Desbravador do sertão nordestino



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Encontro24.07.2016
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Delmiro Gouveia em memória

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PAINEL HOMENAGEIA o “desbravador do sertão nordestino” na cidade alagoana (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

LOCOMOTIVA UTILIZADA por Delmiro Gouveia no transporte de peles. Funcionou até 1964 (Foto: ANTONIO VICELMO)
m memória à Delmiro Gouveia, a cidade alagoana homônima rende homenagens pelos 90 anos de morte


Delmiro Gouveia. “Aqui o evangelizador dos sertões e fundador da Pedra, Delmiro Gouveia, tombou mortalmente ferido pela bala homicida de sicários assalariados, no dia 10 de outubro de 1917”. Este epitáfio escrito na cruz que marca o local onde Delmiro foi assassinado, na entrada da cidade que tem o seu nome, denuncia a indignação do povo de Alagoas contra um crime bárbaro, até hoje envolto em mistério, ao mesmo tempo em que demonstra o carinho da população para com o “desbravador do sertão nordestino”.

Os 90 anos de morte de Delmiro estão sendo lembrados com uma vasta programação iniciada segunda-feira, com a abertura da Exposição Museus de Alagoas, no Museu Regional Delmiro Gouveia, seguida de oficinas, debates e competições esportivas. É a terceira edição do Encontro de Negócios de Produção Alternativa de Delmiro Gouveia (Endel), que acontece até domingo e reúne vários empreendedores do Sertão de Alagoas. A feira é promovida pela Prefeitura Municipal, Fábrica da Pedra e Agência de Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável de Delmiro Gouveia (Adlisdel), e tem o apoio do governo alagoano.

O III Endel é apontado pelos organizadores como ferramenta importante para mostrar o potencial empreendedor e a vocação do setor têxtil e de confecções, estimular negócios e ampliar rede de relacionamentos. Mesmo sendo o setor têxtil o destaque, o evento oferece diversidade entre os expositores, e mostra as outras potencialidades econômicas da região sertaneja.

Está confirmada a presença de netos e bisnetos de Delmiro que moram no Rio de Janeiro. O diretor-presidente da Fundação Delmiro Gouveia, Adair Nunes, informou que os três filhos do homenageado já faleceram. Na cidade, não tem nenhum remanescente que o tenha conhecido. Mas todos conhecem a sua história.

A maior homenagem ao cearense de Ipú, que se tornou um dos maiores empresários do início do século 20, é o nome da própria cidade: Delmiro Gouveia. Com 46 mil habitantes, encravada no sertão alagoano, o antigo povoado da Pedra é uma cidade moderna, de ruas amplas e limpas. O município com a denominação do patrono, e território desmembrado de Água Branca, foi criado em 16 de junho de 1952 por força da lei nº 628, que elevou a vila à categoria de cidade. A instalação da cidade teve lugar no dia 14 de fevereiro de 1954, dia da sua emancipação.

A história da cidade começa no início do século com a chegada de Delmiro, procedente de Recife (PE). Quando ele conheceu a Cachoeira de Paulo Afonso, teve a idéia de realizar ali um grande projeto, construir uma hidroelétrica. Para isso, trouxe um grupo de engenheiros e investidores dos Estados Unidos, (1909-1910), que projetou a construção de uma grande hidrelétrica, que geraria energia suficiente para iluminar e abastecer o Recife. Além disso, seria instalado um empreendimento agroindustrial nas terras em torno da cachoeira, em áreas da Bahia, Alagoas e Pernambuco a serem adquiridas pela empresa.



Porém, o governador de Pernambuco, Dantas Barreto, desconfiou da dimensão do projeto, obrigando Delmiro a reduzir o empreendimento. Com o apoio dos irmãos Rossbach, ele organizou a Cia. Agro-Fabril Mercantil. Com turbinas e geradores alemães e suíços, instalou, num dos saltos da cachoeira de Paulo Afonso (o de Angiquinho, no lado alagoano do rio), uma usina hidrelétrica que gerava 1.500 HP, com uma voltagem de 3
CRUZEIRO MARCA local onde o empresário foi assassinado, na entrada da cidade homônima (Foto: ANTONIO VICELMO)
KV. Pessoalmente, escolheu, na Inglaterra, máquinas da indústria Dobson & Barlow, para uma fábrica, a Cia Agro-Fabril, que iniciou, em 1914, a produção de linhas de coser, para rendas e bordados, fios e cordões de algodão cru em novelos, fios encerados e fitas gomadas para embrulhos.

Essa indústria tinha características revolucionárias para a época. Ali foi construída uma vila operária, com assistência médica, escola, cinema e creches. Era um contraste com o sertão pobre do Nordeste, onde, a poucos quilômetros a seca castigava a terra rachada.


Fonte: Jornal Diário do Nordeste


CASA DE FORÇA para distribuição de energia onde funcionou a primeira hidroelétrica do Nordeste (Foto: ANTONIO VICELMO)








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