigo resistir porque eu fiz aquele texto, que é difícil ler, o texto final chamado "Nada de Adeus Renzo" e ele aí me traz tudo, né? Da figura inesquecível e extraordinária que foi esse ser humano que passou pela Terra desta forma, vocês o conheceram um pouquinho e que deixou essas marcas profundas. Não só da fé que ele tinha e que pode dar inveja a qualquer um de nós, mas da capacidade dele aprender, foi aprender com os presos políticos, com os diferentes, ele fala sempre isso.

Ele foi aprender e dizer e concluir, essa é uma conclusão extraordinária, a esperança é maior do que a fé. Ao confrontar-se conosco, ao confrontar-se no sentido de compreender quem a gente era, os prisioneiros políticos e é emocionante o sujeito ao final da vida, que ele não sabia nem ser o final da vida e era, por isso que eu disse vocês viram a gente aplaudindo ele no filme.

O sujeito fazer um balanço da vida e dizer, eu sou o padre mais feliz do mundo. É uma coisa belíssima de um sujeito que tem uma sensação de plenitude porque ele sabe o que ficou atrás, é um sujeito que passou pela vida e que não tem jeito. A humanidade reconhecerá para sempre os passos dele aqui na Terra. Muito obrigado.

(Aplausos)

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Como dos três atores do filme, o Cezar, a Amelinha e o Paulo, nós não temos a imagem do Paulo aqui na Comissão, não é? Você podia falar um pouco desse, ele vai falar um pouquinho, ele estava despojado de cidadão aqui, mas na mesma condição ele vai falar um pouco do padre Renzo.

O SR. PAULO VANNUCHI – É tão gostoso ficar olhando a Mesa, não é? Estar na Mesa sempre, na Mesa a gente sempre fica com responsabilidades, mas olha, é bom estar aqui, hoje o Valor Econômico, andou atrás de mim e eu não consegui falar porque queria falar sobre a Comissão da Verdade, quer falar sobre a Comissão da Verdade no enfoque do jornalismo por que é que ela vai tão mal assim? Por que ela está toda rachada e etc., o que possivelmente seja até um lado da verdade.

Mas é o menor lado da verdade, o maior lado da verdade na Comissão da Verdade, é que o Brasil tem uma Comissão da Verdade e no caso por milagre, se multiplicou por 10, por 20, o papel de vocês aqui, do Adriano Diogo foi fundamental para acender esse rastilho é único, mais um processo brasileiro jabuticaba. As Comissões da Verdade são Comissões da Verdade. Uma, aqui se inventou espontaneamente isso pela ação dos brasileiros, das brasileiras, o Brasil hoje tem esse processo e as desavenças, gente, elas geram um certo caos, nós somos formados muito em uma noção positivista de ordem e esse caos muitas vezes ele é mais criativo do que aquela ordem muito estruturada que enrijece.

Então, eu fui vendo esse filme, esse documentário e lembrando e das muitas emoções que eu fui sentindo. Primeiro, hoje eu quero falar do Renzo, mas eu gostaria de falar um pouco também do Emiliano, o trabalho do Emiliano no momento do livro ainda, depois o processo, a última vez em que eu estive com o Renzo.

O Renzo era uma pessoa que nós, quando encontrávamos, nas últimas vezes chegando aos 90 anos, nos perguntávamos se aquela era a última vez ou não e sempre que ele vinha a São Paulo, ele tinha lá a Amelinha, a Janaina, tinha as referências e sempre a gente cavava uma brecha e na última vez sobrou um almoço que acabamos indo nós dois lá no Famíglia Mancini e interessante, gostava de comer e não abria mão do copo de vinho na refeição, uma coisa.

E o primeiro comentário que eu fiz com o Emiliano agora, foi, muito bem impressionado com o trabalho, acho mesmo que nós precisamos transformar em inscrição nos festivais, Gramado agora teve três Kikitos para o filme "Repare Bem", sobre o Bacuri, muito importante e mostra um Brasil que reabriu este tema. Quer dizer, um festival de Gramado dez anos atrás não teria a sensibilidade e vamos ver que ele foi também um evento que falou do Amarildo, falou das mobilizações de junho, da repressão policial de hoje e nós precisamos mesmo, o Adriano falava, de promover uma ampla circulação.

