Desenvolvimento sustentável 1- conceitos e desafios



Baixar 86.12 Kb.
Encontro05.08.2016
Tamanho86.12 Kb.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
1- Conceitos e desafios

Soluções ecologicamente consistentes, como a coleta seletiva e a reciclagem de resíduos sólidos, por exemplo, podem ser bem sucedidas quando são aceitas pelos consumidores, comércio, indústrias e governo. Deve-se procurar aumentar a interseção de interesses que ambientalistas, comerciantes, indústrias e governos têm em comum. O comércio e a indústria, nesse exemplo, satisfazem a necessidade do consumidor com bens materiais. A proteção ambiental pode ocorrer pela limitação do consumo. Para sair deste impasse é preciso garantir a mesma satisfação do consumidor com menos material de consumo, e ao comércio e indústria o mesmo lucro com menos consumo de recursos.

Para tal objetivo são necessárias mudanças de estratégias onde o empresariado e a sociedade como um todo, busquem maior eficiência no uso dos recursos naturais e energéticos. É preciso, segundo GILNREINER (1993), “mais qualidade, menos quantidade, mais alta tecnologia, menos material consumido, mais amor e carinho, menos presentes, mais cultura, menos símbolos de status, mais produtos duradouros, menos produtos descartáveis;... e assim por diante” Porém, tal abordagem contrapõe-se sistema econômico tradicional e por isso não é fácil de ser colocado em prática.

É necessário um processo de reestruturação da sociedade e da sua economia, pois o impacto sobre a natureza, provocado pela extração intensiva de materiais e pelas emissões de poluentes da atmosfera, da água e da terra, estão além da capacidade de absorção da biosfera alterando o equilíbrio ecológico do planeta. A ruptura deste equilíbrio conforme o Factor 10 Club “estaria refletindo na economia, com o aumento no número e na diversidade de catástrofes, tais como tempestades, inundações, secas, o que certamente afeta não só a sociedade, mas a esfera de negócios” ( Internacional Factor 10 Club, 1994/1995).

Este nível de responsabilidade compete a quem atua numa esfera de decisões que diz respeito ao planeta, que estabelece metas mundiais para a resolução dos problemas, elaborados por representantes dos diferentes países, em encontros e congressos internacionais. O primeiro evento dessa ordem aconteceu em 1972, em Estocolmo, Suécia, seguido por outros dois, em Belgrado (1975) e em Tbilisi na Geórgia (ex-URRS), em 1977.

A partir de 1987, a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) criou o conceito de Desenvolvimento Sustentável: “É o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.” (Nosso Futuro Comum – Relatório da Comissão Brundtland – ONU)

O conceito de Desenvolvimento Sustentável propoe eliminar a pobreza e a ignorância sem danos irreversíveis ao meio. Assim sendo, ele propõe considerar sobretudo as necessidades essenciais dos pobres no mundo, que devem receber a máxima prioridade, bem como, as limitações que o estágio da tecnologia e das organizações sociais impõem ao meio ambiente, para garantir as necessidades de sobrevivência humana e do meio ambiente presentes e futuras.

Essa não é uma tarefa simples, mas durante a Conferência Internacional da ONU – Rio 92 um grande passo foi dado através da elaboração da Agenda 21 Global


2- Agenda 21
A Agenda 21 tem por objetivo viabilizar o desenvolvimento sustentável e preparar o mundo para os desafios do século XXI. É um programa de ações que busca compatibilizar o desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental e justiça social. Propõe uma série de procedimentos a serem adotados nos vários campos da atividade humana para atingir o desenvolvimento sustentável.

Nesse documento aprovado por 170 países, estabeleceu-se um plano de ação. Através dele pode-se repensar a questão do desenvolvimento e planejar o futuro do planeta.

Este documento está dividido em 40 capítulos, aglutinados em 4 seções: dimensões sociais e econômicas; conservação e administração dos recursos; fortalecendo o papel dos grandes grupos, e meios de implementação.

Cada um deles estabelece conceitos e propostas, a nível global, para os mais diferentes problemas e convida ao planejamento de ações concretas, para melhorar a qualidade do meio ambiente, considerando os seguintes princípios: participação e cidadania; respeito às comunidades e diferenças culturais; integração; melhoria do padrão de vida das comunidades; diminuição das desigualdades sociais; mudança de mentalidades.

Quando os representantes dos 170 países aprovaram a Agenda 21 Global, assumiram diversos compromissos, como por exemplo:


  • manter as florestas e nascentes dos rios preservadas;

  • aperfeiçoar substitutos para os CFCs e outras substâncias que destroem a camada de ozônio;

  • combater as doenças relacionadas com as águas, controlar os materiais que são atirados ao mar por navios, proibir a prática de pesca destrutiva;

  • usar energia com maior eficiência e desenvolver novas fontes de energia renováveis;

  • encontrar combustíveis e meios de transporte alternativos;

  • reduzir o lixo, modificando padrões de produção e consumo;

  • desenvolver novos conceitos de riqueza e prosperidade que permitam padrões de vida mais altos, com estilos de vida diferentes e menos dependentes dos recursos finitos da Terra;

  • elaborar planos de administração e desenvolvimento integrados, entre outros.


3 – Ecologia Industrial e Produção Limpa
No meio científico também avançam os estudos e propostas para reduzir os fluxos de matéria e energia. Como exemplo, ERKMAN (1998), pesquisador do Instituto para a Comunicação e Análise das Ciências e das Tecnologias (ICAST), com sede em Genebra, apresenta um conjunto de reflexões e proposições que remetem a um questionamento global da atual estrutura produtiva e dos sistemas de organização social do consumo.

Pela ecologia industrial, o sistema produtivo é considerado um sub-sistema da biosfera, isto é, uma organização particular de fluxos de matéria, energia e informação. A evolução do sistema industrial é concebida como uma dinâmica mais compatível com o funcionamento de outros ecossistemas.

Parte-se do princípio de que é possível organizar todo o fluxo de matéria e, portanto, de energia, que circula no sistema industrial, de maneira a torná-lo um circuito quase inteiramente fechado. Desta perspectiva, pode-se alcançar o fechamento dos ciclos de matéria e a desmaterialização – “da mesma forma que as plantas sintetizam as substâncias que alimentam os animais herbívoros, os quais são comidos por animais carnívoros, cujos dejetos servem para alimentar outros organismos” (ERKMAN, 1998), as empresas poderiam utilizar seus resíduos como matéria-prima e reutilizar os produtos depois de usados, criando um novo ciclo de vida para os materiais descartados. A desmaterialização visa reduzir a rapidez e a amplidão dos fluxos de matéria nos sistemas industriais, diminuindo a quantidade de matéria consumida para se obter um determinado produto. “A maneira mais eficaz de desmaterializar consiste em otimizar a utilização dos produtos, prolongar sua durabilidade, aumentar sua vida útil. Ademais, esta otimização permite criar empregos estáveis e qualificados, principalmente ligados à reparação e à manutenção dos produtos.” (GRIMBERG & BLAUTH, 1998).

ERKMAN (1998), critica, com propriedade, que tanto empresas quanto administradores públicos, ao se depararem com a questão da geração dos resíduos e dos impactos dela decorrentes, voltam-se fundamentalmente para o tratamento da poluição em curso, o que conceitua como filosofia “fim de linha”, ao invés de voltarem-se para sua prevenção no início do processo. Sob esta ótica, os resíduos são tratados de maneira fragmentada, significa dizer, cada tipo de emissão requer uma tecnologia específica de tratamento que, por sua vez, também gera um resíduo, implicando em custos crescentes. Aponta também para as soluções tecnológicas graduais, que levam a um ciclo incessante de novas tecnologias de despoluição, já que se investe em soluções após cada etapa da produção industrial.