O documentário consegue, Emiliano, uma coisa muito forte que ele para além do conteúdo político importantíssimo que ele tem, ele é um ensaio sobre valores mais amplos da amizade humana. Ele subverte essas barreiras e de uma maneira muito descontraída, com brincadeiras sobre a questão dos católicos, cristão, teístas e dos ateus.

Eu agora lá, eu me meti a falar com a TV Assembleia, um pouco recuperando noções de teologia, o critério de salvação na teologia é a fé em Deus, só poderia ser admitido em uma concepção de um Deus profundamente egoísta. Ele cria o mundo e diz assim, só se salva quem acreditar em mim. E a melhor teologia já superou isso para dizer que o critério da situação é o amor e aí a pessoa não precisa acreditar em Deus para realizar. Com o Renzo eu fui discutindo, mas você é cristão e falava, sou cristão, mas sou um cristão sem Deus, não tenho Deus, a criação, a ideia que você tem de uma força permanente.

Então, é uma história belíssima, é uma coisa de Hannah Arendt, da condição humana muito bem retratada, isso acho a coisa mais importante e essa imagem do Renzo, nessas coisas que nós estamos vivendo um processo que o Brasil já teve outras vezes e já não é mais uma possibilidade remota, já está acontecendo, o que?

O Tiradentes foi executado em 1789 e durante cem anos o seu nome foi mantido como amaldiçoado. A sentença que determinou o enforcamento, o esquartejamento e a exposição das postas de seu corpo nos postes, a casa onde ele morava foi salgada e os seus descendentes declarados malditos até a terceira geração. Cem anos depois, só cem anos, a República resgata e começa a construir o Tiradentes que nós temos hoje, o protomártir da liberdade e etc.

E nós, no ciclo seguinte de lutas, que é o nosso, e com muito menos tempo já promovemos essa mudança, ainda em processo, em curso, mas já começou. O Marighella de 69, ele em 79 já houve o translado para a Bahia, o Jorge Amado escrevendo o "Retiro da maldição e do silêncio e aqui escrevo o seu nome de baiano", Niemeyer fazendo aquela lápide e estamos trabalhando os problemas dos nomes, das avenidas, das ruas que vão trocar de nome. É agora, é daqui a cinco anos, daqui a dez anos e eu fiquei perguntando quando é que vai começar algum processo de canonização do Padre Renzo?

Precisa estimular os católicos do Brasil a dizerem, olha essa onda que o Brasil ficou 500 anos sem nenhum santo e agora tem três ou quatro, é ou não é a hora de criar canais, fazer a luta? É daquelas lutas.

O SR. – Ele tem que fazer milagre primeiro.

O SR. PAULO VANNUCHI – Não, mas o milagre foi esse, o milagre está feito. O milagre de um sujeito que visitava presídios com esse jeito dele e a gente tem que atualizar, modernizar a ideia de milagres, não é? Então, eu acho que são lutas que elas valem nos serem travadas, o resultado que vai vir nós não sabemos. A Comissão da Verdade mesmo, vocês lembram, ela saiu com enorme controvérsia, com desacordos entre nós e eu apostei muito na ideia da dinâmica política, o importante, a anistia de 79 nós também lutamos contra e estamos lutando ainda hoje pela sua correta interpretação e não por sua revisão.

A correta interpretação é de que ela não protege torturadores, os torturadores têm que ser responsabilizados inclusive individualmente, podemos negociar a forma concreta, penal, não penal dessa responsabilização e já estamos fazendo isso. O Ustra já é um cara condenado e nesse processo histórico, nós temos que ampliar e sabendo que é transformar o Brasil de daqui 10, 20, 30 anos em um Brasil que terá a memória dessa geração do pós-64 completamente diferente daquela que prevaleceu nos 10, 20 ou até 30 primeiros anos.

Então, isso é uma missão histórica nossa, da geração que nós somos hoje, aqui tem mais de uma geração e o Emiliano me deu agora um toque sobre o livro que eu tive também essa experiência e me senti muito honrado com o convite para escrever um posfácio e aí em outra ocasião eu quero falar o que eu escrevi nesse posfácio porque acho muito importante mesmo compreender que quando nós vamos ver aquela geração que teve no presídio e que hoje permanece na luta nas mais diferentes concepções de propostas políticas, a gente sabe disso e eu realço a figura do Emiliano como essa figura que consegue manter viva a produção, são quantos livros já?