A ecologia industrial propõe uma visão global do sistema industrial, o que levaria a uma relação mais integrada com o ambiente, favorecendo o rompimento das barreiras da especialização e facilitando o diálogo interdisciplinar. Neste sentido, o sistema industrial é concebido por analogia aos sistemas biológicos, surgindo daí a noção de ecossistema industrial. Segundo ERKMAN, ibidem, as indústrias passariam a operar em uma dinâmica integrada, enquanto “parque eco-industrial”, ou seja, seriam criadas zonas industriais, cujo princípio seria a cooperação entre as empresas na busca da otimização do uso e a valorização sistemática dos recursos, apontando para um novo paradigma de gestão: a colaboração e a preservação ambiental. O autor salienta que uma dinâmica cooperativa sob este ponto de vista não excluiria a prática da competitividade, tão cara ao mundo dos negócios.
Outro conceito chave para compreender a ecologia industrial é o de desmaterialização da produção, o que significa obter mais serviços e bens a partir de uma quantidade menor de matéria. Isso implica em aumentar a produtividade dos recursos. ERKMAN (1998), chama a atenção para aparente redução no fluxo de matérias e energia ao longo da evolução industrial, fruto do progresso tecnológico. Toma como exemplo a área eletrônica, onde a miniaturização não pode ser confundida com a diminuição do consumo de matérias e energia – vide o tamanho da infra-estrutura de fabricação, que exige gigantescas instalações de ventilação e de purificação do ar.

O aspecto fundamental a ser considerado são as implicações da redução de matéria, pelo simples uso de materiais mais leves em vários produtos (máquinas de lavar roupas, torradeiras, automóveis, entre outros); os produtos, tornando-se mais frágeis passam a ter um tempo de vida mais curto. Soma-se a isso o fato de muitos produtos não serem reparáveis ou recondicionáveis, o que aumenta o consumo, fator materializador da economia.

Esta proposta de reorganização social, com vistas à redução do consumo de bens, requereria uma modificação de hábitos e comportamentos associados à diversidade de modos de vida existentes. Estaria a sociedade disposta a redefinir suas formas nucleares de organização do cotidiano e passar a uma dinâmica mais coletiva?

Quanto ao consumo de energia, a ecologia industrial destaca a importância do sistema industrial investir numa “dieta energética” menos rica em carbono fóssil. O gás natural deverá assumir uma presença maior na matriz energética e, segundo estimativas, seu consumo deverá aumentar dez vezes em cinqüenta anos. Mais em longo prazo, a expectativa é de se usar o hidrogênio como fonte energética ideal.

Tem-se nesta abordagem “o questionamento dos conceitos de tecnologias poluentes e tecnologias limpas ou verdes, diferenciação que não faz sentido ao se levar em conta que todas as tecnologias devem se tornar cada vez mais limpas. Dito de outra forma, o conceito de produção limpa pressupõe que algumas tecnologias poderiam permanecer mais ou menos sujas, o que não é ambientalmente aceitável” (ERKMAN, 1998).
O setor industrial, acusado por ambientalistas como irresponsável por não ter adotado até pouco tempo atrás mecanismos de prevenção da poluição e possíveis acidentes ambientais, hoje possui membros considerados como os amigos do verde, dotados de elevado grau de responsabilidade ambiental.

Sinalizando um processo de transição ideológica com a agregação de princípios ecológicos, algumas empresas industriais passaram a adotar o Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA). Este sistema passa a ser responsável pela adequação dos interesses empresariais privados à manutenção da qualidade ambiental coletiva.

O Sistema de Gerenciamento Ambiental representa a estratégia empresarial para a identificação, por meio de planos e programas de caráter preventivo, das possíveis melhorias a serem realizadas com o intuito de conciliar definitivamente a lucratividade empresarial com a proteção ambiental, versando tanto nos produtos como nos processos industriais.” (LAYRARGUES, 2000)
A abertura dos mercados pela globalização da economia, o qual é altamente competitivo, em conjunto da criação do mercado verde (auto-concessão de selos verdes nas embalagens atestando qualidades ambientais muitas vezes questionáveis) acabou por exigir a criação de normas internacionais – ISO 14000 – como fator regulador e normatizador.

A ISO 14000 é um conjunto de normas que descrevem os elementos básicos de um sistema de gestão ambiental. Seus elementos incluem a criação de uma política ambiental, o estabelecimento de objetivos, a implementação de programas para alcançar estes objetivos, o monitoramento e medição de sua eficácia, a correção dos problemas e a análise e revisão do sistema para aperfeiçoá-lo e melhorar o desempenho ambiental geral.

A incorporação da ISO 14000 nas indústrias freqüentemente exige a instalação de tecnologias de produção limpa, independente da coerção governamental por meio de instrumentos de controle da poluição tradicionais, como incremento de competitividade em direção ao desenvolvimento sustentável.

Segundo LAYRARGUES (2000), “o setor empresarial vem promovendo uma mudança desde o início da década de 90, quando assumiu uma atitude positiva para com o meio ambiente, mas não mais compulsoriamente, por causa da rigidez da legislação ambiental, e sim voluntariamente, por vislumbrar oportunidades de negócio, ao agregar a variável ambiental na dimensão empresarial. Da postura reativa, passou para a atitude proativa. E, assim, antecipar-se à legislação ambiental não significaria mais apenas manter ações preventivas para evitar acidentes e riscos ambientais, mas sobretudo obter uma vantagem competitiva no mercado, localizada na variável ecológica. Percebeu-se que o que era considerado um dejeto poderia muitas vezes tornar-se um recurso e, nesse sentido, o primeiro passo em direção à sustentabilidade correspondeu à economia de recursos naturais e energéticos, diminuindo como conseqüência, o desperdício e a poluição.”


Como exemplo de benefícios econômicos decorrentes da implantação mais limpa no Brasil ver tabela 1.
Tabela 1 – Benefícios econômicos decorrentes da produção mais limpa em alguns Estados

Estado

Investimento

Retorno

Bahia

Mato Grosso

Minas Gerais

Santa Catarina



R$ 226.123,00

R$ 190.192,00

R$ 378.787,00

R$ 593.398,00



R$ 448.362,00

R$ 1.802.682,00

R$ 1.125.866,00

R$ 1.421.104,00



Fonte: SENAI – RS – Ano 2001

Toda mudança estrutural demanda grandes reformulações e requer tempo. Já a coleta seletiva e a reciclagem de materiais não questiona o atual sistema produtivo e propicia um menor uso de matérias primas virgens, água e energia e conseqüentemente menor agressão ao meio ambiente.




4 – Lixo: definição, classificação e alternativas para o lixo domiciliar


4.1 Definição

Não há apenas um conceito sobre o lixo, mas vários. Lixo pode ser todo e qualquer material sólido que sobra das atividades humanas ou proveniente da natureza, como folhas, terra, areia e galhos de árvores.

Segundo CALDERONI (1998), “o termo resíduo é tido praticamente como sinônimo de lixo. Lixo é todo material inútil. Designa todo material descartado posto em lugar público. Lixo é tudo aquilo que se joga fora. É o objeto ou a substância que se considera inútil ou cuja existência em dado meio é tida como nociva.

Resíduo é a palavra adotada muitas vezes para simplificar sobra no processo produtivo, geralmente industrial. É usada também como equivalente a refugo ou rejeito.”
Lixo, do ponto de vista econômico, é “aquilo que seu proprietário não deseja mais, em um certo lugar e em um certo momento e que não tem valor comercial corrente.” (BERTOLINI, 1990).

Note-se que o lixo move-se de uma situação de domínio privado para outra que alcança a esfera pública. Ele é posto fora de casa e esta passagem tem regras próprias como acondicionamento em sacos e em horários estabelecidos para o seu recolhimento.

Ou ainda “denomina-se lixo os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este possa fluir livremente)” (ABNT, 1987 a).

Para efeito deste trabalho, lixo será entendido como material que perdeu a utilidade para seu proprietário ou que não quer mais usar, enfim, que é posto fora e resíduo sólido será considerado como seu sinônimo.


4.2 – Classificação do lixo

São várias as formas possíveis de se classificar o lixo. Por exemplo: por sua natureza física: seco e molhado; por sua composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica; pelos riscos potenciais ao meio ambiente: perigosos, não-inertes e inertes, ver Quadro 1.