O SR. JOSÉ EMILIANO DA SILVA – São dez.

O SR. PAULO VANNUCHI – São dez livros, sempre com essa temática do resgate, da ressurreição no sentido teológico, fazer viver de novo, ao mesmo tempo em que ele se mete em uma das maiores lutas do momento que é o problema da democratização dos meios de comunicação, quem hoje está fazendo a luta pelo direito à memória e à verdade e está completamente fora da luta do "eu também quero falar", não está entendendo direito a coisa ainda, não está entendendo, está ainda no gueto, na visão de que, não a minha luta é do passado. Pois é, a luta do passado só vai adiante se a gente daqui a pouco tiver televisões nossas, rádios nossas, jornais e revistas que comecem a publicar diariamente essa memória, que produza novelas com essa memória, que produza noticiários e etc.

Então, eu queria dar esse recado e agradecer ao convite e agradecer a quem fez o filme, ao Adriano, a vocês todos e agradecer sobre tudo ao Renzo por ter como o Hamilton disse, ter invadido as nossas vidas. Eu tive uma alegria pessoal também quando, em 2010, foi um ano muito difícil para muitos de nós, para mim pessoalmente. Eu comecei a sentir que nós tínhamos vencido a batalha do PNH3 da Comissão da Verdade, comecei a sentir ali na hora que a Dilma foi eleita com todo aquele terremoto e eu tirei uma semana de férias e nessa semana estive lá dois dias com o Renzo em Florença.

Então, realmente era impressionante, nós ficamos andando assim, em um dia comum de tarde, as pessoas iam parando, dando tapa no rosto desse mesmo jeito que ele fazia, todo mundo conhecia ele e ele ia me explicando quem era cada um e ele foi lá mostrar o Duomo com toda aquela alegria dele de florentino realmente naquele lugar mágico, que é lugar de Leonardo, de Michelângelo e para nós a luta política de Niccolo Machiavelli.

Então, muito obrigado gente e parabéns pelo evento de hoje e precisamos repetir e repetir com mais gente, com mais jovens, sobretudo.

(Aplausos)

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Muito bom. Então vamos acessar os livros e o Emiliano falou, estamos nos despedindo, não é? Você está voltando para a Bahia?

A SRA. SOLANGE LIMA– É importante que se a gente pudesse realizar a estratégia de distribuição do filme também em ações comunitárias e outros canais, mas assim, é importante que a Comissão da Verdade para dar resultado tenha que ler (Inaudível)

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Fale seu nome.

A SRA. SOLANGE LIMA– É Solange Lima. É porque em Salvador quando a Comissão da Verdade foi instalada de uma forma bem contundente e estava muito lotado e quando eu cheguei à Universidade mais tarde, os jovens estavam discutindo e vendo pela TV Assembleia, estavam vendo na Universidade. A gente tem um site que a gente entra em rede, na hora em que o filme for lançado, essas redes vão se comunicar e os blogs também vão funcionar e os depoimentos também vão acontecer.

Então, essa é a hora em que a gente empondera a sociedade porque não é a televisão que vai emponderar e nem a sala do cinema em si, mas são as redes porque é onde está funcionando agora e as Comissões têm que começar a ter consciência disso e fazer com que essas redes funcionem linkadas às universidades porque na Universidade, esse livro do Emiliano a gente recebeu há um mês e eu dei para a minha sobrinha. Tem três na fila para ler, das colegas dela então, é assim que eles vão se multiplicando e essa juventude que está chegando, está querendo descobrir isso, está querendo ver, só que não sabe como ainda e eu acho que a rede vai ser o caminho.

A gente está se estruturando para desenhar essa visibilidade não só do filme, mas das Comissões da Verdade porque a gente não sabe nem a metade, eu mesmo não conhecia um terço.

O SR. PRESIDENTE ADRIANO DIOGO – PT – Obrigado Solange, ainda bem que você falou agora, não é? Ia falar no início, mas não falou. Então está bom. Ótimo, não é? Podemos encerrar essa Sessão, tenham acesso ao livro e curtir mais um pouco o Emiliano, o Paulinho e tudo mais. Obrigado. A Sessão está encerrada.

* * *


(Aplausos)



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