Quadro 1 –Classificação do Lixo quanto aos riscos potenciais ao Meio Ambiente

Categoria

Característica

Classe I

(Perigosos)



Apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente, caracterizando-se por possuir uma ou mais da seguintes propriedades: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.

Classe II

(Não-inertes)



Podem ter propriedades como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, porém, não se enquadram como resíduo I ou III.

Classe III

(Inertes)



Não têm constituinte algum solubilizado em concentração superior ao padrão de potabilidade de águas.

(Fonte: ABNT,1987)
Segundo D’ALMEIDA & VILHENA (2000), “Outra importante forma de classificação do lixo é quanto à origem, ou seja domiciliar, comercial, público, serviços de saúde e hospitalar, portos, aeroportos, terminais ferroviários e rodoviários, industriais, agrícolas e entulhos, a saber:

Domiciliar


Aquele originado na vida diária das residências, constituído por restos de alimentos (cascas de frutas, verduras, sobras, entre outros), produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens.

Comercial


Aquele originado nos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, entre outros.

Público

Aquele originado dos serviços de limpeza pública urbana, incluindo-se todos os resíduos de varrição das vias públicas; limpeza de praias; galerias, córregos e terrenos; restos de podas de árvores; animais e da limpeza de áreas de feiras livres.

Serviços de Saúde e Hospitalar


Constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos, oriundos de locais como: hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde. Os resíduos assépticos destes locais, constituídos por papéis, restos da preparação de alimentos, resíduos de limpezas gerais e outros materiais, desde que coletados segregadamente e não entrem em contato direto com pacientes ou com os resíduos sépticos anteriormente descritos, são semelhantes aos resíduos domiciliares.

Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários e Ferroviários


Constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos, produzidos nos portos, aeroportos e terminais rodoviários e ferroviários. Também nesse caso, os resíduos assépticos destes locais, desde que coletados segregadamente e não entrem em contato direto com os resíduos sépticos anteriormente descritos, são semelhantes aos resíduos domiciliares.

Industrial


Aquele originado nas atividades dos diversos ramos da indústria, tais como metalúrgica, química, petroquímica, papeleira, alimentícia, entre outros.

Agrícola


São resíduos sólidos das atividades agrícolas e da pecuária. Incluem embalagens de fertilizantes e de defensivos agrícolas, rações, restos de colheita, etc.

Entulho


Resíduo da construção civil, composto por materiais de demolições, restos de obras, solos de escavações diversas.”

4.3 – Alternativas para o lixo domiciliar urbano
Considerando que o escopo deste estudo é limitado aos resíduos sólidos domiciliares, os mesmos após recolhidos têm o seu destino final em lixões, aterros controlados, aterros sanitários, aterros sanitários em valas, incineração, compostagem ou reciclagem.

4.3.1 – “Lixão” segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 10703/89, “é uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. O mesmo que descarga de resíduos a céu aberto”.

Os resíduos sólidos assim lançados acarretam problemas à saúde pública, como geração de maus odores, proliferação de vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos, entre outros) e, principalmente a poluição das águas superficiais, lençóis freáticos e do solo através do chorume “líquido de cor preta, mau cheiroso e de elevado potencial poluente produzido pela decomposição de matéria orgânica contida no lixo” (JARDIM et al, 1995).

Os lixões apresentam normalmente situações de total descontrole, sendo muitas vezes despejados resíduos hospitalares e industriais. Destaca-se, ainda nos mesmos a criação de animais e a presença de pessoas (catadores), os quais muitas vezes residem no próprio local .
4.3.2 – Aterro controlado “é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e a sua segurança, minimizando os impactos ambientais. Esse método utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de trabalho” (Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR – 8849/85) .

Este sistema de disposição final dos resíduos sólidos produz, em geral, poluição localizada. A extensão da área é normalmente minimizada, mas geralmente não dispõe de impermeabilização de base, tratamento do percolado (termo empregado para caracterizar a mistura entre o chorume, produzido na decomposição do lixo e a água de chuva que percola o aterro), nem de dispersão de gases, podendo comprometer a qualidade das águas suberrâneas.


4.3.3 – Aterro sanitário é uma obra de engenharia que tem como objetivo acomodar no solo os resíduos, no menor espaço possível, sem causar danos ao meio ambiente ou à saúde pública. Essa técnica consiste basicamente na compactação dos resíduos no solo, na forma de camadas que são periodicamente cobertas com terra ou outro material inerte.

Todo o aterro tem uma vida útil limitada, ou seja, é o tempo que ele poderá ser utilizado em função da quantidade de lixo depositada, tamanho e conformação da área. Todos esses fatores entram no projeto do aterro. Caso um aterro passe a receber maior tonelagem de lixo por dia do que a estimada, sua vida útil certamente será reduzida.

Entre as desvantagens do aterro sanitário estão o fato de não tratar os resíduos, consistindo numa forma de armazenamento no solo; a necessidade de áreas cada vez maiores para sua instalação; operação sujeita à ação das condições climáticas e risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas.

Aterro Sanitário, segundo a NBR 10703/89 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, é “forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos no solo, através do confinamento em camadas cobertas por material inerte, geralmente solo, segundo normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais”.

Para a consolidação do aterro sanitário com minimização do impacto sobre o meio ambiente faz-se necessário elaboração de projeto específico o qual necessita da drenagem superficial, drenagem de gases e chorume na massa do lixo, coleta e tratamento do chorume, arborização em torno da área (cinturão verde) e impermeabilização da base do aterro para evitar a contaminação das áreas subterrâneas .

4.3.4 – Compostagem
Conforme D’ALMEIDA & VILHENA (2000),“Dá-se o nome de compostagem ao processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal. Esse processo tem como resultado final um produto – o composto orgânico – que pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem ocasionar riscos ao meio ambiente”.
Há muito tempo a compostagem é praticada no meio rural, utilizando-se de restos de vegetais e esterco animal. Pode-se, também, utilizar a fração orgânica do lixo domiciliar, mas de forma controlada, em instalações industriais chamadas usinas de triagem e compostagem.

A compostagem completa o processo de reciclagem, permitindo que a matéria orgânica seja reintroduzida de forma benéfica no solo minimizando o desperdício de recursos naturais.


As vantagens da compostagem são:

  • redução de cerca de 50% do lixo destinado ao aterro (prolongamento da vida útil do aterro sanitário);

  • reciclagem de nutrientes para o solo;

  • processo ambientalmente seguro;

  • eliminação de patógenos;

  • economia no tratamento de efluentes;

  • minimiza o desperdício de recursos naturais.


4.3.5 – Reciclagem

Segundo JARDIM et al (1995), “Reciclagem é o resultado de uma série de atividades através da qual materiais que se tornariam lixo, ou estão no lixo, são desviados, sendo coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de bens, feitos anteriormente apenas com matéria-prima virgem”.

Ou ainda segundo CALDERONI (1998), “reciclagem é o processo sistemático de transformação do lixo sólido em produtos novos”.

A reciclagem é uma atividade econômica que deve ser vista como uma das soluções dentro de um conjunto de soluções integradas no gerenciamento do lixo, e não pode ser vista como a principal solução para o lixo.

Dentre os benefícios da reciclagem, tem-se: a diminuição da quantidade do lixo a ser aterrado, e o conseqüente aumento da vida útil dos aterros sanitários, a preservação de recursos naturais, a economia de energia, a geração de novos empregos através da indústria recicladora, a diminuição da poluição do ar, da água e do solo, a minimização da formação de chorume e a economia no tratamento do mesmo.

Quando opta-se por um programa de reciclagem existem dois caminhos para a separação dos materiais a serem reciclados: coleta seletiva e usina de triagem.

Coleta seletiva é a separação dos materiais recicláveis nas suas fontes geradoras (residências, escolas, comércio e indústria entre outros), com posterior coleta dos materiais separados.

Usina de triagem é a separação dos materiais recicláveis em usinas apropriadas, após a coleta e transporte normal do lixo.


4.3.5.1– Princípio dos 3 R’s: reduzir, reutilizar, reciclar
O desenvolvimento da sociedade moderna implicou num aumento exacerbado de consumo, sem preocupação com o impacto que isso causa ao planeta. O resultado tem sido a produção de rejeitos que tem causado sérios danos ao meio ambiente e à saúde pública. Porém, chegou-se ao final do século XX com uma proposta consolidada: é preciso minimizar a geração de resíduos e reaproveitá-los.

A minimização de resíduos tem conceito tão amplo e complexo quanto o próprio termo lixo ou resíduos sólidos. Pode abranger todos os tipos de resíduos, em qualquer processo ou etapa de geração. Em termos práticos, a minimização pode ser desenvolvida pela redução na fonte, reutilização e reciclagem.

A redução na fonte tem o propósito de diminuir o volume de resíduos gerados até o menor nível possível, ou mesmo eliminar determinadas classes (por exemplo, os perigosos), através de ações como: alteração de processos produtivos ou de maquinário, substituição de matérias-primas, controles eficazes dos procedimentos operativos, incrementos na eficiência da manutenção de equipamentos e conscientização da mão-de-obra envolvida na produção ou mesmo a alteração do produto.

Já a reutilização e a reciclagem visam o aproveitamento do resíduo pelo seu retorno ao processo produtivo, como um dos seus ingredientes originais ou como matéria-prima substituta. Pode-se falar ainda em recuperação energética, que consiste no aproveitamento dos resíduos como combustível alternativo, liberando a energia neles contida.

A minimização de resíduos através da redução na fonte diz respeito aos processos industriais, enquanto que a reciclagem está mais próxima do usuário ou consumidor. No entanto, para que se obtenham resultados efetivos, essas ações devem ser combinadas. Cabe à indústria a geração de materiais mais adequados, no que diz respeito ao impacto ambiental – alterando produtos e embalagens – e ao consumidor cabem outras ações, como a preferência pelos produtos que melhor se enquadram na filosofia preservacionista e a redução na geração de determinados materiais.

O objetivo básico da reutilização e da reciclagem é evitar a passagem descontrolada de materiais e objetos usados – os resíduos – para o meio ambiente. A reutilização difere da reciclagem como conceito, pois trata do aproveitamento do resíduo gerado sem que o mesmo sofra qualquer tipo de alteração ou processo, excetuando-se a limpeza, podendo ser utilizado para a mesma finalidade original ou outra, porém conservando as características iniciais. Como por exemplo, é as garrafas retornáveis de refrigerantes e cervejas, que são utilizadas como embalagens diversas vezes.

A reciclagem refere-se ao aproveitamento dos resíduos para, após uma série de processamentos, retornar ao processo produtivo, como matéria-prima, daí gerando produtos novos. Exemplo é o das garrafas não-retornáveis de cerveja e outras bebidas, que podem ser separadas do lixo e encaminhadas à indústria de fabricação de vidro, onde são utilizadas como matéria-prima no processo, gerando novos produtos de vidro.

Os programas de reciclagem que são desenvolvidos devem ter, como objetivo central, exatamente esse aspecto de educação ambiental, uma vez que, por si só, a reciclagem não resolve o problema da maior parte dos resíduos. Ela deve ser encarada como uma alternativa de minimização de custos no seu sentido mais amplo, pois reduz a necessidade de áreas para a disposição de lixo, e a pressão sobre os recursos naturais, entre outros.

De acordo com a pesquisa realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, em 1997, 72% dos brasileiros estariam dispostos a fazer a separação do lixo doméstico (em 1992 apenas 59% tinham esta intenção) e 56% estariam dispostos a trabalhar como voluntários em Organizações Não Governamentais (ONGs) de proteção ao meio ambiente.

Segundo JARDIM et al (1995):

Um dos princípios básicos da educação ambiental sobre o lixo proveniente da Agenda 21 é o conceito dos três R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Reduzir: o cidadão deve aprender a reduzir a quantidade do lixo que gera, quando possível. Deve entender que redução não implica padrão de vida menos agradável. É simplesmente uma questão de reordenar os materiais que usamos no dia-a-dia.

Uma das formas de se tentar reduzir a quantidade de lixo gerada é combatendo o desperdício de produtos e alimentos consumidos.

A partir do momento em que este desperdício resulta em ônus para o Poder Público e para o contribuinte, a redução do volume de lixo significará redução de custos, além de fator decisivo na preservação dos recursos naturais.

Menos lixo gerado também implicará em estrutura de coleta menor, e também em redução de custos de disposição final.

Reutilizar: existem inúmeras formas de reutilizar os mesmos objetos, até por motivos econômicos. Escrever nos dois lados da folha de papel, usar embalagens retornáveis e reaproveitar embalagens descartáveis para outros fins são apenas alguns exemplos.

Uma parcela do comércio formal já contribui para essa prática, na medida em que os ‘sebos’ trabalham basicamente com livros usados, assim como os ‘brechós’ comercializam desde roupas até móveis usados.

Reciclar: a reciclagem forma o terceiro ponto do tripé, sendo a alternativa quando não é mais possível reduzir nem reutilizar.”
No processo de educação ambiental deve ser esclarecido, dentro das condições de comercialização quais materiais são recicláveis e quais não são recicláveis (ver como exemplo Tabela 2).

Os materiais para serem considerados recicláveis precisam ter possibilidade de comercialização e industrialização. Caso contrário os materiais selecionados acabarão virando lixo.




Tabela 2 – Materiais recicláveis e não recicláveis

Material

Reciclável

Não Reciclável

Papel

Papel branco

Papel misto

Papelão

Jornais


Revistas

Fotocópias

Cartazes

Envelopes



Papel carbono

Celofane


Papeis plastificados*

Parafinados

Fita crepe

Fotografias

Tocos de cigarro

Papeis metalizados*

Papeis sanitários


Metais

Latas e tampas de aço

Latas de alumínio

Ferragens

Arames


Chapas

Embalagens de aerosol

Vidro

Garrafas

Copos


Potes

Cacos


Cristal

Espelho


Lâmpadas

Porcelana

Louça

Tubos de TV



Plásticos

Garrafas

Frascos


Potes

Tampas


Brinquedos

Sacos e sacolas



Isopor

Espuma


Acrílico

Adesivos



(*) Embalagens cartonadas, tipo leite longa vida e sucos são recicláveis desde que em grande quantidade.

As vantagens com a reciclagem podem ser separadas em três grandes grupos: ambientais, econômicas e sociais.


Dentre as vantagens ambientais com a reciclagem há a redução do volume de lixo a ser disposto no ambiente e conseqüente diminuição da poluição do solo, da terra e do ar; e a preservação de fontes esgotáveis de matérias primas e de energia.

Como vantagens econômicas podem ser citadas a redução dos custos com a disposição final do lixo, a economia na recuperação de áreas impactadas pelo mal acondicionamento do lixo, redução do consumo de energia economizando recursos naturais, redução do custo de matérias primas e redução de gastos com a saúde pública.

Dentre as vantagens sociais da reciclagem há o resgate da cidadania de indivíduos marginalizados pela sociedade, geração de emprego e renda, a educação ambiental e a conscientização da população.

Algumas das vantagens obtidas com a reciclagem podem ser vistas na tabela 3.


Tabela 3 – Vantagens da reciclagem comparadas ao processo de produção com matéria prima virgem

Redução (%)

Papel

Vidro

Ferro

Alumínio

Plástico

Uso de energia*

Uso de água

Poluição d’água

Poluição do ar

Uso matéria prima


23 – 74

58

35



74

20 pés eucalipto



4 – 32

50

-



20

100 por t



47 – 74

40

76



85

90


90 – 97

-

97



95

75


89

-

-



-

-


*a variação de valores deve-se aos diferentes processos industriais.

Fonte: Wordwatch Institute, 1987


Segundo o Sr. José Roberto Giosa da LATASA – Latas de Alumínio S/A, em palestra proferida no 1º RECICLE – SHOW, “a produção de alumínio no Brasil consome 17.600 Kwh por tonelada e a produção de alumínio reciclado apenas 750 Kwh por tonelada, ou seja, uma economia de 95,74% de energia elétrica”.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal